quinta-feira, abril 24, 2008

o fiapo fêla da pulta que não era um fiapo.

já falei aqui uma vez sobre os fiapos de frango que agarram nos dentes. essa é sem dúvida, umas das sensações mais horríveis que existem. e nessa pequena enquete, estou incluindo uma derrota do flamengo para o vasco, um episódio de zorra total e o sabor de um toddynho estragado. bom, esses dias, um fiapo que na verdade descobri ser uma espécie de espinha bem fininha de um peixe, se alojou no último dentão lá do fundo da boca. já usei uns 20 metros de fio dental e nada. já bochechei água em alta velocidade. já tentei esquecer dele. e nada. o fiapo que na verdade é uma espinha de um peixe está lá. não sei se marco uma cirurgia. não sei se arranco o dente. e eu que sempre achei que nada superava o drama do fiapo de frango. tem algo de darwin aí. sem querer cagar regra e falar de algo que eu não entendo-- tem algo do darwin aí. essas espinhas fininhas que se alojam nos dentes de pessoas como eu-- foi a maneira que a natureza encontrou de salvar o resto da galera. um deles, um dos peixes, morre. mas é para o bem dos outros que restam. eu, por exemplo, nunca mais vou pedir este peixe. e vou comentar com qualquer um que esteja na mesa comigo sobre isto. como se fosse o kevin costner no filme "the bodyguard". vou pular na frente de qualquer pessoa que ameaçar pedir tal peixe. o fiapo. que na verdade era uma espinha. fina e chata. fêla.

a vigésima segunda maravilha do mundo.

digo que é a vigésima segunda pois tenho certeza que existem lugares mais fucking fuckers que este. mas, cá entre nós, o vigésimo segundo posto não é de se jogar fora. que caráio de lugar é esse? o bar do hotel do chiado. ao lado do armazem do chiado. no sétimo andar. impressionante. ao chegar lá em cima, você fica meio puto por não ter descoberto antes. deve ser o único lugar de lisboa em que você tem a vista para o castelo e para o rio tejo, ao mesmo tempo. e isso, esparramado em cadeiras de madeira-- que quase sempre estão disponíveis. uma cerveja gelada. e uns sandubas mais caros do que o normal, mas bem feitos. meu amigo, mas isso, o preço do sanduíche e o da cerveja não importa tanto. você não vai se lembrar que foi assaltado e pagou 5 euros numa cerveja. não, você vai lembrar que conseguiu transformar uma mísera hora num dia inteiro. recomendo por milhares de razões. a principal delas é que você ou vai concordar comigo que se trata da vigésima segunda maravilha do mundo ou vai até mesmo elevar a posição deste lugar no mesmo ranking.

terça-feira, abril 22, 2008

os erros vizinhos.

mais uma mea culpa. os erros de português deste blog não são raros. o andre peixoto, o peixinho-- dia desses reclamou da quantidade das derrapadas gramaticais. foi mal peixinho. e ele tem toda a razão, afinal de tanto escrever aqui-- eu deveria pelo menos-- prestar atenção nas letrinhas. mas confesso que bate uma pequena preguiça. não de re-ler o que foi escrito. mas de fazer o login, acessar o blog, editar, isso, e aquilo. tudo por uma letra fora do lugar. bom, e como dá para entender o que está escrito, acabei me convencendo de não voltar atrás para fazer essas pequenas correções. e, tem um negócio que eu já notei. muitos dos erros são erros vizinhos. e oque são os erros vizinhos? simples. olhe para o teclado do seu computador. está vendo a letra "o"? então, ela é vizinha do "u". tem vezes que a palavra é para ter um 'o' no final, e sai com 'u'. o que, na minha sincera opinião, é um erro menor. muito menor. erros vizinhos deveriam sempre ser perdoados. pode notar, sempre que ocorre um erro bizarro, é um erro vizinho. o 'k' no lugar do 'l'. e por aí vai. os erros vizinhos já fuderam muitos currículos digitados com pressa. é aquela entrevista que pintou de surpresa e o tal lugar precisava de uma pessoa com uma habilidade específica. e aí na hora de adicionar essa ou aquela informação, pimba, um erro vizinho entra acaba com as suas chances do novo emprego. emails circulam por aí com muitos erros vizinhos. emails são escritos com pressa. quase sempre enquanto você faz alguma outra coisa. aí entra o 'p' no lugar do 'o', e a mensagem chega quase cifrada. erros vizinhos. fique esperto, acontecem quando você menos espera. ah, e desculpa lá peixinhu.

os óculos escuros que não satisfeitos em conquistar você, também querem fisgar quem olhar para você.

ok, o título deste texto é um bocadinho confuso. (bocadinho, para quem é brasileiro é a maneira que o português diz 'pouquinho.') bom, mas esses dias enquanto tirava a poeira dos meus óculos escuros, observei uma coisa meio óbvia, mas que estava lá. a marca, ray-ban, estava estampada dos dois lados e na lente. grande. não que dê para ler de longe. mas o suficiente para--num restaurante, por exemplo uma mulher poder comentar: "olha aqueles ray-ban daquele cara ali amor, não são legais?" e desde então comecei a prestar atenção neste negócio. que eu sei que é meio óbvio, mas não deixa de ser curioso. os óculos, não satisfeitos em fazerem você gastar uns 80, 120 euros num par-- também querem que você faça propaganda ambulante deles. eu já sei que se trata de um par ray-ban. estava escrito na caixa e na garantia. mas não, isso não é suciente. preciso da marca estampada de ponta a ponta dos meus óculos para ter certeza disto. bom, apenas uma observação. nada mais. nada menos. mas não custa nada. aproveite a chegada do verão e preste atenção nas centenas de milhares de mini-outdoors agarrados nos rostos das pessoas. tenho certeza que sem querer você vai comentar sobre um deles e se der mole vai largar seus 80 mangos suados em alguma loja de um shopping com ar condicionado.

a teoria do kasparov. ou lost. ou perdidos. ou caramba, se o taxista está mais perdido do que eu, fodeu.

não existe autoridade maior do que um taxista no que diz respeito a endereços. caminhos. traçados. distâncias. um taxista é o equivalente ao kasparov, o maior jogador de xadrez de todos os tempos-- e, nesta comparação, o gps seria o deep blue. aquele computador de x zigalhões de megahertz da ibm-- que travou uma das maiores batalhas do século com o mestre fucking fuckers do xadrez. mas voltemos ao taxista e deixemos o kasparov e o deep blue para outro dia. pode servir com um bom assunto para um outro post. bom, peguei um taxi hoje-- diferente. o cara estava meio tenso. perdido. olhava pelos retrovisores, e parecia estar rezando, torcendo para eu dizer um endereço de destino fácil. mas aí, meu amigo, quando eu falei o endereço, que, coincidentemente hoje era bem complicado, o cara ficou azul. gaguejava. acho que só não pagou um outro taxi para me levar porque deve ser no mínimo estranho fazer isso. ou os colegas da profissão poderiam rir dele. não sei. só sei que eu me vi no lugar dele. já estive com aquela sensação infinitas vezes. sem saber se eu pgava a direita ou a esquerda. mas eu nunca esperava ver esta reação no mestre dos caminhos. no kasparov das ruas. foi como descobrir que o pelé é um perna de pau. como ir jantar na casa do jamie oliver e o cara não saber fritar um ovo. como encontrar a gisele bundchen numa praia e encontrar uma baranga. como encontrar o darth vader caminhando pelo parque cantando flores para uma senhora. ok, ok, você entendeu. foi uma grande decepção. das maiores. de toda a minha vida. resumo da história, cheguei um pouquinho atrasado na reunião. e convenci o fera a investir um dinheirinho num gps.

sexta-feira, abril 18, 2008

a teoria do steak tartare. ou, "mas, meu amigo, está cru! você enlouqueceu?"

puta prato engraçado. não sei se você já comeu. e não digo isso com o nariz empinado como quem pergunta se você conhece. mas digo isso, pois não é todo mundo que encara um prato com carne, filé cru. não é mal passado. cru. resumindo assim meio sem muitos detalhes para não falar besteira. o bife tartar ou steak tartare é um pedaço de carne cortado em pequenos pedaços. bem pequenos. muito pequenos. passa longe do fogo. ai, colocam uma gema de ovo em cima. molho inglês, alguma erva zambers, mostarda, alcaparras e mais uns dois ingredientes, acho que um ketchup cheio das nove horas e uma colher ou um garfo. não para comer. para você misturar a bagaça toda na sua frente. ai meu amigo, depois de completar o mix, você come. eu gosto. tem gente que odeia. não é como comer sashimi, por exemplo. é bem diferente. é mais pesado o negócio. e enquanto eo comia um ontem, desenvolvi uma teoria. ou uma idéia. ou pelo menos um assunto para falar aqui. a teoria do steak tartare. é simples: é o melhor prato que existe para um restaurante. não dá trabalho. apenas cortar a carne e juntar os ingredientes. mas quem faz mesmo o trampo é quem vai comer. mas o que eu acho mais fudido nesse prato, é que você não pode reclamar. meu amigo, foi você que misturou a bagaça. foi você que fez. o único foco do restaurante é a qualidade da carne. depois de ter certeza que a carne é das melhores, o resto é com você: "te vira meu irmão, mistura, se serve e come." ah, tem um outro detalhe importante. o nome. o nome é meio fresco. meio francesinho. meio, "olha como eu sou sofisticado." então, os caras podem cobrar um grana boa pelo tal prato. e você paga. eu paguei, pelo menos. é a teoria do steak tartare. com a correria do nosso dia a dia, e clientes cada vez mais exigentes, é o prato perfeito. toda a responsa fica com o cliente. o restaurante tem o mínimo trabalho. e tem um nome fresco para cobrar um din din bacana. aproveitando o textinho do smint&gum lá de baixo, fiquei imaginando como inventaram esse prato. o chef na cozinha: "caráio! cadê aquele prato de carne quase moída que estava aqui? eu ia colocar no forno!! cadê!!!" e um garçom novo, meio com vergonha: "putz chef, a mesa 7 estava reclamando da demora, e eu estava tenso, nem notei que estava cru!" fodeu, os dois pensaram. e o chef e o garçom passaram o resto da noite espreitando pela janelinha da cozinha, observando a mesa 7. a mesa 7 não reclamou. talvez por vergonha também, afinal aquele era um restaurante fino. o chef inventou um nome, e todos viveram felizes para sempre.

quinta-feira, abril 17, 2008

miopia. - 4.0 e o respeito pelos piratas.

dia desses caiu uma lente. acho que a do olho direito. tenho miopia. 4 graus. nunca usei óculos. ok, em casa. e bem de vez em quando, quando os olhos expulsam as lentes. sempre usei lentes. miopia. não ver de longe é foda. mas com a lente, você acostuma. mas voltemos ao olho direito sem a lente. fiquei, durante umas três horas ou quase quatro praticamente cego de um só olho. não via picas. nada. quase bati numa quina de uma porta aqui na agência. estava com pressa para uma reunião e quase soquei a cabeça na parede. bom, tudo isso para dizer que cheguei a conclusão que não é fácil ser pirata. puta negócio difícil. com todo o respeito. navegar. lutar. acender o canhão. porra. é foda. se andar, circular pelos corredores, para pegar um café e voltar até a sua mesa já é punk,como foi comigo. imagino o fera do pirata. em alto mar. tentando acender o canhão. para acertar o outro navio. e desviar da bola do outro canhão. complicado. passei a valorizar mais os caras. mesmo que invariavelmente sejam os bandidos dos filmes de aventura. não que eu vá agora passar a torcer pelos feras, mas, definitivamente, mais respeito pelo trabalho deles, putz, com certeza. dia desses caiu uma lente. acho que a do olho direito.

sopas extremamente apetitosas. ou como foder o seu apetite.

nada contra sopas. algumas são bem interessantes. mas portugal tem um esquema que é difícil resistir. muito. é a tal sopa do dia. por míseros dois mangos. você come uma sopa grossa de legumes. ou com camarões. ou com mariscos. ou com alguma coisa que você fica com água na boca só de digitar aqui. e digo que é impossível resistir pois todo mundo pede ao seu redor. aí sobe aquele aroma delicioso, e você pede uma. e quando você pede uma, meu amigo-- fode o seu apetite. minutos depois chega o bacalhau com molho de natas e aí depois de umas duas ou três garfadas fartas, você começa a ensaiar uma desculpa bacana para o dono do restaurante: "putz, seu antônio, não é a comida da sua mulher. juro." e ele sai com o prato ainda com uns 60% da comida e com um ar de quem está metade decepcionado, metade preocupado com o negócio: "se esse cara continuar deixando a comida no prato, é um sinal de que as coisas não estão lá assum tão boas." a vontade é chamar o cara e dizer: "a culpa é da sopa. a culpa é da fêla da pulta da sopa. mas o dono de um restaurante não entenderia." é um esquema engraçado. a sopa de entrada de portugal. irresistível. farta. mas acaba fudendo o seu apetite para um prato igualmente apetitoso.

smint & gum. dois em um. um em dois. ou o fera que salvou a sexta-feira.

smint & gum para quem não conhece, é smint e gum. eu sei, eu sei, é meio óbvio. mas não deixa de ser minimamente curioso. um chiclete que é bala de menta. uma bala de menta que é chiclete metade, metade. se você gosta dos dois, fudido. se você gosta de um dos dois, legal. se você odeia os dois, é a pior coisa do mundo. eu curto. acho bom. muito bom. bem refrescante. depois de um prato regado no alho ou na cebola, é o antídoto perfeito. meu amigo, você não teve tempo de dar um pulo no trabalho para escovar os dentes depois do almoço e antes de uma reunião? smint & gum para dentro. imagine um smint gigante. é um smint do tamanho equivalente de 8 smints juntos agora some um naco de chiclete dos grandes do outro lado. o slogan na caixinha não deixa muita dúvida do poder da bagaça: "explosão de frescor!" e o negócio explode mesmo. ok, não explode. mas quase cria estalactites (é assim que se escreve?) nos cantos da boca. curioso. fico imaginando o esquema na hora da criação deste produto. aqui a gente volta no tempo. entra uma musiquinha daquelas de seriados dos anos 80, e voltamos para, sei lá, ano dois mil e pouco. para o dia que foi pensado ou criado o tal produto. a tarde na empresa, na fábrica que o pessoal decidiu dar vida ao smint & gum. ok? não estamos mais em 2008. as próximas linhas se passam em 2004, ano da criação do produto. deveria ser sei lá, uma véspera de feriado ou mesmo de uma sexta-feira. o sol estava fervendo lá fora. entrando pela janela. o pessoal de pesquisa, ou melhor o pessoal do research and development reunido numa sala apertada. era o momento, a hora de definir o novo lançamento do ano. o sol entrando pelo cantinho da janela, e o pessoal se olhando meio de canto de olho. e foi aí que um deles salvou o fim de semana. o feriado. um deles, um gênio. uma lenda. esse fera levantou a mão e disse: "putz, ao invés de de passar a noite inteira aqui discutindo qual seria o melhor produto: o smint ou o chiclete para lançar este ano... e se, a gente juntasse os dois?!" todos olharam para ele com um ar de esperança. um deles soltou o ar e pensou: "não acredito, esse cara vai salvar o nosso fim de semana!" e o tal cara continuou a falar sobre a tal idéia:"... um só produto. smint+ gum!" em alguns milésimos de segundo, todos concordaram. todos. sem pancadaria. sem putaria. nada de divisões. nada de só smint ou só chiclete. a paz reinou. e o fim de semana estava apenas começando.

quarta-feira, abril 16, 2008

a coluna do destak de hoje




toda quarta-feira, sai uma coluna no destak. um jornal gratuito aqui de portugal. um jornal bem bacana, e não é porque eu escrevo. super bem diagramado, com reportagens bem feitas. enfim, um jornal muito bom. e o melhor, super acessível pois como disse ali em cima, é de graça. gratuito.

a coluna "um brasileiro em lisboa." sai no caderno de viagem do jornal. como título diz, é a visão, ou a vida. não, é o dia-a-dia de um brasilero em lisboa. sempre pensei em colocar a coluna aqui. mas sempre pensei, nunca tomei a iniciativa de ir lá, pegar no site do jornal e colocar. bom, essa é a idéia, toda quarta-feira, pegar a coluna e colocar aqui. essa é a coluna desta semana. sobre veneza.

olhando assim, as letrinhas estão pequenas. mas se você clicar sobre a dita cuja, ela abre um tiquinho maior.

no site, você encontra em pdf todas as edições do jornal. e, se você gostar da coluna desta semana, basta clicar nas edições de quarta. ao clicar, um pdf abre e pimba, a coluna estará lá. quase sempre na penúltima página. um brasileiro em lisboa.

se você tiver tempo e pouquinho de paciência, encontra.
acho que são umas 40 colunas já. um pouquinho mais. um pouquinho menos.
a grande maioria delas, se você não conhece lisboa ou portugal ou mesmo a europa, têm alguma dica, observação, alguma coisa que pode acrescentar uma viagem por essas bandas. até porque, esse é o nome do caderno do jornal que ela está.


o link está logo abaixo.

detalhe: você vai notar, é claro, se ler, que o português está bem português. o mérito é do peixinho. andré peixinho peixoto. a lenda. o mito. o redator, não redactor português que sempre que eu preciso dá uma mão, um braço, e revisa o meu português brasileiro para o português lisboeta.

http://www.destak.pt/edicoes/lisboa


sucrilhos de bola. 2


só para fazer uma mini-propaganda de um mini-site. o sucrilhos de bola. que tem um link logo ali em cima-- continua lá. firme. ok, menos atualizado que um dia anunciado. mas promete voltar com força total. ou quase. hoje, por exemplo, ganhou uma história nova. amanhã vai ganhar outra. ou pelo menos esse é o plano. clica lá. ou não. sem pressão.

terça-feira, abril 15, 2008

a única coisa legal de star trek.




não sei se o mundo se divide entre fãs de star trek e de star wars. mas acho que podemos dizer que sim. existem os fãs de um e de outro. não consigo imaginar alguém que seja louco pelas duas séries. pode admirar uma e amar a outra. amar as duas, não. eu, particularmente sempre achei star trek uma bosta. e perdão, se você adora. gosto é uma daquelas coisas complicadas que não se discute. mas tem uma coisa, uma idéia, uma invenção do star trek que eu acho fudida demais. e que me faz apreciar um pouquinho, mas bem pouquinho, a série. é o esquema do teletransporte. aquele esquema em que eles, todos os carinhas do star trek entravam embaixo de um tubo de luz e eram teletransportados para a casa do caráio. sabe? puta negócio fudido. talvez não faria tanto sentido no grande esquema de guerra nas estrelas, mas pourra, que idéia fudida. essa é a única invejazinha que eu tenho do star trek. ok, se você é fã , com certeza tem uma lista de coisas geniais que os caras inventaram. acho que o próprio telefone celular estava lá em algum capítulo de star trek em 1960 e tal. bom, mas beleza. o cara que criou o programa tinha lá os seus picos de genialidade. mas confesso que não consigo enxergar muito-- por um motivo muito simples. as roupas. um esqueminha em que todos se veste com essas roupas, não sei. acho bem mais ou menos. dá uma sacada na foto acima. que roupinha quisita. mas como você já sabe, o teletransporte dos caras é foda.

como era mais emocionante antes quando não existia caixa postal-- apenas a boa vontade da sua mãe.

mensagens. me lembro quando você ligava para alguém e encontrava do outro lado da linha uma secretária eletrônica com fita. aquela microfita que gravava o que você dizia. as pessoas chegavam em casa e "play". passaram alguns anos e as secretárias eletrônicas passaram a ser digitais, sem fita. era chegar em casa, e pimba, "play". depois veio o serviço das operadoras de celular, em que você liga para um número e escuta as suas mensagens. e é mais ou menos assim que estamos hoje. algumas pessoas já nem se importam e deixar mensagens. mandam um sms meio cifrado. algumas palavras num text message que já diz tudo. economizam duas chamadas. a primeira para deixar a mensagem. e a segunda que a pessoa que não estava teria que fazer para escutar aquela mensagem. esse esquema de mensagem está cada vez mais impessoal. não sei se é melhor ou pior. certa vez li em algum lugar que as pessoas-- muitas vezes preferem que a outra não esteja para deixar o recado. é mais fácil. gasta menos tempo. e você sabe como é que é essa coisa de tempo. está cada vez mais curto. não sei, mas acho que preferia quando era mais moleque. chegar em casa e minha mãe gritar do outro lado dizendo que tal pessoa ligou. e eu: "mas ligou quando, mãe?" e ela: "não sei ao certo." era mais emocionante. não sei quantos anos você tem. e se você passou por essa época. não existia celular meu amigo. não existia secretária eletrônica. quando eu tinha meus doze anos, eu chegava em casa e se tivesse sorte encontrava um rabisco no verso de uma nota do carrefour com o nome de alguém. eu tinha que decifrar a letra, a hora, e ter certeza que não era um recado velho. e se eu estivesse completamente louco para falar com uma menina e ela ligasse, as chances de eu atender esse telefoneme eram praticamente nulas. minha mãe, ou mesmo a vera que trabalha até hoje lá em casa-- eram rápidas. muito rápidas. atendiam toda e qualquer chamada. e aí, você sabe, era a emoção de chegar em casa e tentar encontrar uma das duas com algum nome rabiscado ou uma das duas com a informação ainda fresca num canto do cérebro. não sei. é claro que as tecnologias têm lá as suas vantagens. mas a emoção de nunca saber se tal pessoa ligou, ou se tal festa fora adiada, ou isso, ou aquilo-- era divertido. mensagens. me lembro quando você ligava para alguém e encontrava do outro lado da linha uma secretária eletrônica com fita. ou a mãe de um amigo com uma caneta bic com a tinta falha na mão.

queijos em fatias. todos eles.

acho que todo queijo do mundo deveria ser fatiado. eu sei, eu sei, alguns quejos não podem ser fatiados. mas assim como inventaram uma melância quadrada no japão, poderiam dar um jeito, quebrar um galho forte. todos os mesmos queijos, disponíveis em blocos, quadrados, grandes esferas. mas também em fatias. aqui em portugal por exemplo, tem o queijo da serra que você corta uma tampinha e soca uma colherzinha lá dentro. é uma espécie de danoninho de queijo. ok, esses queijos, com uma consistência em que é impossível fatiar, beleza. mas todos os outros, acho que poderíamos chegar a um acordo. sem querer foder com o formato original. ainda existirira as lascas de parmesão, as bolas de mussarela. mas também em fatias. na prateleira ao lado. apenas uma sugestão. sempre que mem encontro numa situação de fome no volume 11, não consigo reunir as forças necessárias para fatiar um queijo mais cheio das nove horas. acabo sempre comendo um queijo quente sem vergonha. quase sem gosto. com menos sabor. culpa da preguiça e das fatias. o queijo fatiado impossibilita qualquer esforço maior atrás de um queijo melhor. o cérebro não deixa meu amigo. e foi enquanto beliscava as duas fatias de pão com as fatias de mussarela dentro que pensei nisso: "pourra como seria mais fácil de todos os queijos viessem em fatias." também pensei nas manifestações do pessoal que prefere o esqueminha mais tradicional e por isso também cheguei a conclusão que o esquema mais honesto e menos polêmico seria o das duas prateleiras. que todo queijo do mundo deveria ser fatiado.

sexta-feira, abril 11, 2008

o rubem fonseca. ou , o que ler quando um livro obeso derrota você.

tento ler livros grandes, daqueles que precisam de um marcador. livros que vencem as semanas. tento, sem muito sucesso. tenho mais facilidade com contos, crônicas e qualquer coisa com menos de 7 páginas com começo meio e fim. digo isso pois dia destes após ler uma reportagem num jornal, ou melhor, após ler uma crítica num jornal, comprei um livro de contos ou crônicas do rubem fonseca: "ela e outras mulheres." histórias curtas. marvadas, como diria um amigo meu. o cara é foda. se você sofre do mesmo problema com os livros obesos, corra ou ande mesmo, para a livraria mais perto. compre um livro do rubem fonseca. é impressionante com o fera te pega no contrapé. os personagens são de verdade, as mulheres e os homens sofridos. as palavras, cruas. o cara é foda. recomendo. hoje mesmo comprei 4.

novo!

o renatão, também conhecido como véio, e é claro, renato, deu um tapa no blog. um tapa não. o fera deixou o blog um bocadinho mais bacana. fez um logo, uma marca. ou melhor, fez dois. um para o cabeçalho e um outro lá para os arquivos. o véio, para quem ainda não conhece, ou ainda não clicou no link ao lado (renato ilustras), desenha para cacete. volta e meia você está conversando com ele, e pimba, o fera entra num transe e faz um desenho desses que você não pensaria meia vez antes de colocar na parede da sua casa. mas é isso. se você lê este blog, espero que tenha gostado. se você caiu aqui hoje meio que por acidente, espero que você goste. é o bigode molhado 2.0. ou tunado. como você preferir. o próximo passo é lançar uma camiseta com esse bigode do logo. merchandising. se a novela das 8 da globo faz, porque nói não pode? camiseta ou um adesivo. alguma coisa. menos para ganhar dinheiro. mais para divulgar o bigode que o véio desenhou.

quinta-feira, abril 10, 2008

os dois beijinhos.

- olá! (smack! smack!)
- xííí.... nossa, vai dar merda lá em casa.
- mas... como assim?
- esses dois beijinhos que você me deu.... depois do "olá!"
- ué, dois beijinhos?!
- mas vão deixar marcas de batom.
- e?
- você não conhece a minha mulher. marca de batom, fodeu!
- bom, então vamos aproveitar que você já está na merda para fazer alguma coisa de verdade.
- num motel ou na sua casa?

as fotos que ligam.

o meu telefone celular novo tem um câmera digital. daqueles bem sem vergonha. tira uma foto que ficaria linda num porta-retrato 2cm X 2cm. ou seja câmera é uma bosta. existe apenas para poderem cobrar mais uns 50 mangos no preço final da bagaça. bom, mas resolvi usar a câmera esses dias. fotografei umas 4 pessoas e coloquei aquela esquema que a foto aparece qundo ligam. exemplo: se a minha mulher liga, aparece a foto dela piscando. se liga um amigo, foto do amigo piscando. é uma espécie de indicador de chamada para pessoas com um problema sério de memória. eu deveria pedir para todo mundo que eu conheço ou no momento que eu conhecer e anotar o telefone, para tirar uma foto rápida. todo mundo. não apenas os mais próximos. cliente depois de uma reunião, amigo do amigo da amiga. prima de segundo grau da esposa. e por aí vai. pensando bem, acho que o esquema das fotos deveria ser obrigatório com essas pessoas que você quase conhece. mas não conhece lá assim tão bem. é a melhor maneira de ligar um nome ao rosto da pessoa. comigo o que acaba sempre me fodendo é que ou eu lembro o nome da pessoa ou o rosto. quase nunca as estrelas se alinham e eu consigo juntar os dois. é foda. casamento então é um esquema de fica levando o copo de pros secco ao rosto para evitar falar o nome da pessoa errado. ou é aquele beliscão na mulher: "amor, pelo amor de deus quem é aquela senhora que acaba de levantar as sobrancelhas para mim?" shopping center então é de fuder: "caráio amor, não vamos entrar naquela loja, eu acho que conheço aquele cara, mas não tenho certeza. e acho que já entrei uma vez num restaurante e não falei, mas conhecia... é melhor deixar para comprar tal coisa outro dia." com esse esqueminha da foto é só dar uma passada pelos números de vez em quando para exercitar a memória. melhor, sempre que alguma pessoa dessas ligar para você, não existe mais o risco de ficar pescando assunto até descobrir que é: "hmmm, éééé, hmmmm, ééé.... ah tá.... você!" até agora não tive a cara de pau de fotografar muitas pessoas para o feature identificador de chamadas do meu celular. mas quem sabe, acho que vou começar. é melhor ficar com um tiquinho de vergonha na hora de pedir para fotografar a amiga da mãe da minha mulher quando ela passar o telefone dela-- caso precisarmos de alguma coisa algum dia na cidade tal em que ela conhece tal pessoa que conhece tal pessoa. bom, é melhor ter vergonha nessa hora do que depois na festa de casamento do primo da prima do primo e encontrar essa mesma pessoa e não ter a menor idéia de quem se trata. e passar o resto da festa socando coxinhas de galinha ou risóles-- na boca para evitar errar o nome da moça. o meu telefone celular novo tem um câmera digital.

cadê o zampa? a páscoa e o carimbo do passaporte

o zampa é o apelido do jean zamprogno. o primeiro nome não tinha tanta sonoridade como o sobrenome. então passamos a chamar o fera de zamprogno. mas como você já viu, zamprogno é relativamente longo e difícil de pronunciar. logo, zampa. bom, certo dia, véspera de um feriado desses mais longos, a páscoa para ser mais exato, o zampa entrou numas de queria viajar. mas não viajar para o porto ou até mesmo para a espanha. o zampa parecia que estava jogando "war" o jogo. o fera colou um mapa aqui na parede da agência e sempre que voltava de uma viagem, ia lá e pimba, círculo vermelho no tal país. bom, chegou a páscoa e como está acabando o tempo de estadia dele aqui em portugal, o zampa cismou gastar toda a sola dos sapatos. acho que eram uns cinco países. tudo de trem. frança, alemanhna, hungria e mais uns dois ou três. preguiça de viajar o zampa não tem. e como está com o objetivo de pintar todo o mapa da parede com os pequenos círculos vermelhos, foi fundo. mas tinha um detalhe: o visto de turista do zampa não dava direito a entrar em certos países, valia somente aqui em portugal. portugal, não frança ou alemanha, por exemplo. fast forward para a segunda logo após a páscoa: "alguém viu o zampa por aí?" e nada do zampa. no dia seguinte, a mesma coisa. na quarta-feira alguém comentou que talvez o zampa tivesse se empolgado e poderia ter ido ainda mais longe: "quem sabe o zampa não foi até a russia?" o mapa que o zampa colara na parede dava muitos argumentos para esta teoria. mas aí foram passando os dias, o zampa não ligava, o telefone dele não tinha sinal. passa o fim de semana, e nada do zampa. caráio, cadê o fera. e foi aí que, ao voltar do almoço, toca o telefone. meio falhando, meio longe, e estava lá o zampa. não, o zampa não estava na russia. muito menos caminhando de mãos dadas com uma francesa. não meu amigo, o zampa havia passado quase cinco dias num centro de detenção para estrangeiros. num esquema meio prisão. cismaram com o zampa. com o projeto "war" dele. de conquistar x países. um alemão, acho, não curtiu muito o esquema do carimbo dele se resumir a potugal. e mesmo com uma passagem de volta marcada para o brasil, o zampa foi detido. advogado. juri. ameaças de ser jogado num avião para o brasil no mesmo dia. e como já disse, o fera passou a páscoa e mais uns 4 dias dormindo em beliches, cercado de pessoas de todo o mundo que também estavam com um passaporte com as datas fora de ordem. hora para comer. hora para tomar banho. tensão com o sabonete. no final, alguma coisa deu certo. porque, num certo dia, o zampa entra pela porta. sem nenhum círculo vermelho para colar no seu mapa de consquista do mundo. mas cheio de histórias para contar. o zampa é o apelido do jean zamprogno.

cabem três. mas são mesmo três.

hoje, ao sair de um café que fica acho que no terceiro andar de um prédio, li um sinal, um aviso na porta de um elevador que achei no mínimo engraçado:
"cabem três, mas são mesmo três."
puta elevador cheio de personalidade.

o papel toalha. o ventinho. e a tolha de pano.

a maioria dos restaurantes ou tem o esqueminha do papel ou o do ventinho. é um ou o outro. não tem muito como escapar. eu diria que quase 50% / 50%. mas, uma vez ou outra, eu encontro o da toalha de pano que dá voltas numa geringonça. esse é estranho. meio anti-higiênico, diria. o ventinho deixa quase seco. o papel toalha é o melhor, mas tudo indica que corta mais árvores do que gostaríamos. por isso, creio que o ventinho vai acabar engolindo o esquema do papel. mas tenho visto ultimamente essa história da toalha de pano ganhar força. dia desses fui num restaurante que tinha. e, por sorte minha, após tirar a água do joelho, encontrei a toalha de pano no último giro. sorte, pois era o último naco de toalha de pano seco. o resto do rolo inteiro ainda estava húmido de outros clientes. um alívio. logo após que eu sequei as minhas mãos enxerguei um fera saindo do banheiro. ele olhou para a geringonça da toalha de pano e sentiu que estava na merda. afinal, eu havia usado o último giro. eu olhei meio de lado como quem diz: "foi mal fera. a culpa não é minha, é do greenpeace que deixa as pessoas com peso na consciência com o papel toalha-- ou do filho da puta que inventou o ventinho quente. como aquela bosta não funciona, inventaram a toalha de pano." em outras palavras, ao entrar no restaurante, antes de pedir um chopp, ou melhor antes de pedir o quinto chopp, descubra qual é o esquema do restaurante. se for toalha de pano, fique esperto. ou prenda a vontade de tirar a água do joelho até chegar em casa.

terça-feira, abril 08, 2008

um casal. um atraso. uma bunda e dois peitos.

- vamos?
- mas eu não estou pronta.
- mas amor.
- mas eu não estou pronta.
- eu estou pronto desde, desde...
- e?
- e você não está.
- quase.
- quase pronta? você ainda está de calcinha.
- e eu nem sei se vou com essa, o vestido é transparente na luz forte. pode aparecer a renda.
- cacete joana, a gente vai chegar tarde.
- olha se você continuar reclamando, aí é que vai piorar.

meia hora depois, ela entra na sala pelada e pergunta:
- vamos?
-mas, você está completamente nua.
- estou carregando a bolsa.
- mas, pelada.
- você não estava com pressa?
- mas...
- vamos?
- acho que agora sou eu que não estou pronto para um esquema desses.
- mas amor...

idéias que eu queria ter tido. mas que, pelo título deste textinho, você já sabe que eu não tive. 2

o ouvido, o nariz e os dentes.

certa vez escrevi aqui que uma das coisas mais complicadas é contar para alguém que aquela pessoa está com um pedaço de alface agarrado nos dentes, uma meleca teimosa pendurada no nariz. é estranho, ou pelo menos mais difícil do que dizer que tem uma formiga a caminhar pelo braço da mesma pessoa. bom, esses dias descobri um terceiro negócio que acontece. seguindo os mesmos moldes. o ouvido. pedacinhos de cera no ouvido. juro que passo cotonetes nos ouvidos todos os dias depois do banho. desde moleque. mas nunca peguei um espelho depois do banho e com algum malabarismo procurei saber se os canais auriculares estavam 100% limpos. a partir do momento que o cotonete cai dentro da pequena latinha de lixo, eu saio de casa com a certeza que está tudo na boa. bom, mas esses dias no ônibus, no autocarro, me encontrei espremido entre duas pessoas. um senhor e uma jovem. um de cada lado. o senhor estava do meu lado esquerdo. o que me forçava a olhar, obrigatoriamente para ele, já que era a direção da rua. o senhor era mais alto que eu, e bem mais velho. o que não tem nada de errado. tenho certeza que sou muito mais velho que muita gente. mas o que era curioso é que esse senhor estava com uma das orelhas, ouvidos, meio bagunçado. cheio de coisinhas. pequenas moléculas de cera. pelo menos o ouvido que eu econseguia ver. não era nada nojento do tipo: "meu deus, esse cara não toma banho." mas, digamos que ele deveria passar o cotonete com um pouquinho mais de profundidade. e foi o ouvido desse fera que me fez colocar o ouvido na mesma categoria do nariz e dos dentes. coisas que você não consegue ver sem alguém lhe avisar-- mas que podem estar lá, o dia inteiro gritando para o mundo que você está com alguma coisa fora do lugar. e acho que o ouvido é pior do que os dentes e o nariz. com esses dois últimos ainda é possível dar uma sacada no espelho. o ouvido não, meu amigo. boa sorte.

o poderoso chefão II e syncronicity II.

o poderoso chefão você conhece, acho que em portugal se chama o padrinho. syncronicity é uma música do the police. mas como você pode ver pelo título desse textinho, quero falar mais especificamente sobre o segundo poderoso chefão, the godfather part II e a música do the police, só que a que tem o mesmo nome, mas que também é "II", syncronicity II. estava escutando agora mesmo no meu itunes e cheguei a conclusão que essa música tem uma relação muito especial com o filme do coppola. você deve estar aí pensando: "porra, mas que falta de assunto do cacete e esse fera agora querendo arrumar algum assunto que ligue o poderoso chefão II e syncronicity II!" bom, parece exagero. e confesso que também não tinha lá tanto assunto. ou pelo menos, algo melhor que esse. mas voltemos ao assunto do título. é muito simples, essas duas segundas versões, ou sequências -- são melhores do que os originais. e mais importante: os originais são obras de arte. são fucking fuckers. o poderoso chefão original é fudido, é melhor, bem superior do que uns cem milhões de filmes. mas não é melhor do que poderoso chefão II. poderoso chefão II consegue ser mais fudido. syncronicity, a primeira, é uma música que ganhou um lugar no greatest hits do the police, no show deles 20 anos depois e no meu itunes. mas a syncronicity II espanca a primeira. não tem sequer comparação. é uma covardia. dois casos em que o segundo-- é bem melhor do que o primeiro. e o primeiro é bem melhor do que uma porção de outras coisas. sei lá, achei no mínimo curioso.

cuidado com o creme brule.

qual é o seu esquema com creme brule? você tem problemas com sobremesas? você trata chocolate como um inimigo mortal? então nunca vá ao gruta velha. o gruta é um restaurante que está no guia fucking fuckers ai ao lado, principalmente pela salada. que é boa. mas para compensar o esqueminha da salada que não tem lá tantas calorias quanto um hamburguer obeso, o creme brule te pega de jeito. é um esquema preocupante. você olha para ele e a primeira impressão que ele passa é de mais um pudim, flan, metido-- com aquela casquinha dura açucarada por cima. não é. não fode. é a perfeição da sobremesa. é um negócio que eu poderia passar o dia aqui socando esse textinho com adjetivos, mas não faria justiça. a bagaça é daquelas que qualquer sujeito teria uma enorme dificuldade entre optar pelo creme brule e mais um dia de férias, por exemplo. mais uma vitória do flamengo sobre o vasco ouum creme brule? não sei o segredo, e se soubesse não sei se dividiria com você. menos por egoismo e mais porque não quero você dependente da sobremesa mortal. com problemas. conheço muitas gente que desde que experimentou-- não consegue pedir outra coisa. gente que já jantou em casa e foi até lá para a sobremesa. gente de dieta que não come o prato principal e troca por dois creme brule. qual é o seu esquema com creme brule?

quinta-feira, abril 03, 2008

idéias que eu queria ter tido. mas que, pelo título deste textinho, você já sabe que eu não tive. 1

saladinhas.

sou contra o quiche. isso eu já escrevi aqui. sou contra também saladinhas. salada tem que encher a pança. tem que ser no mínimo uma alternativa viável para um sujeito que quer evitar torturar a balança. fico relativamente desapontado quando entro numas de pedir uma salada num restaurante para depois ficar cantando casca de pão no canto do cesto-- para matar a fome. já escrevi no guia fucking fuckers sobre o gruta velha. lá sim, a salada é de fazer você considerar abrir a calça sob o risco das pessoas verem. após o couvert e uma salada do gruta velha, se você aguentar comer mais alguma coisa, algo não está legal com você, mas beleza, voltemos ao assunto deste textinho, as saladinhas. acho, que todas as saladas que terminam no diminutivo deveriam ser obrigatoriamente abolidas do sistema. do mundo. uma saladinha não poderia ser servida pelo simples motivo que aquele pratinho respingado com azeite não serve para manter vivo, sequer uma formiga (e isso mesmo depois dessa fêla, a formiga ter invadido um pic nic de pessoas relativamente gordas.) saladinhas. esses dias pedi um prato desses que vem com uma saladinha de brinde. a saladinha cabia na palma da minha mão. curioso, fucei o cardápio e descobri que os feras cobram uns cinco mangos, euros, se você entrar numas de comer a saladinha como prato principal. quase chamei a polícia. sou contra o quiche. isso eu já escrevi aqui. sou contra também saladinhas.

o toque do celular e a beyoncé.

o toque do celular diz muito sobre a pessoa. toque baixo com o esqueminha que vibra para mim, é regra. a não ser é claro, que a pessoa sofra de algum problema auditivo, qualquer toque com um volume alto, não faz nenhum sentido. digo isso, porque esses dias no ônibus, o autocarro, um fera atendeu o celular depois de trinta segundos de beyoncé tocando. nada contra a beyoncé, mas meu amigo, se você sente uma vontade indescritível de ser alertado pela beyoncé sempre que quiserem falar com você, coloque num volume, digamos, baixo. ou, é claro, uma outra alterantiva é ter o celular preso ao pulso com um elástico. assim, é possível atender a beyoncé em tempo recorde. não entendo. o celular dz muito sobre a pessoa. esse fera que de vez em quando pega o mesmo ônibus que eu é tarado pela beyoncé. e caga baldes grandes para o gosto das outras pessoas. uma senhora no mesmo ônibus costuma atender uma música clássica, baixinho. acho que é bethovem. baixinho. é que, como ela demora um tantinho para encontrar o aparelho, eu já consegui sacar o toque. educada. gente fina. dia desses até que pediu desculpa, com os olhos pelo toque que ela não conseguia parar. eu respondi apontando com as sobrancelhas para o tiozinho da beyoncé. e ela ficou na boa.

bic pencil #2 0.7



não sei se você tem um lápis preferido. uma caneta. um caderno. alguma mania, daquelas que você só escreve com isso ou com aquilo. não sei ao certo quando foi que começou, ma de uns quatro, cinco anos, para cá, só consigo trabalhar, escrever com essas lapiseiras bic. recomendo. ou não. você pode ficar paranóico como eu e acumular sacos delas em casa. a última vez que eu comprei, foram 140 numa caixa dessas pela amazon. a lapiseira bic #2 0.7 é como a caneta da mesma marca. você nunca consegue acabar a grafite (acho que cada uma vem com 4 grandes dentro), perde, encontra, e nunca mais troca por outra. vai por mim.

terça-feira, abril 01, 2008

o jason lee, o robert de niro, o touro indomável e o my name is earl.

o jason lee da foto acima está, nesta foto, caracterizado como earl do seriado "my name is earl." se você ainda não viu, veja. se já viu, veja novamente. eu tô meio que cagando regra aqui. mas esse programa é provavelmente dos programas mais engraçados e bizarros da tv. digo bizarro como em: "caráio, como é que um filho da puta consegue pensar nisso?" fico lembrando da época que eu era pequeno, moleque e o que passava na tv era "o casal 20" por exemplo. ou "alf o eteimoso" ou "duro na queda", "primos cruzados". programas que, ok, marcaram época e tudo. mas eram ligeiramente mais tranquilos. com enredos mais clássicos. que quase nunca pegavam você no contrapé. fico imaginando como a cabeça de um moleque que nasceu na frente de uma tv com 108 canais-- vai ficar. assistindo programas como "my name is earl", "family guy" e "american dad". ah, e ainda tem um fato bacana. acho que o mais importante de my name is earl e do jason lee. vi uma entrevista uma vez que o jason lee para fazer o papel, deixou a bagaça do bigode crescer de verdade. ou seja, o fera tem um bigode rolando aí desde 2004. só pela dedicação do fera, vale a pena assistir. é de admirar um ator que tem tanta paixão pela arte. pelo ofício. cultivar um bigode farto-- de verdade, desses para um papel, na minha sincera opinião é quase tão foda quanto a quantidade de peso que o robert de niro ganhou para fazer "o touro indomável". ou mais. e não sei se você assistiu, mas o de niro ganhou um oscar e uns 80 kilos para impressionar a academia. cá entre nós, acho o esquema, o metódo de deixar um bigode, bem mais difícil. peso o de niro perdeu depois das filmagens. o bigode do jason lee continua. method acting, diria o james lipton, o carinha do programa "inside the actor's studio." method acting.

o guincho na primavera. e o trailer do verão

não sei se você tem o costume de ir a praia numa primavera logo após o inverno português. mas eu recomendo. não é tão quente. o que é bom. ou melhor, é mais frio do que quente. mas bate um solzinho. o que é suficiente para você não congelar. eu recomendo pegar o carro e ir até o guincho. a praia do guincho ali, perto de cascais. dobrar a calça jeans, e entrar descalço na areia. andar uns dez, talvez quinze minutos. em câmera lenta. se for possível, com uma das mãos agarradas no pescoço de uma long neck sagres-- e voltar. não para lisboa. mas para uma mesa de um desses restaurantes a beira-mar. com aqueles peixes geneticamente modificados (gigantes). um excelente programa de primavera por vários motivos. o principal deles: é um senhor trailer para o verão que está chegando.

a crase e os porques. e a mea culpa.

se você passou na aula de português na sua escola ou se é um um pouco atento, já deve ter notado que eu sou um bosta com as crases e os porques. não consigo acertar as crases. e sempre me fodo na hora de separar ou acentuar os porques. não sei quando foi. acho que no primário que tentei virar master fucking fucker tanto da crase como do porque. como você já sabe, esse plano foi para o caráio. alguma parte do meu cérebro não registra ou como os portugueses dizem, regista as pequenas leis que mandam nesses dois elementos do nossa querida língua portuguesa. portanto, mil desculpas. se volta e meia, ao ler aqui este blog, você sentir que tem algo errado com os "porques", e a "crase"-- você está completamente certo. e tem toda a razão para estranhar. é porque eu abri mão de acertar esse esquema já tem um tempinho. a crase e os porques.

trident senses.

nada contra o trident. gosto bastante. do azul escuro principalmente. mas a trident não está de putaria não. os caras não brincam em serviço. sempre teve o trident normal. aquele clássico que vende na entrada do cinema. do bar. ao lado do caixa da padaria. mas é um fato que o fera se multiplicou. muitos sabores. mas agora a pourra do trident multiplicou também as formas. além do normal, agora também tem fresh, white, splash e um tal de senses. fresh é um esquema que vem numa caixinha com micro bolhas de sabor. ou é o splash que éassim? bom, aí tem o white que como o nome já diz é para deixar os dentes brancos. e agora acaba de chegar o senses. acho que é feito com sabores tipo "chá da índia", "ginseg com menta suave e pitadas de mel africano". uma caráiada de sabores mais zen para capturar a boca de pessoas que se julgam sofisticadas demais para os sabores como tutti fruti, menta e morango que faz bolas. não sei qual é o esquema da trident. conquistar o mundo? os dentes. as bocas. qual é o limite? chiclete sabor arroz com feijão para quando você não estiver comendo chiclete de menta? chiclete sabor suco de melão? até proteger os dentes, a pourra do trident protege. ou pelo menos é o que o bonequinho do dentinho sorrindo afirma na embalagem. tô com um fresh azul na minha frente. já esvaziei a caixa. tai outro esquema do trident. o sabor dura o suficiente para você não reclamar. mas acaba numa velocidade que faz você ter que socar mais um na boca em poucos minutos. apenas uma observação. sem dramas. tudo começou quando vi um poster do trident senses na rua. fiquei preocupado. bateu uma pequena paranóia. de uma invasão de proporções universais mundiais. mas tudo bem. nada contra trident. gosto bastante. do azul escuro principalmente.

quinta-feira, março 27, 2008

o celular de flip e o celular barra de chocolate.

o celular de flip ou telemóvel é aquele que abre e fecha. em alguns países, nos estados unidos por exemplo, se você quiser comprar um desses tem que pedir um "clamshell". estilo concha. a concha que você abre para falar. bom, desde que cheguei em lisboa, andava com um daqueles estilo barra de chocolate. um nokia quase tijolo. não era assim tão pesado. mas também não era o mais leve da turma. cabia em alguns bolsos. outros nem tanto. mas sempre tive pânico ou um quase cagaço de sentar em cima do meu tijolo acionar as teclas e ligar para meio mundo. secar os meus créditos. foder a minha bateria. ligar para o último número discado e convidar a última pessoa que eu liguei para escutar o resto do meu dia até a bateria secar. isso nunca aconteceu é claro. quando você tem pânico de alguma coisa, costuma ficar mais atencioso. mais esperto. mas num belo dia desses, vi uma propaganda num jornal de um telefone desses com flip. pimba, soquei a mão na carteira e comprei. abandonei o tijolo. agora para atender uma chamada, preciso, obrigatoriamente abrir o telefone. faz mais sentido para mim. não sei como consegui segurar a onda durante tanto tempo. como passei um ano inteiro com a porra do tijolo. nada contra o coitado, até porque ele nunca me deixou na mão. nunca. mas durou muito. eu sempre achei que o celular barra de chocolate estava com os dias contados. que uma hora ou outra-- os seres humanos dariam conta que o esqueminha barra de chocolate era uma bosta e iriam pular para o esquema flip. até lançarem a pourra do iphone. esse fêla. que surgiu da cinzas como último sopro de vida do tijolo. http://trocadilhodomal.blogspot.com/2008/03/voc-tem-um-iphone-eu-no.html

balinha sabor café e o sorvete de pistache. e os projetos que não deram certo.

hoje numa reunião encontrei um pote de vidro com balinhas dentro. balinhas de vários sabores. de morango. pêra (puta sabor mais ou menos pêra, como é que um sujeito entra numas de que uma bala sabor pêra será a escolhida num pote de vidro com milhares de outros sabores?). tinha também de limão. e tinha de café. e como eu não tinha tempo para pegar um café e o aquecedor da sala estava um tantinho elevado, o café não era assim a melhor opção para satisfazer a vontade de, café. bom, parti para a balinha. naquele exato instante parecia a opção ideal. depois de um breve esforço para pescar a de café lá no meio, veio a pequena briga com o plastiquinho. segundos depois, mastigava com os meus molares a balinha. não tem sabor de café. não tem sabor de morango também. concordo com o fêla que inventou a tal balinha que ela se aproxima mais do sabor café do que do sabor abacaxi por exemplo. a bala sabor café é o equivalente ao sorvete sabor pistache. eu sei, o sorvete sabor pistache é gostoso para cacete. mas não tem sabor, gosto de pistache daqueles que você tira a casquinha-- nem fudendo. não tem. tem um sabor diferentem e pode até ter a cor de um pistache não torrado. mas não fode. a balinha de café e o sorvete de pistache na minha sincera opinião fazem parte do mundo de produtos que tentaram reproduzir o sabor vencedor de outras coisas-- e quase chegaram lá. chegaram tão perto que acharam justo manter o nome do projeto original. pesquei uma segunda balinha de café. como disse, é boa. muito melhor do que a de pêra. mas não tem gosto de café nem aqui nem na casa do caralho.

barrinha de cereal sabor chocolate. o esquema.

assim já de início, pelo nome, a barrinha de cereal sabor chocolate não faz lá muito sentindo. é claro que existem produtos dietéticos e com menos calorias que utilizam o chocolate como ingrediente. o que não faz lá muito sentido é você chegar numa lojinha, ver uma barra de chocolate ao lado da barrinha de cereal sabor chocolate e optar pela barrinha de cereal. eu fiz as contas, uma barra pequena de chocolate nestlé tem apenas mais 70 calorias que uma barra de cereal com o mesmo sabor. a de cereal não vai realmente influenciar no seu peso corporal. o esquema vai apenas influenciar mesmo é no seu peso da consciência. eu agora, por exemplo, acabei de optar por uma de cereais. continuo como fome. mas sem um pingo de culpa. é o que os marqueteiros gostam de chamar de "trade off".

terça-feira, março 25, 2008

o assobio no show de alguma banda que você esperou uns 10 anos para ver.

não sei se você sabe assobiar colocando o polegar e o indicador embaixo da língua. sabe, aquele assobio que faz o ouvido sangrar lentamente? então, esse assobio. bem agudo e contínuo. esse assobio é muito comum em shows de rock. geralmente shows que envolvem muita gente. em mini estádios ou estádios grandes. mais de 5.00o pessoas, por exemplo. se você é dessas pesssoas que curtem assobiar dessa maneira, não leve a crítica pessoalmente. mas é um negócio que eu não consigo compreender. qual é o prazer de causar a surdez de alguém que está ao lado? na frente e também atrás. será que o fera que sabe assobiar assim, nesse volume 12, sente um tesão quando assobia? será que ele acha que o cantor, que está no palco, lá na casa do cacete, vai escutar alguma coisa? e, se escutar esse assobio brilhante. de uma só nota musical, será que o cantor vai acenar para o público e agradecer? com certeza não. dia desses fui a um show do the cure. eu não via os caras desde 1990. ou algo por aí. do meu lado, um fêla não parava de assobiar. a namorada dele também. tentei ir para o lado. um outro cara também era master plus zen do assobio. fiquei com uma vontade de conversar. puxar um papo com o fera e explicar que não estava conseguindo assistir o show pois sangre escorria pelos meus tímpanos. mas o cara estava com um grupo grande. achei mais sensato acompanhar o show. taí um dos grandes mistérios da humanidade. o assobio com o índicado e o polegar debaixo da língua no volume máximo.

os viciados em hd

não sei se você tem hd. esses hd móveis, que você leva para cima e para baixo. alguns cabem até no bolso. se antes os floppy disks tinham uma capacidade de 1,2 megabytes ou menos, hoje os hds conseguem carregar 500 gigabytes. terabytes. e por aí vai. cabe a sua vinda inteira num negócio que cabe em qualquer lugar. bom, mas quem são os viciados em hd? eu sou, você pode ser, ou ficar. muita gente é. logo logo você vai ver alguma reportagem jornalística sobre isso. o problema é que o hd ficou barato. relativamente barato. você consegue comprar um pen drive daqueles que parecem um chaveiro por sei lá, uns 15 euros. de 2 gigabytes. e aí, você entra num ciclo vicioso. você compra um hd para fazer backup do trabalho, das músicas, dos filmes que você tem no hd do seu computador. aí você gosta da idéia. compra um outro para fazer o back up do computador da sua casa. aí, num belo dia você escuta a lenda urbana de um amigo de um amigo do seu primo que perdeu tudo que ele tinha no hd externo dele. o que você faz? pensa em como os hds externos estão baratos e compra um. ou dois. para fazer um back up do back up. e quando você vê, você tem uns cinco. ok, uns quatro hds. mas o problema não acaba aí. basta você patinar pela fnac para ficar com uma vontade praticamente incontrolável de comprar pelo menos uma nova pen drive. e você compra. o vício em hd externo. você ainda vai sofrer com isso. garanto que só de ler isso aqui, você dever estar pensando se deve ou não fazer mais um back up do seu computador. hein? vá lá rapaz, a sua vida inteira está lá.

a maldição de hemingway.

dia desses ia começar a escrever um post aqui e fiquei meio cafuzo. não tinha assunto. assunto é complicado. as vezes vem. na maioria das vezes não. e muitas vezes, como agora, serve de assunto para momentos como esse, que você não tem. certa vez comprei um moleskine para anotar idéias. para o trabalho e porque não, para esse blog. mas sempre esqueço de anotar. ou melhor já anotei idéias para o trabalho. mas, sinceramente, nenhuma delas serviu. é o que eu chamo de maldição de hemingway. toda e qualquer idéia que surge assim, antes de dormir, dormindo, ou durante o chuveiro, 9.8 de 10 vezes, não são assim apresentáveis. mas eu continuo anotando. vai que. esse post, esse textinho por exemplo foi nesse esquema. tive uma idéia entre os dois toques do alarme. e repeti para mim mesmo: "não esquece de anotar naquele cadernino que o hemingway anotava uma porção de coisas brilhantes, esse pensamento que você teve agora. ou você usa no trabalho ou escreve no seu blog." esqueci a pourra do pensamento. até agora não me lembrei. assim que peguei a pourra do moleskine não saia nada. nenhuma palavra. fiquei olhando, olhando e nada. não tinha assunto. surgiu então a teoria da maldição do moleskine. a maldição do moleskine que também pode ser chamada de a maldição de hemigway. ela, essa teoria, diz que o único cara que conseguiu anotar pensamentos geniais com alguma frequência num caderninho desses foi o fêla do ernest hemingway. ou pelo menos é o que a propaganda do caderninho nos faz acreditar. bom, e teoria também diz, afirma, ou os dois. que todo o resto da população sofre de uma pressão enorme para seguir os passo do hemingway. o fêla de barba branca subiu muito o sarrafo. e, como a expectativa é enorme, sempre dá merda. esse textinho é o maior exemplo disso.

sexta-feira, março 21, 2008

alguns diálogos rápidos.

flávia e bruno.

- amor?
- diz linda.
- só linda?
- como assim?
- eu te chamei de amor e você respondeu "linda"?
- é um jeito carinhoso de falar, e só.
- porque você não me chamou de amor?
- paixão então. a partir de agora só vou chamar você de paixão.
- mas...
- mas o que paixão?
- não sei, acho que "paixão" também é demais.


sandra e paulo.

- você me ama né?
- mais do que você imagina.
- muito né?
- mais do que você imagina.
- assim, é um negócio de outro mundo né?
- mais do que você imagina.
- eu te faço feliz né?
- mais do que você imagina.
- essas perguntinhas estão deixando você puto, com o saco na lua, né?
- mais do que você imagina.

o mostrador.

aqui em lisboa agora, os principais pontos de ônibus têm um mostrador digital que indica quanto tempo falta para o seu ônibus chegar. o que é engraçado. porque o ônibus vai continuar chegando na mesma hora que antes, a única diferença que isso faz é você saber que horas é essa. ou melhor, a única diferença que o mostrador faz é te dar munição para cobrar do motorista: "ô meu amigo, três minutos atrás o mostrador disse que você ia chegar aqui em um minuto. você está atrasado!" ok, ninguém vai fazer isso. mas já pode. e com argumentos fundamentados nessa maquininha. bom, mas apesar de na prática os ônibus continuarem a chegar na mesma hora que antes, a impressão que se tem é de passageiros no ponto-- mais conformados. eles já não ficam torcendo o pescoço atrás do ônibus. ou resmungando. o mostrador traz uma paz de espírito. acabou o desconhecido. o fator x. antes o ônibus poderia chegar a qualquer minuto. as pessoas ficavam olhando para o horizonte de carros apreensivas. agora não, agora o tempo entre os ônibus é o mesmo. o comportamento das pessoas não. agora todos ficam relativamente mais tranquilos. quem quer ler o livro sem medo de perder o lugar, lê. quem quer fazer uma ligação com calma, faz. ou não faz, se ver que falta um minuto para o ônibus chegar. o mostrador digital dos ônibus de lisboa é uma máquininha curiosa. não faz os ônibus chegarem mais cedo. não. mas deixa o passageiro mais conformado e bem relacionado com o ponteiro dos minutos do próprio relógio.

algumas coisas que não são muito legais.

- dormir acidentalmente em cima do braço e, ao acordar depois de horas sobre ele, ter que negociar com o corpo para enviar sangue para o braço.

- entrar num taxi em que ele, o fera no volante-- está com o desodorante meio vencido.

- uma ventania enrolar os fios de aço do varal da sua casa com umas vinte camisas. aí, você se apoia com meio corpo para fora do prédio para tentar desenrolar o fio-- só para ver uma camisa sua cair no varal do prédio ao lado.

- pisar no cocô do cachorro e descobrir isso no ônibus a caminho do trabalho com umas 40 pessoas olhando para você de canto de olho.


- viajar com um desodorante na mochila e o carinha do aeroporto entrar numas que você vai querer destruir o mundo com um tubo roll-on de desodorante nivea. aí, você chega numa cidade meia noite com tudo fechado e tem uma reunião na manhã seguinte antes das lojas abrirem. ou seja as chances do cliente sentir um futum forte na segunda metade da reunião, são grandes. enormes.

dentes brancos e os 8 cafés.

tomo uns 8 cafés por dia. dois pela manhã antes mesmo de sair de casa. a média então é entre 6-8. cafezinhos, não me entenda errado. não são cafés gigantes daqueles que os carinhas do "friends" tomavam naquele coffee shop zambers. café, espressso, bica. café é importante. e gostoso. mas como você pode ver pelo título deste mini textinho, café tem uma relação bem mais ou menos com os dentes. café e cigarro. e como eu não fumo, o que colore os meus dentes de amarelo, com certeza é o café ou o ocasional copo de vinho tinto do post de baixo. bom, e não precisa ser nenhum gênio worldwide fucking fuckers para saber que uma média de 8 cafés por dia ajuda a dar um tom bege aos dentes de qualquer um. o que foi o meu caso. sem dramas. acho que foi a minha mãe que um dia viu um sorriso meu prolongado e notou que os meus dentes já não poderiam ser chamados para fazer um comercial de colgate. adiei o esquema de branqueamento. sempre achei meio estranho aqueles sorrisos nicholas cage com um dentões gigantes mais brancos do que capô de ambulância. até que um dia minha mulher comentou a mesma coisa. sobre a tonalidade dos beges do caninos e tal. foda. a preguiça de colocar a boca nas mãos de um dentista era enorme. mas um dia acabei indo. marquei uma consulta e fui lá. "erick, você não vai poder se mover durante 45 minutos. se você se mover teremos que começar tudo de novo. posso ligar o laser?" 45 minutos depois, e com os dentes mais sensíveis que uma mulher depois de titanic, sai de lá com dentes menos amarelos. meus dentes não estavam com um brilho daqueles de que as pessoas poderiam pentear o cabelo olhando para eles, mas estavam melhores. mas foi na despedida que eu vi o desperdício de tempo. a merda. a dentista olhou para mim e disse: "nas próximas 72 horas, nada de café, vinho, chocolate e tal." e eu pensei: ok. e depois ela emendou: e depois dessas 72 horas, tente tomar um café dia sim, dia não. no máximo, no máximo, estourando, meu deus do céu, tome dois. ai eu comemtei que eu tomava entre 6-8 por dia. ela levantou a duas sobrancelhas como que diz: "putz cara, tu acaba de rasgar um dinheiro forte aqui. força." e fico imaginando se em alguns poucos anos, minha mãe não vai estar presente durante alguma gargalhada minha e vai dizer: "mas meu filho, os dentes, você não ia fazer um branqueamento?"

o copo de vinho e o esquema do asterisco.

é fácil adquirir o hábito de tomar um copo de vinho durante as refeições em portugal. fácil por vários motivos. o preço para começar não é proibitivo. tem também aquela história de que faz bem para o coração. tem o frio que diminui com cada gole. e tem também a variedade. mas o que eu acho curioso, engraçado ou os dois é o momento que o garçom traz o copo até a mesa. ou melhor, que ele traz o copo vazio e a garrafa até a mesa. aí, ele serve um dedo de vinho. e fica esperando você cheirar, sacar a coloração, experimentar. e, como eu não entendo picas sobre vinhos, a situação é a sempre a mesa. ou eu aceno como quem diz que a gente pode pular aquele passo. ou eu finjo que caráio é que eu estou fazendo e tento fazer o ritual. em qualquer uma das duas opções, passo por um ignorante. primeiro porque quando digo que não quero fazer o esqueminha pareço um cara importante demais para seguir o esqueminha. é como se eu estivesse acima das convenções do universo. e segundo, porque quando eu resolvo seguir o tal ritual por mera educação, perigo não fazer na ordem certa, pular um passo. enfim, as chances são grandes de fazer um papel de idiota. por isso, eu tenho uma sugestão. acho que todo cardápio de restaurante deveria ter alguns copos de vinho com asterisco ao lado. aqueles copos você vai pedir, é o que o asterisco indica é que eles, aqueles vinhos do copo não precisam passar pelo ritual. é um acordo silencioso. ao pedir um dos vinhos com a pequena estrelinha ao lado, o restaurante, o garçom e você estão de acordo que o copo de vinho será independente. independente de cheiradas, balançadas, comentários e bochechos. os copos de vinho do asterisco. para pessoas como eu, que não entendem picas, mas gostam, apreciam um copo de vinho transbordando quando está frio para cacete, como hoje, por exemplo.

terça-feira, março 18, 2008

os ovos e o túnel de chocolate sem fim.

tem um negócio muito particular do brasil que eu sinto falta. ou estranho. ou os dois. são os ovos de páscoa. aquele negócio que você entra num supermercado e vê um túnel de chocolate colorido. com papel que brilha. personagens engraçados. pessoas oferecendo provas e as vezes até música tocando. páscoa no brasil é foda meu amigo. é como se todo o chocolate do mundo fosse passar férias no brasil. é chocolate para cacete. os ovos mega plus zambers de chocolate aparecem umas três semanas antes da páscoa e desaparecem duas depois. é muito louco. nunca vi nada parecido em outro lugar do mundo. e tem uma coisa interessante dessa orgia de chocolate, você não esquece que é páscoa. nunca. é uma espécie de lembrete. você passa o mês inteiro sendo lembrado repetidamente que é páscoa. não tem muito como não lembrar. ou esquecer. aqui em portugal eu vi um kinder ovo atrás do balcão de uma pastelaria. médio. ao lado de uma garrafa de conhaque. só me lembrei que era páscoa pois algum amigo me disse que iria viajar. e eu, meio cafuzo: "mas assim, como não quer nada, você não vai trabalhar na sexta?" e ele: " como assim rapá, é páscoa?" e naquele momento, percorri o meu hd, tentei lembrar algum túnel sem fim de chocolate aqui em lisboa. e nada. tentei também recordar algum comercial com coelhos lambuzados de chocolate com alguma mensagem subliminar para fazer a criança chorar até convencer o pai a comprar um ovo, ou dois, quem sabe três-- e nada. negócio curioso esse do brasil. dá uma mini saudade. afinal, na vida de toda a criança no brasil, o ano tem quatro datas chaves. a primeira, a páscoa e os chocolates. depois o aniversário, depois o dia das crianças. e finalmente o natal. ou seja, um moleque que cresce no brasil fica um pouco cafuzo quando entra num mercado e não é sugado para o túnel de chocolate. mas beleza. cada país com suas tradições e esquemas para socar a molecada com chocolate. só me resta fazer uma coisa: passar na tal pastelaria e resgatar aquele ovo --escondido, ao lado da garrafa de conhaque.

a máquina do café e os 35 centavos.

colocaram uma máquina de café aqui na firma. daquelas que você tem umas dez opções de bebida. de cafés. café com um pouco de leite. com muito. com chocolate e leite. com pouco açucar. com muito açucar. é apertar um botão e ver a máquina cuspir um copo plástico, barulhinho, barulhinho, e café e leite. ou como você quiser. a máquina é sensacional. mas tem um preço. 35. 35 centimos, centavos. um terço de euro se arredondarmos. a bagáça não é muito cara. mas também não é de graça. e foi ao final do processo que eu cheguei a conclusão que vale a pena. os 35 centavos que você paga não é pelo café. não meu amigo, os 35 centavos que você paga é pela colherzinha de plástico. é que, ao final do processo que o líquido que você escolheu é despejado cuidadosamente no copo, a máquina faz uma gentileza. ela joga uma colherzinha de plástico lá dentro. ao centro. a única coisa que você tem que fazer é girar para um lado e para o outro. para misturar o açucar ou adoçante. e pronto. essa era a parte que mais me dava no saco. abrir a pourra do saquinho da colher. era o equivalente a abrir a caixinha do cd. aquele plastiquinho fêla da pulta. o café ali pronto, e você brigando com a embalagem da colherzinha. mas essa máquina resolveu tudo. por apenas 35 centavos, você não precisa ficar mordendo o papel, rasgando com os caninos e deixando a colherzinha cair no chão. o que, obviamente, recomeçava todo o processo. a máquina do café e os 35 centavos.

o hamburguer vegetariano.

http://trocadilhodomal.blogspot.com/2008/03/vegetarianos.html


o segundo alarme e um dia de férias.

acho que todo ser humano nasceu com um dispositivo para mandar todo e qualquer alarme para o caralho. por isso, desde que eu comecei a trabalhar, passei a ser o dono de dois alarmes. um deles, com música. na tomada. e um outro com barulho, a pilha. o primeiro é o oficial. o segundo é o equivalente ao botão do eject de uma aeronave em perigo. apertei o botão para desligar o segundo é porque deu merda. explico. o primeiro toca 20 minutos antes do primeiro. se o segundo tocar, é porque estou atrasado. então o meu cérebro já se educou. tocou o segundo alarme? "salta da cama, erick!" até hoje. bom hoje o alarme movido a pilha me deixou na mão. as pilhas estavam fraquinhas, fraquinhas. não trocava desde que cheguei do brasil. desliguei o primeiro alarme e dormi pelo menos mais uma hora. quando acordei e vi que estava na merda, a primeira reação foi socar o segundo alarme. mas ao ver que a culpa era das pilhas, respirei fundo e perdoei. afinal, lá se vão uns 6 anos que este pequeno alarme me salva. me arranca da cama. merece o descanso. um dia inteiro de descanso. chegando em casa hoje, coloco pilhas novas. e amanhã começa tudo de novo. acho que todo ser humano nasceu com um dispositivo num canto bem escondido do cérebro-- para mandar todo e qualquer alarme para o caralho.

o dilema, o indiano e a travessa de arroz.

fui num restaurante indiano aqui em lisboa. perto da agência. bom. de entrada veio aquele nam. aquela pão que quase flutua. esse recheado com algum tipo de queijo. ok, o pão, já meio que vinha numa porção relativamente grande. duas fatias, ou melhor, dois triângulos para cada. ai, chegou a hora de pedir a comida. eu pensei, putz, vamos pedir um prato e uma porção dessas mega blaster de arroz. ai a gente divide e beleza pura. mas quando chegou a hora de pedir, deixamos quase escapar que seria apenas um prato. olhar fulminante do fera. do garçom. como quem diz: "vocês, aqui, ocupando uma mesa e vão comer apenas um, um, um prato." ok, injustiça, o cara até que foi simpático. mas após ouvir o nosso único pedido, ficou atento como quem esperava o segundo pedido. nada mais natural. mas nada da gente pedir um segundo prato. um, dois, três segundos, a respiração dele ficou um tiquinho mais ofegante e ok. pedimos então um segundo prato. minutos depois chegam os dois pratos. fundos. submersos em iogurte, creme de leite ou os dois. comida para cacete. e uma travessa de arroz que daria para preencher a pança da minha família inteira depois de umas duas semanas dividindo a ilha com o tom hanks no náufrago. resultado: só porque o fera forçou uma barra para eu pedir dois pratos. duas pessoas. dois pratos. sobrou metade de cada. que se o fera somar na cozinha, é igual a um prato. puta desperdício do caralho. mas beleza. fazer o que? é um dilema. comer no indiano e deixar sobrar comida? comer no indiano e ameaçar explodir as paredes do estômago. comer no indiano e pedir um só prato e ameaçar levar um esporro?

quinta-feira, março 13, 2008

bolinhas lindt.

volta e meia vejo notícias de carregamentos de drogas pesadas que foram apreendidas no aeroporto. ou se não é no aeroporto, foi num navio. ou a pessoa colocou num fundo falso do carro. bom, tem sempre uma droga que tenta entrar. mas tem uma droga que eu nunca vi: bolinhas de chocolate lindt. sabe aquelas trufas? cada uma tem uma cor, chocolate ao leite é um papel vermelho, chocolate escuro, azul e chocolote branco, um dourado. é droga. das mais pesadas. só coma uma bolinha dessas na presença de um adulto que não está comendo as mesmas. sério. você precisa de alguém responsável que não está sobre o efeito das bolinhas de chocolate lindt para tirá-las da sua frente a tempo de você não afogar os seus orgão internos em chocolate suiço. e o mais complicado é que o acesso é fácil. qualquer duty-free shop você encontra. em caixas gigantes. tubos plásticos com duzias de bolinhas dentro. ainda não sei como as autoridades ainda não fizeram qualquer tipo de intervenção. comprei uma caixa hoje ao sair do aeroporto. desde que cheguei não fui a cozinha. com medo de ceder. e de nunca mais sair de casa. só com a ajuda de um guindaste daqueles de bombeiros para mover elefantes e corpos com um estilo semelhante. bolinhas lindt.

os sudokus. e os não sudokus.

o mundo se divide entre pessoas que sabem jogar sudoku e aquelas que ao tentar preencher um só jogo, quase explodem a cabeça. eu fico na segunda metade. já tentei, já me concentrei, já olhei a solução no verso do caderno, mas não dá. já me conformei, eu faço parte do grupo de pessoas cujo cérebro não possui a capacidade para solucionar sudoku. e quanto mais eu tento, mas não entendo como tem gente que consegue. por isso mesmo, tento cada vez menos. tudo bem. sem dramas.

as ligações no meio de uma lata de sardinhas.

a viagem de frankfurt até lisboa durou 3 horas. ou seja, são três horas incomunicável com o mundo. com o celular/telemóvel desligado. ai, o pessoal sai do avião e entra naquele onibus que vai fazer um caminho breve até o terminal. beleza, ok. mas o que eu não entendo, é quantidade de pessoas que ligam para casa, escritório, chefe, filho, esposa, advogado. lá de dentro do microonibus socado de pessoas. como é que um sujeito consegue ficar 3 horas com o celular desligado. mas aí não consegue esperar 3 minutos para ligar no terminal com um pouco mais de privacidade? meio esquisito esse pessoal. a não ser que o cara seja o clark kent, o comandante master da otan, ou um médico cirurgião carregando um daqueles coolers com um orgão dentro-- é quisito. hoje, por exemplo, escutei duas conversas. uma, ao meu lado de um cara que estava entrando na justiça contra a pessoa que alugava a casa dele. ou algo parecido. soube os detalhes do caso. e, na minha frente, uma mulher dizia como amava alguém, e que queria sentir o cheiro do cara que estava do outro lado: "tô com saudades do seu cheirinho." e ai você sabe, como a mulher não disse isso em codigo morse, o ônibus inteiro escuta. umas cem pessoas, todas com o desodorante vencido. no limite do apresentável depois de três horas de vôo e um dia de trabalho, e a mulher falando que quer cheira o cara. talvez seja por isso que ela não aguentou segurar essa conversa. tudo bem. o cara deve ter investido num perfume e a mulher quer sentir. mas e se todo mundo esperasse até o terminal? incluindo ela. sei lá, acho, apenas acho que ela poderia improvisar mais na conversa e o cara que vai entrar na justiça contra o inquilino poderia falar uns palavrões maiores. só uma idéia. acho engraçado. curioso, pelo menos.

o sr. ramiro. 2

li hoje um comentário sobre o sr. ramiro do restaurante farta-brutos. num post lá de baixo. fico contente que-- quem conhece ele tão bem -- ficou feliz com o textinho em homenagem a ele e ao restaurante dele. o lugar realmente é especial. muito especial. desde que fui, recomendo para todo mundo e acho que levarei lá toda e qualquer pessoa que visitar do brasil e tenho certeza que muito se deve a ele. provavelmente das figuras mais simpáticas de todas. provavelmente não, com certeza-- a figura mais simpatica.

mas vou aproveitar que estou falando do farta brutos, para recomendar mais um prato. de novo, não sou crítico de restaurantes. mas existem comidas, pratos, lugares, que são unanimidades. que os leigos e críticos concordam. o estômago e o paladar não conseguem mentir com facilidade. portanto se você não gosta de fígado de aves com maçãs, peça o peru recheado com queijo da serra. rapaz, se você não levantar e abraçar o sr. ramiro após a primeira garfada, cheque o seu pulso, pois tem algo errado com você. o peru recheado com queijo da serra é daqueles pratos que você olha e comenta com a sua mulher: "nossa, é muita comida." ai, meia hora depois, você raspa com o garfo o prato. fazendo aquele barulhinho que diz, em qualquer língua o que você achou dele. é só não esquecer de pedir para o sr. ramiro indicar um vinho. que ele fará com o maior prazer, como tudo que faz no restaurante.

frankfurt. e o cachorro quente.

esses dias fui a frankfurt. dois dias. corrido. muito corrido. avião-taxi-hotel-trabalho-taxi-avião. quase isso. ou seja nao deu para ver bem a cidade. ou melhor, não deu. o que é uma pena, mas fica para uma outra vez. bom, mas como não deu para ver a cidade, eu pensei, eu pelo menos vou comer frankfurt. não a cidade. mas a salsicha com o mesmo nome. o cachorro quente com o nome da cidade e vice-versa. com o queixo apoiado na janela do taxi fiquei procurando um lugar para comer na primeira brecha que tivesse no trabalho. nada. aí o trabalho atropelou o dia e quando me vi, estava fazendo o check-in de volta. nada de conhecer frankfurt, nada de comer um frankfurt, a tal salsicha. e, quando já dava tudo por perdido, e tinha a ceterza que já não havia mais nenhuma esperança, vejo de longe, uma tiazinha debruçada sobre um mini carrinho. frankfurt dizia ao lado. ela sorriu para mim. eu sorri para ela. e corri na direção dela. as rodinhas da minha mala nunca rodaram naquela velocidade. ao chegar, vi que a bagáça custava 5 euros. um roubo. mas valeu a pena. e ela sabe que pode cobrar isso. porque pelo o que eu vi das pessoas que estava a minha volta. frankfurt é cheia de pessoas na mesma situação. pessoas a trabalho que quase não tem tempo para conhecer a cidade. a alternativa é comê-la. por 5 mangos. mas vale a pena. se alguém me perguntar: "erick, conhece frankfurt?" eu: "não, mas já comi." algo por ai.

terça-feira, março 11, 2008

sucrilhos de bola.


http://sucrilhosdebola.blogspot.com/

esse é um site novo. ou melhor, um blog novo.
é irmão desse.

com mini-novelas do cotidiano.

as ilustrações são do renato. fucking fuckers, por sinal.

e vai ser atualizado quase com a mesma frequência que esse aqui.

é só clicar no link lá de cima.








almôndegas da ikea.

a almôndega da ikea é o canivete suíço das comidas. você vai fazer as compras na ikea e encontra um mini mercado que só vende comidas suecas. peixes, cervejas, biscoitos e etc... mas a grande estrela é a almôndega. não sei se a palavra almôndega tem o acento no "o", mas vamos em frente. meu amigo, se você é preguiçoso como o post abaixo, ou não tem lá uma intimidade muito bacana com o fogão, compre um saco. ou melhor, compre sete. o esquema é sensacional. funciona com masssa. funciona com arroz. funciona inteira. funciona picada. funciona no microondas. na frigidera. na sopa. no pão. em tudo. e é barata a fêla da pulta. é o canivete suiço das comidas. tem um prazo de validade desses até 2017. e nunca escutei ninguém me dizer que passou mal. aí você pergunta: "mas ir até a ikea comprar almôndega?" eu sei. é uma loja de móveis toda staile e barata. mas eu fui lá duas vezes recentemente focado nelas. quebram um galho fudido. ontem, por exemplo, cheguei em casa morrendo de fome. cansado. e com preguiça. 1:36 segundos depois o microondas apitou e eu queimei o céu da boca com as almôndegas. gourmet.

a preguiça. 2

se existisse um campeonato mundial de preguiça, eu não ganharia. mas também não passaria vergonha. não sou assim tão preguiçoso, mas confesso que aprecio a arte de coçar o saco, ligar o foda-se, não fazer lá assim tanta coisa. mas isso de vez em quando. não sempre. coçar o saco, ficar muito muito preguiçoso também é foda. você acaba estragando um sábado que tinha o potencial de ser um puta dia na praia, por exemplo. são raras as vezes que um sofá e uma tv merecem mais atenção do que uma praia. e, quando isso acontece repetidas vezes, uma coisa é certa, a preguiça está demais. passou dos limites aceitáveis pela sociedade. pensei nisso esses dias. no meio de um programa da oprah winfrey. quando notei já estava assistindo a terceira parte do mesmo programa. tudo isso por que estava com preguiça de levantar e pegar o controle da tv que estava sobre a mesa de jantar. nada contra a oprah. mas pourra. não dá para dedicar uma hora do seu domingo aos problemas de uma família americana que tem uma filha que come três frangos inteiros no jantar depois de ter comido seis sacos de batata frita no almoço. essa sim, essa menina que eu vi na oprah, essa é preguiçosa para cacete. bom, me levantei, respirei fundo pensei, vou cozinhar alguma coisa. olhei para o fogão e as panelas. e depois para o microondas. bateu uma preguiça e eu parti na direção do microondas. a preguiça é foda. fique esperto. olhe ao seu redor. se você estiver de calça de moletom, havaianas e a barba por fazer, aí é tarde demais, a preguiça alcançou você e vai ser difícil escapar. mas, se você, por acaso, ainda não é um vítma, e está calçando por exemplo um par desses tênis de corrida cheio das nove horas, levante meu amigo. corra. fuja com toda a garra da calça de moletom. resista o apelo das havaianas. não caia no conto das almondegas congeladas da ikea. ou você corre o risco sério de passar uns dois dias assistindo a oprah. e vai por mim, depois que começa não tem como fugir. bate uma preguiça.

quinta-feira, março 06, 2008

a tura.

a tura é a cadela, a mascote aqui da agência. a tura é uma vira-lata que foi resgatada pelo chacho. em pouco tempo virou presidenta da agência. se alguém novo chega na agência, ela late. não morde, mas late. late bastante. a tura é pequena. mas tem um latido de gente grande. e todo mundo respeita. acho que se a tura falasse, mandava mesmo, em todo mundo. a tura tem a combinação perfeita de um ser. ela tem os olhos do gato de botas do shrek 2 -- e a torcida de cabeça do porquinho babe, do filme que fazia milhares de crianças chorarem. a tura é foda. ninguém reclama se ela entrar numa reunião. e com razão, ela chega com estilo. trotando como se fosse um cavalo puro sangue. passa por todo mundo, talvez dê uma pequena lambida na perna de alguém. mas com jeito. e vai embora pela outra porta. é para marcar território. bom, resolvi escrever sobre a tura porque ela acaba de fazer isso. estav aqui digitando, e a fêla, pulou no meu colo. fez um charme. acionou os olhos do gato de botas do shrek 2 e pronto, comecei a escrever sobre ela. e quase não parei mais. amanhã vou ver se encontro uma foto que faça justiça e coloco aqui. talvez ela tenha que aprovar antes. mas beleza. a tura é foda.

o véio. apelidos e o celular.

o véio é o apelido do renato. ele não é véio, véio. o véio é uma brincadeira. o cara é meio obi wan kenobi. experiente. eu tenho quase mais cabelos brancos do que o fera, por exemplo. mas o apelido do cara é "véio", fazer o que? mas esses dias o véio perdeu o segundo celular ou telemóvel em três meses. não sei. mas essa pourra de apelido está começando a fazer sentido.

o teste dos panados. ou o teste do à milanesa.

cheguei hoje no restaurante aqui perto da firma com o maior comedor de panados da história. o peixinho é o maior comedor de panados ou no nosso brasileiro "à milanesa". tudo que é panado o fera bota para dentro. portanto se o prato do dia envolve algo frito em ovo fique esperto, ele pode comer o último. ou os dois últimos. e foi exatamente o que aconteceu hoje. o peixinho chegou mais cedo e pediu o último. me fodi. o panado era co carne de porco e o fera do restaurante olhou para a minha cara de coitado e disse: "porque o senhor não come um panado com carne de vaca?" e eu, com inveja do prato do peixinho respondi: "mas é claro seu antônio, manda um panado de vaca." moral da história: panado é panado. quando qualquer carne é panada, o sabor é de panado meu amigo. não importa se é vaca, porco, pato, frango. com um tubo de maionese em cima, eu aposto a falange do meu mindinho direito que você não consegue diferenciar um do outro. vai por mim. é o teste do panado.

diálogos na nespresso. 4

- eu queria saber se vocês têm alguma edição especial?
- especial? todos os nossos cafés são especiais.
- não, não, eu sei. estou a falar daqueles com grão especiais que aparecem só de vez em quando.
- nossos grãos são especiais.
- ok. acho que a senhora não me entendeu.
- não, não, entendi mesmo.
- estou a falar de grãos, de cápsulas com edições limitadas. sabe?
- ah, porque não disse antes?

terça-feira, março 04, 2008

mais dois diálogos rápidos


(1 )

o marido honesto.

- mas... mas.... amor... fernando!!! e essa marca de batom na sua camisa?
- é da secretária. beijo. elá se empolgou e aí você sabe. beijo aqui, beijo ali.
- amor... (pausa) essa é a qualidade que eu mais aprecio em você. a honestidade. te amo.
- eu também.





(2)

o jogo

- linda?
- oi?
- jogo. vai ter jogo da champions league. chamei o pessoal para assistir aqui em casa.
- milan e manchester united, né?
- como?
- milan e manchester. pirlo, pato, nani, ferdinand.
- mas você, você sabe a escalação dos times?
- o gatuso está machucado pelo milan e o rooney é dúvida para o manchester.
- mas...
- mas o que?
- assim não tem graça.
- o que?
- chamar o pessoal para assistir o jogo aqui se você não vai ficar incomodada com isso.
silêncio.

o sr. ramiro e o figado de aves com maçãs.

ainda vou escrever sobre o farta brutos com detalhes no guia fucking fuckers. e com toda a razão. o farta brutos periga ser um dos melhores restaurantes que eu queria ter conhecido antes. é impressionante. a comida, como nome diz, é farta. o sabor também. os elogios também. é cheio de tambéns. bom, mas como já disse, quando der, vou escrever com calma sobre os pratos, o atendimento e como chegar lá no guia fucking fuckers. mas aqui vou falar do sr. ramiro. figuraça. metade sócio. metade garçom do lugar. o sr. ramiro se comporta como se tivesse numa festa de casamento. depois de um só copo de pró seco. alegre, simpático e cheio de sugestões. o sr. ramiro é daquelas pessoas que fazem um lugar valer. é claro que quem vai ao restaurante farta bruto-- vai atrás da comida. mas o sr. ramiro é uma figura ímpar. primeiro oferece um vinho do porto de entrada. depois a entrada. sempre com exatidão. depois espera você decidir o prato. e, assim que você pede o prato, ele vibra com você. praticamente solta um abraço como quem diz: "rapaz, que escolha boa, queria eu, estar aí sentado no seu lugar para comer este prato." bom, e aí tem o prato. no caso do farta brutos, descobri um prato fantástico: fígado de aves com maçãs. o nome é estranho. as memórias de fígado que toda pessoa tem-- periga ser ruim. quase com certeza, é. eu, particularmente sempre fui meio traumatizado com fígado. mas assim que entrei no farta-brutos e larguei meus olhos no cardápio, acidentalmente cai sobre o fígado de aves com maçãs. a primeira reação foi pular para a linha de baixo e escolher outro prato. mas aí eu olhei para o sr. ramiro, o sorriso na cara dele quando viu que eu estava com o dedo sobre o fígado de aves com maçãs. pensei dois segundos e pimba: "sr. ramiro, uma porção de fígado de aves com maçãs, por favor." sensacional. já fui lá umas 4 vezes, talvez cinco desde então. nunca mais peguei um cardápio. sr. ramiro me vê entrar e grita para a cozinha: "fígado com aves com maçãs." o sabor é raro. meio forte. mas as maçãs caramelizadas dão uma aliviada. não me entenda errado. é muito bom. é só atropelar a primeira reação que você carrega da infância e partir para cima. se você chegar a lisboa com pouco tempo, visite o farta-brutos. procure o sr. ramiro. peça fígado com aves e depois, deixe um comentário aqui. vai que você experimenta outra coisa. vai que o sr. ramiro indica outro prato. nunca se sabe.

reuniões. 6

reunião é um negócio bem mais ou menos. não sei quem gosta. se você conhecer alguém que gosta, chame o cara para conversar num canto e interna o fêla da pulta. o cara tem algum negócio balançando na cabeça dele. ok, ok, exagerei um pouquinho. mas é verdade. o tempo passa mais devagar dentro de uma reunião e mais rápido fora. explico. dentro parece que o tempo, o relógio está sem pilha. mas aí, quando você sai meu amigo. fodeu. já é outro dia. ou é noite. ou o mundo acabou. bom, eu não tenho ainda uma solução para as reuniões. mas eu tenho certeza que o primeiro presidente de qualquer país que tentar se eleger com a plataforma única de "proibir todas as reuniões para sempre"-- se elege com uma vitória esmagadora. só pode. eu pelo menos votaria no cara. isso é claro, se não ficasse preso numa reunião.

pessoas desenham bonecos de pauziho, pessoas que desenham para caralho e pessoas que desenham bem mais ou menos.

para mim esses são os três tipos de pessoa. pelo menos no que diz respeito ao lado criativo, artístico das pessoas. eu por exemplo sou o melhor desenhador de bonecos de pauzinho do universo. se tivesse um campeonato mundial de desenho de bonecos de pauzinho, eu ganhava. se o louvre abrisse uma galeria para bonecos de pauzinho, eu teria a mona lisa lá. bom, e existe também um outro tipo de pessoa. é a pessoa que desenha para caralho. aquela que você dá um lápis e uma folha de papel e o cara arrepia, desenha mais do que uma simples casinha com árvores e uma família de mãos dadas. o véio, o renato, do link aí ao lado é assim. vai desenhar assim na casa do caralho. e finalmente existe um tipo de pessoa que é raro. é que desenha mais ou menos. é uma pessoa esquisita. sempre desconfiei de pessoas que desenham mais ou menos. tem alguma bosta errada aí. e se você é desses que desenha mais ou menos, minhas sinceras desculpas. mas acho que se você desenha quase bem, tem o potencial para desenhar melhor. e se você desenha quase mal, deve sempre focar nos bonequinhos de pauzinho. é o que eu fiz. e tudo por que um dia jogando aquele jogo imagem & ação-- em que as pessoas do time adversário sorteiam uma palavra, um filme, alguma coisa. e você tem que desenhar para o seu time acertar, adivinhar. sabe? então, entrei numas de tentar desenhar melhor do que os bonecos de pauzinho. queria impressionar alguma menina da sala. me fodi. tinha uns doze anos de idade. ninguém entendeu picas do meu desenho. perdemos o jogo. desde então passei a focar nos bonecos de pauzinho. por isso desconfio em quem desenha mais ou menos. não faz sentindo. se você está no meio de um esforço descomunal para passar a ser um desenhista do caralho, beleza. se não meu amigo, os bonecos de pauzinho são a melhor opção. pelos menos comigo foi. apenas uma sugestão.

pão caseiro.

o sanduíche de pão caseiro do café "pão e canela" da praça das flores custa 20 centavos a mais do que o sanduiche no pão normal. e vale cada centavo. acho que se o cara entrasse numas de cobrar até mais. sei lá, mais um euro só pelo fato do sanduba ser feito com um pão que a mãe dele amassou na cozinha, eu pagaria a diferença. é psicológico o efeito. você vê lá, sandes caseiro escrito a mão no cardápio e quando chega na mesa, lembra da sua mãe, da sua casa. puta esqueminha inteligente. uma só palavra, "caseiro". nenhuma prova de que aquilo é verdade. e todo mundo, como este que está escrevendo, gesticula as mãos freneticamente pedindo mais um.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

dois diálogos bem rápidos.

(1)

- mãe?
- oi.
- desculpe, foi engano.


(2)
- o que vocês vão querer para jantar?
- o que você recomenda?
- tudo que está no cardápio.
- então vamos querer tudo.
- mas "tudo", não dá.
- então se decide porra. o que você recomenda?
- tudo o que está no cardápio.
- tá vendo?!

a carteira perdida.

um cara perdeu uma carteira aqui em lisboa. cheia de documentos. fotos dele e da namorada. cartão do metrô. do banco. de tudo. como achar o cara? bom, a primeira idéia foi ligar para o blockbuster. peguei a carteirinha dele e liguei. "olha, encontrei a carteira do sócio tal no chão." passaram trinta segundos e a mulher: "bom, o sr. antônio está com dois filmes atrasados." e eu: "mas eu não sou ele. só achei a carteira dele." e a moça do outro lado: "mas ele está com dois filmes atrasados." e papo vai. papo vem. e eu não consegui o telefone do cara para devolver a carteira dele e a mulher contiunou cobrando os filmes que ele tem atrasados. e a carteira continua perdida.

a máquina de chopp 3.

colocar uma máquina de chopp no trabalho é uma boa idéia. a primeira impressão é que você vai passar o dia bebendo. o que não é verdade. você fica com um peso na consciência de ser pego com a mão na manivela que entorna o chopp no copo. você também não sai bebendo numa segunda feira também. a máquina de chopp no trabalho tem um objetivo claro, ela é um excelente countdown para sexta-feira. você trabalha a semana inteira, e numa sexta, como a de hoje, você passa pela máquina de chopp e se dá de presente um copo. ou dois. é mais ou menos como aquela teoria da legalização das drogas. de que se elas fossem liberadas teria menos violência, menos tráfico, menos isso, menos aquilo. não que eu seja a favor da legalização de nenhuma droga. para ser sincero não tenho lá uma posição muito bem definida para cagar regra aqui. mas uma coisa eu sei. sou a favor da legalização da máquina de chopp no escritório.