terça-feira, julho 15, 2008

ela. ou batata frita com um pouco de maionese.

ela era inteligente, culta, lia livros e quadrinhos com o mesmíssimo prazer. frequentava o teatro, óperas, museus de arte moderna. ela pintava com acrílico, escrevia poesia. mas não uma poesia com rimas pobres. poesia concreta. ela era uma pessoa que dominava todo e qualquer assunto. por falar nisso, acabara de publicar dois livros. o primeiro, um romance. o segundo, um livro de auto-ajuda. os dois se encontravam entre os 100 mais vendidos nas listas de ficção e não ficção respectivamente. sabia cozinhar qualquer prato como se fosse a própria chef da cozinha mais conceituada de qualquer lugar. preparava um martini igualzinho ao barman do drake's. e sabia a diferença entre as cervejas belgas e as de qualquer outro país. certa vez o carro morreu a caminho da casa de campo, e ela colocou um cd de simon & garfunkel. abriu um sorriso e fez de tudo para ele não ficar nervoso. ela usava uma colônia que fora dada pela sua vó. cheiro de mato após a chuva. fora finalista de um prêmio de literatura infantil e serviu de inspiração para um quadro de um artista que estava no moma de ny. o que, em qualquer lugar do mundo servia de cartão visitas. não esperava para sentar em nenhum restaurante estrelado do guia michelin. fora convidada para tirar fotos quase sensuais para a elle francesa e educadamente recusou. seu rosto foi durante toda a sua adolescência a cara de um comercial de refrigerante. reza a lenda que joão gilberto certa vez escreveu uma música que algumas pessoas juram ter sido dedicada a ela. joão, ao caminhar pelo calçadão a viu com um saco de biscoitos globo em uma das mãos e passou a cantarolar pequenos versos quase desconexos. a mulher perfeita diziam as boas e as más línguas. tinha um senso de humor que era uma mistura de monty python primeira temporada com os melhores momentos de seinfeld 4º temporada. incrivelmente, acordava sempre com um pequeno sorriso de canto de boca. e espreguiçava em câmera lenta com as pernas cobertas por meias brancas daquelas com listras coloridas no topo. tinha uma tatuagem de um pequeno sorriso no pulso esquerdo e volta e meia usava uma camisa preta que já estava gasta-- com um desenho do patolino. gostava de batata frita com um pouco de maionese. era ingênua mas investigativa. tinha uma cabelo liso que escorria pelo rosto e que ela levava de encontro ao ouvido de tempos em tempos. entendia a diferença entre o flamengo do zico de 81 e do júnior de 92. tinha o melhor timing para contar pequenas e longas anedotas. usava vestidos que flutuavam. tinha uma peça de teatro inteira escrita e guardada na gaveta. tocava o violino. mas só de olhos fechados pois dizia que assim tudo movia ao seu redor. jogava xadrez e futebol de botão. uma vez chorou com o pôr do sol. outra vez sorriu com a lua cheia. ou melhor, para a lua cheia. tinha um diploma de física e um de belas artes.

ela era tudo e sempre, ao mesmo tempo.
mas hoje, ele vai deixá-la.

antes que ela, algum dia, fizesse isso com ele.

o que para ele, tinha alguma lógica.

mais alguns casais na pindaíba.




o primeiro

ela mudou o corte, pintou o cabelo de loiro e entrou numa academia.
ele fez uma lipospiração na barriga e na papada.
da noite para o dia, ela passou a prestar muito mais atenção nele.
e ele, muito mais atenção nela.
ela então notou que ele precisava ter feito alguma coisa com a gordura localizada das costas.
e ele notou que ela deveria ter feito uma limpeza de pele.


o segundo

ele disse que amaria ela para o resto da vida dele.
ela disse que com o histórico de saúde da família dele, não era o suficiente.


o terceiro

ele se ofereceu para pagar a conta no primeiro encontro.
ela sussurrou baixinho: porra, porque eu não pedi a lagosta.


o quarto
ele completava as frases dela.
e isso, de certa maneira irritava ela mais do que ele imaginava.
mas era mais forte do que ele. ela começava a falar-- e algo mais forte do que ele-- buscava as palavras certas para completar as frases dela.
e ele podia ver na expressão de terror dela. ela não gostava que ele completasse as frases dela.

todo o resto era genial. mas todo o resto não servia de consolo. enquanto ele completasse as frases dela, aquele relacionamento ia para o caráio. ela parou de falar. e ele, naturalmente, de completar as frases dela. nunca mais trocaram uma palavra.
e viveram felizes para sempre.

ultraman, a lenda, o mito, o bonequinho no posto de gasolina.

comprei um bonequinho do ultraman num posto de gasolina no japão. e de brinde, junto com o ultraman, vei um monstro azul e vermelho. ultraman é fodido. ou era. embaixo de um dos pés dele tem a data de nascimento dele, 1972. e ontem, enquanto trabalhava fiquei aqui meio que olhando, observando o ultraman. e cheguei a conclusão (quase óbvia) que se o fera tivesse nascido agora em 2008 ia espancar os outros super heróis mais recentes. as produções do ultraman se você não conhece eram feitas com uns 10 euros, ou menos até. puta negócio feito nas coxas. e tem uma outra coisa que eu acho que fodeu o ultraman: a música de abertura do spectroman. spectroman para quem não conhece é mais um herói com um estilinho similar. de mentes japonesas igualmente doidjas. mas eu acho, o ultraman muito mais fucking fuckers do que o spectroman. mas os responsáveis pelo spectroman não fizeram qualquer bosta. botaram para fuder na trilha da abertura do show deles. e, isso, fodeu com a memória do ultraman. as pessoas lembram do spectroman. é impossível não ficar cantarolando a musiquinha depois de assistir o vídeo. bom, como o ultraman fica aqui do meu lado me olhando, resolvi escrever sobre ele. e para você conhecer melhor a lenda, o defensor do mundo worldwide da galáxia, aí embaixo tem dois vídeos. o primeiro com a abertura do ultraman. e o segundo com a abertura e a musiquinha do spectroman.




sexta-feira, julho 11, 2008

pensamentos quase sem lógica.

- sexta-feira é foda. chega rápido. mas também vai embora rapido para cacete.

- a maionese ganha menos crédito do que deveria. muitas comidas, saladas e sanduíches ficam muito mais do caralho por causa dela.

- se você colocar o seu alarme meia hora mais cedo do que você está acostumado, no segundo dia você volta a levantar da cama na mesma hora que você levantava antes do seu plano maquiavélico de roubar meia hora do seu sono.

- portugal está 4 horas na frente do brasil. mas a impressão que eu tenho, por ter tantos amigos e familiares por lá-- é que eu estou acordando demasiadamente cedo. sempre que eu ligo pela manhã para falar com alguém lá, todo mundo está dormindo. todo mundo. foda.

- pataniscas de bacalhau devem ter umas 6 mil calorias. mas você sente o sabor de cada uma dessas calorias regadas em azeite gordo.

- a fila para comer no restaurante "o cantinho do bem estar" é foda. mas um prato de ameijôas faz você perdoar o fera e voltar para a mesma fila na semana seguinte.


tiny dancer

o mais fudido de um filme, ou melhor, de uma música, é quando ao escutar a música, você lembra de uma cena de um filme. e vice-versa. essa música do elton john aí do título é uma dessas que o fera que fez almost famous (cameron crowe) tatuou ela numa cena e agora meu amigo não tem mais jeito. escutou ela, pensou no filme. e não adianta a sua namorada perguntar para você o que você estava pensando enquanto tocava a tal música durante uma viagem romântica-- e você mentir para ela que estava pensando nela. ela vai fingir que acreditou. mas na verdade, ela e você estavam pensando na kate hudson cantando no ônibus. the blower's daughter é a mesma coisa. com todo o respeito ao damien rice. tocou a pourra da música, me lembro da natalie portman andando na direção da câmera naquele filme "closer". (isso apesar do quase estrago que o seu jorge e a ana carolina quase fizeram com a música) "raindrops keep falling on my head", paul newman e o robert redford na bicicleta com aquela atriz que eu não me lembro o nome, em butch cassidy e sundance kid. "mrs. robinson", dustin hoffman com uma cara de que vai fazer merda com a amiga da mãe. a lista é sem fim. mas a música aí de cima do elton john, para mim, é de longe a que mais colou numa imagem. e posso estar cagando uma regra aqui com baldes grandes. mas acho que se você já assistiu o filme, periga concordar (ou não). e não me venha dizer que é a celine dion cantando aquele tema mela cueca do caráio do titanic tem uma relação ainda mais forte com o filme. pourra, eu assisti "almost famous" uma só vez. apesar de se um daqueles filmes para ser uma caráiada de vezes. mas isso não vem ao caso agora. bom, mas a idéia aqui é que tiny dancer não faz você apenas lembrar de um filme. isso, uma porrada de música faz. tiny dancer faz você lembrar da cena inteira do filme. cada segundo, frame por frame. do minuto em que começam a cantar até o final. aí meu amigo, aí é de foder. vou tentar colar aqui aquela telinha sem vergonha do you tube com a cena. se o fêla disser aquela história de "sorry, not available." numa boa. aí já serve de desculpa para alugar o filme e ver.



terça-feira, julho 08, 2008

dois casais que não estão... lá... assim mil maravilhas.

#1

o perfume novo dela lembrava a outra.
a cara de tesão dele lembrava o outro.
ele murmurou o nome da outra na hora do "vamô-vê"
ela gritou o nome do outro na hora do "agora-vai... agora-vai"
ambos fingiram que não escutaram. para que brigar agora, pensou ele? ia começar o jornal da globo com a mônica pelajo. para que brigar agora, pensou ela? tinha meia caixa de haagen dazs 'doce de leite' dando mole na geladeira.
ela virou para um lado.
ele acendeu um cigarro.


#2

- amor, comprei seis sapatos.
- tudo bem.
- mas foram 6 sapatos importados.
- tudo bem.
- manolo...
- não importa.
- aconteceu alguma coisa?
- não. resolvi guardar os seis sapatos para algum dia futuro.
- não entendi?
- é, para quer ficar puto agora? não vai adiantar nada. vou esperar eu fazer alguma merda. aí, se você ficar putinha comigo, eu sempre terei os 6 pares de sapatos.
- ....



o (a) arrumador(a) de desktops.

não sei se você usa um apple, um mac. eu uso. e digo isso não para esfregar na cara de quem não usa. mas é porque assim fica mais fácil entender o raciocínio. muito mais fácil. mas também não é nenhuma lei. se você é um orgulhoso dono de um pc, você é bem vindo. bom, mas a história é simples-- a idéia também. ou melhor, a teoria também. quando você usa um mac, e não é lá assim o cara mais organizado do mundo, é fácil você arrastar coisas para o seu desktop. é puxar com o mouse e pronto. o arquivo cai lá. e por lá ele fica. não é como o pc que quando você salva um arquivo, a bagáça vai para uma pasta que some num triângulo das bermudas sem fim. o mac é mais prático e por isso mesmo, por essa facilidade, é fácil criar uma zona no desktop. isso é claro, se você é desorganizado. meio bagunçado. no início eu tinha algumas pastinhas. uma para trabalho, outra para textinhos como esse, outra para contas. outra para isso. outra para aquilo. mas a preguiça começou a bater, bateu tão forte, que agora já nåo tem mais pasta. de vez em quando eu abro uma pasta e coloco o nome dela de "tudo do desk" e jogo tudo do desk lá dentro. então, seguindo esse esquema, eu já tenho "tudo do desk 1", "tudo do desk 2", "tudo do desk 3".... agora em relação ao título deste textinho. acho que existe uma demanda para uma mulher ou um cara cuja a única especialidade é arrumar desktops dos outros. catalogar em pastas fáceis de achar. uma vez por semana, assim como fazem na sua casa, o cara ou a mulher--- chega, limpa os cantos do seu desktop e pimba. é uma idéia. uma teoria. ou os dois.

búzios e sagres. diferentes, parecidos e mais ou menos a mesma distância. ou não.

quando eu era moleque viajava muito para búzios no rio de janeiro. as estradas eram péssimas--- para caráio. acho que de uns 10 anos para cá melhoram bastante. ok, não bastante, mas melhoraram. mas quando eu tinha lá meus 8, 9 anos de idade, a viagem levava uma média de 4 horas. era foda. e hoje, olhando no mapa do estado do rio, vejo que a distância é relativamente tranquila. o que fode é a qualidade das estradas. bom, fast forward para os dias de hoje aqui em portugal. sempre que eu pensava em encarar um asfalto para ir até sagres, até o extremo sul do país, ficava cagado. sagres fica literalmente no finzinho de portugal. se você dirigir um pouco mais, cai no mar. é simples assim. as vezes eu comentava com alguém do trabalho que estava pensando em pegar a estrada para sagres e as pessoas olhavam para mim como quem pensavam: "ou esse fera vai tirar uma semana de férias ou comprou uma ferrari." quem mora em portugal tem uma noção meio diferente no que diz respeito a o que é longe e perto. acho, e posso estar cagando regras aqui, que é tudo uma questão de geografia básica. o português olha para o mapa e quando entra numas de ir de lisboa até sagres, por exemplo, vê que vai até a outra ponta do país e fica com receio. bom, esses dias, com o calor infernal (e quando eu digo infernal, estou me referindo, ao inferno com labaredas no máximo, volume 11) comecei a fuçar na internet algum destino. e nada. perto de lisboa, nada. tudo cheio. aí, pensei, caráio e sagres? o tal algarve. um carinha que senta do meu lado comentou: "mas é longe para cacete." mas como você já sabe, eu pegava 4 horas de estrada para búzios. agora para resumir a história e não deixar você aí com a saca transbordando. em 3 horas eu estava lá. puta negócio fudido. praias impressionantes. peixes quase vivos no seu prato. agora, resumindo ainda mais a história: não fique com medinho de pegar a estrada. não é longa. ok, não é logo ali, mas é de fuder. compre uma latinha de red bull. duas barrinhas de cereais e pé na tábua.

sexta-feira, julho 04, 2008

a teoria do controle remoto que você perdeu dentro da sua cabeça.



sabe quando você está no meio de uma reunião, e de repente, a sua cabeça dispara para outro lugar? você começa a pensar que está com mais fome do que achava. e aí, você começa a pensar no que pode comer. aí você muda o canal e começa a pensar no restaurante que você foi com a sua mulher na semana passada com aquele casal de amigos. aí, você começa a pensar naquilo que o teu amigo falou sobre a economia e como o preço do barril do petróleo vai te foder. aí você começa a pensar no carro que você prometeu para a sua mulher que ia comprar.

aí você pensa se o importante é um carro maior ou um menor. aí você começa a pensar que um carro maior pode ser bacana se a família estiver sempre visitando. aí você começa a pensar que tinha que ter ligado para a sua mãe e esqueceu. e que você esqueceu de depositar o dinheiro do aluguel. por falar em aluguel você começa a pensar no que fazer sobre a pourra do sofá. sofá cama? sofá normal? sofá de 2? sofá de 3? sofá é importante, você pensa? você adora assistir filmes. aí você começa a pensar que caráio de filme estreou este fim de semana. você pensa como você gostaria de ir ver o último filme do indiana jones que demorou 19 anos para voltar mas, que por algum motivo, você ainda não levantou a bunda da cadeira para ir ver. você começa então a pensar que você está um pouco preguiçoso e que talvez deveria se inscrever numa academia.

aí você começa a pensar que academia é meio roubada, afinal, da última vez que você se inscreveu, pagou uma fortuna por um plano de um ano, e foi sete vez. aí você pensa que ultimamente tem gastado mais dinheiro que antes. e você começa a pensar que antes você era um pouco mais mão de vaca. aí você pensa: "mão de vaca não. econômico, o que é bem diferente." ai você começa a pensar se deveria fazer um plano de previdência num banco. aí você começa a pensar sobre a idade. a sua idade. será que você está velho? aí você começa a pensar naquilo que a sua mulher disse para você na primeira vez que enxergou um fio de cabelo branco na sua cabeça. e logo em seguida começa a pensar no dia que enxergou o segundo fio de cabelo branco. e por isso mesmo começa a pensar que você está precisando de umas férias, de descansar.

e aí, você olha para frente e nota que a pessoa, neste caso, o cliente, que se encontra na mesma reunião, olha para você a espera de uma resposta. qualquer uma. aí você muda de canal-- na sua cabeça-- pela última vez e volta para a reunião. e a única coisa que resta é dizer uma das duas frases: a mais simples, "você tem toda a razão." ou, uma mais longa, caso você esteja na merda (o cliente notou que você estava mudando de canal na sua cabeça) "é claro, e para reforçar como eu concordo com o que você acaba de dizer, pediria encarecidamente para você repetir a frase, para que os outros desta reunião que não estavam prestando atenção, escutem novamente." a teoria do controle remoto que você perdeu dentro da sua cabeça diz que em qualquer reunião que rompa a barreira de 32 minutos e 28 segundos, você vai começar a mudar de canal dentro da sua cabeça. em qualquer lugar do mundo. sempre.

quarta-feira, julho 02, 2008

mais uma historinha lá no sucrilhos de bola. (http://sucrilhosdebola.blogspot.com)



a coluna do destak de hoje.

coisas que não sabia que ficavam ducaráio juntas. 1

sempre olhei com uma certa suspeita para a oferta de "melão com presuto". muitos cardápios oferecem essa combinação como entrada. as vezes, o melão com presunto está ali, quase escondido no meio de duas saldas. puta negócio suspeito. o melão e o presunto juntos. bom, para ser sincero, acho a mistura de coisas doces com com coisas salgadas bem interessante. na grande maioria esmagadora das vezes, acho fudido. mas o melão com presunto por algum motivo sempre me deixou meio cafuzo. sempre achei que algum chef queria forçar essa barra para duas coisas que não se davam-- ficarem amigos. neste caso, o porco e o a fruta. sabe aquela coisa da professora que leva dois colegas de classe para a sala do diretor da escola e faz os dois prometerem que vão ficar amigos-- nem que seja a força, ali, de frente para o diretor sob o risco de suspensão? é mais ou menos por aí. o melão, na minha sincera opinião é o irmão sem graça da melância. a melância é gostosa para cacete. o melão, meio bege, meio nota 4 e meio na escala de sabor. mas beleza, tem gente que gosta do fera. o presunto, especialmente o presunto de parma, que aqui em portugal se chama mesmo presunto-- é saboroso para caráio. bom, nunca vi os dois juntos. hoje eu cedi e comi uma pratorra socada com os dois. lado a lado. um sobre o outro. fudido. muito bom. é um daqueles prato que eu queria ter descoberto antes. foda. se você também sempre evitou essa combinação por suspeitar ser bem mais ou menos, experimente.

o darth vader na minha mesa.



neste exato momento, enquanto escrevo, ele está em casa. sobre uma das estantes da sala. ainda não está na minha mesa. porém o plano é trazer o fera para cá. depois de uma semana com o yoda a balançar a cabeça para mim, senti que falta o lado negro da força. é mais ou menos como aquela dupla de anjinho/diabinho que ficam flutuando sobre os ombros das pessoas. uma, o diabinho, empurrando a pessoa para fazer merda. o outro, o anjinho é claro, incentivando a fazer o bem. a idéia é a mesma. de um lado o yoda verá apenas o lado bom das coisas. ou se ver alguma bosta no caminho, pelo menos fará isso com um pouco mais de tranquilidade, mais zen. o darth vader vai chegar para equilibrar essa história. não dá para ter apenas o yoda. o fera precisa de alguém do outro lado do monitor como o darth vader-- para deixar ele mais esperto. é como na vida. no trabalho, por exemplo. se você está lá muito acomodado, é só chegar um fera novo para te deixar meio cagado e fazer você levantar a bunda e trabalhar mais um pouco. é como aquela namoradinha da escola-- da primeira série-- lembra? era só um moleque pentelho começar a urubuzar ela para você se tocar e passar a chegar mais cedo no recreio para guadar um lugar para ela na fila da lanchonete. e por aí vai. o darth vader deve fazer a transição da minha estante para a mesa aqui do trabalho. aos poucos. para não assustar o yoda.

a nina simone




a nina simone canta triste. muito triste. mas canta bem. e isso faz toda a diferença. ou seja, meio mundo está disposta a ficar deprimido em troca de escutar ela cantar. é daquelas mulheres que você escuta num dia de sol e fica meio engasgado. e solta um chorôrô. ok, exagerei para cacete. mas a muié pega pesado as vezes. acho, e isso é só uma teoria baseada apenas e somente nas músicas que ela canta-- que ela, a nina simone-- tomava uns 4 dry martinis antes de cantar. dry martini, não. gin tônica. ou qualquer um dos dois. algo barra pesada. e, também suspeito que para garantir que a voz saísse assim, embargada, tristonha, a nina simone acabava todos os seus relacionamentos, de propósito. comia com frequência ovos mexidos frios e torcia para um time com o vasco da gama. enfim, a muié corria atrás da tristeza para transparecer a mesma-- na música dela. não chega a ser uma lei, uma regra, que ao escutar a música dela, você vá ficar muchibento. mas existe uma chance. quase grande. nada pequena. mas existe. por isso, fique relativamente esperto. se estiver meio nublado lá fora. se hoje não for o dia mais bacana no seu trabalho, segure a onda. nada de nina simone.

quinta-feira, junho 26, 2008

o headphone sem fio que era mas não era.

comprei um, da sony. a bagáça é legal. mas-- para você poder andar pela sala sem fios, é necessário ligar três fios. um da antena na tomada. um da antena no computador. um no phone durante algumas horas para carregar. ou seja, é quase sem-fio.

o finger puppet.

comprei um finger puppet. na loja da fabrica em lisboa. aquela loja cheia dos produtos zambers de designers igualmente zambers. um finger puppet para quem não sabe é um marionete de dedo. não funciona assim tão bem pois você não pode mover os bracinhos com os dedos. mas é engraçado. mas o mais engraçado é falar com o fera que trabalha do outro lada mesa, de frente para você-- por cima do monitor. mandar um cara ir para aquele lugar olhando para ele-- é uma coisa. outra coisa, completamente diferente, é um finger puppet surgir por de trás do monitor é mandar ele para a casa do caráio. ele, pode até ficar puto. mas não pode e não vai brigar com um finger puppet. seria no mínimo estranho. bom, e partindo desta cena que acabo de descrever, acho que o finger puppet é uma excelente alternativa para uma porção de momentos do seu dia-a-dia. se você, por exemplo, está num restaurante e o atendimento for bem mais ou menos, coloque o finger puppet e deixe as moedas sobre a mesa. se o garçom olhar para trás com um cara de poucos amigos, acene com o finger puppet. e tudo vai ficar na boa. deixe o garçom puto com o finger puppet. você está andando com a sua namorada e passa uma menina interessante para o outro lado e, sem querer, você não consegue evitar e olha... coloque a mão no bolso e o finger puppet na mão. assim que a sua namorada for brigar com você, acene com o finger puppet. foi ele quem olhou, não você. perguntas duvidosas em reuniões de trabalho, levante o dedo indicador com o finger puppet nele. quem fez a pergunta foi ele, nunca você. e, se por algum motivo inesperado, o cliente ou chefe julgar a pergunta "genial"... balance a mão e largue o finger puppet no chão. e tome o crédito, é claro. recomendo. é barato. cabe no bolso. finger puppet.

terça-feira, junho 24, 2008

pequenas observações.


- como é que um fera aqui na europa tem a cara de pau de cobrar 4 vezes o preço de uma havaianas?

- na grande maioria dos lugares de lisboa, o pessoal dos restaurantes têm tanta certeza que a sua salada está bem temperada-- que só levam o azeite e o vinagre para a mesa se você pedir com uma certa firmeza.

- a salada caprese é o big mac das saladas. explico. em qualquer lugar do mundo, você pede uma caprese e recebe um prato com tomates fartos e lascas generosas de muzzarela de búfala. isso, com uma dose igualmente gorda de azeite e orégano. e qualquer lugar. qualquer. antigamente quando eu era mais moleque, a caesar salad era a tal. depois acho que o pessoal foi enjoando, enjoando-- e hoje a caesar é uma grande putaria. com versões com achovas, frango, ovos cozidos inteiros.

o yoda na minha mesa.

comprei um bonequinho do yoda e coloquei ao lado do teclado. mas um bonequinho com um feature, uma função diferente. ele balança a cabeça de acordo com as vibrações dos arredores. eu martelo o teclado com força, o yoda balança a cabeça com força. eu bato na mesa puto com alguma coisa, o yoda balança a cabeça com firmeza. eu escrevo com tranquilidade, o yoda... bom, você entendeu. o yoda que balança a cabeça é genial. como você sabe, o yoda tem a "força". é o master makers fucking fuckers dos jedi. e por isso, sempre que eu transmito algum tipo de estresse para a mesa, ele balança a cabeça como quem diz: "não nervoso ficar, erick." ou "a idéia virá, você menos esperar quando." recomendo. e aí, quando você está bem rilécs, basta você olhar para ele, ali, igualmente tranquilo como quem diz: "sabia decisão tomou erick, puto ficar não adianta." e por aí vai.

a ilhota.

sempre tive uma ilhota branca no meio da cabeça. desde moleque. e acho que já falei isso por aqui. não sei quando. mas jea. a tal ilhota era um círculo de cabelos brancos cercados por um mundo de cabelos pretos. não era grisalho. é diferente. os fêla não se arrumavam em sequência: branco, preto, preto branco. tinha a ilhota e o resto. era um negócio meio estranho se você me pegasse vindo de um ângulo com o sol batendo no meu coco, você enxergaria uma ilhota brilhando. bom, mas, dia desses, peguei uma foto recente e notei que quase da noite para o dia, a ilhota explodiu em milhares de pedaços. agora não é uma ilhota grande. mas um caráiada de ilhas pequenas. depois dos trinta fique esperto, pequenas ilhas de cabelos brancos se aproximam, meio que sem você ver, sobem pelas costeletas, pela nuca. e quando você vê, você aparenta quase que com perfeição a idade da sua carteira de identidade. ou mais. é, mais.

teorias. algumas.


- não é o gato preto que dá azar. é você atravessar a rua com pressa para fugir do gato preto-- sem olhar para os dois lados da rua.

- comer alface não emagrece. não comer o purê de batata que ia no lugar do alface é que faz isso.

- qualquer prato com lascas de parmesão e/ou cogumelos custa mais do que você imagina.

- o fêla que corre--ao invés de ficar imóvel-- na escada rolante, acordou tarde.

segunda-feira, junho 23, 2008

the graduate. o filme que você acha que viu mas nunca viu porque o poster faz você acreditar nisso.

nunca tinha visto o filme do dustin hoffman e da anne bancroft. acho que é de 67. ou seja, mais de 40 anos atrás. bom, estava eu refem da cadeira do avião por mais de 13 horas quando ao navegar pelo menu do sistema de video do avião, encontrei o filme. e como já tinha assistido uns 3 filmes seguidos, não restavam muitas opções. o que foi bom. porque o filme é muito bom. não vou aqui entrar numas de cagar regra e dizer para você assistir porque possui uma cinematografia genial. que a direção é cheia das nove horas. não, mas porque como o filme tem lá 40 anos de idade, periga você não se empolgar para assistir. isso é claro, se você ainda não assistiu. e acho, apenas acho, e agora, cagando um pouco de regra, que muita gente ainda não assitiu porque tem certeza que já viu.e o problema aí, a culpa é do poster do filme. simplesmente porque o filme tem um dos posters mais famosos de todos os tempos. aquele com a perna da anne bancroft em primeiro plano e o dustin hoffman olhando em segundo plano. por isso, sem querer-- lá no subconsciente, você entra numas de que já viu. um bom filme. ou melhor, fucking fuckers.

idéias e o cospe troco.

a impressão que eu tenho sempre que eu visito o japão é que os caras não conseguem represar idéias. não tem essa de "pô cara, mas acabamos de lançar um carro movido a eletricidade.... vamos esperar um pouco para colocar no mercado esse novo movido a espirro e suspiros." em todo lugar que você vai, é uma idéia daquelas que impressionam pela simplicidade e genialidade. o exemplo mais óbvio para mim é o secador de mãos de qualquer restaurante. lá também tem o ventinho. aquela máquina que assopra a sua mão no lugar dos papéis. mas, enquanto a máquina de ventinho é uma grande bosta em todo os lugares, a máquina dos japoneses é de foder. parece uma turbina de avião que expulsa toda e qualquer gota da sua mão. é uma espécie de engenhoca em formato da letra "u", assim mesmo, apontando para cima, não para baixo. o ar sai dos dois lados, com toda a força para o centro, onde a sua mão se encontra. em questão de segundos e o melhor, sem deixar uma gota sequer cair no chão-- sua mão fica nova em folha. mas-- a invenção que mais me cafuzou foi o cospe troco. outro dia fui a um supermercado. comprei duas latas de cerveja e um pratinho de sushi pronto. a mulher do caixa apontou para o mostrador com o valor das compras. e assim que eu tirei a nota da minha carteira, a mulher digitou o valor da nota na máquina. até aí tudo bem. mas, ao invés da máquina abrir e a mulher ter que lamber os dedos para catar notas e moedas, para a minha surpresa, o troco começou a escorregar literalmente por um tobogã até chegar na minha mão. sério, um pequeno e discreto escorrega de metal que circundava a caixa, cuspiu o troco certinho na minha mão. o cospe-troco. e as idéias aparecem em todos os formatos. o açúcar líquido para a bebida gelada. a cerveja quase sem calorias mas com alcool. não uma bud light com suas cento e tal calorias. quase zero mesmo. pourra e para foder a cabeça mesmo, basta entrar numa loja de eletrônicos. você fica com a certeza que os caras estão cagando baldes para as convenções mundiais do que é de ultima geração. as idéias vão chegando e os caras vão lançando. e aí você fica lá segurando uma máquina de fazer arroz ou de moer café sem saber se é aquilo é uma pegadinha no reality show com uma câmera escondida ou se é um tocador de mp3. bom, aí tem o carro em formato de cubo que suspeito que seja para facilitar estacionar "a lá tetris", o cartão de crédito que basta você tocar num sensor para ser debitado e por aí vai. a impressão que eu tenho sempre que eu visito o japão é que os caras não conseguem represar idéias.

sexta-feira, maio 30, 2008

esse blógui vai entrar de férias junto com o cara que escreve ele. e volta lá pelo dia 25 do mês que vem.

mas é claro, se aparecer tempo e um cyber café no caminho, aí, aí rola um postzinho.

o banheiro da estação espacial.

o banheiro da estação espacial foi para o caráio. ou pelo menos essa era a notícia esses dias. imagine o drama. meu amigo, quando isso acontece na sua casa, você vai para o banheiro do outro quarto. pode acontecer no trabalho, aí você vai no banheiro do outro andar. tem sempre uma saída. mas agora, imagine no espaço. bom, essa história coincidiu com a chegada de mais uma nave em marte. vi as imagens do pessoal da nasa gritando, vibrando com o pouso da sonda em marte. aí, a primeira coisa que me veio a cabeça não foi a tal velha pergunta: "pourra, e aí, existe água em marte?" não, acho que a primeira coisa que todos pensaram foi: "e aí, tem um banheiro em marte?"

dois palitos.

um redator, um amigo, lançou um livrinho daqueles perfeitos. cabe no bolso. contém 50 histórias super bem escritas. curtinhas e super originais. todas as 50. você lê num fôlego só. por um motivo muito simples, o livro vem dentro de uma caixinha de fósforos. puta negócio bem feito. e não tem aquela coisa de dizer que não vai ter tempo de ler. são microcontos. é aquele negócio que você abre, lê e pensa: "pourra queria ter tido essa idéia." o samir, tem um site, www.samirmesquita.com.br tem o contato dele lá. vale a pena.

a revista trip e os álibis.

sempre existiu aquela piada ou desculpa que o homem chega em casa com uma playboy debaixo do braço e, quando amulher olha para ele com cara de raiva, ele comenta na cara dura: "mas é pelas entrevistas, comprei pelo conteúdo." ninguém acredita, e cá entre nós, não cola muito. bom, mas a trip, a revista trip é impressionante. ela tem as reportagens mais fucking fuckers do mundo. e ensaios "artísticos" com uma qualidade melhor do que a playboy. a trip conseguiu transformar a tal piada da playboy em verdade. não tem muito argumento. a sua mulher olha para aquela capa com a funcionária da revista nua e quando vai dar uma bronca, você pode dizer algo como: "aquele repórter, o arthur veríssimo foi fazer uma expedição no alaska e tomou um chopp com o dalai lama de cabeça para baixo num templo jamais visto pela humanidade." ou "tem aqui uma reportagem, uma entrevista com o chico buarque em que ele diz como se inspirou durante os anos da repressão..." algo por aí. e aí, como se não fosse suficiente essas reportagens acima de qualquer média, os caras ainda conseguem fazer ensaios fotográficos impressionantes. a trip é definitivamente a revista perfeita. é cheia de álibis para qualquer homem que compra. e vale cada centavo.

o super herói das saladas.

não sei se você briga com a balança. não briga daquelas pay per view. mas aquelas brigas duras, disputadas. as vezes os quilos ganham. as vezes é você. a balança é foda. faz você tomar decisões drásticas. comer salada, por exemplo. essa é das mais drásticas que existem. salada, apesar do que os cardápios tentam mostrar para você, é quase sempre a mesma coisa. com pouquíssimas variações. o que varia é a quantidade do ingrediente. ou é mais tomate que alface. ou é mais alface que tomate. algumas vezes entra algo como o pinhão ou nozes trituradas. mas o basicão é o mesmo. bom, mas como você pode ver pelo título deste textinho, estamos aqui é para falar do super herói das saladas. o bacon. ah, o bacon. não o bacon em fatias. mas sim o bacon em pequenos pedaços. bacon crocante. não sei qual é a salada que você tem o costume de comer, mas é só adicionar uma mão rasa de bacon crocante que fodeu, a salada escala pontos preciosos na tabela das suas papilas gustativas. aqui em portugal, no supermercado tem um esqueminha que é um pote com lascas de bacon prontas para salvar qualquer salada. lá em casa essa é a primeira compra. sempre. na batalha, na pancadaria que você tem com a balança, as lascas de bacon sempre aparecem para salvar você. mas não exagere na bagaça, ou todo o sofrimento de comer salada-- vai para o caráio.

quarta-feira, maio 28, 2008

a coluna do destak de hoje

uma aula de antropologia.



o canal "e entertainment" é perigoso. muito perigoso. é uma coleção de reality shows impressionante. e é um pouquinho diferente de, digamos um big brother brasil. muito. para começar, os programas têm personagens um tiquinho mais interessantes. ou pelo menos mais famosos. famosos classe "b", mas famosos. o que atiça mais a curiosidade. e, enquanto, no big brother você assiste um bando de mané coçando a saca, no "e!", você assiste as garotas da playboy mansion sem fazer absolutamente nada. o que é engraçado. ok, não é engraçado. mas é hipnotizante. descobrir como o hugh hefner vive. se o fera anda mesmo 24 horas por dia de roupão. se é verdade que ele dorme todos os dias com as 3 coelhinhas. não dá para mudar de canal. e não tem nudez, gritaria, é até um programa mais familiar do que o próprio big brother brasil. eu evito... mas não evito. explico. eu tento não ligar a tv. não passar pelos canais vizinhos do "e!" mas, se, por algum acidente, sem querer, me encontrar no tal canal, fodeu. são 48 horas sem sair da frente da tv. aí você deve estar pensando, mas que caráio de graça tem assistir um reality show com as garotas da playboy mansion. bom, nudez, nudez, não tem. mas como disse ali em cima, o canal, o roteiro, a trilha, tudo conspira para você achar que está assistindo ao fim do mundo. ou o começo. é surrealismo puro. não faz quase nenhum sentido, mas é curioso para cacete. mas esse não é o único programa que fode cabeça. "true hollywood stories" é outro. meu amigo, os caras escolheram um locutor com uma voz dramática e um editor que picota as cenas com uma intensidade spielberguiana com overdose de cafeína. pourra, e saber que a pamela anderson foi descoberta num estádio de futebol. que ela já namorou uns 3 rockstars e que esteve na capa da playboy mais de 72 vezes, é foda. aí, quando você ameaça mudar de canal, vem a história do vício das drogas do robert downey junior culminando com cenas do último iron man. ou a vida de um cirurgião plástico brasileiro que mora em beverly hills desde 1989 e que quer voltar para o brasil para conhecer o pai. e aí tem a metáfora de que assim o fera vai se sentir mais bonito por dentro. um cirurgião plástico, caceta. a mulher do cara chora. afinal, na cabeça dela o brasil é o fim do mundo. ele comenta que já fez jiu jitsu. e por aí vai. quando você se toca. ou quando resgatam você. ou mesmo quando falta a luz da sua casa, você se toca. ou chega a conclusão que o "e! entertainment television" é uma aula de antropologia sensacional. do lado de lá da televisão. e do lado de cá, no sofá.

opereta.



das coisas que eu mais sinto saudade do brasil, o bombom opereta está ali, entre os 4 primeiros lugares. o jornal oglobo na porta de casa, um chopp no espírito santo e uma carne suculenta no 348 completam este top 4. bom, dia desses o juan, um redator aqui da firma voltou das férias e entrou na sala com uma caixa dessas com bombons sortidos garoto. vi o fera se aproximar de longe com aquela caixa amarela reluzente em uma das mãos. meus olhos cresceram. a primeira reação foi correr atrás do opereta, depois dar boas vindas ao cara. soquei a mão dentro da caixa com o mesmo impacto que o rocky balboa acertava a caixa toráxica do ivan drago no "rocky 4". e depois, como você já sabe, falei com o juan. o opereta, se bem trabalhado, poderia ser o produto mais exportado do brasil. o opereta daria um jeito bacana na nossa balança comercial. que petróleo em água profundas que nada. que bauxita ou minério de ferro. meu amigo, o opereta tem o poder de conquistar o mundo numa velocidade idêntico ao ipod. e com um ipod você tem o poder de comprar 700 operetas. no aeroporto de são paulo, na última vez que voltei do brasil, descobri que já existe uma caixa cheia das nove horas com um brilho dourado, somente e exclusiva com operetas dentro. foda. comprei cinco. e fiquei meio cagado. de levar o meu açucar a niveis recordes e a alfândega partir cada um deles numa busca sem precedentes de alguma droga pesada. afinal, nenhum fêla viaja com cinco caixas de opereta debaixo do braço. a mistura de castanha crocante com o mais puro chocolate branco em pequenas doses é de acabar com a capacidade do pâncreas de qualquer ser humano. de qualquer brasileiro que mora fora do brasil.

terça-feira, maio 27, 2008

terry richardson.




não sei se você é fã de fotografia. mas existe um fera, um fotógrafo chamado terry richardson que é impressionante. as fotos e a atitude dele. as fotos, porque, poucas pessoas conseguem arrancar reações das modelos como ele. e a atitude dele, porque o cara deve ter o melhor papo do mundo com essas mulheres. o que é que ele fala para essa mulherada eu não sei. mas basta fazer uma googlada com o nome dele para você encontrar de tudo, até uma modelo espirrando leite de cabra contra o rosto. recentemente ele lançou um livro com o rio de janeiro como tema. numa das páginas, ninguém mais ninguém menos do que a yasmin brunet nua. ou seja, meio brasil já tentou convencer a modelo a tirar a roupa e nada. aí, chega o terry e pimba, a yasmin tira tudo. bom, mas se isso já assim, digamos, interessante. o cara também convenceu a mãe da yasmin, a igualmente famosa luiza brunet, a ficar nua. e isso tudo num esquema meio cru, sem maquiagem. não sei se é a marca do champagne que ele serve nessas sessões. não sei se antes de partir para as sessões de foto, o terry arruma alguma prova que possa incriminar a modelo. mas alguma coisa tem. porque ninguém consegue arrancar das modelos o que esse cara consegue. e se você fazer uma busca no youtube, vai encontrar pequenos filmes do fera fotografando as modelos. campanhas. entrevistas. em ação. e o mais bacana é que a câmera que ele usa, não é uma nikkon zambers makers de última geração. não, o fera usa uma câmera daquelas que o seu pai carregava no pescoço no final dos anos oitenta. uma yashica t80, se não estou cagando regra errado aqui. vá lá, fuça no google. mas não custa ficar relativamente esperto. até porque, como eu já descrevi mais ou menos ai em cima, as fotos do cara são um pouquinho gráficas. ou seja, o diretor do seu trabalho que está passando por de trás do seu monitor pode não achar as fotos mais apropriadas para o trabalho. mas googla o cara, que é divertido.

quinta-feira, maio 22, 2008

passas e tomate seco. ou, como gostar para cacete de uma coisa e nao gostar muito-- tudo ao mesmo tempo.


a uva passa e o tomate seco são duas coisas, dois itens, dois negócios, bom, você entendeu-- dois qualquer coisa, que quando estão no estado seco, desidratado-- são bem melhores do que no estado natural. se eu tiver que escolher entre uma uva sem semente e uma uva passa, a uva passa ganha. espanca a uva no seu formato original. uma rodela de tomate fresco ou um tomate seco, tomate seco ganha. o mesmo se aplica com ameixas e pêssego. mas numa escala menor. não sou fã da ameixa, nem do pêssego nas duas formas. gosto, mas não idolatro. com a uva passa e o tomate seco é diferente. não tem comparação. o mundo ficou melhor depois que eu descobri a uva passa. parece exagero e é um pouco. mas o mesmo aconteceu com o tomate seco. sempre achei o tomate meio suspeito. aquela gosminha do meio sempre fodeu com qualquer salada. sempre derrubou a nota da salada. sempre driblei a gosminha, com cuidado, como quem estivesse desarmando uma bomba regada de nitroglicerina. a uva, a fruta, também. primeiro com a semente, que eu só fui descubrir que existia na versão "sem semente" anos depois de me desentender com a original. e depois, não sei se você já socou para dentro, com fome, uma uva azeda master plus, mas é muito ruim. estraga o resto do cacho inteiro. você fica olhando para o cacho com um cagaço do caralho. uva azeda também é traiçoeira. uva-passa, não. é doce para cacete. e não tem muito como errar. não existe passa ruim. ela já está desidratada. não tem muito como estragar. passa e tomate seco. duas coisas que eu acho fucking fuckers na versão "seca". mas que, as duas, no seu formato original, a uva e o tomate-- acho bem mais ou menos.

o vinho rosê


sempre achei o vinho rosê, o mais fraco da família dos vinhos. o tinto, disparado é o que tem lugar mais cativo no primeiro lugar das pessoas. e com razão. muita razão. o branco domina casamentos com uma magnitude impressionante. domina quase todo tipo de evento em que as pessoas não estão sentadas a maior parte da noite. no verão também, o vinho branco arregaça as mangas para trabalhar mais. o rosê ficava ali no meio. sem ao certo deixar claro para o que veio. as regras para tomar o tinto e o branco são claras. carne? vinho tinto. peixe? branco. e por aí vai. o pessoal soube vender os dois de maneira simples, sem muito rodeio. e o rosê sempre ficava ali, na geladeira espiando para ver se alguém ia pedir. de vez em quando alguém na mesa cagava uma regra de que tal clima era mais apropriado para um rosê. ou que aquele peixe que fora pescado no mar negro pedia um rosê. bom, mas como eu disse, nunca foi muito claro. mas portugal é foda. tem vinho para cacete. em todos os lugares. almoço, jantar, jantar e almoço. e acho que agora, na primavera-- entre o inverno e o verão, meu amigo, o que você mais vê por aí são garrafas de vinho rosê piscando o olho para você nos mercados. impressionante. sem querer você acaba levando uma garrafa para casa. ou duas. e quando você menos espera, acaba inventando motivos para inserir o rosê entre o vinho tinto e o branco. começa a cagar regras que você inventa ali na hora. regras improvisadas. desculpa mesmo, para tomar uma taça do vinho que um dia, vivia esquecido numa quina quase escura das lojas especializadas. ontem, ao abrir uma garrafa de vinho rosê, disse, na maior cara de pau: "esses pistaches iranianos com sal grosso combinam com vinho rosê. li em algum lugar. outra coisa que pede uma taça de vinho rosê é esse tempo quase chuvoso, fresco, a brisa..." li pourra nenhuma. mas na hora eu parecia ser o maior expert da história. a desculpa, como você sabe, era por um bom motivo.

o armageddon e o feriado.


em portugal, as pessoas, os lisboetas pelo menos, sabem aproveitar a vida. e a melhor maneira de ver isso é num domingo, por exemplo. ou no verão, em agosto. ou num dia como o de hoje, um feriado. explico um pouquinho melhor. quem é daqui, não trabalha nesses dias. não é como em são paulo que fica aberto 365 dias do ano. não, meu amigo. num dia como o de hoje, um feriado, os feras também aproveitam o dia de descanso. até o seu restaurante favorito fecha. domingo, no bairro alto, o bairro que fica pipocando com turistas, a mesma coisa. as lojas e os restaurantes fechados. com o tempo você se acostuma. e até passa a admirar. e se no começo você fica um pouco puto com o fato de não ter um lugar para comer em pleno feriado, eventualmente entende que todo mundo merece desfrutar do descanso. essa regra funciona para 99,6% dos lugares. se você for um cara de sorte, acaba encontrando um lugarzinho que quebra a regra. por isso mesmo o título deste textinho é "armageddon". lembra daquele filme do meteoro a caminho da terra? com aquela música mela cueca do aerosmith como tema? bruce willis, ben affleck, liv tyler? então, eu trato véspera de feriado ou de domingo aqui em lisboa como se o dia seguinte fosse-- o dia que o governo americano avisa para o mundo que vai dar bosta. aquele dia em que todo mundo corre para as lojas, o supermecado e estoca a casa com mantimentos. ontem, por exemplo, véspera de feriado, fui no mercado aqui perto de casa e soquei coisas na mochila. queijo fresco para dois dias. uma garrafa de vinho. comprei um peixe, uma carne. um para cada dia. ontem e hoje. com o tempo você aprende. feriado é para todos. domingo também. sem putaria. é só saber se esquematizar no dia anterior para não ficar perambulado perdido por aí com um guia de viagens na mão repleto de post-its colados sobre os nomes de lugares fechados.

terça-feira, maio 20, 2008

dois diálogos rápidos de pessoas com pressa.

(1)

casal chega correndo pelos corredores de um multiplex para assistir um filme.

ela: tenho certeza que o filme já começou.
ele: quem mandou você demorar tanto para se vestir!?
ela: mas você não gostou do vestido?
ele: não faz diferença, não dá para ver, o cinema está escuro.

alguém lá do fundo: shhhhhhhh!

(2)

casal na cama, nove e tal de uma quarta-feira.

ela: você já?
ele: não, e você?
ela: também não, e você saberia, eu teria gritado.
ele: e agora, já?
ela: mas porque a pressa?
ele: champions. champions league. comprei no pay per view.

negociar com o xixi e o david blaine

sou péssimo negociador com xixi. e tenho certeza quase absoluta que você também não deve ser nenhum agente do fbi ou cia no que diz respeito a negociar com o seu xixi. e antes de seguir em frente, vale explicar o que quero dizer quando falo desta negociação-- estou me referindo ao xixi quando o alarme do se criado mudo marca cinco da matina. sabe, esse momento? é madrugada. seus olhos estão colados. mas o xixi já acordou. não, o xixi quer acordar. ou você dorme mais meia hora, no máximo quarenta e cinco minutos com uma dor intensa na bexiga-- ou você levanta e se arrasta até o banheiro para libertar o xixi. mas aí meu amigo, se você já conhece os termos desse tipo de negociação, sabe, que na grande maioria das vezes (sempre), essa ida ao banheiro, fode com o seu sono de uma vez. ou seja, você tem duas opções. a primeira é tentar dormir mais uns 45 minutos em média, com uma dor fina cortante pela bexiga. e a segunda, é aliviar, esvaziar o joelho, mas ficar como um zumbi-- circulando pela casa. eu sempre opto pela segunda opção. quase sempre. mas quando bate uma preguiça do caráio, acabo optando pela primeira e fico na cama. hoje, por exemplo, fiquei lá. rolando. a bexiga cercada. a swat ameaçando entrar. os snipers com a mira laser apontada para a base da bexiga e eu lá. lutei. mais uma hora deitado. bom, e aí você sabe, uma hora depois, não existe david blaine, não existe ninguém capaz de resistir a pressão. acordei. foi como se o xixi sussurrasse no meu ouvido: "perdeu playboy!" falando nisso, taí um desafio fucking fuckers para o david blaine. aquele mágico que se acha fucking fuckers. ah, ele consegue ficar 36 horas debaixo d'água sem respirar? bosta. vinte dias dentro de um cubo de gelo? bosta. dois meses dentro de um cubo de acrílico pendurado sobre londres? bosta. negociar com xixi pela manhã por mais de uma hora? duvido.

shine a light e 3 idéias.

é engraçado assistir um filme que é um concerto do rolling stones. bem filmado, pelo martin scorcese. é bom? é. mas a sensação que fica é que falta um cerveja daquelas dos copos grandes de plástico. cigarros. gente cantando a música junto com os feras. é isso. para esse filme ficar do caralho, eu faria três mudanças nos cinemas. mas apenas naqueles que estiverem com ele em cartaz. a primeira: vendedores ambulantes de cereveja. um para cada uma das fileiras. a segunda idéia: pode liberar o cigarro. não fumo, mas beleza. show tem que ter isqueiro ligado durante músicas como "as tears go by". e finalmente, a idéia mais importante-- eu colocaria aquela bolinha que quica-- de karaokê com a letra das músicas para o cinema inteiro cantar. bom, toda essa cagação de regra, porque, o filme é bacana. mas fica uma certa sensação um tanto estranha. aquele silêncio de um lado, e do outro o mick jagger do alto de seus tantos anos, pulando, esperniando. apenas uma sugestão. para deixar um pouco mais divertido. mais realista. como o scorcese quis quando teve a idéia de fazer a bagáça.

o contrapé da chuva. ou: "caceta, e agora?"

em portugal por esses meses, chove para cacete. mas é uma chuva diferente. é uma chuva traiçoeira. te pega no contrapé. você sai para um restaurante, por exemplo, de camiseta tra-lá-lá-lá e quando está prestes a pagar a conta, olha pela janela e vê que a volta para o trabalho foi para o caralho. abril e maio são meses que obrigam você a carregar sempre um guarda-chuva. daqueles que pulam no apertar de um botão. e que cabem na mochila, quase no bolso. sem fazer muito peso. é foda. portanto, se você planeja visitar essas lisboa nessa época, já sabe, uma caixa de antigripal dos bons e um guarda-chuva bacanudo. não bacanudo no sentido de ser caro. bacanudo de prático. moderno. porque, como você já sabe, você vai abrir e fechar o fêla, umas vinte vezes por dia.

quinta-feira, maio 15, 2008

o email fêla da pulta.

o folder de spam do meu email é bem filho da puta. ou melhor, o meu email é que não é assim um cara muito bacana. ele seleciona. ele divide. o filho da puta do meu email, exclui. ele decide que mensagem merece cair no meu inbox e ver a luz do dia-- e que mensagem merece apodrecer no folder de spam com as ofertas de viagra. e é claro, aquelas mensagens de investimentos de zigalhões de dólares na nigéria com um principe que está com toda a grana presa num banco x e precisa da minha ajuda e do meu dinheiro para liberar os zigalhões e dividir comigo. e o mais engraçado ou curioso, é que não existe uma regra muito clara. é como se o meu email tivesse uma personalidade própria. as vezes ele cisma com emails do meu pai por exemplo, e joga eles no folder de spam sem dó. as vezes é email do próprio trabalho. é como se o email tomasse a decisão que naquele dia eu não preciso trabalhar mais. ou que os emails do meu pai não são lá assim tão interessantes. dia desses um fera cobrou uma resposta de um email. eu não sabia o que ele estava falando. e depois de alguns segundos, fui lá fuçar no cemitério do spam, e pimba, lá estava o email do fera cheio de informações importantes cercado de viagra, ofertas de loteria e investimentos com retorno certo. pedi desculpa, tentei explicar que o meu email tem personalidade própria, mas acho que não colou. o meu email é foda. já enviei email com o meu nome do meu email pessoal para ele, e só de sacanagem, só de putaria, me mandou para o spam. o que é no mínino estranho. afinal, o nome é o mesmo. mas zuzo bem. aos poucos a gente vai se entendendo.

tempo bunda.

não curto muito tempo bunda. acho que você também não. tenho certeza que não. tempo bunda para quem não sabe, é o tempo como está hoje aqui em lisboa. você olha pela janela e a primeira reação é: "pourra, que tempo bunda cara." não está quente, mas também não está frio. se você saiu de casa sem um guarda-chuva vai ficar meio puto, mas nem tanto. afinal está chovendo, mas nem tanto. pode parar a qualquer momento. assim como pode apertar. mas também pode ficar um pouquinho mais quente. mas não tanto. o tempo bunda é assim, não se decide. fica em cima do muro. não pode ser considerado nada-- com muita certeza. não existe um casaco certo. não tem também muito o que falar. apenas que o tempo está bunda. e se você parar e pensar, a própria terminologia não tem lá muito sentindo. a bunda é bem popular, em todos os países do mundo. estampa metade dos cartões postais do brasil. a bunda. a própria palavra tem uma sonoridade interessante. fale alto: "bun-da!" tem um "n" no meio que prolonga a palavra e um "da" ao final que encerra com estilo. mas apesar disso tudo, um tempo bunda é o pior tipo de todos. hoje, por exemplo, está bem bunda. bundaço. se eu entrasse no elevador agora e alguém comentasse: "e o tempo, hein?", a minha resposta simplesmente seria: "bunda. bunda para caráio." e finalmente, para concluir, acho que toda estação de tv deveria inserir este tipo de linguagem na previsão do tempo do telejornal: "hoje vai estar sol, com chance de chuva, um pouco de vento ao fim da tarde. ou seja, caro telespectador, o tempo estará bunda." simples assim.

zampa strikes back.

o vanderlei cordeiro de lima estrelou o comercial que deu origem a todos aqueles outros no brasil: "eu sou brasileiro e não desisto nunca." lembra? ele estava liderando a maratona nas olímpiadas de 2004 quando um padre louco segurou ele? então, o cara arrancou todas as forças e chegou em terceiro lugar. virou uma lenda. bom, tem também a história clássica do rocky balboa, o rocky do primeiro filme, que estava na pindaíba e termina o filme por cima da carne seca. o próprio ronaldo antes de confundir filé de soja com filé mignon, também deu a sua volta por cima. se você já assistiu o mega blockbuster "o homem de ferro", taí outro exemplo, o robert downey jr. cavou um poço daqueles que raspava no japão e agora ressurgiu das cinzas com mais autoridade que um fênix desses de filmes com efeitos especiais de qualidade duvidosa. mas porque toda essa introdução? o zampa, o jean zamprogno que alguns posts atrás também teve lá os seus percalços, - tem agora um destino idêntico ao do personagem do stallone, ao vanderlei. o fera, depois de ter passado uma semana num esqueminha bem mais ou menos na frança, graças a burocracias, carimbos e rubricas. bom, depois de ter brigado pelo sabonete num lugar para estrangeiros com os papéis fora de ordem. depois de lutar pela cama de cima no beliche. depois de ter passado num limbo esperando o esqueminha da situação do passaporte dele se acertar. depois de ter passado uma longa semana numa espécie de abrigo esperando a burocracia se entender com o passaporte dele. depois disso tudo, o zampa, acaba de ganhar um concurso aqui em lisboa. de propaganda. o fera tirou o primeiro lugar. primeiro. e qual é o prêmio? o prêmio é uma passagem para cannes. para frança. esquema gala. esquema classe a. esqueminha bom. tudo pago. resumindo, um pouco mais de um mês atrás, o zampa se encontrava numa situação bem mais ou menos na frança. digna de filme daqueles que você não recomenda a pessoas muito sensíveis. vítima da burocracia, detido, shawshank redemption. e agora, o fera deu a volta por cima. e com tudo pago. cannes, frança. hotel. tudo. pela porta da frente. se o stallone ler este blog, grava a biografia do zampa. zampa, the movie. based on a true story. the comeback. the man, the art director, the legend. em outras palavras depois de quase beijar a lona, no último round, zampa strikes back.


se rolar aquela putaria do "this video is no longer available", na janelinha do youtube aí embaixo--- esse vídeo é a cena clássica do rocky balboa correndo, treinando e chegando ao topo das escadas na filadélfia.

terça-feira, maio 13, 2008

"quando em dúvida, joga baba o'riley."

"quando em dúvida, joga baba o'riley." certa vez um amigo meu fez essa sugestão de trilha. a música do "the who" com aquele sintetizador/pianinho no começo durante um minuto e tal da música. quando ele (o meu amigo) disse isso, eu estava fuçando umas 5.978 músicas no meu itunes em busca da trilha perfeita para um roteiro. "baba o'riley", ele insistiu, vai por mim. levanta qualquer coisa. qualquer pessoa. e o fera tinha razão. dia desses estava assistindo "house", o seriado. e o episódio estava meio muchibento, meio mais ou menos. estava morno. ok, estava ruim. e não sei se você curte "house", mas geralmente o programa é bem decente. bom, este dia não estava. e foi aí que, de repente, a câmera começa a seguir os passos de um personagem secundário pelos corredores do hospital. ele, o tal personagem entra no escritório do dr. house. e aí durante o próximo minuto e pouco, como se fizesse todo sentido, o house, o personagem principal-- ficou alí-- em pé com os olhos fechados acompanhando com a mão cada uma das notas de "baba o'riley". fez um "air piano". e a música em si não tinha picas a ver com o enredo do episódio. mas sem putaria, a partir daquele momento, sempre que escuto a música me lembro da tal cena. o que, se você pensar, é uma senhora sacanagem com o the who e toda aquela quebra-quebra de guitarras durantes aqueles shows épicos. parece falta de assunto. e é um pouco. mas vá por mim, quando em dúvida "joga baba o'riley". a conversa com o novo sogro está murchinha na sala e a sua nova namorada não fica pronta? coloca baba o'riley no som da sala. você pegou seis horas de viagem de carro, lisboa-madrid, por exemplo, e está começando a ficar com sono? joga baba o'riley no som do carro. e por aí vai, funciona sempre. e só para concluir que essa teoria tem um pouco de sentido, vou citar mais um que teve a mesma idéia. os caras que criaram as séries do "csi" não sabiam que música selecionar para dar um certo impacto na abertura do "csi ny". afinal já era a terceira versão da mesma série. as pessoas poderiam estar com a saca na lua da mesma história. que trilha colocar na abertura para dar um impacto bacanudo? o que eles fizeram? "baba o'riley." pensando bem, faz sentido.



esse esqueminha aí embaixo de vez em quando funciona. de vez em quando fica só com uma mensagem bem mais ou menos que diz algo do tipo "sorry, not available." mas acho que se você tiver um pouquinho de paciência e pesquisar no youtube "baba o'riley" + "house" você encontra a cena. ou não. mas acho que sim.

ainda vou sentar para escrever com calma

no guia fucking fuckers sobre este restaurante. mas não custa nada adiantar aqui a bagaça se você está com saudade do brasil. o "comida de santo" fica ali entre o príncipe real e a praça das flores na calçada eng. miguel pais, 39. é aquela coisa. você está em lisboa mas é brasileiro-- e ainda está descobrindo a comida portuguesa? beleza, força no bacalhau. mas, você ,de vez em quando, ao pensar num feijão bem feito, fica com baba escorrendo pelos cantos da boca? é, esse é um lugar que pode saciar esse desejo. bom, e finalmente, você já descobriu por essas bandas uma churrascaria, um quindim, pão de queijo no supermercado? ok, mas e bobó de camarão? muqueca, camarão catupiry, picadinho mineiro? essas, você não encontrou nem fudendo. bom, são essas comidas carregadas de personalidade que você encontra aos montes lá. comida de santo é esse canto. começando pela caipirinha. que já oferecem de entrada, antes mesmo de você encontrar a posição perfeita na mesa. vai lá, para matar a saudade, ganhar um quilo e tal e-- sair ajustando o cinto depois.

os tabs e o tio do homem aranha.

não sei se você usa tabs. deve usar, com certeza. tabs no firefox, por exemplo, é o nome que se dá para mais uma página que aparece dentro do próprio navegador. assim você pode navegar duas páginas simultaneamente. e não tem limites. você pode navegar 20 páginas simultaneamente. o "safari" da apple também tem. e tenho quase certeza que também se chama tabs. e creio que o explorer também deve ter esse feature. se antigamente você abria várias janelas e bagunçava tudo e não conseguia prestar atenção em nenhuma delas. os "tabs" apareceram para organizar. simplificar. numa mesma página da internet você consegue pular de uma para outra com um simples click. ou pelo menos é o que acontece na teoria. porque na prática a bagaça só me fódi. suga o tempo. você faz tudo ao mesmo tempo e nada ao mesmo tempo. comecei a notar que desde que comecei a usar tabs com força total, nunca mais consegui prestar atenção em nada. para você ter uma idéia, enquanto tento escrever este mini texto, estou com o firefox aberto. e, nele, no firefox, mais umas 12 páginas. alguma delas começou o efeito cascata. é aquela coisa, você clica no link de uma nóticia numa página como o yahoo, por exemplo. e aí abre uma página só para essa notícia e pensa: "essa eu vou deixar para ler depois." e no decorrer do dia, essa cena se repete algumas vezes. é um vídeo do youtube que você deixa carregando numa página só para ele. e por aí vai, email que você precisa escrever com calma ganha um página só para ele. e lá ele (o email) fica, o resto do dia, naquele tab. esperando você, que provavelmente está lendo ou fuçando outros tabs. o tal do tab é um daqueles negócios que depois que você começa a usar, nunca mais pára. o que, é ruim. não os tabs. mas o fato de você não conseguir viver sem ele. parece estranho essa última frase. mas é a mais pura verdade. o tab é uma boa invenção que quando bem usada, é do caralho. mas quando nas mãos de um cara como este que está digitando essas letrinhas que você está lendo, é um perigo. para explicar o perigo dos tabs, vou citar o homem aranha. ou melhor, vou citar o tio dele. que, ao descobrir que o homem aranha tinha lá uns poderes interessantes disse: "with great power comes great responsibility." tabs é mais ou menos a mesma coisa. permite você navegar um zigalhão de sites ao mesmo tempo no espaço de um. e aí meu amigo, se você for muito ganancioso, fodeu.

quinta-feira, maio 08, 2008

mais dialógos na nespresso.

- eu tenho uma dúvida.
- claro.
- qual é a diferença entre o modelo 90 e o 100?
- o 90 é mecânico. o 100 é automático.
- automático?
- isso, você aperta o botão uma vez e a máquina faz o café e pára sozinha.
- e a outra, a máquina mecânica?
- você aperta o botão uma vez e a máquina faz o café. aí você aperta uma segunda vez e ela pára.
- ah, na mecânica eu aperto o botão duas vezes. e na automática, uma?
- bom, essa é uma maneira de ver...
- então por mais 40 euros eu só preciso apertar o botão uma vez?
- isso, a máquina pára sozinha.
- mais 40 euros e apertar o botão uma vez, ou apertar o botão duas vezes?
- isso.
- é, acho que sei lá, ainda dá para apertar o botão duas vezes.
- ok. mas por mais 40...
- aperto uma só vez.
- isso.
- mas eu já entendi. uma eu preciso apertar duas vezes, a outra, uma.
- é uma tecnologia de ponta.
- ok, valeu a tentativa, mas vou ficar com a dos dois apertos de botão.
- você é quem sabe.
- não, não, sério, valeu a tentativa.
- você é quem sabe.



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- número 36! o próximo da fila.
- eu, eu.
- o senhor vai querer que tipo de café?
- dois longos amarelos.
- lungos?
- é, isso. longos.
- lungos.
- isso, dois amarelos e um azul longo também.
- ... e um azul lungo.
- hmmm, acho que é isso. isso é tudo. três no total. três longos.
- três lungos, obrigado. (e, ao entregar as caixinhas, a moça coloca o dedo indicador sobre a palavra "lungo" que está escrita em letras grandes numa última tentaiva de me ensinar a pronuncia certa.)

tecnologias que um dia pareciam ser do caráio e hoje ninguém sente falta. 1

lá em casa tinha uma tv com a tal tecnologia pip. pip para quem não sabe ou nunca teve uma televisão com essa tecnologia é a abreviação para picture in picture. e o que é pip. ou melhor, como é que funciona? simples, você apertava um botão e aparecia no canto superior do seu televisor uma pequena tela em que você podia assistir um outro canal. me lembro na época quando a tv chegou, todo mundo com a mania de tentar assistir dois programas ao mesmo tempo. mas não fazia nenhum sentido. puta negócio estranho. a telinha extra que aparecia era mínima. vai, do tamanho da tela de um ipod. e como as pessoas sentavam longe, no sofá, não dava para ver picas. existia o argumento que assim era possível saber quando o comercial tinha acabado no outro canal e estava na hora de voltar. mas se na teoria fazia um pouquinho de sentido, na prática não é tão bacana assistir um filme e uma novela ao mesmo tempo. depois de uns 3 meses a tecnologia foi esquecida lá em casa. nunca mais usei. nunca mais vi um televisor anunciando esse feature. o pip foi para o caralho. nunca mais vi alguém comentar que a tv que ele ou ela tem em casa tem esse esqueminha. essa é uma das tecnologias que o ser humano foi capaz de inventar, criar, mas que com o tempo foram esquecidas. apagadas da história. com o tempo fazem tanto sentido quanto comer um big mac sem molho. ou algo parecido. puta tecnologia meia boca. lá em casa tinha uma tv com a tal tecnologia pip. e ainda me lembro de gente brigando para ter ela no quarto.

o truque do queen e "feelings."

lá em 1980 e tal, não sei a data ao certo, o freddie mercury olha para o brian may e comenta: "royalties.". e o brian may achando que o freddie mercury estava falando no sentido de "nobreza", "realeza"-- de queen-- não deu lá muita atenção. mas o freddie emendou: "não royalty, royalties." ele, é claro, estava se referindo aos centavos, os x por cento que os músicos ganham sempre que toca uma música deles em qualquer canto do mundo. reza a lenda que o brasileiro que gravou, escreveu "feelings" vive do que ganha com os royalties da música. e vive bem, num lago desses na itália. tocou "feelings", pimba, pinga um din din na conta dele. mas voltemos ao queen, voltemos ao dia da conversa do freddie mercury com o brian may. ah, vale acrescentar que o papo aconteceu durante a final da liga inglesa de futebol. o jogo já tinha acabado e os torcedores gritavam e cantavam músicas improvisadas. bom, e como o freddie mercury não é bobo, pegou uma caneta e começou a escrever ali o que seria o grande ganha pão da banda para o resto da vida. "brian, e se a música se chamasse we are the champions? fudeu brian, imagine quantos campeonatos acontecem simultaneamente pelo mundo." os dois tentaram recordar se já existia algum hino similar e nada. passaram os próximos 10 dias sem sair da sala de gravações. "melodia simples brian, não fodi." e a letra também não escapou muito dessa regra. tinha que ser fácil de cantar e de memorizar. e, desde então, em todos os países do universo, sempre que algum time, alguma seleção, alguma ginasta, qualquer ser vivo ganha qualquer coisa, toca a pourra da música. ontem mesmo estava assistindo na tv, uma partida de copa davis da segunda divisão, algum país ganhou a série de melhor de 5. segundos depois, a música começou a tocar pelo estádio. é quase como se fosse uma lei interplanetária. o ser humano está condicionado a tocar essa música após qualquer conquista. qualquer jogo minimamente importante, assim como finais de copas do mundo, um dos melhores planos de todos os tempos. e se o fera que escreveu "feelings" acha que tem um esqueminha bom, o esqueminha do queen é ainda mais de fuder. "royalties", disse o freddy mercury para o brian may.

terça-feira, maio 06, 2008

diálogos de casais que estão quase em crise ou quase loucamente apaixonados.

23:18 no relógio da mesa de cabeceira.

- amor, você escovou os dentes?
- sim.
- escovou? bochechou? passou fio dental?
- sim.
- usou aquela maquininha que vibra?
- aquela que faz sangrar a gengiva?
- isso, se você estiver com placas é claro.
- usei. um pouco. mas usei.
- deixa eu ver. abre um sorriso. deixa eu ver a língua.
- como?
- a língua.
- assim!?
- é, tá bem avermelhada. cor saudável. a textura parece estar boa. só mais uma coisa, aquele dentinho que sempre tem uma carninha agarrada lá embaixo.
- esse?
- tá limpo.
- tá.
- então dá um beijinho de boa noite que eu vou dormir.



09:06 no relógio sobre a mesa da cozinha.


- sucrilhos.
- oi?
- passa o sucrilhos.
- mas você come pão francês sem o miolo com manteiga becel desde que eu te conheço?
- sucrilhos, corn flakes, com lascas de chocolate. quero mudar.
- mas roberto, depois de 28 anos? trocar o pão quentinho sem miolo que a vera comprou na padaria por sucrilhos? o que deu em você?
- sei lá, acordei com vontade.
- mas, não consigo digerir isso. 28 anos depois. que loucura.
- é, essas coisas acontecem.
- essas coisas?
- é trocar.
- roberto, você está querendo insinuar alguma coisa com essa conversa?
- caramba, eu pedi sucrilhos e agora esse drama todo...
- mas foram 28 anos, porra, comendo pão sem miolo com manteiga becel!
- foram. você disse certo. foram.
- mas, mas, daqui a pouco você olha para mim, assim, numa manhã como essas, aqui na mesa, despenteada, com o rosto nu. com remela agarrada no canto dos olhos, olheiras que brotaram debaixo dos olhos e nunca mais sairam, e... e... e
- e?
- e, sei lá, assim, você pode começar a pensar coisas.
- coisas?
- é você pode olhar para o meu cabelo desgrenhado, a cara amassada. eu, comendo o pão sem miolo com manteiga becel.
silêncio.
- roberto, diz alguma coisa!
silêncio.
- porra roberto.
- calma. tô pensando.
- em mim!? no meu cabelo. na minha pele. porra roberto!
- não, não. se eu coloco lascas de banana sobre o cereal sobre o sucrilhos. sabe? como fazem nos comerciais.

mais uma dica para marcar preciosos pontos com a patroa.

lá em casa, de cada 200 refeições, dou uma mão em duas. não é filhadaputagem. é que eu não levo jeito para a bagaça e a patroa, muito. bom, mas esses dias, calhou de ser eu ali, na frente do fogão. "erick, e se você fizer o pato?"-- ela disse lá da sala. putz, qualquer prato que começa com pato isso ou pato aquilo já coloca uma pressão enorme. pode fazer um rewind na sua cabeça e tente lembrar todos os restaurantes que você já foi em que o pato estava lá no cardápio. o fera sempre acompanha uns sobrenomes franceses e um preço salgado. bom, fiquei lá olhando para o pato cru. para a panela vazia. e é claro, para os dois pratos igualmente vazios espalhados pela pia. "que caráio vou jogar sobre esse pato, pourra?" e aqui vai a dica para marcar preciosos pontos com a patroa. molho de mostarda e geléia de pêssego com pimenta preta. fudido. e inspirado. abri a geladeira em busca de qualquer pote de alguma coisa que me salvasse. de relance pesquei com cada um dos olhos, primeiro, com o olho direito, o pote de mostarda zambers dijon e com o outro um pote de geléia de pêssego. me lembrei que existia o molho de mostarda e mel. aí pensei: "caráio, troca o mel pela geléia de pêssego e torce para dar certo." e acho que deu. ou a minha mulher ficou com muita pena de mim. mas acho que deu certo, porque eu também comi a bagaça. quase como faz aquele bobo da corte que experimenta as coisas antes do rei e da rainha. a receita é simples. duas colheres fartas de mostarda. fogo baixo. uma colher de geléia de pêssego. uma pitada meio desajeitada de pimenta preta. misture lentamente. quando virar um caramelo meio disforme, largue sobre o pato. pourra, o pato fica cheio das nove horas.

o horário de verão e o sol, e o dia que na verdade é noite. ou "rapá fique esperto para não esticar muito na firma."

agora, por exemplo, o meu casio está marcando 20:32. mas lá fora, está um clarão do caráio. nove da noite, é a mesma coisa. não é muito diferente. nove e pouco, começa a escurecer. nove e meia, escureceu. e isso, como as cortinas cavernosas do post vizinho, também te fodem. você acha que ainda é cedo, mas já é noite. acha que ainda tinha que estar trabalhando, mas já tinha que estar em casa. o verão aqui na europa, pelo menos em portugal pega você no contrapé de uma maneira impressionante. você não trabalha mais por isso. mas se sente mais trouxa. sente mais pateta. um puta banana do caráio. sente, que por algum motivo deveria estar fazendo mais coisas. meio como aquele filme do jack nicholson e do morgan freeman, o bucket list. você olha para o relógio, para o céu. e repete essa cena algumas vezes. e fica sempre, mas é sempre, com essa estranha sensação de que pararam o sol ali em cima só para você deixar de ser mané, largar o computador e ir fazer alguma coisa. mesmo que essa "coisa" seja coçar o saco do lado de fora. e é tudo meio de repente. nove e vinte e pouco, claro. nove e vinte e muito, escuro.

o perigo de cortinas cavernosas.

cortinas cavernosas são cortinas que selam o quarto. cem por cento escuro. não entra fresta de sol. não entra meio milímetro de luz. nada. você não consegue ver um palmo a sua frente. bom, meu quarto antes não tinha esse esqueminha. era mais simples. aquelas cortinas de pano. que deixam entram, vá lá, uns 48% de luz. ou mais, dependendo da teimosia do sol. mas agora, saíram as cortinas de pano e deram lugar para um esqueminha fucking powers que como você já sabe, não permitem um fiapo de luz entrar. é ruim. e é bom. o lado bom, e mais óbvio é que se dorme mais. o lado ruim e um pouquinho menos óbvio é que se dorme mais. para dar uma idéia do efeito das cortinas cavernosas, dia desses acordei quase uma da tarde. isso, quando o meu cérebro está acostumado a dar a partida antes das 10. a cortina cavernosa me criou um problema. não dos grandes. mas médio-grande. o rádio relógio ficou mais alto. o outro que é movido a pilhas, mais perto da cama. e o celular logo ao lado. fique esperto. se você tem sono pesado, fodeu. fuja das cortinas cavernosas. elas pegam o seu cérebro no contrapé de uma maneira impressionante. você jura que ainda é cedo, mas o dia já foi para o caráio.

quinta-feira, maio 01, 2008

o sofá cama que ninguém quis.

todo mundo tem um sofá em casa. é como geladeira, fogão e cama. o sofá deve ser a primeira ou a segunda coisa que as pessoas compram ao entrar num apartamento novo. bom, comprei um sofá novo. queria me livrar do velho. e nada. perguntei para as pessoas do trabalho, nada. perguntei para pessoas de lugares que eu frequento como o café da esquina e o mercadinho de frutas. nada. todo mundo dá a mesma resposta: "eu já tenho um." e o sofá é novo. pouquíssimas vezes foi usado. o problema é que se já existe um na casa das pessoas, não é possível colocar um outro em cima. simples assim. me lembro de um anúncio genial de uma rede de tv americana, a abc que dizia: "se não fosse a tv, como é que você saberia onde colocar o sofá na sala?". algo por aí. o que nos leva a conclusão deste textinho. todo mundo tem sofá. dos grandes.uma dica: quando você planejar comprar um novo, comece a buscar um novo dono para o seu antigo alguns meses antes. eu sei que é estranho se aproximar de um quase conhecido e dizer: "olha, em alguns meses eu planejo comprar um sofá cama novo, você gostaria de ficar com o meu, que eu tenho em casa hoje? mas só em alguns meses?" ou isso, ou tente descobrir alguma maneira relativamente simples de se livrar do fera. do sofá. o sofá cama que ninguém quis.

risoto. como fazer um. ou como marcar pontos preciosos com a patroa.

descobri esses dias como se faz risoto. não é complicado. é relativamente fácil. aprendi no verso do saquinho. e como estava escrito em italiano, das duas uma: ou é uma bela receita dos caras quem inventaram o prato, ou eu errei a tradução simultânea e improvisei o resultado final. mas eu recomendo. tem funcionado desde então. compre arroz de risoto. tenha em casa uma garrafa decente de azeite. uns três potinhos daqueles com alguma erva como alecrim, orégano, páprica e smilares e um copo não muito cheio de vinho branco. e mais uns ingredientes que vão aparecer no passo a passo aí embaixo. bom, vou tentar aqui em pouquíssimos passos ensinar como eu aprendi. e como tenho feito a bagaça, porque tem funcionado.
- esquente um frigideira daquelas quase fundas. adicione um pouco de azeite.
- coloque o arroz de risoto espalhado para se assegurar cada um deles esteja em contato com o calor e o azeite.
- depois de um tempinho, minutos, mais do que 1, menos do que 4. você vai sacar quando é hora, os grãos estão levemente 'bronzeados'.
- agora adicione um pouco de água. o arroz vai inchar.
- espere um pouco da água evaporar, adicione o copo de vinho branco.
- enquanto está rolando esse processo, pegue uma tábua de cortar e experimente misturar uma porção de coisas que você gosta. ex.: linguiça, pimenta preta, lascas de tâmaras, uma colher de azeite, pistache. sei lá, improvisa. e misture tudo com uma colher numa cumbuca. algum prato fundo.
- o risoto está quase pronto? ainda está meio duro. adicione um pouco de água. mas só um pouco.
- segundos depois, adicione essa mistureba que você fez. com um certo carinho, misture o risoto com os ingrediente que você colocou e abaixe o fogo.
- um pouco mais de pimenta preta. uma pitada de sal.
- experimente da panela mesmo? está bom? ok, uma colher de manteiga. mas daquelas manteigas gordas. coloque ela bem ao centro. e para finalizar, uma três lascas de um queijo não tão forte. a linguiça já tem um sabor meio empolgado., misture bem devagar. uma, duas vezes.
- jogue uma pitada de alecrim por cima. e pronto.


acho que vai dar certo. se você estava fazendo uma busca na internet por uma receita de risoto e caiu aqui, meio que por acidente, vai por mim, acho que você vai repetir. se você lê esse blog com uma certa frequência, vai que você também tinha uma curiosidade de como fazer a bagaça. eu não tinha a menor idéia de como se fazia um risoto. e taí um bom prato para você marcar pontos preciosos em casa.

terça-feira, abril 29, 2008

a praia e o nariz vermelho e aquele esqueminha da sadia.

me lembro quando eu era moleque no brasil tinha uma propaganda do perú da sadia. falava de um esqueminha. de um pitoquinho que pulava indicando que estava pronto. para não queimar. para ficar no ponto certo. pulou o pitoquinho, estava supimpa. simples assim. e foi ao ir a praia nesse fim de semana que me lembrei disso novamente. tive uns flashbacks do comercial. eu, que pego sol com a mesma frequência que um eskimó anti-social, estava branco. não branco branco. branco veias quase aparecendo. ok, exagerei. mas não pegava sol desde, desde, desde um tempão. meia hora esparramado na areia e o meu nariz começou com um tom avermelhado. me olhei de relance no óculos escuros e pensei: "caráio, virei alemão." ou melhor, "caráio, virei o perú da sadia." e o segundo pensamento, que veio meio que emendado no primeiro: "caráio, fodeu, torrei." o meu nariz funciona como o pitoquinho da sadia. ainda preciso me familiarizar com esquema. mas foi interessante descobrir a bagaça. ajuda. mais do que atrapalha. todo gringo possui esse esquema. eu, acho que desenvolvi, de tanto ficar escondido do sol. e acho, só acho, que depois que você desenvolve essa bagaça não tem mais jeito.

mudança e as costas.

mudança é um daqueles negócios que não tem preço. ou melhor, tem preço. mas você está disposto a pagar um valor premium. e quando eu digo "você", suponho que você, como eu, não tem lá grandes habilidades e força para atravessar um sofá pela porta estreita de um quarto. o mesmo com o armário e suas gavetas. caixas médias e grandes. algumas com o fundo relativamente molenga. mas voltemos ao valor premium que se paga por elas. dia desses liguei para um serviço de mudanças pois queria tirar um mega sofá lá de casa. o sofá não cabe no carro de amigos. não passa pela porta. enfim, o sofá é complicado. só de tentar imaginar tirar, lutar contra ele, fico com uma dor nas costas do caráio. daquelas que nem um batalhão de agulhas de acupuntura consegue sarar. portanto, com este sofá e as minhas costas em mente, liguei para uma empresa de mudanças. o fera, ao notar a minha voz quase ausente e trêmula do outro lado da linha, jogou um preço lá em cima. os primeiros milésimos de segundo me fizeram ter a certeza que era caro-- e quase mandei ele para um lugar não muito bacana, mas logo concordei em pagar. e ele, ao notar que eu sequer pechinchei-- emendou: "esse preço é por hora! belê?" e foi aí que eu cheguei a conclusão. mudança é um daqueles negócios que não tem preço. o cara sente o drama na sua voz e pimba: "joga um preço mega makers." e, 99 de 100 vezes, você, ou eu, neste caso, acaba aceitando e concordando com um sorriso quase amarelo no rosto.

porteiro, o obina e o primeiro jogo.

aqui em lisboa não tem porteiro. já escrevi sobre isto aqui. tem, mas são poucos. as casas e prédios de todo mundo que eu conheço, por exemplo, não têm o fera lá. o que não é ruim nem bom, apenas diferente. não, pensando bem, é ruim. os prédios que eu morei no brasil sempre tiveram os porteiros mais gente fina de todos os tempos. me lembrei disso ontem. porque? o obina fez um gol no final do segundo tempo contra o botafogo na primeira partida da final do campeonato carioca. flamengo 1, botafogo 0. não é a mesma coisa de um gol sobre o vasco. não. mas bateu uma saudade de sacanear um fera botafoguense que trabalhava no prédio em que eu morava no brasil. e mais: porra, gol do obina. gol do obina potencializa a sacaneada. e muito. uma pena.

enquanto isso, o fera, lá no brasil deve estar pensando: "puta, cacete, graças a deus que aquele moleque se mudou para portugal. aquele fêla ia me pertubar. porra e com um gol do obina então, eu ia mandar aquele moleque a merda. flamenguista fêla da pulta."

existem poucas coisas mais tristes que

encontrar quatro cervejas congeladas e estouradas no freezer da sua casa.
sabe? quando você coloca elas lá para gelar, e esquece? porra, dá uma dor no coração quando você descobre elas lá. acabadas. transbordando um pouco de gelo. com a tampinha retorcida. encontrei 4 esses dias. ainda não consegui jogar fora. eu abro o congelador. olho para elas. e bate uma pequena deprê. uma pena. existem poucas coisas mais tristes que esta cena. pouquíssimas.

quinta-feira, abril 24, 2008

como falar com as sobrancelhas.

o título deste textinho é estranho. mas faz sentido. ou pelo menos fazia quando a idéia surgiu de escrever sobre isso. o que é falar com as sobrancelhas ou melhor, como é que se fala com as sobrancelhas? a melhor maneira de aprender, é num restaurante. falar com um garçom com as sobrancelhas é um jeito excelente de aprender. quando você quiser pedir mais azeite ou o saleiro, ou mesmo a conta, não grite. não acene com as mãos. simplesmente levantes as duas sobrancelhas com força máxima, mas em câmera lenta. combine as sobrancelhas em pé com um leve balançar de cabeça para trás. na língua das sobrancelhas isto equivale a um grito. outro lugar legal para falar com os bigodes dos olhos-- é quando você se encontra no meio de uma conversa em que você não domina o assunto. duas coisas são importantes. a primeira-- ter um copo com alguma coisa na mão. assim você não precisa falar, é só colocar o copo contra a boca sempre que pintar um espaço para você fazer uma comentário. e a segunda, sempre que a tal pessoa que se julga expert em alguma coisa que você não é-- falar, levante as duas sobrancelhas até a metade do caminho. para aumentar o efeito, deite a cabeça levemente para um dos lados enquantos as sobrancelhas subirem. mandar um recado para a sua mulher que está do outro lado de uma mesa ou de uma festa que você quer escapar: leve e rápido levantar de sobrancelhas. dúvida, apenas uma delas deve pegar o elevador para a cobertura do seu rosto. quase que em câmera lenta. raiva, as duas sobrancelhas se encontram no ponto do rosto onde o nariz começa. pratique. é importante aprender essa língua. você nunca sabe quando vai precisar falar algo sem falar algo. e o melhor: é universal. funciona e se entende em qualquer lugar do mundo. como falar com as sobrancelhas.