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sábado, julho 09, 2005
ahhh o frio... ahhh o céu da boca.
menos 27 graus. acho que essa é a temperatura em são paulo. para ser sincero, eu não tenho um termômetro aqui na janela de casa, mas tenho quase certeza absoluta que tá tão frio assim. hoje pela manhã acordei e tinha certeza que estava nevando. não posso afirmar 100% que estava nevando porque não tive coragem de abrir a cortina do quarto. mexi minha perna um só milímetro e tive que voltar. é, porque quando você dorme o seu corpo esquenta aquela parte, a área que está ao redor é puro gelo. mas caráio, tá frio pra cacete. praticamente não saí de casa. não me mexi muito. se algum erro de português irritar você, me perdoe, é que eu estou escrevendo com luvas. das grossas de lã. já tomei umas 5 jarras de café fervendo e duas tigelas de sopa. o que nos leva ao assunto desse textinho, o céu da boca. você já queimou o céu da sua boca? provavelmente sim. quem nunca queimou? então, cheguei a conclusão que queimar o céu da boca é uma das piores sensações de todos os tempos. disputa o segundo lugar com bater com o dedinho mindinho na quina do pé de uma mesa na sala no escuro. o primeiro lugar no ranking de piores sensações, é claro, é da sensação de bosta de morder por acidente um pedaço de papel alumínio agarrado no chocolate. mas voltando ao céu da boca. com esse frio, o que mais acontece é não pensar direito e comer sopa fervendo para esquentar. tomar chás e cafés fervidos na base de um vulcão. tudo para esquentar sem pensar nas conseqüências. cuidado. no momento, aquilo tudo parece fazer sentido. aquela colher cheia de sopa borbulhante pode parecer a coisa mais sensata para se colocar dentro da boca e terminar com o frio. não é. assopre a caráia da colher. céu da boca queimado é foda. você mesmo deve estar prestes a colocar uma colher de sopa escaldante na boca. é difícil resistir. eu sei. mas calma. assopre. mas assopre a colher como se fosse a vela do seu aniversário de 10 anos de idade. o frio vai continuar por mais um bom tempo, e você precisa desse céu da boca meu amigo. você precisa da sopa e do café. só uma dica. dica de inverno. considere uma boa ação da minha parte nessa época do ano. é como doar um agasalho. vai fazer você se sentir melhor. confia em mim. assopre a colher. doe um agasalho. e assopre novamente a colher. para o bem de todos.
sexta-feira, julho 08, 2005
os chupa-colarinho.
existem maneiras e maneiras de beber chope. tem gente que bebe com colarinho. tem gente que bebe sem. eu, particularmente bebo com um dedinho só. não dois. já li em algum lugar, acho que num poster de bar, que o colarinho é essencial para manter a qualidade do chopp. mas tem um negócio que me dá nos ovos. que me deixa cafuzo: gente que chupa o colarinho. sabe? o chopp chega e o cara faz um biquinho e chupa o colarinho, fazendo aquele barulhinho ensurdecedor. puta barulho escroto. dois centímetros do lábio superior dentro da espuma seguido por uma chupadinha nojenta. porra, meu amigo, eu não sou nenhum mestre cervejeiro, mas eu duvido que o monge alemão que inventou a porra da cerveja--- chupava o colarinho. o certo é dar um gole grande na espuma. no colarinho. numa boa, chupar o colarinho com barulinho, não. eu tive uma idéia. idéia simples. nada demais, mas que pode trazer paz para os bares. é, a idéia é a seguinte: assim como existe seção de fumante e seção de não-fumantes, acho que bares deveriam ter duas seções distintas. a seção de quem chupa colarinho e a seção de quem não chupa a porra do colarinho. simples assim. e todos viveriam e beberiam felizes para sempre.
quinta-feira, julho 07, 2005
creme de mandioquinha morno.
comi creme de mandioquinha hoje de entrada no almoço. interessante. mandioquinha. assim no diminutivo. sem a pressão de ser um creme de mandioca. não, mandioquinha mesmo. e como entrada. nunca como prato principal. fiquei pensando como o creme de mandioquinha levava uma vida boa naquele cardápio. o creme de mandioquinha deixa todos os outros pratos morrendo de inveja. é o emprego mais fácil do cardápio. pensa só. a vida do prato principal é bem mais complicada. o prato do dia chega na mesa tremendo. o garçom treme. tudo treme. é, ele é que vai matar a sua fome. o creme de mandioquinha é o equivalente a um trailler daqueles de cinema bem editados. é rápido, não tem muito. não arrisca. é quase sem sal. sem pimenta. creme de mandioquinha tem uma cor amena. não é amarelo. mas também não é laranja. creme de mandioquinha é um amarelo adormecido. um amarelo que pensa que é branco. ninguem bate na mesa e pede mais um depois. mas também não reclama. o creme de mandioquinha é primo de primeio grau do quiche de uns 11 textinhos abaixo. é uma grande família: o quiche, o creme de mandioquinha, a salada verde e o frango grelhado. comidas quase sem graça que cumprem o seu papel em qualquer cardápio. o creme de mandioquinha é o mais fodalhão dos quatro. porque, além de ser exclusivamente uma entrada, é no diminutivo e o melhor, não agarra nos dentes, e quase sempre vem morno. nunca fervendo. em outras palavras, o fêla da puta tem uma vida bem tranquila. creme de mandioquinha. se tiver no cardápio e você estiver indeciso, não titubeie, peça: "creme de mandioquinha, por favor!" não tem erro. o fêla da puta não vai te surpreender, mas também não é babaca pra te pegar no contrapé.
quarta-feira, julho 06, 2005
o spam do pênis.
se você tem uma conta de e-mail gratuita no hotmail, no yahoo, gmail, ou qualquer outro genérico, você provavelmente já recebeu um spam anunciando algum remédio milagroso para aumentar o seu pênis. não importa se você é homem ou mulher, acho que todos, todos já receberam esse spam: "increase your penis!" "make your penis harder!!" "penis enlargement!!!" geralmente é em inglês mesmo. penis sem o acento circunflexo. fiquei uns dois meses sem abrir a minha conta de email do hotmail e quando cheguei lá, era penis enlargement para todo lado. chega a ser engraçado. desisti de apagar as caráia dos email. dos spam. acho que a interpol, o fbi, a cia e mais uma meia dúzia de agências secretas deveriam se unir para encontrar o fêla da puta que manda esses emails. prender esse bosta. seu eu fosse juiz ainda mandava cortar o pênis dele (em praça pública com transmissão ao vivo e com comentários de galvão bueno) antes de colocar ele atrás das grades. é, e depois só pra fuder com a cabeça dele, mandaria pra ele centenas de emails, de spam, anunciando remédios milagrosos promentendo aumentar o pênis dele. só de sacanagem. só de putaria. "vê se funciona agora, mané!" por causa desse fêla, já abri umas três contas de email. trabalhava numa empresa em que um cara que sentava perto não entendia como é que achavam o endereço dele. ele era um pouco mais velho e não dominava tão bem o e-mail. um dia ele resmungou em voz alta: "caráio!!! como é que esses caras sabem que eu tenho um pênis pequeno?!?" um outro cara, que sentava na frente dele respondeu: "talvez seja a sua mulher usando um pseudônimo!" ele não riu da piada. não sei. pensando agora, acho que vale investigar ela. quem sabe.
terça-feira, julho 05, 2005
bom dia. bom dia é o caralho!
nada contra dar "bom dia!" pela manhã. confesso que não sou o maior desejador de "bom dia!" de todos os tempos, mas faço a minha parte. o único problema com o "bom dia!" é o ponto de exclamação. o "bom dia!" já nasce com ponto de exclamação. é uma puta pressão. você dá um "bom dia!", você já deixou estabelecido que o dia vai ser du caralho. a partir daí, começa a corrida para realmente transformar o dia, em um bom dia. o dia não pode mais ser um dia qualquer. um dia regular. caceta, você disse "bom dia!", e o pior, escutou "bom dia!" de volta. e isso, antes mesmo das nove da manhã. acho que se fosse o contrário, poderia até ser interessante. imagina só: ao invés de "bom dia!", "que dia de merda!". você manda uma dessas, depois, tudo que vier, é lucro. é, pensa só. o dia já começa assim, na merda. quaquer coisinha. qualquer bostinha que já faça esse dia ser considerado melhor do que uma merda, já é de fuder. tô pensando seriamente em começar a experimentar essa história. sei lá. fazer um teste. meio sem compromisso mesmo. entrar na firma, e soltar bem alto, cheio de energia: "que dia de merda!". com exclamação também. o efeito seria devastador. quase como uma ôla num estádio de futebol mexicano. sei lá, vai que pega e todos começam a fazer a mesma coisa. concordo que no início, pode soar meio estranho, o pessoal mais conservador pode olhar torto e tal. mas tenho certeza que com o tempo o negócio ia fazer o maior sucesso. "que dia de merda!" um novo jeito de começar o dia. uma nova maneira de encarar uma segunda-feira de manhã. tudo seria diferente. não custa tentar. é só uma idéia. posso estar completamente errado. "que dia de merda!" pra você também.
sexta-feira, julho 01, 2005
as vacas abduzidas.
"eu vou querer a fraldinha... ao ponto, por favor!" não sei se você teve a sorte de fincar os dentes numa fraldinha de qualidade ultimamente. mas o negócio, como diria o chico bento, é bão. o que nos leva ao assunto desse textinho. então, enquanto eu observava uma lasca de fraldinha espetada no garfo, molhada em farofa, eu comecei a pensar no boi. na vaca. no boi e na vaca. e porque não, no bezerro também. comecei a pensar neles, lá pastando. correndo livremente pela fazenda. sol, brisa, gramados sem fim. é, comecei a imaginar se algum deles sabe ou se não sabe, suspeita que vai um dia crescer e virar uma fraldinha. será que quando a professora do bezerro pergunta pra ele o que ele vai ser quando crescer, ele responde: "picanha nobre, fessora" ? será? hein? será que eles sabem para onde seus amigos foram? que alguns viraram alcatra, outros costela, e uns outros memos afortunados, cupim? e, enquanto minha lasca de fraldinha esfriava, continuei a pensar. na vaca e no boi reunidos no pasto, tentando chegar a uma decisão de quem vai contar para o bezerro que um deles vai virar espeto. pensei também se a vaca suspeita do fazendeiro. o mesmo carinha que serve água e capim fresco pra ela. e finalmente, cheguei a uma conclusão. as vacas na verdade, devem acreditar que existe vida em outros planetas. e que todas as vacas, bois e bezerros que sumiram foram na verdade abduzidas. por ovnis, aliens e cia. que todas as vacas que sumiram estão na verdade em outros planetas. e que um dia elas voltam. e foi aí que vi que a minha fraldinha estava quase fria. pensei na vaca, no boi, no bezerro. olhei ao meu redor. lambi os beiços e abduzi a vaca.
quinta-feira, junho 30, 2005
post-it e a cola pritt: separados no nascimento. (ou o reencontro de duas colas que não colam.)
você já parou para pensar que o post-it e a cola pritt têm muito em comum? a impressão que eu tenho é que os dois são irmãos gêmeos e que foram separados na maternidade. irmãos gêmeos como a giselle bündchen e a irmã gêmea dela. nasceram no mesmo dia. têm um ou outro traço semelhante, mas são diferentes. os dois, a pritt e o post-it não colam direito. afirmam que colam. mas não colam. o post-it consegue segurar a ondar na quina de um computador por uns três, quatro dias no máximo. a cola pritt, menos. você esfrega, esfrega, e quando você acha que a caráia da foto está presa no álbum para a eternidade, pimba, a pritt te deixa na mão, e a foto no chão. fico imaginando o dia que eu vou ligar a televisão e encontrar a cola pritt chorando, cercada por câmeras no plantão da globo. gritando, entre soluços para a câmera: "aonde você estiver, por favor, apareça! nós fomos separados na maternidade são josé. trocaram as etiquetas... snif... se você não cola bem... se você vive caindo... você é meu irmão gêmeo..." o país pararia esperando esse reencontro. chamadas no faustão e no fantástico com a glória maria e o pedro bial. o maior ibope de todos os tempos. uma nação a espera do reencontro da pritt com o post-it. mas seria para nada. é. no dia que o post-it tinha que pegar o avião para encontrar a pritt nos estúdios do fantástico, você já sabe... a cola ia vencer... e o post-it ia cair . e você sabe, quando o post-it cai, você esquece qualquer compromisso. até os mais importantes. uma pena.
porque é impossível acordar antes das 7 da manhã?
você já tentou? é foda, meu amigo. acordar antes das 7 da manhã, só para pegar avião. certificado de reservista. visto e mais algumas coisas que eu não me lembro agora porque estava com muito sono. volta e meia coloco a caráia do alarme para tocar seis e tal. me matriculo numa academia. pago seis meses adiantado, e não consigo acordar. os olhos não reagem. eu escuto o som do alarme. escuto a música mal sintonizada. mas não consigo acordar. é complicado. dia desses tive que pegar um avião para o rio cedo. perdi. tá bem, tô brincando, não perdi. mas foi quase. cheguei a conclusão que o ser humano não foi programado para acordar antes das 7. só consigo me mover depois das 7 e 30. e não muito. apenas o suficiente para chegar no box do banheiro e ligar a água quente. não consigo entender como é que eu conseguia ir para a escola quando era moleque-- antes das 7. tento me lembrar como é que eu fazia para estar no pátio de entrada da escola 7 da manhã, mas não consigo. aqueles anos parecem um grande e tenebroso pesadelo. acho que é por isso que todo adolescente é revoltado. adolescente tem que chegar na escola antes das 7. de segunda à sexta. durante uns 10 anos. é pra revoltar qualquer um. tente lembrar se você já teve alguma professora super hiper bem humorada. são poucas. você acha que eu estou exagerando? então, faça o teste. ajuste seu alarme para 06:59 da manhã. mas coloque bem alto. com rádio e buzininha. os dois juntos. eu duvido. duvido. mas duvido mesmo. que você vai conseguir colocar os dois pés no chão frio antes do relógio marcar 07:00. duvido. é um fato. o ser humano é incapaz de acordar antes das 7 da manhã. não sei porque. mais uma daquelas grandes questões da humanidade sem resposta. que eu, definitivamente não vou nunca conseguir responder.
terça-feira, junho 28, 2005
amor à primeira vista.
ela trabalhava na parmalat. dirigia um caminhão de leite. quase mil litros de leite. para cima e para baixo. tinha habilitação desde os 18. nunca tinha levado uma multa sequer. "piloto um caminhão de leite!" respondia ela orgulhosa quando perguntavam sua profissão.
ele era funcionário da nestlè. transportava nescau. achocolatado em pó pelo brasil. da fábrica para o supermercado. nescau. o país não acordava sem nescau. ele sabia disse. se sentia orgulhoso. "sabe o nescau que você toma todas as manhãs? então, sou eu quem distribuo." dirigia um caminhão mercedes-benz, ano 87 diesel. tinha duas multas de velocidade no histórico, e só. sempre calibrava os pneus e sempre recusava a cervejinha do almoço antes de pegar a estrada.
a vida dos dois mudou numa quarta-feira. ele, indo do rio para são paulo com o caminhão cheio de nescau. ela, indo de são paulo para o rio, com o caminhão com leite até o topo. o encontro foi rápido. por acidente. literalmente. ele disse que deixou o cigarro cair, e se abaixou pra pegar. ela jura que não viu quando ele atravessou a pista: "foi tudo de repente... eu não pude fazer nada!" "bum!" caminhão e caminhão. batida de frente. ninguém se machucou sério. mas a carga, bem a carga é outra história. leite e nescau. mil litros de 'energia que dá gosto'. e foi alí, com milhares de crianças invadindo a pista da dutra que eles chegaram a conclusão, que a colisão fora obra do destino. amor à primeira vista. feitos um para o outro. e sempre que um dos dois conta a história de como se conheceram, ninguém acredita.
ele era funcionário da nestlè. transportava nescau. achocolatado em pó pelo brasil. da fábrica para o supermercado. nescau. o país não acordava sem nescau. ele sabia disse. se sentia orgulhoso. "sabe o nescau que você toma todas as manhãs? então, sou eu quem distribuo." dirigia um caminhão mercedes-benz, ano 87 diesel. tinha duas multas de velocidade no histórico, e só. sempre calibrava os pneus e sempre recusava a cervejinha do almoço antes de pegar a estrada.
a vida dos dois mudou numa quarta-feira. ele, indo do rio para são paulo com o caminhão cheio de nescau. ela, indo de são paulo para o rio, com o caminhão com leite até o topo. o encontro foi rápido. por acidente. literalmente. ele disse que deixou o cigarro cair, e se abaixou pra pegar. ela jura que não viu quando ele atravessou a pista: "foi tudo de repente... eu não pude fazer nada!" "bum!" caminhão e caminhão. batida de frente. ninguém se machucou sério. mas a carga, bem a carga é outra história. leite e nescau. mil litros de 'energia que dá gosto'. e foi alí, com milhares de crianças invadindo a pista da dutra que eles chegaram a conclusão, que a colisão fora obra do destino. amor à primeira vista. feitos um para o outro. e sempre que um dos dois conta a história de como se conheceram, ninguém acredita.
sexta-feira, junho 24, 2005
livestrong, tsunamihelp e agora... saverick.
quantas pulseirinhas que ajudam o mundo, você já viu por aí? eu já vi umas quinze. a mais famosa é claro, a que deu origem a tudo é aquela amarelinha, a "livestrong" do lance armstrong, famoso ciclista americano que já ganhou a volta da frança trezentas e vinte e seis vezes e ex-vítima do câncer. a idéia por trás da tala pulseirinha é até interssante. você compra, e o dinheiro é revertido para uma causa nobre. no caso das pulseirinhas amarelas, todo dinheiro das vendas é revertido para uma fundação que cuidade pacientes com câncer. se você usa a pulseirinha, é um sinal de que você se preocupa etc e tal. mas o problema é que a porra da pulseira virou moda. deixou de ser para ajudar quem sofre de câncer ou as vítimas de desastres naturais para virar parte de coleção de moda. tem gente que vende no mercado paralelo. por iso mesmo, depois de ver a tal da pulseirinha perder o sentido, eu tive uma idéia. uma idéia simples. é, vou criar, vender uma pulseirinha com o meu nome em baixo relevo. a "saverick". seguindo os mesmos moldes da pulseira original. a minha não vai ser amarela. vai ser laranja. e, no lugar de "livestrong", vai ter "saverick". vai custar R$3,00. três mangos. e você deve estar se perguntando: o quê esse fêla da puta vai fazer com esse dinheiro? bem, eu vou reverter esse dinheiro para uma causa bem nobre. vou pagar o meu cartão de crédito. é isso mesmo. todo din din arrecadado será usado para pagar o meu cartão de crédito no fim do mês. vou comprar mais. consumir mais. sem culpa. sem estresse. sem preocupação. pensa só: as pessoas vão circular com uma pulseirinha com uma cor diferente das outras, que convenhasmo já estão meio batidas (mais uma vez, quando essa caráia de pulseirinha era comprada direto do site da nike para cuidar de pacientes com câncer, eu achava du caráio. mas quando vi que um fêla da mãe vendendo a mesma por 30 reais numa academia, vi que a porra tinha perdido todo o sentido). "é laranja! é diferente! "saverick"! compre e ajude o erick a pagar as contas do erick no fim do mês! vai ser uma coqueluche. uma correria. juntos poderemos salvar o mundo. assim que eu tiver o site no ar, eu divulgo.
datas importantes e uma lei que pode ser bem interessante. ou não.
mulher adora datas. mulher adora tanto datas que gosta que o homem também lembre delas. é fato. e homem, como você sabe, não é bom de datas. é péssimo. data de comemoração do dia que começou o namoro geralmente é uma das datas mais importantes de todos os tempos para a mulher. se você não se lembrar, você provavelmente não precisa se preocupar nunca mais. afinal, as probabilidade são grandes de que o seu namoro acabou. e o que eu acho mais engraçado nessa data. é que não importa se é o primeiro mês de namoro ou o trigésimo sexto. você tem que lembrar da data. fazer festa. nada contra celebrar a instituição do namoro. mas é que homem relamente tem uma puta dificuldade de lembrar. aí, você casa. pronto, surge uma nova data. uma nova data que você tem que lembrar. a data do dia que você casou. eu, por exemplo, comecei a namorar num dia 17. casei no dia 5. agora, tenho duas datas para celebrar. os meses, anos de namoro. e os meses, anos de casado. aí meu amigo, quando você acha que tá tranquilo e tem tudo sob controle, aparece o dia dos namorados pra te pegar no contrapé. cheguei a uma conclusão. tive uma idéia. que eu sei que não vai ser nenhum pouco popular com o público feminino. mas beleza. é a vida. lá vai: acho que deveria ser lei que uma vez que você case, a data do namoro seja automaticamente cancelada de ser lembrada. a partir do dia que você casar meu amigo, você está autorizado por lei a esquecer a data do dia que o namoro começou. a partir de agora você vai se concentrar em se lembrar da data do casamento. e só. uma data. um casal feliz. sem estresse. sem a preocupação de chegar em casa e ser recebido com presentes e não saber se é por causa do casamento, do namoro ou simplesmente porque ela quis te dar um presente. nunca mais ter que passar pelo estresse de comprar um presente no almoço porque você descobriu por acidente no verso da aliança que aquele dia é dia. agora, a melhor parte: essa lei teria efeito retroativo. todos os homens estariam desculpados por não ter se lembrado de uma data ou de outra. afinal, duas datas, só para mulher. e, antes que eu me esqueça, hoje é dia 24. vinte e quatro. sei lá, vai que você que está lendo esqueceu de ligar pra alguém.
quarta-feira, junho 22, 2005
mesas comunitárias é coisa de mané
mesa comunitária é coisa de fêla da puta. é coisa de mané. pra quem não sabe do que se trata. mesa comunitária é uma mesa grande e longa que alguns restaurantes têm. é a mesa da mãe joana. não tem dono. não tem reserva. você marca de almoçar com um amigo e passa o almoço roçando o cotovelo com um mané que você não conhece. tem um desses aqui no prédio que eu trabalho. puta coisa escrota. o restaurante quer dar uma de muderno e colocou uma mesa que atravessa o restaurante de ponta a ponta. é como se fosse uma grande família. todos juntos (apesar de não se conhecer) comendo, lado a lado. quando acontece de ter que sentar numa mesa comunitária, tenho que sussurar bem baixinho para não entrar na conversa dos outros. mesa comunitária é uma bosta. cabem umas vinte pessoas. é igual almoçar num vagão do metrô em movimento na hora do rush. é como comer numa mesa daquelas de filme italiano antigo. sabe? aquelas com uma tiazona na ponta com doze filhos, 32 netos e 76 bisnetos. pior do que comer numa mesa dessas é pedir a conta. você pede a conta e o garçom fica olhando para você como se estivesse solucionando uma equação de segundo grau na cabeça. ele não sabe qual é a sua conta. quem está com você. se você tocou o couvert. é, porque se você está roçando o joelho com uma mulher que está ao seu lado, porque não pagar também pelo salmão e a saladinha dela? pode notar. peça a conta e depois fique observando o garçom. ele fica rebuscando na cabeça o que você comeu. mesa comunitária não tem número. é no chute. nunca mais vou comer numa mesa comunitária. caráio. você volta do almoço sem certeza do que conversou. da proxima vez que eu sentar numa mesa dessas não vou dar uma de mané não. vou deixar só 1% de gorjeta. talvez meno. é o equivalente da minha parte na mesa comunitária. 10%, eu só deixo se a mesa for minha. e de mais ninguém.
terça-feira, junho 21, 2005
a última do português.
não se trata de piada--mas de comida. casquinha de bacalhau. provavelmente uma das coisas mais gostosas que existe. sem sacanagem. de verdade. desde que experimentei pela primeira vez--nunca mais encontrei algo tão gostoso. não dá água na boca. jorra. as papilas degustativas fazem uma 'ola' quando enxergam o garfo entrando na boca. essa casquinha de bacalhau você encontra no bar espírito santo--no itaim. imagine uma casquinha de siri. agora tire o siri e coloque bacalhau. bacalhau fresco. bacalhau saboroso. bacalhau que com certeza não pertence a mesma família daqueles que você come na casa da sua tia no natal. um senhor bacalhau. carinhosamente desfiado e coberto com o mais puro chocolate nestlé. não. coberto com o mais puro parmesão. deixe descansar uns quarenta segundos sobre a mesa. é o tempo de não queimar o céu da boca e tirar a tampinha do azeite. com a mão direita--segure o garfo como uma criança de dois anos segura uma colher. com a esquerda aplique doses generosas de azeite a cada garfada.
(pausa--2 goles de chopp sem respirar.)
pensamento: "ainda bem que bacalhau prende nos dentes."
--bar espírito santo--av. horácio lafer, 634 -itaim bibi.-
(pausa--2 goles de chopp sem respirar.)
pensamento: "ainda bem que bacalhau prende nos dentes."
--bar espírito santo--av. horácio lafer, 634 -itaim bibi.-
sexta-feira, junho 17, 2005
pessoas que comem quiche.
desconfio de pessoas que afirmam que têm como prato favorito, o quiche. feijoada, carne assada, frango catupiry, eu aceito. mas caráio, não dá pra entender um sujeito que diz que seu prato preferido é quiche. quiche é ok. não é bom, também não é ruim. na minha sincera opinião, quiche é a comida mais ou menos. não fede, nem cheira. tem um gosto quase sem gosto. não é seco, também não é molhado. não é frio. nem quente. não queima a língua. quiche é sempre recheado de algum ingrediente que não dá água na boca. palmito, queijo branco, peito de peru, aspargos, cebola ou frango desfiado. ingredientes básicos que enchem a pança, mas que não causam orgasmos múltiplos nos cantos do cérebro. tente lembrar a última vez que você comeu um quiche. vai, eu espero. viu, é difícil lembrar, não é? não existe jantares inesquecíveis que envolvem um quiche. não existe chefs famosos por fazerem quiches. quiche sempre vem com uma salada a tiracolo. quiche não existe sozinho. e, se existe, não enche a barriga. é por isso que eu desconfio de quem é apaixonado por quiche. desconfie também. uma pessoa que é apaixonada por quiche é no mínimo suspeita. não divida uma mesa com quem é louco por quiche. você pode pegar no sono. quiche da sono. e alguém que pede um quiche num cardápido cheio de alternativas, ou está de dieta e vai se concentrar na salada, ou não é das mais interessantes. detalhe importante: quiche cria uma maçaroca que preenche os espaços entre os dentes. quiche é foda. é isopor comestível. empada metida a besta que custa mais de 10 reais. fuja do quiche. corra do quiche. quiche é um perigo. e mais importante: desconfie muito de quem gosta de quiche. seu bom humor depende disso.
quinta-feira, junho 16, 2005
minha kriptonita.
andar de bicicleta é como sabor de azeitona. ou sabor de azeitona é como andar de bicicleta, você nunca esquece. odeio azeitona. azeitona verda clar, principalmente. azeitona verde fede. azeitona verde é como uma subáca depois de 12 horas de trabalho. você sente o odor de longe. é de arder a vista. cheguei a conclusão que azeitona é a pior comida que existe. o pior sabor, para ser mais exato. sempre achei que o quiabo tinha levado o título em definitivo. estava errado. comi uma azeitona esses dias por engano. a fêla da puta estava agachada, escondida dentro de um pastel de queijo. mordi em cheio. os músculos do meu maxilar se contraíram com seu estivesse levando choques do torturador do "rambo 2". meu amigo, cuspi no prato com a mesma violência que um ônibus espacial reentra a atmosfera da terra. depois dessa experiência desagradável, resolvi fazer um ranking. o ranking dos piores sabores de todos os tempos. em primeiro lugar, ficou a azeitona (verdes). em segundo, as azeitonas roxas. depois, o quiabo. em um honroso quarto lugar, ficou o jiló. e fechando o top five, o glorioso repolho refogado. é isso, um desabafo. depois de quase ingerir uma lasca de azeitona cheguei a uma conclusão muito, muito séria que pode mudar a minha vida, o meu destino na terra: azeitona verde é minha kriptonita.
quarta-feira, junho 15, 2005
o dedinho mindinho do pé da mulher.
não sou desses caras que são tarados por pé de mulher. até curto, mas não sei se compraria uma revista só de closes de pés. mas, de vez em quando, me encontro observando dedinho mindinho do pé da mulher. calma, também não sou tarado por dedinho mindinho de pé de mulher. observo por curiosidade. é, tento entender como é que uma mulher consegue passar o dia com o dedinho mindinho do pé esmagado no sapato. é muito louco. uma tortura. sempre que eu subo o elevador pro tabalho, dou uma espiadela. hoje, por exemplo, vi um dedinho sufocado. gritando por ajuda, tentando pular fora do sapato de bico fino. ele gritava, esperneava, e nada. todos no elevador ignoraram. ninguém ofereceu ajuda. confesso que também não falei nada com medo de passar por tarado de dedinho mindinho de mulher. mas aquela imagem ficou na minha cabeça. aquele dedinho, metade vermelho, metade roxo. e com uma mini unha agarrada no canto daquele sapato de bico fino. tô pensando em lançar um movimento. coisa séria mesmo. o movimento de libertação dos dedinhos mindinhos das mulheres. com passeatas. com a intervenção dos grandes líderes mundias. porque não, com um show do u2 transmitido simultaneamente para o mundo inteiro. se você estiver achando essa idéia um tanto estranha, experimente observar os dedinhos das mulheres no elevador. mas olhe com cuidado. discreto. não quero que você passe por tarado. é meu amigo, pode olhar. mas olha com jeito. com educação. com um olhar clínico. até porque, como eu já disse, o assunto é sério. os dedinhos mindinhos dos pés das mulheres precisam de nós.
sexta-feira, junho 10, 2005
os dois.
- amor?
- oi?
- você acha que eu estou gorda?
- não.
- acha ou não acha?
- eu já disse, não.
- tem certeza?
- não caramba, não tá gorda.
- e desse lado. assim de perfil?
- [silêncio]
- amooor... e de perfil, você não respondeu.
- não. você não está gorda de perfil.
- e sentada. assim ó, na beiradinha da cama?
- não. você não está gorda.
- e agora, amarrando o tênis?
- não.
- colocando a mão no bolso?
- não.
- com essa camisa de babado?
- não.
- então você definitivamente não acha que eu estou gorda?
- não está. você não está gorda.
- e assim ó, pulando, você acha que...
- [interrompendo] pensando bem, você está forte, fofa, encorpada, sobrando, em outras palavras, é, você está gorda. e não se fala mais nisso.
- oi?
- você acha que eu estou gorda?
- não.
- acha ou não acha?
- eu já disse, não.
- tem certeza?
- não caramba, não tá gorda.
- e desse lado. assim de perfil?
- [silêncio]
- amooor... e de perfil, você não respondeu.
- não. você não está gorda de perfil.
- e sentada. assim ó, na beiradinha da cama?
- não. você não está gorda.
- e agora, amarrando o tênis?
- não.
- colocando a mão no bolso?
- não.
- com essa camisa de babado?
- não.
- então você definitivamente não acha que eu estou gorda?
- não está. você não está gorda.
- e assim ó, pulando, você acha que...
- [interrompendo] pensando bem, você está forte, fofa, encorpada, sobrando, em outras palavras, é, você está gorda. e não se fala mais nisso.
4 minutos.
meu despertador é como o da maioria das pessoas. toca rádio e faz pí-pí-pí-pí. aquel barulho ensurdecedor que rasga os tímpanos quando toca. aquele som supersônico que queima a alma. e, sabendo de como esse barulho irrita, a indústria de alarmes inventou um mecanismo genial: o botão do "soneca". aquele botãozinho mágico que proporciona alguns minutinhos a mais de sono todas as manhãs. o botão da soneca é provavelmente uma das maiores invenções da humanidade. é muito simples, tocou o alarme, pimba, apertou o "soneca" e "zzzzzzzzzz". todo mundo faz. não deve existir nenhuma pessoa no mundo que não aperte a porra do botão. é um reflexo que passa de pai para filho. está nos genes. é tocar o primeiro "pí", e lá vai a mão distribuindo tapas no alarme atrás do botão do soneca. e foi pensando nisso, no botão do soneca que eu cheguei a uma conclusão: o mundo inteiro está atrasado 4 minutos.
coisas que não mudaram desde que eu nasci e eu não sei se vão mudar.
- grampeador.
- papel higiênico.
- caneta bic.
- embalagem dos palitos gina.
- travesseiro.
- pão francês.
- a cara do sílvio santos.
- as músicas do kid abelha, do lulu santos e da blitz.
- o sérgio chapelin apresentando do globo repórter.
- josé mayer fazendo papel de galã.
- maitê proença fazendo pose de gostosa.
- o endereço da minha vó em copacabana.
- papel higiênico.
- caneta bic.
- embalagem dos palitos gina.
- travesseiro.
- pão francês.
- a cara do sílvio santos.
- as músicas do kid abelha, do lulu santos e da blitz.
- o sérgio chapelin apresentando do globo repórter.
- josé mayer fazendo papel de galã.
- maitê proença fazendo pose de gostosa.
- o endereço da minha vó em copacabana.
quinta-feira, junho 09, 2005
estacionamento de shopping é o caralho.
estacionamento de shopping é uma dedada no saco. puta negócio feito nas coxas. e cobram caro. tem shopping que eu já não frequento mais por causa do estacionamento. e não é pão durice não. caráio, eu até posso ser mané. mas o rei dos manés eu não sou. 5 reais a hora. mais 2 pela segunda hora e por aí vai. estacionamento de shopping é feito pra te fuder. vivem lotados. e sempre com carros atravessados pelo caminho. aqueles caras que literalmente ligam o foda-se e estacionam nas rampas de acesso para os próximos andares--ou até mesmo fora da vaga --apertadinho contra a coluna. as vezes tenho vontade de fazer o mesmo. colocar o meu carro largado como as pessoas fazem com o freio de mão puxado. lá no meio. atravessadão no corredor. depois, assistiria tudo de longe, observando só pra ver que bosta dá. e os caras do estacionamento gostam de te tentar. dizem que o estacionamento tem vagas. levantam a porra da cancela com musiquinha. aí, você entra, roda, roda, roda, roda e não acha a caráia da vaga. e aí, quando você decide ir embora, não pode. afinal, os 15 minutos de franquia acabaram. agora, você tem que pagar para sair. as vezes vou de taxi pro shopping. na maioria das vezes, não vou mais pra shopping. caguei. não vou mais ao cinema. não vou mais comer em praças de alimentação. vou comprar tudo pela internet. pensando bem, talvez eu até vá. mas só pra fuder com o esqueminha dos caras. é, vou só pra deixar o carro atravessado. na ladeira, entre o segundo e o terceiro andar. caos total. buzinaço. madames gritando. se você estiver lá nesse dia, minhas sinceras desculpas.
segunda-feira, junho 06, 2005
o fio dental e os homens das cavernas.
dia desses acabou o meu fio dental aqui na firma. fiquei cafuzo. na verdade, mais do que cafuzo, fiquei com 20 gramas de frango agarrado nos dentões lá de trás até chegar em casa. é desesperador. a língua não chega lá. o dedo é muito grande. meu amigo, sem a caráia do fio dental, não dá pra tirar. é fato. e foram os 20 gramas de frango agarrado nas denta que me fizeram escrever esse textinho. fiquei imaginando como é que as pessoas se viravam sem fio dental. aí, eu apertei o botão do rewind, e voltei até a pré-história. cheguei nos homens das cavernas. é, afinal, os homens das cavernas comiam carne adoidado. com as mãos. carnes fibrosas. javali, mamute, bufalos, e mais uma meia dúzia de animais gigantescos cheios de carne. naquela época não existia garfo e faca. era na mordida mesmo. tinha que rasgar a comida com os dentes. resultado: os cara passavam dias com meio kilo de carne balançando entre os dentes. devia ser uma agonia. tacape numa mão, meio kilo de carne nos dentes. tenho quase certeza que uma das coisas que fez com que a natureza acelerasse a evolução do homem, foi o fio dental. a mãe natureza não aguentava mais ver os homens das cavernas roçando a língua nos dentes de trás. não aguentava mais ver os homens das cavernas fazendo aquele barulinho nojento de sucção. aquela carne de pterodáctil desfiada entre os molares. quando você assiste aquelas animações no discovery channel com os homens das cavernas gritando, balançando a cabeleira, você pode ter certeza que é por causa da falta do fio dental. aquele grito de raiva é a sensação de impotência de não conseguir arrancar um bife de mamute dos cantos da boca. o que nos separa dos homens das cavernas, não é apenas o cérebro mais desenvolvido e o jeitão de andar em pé, ereto, não. meu amigo, os livros de ciência deveriam dedicar uns três capítulos sobre o efeito que a falta de fio dental teve naquela civilização. faça a experiência: vá a uma churrascaria rodízio. mastigue cupim, frango, mais cupim, uma picanha, porque ninguém é de ferro. e, só de putaria, mastigue uma costela de boi pra finalizar. depois, vale língua, vale mindinho, só não vale fio dental. eu garanto, em meia hora, você despiroca. volta no tempo. pra idade da pedra. com 20 gramas agarrado nos dentes e uma vontade incontrolável de pegar um tacape e rachar a mesa ao meio.
quarta-feira, junho 01, 2005
tinta neles.
sou completamente contra armas, tiros, espingardas e similares. mas um dia desses esfumaçando no trânsito-- pensei em comprar uma arma. calma--não é nehuma arma de verdade. pensei em comprar um arma de paintball. daquelas que tempos atrás faziam sucesso. aquelas armas que soltam bolinhas de plástico carregadas de tinta. que estouram e cagam a pessoa no impacto. lembra delas? é. então estou pensando em comprar uma arma de paintball. carregar ela nocarro comigo. me armar até os dentes. com uma arma capaz de atirar umas 5 bolinhas de tinta por segundo. caráio. que são paulo tem um dos piores trânsitos do mundo, tudo mundo já sabe. mas, puta que pariu-- tem muito mané no trânsito (não que eu seja nenhum ás do volante. mas isso já é outra história.) é mané pra tudo que é lado. é mané que entra sem colocar a seta. mané que buzina no milésimo de segundo que o sinal abre. motoboy que passa cotovelando meu retrovisor. isso, só para mencionar alguns. por isso--venho pensando nisso. pegar um almoço e ir atrás de uma arma assustadora--mas de paintball. carregar ela com tinta gritante: amarelo, roxo, laranja e rosa. uma salada de cores. pra deixar os caras cagados mesmo. a idéia é essa. nãoquero ferir, matar ninguém. não tenho nenhuma ambição de virar o justiceirodo trânsito. quero apenas deixar bem puto o sujeito que jogou farol alto em mim sem necessidade. sem dramas. apenas umas três bolas de tinta amarela
stouradas no capô preto do golf novo dele. tinta nele.
stouradas no capô preto do golf novo dele. tinta nele.
o oficinês.
oficina de carro é um lugar curioso. eu por exemplo não entendo picas sobre carro. sei como ligar, dirijo mais ou menos, e sei também como destravar a tampinha da gasolina. e só. é por isso que sempre que eu vou a uma oficina-- sinto como se estivesse em outro país. não-- em outra galáxia. não entendo uma caralha que os caras falam. é como se existisse uma língua oficial das oficinas: o oficinês. dia desses o farol direito do meu carro faleceu. apagou. então lá fui eu até a oficina numa bela manhã de sábado. o sujeito olhou meu carro, abriu o capô. fechou o capô. abriu o capô e fechou. ligou o carro e desligou. diagnóstico: "regulador de voltagem moderada da rotatória do motor de partida". caráio. se ele falasse a mesma coisa de trás para
frente faria o mesmo sentido. é por isso que eu me cago de ir em oficina. o fila da puta pode falar qualquer coisa. qualquer. "hmmmm...teremos que trocar o carro inteiro por um novo. vamos manter somente o banco do carona e o retrovisor." o que é que eu vou falar? vou argumentar que o cabo da embreagem na verdade está em ótimas condições? não dá. oficina é foda. as vezes tenho vontade de passar uma mão de graxa na cara--e dois dedos de óleo 4 tempos no cabelo antes de ir. sei lá. só pra chegar lá com uma cara de que entende. com uma cara de quem vive fuçando o motor. ou melhor. tenho vontade de responder na mesma língua que os caras. no oficinês. ex.: o mecânico me diz o problema do carro: "bem, o problema do seu carro está no capacitador de frenagem da 3º marcha! 793 reais mais a mão de obra!" aí eu responderia no meu oficinês improvisado:: "tudo bem então! eu vou efetuar esse pagamento
com base na aceleração do regulador de injeção financeira que regula a minha
conta bancária. belê?"
frente faria o mesmo sentido. é por isso que eu me cago de ir em oficina. o fila da puta pode falar qualquer coisa. qualquer. "hmmmm...teremos que trocar o carro inteiro por um novo. vamos manter somente o banco do carona e o retrovisor." o que é que eu vou falar? vou argumentar que o cabo da embreagem na verdade está em ótimas condições? não dá. oficina é foda. as vezes tenho vontade de passar uma mão de graxa na cara--e dois dedos de óleo 4 tempos no cabelo antes de ir. sei lá. só pra chegar lá com uma cara de que entende. com uma cara de quem vive fuçando o motor. ou melhor. tenho vontade de responder na mesma língua que os caras. no oficinês. ex.: o mecânico me diz o problema do carro: "bem, o problema do seu carro está no capacitador de frenagem da 3º marcha! 793 reais mais a mão de obra!" aí eu responderia no meu oficinês improvisado:: "tudo bem então! eu vou efetuar esse pagamento
com base na aceleração do regulador de injeção financeira que regula a minha
conta bancária. belê?"
domingo, maio 29, 2005
pessoas que você conhece mas nao conhece assim tao bem pra perguntar como é que estao as coisas.
umas duas, três vezes por mês isso acontece comigo. eu encontro uma pessoa e não sei como falar. nada contra a pessoa. é que eu não sei se conheço assim tão bem essa pessoa para parar ela, apertar a mão e perguntar como é que estão as coisas. deixa eu tentar me explicar melhor. existem três tipos de conhecidos. os deconhecidos, que obviamente são aqueles que você não conhece. os conhecidos, aqueles que você sabe o nome, talvez o sobrenome. e tem aquele pessoal que fica entre o grupo dos desconhecidos e dos conhecidos. não vamos confundir conhecidos com amigos. são coisas completamente diferentes. conhecidos são quase amigos. mas vamos voltar ao grupo de pessoas que fica entre os desconhecidos e os conhecidos. vamos chamar esse grupo de acho-que-eu-te-conheço-de-algum-lugar-mas-não-tenho-assim-tanta-certeza. bem, você entendeu. os acho-que-eu-te-conheço são difíceis de se lidar. primeiro porque você não tem assim tanta certeza se conhece mesmo tal pessoa. segundo, porque essa pessoa que você não tem assim tanta certeza se sabe o nome, deve estar pensando a mesma coisa que você quando te vê. e finalmente, se você resolve parar pra falar com essa pessoa que você não tem certeza se já foi apresentado e errar o nome, pode ser chato. para os dois. não existe nada pior do que aquele silêncio de vinte e sete segundos entre duas pessoas que não se conhecem, mas acham que podem se conhecer de algum lugar. isso acontece muito em casamentos. ou melhor, acontece sempre em casamentos. acontece em shoppings, em fila de aeroportos. acontece em restaurantes com mesas coladas e bares também. você não sabe se levantar a sobrancelha é suficiente pra dar o alô. se acenar de longe funciona. ou se você arrisca perguntar como é que estão as coisas. por isso mesmo vou dividir com você um técnica que eu desenvolvi com o tempo. se você também já passou por essa situação, aqui vai a minha técnica. primeiro, levante as duas sobrancelhas ao mesmo tempo quase em câmera lenta. em seguida, faça uma pequena contração dos lábios e, quase que simultaneamente, estenda uma das mãos. não acene, caralho. é um erro de iniciantes. vai te custar uns cinco minutos tentando puxar papo com um quase estranho, de pé, entre duas mesas de bar. acenar é para amigos. estenda a mão e recue rapidamente colocando ela no bolso. geralmente funciona.
quarta-feira, maio 25, 2005
a consulta
- doutor?
- o que foi?
- pode falar...é sério?
- hmmm...não sei ainda ao certo...tenho que fazer alguns testes para
confirmar o resultado.
- que tipo de testes...
- repita comigo, 33.
- trinta e três!
- agora diga 16.
- dezesseis!
- de novo.
- dezesseis.
- 43.
- quarenta e três.
- 13.
- treze.
- 53.
- cinquenta e três.
- 3.
- três.
- puta que pariu! que merda. é muito azar para uma pessoa só.
- mas como assim, azar? o que é que eu tenho doutor?
- você não tem porra nenhuma...eu é que não acertei a mega-sena.
- o que foi?
- pode falar...é sério?
- hmmm...não sei ainda ao certo...tenho que fazer alguns testes para
confirmar o resultado.
- que tipo de testes...
- repita comigo, 33.
- trinta e três!
- agora diga 16.
- dezesseis!
- de novo.
- dezesseis.
- 43.
- quarenta e três.
- 13.
- treze.
- 53.
- cinquenta e três.
- 3.
- três.
- puta que pariu! que merda. é muito azar para uma pessoa só.
- mas como assim, azar? o que é que eu tenho doutor?
- você não tem porra nenhuma...eu é que não acertei a mega-sena.
27 anos de casamento.
[quinta-feira. 21:00. pratos empilhados na pia.
três dedos de coca light morna no copo.]
ele: futebol!
ela: novela!
ele: futebol!
ela: novela!
ele: fu-te-bol!
ela: tá bem. futebol!
[silêncio]
ele: novela!
três dedos de coca light morna no copo.]
ele: futebol!
ela: novela!
ele: futebol!
ela: novela!
ele: fu-te-bol!
ela: tá bem. futebol!
[silêncio]
ele: novela!
a maravilhosa loja do tempo.
imagina uma loja que vende tempo. é, tempo. você pode comprar caixas com horas, minutos ou segundos. milésimos de segundo vc encontra na boca do caixa em pacotinhos pequenos. você pode comprar tempo redondo: três horas, meia hora. pode comprar também tempo quebrado: vinte e seis minutos, sete segundos e alguns décimos. não importa. perdeu meia hora no trânsito? visite a loja no almoço e compre tempo. quer jogar a pelada da firma e jantar fora com a sua mulher no mesmo dia? sem dramas? sem crises? compre tempo. uma hora e meia. tempo suficiente pra dar uns carrinhos e umas beijocas. a maravilhosa loja do tempo funcionaria como uma broker de tempo. você tem tempo sobrando? a loja do tempo compra e revende para quem tá sem tempo. simples assim. todo mundo ganha. o rubinho compraria alguns centésimos nos domingos. eu venderia alguns minutos das tardes de sábado. a maravilhosa loja do tempo ficaria aberta vinte e quatro horas e teria centenas de filiais. não faria sentido vc perder tempo dirigindo até a loja do tempo. nos fins de semana quando todo mundo tem tempo pra tudo, a loja teria promoções tipo: compre duas horas, leve três. sei lá. imagine. se você acha que perdeu tempo lendo esse parágrafo poderia comprar tempo a caminho de casa. o mesmo tempo que eu tinha sobrando quando cheguei mais cedo do almoço.
sexta-feira, maio 20, 2005
os motoristas jedi dos ônibus do rio.
ônibus tem em qualquer lugar do mundo. mas, motoristas de ônibus como os que existem no rio de janeiro, não. meu amigo. os motoristas de ônibus daqui são motoristas de elite. são parte de um seleto grupo. basta atravessar as avenidas ataulfo de paiva e a visconde de pirajá (que cortam o leblon e ipanema) para sentir o drama. eles costuram aqueles ônibus lotados de passageiros como se fosse uma bicicleta. os motoristas de ônibus do rio de janeiro são como os cavaleiros jedi do guerra nas estrelas. os fêla da puta tem super poderes. eles fazem curvas sem olhar pelo retrovisor. freiam sem saber se você está atrás deles e aceleram quando o sinal está vermelho. fico imaginando se existe um centro de treinamento pra esses caras. como no guerra nas estrelas. será que existe treinamentos de corrida de ônibus com 40 passageiros sentados e mais 30 em pé? será que nesse centro eles ziguezagueam cones? dão cavalinho de pau? e, no final do treinamento, um mestre jedi, como o obi wan kenobi, é eleito o fucking fuckers motoristas de ônibus? só pode ser. porque não é possível que um sujeito comum aprenda a pilotar desta maneira na rua. é instinto e muito treinamento. mas, principalemnte instinto. um instinto selvagem que não existe em nenhum outro lugar do mundo. como os cavaleiros jedi. é difícil explicar o poder dos caras assim. você tem que ver. ou melhor, você tem que sentir na pele. tem que pegar o seu carrinho querido, e enfrentar o trânsito do rio. de preferência num dia de sol escaldante e com trânsito caótico. tipo 3 da tarde entre copacabana e ipanema. cercado de prédios colados um no outro e com caminhões com o pisca alerta entregando coco nos bares e senhoras atravessando a rua. é impressionante. você vai ter a impressão que vai bater o seu carro contra um ônibus umas vinte vezes por dia. é só impressão. os motoristas jedi são craques nisso. você vai achar que o motorista jedi está tentado jogar você pra fora da pista. respire fundo. é emocionante. os motoristas jedi do rio são inesquecíveis. e, uma sugestão. se você quiser despertar o lado negro da força, quando um motorista jedi fechar o seu carro, mande ele tomar no cú e/ou levante o dedo médio. o cara vira o darth vader, acelera, joga farol alto e cola na traseira do seu carro. você vai jurar que foi a tarde mais emocionante da sua vida. meu amigo, fique tranquilo. amanhã, tem mais.
quarta-feira, maio 18, 2005
derreti.
morei no rio durante dezenove anos da minha vida. nasci aqui. saí quando tinha dezenove. e lá se vão 11 anos. é claro que sempre que tinha férias, dava meus pulos por aqui. beijo na mãe. beijo no pai. beijo na irmã. e voltava. e não sei se eu sou meio ruim de memória. mas não me lembrava do rio de janeiro tão quente assim. caráio. a gente tá no meio de maio e os termômetros ainda marcam perto de quarenta. porra. porque o sol não vai dar meia hora de bunda. tô falando sério. será que alguém lá em cima esqueceu de desligar a porra do microondas? caceta. tava andando hoje em ipanema e uma tiazinha me avisou que minha canela estava derretendo. corri para casa. para o ar-condicionado. não sei se era alucinação. mas cheguei aqui jurando que tinha testemunhado carros pegando fogo no calçadão. e seus respectivos donos correndo para a praia. não sei. tô torcendo para acordar amanhã e o sol ter aliviado a parada. uns três graus. quatro, quem sabe. de tempos pra cá, sempre que lia no jornal que o aquecimento global estava fudendo com o mundo-- ignorava. não conseguia entender toda aquela gritaria. greenpeace. líderes mundiais. todos querendo dar um jeito no aquecimento global. porra, acabei de entrar nessa onda. "abaixo ao aquecimento global!!!!" amahão vou me filiar ao greenpeace. ao wildlife zambers. a sos mata atlântica. meu amigo, vou dedicar minha vida a acabar com o tal aquecimento. ou faço isso, ou nunca mais venho para o rio.
quinta-feira, maio 12, 2005
o meteoro e o irmao maior do quarteirao com queijo.
vi um outdoor aqui nos estados unidos que me deixou cafuzo. hamburguer de 1/2 libra e hamburguer de 2/3 de libra por apenas um dolar e noventa e nove centavos. nao, nao fiquei impressionado com o o preco nao. fiquei cafuzo foi com o tamanho do hamburguer. so para voce entender melhor, o quarteirao com queijo tem 1/4 de libra e tem la suas quinhentas e tal calorias. o outdoor era de uma rede de fast food chamada hardees. entra no site dos caras, voce vair o tamanho do bicho (www.hardees.com). e assustador. e maior do que a sua cabeca. perguntei para a minha cunhada que me disse que essa lanchonete e famosa por fazer sanduiches maiores que seu estomago. que faz o maior sucesso com a molecada que ainda nao aprendeu a contar calorias. eu cheguei a pensar em visitar um hardees. mas fiquei com medo. fiquei com medinho sim. cheguei a colocar uma calca de moletom, uma camisa xl e me despedi de todos em casa. mas recuei. nao tive coragem. acho que seu comesse um negocio desses, teria que hibernar uns seis meses para digerir. e foi, pensando no hardees e observando as pessoas nas ruas que eu cheguei a uma conclusao: as pessoas aqui, ou pelo menos as que frequentam o hardees, sabem que um meteoro vai atingir a terra. so pode ser isso. eles tem informacoes precisas que no dia tal e tal, um meteoro vindo de urano vai colidir com a terra. sabendo disso, eles ligaram o foda-se. mas ligaram no maximo. resolveram nao ligar para o bom senso. colesterol? foda-se o colesterol. obesidade? foda-se a obesidade. e por ai vai. porque, numa boa, nao faz sentido comer um hamburguer do tamanho de um fusca como se fosse a coisa mais natural do mundo. esse hamburguer e prova concreta e definitiva de que um meteoro esta fazendo a curva em marte na direcao da terra. e so as pessoas que fazem fila no hardees sabem disso. e e claro, voce, que acabou de ler isso aqui agora. boa sorte.
a invasao dos homenzinhos de soja
sempre escutei falar sobre carne de soja. queijo de soja. tudo de soja. sempre escutei falar que ja existia imitacoes de produtos feitos de soja com o sabor identico aos originais. nunca tinha provado. nada contra. mas, sei la, enquanto podia comer os produtos de verdade, evitava os de soja. ate que cheguei do teatro ontem depois de meia noite com fome. muita fome. com meu umbigo batendo na coluna cervical. ta bem, exagerei, mas voce entendeu. estava com fome. e, depois de investigar a geladeira e o freezer, cheguei a conclusao que o unico alimento que poderia de alguma forma saciar a minha fome, era uma mega carne de hamburguer que eu encontrei se escondendo atras de duas travessas de gelo. pesquei a carne do freezer como a mesma delicadeza que um urso trataria um pote de mel. olhei para ela com os olhos arregalados enquanto os cantos da boca espumavam saliva. e foi ai, que eu vi. e foi ai que pude ler o que era aquele hamburguer. se tratava de um hamburguer de soja. a soja que eu evitei durante tanto tempo. hamburguer de soja. mas como voce ja sabe, eu estava com fome e o hamburguer era grande. frigideira, manteiga, hamburguer no fogo. tres minutos, prato, garfo, faca, mostarda e catchup. resultado: o negocio e identico ao original. se a minha vida dependesse de adivinhar se era de soja ou de verdade, provavelmente nao estaria aqui escrevendo agora. matei o bicho com quatro generosas garfadas. impressionante como os caras conseguiram replicar um hamburguer de verdade com uma semente de soja. e dificil compreender. o que nos leva a conclusao deste textinho. se os caras conseguem fazer um hamburguer suculento com sementes de soja, eles conseguem fazer tudo. tudo. sem sacanagem. nao sei que caraio de tecnica eles usam. se envolve a mais alta tecnologia ja inventada. se e feito em laboratorio. pela nasa. ou pelos marcianos. meu amigo, esse hamburguer de soja pode ser muito mais do que somente um hamburguer de soja. esse hamburguer pode muito bem ser parte de um plano maior. pode ser alguem, uma mente diabolica que esta substituindo as coisas originais, por replicas de soja. e serio, nao ri nao. fique esperto. chegando em casa, de uma dentada na sua namorada ou esposa. ela pode ser de soja.
sexta-feira, maio 06, 2005
a maquina que cospe jornal.
(mais um textinho sem acentos-- ainda nao descobri como funciona o tal teclado)
sempre que eu viajo, seja para o rio ou para shanghai, eu tento comprar todos os dias pela manha o jornal local. e uma maneira que eu encontrei de tentar entender o que se passa pela cabeca das pessoas da cidade. leio as cartas dos leitores, os esportes (badmington, baseball, o classico entre o volta redonda e o bangu), os quadrinhos, as noticias locais e ate o caderno de economia. pra ser sincero, muitas vezes nao entendo picas do que esta acontecendo. tipico caso do cara que tenta entrar numa conversa uns bons 15 minutos depois que ela comecou. mas eu tento. e diferente sair pela cidade que voce nao mora e esta so visitando, sabendo que a populacao esta ansiosa com o desfecho do campeonato de cricket. que os professores estao seriamente pensando entrar em greve. hoje, por exemplo, estou em st. louis, de ferias. aqui, bem no meio dos estados unidos. e, aqui na esquina, tem uma caixinha daquelas que cospe jornal quando voce coloca 50 centavos de dolar. comprei todos os dias. resumo das noticias: aqui, so se fala nos corte que o governo local fez no seguro de saude dos pobres. fala-se muito tambem de uma nova lei em que todo cidadao tem o direito de carregar uma arma de fogo. o cardinals, time de baseball local esta em primeiro lugar. e o wall mart esta estudando alguns terrenos perto de st. louis para instalar uma de suas super-mega-hiper-jumbo store. as pequenas lojas de bairro sao contra. as pessoas que querem economizar sao a favor. pronto. esse e o resumo do que esta acontecendo por aqui. pra que saber isso tudo? bom, fica mais facil, ou ate mesmo interessante entender as coisas. exemplo: hoje, mais tarde, se eu entrar num restaurante pra almocar e a garconete estiver cheia de olheiras e cansada, das duas uma: ou ela passou a noite preocupada com o seu seguro de saude que o governo eliminou-- ou, ela ficou ate tarde torcendo para os cardinals (o time de baseball local, lembra?).
sempre que eu viajo, seja para o rio ou para shanghai, eu tento comprar todos os dias pela manha o jornal local. e uma maneira que eu encontrei de tentar entender o que se passa pela cabeca das pessoas da cidade. leio as cartas dos leitores, os esportes (badmington, baseball, o classico entre o volta redonda e o bangu), os quadrinhos, as noticias locais e ate o caderno de economia. pra ser sincero, muitas vezes nao entendo picas do que esta acontecendo. tipico caso do cara que tenta entrar numa conversa uns bons 15 minutos depois que ela comecou. mas eu tento. e diferente sair pela cidade que voce nao mora e esta so visitando, sabendo que a populacao esta ansiosa com o desfecho do campeonato de cricket. que os professores estao seriamente pensando entrar em greve. hoje, por exemplo, estou em st. louis, de ferias. aqui, bem no meio dos estados unidos. e, aqui na esquina, tem uma caixinha daquelas que cospe jornal quando voce coloca 50 centavos de dolar. comprei todos os dias. resumo das noticias: aqui, so se fala nos corte que o governo local fez no seguro de saude dos pobres. fala-se muito tambem de uma nova lei em que todo cidadao tem o direito de carregar uma arma de fogo. o cardinals, time de baseball local esta em primeiro lugar. e o wall mart esta estudando alguns terrenos perto de st. louis para instalar uma de suas super-mega-hiper-jumbo store. as pequenas lojas de bairro sao contra. as pessoas que querem economizar sao a favor. pronto. esse e o resumo do que esta acontecendo por aqui. pra que saber isso tudo? bom, fica mais facil, ou ate mesmo interessante entender as coisas. exemplo: hoje, mais tarde, se eu entrar num restaurante pra almocar e a garconete estiver cheia de olheiras e cansada, das duas uma: ou ela passou a noite preocupada com o seu seguro de saude que o governo eliminou-- ou, ela ficou ate tarde torcendo para os cardinals (o time de baseball local, lembra?).
o pao de queijo sem til que esta conquistando o mundo.
e complicado escrever sem acento. sem cedilha. e sem til. isso e o que acontece quando voce se depara com um teclado em que voce nao tem a menor idea como colocar acento. teclado de pc e meio complicado. requer pratica. o que, voce pode ver, eu nao tenho. mas tudo bem. vamos em frente. ja tentei apertar a tecla do "control" mais a letra "n" pra ver se arrancava um til, tentei tambem a tecla do "shift" mais a letra "e", tentei control e shift juntos-- e nada. a ideia no comeco era escrever um texto bem longo de como o pao de queijo iria conquistar o mundo. de como bastava tirar uma bandeja quentinha do forno para ter as pessoas se curvando aos seus pes. mas, assim que eu comecei a escrever. assim que eu escrevi a primeira palavra do titulo, pao-- vi que nao ia dar certo. afinal escrever um puta texto longo sobre pao de queijo sem nenhum acento ia complicar depois para ler. como deve estar sendo dificil ler agora. entao, um texto que comecou como uma tentativa de teorizar sobre o poder do pao de queijo no mundo, acabou virando um texto sobre acentos, tils e cedilhas que apesar nao estarem presentes, fizeram bastante falta. a teoria do pao de queijo fica para uma proxima vez.
quarta-feira, abril 27, 2005
bigode e colete de lã com a gola em "v".
duas coisas que deveriam ser proibidas. nessa ordem: primeiro o bigode, depois o colete de lã com gola em "v". bigode é esquisito. não tenho amigos que usam bigodes. bigode é anti higiênico. bigode é a extensão do cabelo do nariz. bigode mergulha no café. mergulha no refrigerante. e dependendo do tamanho da garfada, bigode também mergulha na gema do ovo. sempre desconfiei de pessoas que usam bigodes. bigode pra mim é disfarce em filme de espião. é caricatura de ditador alemão. taí outro ponto: ditadores usaram e usam bigode. bigode é apelido de ponta esquerda . bigode entra na boca. pronto. bigode deveria ser proibido. agora tem uma outra coisa que também deveria ser abolida: o colete de lã com a gola em "v". agora, com o inverno chegando é o que eu mais vejo nas ruas. não entendo picas de moda. muito menos o que combina ou não. mas colete de lã com gola em "v" é foda. me cago de ganhar um de presente. graças a deus morei grande parte da minha vida no rio. e no rio não se dá roupa de lã de presente. até dá. mas só se você quiser sacanear alguém. pode-se argumentar que o colete de lã com a gola em "v" não pinica. foda-se. prefiro ficar com o pescoço em chamas. é isso. na minha sincera opinião, se você quiser sacanear alguém, de verdade. das duas uma: ou você comenta com um "amigo" que ele ficaria bem de bigode, ou você dá um colete de lã com a gola em "v" de presente.
14 coisas que você deveria fazer.
1) ligar para sua mãe e depois para o seu pai. nessa ordem. conta como um item, uma coisa. são duas pessoas--mas são seus pais.
2) comprar uma calça jeans. um número maior que o seu. confortável. nem clara. nem escura. e só vale usar ela com tênis. nunca sapato.
3) comer uma torta de chocolate quente com duas bolas de sorvete. uma bola derrete rápido. e é covardia colocar uma só bola contra a torta.
4) sair de casa sem se programar. decidir o que vai fazer no carro. ou na calçada. mas esperar oito minutos para se decidir. quanto já estiver longe de casa.
5) escolher para assistir um filme. e na hora--assistir o da sala ao lado. se este já tiver começado. assistir o outro que está na sala ao lado desse. e assim por diante. até você conseguir ver um filme diferente do que está acostumado.
6) comer cachorro-quente de barraquinha. com todos os molhos. todos os ingredientes. com batata palha por cima. e depois comer com colherzinha de plástico todo recheio que acumulou no plástico do pão.
7) ler o jornal de sábado numa padaria que você nunca foi na sua vida. mas tem que ir andando. não vale padaria que você tem que ir de carro.
8) mijar de porta aberta.
9) sortear uma camisa/camiseta de costas para o armário. se der a sua favorita--legal. mas se der uma que você não quer usar de jeito nenhum--doe pra alguém.
10) comprar um gibi do cascão. ou do chico bento. funciona como botox. remove umas rugas da sua cara.
11) bocejar sem colocar a mão na frente.
12) não ligar o computador.
13) mandar algum barbeiro no trânsito para puta que pariu. mas com o carro ligado—é mais seguro. pense nisso como uma boa ação. o cara vai caprichar mais no volante.
14) tirar o relógio do pulso. pode ser no sábado. pode ser no domingo. tanto faz. e só vale perguntar a hora para uma única pessoa. o porteiro. na hora que vc sair e na hora que você chegar.
2) comprar uma calça jeans. um número maior que o seu. confortável. nem clara. nem escura. e só vale usar ela com tênis. nunca sapato.
3) comer uma torta de chocolate quente com duas bolas de sorvete. uma bola derrete rápido. e é covardia colocar uma só bola contra a torta.
4) sair de casa sem se programar. decidir o que vai fazer no carro. ou na calçada. mas esperar oito minutos para se decidir. quanto já estiver longe de casa.
5) escolher para assistir um filme. e na hora--assistir o da sala ao lado. se este já tiver começado. assistir o outro que está na sala ao lado desse. e assim por diante. até você conseguir ver um filme diferente do que está acostumado.
6) comer cachorro-quente de barraquinha. com todos os molhos. todos os ingredientes. com batata palha por cima. e depois comer com colherzinha de plástico todo recheio que acumulou no plástico do pão.
7) ler o jornal de sábado numa padaria que você nunca foi na sua vida. mas tem que ir andando. não vale padaria que você tem que ir de carro.
8) mijar de porta aberta.
9) sortear uma camisa/camiseta de costas para o armário. se der a sua favorita--legal. mas se der uma que você não quer usar de jeito nenhum--doe pra alguém.
10) comprar um gibi do cascão. ou do chico bento. funciona como botox. remove umas rugas da sua cara.
11) bocejar sem colocar a mão na frente.
12) não ligar o computador.
13) mandar algum barbeiro no trânsito para puta que pariu. mas com o carro ligado—é mais seguro. pense nisso como uma boa ação. o cara vai caprichar mais no volante.
14) tirar o relógio do pulso. pode ser no sábado. pode ser no domingo. tanto faz. e só vale perguntar a hora para uma única pessoa. o porteiro. na hora que vc sair e na hora que você chegar.
domingo, abril 24, 2005
quatro.
a mesa de bar. mesa de bar não pode ter mais do que quatro pessoas. não é uma lei. apenas uma sugestão. mesa de bar é quadrada. quatro lados. quatro pessoas. mais do que isso não funciona. se chega mais gente, a mesa cresce para os lados. encaixa cadeira aqui. encaixa cadeira alí. "essa aqui tá ocupada?" conversas paralelas surgem. e você volta pra casa sem saber ao certo quem estava por lá. (pior ainda: o quê, e com quem falou.) mesa grande tem outro problema. a conta. conta de mesa grande é sempre um problema. é uma merda. conta de mesa grande é alta. cara. e todo mundo acaba enrabado na hora de dividir. sempre que eu caio por acidente numa mesa grande eu peço um prato. peço sobremesa. ou um drink em copo longo. importado. "uma caipiroska com absolut triple filtered special reserve". daquelas que quando servem, o pessoal da mesa ao lado, fica olhando embasbacado acumulando baba nos cantos da boca. é, porque se não eu me fodo. acabo pagando por gente que eu nunca vi na minha vida. mais uma coisa: pode notar, quando a mesa tem onze pessoas, você fala com duas, três pessoas no máximo. que você talvez conheça pelo primeiro nome. o que nos leva a outro ponto: numa mesa grande você corre um risco sério de ficar socado entre pessoas que você não conhece bem. gente que você nunca viu na vida. e que agora é forçado a dividir o último bolinho de bacalhau. pau no cu. o último bolinho de bacalhau eu só divido com a minha mulher ou com algum amigo de infância. quando a mesa é de quatro. você fala com as três. garantido--ou seu dinheiro de volta. mesa grande você tem que gritar. mesa de quatro não. numa mesa grande as pessoas deixam cheques preenchidos com valores irrisórios e vão embora. na mesa de quatro não. quatro pessoas. contando com você. se chegar uma quinta pessoa, vá embora. é melhor perder a amizade de um conhecido do que uma perfeita mesa de bar.
sexta-feira, abril 15, 2005
9 sugestões para quebrar o gelo num elevador.
- puxar papo depois de mastigar 2 cream crackers.
- cantar o hino do flamengo com a mão direita no coração.
- assoviar "ilariê" da xuxa e pedir que todas as pessoas que cantem com você.
- perguntar que horas são-- e quando a pessoa falar, perguntar novamente: "e agora?"
- tentar apertar o seu andar de olhos fechados.
- apertar dois andares e perguntar: "adivinha qual é o certo?" e depois ficar fazendo barulhinho de "tic-tac" com a boca como se fosse um jogo emocionante.
- executar aquele passo de dança do michael jackson para trás, o "moonwalk", ficar nas pontas dos pés e gritar "beat it... beat it... beat it..."
- tirar um pote de palmito da mochila e pedir para alguém te ajudar a abrir a parada.
- olhar para qualquer pessoa e dizer: "eu não peidei. mas poderia. eu estou prendendo."
- cantar o hino do flamengo com a mão direita no coração.
- assoviar "ilariê" da xuxa e pedir que todas as pessoas que cantem com você.
- perguntar que horas são-- e quando a pessoa falar, perguntar novamente: "e agora?"
- tentar apertar o seu andar de olhos fechados.
- apertar dois andares e perguntar: "adivinha qual é o certo?" e depois ficar fazendo barulhinho de "tic-tac" com a boca como se fosse um jogo emocionante.
- executar aquele passo de dança do michael jackson para trás, o "moonwalk", ficar nas pontas dos pés e gritar "beat it... beat it... beat it..."
- tirar um pote de palmito da mochila e pedir para alguém te ajudar a abrir a parada.
- olhar para qualquer pessoa e dizer: "eu não peidei. mas poderia. eu estou prendendo."
a sogra
[sabado. 20:37. o filme começa em meia hora. acabaram as
long necks da geladeira.]
- amor, você acha que eu estou gorda?
[silêncio]
- amoooooor?
- hein?
- então, vc acha que eu estou gorda?
- não.
- jura?
- juro.
- jura pela sua mãe mortinha?
[silêncio]
- amooooooor?
- mãe, mãe é foda porra!
- então eu tô gorda?
- não.
- você jura pelo seu pai mortinho?
[silêncio]
- tá bem. você jura pela sua irmã? irmão? primo? prima? o zé da portaria?
[silêncio]
- e pela minha mãe? pela minha mãe mortinha? você jura?
- por ela eu juro.
o divórcio, o sucrilhos e a mulher do porteiro.
barulho de colher de sopa batendo contra o fundo de um prato de sucrilhos. tem som mais irritante? som mais pentelho? e o problemas é que esse som se repete várias, várias vezes quando você come sucrilhos e seus similares. a colher resvala no fundo do prato repetidas vezes. é, porque comer sucrilhos é uma espécie de ritual em que você repete a mesma ação com a colher, dezenas de vezes. tudo porque, o caráio do sucrilhos tende a ficar todo empapuçado com o leite e por isso agarra nas bordas e nas curvas do prato fundo. porra, então pra conseguir capturar um número de sucrilhos decente para preencher uma colher e matar a sua fome, lá vai a colher contra o prato. desengonçada, sem jeito. barulhenta. dia desses, comecei a pensar nisso durante o café da manhã. comecei a ficar com raiva de mim mesmo. eu estava me irritando. quase me mandeir tomar no cu. e foi aí que eu cheguei a conclusão que muita gente já deve ter se divorciado, brigado, se espancado, por causa dos sucrilhos. ou melhor, por causa do som irritante que é ter uma pessoa comendo sucrilhos do seu lado. é meu amigo, porque não é só o barulho da colher que irrita. como você sabe, sucrilhos se come com leite. e uma colher não é o melhor instrumento para beber leite. ou seja, é um negócio de fazer aquele barulhinho de “shhhhhhh” “shhhhhhh”. sabe? aquela chupadinha com biquinho em câmera lenta? então, agora some o barulho da chupadinha com o da colher estapeando o prato. putz, é de deixar qualquer um maluco. pronto. agora imagine isso tudo bem cedo. com sono. tipo 7 da matina. você puto de ter acordado cedo. com duas colheres de remela nos olhos e uma vontade louca de ligar para o trabalho e não falar coisa com coisa, gritando esporadicamente que o mundo está sendo invadido por aliens verdes alaranjados. nessa situação. nesse estado, todos os barulhinhos associados com o sucrilhos são uma dedáda na sáca. chato pra cacete. dia desses minha mulher comprou uma caixa de sucrilhos lá pra casa. no segundo dia eu dei a caixa para o porteiro do prédio.
quarta-feira, abril 06, 2005
o din din do banco imobiliário.
quando eu era mais novo, adorava jogar banco imobiliário. era sensacional. com apenas 8 anos de idade, já era dono de apartamentos na avenida vieira souto e na faria lima. tinha casas nos jardins e no leblon. era um magnata. mas o que era mais bacana no banco imobiliário era o dinheiro de mentirinha. aquelas notas coloridas. tinha aos montes. eu não só era proprietário de vários imóveis aos 8 anos, como tinha uma fortuna em dinheiro colorido. (fast forward) dia desses vi um banco imobiliário anunciado num encarte de jornal. a primeira coisa que me veio a cabeça foi lembrar o que eu tinha feito com todo aquele patrimônio conquistado quando era moleque. putz..."e aquela fortuna toda, onde é que eu tinha guardado. como é que eu fui ser tão
desleixado?" "o que será que aconteceu com aquela mansão na avenida atlântica?" bateu um puta desespero. cheguei a conclusão que nunca se deve deixar uma criança jogar banco imobiliário. puta que pariu. imagina a expectativa que essa porra cria na molecada. eu, por exemplo, quando tinha 8 anos já era dono de mansões nos jardins e tinha alguns duplex de frente para a praia no rio. e hoje--aos 28--ou seja 20 anos depois--acabo de me lembrar que tá chegando o dia de pagar o aluguel. e o mais engraçado é que o tiozinho--o dono do apartamento--não aceita notinhas coloridas. não sei porque--quando eu era moleque, adorava jogar banco imobiliário--e elas valiam uma fortuna.
desleixado?" "o que será que aconteceu com aquela mansão na avenida atlântica?" bateu um puta desespero. cheguei a conclusão que nunca se deve deixar uma criança jogar banco imobiliário. puta que pariu. imagina a expectativa que essa porra cria na molecada. eu, por exemplo, quando tinha 8 anos já era dono de mansões nos jardins e tinha alguns duplex de frente para a praia no rio. e hoje--aos 28--ou seja 20 anos depois--acabo de me lembrar que tá chegando o dia de pagar o aluguel. e o mais engraçado é que o tiozinho--o dono do apartamento--não aceita notinhas coloridas. não sei porque--quando eu era moleque, adorava jogar banco imobiliário--e elas valiam uma fortuna.
terça-feira, abril 05, 2005
um moleque sincero.
- o que você quer comer hoje no almoço?
- a vizinha. aquela do 202.
- porque você bateu no seu irmão?
- porque sou mais forte.
- o que você deve dizer quando recebe um presente?
- tem mais?
- porque você gosta tanto da xuxa?
- gosto das coxas da xuxa, mãe. gosto das coxas.
- o que você tá fazendo com a aninha? brincando de médico?
- não. sacanagem mesmo.
- porque você tirou essa nota baixa meu filho? você está com dificuldade na matéria?
- preguiça.
- o que você quer ser quando crescer, meu filho?
- grande.
- a vizinha. aquela do 202.
- porque você bateu no seu irmão?
- porque sou mais forte.
- o que você deve dizer quando recebe um presente?
- tem mais?
- porque você gosta tanto da xuxa?
- gosto das coxas da xuxa, mãe. gosto das coxas.
- o que você tá fazendo com a aninha? brincando de médico?
- não. sacanagem mesmo.
- porque você tirou essa nota baixa meu filho? você está com dificuldade na matéria?
- preguiça.
- o que você quer ser quando crescer, meu filho?
- grande.
o mistério do queijo suíço.
ontem, logo cedo, fui no mercadinho aqui do lado comprar peito de peru, queijo e pão para o café. nessa ordem. assim o pão chega mais quentinho em casa. o peru tava fresquinho, o pao quentinho, mas o que me intrigou mesmo foi o queijo. mais especificamente, o queijo suíço, com seus furinhos. que queijo suíço tem furinhos não é nenhuma novidade, eu sei. mas, enquanto eu procurava o queijo certo pra levar pra casa, tentei desvendar o misterio do queijo suíço. para onde estão mandando os furinhos? ou melhor, a porcão de queijo suíço que antes preenchia cada furinho. quem e que faz cada furinho? e como ele(a) consegue tamanha precisão? seria uma máquina suíça que passa odia aplicando leve estocadas em carregamentos de queijos suíços? aquilo me deixou cafuso. a ponto de perder a minha vez na fila dos frios. tudo bem. assim eu tinha mais tempo para pensar naquilo tudo. o meu apetite estava nas mãos da solução daquele mistério. com um bloco de queijo suíço em uma das mãos olhei para a moça atrás do balcão. ela engoliu seco e ligou a serra pra cortar 200 gramas de mortadela sadia para uma madame. olhei para um funcionario que estava de passagem e ele, com um sorriso suspeito disse apenas "bom dia!". foi quando eu olhei novamente para a prateleira dos queijos suíços que caiu a ficha. puta que pariu a solução estava o tempo inteiro na minha frente. a solução estava nos proprios queijos suíços.elementar meu caro erick. os furinhos do queijo suíço sao usados pra fazer outro queijo suiço. isso. a porção de queijo que um dia preencheu um furinho, hoje pertence a um novo queijo suíço. e assim por diante. algum suíço teve a brilhante idéia de retirar pequenas porçoes de um bloco de queijo e com essas porçoes, fazer um novo bloco de queijo suíço. ufa. já podia ir pra casa tomar café. acabei levando queijo prato. porque eu não sou mané.
segunda-feira, março 28, 2005
ahhhh! as caminhadas.
não entendo esse papo sobre caminhadas. olha-- não estou falando daquelas caminhadas em que as pessoas se exercitam. esse tipo de caminhada eu acho sensacional. faz bem pra saúde. não. estou falando das caminhadas de meditação. aquelas sem destino. de jeans, casaquinho e as mãos no bolso. aquela em que as pessoas saem falando: "ai, vou caminhar pra pensar na vida, resolver as coisas, colocar os pingos nos 'is', colocar tudo em ordem. em perspectiva!?" como assim? sério. sem querer parecer ser um cara chato, mas desde quando você precisa caminhar pra decidir essas coisas? é o que você mais vê em filmes e novelas: pessoas caminhando na praia e no campo, com um sweater nos ombros e um chinelo na mão. acho caminhada uma bosta. puta negócio sei lá. andar em câmera lenta, pensando na vida. apontando para passarinhos e resolvendo equações de segundo grau na cabeça. contando
borboletas. respirando o ar puro da montanha que já nem existe mais. eu sei-- tem muita gente que gosta de dar essas caminhadas. mas eu acho coisa de mané. que não resolve porra nenhuma. sério, quer pensar na vida? decidir se vale a pena investir todas as suas economias no apartamento dos seus sonhos? pedir a mão da sua namorada em casamento? caráio-- abre uma cerveja tinindo de gelada, deite no sofá e coloque o futebol bem baixinho na tv. não precisa ser o flamengo. qualquer um. e aí-- quando a bola sair pela linha de fundo-- bem, aí você pensa. pensa mesmo. na vida e em qualquer coisa. sem dramas. caminhada é o caráio. caminhada com passarinhos cantando ao fundo é coisa de fêla da puta que não tem o que fazer. ahhhh! as caminhadas.
borboletas. respirando o ar puro da montanha que já nem existe mais. eu sei-- tem muita gente que gosta de dar essas caminhadas. mas eu acho coisa de mané. que não resolve porra nenhuma. sério, quer pensar na vida? decidir se vale a pena investir todas as suas economias no apartamento dos seus sonhos? pedir a mão da sua namorada em casamento? caráio-- abre uma cerveja tinindo de gelada, deite no sofá e coloque o futebol bem baixinho na tv. não precisa ser o flamengo. qualquer um. e aí-- quando a bola sair pela linha de fundo-- bem, aí você pensa. pensa mesmo. na vida e em qualquer coisa. sem dramas. caminhada é o caráio. caminhada com passarinhos cantando ao fundo é coisa de fêla da puta que não tem o que fazer. ahhhh! as caminhadas.
o massacre.
comi coração e ovo ontem no jantar. porções iguais. dois ovos dos grandes. uns doze corações pequenos--pequenos mas suculentos. coloquei os ovos por cima e dei uma misturada boa. adicionei bastante sal e sentei o garfo no prato. com jeito--pra não espalhar a gema. gema só tem graça quando é misturada com alguma coisa. gema sozinha no prato não dá. voltando ao prato. depois de umas oito garfadas generosas--raspei o prato. (outra coisa sobre ovo. ovo tem que ser comido quente. ovo frio não dá. frio--só besuntado de maionese.) pra terminar escoei uns 300 ml de coca light pela garganta.
não muito longe dali, num galinheiro, centenas de galinhas se reuniam ao redor de uma tv de 12". todas elas atentas--sem soltar uma pena--assistindo o plantão de notícias--na tv presa no girovisão no teto do galinheiro. "massacre de galinhas em são paulo. mortes com requintes de crueldade e rituais satânicos. sujeito mastiga os corações de várias galinhas banhado nas gemas dos próprios ovos. governo promete reforços."
não muito longe dali, num galinheiro, centenas de galinhas se reuniam ao redor de uma tv de 12". todas elas atentas--sem soltar uma pena--assistindo o plantão de notícias--na tv presa no girovisão no teto do galinheiro. "massacre de galinhas em são paulo. mortes com requintes de crueldade e rituais satânicos. sujeito mastiga os corações de várias galinhas banhado nas gemas dos próprios ovos. governo promete reforços."
terça-feira, março 22, 2005
o enigma do guarda-chuva.
não existe nada mais estranho do que um drink com aquele pequeno guarda-chuva. estranho, cafona, sei lá, sempre achei estranho desde pequeno. aquele guarda-chuva colorido enfiado dentro de um copo sempre me deixou um tanto intrigado. se você tentar racionalizar esse troço não faz sentido. mas não deixa de ser engraçado. a primeira coisa que me veio a cabeça--era que o guarda-chuva servia para fazer sombra no gelo do drink. manter ele gelado. ou, se o drink não tiver gelo-- simplesmente manter ele afastado do sol. idéia essa-- que foi descartada quando eu notei que copos de cerveja não vinham com o guarda-chuva. e caráio-- de todos os drinks, se tem um que não pode se dar o luxo de esquentar um grauzinho é a cerveja. depois, eu cheguei a conclusão que o guarda-chuva existia para proteger o copo da saliva dos outros. você sabe, com o bar lotado de gente. pessoas se estapeando e gritando para falar com o bartender-- existe sempre a chance de pousar uma gotícula de saliva dentro do seu drink. mas não, acho que num bar, essa é a última preocupação de uma pessoa. até porque a grande maioria das pessoas frequenta os bares com o objetivo de trocar saliva com outras pessoas. por alguns segundos também pensei que ele servia para não molhar o bigode na hora de cada gole. hmmmmm, também não era isso. e foi assim, eliminando as alternativas--que eu cheguei a uma conclusão: o guarda-chuva do drink tem sim uma função muito importante. é. te fuder. arrancar mais um din-din do seu bolso. o guarda-chuva tem o poder de transformar um simples coquetel de frutas num "summertime fruit cocktail". um simples suco de laranja com vodca, num "sunshine happy people". é mais ou menos como a cereja enfiada no palitinho e a rodela de laranja agarrada na borda do copo. dia desses perguntei para um garçom se o drink sem o guarda-chuva tinha desconto. mas ele achou que eu estava brincando. uma pena, custou quase o preço do prato.
nomes.
george foreman foi um grande boxeador. um dos maiores. tanto em talento como em peso. mas, desde que se aposentou, o george virou garoto propaganda de uma churrasqueira. e por isso, corre o mundo dando entrevistas e promevendo o produto. e foi numa dessas entrevistas que ele contou uma coisa muito curiosa e engraçada sobre a vida dele. é. ele contou a razão que fez ele escolher para seus três filhos-- o mesmo nome. o nome dele. além do george foreman pai, são mais três george foremans em casa. george foreman junior. george foreman II e george foreman III. ele explicou que a razão por trás disso, é muito simples: ele tem medo de envelhecer e esquecer o nome dos filhos. é. o cara imaginou que depois de levar tanta porrada na cabeça. por tantos anos, ele corria o risco de ficar um velho gagá e acabar esquecendo o verdadeiro nome das "crianças". em outras palavras: george foreman é mais fácil lembrar. e foi pensando nisso. nessa entrevista. nessa teoria do george-- que eu tive uma idéia. não, eu não vou colocar o nome do meu filho de "george foreman". quando a minha primeira filha nascer, eu vou registrar ela como "cerveja". o segundo filho, eu vou chamar de "jornal". e o terceiro, de "chinelo". no início todo mundo vai estranhar. as crianças do prédio vão zombar. mas daqui a uns 60 anos-- quando eu tiver bem, bem velhinho na cadeira de balanço da sala de casa-- tudo vai fazer sentido. sempre que eu chamar meus filhos. gritar o nome deles-- eles não vão saber
ao certo se eu estou chamando eles-- ou se estou pedindo alguma coisa. por via das dúvidas-- vão fazer os dois. os respectivos filhos vão aparecer sempre trazendo alguma coisa pro véio. quando não for uma latinha de cerveja gelada, vai ser o jornal do dia. e quando não for o jornal, vai ser um par de chinelos. um véio gagá cheio de mordomias. cheio de manias. e com 3 filhos com nomes bem curiosos.
ao certo se eu estou chamando eles-- ou se estou pedindo alguma coisa. por via das dúvidas-- vão fazer os dois. os respectivos filhos vão aparecer sempre trazendo alguma coisa pro véio. quando não for uma latinha de cerveja gelada, vai ser o jornal do dia. e quando não for o jornal, vai ser um par de chinelos. um véio gagá cheio de mordomias. cheio de manias. e com 3 filhos com nomes bem curiosos.
sexta-feira, março 04, 2005
a fumacinha e o cartel.
poucas coisas proporcionam tanto prazer quanto a fumacinha do café. aquela que sobe desgovernada em forma de espiral quando você serve um copo com café fervendo. basta uma fungada firme na fumacinha para ativar as áreas mais dormentes do seu cérebro. café sem fumacinha é como coca sem bolha. batata sem sal. controle sem pilha. carro sem rádio. café sem fumacinha é foda. é coisa de filha da puta. a fumacinha dura entre 40 segundos e 2 minutos. dependendo do tamanho do café e da temperatura externa. fumacinha de café vicia. dá um barato. o que me fez chegar a uma conclusão. o porque das "vós" serem tão populares com os netos. é porque elas, as vós, formam o cartel responsável pela produção e distribuição das melhores fumacinhas que existem.
flashback.
comprei um relógio casio. igualzinho a um que ganhei dos meus pais uns 15 anos atrás. descobri que eles continuam fabricando todos os clássicos. ele é quadrado e tem pulseira de borracha. números grandões digitais--dá pra enxergar de longe. a prova d'água. a prova de roubo. combina com tudo. ninguém nota. pura nostalgia. é uma máquina do tempo que eu carrego no pulso. literalmente. quando as pessoas perguntam às horas, por exemplo, eu respondo: "onze horas de 30 de maio de 1988."
quinta-feira, fevereiro 24, 2005
aperte "1" para física quântica.
você com certeza já ligou para uma empresa e ficou na espera escutando uma musiquinha. ex.: você quer fazer uma pergunta besta sobre uma ligação para a monróvia que apareceu por acidente na sua conta de celular e resolve ligar para a central de atendimento. tudo bem. tudo bom. até que do outro lado atende uma gravação caga-regra. "aperte 1 para isso. 2 para aquilo. 3 para dúvidas. e aperte 4 para ir para puta que te pariu". isso, é claro, se você tiver sorte. é. porque geralmente são umas 26 opções. hoje mais cedo--depois de uns 7 minutos esperando um ser humano me atender e escutando alguma ópera gravada nas coxas-- eu tive uma idéia. não sei se é boa. pode ser. quem sabe. enquanto eu escutava a milésima sinfonia de beethoven --pensei num negócio. porque ao invés de ficar escutando uma caralhada de sinfonias que você já escuta na sala de espera do dentista--você não tem uma aula? é. uma aula! pode parecer estranho. mas pensa só. você liga para a sua operadora de celular e os caras te colocam de banho maria por meia hora. pô. é tempo suficiente para dar uma refrescada numa matéria de química básica. um pouquinho de história. geografia das américas. tipo telecurso 2º grau. só que pelo telefone. caráio. todo mundo sairia ganhando. de um lado, as empresas poderiam continuar te fudendo--com as longas esperas telefônicas. e do outro, você aprenderia uma ou duas coisas novas a cada reclamação que você tivesse que fazer. "bom dia, você ligou para a telefônica! todos os nossos operadores estão ocupados. e--pelos próximos 40 minutos, você pode esperar escutando uma aula. aperte 1, para física quântica. 2, para literatura com ênfase em Machado de Assis e 3, para literatura inglesa Shakesperiana." simples assim.
quinta-feira, fevereiro 17, 2005
os óio.
tenho olhos castanhos. castanhos quase-claros quando olho diretamente pro sol-- e castanho quase-escuro quando,bem, quando está escuro. mas não é sobre a cor dos meu olhos que eu queria falar. queria falar da cor dos olhos dos outros. mas especificamente sobre os azuis e os verdes. nenhuma pessoa em especial. queria falar dos óio mesmo. das bolinhas. você já notou como as pessoas se comportam quando encontram alguém de olhos claros? a reação é sempre a mesma. as pessoas se aproximam e ficam lá investigando a cor. embasbacadas. fazem algum comentário babão do tipo: "caráio...seus olhos...seus olhos....são azuis!" ou algo parecido. olhos claros na minha sincera opinião deveriam ser proibidos. é, proibidos. porra, nascer de olhos azuis equivale a começar um jogo ganhando de 4 gols de vantagem. é como começar uma maratona do KM 20. é como começar uma corrida de fórmula 1 com umas 10 voltas de vantagem. é como, bem, você entendeu. é como sair na frente. e quando eu digo sair na frente, não estou exagerando. tinha um amigo meu que pegava mais gente que van de lotação em dia de greve de ônibus. o fila da puta tinha olhos azuis. não falava muito. era do tipo calado. e enquanto ele ficava borboletando os óio pela boate, o resto da turma tinha que trabalhar dobrado pra atingir o mesmo objetivo. sério. nada contra quem nasceu com um par de olhos claros. mas essa é a mais pura verdade. chama atenção. é por isso que eu acho que deveriam acabar com essa história. nasceu de olho azul ou verde? pimba: lente escura neles. colocar a galera toda como o mesmo cartão de visitas. sem dramas. sem gritaria. e antes que você comece a especular que isso se trata de alguma forma de racismo-- quero deixar claro que eu tenho muitos amigos e alguns parentes com olhos claros. mas você não precisa concordar, é claro. esse é apenas o meu ponto de vista. um ponto de vista castanho quase-claro em dias de sol, e quase-escuro na maior parte do ano.
terça-feira, fevereiro 01, 2005
liquidação!
não entendo muito esse efeito louco que liquidação tem nas pessoas. é claro que eu sei que os preços estão mais baixos do que no mês passado e que se você comprar agora, vai economizar mais do que um mané que comprou o mesmo produto no natal. mas numa boa, o que acho estranho, estranhíssimo por sinal, é uma pessoa mudar completamente de comportamento ao ver um cartaz de liquidação. um painel de “sale”, “soldes”, “50%”, “queima de estoque”. caráio, tem gente que fica com as subácas moiada. tem gente que larga os filhos sozinhos em casa. tem gente que briga. que xinga. tem gente que muda de personalidade. mas muda mesmo. uma simples e pacata dona de casa vira um hulk. vira um monstro. ganha uma energia de outro mundo. acerta as pessoas na saca. distribui dedáda nos óio. coloca o pé na frente. esconde vestido. compra as vezes só para os outros não aproveitarem a mesma liquidação. afinal, que graça tem você dizer que comprou a tal camisa verde pistache numa liquidação da forum, se uma pessoa pode levantar a mão do outro lado da mesa e comentar com um ar de bosta: "essa calça é de lá! comprei ontém!" é o efeito liquidação. assim como o hulk cresce e fica verde quando fica com a saca cheia, uma pessoa doente por liquidação, mata, atropela, faz qualquer coisa para comprar uma calça bege que está com 22% de desconto. mesmo que o número esteja errado. mesmo que esteja apertada. a doente por liquidações, entra no cheque especial, passa fome, dorme na rua, faz qualquer coisa para colocar as mãos trêmulas numa bolsa louis vuitton. mesmo que tenha sete em casa. não importa, ela tem que aproveitar a liquidação. é uma doença. deveriam inventar um grupo de tarados por liquidação anônimos. o t.l.a. e, para atrair as pessoas para esse grupo seria moleza. fácil, fácil. você adivinhou: é só fazer uma liquidação. “junte-se ao grupo e ganhe 50% de desconto na matrícula.” não entendo muito esse efeito louco que liquidação tem nas pessoas. não entendo.
quinta-feira, janeiro 27, 2005
os bicos do de niro.
domingo é sempre complicado dormir cedo. pensa só: sexta você dorme mais tarde. é natural, depois de uma semana de trabalho, toma um vinho ou duas cervejas e pimba, vai pra cama entre 1 e 3 e meia. com isso você acaba acordando tarde no sábado. no sábado a história se repete e você novamente vai dormir tarde. ainda mais tarde que na sexta. aí chega domingo, o sono não vem. então fica vendo televisão até 2 da manhã tentando pregar os olhos. mas sem pressão. você sabe que uma hora os fêla da puta fecham. mas até que eles decidam fazer isso, você assiste de tudo. pula de canal em canal em canal em canal em canal, bem, você entendeu. assiste pedaços e frações de todos os canais. seriados, filme disso, filme daquilo, vale tudo, polishop, shop tour, gnt, tnt e o caráio. assiste tudo. e foi no meio desse processo que aconteceu um negócio curioso. ou pelo menos eu achei muito curioso. caráio-- eu encontrei o robert de niro trabalhando ao mesmo tempo em 3 canais diferentes. três filmes! um na tnt, um outro no telecine action e um outro no telecine happy. mais uma vez: puta que pariu--o cara tava fazendo bicos em 3 filmes-- simultaneamente. dois filmes eram policiais e o terceiro, uma comédia. vai trabalhar assim na casa da mãe dele. porra. os bicos do de niro me deixaram inspirado. caceta--se o robert de niro, grisalho e já com seus cinquenta e tal, consegue trabalhar tanto numa noite de domingo--eu tinha que pelo menos me esforçar. tinha que me esforçar para acordar cedo na segunda-feira. os bicos do de niro me deixaram com peso na consciência. é. eu tinha que fazer render a porra da semana. trabalhar duro. me espelhar nele. o de niro é um exemplo. o fêla da puta me mostrou que é possível. daqui pra frente tudo vai ser diferente. grande de niro. os bicos do de niro.
detalhes.
- amor?
- o que foi?
- vc não acha que tem algo estranho com a gente?
- hmmm...não.
- sei lá...vc não presta mais atenção em mim...
- claro que presto meu amor...
- mas quando eu digo atenção...eu estou querendo dizer...A-TEN-ÇÃO!
- ué? atenção em vc! eu presto atenção.
- mas em MIM...amor...em MIM!
- caráio...como assim?
- atenção nos detalhes...
- sei...
- atenção em cada pedacinho.
- tá...
- atenção naquilo que me faz única...
- huh...huh...
- é isso...atenção nos detalhes...é...nos mínimos detalhes...
- ok...nos detalhes...acho que eu já entendi!
- é...nas coisinhas pequenas...
- [silêncio]
- entendeu?
- entendi. nos mínimos detalhes...prestar atenção em tudo...não deixar
passar nada...
- isso amor! então?
- pra começar...vc tá com uma casquinha de feijão presa entre os dentes...
--fim--
- o que foi?
- vc não acha que tem algo estranho com a gente?
- hmmm...não.
- sei lá...vc não presta mais atenção em mim...
- claro que presto meu amor...
- mas quando eu digo atenção...eu estou querendo dizer...A-TEN-ÇÃO!
- ué? atenção em vc! eu presto atenção.
- mas em MIM...amor...em MIM!
- caráio...como assim?
- atenção nos detalhes...
- sei...
- atenção em cada pedacinho.
- tá...
- atenção naquilo que me faz única...
- huh...huh...
- é isso...atenção nos detalhes...é...nos mínimos detalhes...
- ok...nos detalhes...acho que eu já entendi!
- é...nas coisinhas pequenas...
- [silêncio]
- entendeu?
- entendi. nos mínimos detalhes...prestar atenção em tudo...não deixar
passar nada...
- isso amor! então?
- pra começar...vc tá com uma casquinha de feijão presa entre os dentes...
--fim--
quinta-feira, janeiro 20, 2005
não confio em pessoas que usam sapatos caramelo.
não confio. uma pessoa que tomou a decisão de gastar duzentos mangos num par de sapatos cor de caramelo, é no mínimo estranha. pensa só: essa pessoa entrou numa loja por livre e espontânea vontade, pediu para experimentar, olhou no espelho e finalmente gastou, sem dó, uma boa grana num par de sapatos caramelados. essa pessoa deve ser estudada. um sujeito que toma uma decisão dessas, não é normal. deve ser questionada. jogada numa sala daquelas de interrogação de filme americano "b". espancada até revelar o que se passa na sua cabeça. o que é aquilo que faz com que um sujeito normal tenha o impulso louco de investir seu dinheiro suado num par de sapatos cor de caramelo nestlé. afinal, se esse cara foi capaz de fazer isso ele é capaz de qualquer coisa. é um louco fantasiado de pai de família. de funcionário da firma. esse cara que sai de casa orgulhoso dos seus sapatos cor de caramelo não pode ser confiado. esse cara provavelmente tem um cinto da mesma cor. esse cara é uma ameaça para a sociedade. eu não compraria um carro dele. não daria bom dia. não tomaria um chopp com ele. não. bin laden deve ter um par da mesma cor. o bush também. se a sua namorada ou até mesmo a sua mulher lhe der de presentes um par de sapatos caramelo, fique esperto. das duas uma: ou ela quer transformar você num ser repugnante para afastar as outras-- ou ela descobriu que você anda traindo ela. não confio em pessoas que usam sapatos caramelo.
segunda-feira, janeiro 17, 2005
a teoria do pac-man.
volta e meia eu leio uma nova reportagem sobre a obesidade. um novo estudo. um novo remédio. uma nova dieta. um novo best-seller. é assunto que não acaba mais. é gordura que não pára de crescer. de aumentar, e pular por cima das calças e escapar pelas mangas. e cada reportagem tem um ponto. um raciocínio. algumas colocam a culpa nos genes. outros no sedentarismo das pessoas. outros ainda, acham que tudo começou com as lanchonetes fast-food. eu discordo. acho que tudo começou com o pac-man. é. aquele joguinho "inofensivo" que o mundo inteiro jogava no início dos anos 80. você pode achar estranho. que não faz nenhum sentido. mas faz. pensa só. se você fizer um gráfico para analizar o crescimento do peso da população mundial-- você verá como tudo teve seu início com o pac-man. quase que simultaneamente. as curvas de crescimento começaram no final dos anos 70 e explodiram no meio dos anos 80. e sabe quem apareceu nessa época? acertou, o pac-man. é. os pais de hoje que socam comida goela abaixo das crianças-- são os mesmos que jogavam pac-man na adolescência. mas porque o pac-man? bem, no jogo, para sobreviver-- você tinha que comer sem parar. comer de tudo. com aquele bocão amarelo. se você parasse de comer, morria. simples assim. e ninguém queria perder ou morrer. resultado: a molecada passava o dia com os olhos grudados na tela comendotudo que o pac-man via pela frente. sem parar. fugindo dos fantasminhas e comendo. e comendo. e aquilo ficou na cabeça das pessoas. e elas cresceram e continuaram comendo. e o mundo não parou mais de comer. mesmo quando as pessoas finalmente desligaram o pac-man-- elas continuaram comendo. condicionadas pelo video-game. é. na minha sincera opinião, a obesidade não é culpa dos genes, ou do mcdonald's. não. caráio-- a obesidade do mundo-- tem um só culpado: o pac-man. aquele insaciável fila da puta--que não podia ver nada na rente-- que tinha que devorar. aquele apetite monstro sem fim. taí a raiz de tudo. de todos os problemas. o pac-man.
terça-feira, dezembro 28, 2004
o garçom.
[restaurante cheio na oscar freire. 22:17. 20-30 minutos de espera.]
- eu vou querer o filé.
- e como é que você vai querer?
- ao ponto. não. ao ponto pra bem passado.
- e pra beber?
- coca. sem gelo e com duas rodelas de limão.
- mais alguma coisa?
- o molho da salada...à parte.
- mais alguma...
- os tomates...os tomates eu quero picados, não fatiados.
- ok. tudo anotado. já vou trazer o couvert da senhora. só uma coisa...
- o quê?
- você prefere que eu cuspa sobre o bife--ou sobre a salada?
- eu vou querer o filé.
- e como é que você vai querer?
- ao ponto. não. ao ponto pra bem passado.
- e pra beber?
- coca. sem gelo e com duas rodelas de limão.
- mais alguma coisa?
- o molho da salada...à parte.
- mais alguma...
- os tomates...os tomates eu quero picados, não fatiados.
- ok. tudo anotado. já vou trazer o couvert da senhora. só uma coisa...
- o quê?
- você prefere que eu cuspa sobre o bife--ou sobre a salada?
o acordo.
dieta é foda. é chato. é anti-social. chegar num restaurante e pedir que troquem as batatas crocantes com catupiry que acompanham o frango--por salada verde é sacanagem. tirar miolo de pão francês. passar manteiga branca sem gosto. recusar gentilmente o cardápio de sobremesas. acho que todo mundo deveria parar com isso. chegar num acordo. um acordo simples. nele, todos concordariam em usar calças de moleton. daquelas largas. que sobram nos joelhos. um país inteiro usando calça de moleton. todo mundo igual. sem essa viadice de contar calorias. pense no armário novo. socado de calças de moleton de ponta a ponta. calça de moleton é confortável. barata e combina com tudo. imagine chegando num bar. pedir uma porção de fritas. caprichada. bolinhos bacalhau. chopp(s). porção de parmesão e pastel de nata de sobremesa. sem culpa. vc vai estar de calça de moleton. maravilha. sem dramas. com elástico. e cordinha para ajustar.
esse acordo, porém--teria uma cláusula: ele teria validade para todo mundo--menos para a giselle.
esse acordo, porém--teria uma cláusula: ele teria validade para todo mundo--menos para a giselle.
quarta-feira, dezembro 22, 2004
a bundinha do queixo. (ou "um mini-diálogo entre mãe e filho")
[seis da tarde, quase sete. mãe e filho na cozinha dividem um pote de requeijão e um pacote de bolacha água e sal. ao fundo passa o SPTV segunda edição na televisão semp-toshiba 19” da sala. mariana godoy apresenta com um terninho vermelho e 300ml de laquê no cabelo. já a mãe está de vestido florido, possivelmente costurado pela vizinha. filho está de bermudão bege quase branco, camisa quase oficial do mengão nº7 . debaixo da mesa, ele brinca com um par de havaianas daquelas brancas-- com bandeirinha do brasil. ele boceja, dá um gole generoso num café com leite que já não está mais morno, olha para a mãe e esboça um assunto. ela ajeita os bifocais, joga aquela correntinha sem-vergonha que mantém os óculos no pescoço pra trás e presta atenção na palavra que escorrega da boca do filho. tudo indica que ele fala assim de propósito. só para fazer ela apertar a vista-- e cultivar mais as rugas.]
- mãe?
- o que foi meu filho?
- você acha mesmo que eu sou parecido com o papai?
- [silêncio]
- mãe?
- eu escutei meu filho.
- então...
- eu não entendi a pergunta?
- você acha que eu sou...
- não, não é isso...eu entendi as palavras... não entendi o que você quis dizer com elas...
- é que...
- é que o que meu filho?
- meu queixo tem uma bundinha.
- como?
- bundinha, meu queixo tem uma bundinha. vai dizer que você nunca percebeu?
- bundinha. bundinha no seu queixo. sei... mas o que isso tem a ver com o seu pai?
- você não tem bundinha no queixo.
- [ela deita a torrada no prato e passa a mão no queixo] é verdade, eu não tenho bundinha.
- [ele aponta para o dele.] e eu tenho.
- bundinha. você já disse isso, meu filho.
- o papai não tem.
- é verdade.
- ele não tem uma bundinha no queixo como a minha.
- [silêncio.]
- genes, mãe.
- genes?
- a bundinha do queixo está nos genes.
- genes.
- não nos seus. nem nos do papai.
- mas o seu pai tem um queixo lindo, meu filho.
- mas não tem bundinha.
- [ela olha para a TV e tenta ler os lábios da mariana godoy] o nariz dele...
- pelo amor de deus, mãe... não vamos desviar...
- bundinha. tá bem. o queixo do seu pai não tem um risco no meio.
- não tem bundinha mãe.
- não tem.
- não.
- é. [ela alcança o controle remoto e aumenta a televisão: flamengo 3, vasco 2.]
- mãe?
- o que foi meu filho?
- você acha mesmo que eu sou parecido com o papai?
- [silêncio]
- mãe?
- eu escutei meu filho.
- então...
- eu não entendi a pergunta?
- você acha que eu sou...
- não, não é isso...eu entendi as palavras... não entendi o que você quis dizer com elas...
- é que...
- é que o que meu filho?
- meu queixo tem uma bundinha.
- como?
- bundinha, meu queixo tem uma bundinha. vai dizer que você nunca percebeu?
- bundinha. bundinha no seu queixo. sei... mas o que isso tem a ver com o seu pai?
- você não tem bundinha no queixo.
- [ela deita a torrada no prato e passa a mão no queixo] é verdade, eu não tenho bundinha.
- [ele aponta para o dele.] e eu tenho.
- bundinha. você já disse isso, meu filho.
- o papai não tem.
- é verdade.
- ele não tem uma bundinha no queixo como a minha.
- [silêncio.]
- genes, mãe.
- genes?
- a bundinha do queixo está nos genes.
- genes.
- não nos seus. nem nos do papai.
- mas o seu pai tem um queixo lindo, meu filho.
- mas não tem bundinha.
- [ela olha para a TV e tenta ler os lábios da mariana godoy] o nariz dele...
- pelo amor de deus, mãe... não vamos desviar...
- bundinha. tá bem. o queixo do seu pai não tem um risco no meio.
- não tem bundinha mãe.
- não tem.
- não.
- é. [ela alcança o controle remoto e aumenta a televisão: flamengo 3, vasco 2.]
sexta-feira, dezembro 17, 2004
gente que freia de repente.
desde que o homem evoluiu e passou a andar ereto por aí, desenvolveu várias maneiras de andar. rápido. devagar. com os braços em constante movimento. com os braços quase parados. passos pequenos. passos longos. passos pequenos alternando com passos longos. existe uma infinidade de maneiras de andar. eu particularmente ando devagar. sou sempre ultrapassado pelas pessoas. se os seres humanos viessem ao mundo equipados com espelhinho retrovisor preso na testa, eu já estaria cego de tanto levar farol alto dos mais apressados. mas, como você pode ver pelo título deste textinho, gostaria de falar sobre gente que freia de repente. pessoas que nasceram com freios abs® na sola dos pés. você com certeza já deu um esbarrão num fêla da puta desses. acontece muito em shoppings. acontece também em aeroportos e em ruas movimentadas. gente que freia de repente tem um sério problema em manter uma velocidade constante. esse pessoal acelera, e, quando você menos espera, pára. de 15 km/h para 0 km/h. e você, o babaca que está atrás sempre bate. e, assim como no trânsito, quem bate atrás é sempre o culpado. bati de resvalão num terno armani hoje na hora do almoço. o babaca me ultrapassou no meio da subida da escada rolante. só que, quando eu já achava que ele estava bem longe, na casa do caralho-- ele freiou. foi sair da escada rolante que ele freiou. de repente. como se num milésimo de segundo não sabia mais quem era ou o que estava fazendo alí. na minha frente. se fudeu. além do resvalão no terno, bati feio no sapato dele. e pela cara do sujeito-- o sapato é zero km. e melhor, pelo impacto-- foi perda total. gente que freia de repente-- vai dar uma meia hora de bunda.
segunda-feira, dezembro 13, 2004
o teste da academia. parte 1.
quando você entra numa academia, você obrigatoriamente tem que fazer o teste físico. o teste físico é aquela bateria de mini-exames para determinar o seu tipo, a sua série de musculação e principalmente para humilhar. é. porque a primeira coisa que pedem pra você fazer ao entrar na sala de exame é tirar a camisa. mostrar os pneus. a pança e as dobrinhas. inventaram um instrumento feito sob medida pra deixar você com cara de bosta. é um alicate que mede o seu nível de gordura. de banha. a mulher que me atendeu hoje fez questão de me mostrar como o negócio funcionava. ela pegava a banha, prendia com o alicate e mostrava os números. depois do teste da banha, vem as pedaladas. ela manda você padalar com uma intensidade que varia: ela aumenta quando você está tranquilo e só pára quando você ameaça tossir sangue. mas zuzo bem, eu não desmaiei. em seguida (vale lembrar que eu ainda estava sem camisa) deitei no chão gelado e tive que fazer o maior número possível de abdominais em 60 segundo. na terceira abdominal, vi tudo preto e larguei a cabeça contra o concreto. abri um sorriso para disfarçar a dor. da abdominal para a flexão de braço. consegui completar 8. meus braços não respondiam mais os estímulos que meu cérebro mandava. eles siimplesmente tremiam. sentado numa cadeira daquelas de couro sintético, sentia minhas costas grudando-- e suor acumulando na base do pescoço. por alguns segundos pensei em abandonar essa sociedade que dá valor a pessoas que cabem dentro de suas respectivas calças jeans e criar a sociedade alternativa: a sociedade da calça de moletom.
o ladrão.
acho que esse fim de semana passou mais rápido que todos os outros.
hoje, a caminho do trabalho, pensei em parar numa delegacia e fazer um boletim de ocorrência.
delegado (confuso): "você pode ser mais claro? como assim, roubaram seu fim de semana?"
eu: "é, roubaram. saí do trabalho na sexta-feira--relativamente cedo. e quando me dei conta já era segunda--e estava drigindo de volta para lá..."
delegado (interrompendo): "de volta para o trabalho?"
eu: "é."
delegado: "você se lembra se foi atacado?"
eu: "acho que sim."
delegado: "será que você conseguiria descrever quem roubou seu fim de semana?"
eu: "não sei--como eu disse--foi tudo muito rápido."
delegado (ficando puto): "você me desculpe, mas é a primeira vez que eu escuto isso.
acho que estamos perdendo tempo aqui. tenho coisa mais importante pra fazer."
eu (assustado): "que horas são?"
delegado(puto): "porque?"
eu: "acho que o filha da puta atacou de novo. roubou a nossa manhã."
hoje, a caminho do trabalho, pensei em parar numa delegacia e fazer um boletim de ocorrência.
delegado (confuso): "você pode ser mais claro? como assim, roubaram seu fim de semana?"
eu: "é, roubaram. saí do trabalho na sexta-feira--relativamente cedo. e quando me dei conta já era segunda--e estava drigindo de volta para lá..."
delegado (interrompendo): "de volta para o trabalho?"
eu: "é."
delegado: "você se lembra se foi atacado?"
eu: "acho que sim."
delegado: "será que você conseguiria descrever quem roubou seu fim de semana?"
eu: "não sei--como eu disse--foi tudo muito rápido."
delegado (ficando puto): "você me desculpe, mas é a primeira vez que eu escuto isso.
acho que estamos perdendo tempo aqui. tenho coisa mais importante pra fazer."
eu (assustado): "que horas são?"
delegado(puto): "porque?"
eu: "acho que o filha da puta atacou de novo. roubou a nossa manhã."
sexta-feira, dezembro 03, 2004
17 minutos.
hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia. ainda não sei ao certo se é uma boa idéia. mas não deixa de ser uma idéia. é. enquanto o alarme gritava "levanta moleque! levanta porra! seu bosta.... preguiçoso!", fiquei rolando na cama pensando no que poderia ser feito para acabar de vez com aquela sensação escrota de todas as manhãs. a primeira idéia que me veio à cabeça, foi-- a de realizar um congresso é, um congresso de grandes proporções. reunir formadores de opiniões. celebridades. estudantes barulhentos. atores, atrizes, diretores de cinema b, taxistas e motoristas de ônibus. todos no mesmo lugar. a idéia do congresso é simples: convencer o mundo inteiro a ficar na cama por mais 17 minutos. todo mundo esparramado na cama por mais 17 minutos todos os dias. na minha opinião, esse é o tempo necessário para tirar o gosto de travesseiro e cobertor da boca. 17 minutos equivalem a umas 4 apertadas do botão de 'soneca' do alarme. e dependendo do alarme, umas cinco apertadas do botão de 'soneca'. ou seja, é tempo suficiente para rolar adoidado na cama e levantar de bom humor. tirar a remela dos olhos. toda remela, até aquela que fica agarrada entre o canto dos olhos e o começo do nariz. é tempo para bocejar até estalar as mandíbulas. acordar com disposição. e cheio de vontade de encarar um belo trânsito de segunda-feira. esse congresso poderia significar a tão esperada paz no mundo. o fim da violência. dos crimes. é. com 17 minutos a mais de sono na cama-- todo mundo teria mais saco para tudo. muito mais saco. as pessoas seriam mais felizes. 17 minutos que podem mudar o mundo. mas é claro, para que essa idéia funcionasse, todas as pessoas, sem exceção-- teriam que concordar com os termos. o primeiro fêla da puta que levantasse da cama, um minuto mais cedo-- fuderia com o esquema de todo mundo. hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia: 17 minutos a mais na cama.
segunda-feira, novembro 29, 2004
mulher e pistache.
mulher e pistache é a mesma coisa. a mesmíssima coisa. eu sei, você provavelmente está imaginando um pistache, colocando ele ao lado de uma mulher que vive na sua imaginação e acha que eu estou viajando. mas mulher e pistache é a mesma coisa. a mesmíssima coisa. pensa só: é complicado abrir um pistache. muito complicado. das coisas mais difíceis que existem por aí. mas é aí que está a graça. se pistache fosse fácil de abrir não teria nenhuma graça. você com certeza não correria para comer o segundo. mulher é igualzinho. não estou falando "abrir" no sentido bíblico. quando digo abrir uma mulher, quero dizer, "abrir", saber o que se passa alí dentro daquela cabecinha, conhecer a mulher direito, entender, se aproximar de verdade, conquistar ela. abrir ela. você provavelmente já encontrou uma mulher linda que se "abriu" tão fácilmente que perdeu a graça. e também já deve ter ficado meses ou anos com a mesma mulher, ou até mesmo é casado com ela, porque essa demorou semanas, meses para se "abrir" para você. pistache dos bons é difícil de achar. mulher também. existem pistaches baratos que não duram sequer uma semana. murcham, perdem a cor. ficam sem gosto. sem graça. mole. mas existem os mais caros. os que mantém o sabor, a consistência. nenhum pistache é igual a outro. pode notar. alguns são mais salgados. outros são mais "carnudos". outros ainda, apesar de pequenos, são mais saborosos. alguns são mais verdes e outros mais maduros. é igual a mulher. você não encontra uma igual. mas as coincidências não param por aí. pistache prende no dente. mulher prende. não como em "alcatraz". como em "9 semanas e meia de amor." e finalmente, tem sempre aquele pistache que é tão tão fechado, tão difícil de abrir-- que você desiste. mulher é igualzinho. tem mulher que não te dá bola. que se faz de difícil. faz doce. que não abre a guarda. de jeito nehum. e você desiste. vai para cima das outras mais fáceis. como o pistache. mas, algum tempo depois, você volta. e tenta. cutuca. insiste. com jeito e com manha. abrir aquele último pistache no fundo do pote. aquela última mulher que não cedeu pra você. mulher e pistache é a mesma coisa. e antes que alguma feminista de plantão me acerte de jeito na cabeça, sugiro comer um pistache. dos bons. e difícil de abrir. você vai ver que tudo não passa de um elogio.
quarta-feira, novembro 24, 2004
"e luana?"
[domingo. casal deitado no sofá. ela com a revista pais e filhos no colo.
ele tentando ler o caderno de esportes.]
- ...e daniela?
- não.
- fernanda?
- não.
- márcia?
- tem acento. não gosto de nome com acento.
- regina?
- não.
- ana? bruna? giovanna?
- não.
- então sugere um vc.
[silêncio]
- vai amor! o primeiro nome de mulher que vier a sua cabeça.
- luana! [sem pensar. de olhos fechados e com cara de tesão.]
- porra amor! pra sua filha? vc quer colocar toda essa pressão na menina? e ela ainda nem nasceu!
- [silêncio]
- amooor!
- hmmm...pensando assim...silmara então. isso--o nome dela vai ser silmara!
ele tentando ler o caderno de esportes.]
- ...e daniela?
- não.
- fernanda?
- não.
- márcia?
- tem acento. não gosto de nome com acento.
- regina?
- não.
- ana? bruna? giovanna?
- não.
- então sugere um vc.
[silêncio]
- vai amor! o primeiro nome de mulher que vier a sua cabeça.
- luana! [sem pensar. de olhos fechados e com cara de tesão.]
- porra amor! pra sua filha? vc quer colocar toda essa pressão na menina? e ela ainda nem nasceu!
- [silêncio]
- amooor!
- hmmm...pensando assim...silmara então. isso--o nome dela vai ser silmara!
terça-feira, novembro 16, 2004
a corrida do sorvete.
você provavelemnete já comeu um petit gateau num restaurante. strudel de maça quente. tortinha de chocolate saindo fumaça. folhado de qualquer coisa queimando o céu da boca. qualquer um deles acompanhado com sorvete de creme. é sempre assim. qualquer sobremesa do cardápio é sempre algo fervendo com uma bola de sorvete bem servida. das grandes. e é aí que começa a aventura. a corrida do sorvete. é, a corrida do sorvete. segurando firme a colher de sobremesa, com o punho cerrado, você começa a comer o sorvete antes que ele derreta. é, porque a bosta dessas sobremesas é que a bola de sorvete chega sempre colada com um bolo fervendo de alguma coisa. resultado: no instante que o garçom coloca o petit gateau na sua mesa, a bola de sorvete começa a desmanchar. formando aquela poça espessa que se espalha pelo prato. e você não pode parar pra bater um papo com quem está na mesa. tem que correr. tem que socar colheradas grandes e fartas de sorvete na boca pra evitar que tudo vá pro caralho. e tem um porém. não basta salvar o sorvete. não, você também tem jogar um teco de bolo fervendo pra dentro junto. queimando o céu da boca e deixando marcas pela língua e lágrimas nos olhos. é, a sobremesa só funciona assim. porque se você entrar numa de salvar o sorvete e esquecer do bolinho quente ou do strudel de maçã borbulhante, a sobremesa perde a graça. é mistura que funciona. é a mistura que faz a diferença. pode notar. da próxima vez que você for a um restaurante, preste atenção, você vai ver uma dúzia de meninas raspando a colher freneticamente contra o prato de sobremesa. apostando corrida com a bola de sorvete. (se você se concentrar bem, periga escutar a trilha do filme "carruagens de fogo" ao fundo.) tentando manter o mesmo sorvete longe do vulcão de chocolate prestes a entrar em erupção no outro canto do prato. e tudo isso. tudo isso, enquanto tentam sem sucesso salvar o céu da boca. a corrida do sorvete. você ainda vai participar de uma.
quarta-feira, novembro 03, 2004
de onde viemos.
- mãe?
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- então foi assim que eu nasci ?
- como, meu filho?
- assim... depois desse vai e vem--entre você e o papai.
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- então foi assim que eu nasci ?
- como, meu filho?
- assim... depois desse vai e vem--entre você e o papai.
a teoria do íbis e o scooby-doo.
quem não se lembra dos desenhos do scooby-doo? eu era fã do salsicha. mas não é sobre isso que eu queria falar. eu queria falar sobre uma suspeita que eu tenho. algo que ficou muito claro nesse fim de semana. uma conspiração que pode ter implicações na formação geopolítica brasileira. tá bem...talvez eu esteja exagerando. mas é uma conspiração. e das grandes. lembra como terminavam os desenhos do scooby-doo? quando no final, ele a turma desvendavam os crimes? eles sempre apresentavam o criminoso e para grande surpresa, o criminoso não era quem a gente achava que ele era. ele estava sempre usando uma máscara ou uma fantasia. e por debaixo da máscara estava o verdadeiro criminoso. as vezes até debaixo de uma segunda máscara. então--observando essas últimas rodadas do campeonato brasileiro que o mengão luta pra não cair pra segundona, cheguei a conclusão que o time do flamengo é na verdade o time do íbis. o íbis para quem não sabe--é considerando oficialmente "o pior time do mundo." não é o júlio cesar que está levando aqueles frangos, é o gérson, goleiro do íbis--usando uma máscara com a cara do júlio césar. não é o jean que está perdendo todos aqueles gols feitos, é o derlei, atacante do íbis--e assim por diante. se alguém invadir o campo na próxima derrota do megão --preste atenção--pode ser o scooby e o salsicha. os dois com certeza vão tentar desvendar mais esse mistério.
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