quinta-feira, março 06, 2008

a tura.

a tura é a cadela, a mascote aqui da agência. a tura é uma vira-lata que foi resgatada pelo chacho. em pouco tempo virou presidenta da agência. se alguém novo chega na agência, ela late. não morde, mas late. late bastante. a tura é pequena. mas tem um latido de gente grande. e todo mundo respeita. acho que se a tura falasse, mandava mesmo, em todo mundo. a tura tem a combinação perfeita de um ser. ela tem os olhos do gato de botas do shrek 2 -- e a torcida de cabeça do porquinho babe, do filme que fazia milhares de crianças chorarem. a tura é foda. ninguém reclama se ela entrar numa reunião. e com razão, ela chega com estilo. trotando como se fosse um cavalo puro sangue. passa por todo mundo, talvez dê uma pequena lambida na perna de alguém. mas com jeito. e vai embora pela outra porta. é para marcar território. bom, resolvi escrever sobre a tura porque ela acaba de fazer isso. estav aqui digitando, e a fêla, pulou no meu colo. fez um charme. acionou os olhos do gato de botas do shrek 2 e pronto, comecei a escrever sobre ela. e quase não parei mais. amanhã vou ver se encontro uma foto que faça justiça e coloco aqui. talvez ela tenha que aprovar antes. mas beleza. a tura é foda.

o véio. apelidos e o celular.

o véio é o apelido do renato. ele não é véio, véio. o véio é uma brincadeira. o cara é meio obi wan kenobi. experiente. eu tenho quase mais cabelos brancos do que o fera, por exemplo. mas o apelido do cara é "véio", fazer o que? mas esses dias o véio perdeu o segundo celular ou telemóvel em três meses. não sei. mas essa pourra de apelido está começando a fazer sentido.

o teste dos panados. ou o teste do à milanesa.

cheguei hoje no restaurante aqui perto da firma com o maior comedor de panados da história. o peixinho é o maior comedor de panados ou no nosso brasileiro "à milanesa". tudo que é panado o fera bota para dentro. portanto se o prato do dia envolve algo frito em ovo fique esperto, ele pode comer o último. ou os dois últimos. e foi exatamente o que aconteceu hoje. o peixinho chegou mais cedo e pediu o último. me fodi. o panado era co carne de porco e o fera do restaurante olhou para a minha cara de coitado e disse: "porque o senhor não come um panado com carne de vaca?" e eu, com inveja do prato do peixinho respondi: "mas é claro seu antônio, manda um panado de vaca." moral da história: panado é panado. quando qualquer carne é panada, o sabor é de panado meu amigo. não importa se é vaca, porco, pato, frango. com um tubo de maionese em cima, eu aposto a falange do meu mindinho direito que você não consegue diferenciar um do outro. vai por mim. é o teste do panado.

diálogos na nespresso. 4

- eu queria saber se vocês têm alguma edição especial?
- especial? todos os nossos cafés são especiais.
- não, não, eu sei. estou a falar daqueles com grão especiais que aparecem só de vez em quando.
- nossos grãos são especiais.
- ok. acho que a senhora não me entendeu.
- não, não, entendi mesmo.
- estou a falar de grãos, de cápsulas com edições limitadas. sabe?
- ah, porque não disse antes?

terça-feira, março 04, 2008

mais dois diálogos rápidos


(1 )

o marido honesto.

- mas... mas.... amor... fernando!!! e essa marca de batom na sua camisa?
- é da secretária. beijo. elá se empolgou e aí você sabe. beijo aqui, beijo ali.
- amor... (pausa) essa é a qualidade que eu mais aprecio em você. a honestidade. te amo.
- eu também.





(2)

o jogo

- linda?
- oi?
- jogo. vai ter jogo da champions league. chamei o pessoal para assistir aqui em casa.
- milan e manchester united, né?
- como?
- milan e manchester. pirlo, pato, nani, ferdinand.
- mas você, você sabe a escalação dos times?
- o gatuso está machucado pelo milan e o rooney é dúvida para o manchester.
- mas...
- mas o que?
- assim não tem graça.
- o que?
- chamar o pessoal para assistir o jogo aqui se você não vai ficar incomodada com isso.
silêncio.

o sr. ramiro e o figado de aves com maçãs.

ainda vou escrever sobre o farta brutos com detalhes no guia fucking fuckers. e com toda a razão. o farta brutos periga ser um dos melhores restaurantes que eu queria ter conhecido antes. é impressionante. a comida, como nome diz, é farta. o sabor também. os elogios também. é cheio de tambéns. bom, mas como já disse, quando der, vou escrever com calma sobre os pratos, o atendimento e como chegar lá no guia fucking fuckers. mas aqui vou falar do sr. ramiro. figuraça. metade sócio. metade garçom do lugar. o sr. ramiro se comporta como se tivesse numa festa de casamento. depois de um só copo de pró seco. alegre, simpático e cheio de sugestões. o sr. ramiro é daquelas pessoas que fazem um lugar valer. é claro que quem vai ao restaurante farta bruto-- vai atrás da comida. mas o sr. ramiro é uma figura ímpar. primeiro oferece um vinho do porto de entrada. depois a entrada. sempre com exatidão. depois espera você decidir o prato. e, assim que você pede o prato, ele vibra com você. praticamente solta um abraço como quem diz: "rapaz, que escolha boa, queria eu, estar aí sentado no seu lugar para comer este prato." bom, e aí tem o prato. no caso do farta brutos, descobri um prato fantástico: fígado de aves com maçãs. o nome é estranho. as memórias de fígado que toda pessoa tem-- periga ser ruim. quase com certeza, é. eu, particularmente sempre fui meio traumatizado com fígado. mas assim que entrei no farta-brutos e larguei meus olhos no cardápio, acidentalmente cai sobre o fígado de aves com maçãs. a primeira reação foi pular para a linha de baixo e escolher outro prato. mas aí eu olhei para o sr. ramiro, o sorriso na cara dele quando viu que eu estava com o dedo sobre o fígado de aves com maçãs. pensei dois segundos e pimba: "sr. ramiro, uma porção de fígado de aves com maçãs, por favor." sensacional. já fui lá umas 4 vezes, talvez cinco desde então. nunca mais peguei um cardápio. sr. ramiro me vê entrar e grita para a cozinha: "fígado com aves com maçãs." o sabor é raro. meio forte. mas as maçãs caramelizadas dão uma aliviada. não me entenda errado. é muito bom. é só atropelar a primeira reação que você carrega da infância e partir para cima. se você chegar a lisboa com pouco tempo, visite o farta-brutos. procure o sr. ramiro. peça fígado com aves e depois, deixe um comentário aqui. vai que você experimenta outra coisa. vai que o sr. ramiro indica outro prato. nunca se sabe.

reuniões. 6

reunião é um negócio bem mais ou menos. não sei quem gosta. se você conhecer alguém que gosta, chame o cara para conversar num canto e interna o fêla da pulta. o cara tem algum negócio balançando na cabeça dele. ok, ok, exagerei um pouquinho. mas é verdade. o tempo passa mais devagar dentro de uma reunião e mais rápido fora. explico. dentro parece que o tempo, o relógio está sem pilha. mas aí, quando você sai meu amigo. fodeu. já é outro dia. ou é noite. ou o mundo acabou. bom, eu não tenho ainda uma solução para as reuniões. mas eu tenho certeza que o primeiro presidente de qualquer país que tentar se eleger com a plataforma única de "proibir todas as reuniões para sempre"-- se elege com uma vitória esmagadora. só pode. eu pelo menos votaria no cara. isso é claro, se não ficasse preso numa reunião.

pessoas desenham bonecos de pauziho, pessoas que desenham para caralho e pessoas que desenham bem mais ou menos.

para mim esses são os três tipos de pessoa. pelo menos no que diz respeito ao lado criativo, artístico das pessoas. eu por exemplo sou o melhor desenhador de bonecos de pauzinho do universo. se tivesse um campeonato mundial de desenho de bonecos de pauzinho, eu ganhava. se o louvre abrisse uma galeria para bonecos de pauzinho, eu teria a mona lisa lá. bom, e existe também um outro tipo de pessoa. é a pessoa que desenha para caralho. aquela que você dá um lápis e uma folha de papel e o cara arrepia, desenha mais do que uma simples casinha com árvores e uma família de mãos dadas. o véio, o renato, do link aí ao lado é assim. vai desenhar assim na casa do caralho. e finalmente existe um tipo de pessoa que é raro. é que desenha mais ou menos. é uma pessoa esquisita. sempre desconfiei de pessoas que desenham mais ou menos. tem alguma bosta errada aí. e se você é desses que desenha mais ou menos, minhas sinceras desculpas. mas acho que se você desenha quase bem, tem o potencial para desenhar melhor. e se você desenha quase mal, deve sempre focar nos bonequinhos de pauzinho. é o que eu fiz. e tudo por que um dia jogando aquele jogo imagem & ação-- em que as pessoas do time adversário sorteiam uma palavra, um filme, alguma coisa. e você tem que desenhar para o seu time acertar, adivinhar. sabe? então, entrei numas de tentar desenhar melhor do que os bonecos de pauzinho. queria impressionar alguma menina da sala. me fodi. tinha uns doze anos de idade. ninguém entendeu picas do meu desenho. perdemos o jogo. desde então passei a focar nos bonecos de pauzinho. por isso desconfio em quem desenha mais ou menos. não faz sentindo. se você está no meio de um esforço descomunal para passar a ser um desenhista do caralho, beleza. se não meu amigo, os bonecos de pauzinho são a melhor opção. pelos menos comigo foi. apenas uma sugestão.

pão caseiro.

o sanduíche de pão caseiro do café "pão e canela" da praça das flores custa 20 centavos a mais do que o sanduiche no pão normal. e vale cada centavo. acho que se o cara entrasse numas de cobrar até mais. sei lá, mais um euro só pelo fato do sanduba ser feito com um pão que a mãe dele amassou na cozinha, eu pagaria a diferença. é psicológico o efeito. você vê lá, sandes caseiro escrito a mão no cardápio e quando chega na mesa, lembra da sua mãe, da sua casa. puta esqueminha inteligente. uma só palavra, "caseiro". nenhuma prova de que aquilo é verdade. e todo mundo, como este que está escrevendo, gesticula as mãos freneticamente pedindo mais um.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

dois diálogos bem rápidos.

(1)

- mãe?
- oi.
- desculpe, foi engano.


(2)
- o que vocês vão querer para jantar?
- o que você recomenda?
- tudo que está no cardápio.
- então vamos querer tudo.
- mas "tudo", não dá.
- então se decide porra. o que você recomenda?
- tudo o que está no cardápio.
- tá vendo?!

a carteira perdida.

um cara perdeu uma carteira aqui em lisboa. cheia de documentos. fotos dele e da namorada. cartão do metrô. do banco. de tudo. como achar o cara? bom, a primeira idéia foi ligar para o blockbuster. peguei a carteirinha dele e liguei. "olha, encontrei a carteira do sócio tal no chão." passaram trinta segundos e a mulher: "bom, o sr. antônio está com dois filmes atrasados." e eu: "mas eu não sou ele. só achei a carteira dele." e a moça do outro lado: "mas ele está com dois filmes atrasados." e papo vai. papo vem. e eu não consegui o telefone do cara para devolver a carteira dele e a mulher contiunou cobrando os filmes que ele tem atrasados. e a carteira continua perdida.

a máquina de chopp 3.

colocar uma máquina de chopp no trabalho é uma boa idéia. a primeira impressão é que você vai passar o dia bebendo. o que não é verdade. você fica com um peso na consciência de ser pego com a mão na manivela que entorna o chopp no copo. você também não sai bebendo numa segunda feira também. a máquina de chopp no trabalho tem um objetivo claro, ela é um excelente countdown para sexta-feira. você trabalha a semana inteira, e numa sexta, como a de hoje, você passa pela máquina de chopp e se dá de presente um copo. ou dois. é mais ou menos como aquela teoria da legalização das drogas. de que se elas fossem liberadas teria menos violência, menos tráfico, menos isso, menos aquilo. não que eu seja a favor da legalização de nenhuma droga. para ser sincero não tenho lá uma posição muito bem definida para cagar regra aqui. mas uma coisa eu sei. sou a favor da legalização da máquina de chopp no escritório.

existe dois tipos de pessoa.

as que comem azeitonas e as que odeiam.
as que gostam de filmes com sandra bullock e títulos como "um amor em..." e as que odeiam.
as que tiram o pepino do big mac e as que adoram.
as roem as unhas da mão e as que cortam.
as que tomam café com leite. e as que tomam leite com café.
as que mordem o chocolate bis. e as que colocam a pourra inteira na boca.
as que buzinam e as que jogam farol alto.
as que são pacientes com o pessoal do serviço de atendimento e as que ficam putinhas e dão chiliqie.
as que pedem chopp com colarinho e as que pedem sem.
as que não sabem estacionar o carro na rua e as que não sabem estacionar na garagem.
as que fazem downloads ilegais e as que compram no itunes.
e as que lêem esse textinho até o final e as que pararam lá em cima.

o jazz e o improviso. uma teoria.

dia desses fui num clube de jazz. desses apertados em que as pessoas fingem que tem mais espaço que tem. acho que todo clube de jazz no mundo é assim. ajuda com o ar intimista da música e tal. um casal sentado em cima de outro casal. uma mulher que tropeça e pisa sobre o seu pé. pedir uma bebida nesse esquema então é complicado. você precisa desenvolver uma técnica de comunicação silenciosa com a garçonete ou o bartender. o cara ou a mulher precisa ler lábios ou/e entender o que você gesticula. ah se você entra numas de pedir um chopp ou uma bebida qualquer num tom um pouquinho mais alto. vai acabar estragando a concentração do fera que está improvisando no piano. e aí meu amigo, fodeu. os caras vão olhar atravessado para você, e o casal que até então estava balançando a cabeça em câmera lenta para um lado e para o outro, também. bom, mas vamos a teoria do clube de jazz. ou melhor, a teoria do improviso. fiquei prestando atenção e notei que os feras não sabem picas do que vão tocar até entrarem no palco. aí cada um começa a tocar, mas olhando meio de canto de olho para outro membro da banda como quem diz: "vai por mim fera, eu tô dedilhando aqui o piano, mas balancem a cabeça como se soubesse que pourra eu tô tocando." e aí os outros ficam ali balançando a cabeça, e de vez em quando invadem a música. de vez em quando improvisam também. com todo o respeito a quem gosta de jazz. mas eu acho tudo uma puta improvisação. você pode estar pensando: "mas é mesmo, é improvisado rapá, o jazz é isso." ok, ok. é improvisado. mas é improvisado demais. o que me leva a conclusão que para tocar jazz, o cara apenas precisa saber tocar o instrumento. não é necessário muito mais. depois é só balança a cabeça super cool no palco e e observar num tom meio blasê a galera socada nas mesinhas a frente. dia desses fui num clube de jazz.

terça-feira, fevereiro 26, 2008

o queijo mozzarela que se achava o fodalhão dos queijos.

no cardápio estava em destaque: 1 bola de muzzarela italina com leite fresco da vaca premiada da região de verona. não é uma porção. é uma bola mesmo. queijinho metido do caralho. todos os outros chegam a mesa em porções. esse fêla vende a unidade de um bola. não fodi. é bom? é. é bom para cacete? é. vale a pena entrar nesse esqueminha e tratar ele com essa nobreza toda? é, vale. mas mesmo assim, não fodi. fico imaginando os outros tipos de queijo, todos juntos a caminho da morte. ou melhor, a caminho da minha mesa. juntos, unidos, amigos. e, num prato separado, a bola de mozzarela da vaca mais gostosa da fazenda. bom, enquanto comia hoje uma porção de queijos com vários tipos-- fiquei olhando a bola de mozzarela lá do outro lado do balcão, do outro lado do vidro, toda metida-- me olhando com um certo ar de fodona. olhei para ela. ela olhou para mim. aí, você sabe, olhei para a garçonete e pedi uma. reguei a fêla com azeite, sal e pimba. quase sem mastigar. não fódi.

os carros de veneza.

os carros de veneza são barcos. lanchas. vaporettos. barcos grandes. moleque não cresce brincando de carrinho. deve crescer brincando de barquinho. é curioso. acho que os venezianos são as pessoas mais felizes do mundo por um motivo muito simples: não usam carros. ou melhor, não existe um carro sequer por lá. o veneziano acorda, caminha, pula num vaporetto, pega uma carona numa lancha, caminha, sobe uma ponte, desce uma outra e por aí vai. eu sei, carro as vezes é interessante. mas raramente. acho que 99.9999999% das vezes carro estressa para cacete. puta negócio chato. o trânsito fêla da pulta com carros que parecem pipocar do chão como os gremlins do filme. e basta tomar café na rua pela manhã para ver como uma vida sem carros, sem trânsito, sem um taxista mandando um motorista para qualquer lugar-- faz uma diferenção. acordei tarde um dia, cheguei no lobby do hotel e o café já tinha evaporado. beleza, pensei, vou comer numa esquina. a sanae pediu um capuccino, e, quando eu ia pedir um café, vi um casal de venezianos tomando o que parecia um espumante zamber com algum ingrediente tipo suco de fruta com água com gás. algum negócios desses que você sempre vê sobre o balcão mas nunca sabe o nome. bom, como o relógio estava prestes a marcar meio dia, 11:56, apontei para o copo que partia em direção a mesa dos do casal de venezianos que conversavam como se não fosse segunda-feira, e disse que queria um idêntico. muito bom. simples. aí, enquanto trucidava um sanduba daqueles que ilustram fotos de cardápios-- fiquei olhando para a rua tranquila. as pessoas andando em passos curtos. e cheguei a conclusão que os caras são muito mais tranquilos do que o resto do mundo. fato. e tudo graças ao trânsito e os carros, que não existem. ok, o vinho antes do meio dia também deve ajudar essa alegria. mas acho que o fator "cidade sem carros" pesa um pouquinho mais.

o taxista que queria ser lutador de luta livre

volta e meia relato acontecimentos sobre taxistas. nada contra os caras. mas o fato é que em qualquer lugar do mundo, os taxistas são pessoas que acabam sempre gerando assunto. hoje, por exemplo peguei um taxista revoltado comigo. não conhecia ele. mas o fato de eu fazer uma viagem média para curta deixou o cara puto. muito puto: "eu fiquei duas horas na fila e você vai fazer uma viagem dessas?" e eu ali atrás: "ô fera, não dá para andar até a minha casa. acho que até é proibido uma pessoa andar pela avenida até lisboa." ele não achou muito engraçado. contou que a gasolina em lisboa é muito cara e o taxi muito barato. é, o cara não estava lá assim com muitos dentes aparecendo. beleza, eu entendo, todo mundo tem um dia ruim. bom, ai, o taxi para num sinal. um mini furgão fecha o taxi. o taxista abaixa o vidro e manda a mãe, não o motorista, mas a mãe dele para o caralho. a mãe dele não estava no taxi com a gente. foi uma força de expressão. um palavrão para ser mais exato. ele e o cara do furgão trocaram acusações até que as buzinas acabaram por nos empurrado de volta ao nosso trajeto. alguns minutos depois, com o taxista mais calmo, perguntei para ele se não era melhor ignorar esse tipo de briga. vai que o cara está armado. vai que isso. vai que aquilo. bom, ele olhou para mim pelo espelho retrovisor e respondeu: "ai dele se saísse do carro, eu acabaria com ele." e eu: "arma? o senhor tem uma arma?" e ele, na maior naturalidade: "luta livre. golpes mortais." e o meu ponto chegou.

o preço da comida quando você se encontra cercado de canais, pontes, rios e lagoas.

o único detalhe assim que você pode achar meio cafuzo em veneza é o preço das coisas. é um esquema paralelo. um café custa 4 euros. ou 3. ou 3.50. mas nunca o mesmo 1 euro ou 0.60 cêntimos que você paga em lisboa. uma cerveja, 4 euros. 6 euros. até 7. nada perto do 1 euro ou 2.20 que você paga num restaurante mais fucking fuckers. e o resto das coisas aumentam com a mesma velocidade. a explicação é simples. os caras estão na casa do caralho. para você comer um filé de pato-- aquele mesmo pato viajou meio mundo, pegou um barco, duas lanchas menores e foi empurrado pelas ruelas de veneza até chegar no freezer do restaurante que você vai comer o pato naquela noite. e não tem muita opção. todos os restaurantes entram nesse esquema. você pode aproveitar um esquema de turista que inclui 3 pratos com um desconto bem fraternal. mas se entrar numas de pedir qualquer prato fora desses esquema, fodeu. prepare para fazer uma analíse da qualidade do seu fígado quando chegar de volta em casa. existe uma pequena chance de você ter que vender um naco dele no ebay. ok, estou exagerando um pouco. eu disse um pouco.

veneza e a disneylândia. ou se for a veneza nunca brigue com a sua mulher (marido).

passei três dias em veneza essa semana. tinha ido uma vez quando era moleque. eu e meu irmão. apenas 12 horas entre uma viagem e outra. ou seja, não conhecia picas. tenho uma foto com um pombo agarrado no capuz do meu casaco e só. memória, memória não tenho muita. (eu acredito cegamente no fato de que todos nós temos uma espécie de memória absoluta que não é expandível. um bom exemplo é o hard drive do seu computador. imagine que o seu computador tem 80 gigabites de memória interna. esse é o seu cérebro. bom, e se você chegar um ponto que você ultrapassa esses 80 gigabites, é preciso jogar alguma memória fora para colocar a nova no lugar. fez sentido?) e como a minha memória tinha apagado a viagem de veneza, ou pelo menos os detalhes, a viagem de agora foi bacana para substituir uma memória que estava meio falhada.) caráio, e os casais lá do título? ok, esses três dias em veneza, e uma caráiada de taças de vinho num frio infernal, me permitiram observar atentamente a cidade e as pessoas que lá estavam. a primeira impressão é que não existem venezianos. apenas turistas. e não estou exagerando, é punk mesmo. acho que para 10 turistas, deve ter 0,8 veneziano (a). a segunda impressão é de que todos que lá estão-- são casais. não existem pessoas solteiras. se você encontrar algum, conte até dez que uma pessoa, marido ou mulher aparecerá de algum lugar com um café na mão ou um cigarro no finalzinho. é casal. é turista. além disso, notei que todos os casais, todos, ok, quase todos estavam sempre abraçados. ou dando beijos, ou tirando fotos com o braço esticado. sempre sorrindo, sempre de mãos dadas. é impressionante. não se vê homem nervoso brigando ou mulher estressada dando chilique. todos os casais aparentam estar em harmonia quase que em câmera lenta. e eu acho que sei porque. pelo simples fato que em veneza você está ilhado. não tem essa de uma mulher dar um chilique e ir para qualquer lugar. ela está cercada de canais, sem carro. portanto acho que de alguma maneira o cérebro do ser humano se ajusta uma vez que as pessoas entram em veneza. em veneza o cerébro filtra comentário que possam gerar brigas. o cérebro ignora o marido que palita os dentes em pleno restaurante. finge que não vê a mulher comprando seis pares de sapato. é, porque o cérebro sabe que qualquer bosta que acontecer ali. não tem muita saída. de um lado um canal, do outro, um outro canal. confesso que vi, do outro lado do restaurante em que estávamos, um casal discutindo brevemente. o homem olhou para a bunda de uma mulher que passara. a mulher ameaçou brigar. mas só ameaçou. em um milésimo de segundo, ela parou, respirou fundo e ficou tranquila. passei três dias em veneza essa semana. tinha ido uma vez quando era moleque.

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

a teoria da tv no restaurante




não importa o que estiver passando, as pessoas olham. as pessoas assistem. canso de ver casais quase brigando. a mulher olhando para o marido sem saber ao certo o que ele está assistindo. as vezes ee um jogo da segunda divisão do campeonato inglês. as vezes é a reprise de um jogo de boliche. não importa, o cara não consegue tirar o olho da tv. mesmo quando o casamento dele está em jogo. pode notar, entre num restaurante desses com um telão numa das paredes ou mesmo uma tv pequena de quatorze polegadas. o cara arruma um jeito de driblar a mulher ou namorada e sentar de frente ou pelo menos de lado para a tv. a partir daí, é um olho no prato, na poça de ketchup para acertar a batata e um outro na tv. a mulher é um pouquinho paciente de vez em quando. e não pergunta coisas muito importantes. segura a onda. mas tem mulher que se quiser puxar uma briga sabe, é só fazer perguntas bem importantes relacionadas com o futuro do casal -- para dar bosta. o cara não vai responder na primeira. na segunda vez. muito menos na terceira. aí a mulher vai levantar, vai mandar ele tomar no cu e vai embora. tudo culpa da tv.

o croquete da mulher do seu jaime

um tempinho atrás escrevi aqui ou no guia fucking fuckers sobre os croquetes mais saborosos de todos os tempos. que são servidos numa pequena tasca na rua das flores. bom, mas agora, depois de seguidos comentário do juan christmann, o redator argentino fã número 1 dos croquetes da mulher do seu jaime, venho aqui deixar registrado que os croquetes dela realmente são de foder. de foder não, porque é uma falta de educação falar assim com esse palavreado. mas são excelentes. acima da média, muito acima da média. fica na rua das gáveas perto da praça de camões. acabam rápido, porque o seu jaime não é um restaurante é quase um mini bar com um mini balcão. por isso eles duram vai, umas duas, três horas. vale a pena correr para pegar a primeira fornada. quando a mulher do seu jaime chegar, acho que é lá pelas 7, 8 da noite. vale muito a pena.

dia desses fui ver um apartamento.



que ficava no quarto andar. sem elevador. subi um lance da escada. mais um. respirei fundo. subi o terceiro. me apoiei na parede. e finalmente consegui reunir todas as forças para chegar ao quarto andar. ao final da visita o carinha da imobiliária perguntou:
- fora aquela luz da cozinha que podemos mudar, o que você achou?
e eu:
- e os quatro lances de escada, tem alguma coisa que podemos fazer sobre eles?


a teoria dos triângulos e queijos. ou queijo no formato triângulo.

não é minha. encontrei na internet esse quadrinho. um cara reclamando com a subway da maneira que a lanchonete arruma os pequenos triângulos de queijo. não sei se você costuma ir ao subway. como já escrevi aqui algumas vezes, o subway tem uma presença relativamente interessante aqui no dia a dia da firma. não é todos os dias. não. mas é de vez em quando. e, depois que eu encontrei esse quadrinho fui ao subway e pedi um sanduíche desses que vem com queijo, pedi também o tal do queijo extra que o cara oferece (e, que se você não negar com todas as forças-- ele coloca no seu pão). bom, fui lá, e faz todo o sentindo. a teoria está aí embaixo.




terça-feira, fevereiro 19, 2008

o adoçante de bolinha e o esquema do café.

em portugal, adoçante existe no formato de bolinha. não é o pó ou a gota como no brasil. até tem o pó, se você procurar. mas o esquema da bolinha predomina. imagina uma bolinha do tamanho de um arroz, só que redonda. duas bolinhas, têm um poder de adoçar igual a um saquinho de adoçante do brasil. três bolinhas, umas nove gotas de adoçante no brasil. é mais ou menos por aí. o engraçado do esquema da bolinha é que o pessoal do café aqui não coloca na mesa como no brasil. você pede um café e vem sempre com um saquinho de açucar ao lado. a moça do outro lado do balcão não coloca os dois, o açucar e o adoçante. apenas o açucar. bom, e aí, só se você pedir é que a moça retira o saquinho com o açúcar e coloca no lugar um saquinho com duas bolinhas. acho que a idéia, o jeito de lidar com as bolinhas de adoçante tem uma razão. com adoçante, o café realmente fica pior. os puristas argumentam até que fica uma bosta. então cheguei a conclusão que o português que trabalha num café está apenas sendo gentil. ele espera até o último minuto para te dar um adoçante. ele tem, mas quer te dar a chance de saborear um café (que é muito bom aqui por sinal) sem a porra da bolinha fudendo o sabor. o adoçante de bolinha e o café português. não foram feitos um para o outro. só se você insistir bastante.

o cartões de visita que não eram

meus cartões de visita tem o meu telefone do trabalho errado. na época que foi feito não estava errado. mas mudei de sala, e o telefone não acompanhou. tudo bem, sem dramas. mas o cartão de visita, se você pensar, tem como propósito estabelecer um link, uma conexão, uma maneira da pessoa entrar em contato com você. mas por esse pequeno detalhe, o meu cartão de visita passou a ter a função exatamente oposta. a partir de agora eu só vou dar ele para quem eu deifinitivamente não tenho planos de falar novamente. o primeiro cartão de visita que não é um.

4 o pior da chuva não é.... é

o pior da chuva não é pegar chuva na cabeça. é pegar chuva no pé. você fica o dia inteiro com o pé molhado.

o pior da chuva não é o barulho da goteira na cozinha. é acordar de manhã com um frio do caralho e ter que se ajoelhar para secar.

o pior da chuva não é a poça d'água que o carro passa em cima e joga em você. é escorregar na pedra portuguesa que vira gelo quando tem água em cima.


o pior da chuva não é ter que carrega o guarda-chuva aberto. são as pessoas fechando o gurda-chuva dentro do metrô ou do ônibus e espetando acidentalmente o seu olho.

dois lugares com nomes inteligentes.

aqui em portugal, a cervejaria trindade. e nos estados unidos, o cheesecake factory. o primeiro pelo simples fato de ter no seu nome, cervejaria-- trindade. você entra e não pensa duas vezes na hora de fazer o pedido da bebida: "uma cerveja, por favor." o segundo, por ter o nome de uma sobremesa. ninguém consegue ir comer no cheesecake factory e não pedir sobremesa: "um cheesecake, por favor. fatia grossa."

o espelho ou a calça jeans, quem é mais sincero?

acho que a calça jeans. por um motivo simples, calça jeans não olha você no olho. espelho sim. portanto se você estiver acima do peso, com uma pança bacana, o espelho até mostra mas não diz com todas as palavras. calça jeans não. é bem mais sincera. calça jeans é fêla da puta. basta um movimento como amarra o tênos para ela te falar, ou sussurrar no seu ouvido: "mas tu tá bem acima do seu peso hein fera." por isso, se você um dia entrar numas de sei lá, pere um peso, um kilo que seja, não pergunte para a esposa ou marido. muito menos para o espelho. pergunte a calça jeans.

quinta-feira, fevereiro 14, 2008

três "foi a maneira que inventaram de..."



cabelo de nariz daqueles grande que escapam alguns centímetros da narina --foi a maneira que o seu corpo inventou para dizer que você ligou o foda-se e já não tem tanta certeza se quer viver numa sociedade.


vinho da casa é uma maneira que inventaram para você não ter vergonha na hora de dizer em voz alta: "o vinho mais barato por favor."


água com gás foi a maneira que inventaram de você ter certeza que a sua água não veio da pia.

point it.



sabe aquelas idéias que você vê e pensa: "pourra, porque eu não pensei nisso antes!" ? então, esse livro é isso. alguém viu um estrangeiro em algum país com dificuldade de falar a língua e apontando para o cardápio por exemplo. aquele cara que está num café em paris e não fala a língua. aí, aponta para a foto da taça de vinho do cardápio. o garçom olha para a foto e pronto. o pedido está feito. o mesmo funciona com uma caráiada de coisas. você quer revelar o filme na islândia, aponta para o rolo da máquina fotográfica e um sujeito aponta para uma loja na esquina. e por aí vai. com as fotos, objetos certos, você consegue qualquer coisa. esse é o livro, "point it". cabe no bolso. pequeno. tem uma frase na frente que diz que já vendeu mais de dois milhões de exemplares. eu comprei um hoje. a mulher perguntou se eu queria mais alguma coisa. e eu, bom, eu apontei para ele.

uma ligação do telemarketing.




- bom dia, sr. erick?
- isso. sou eu. bom dia.
- bom, estou a ligar pois o senhor acumulou muitos pontos com o seu telemóvel.
- que bom.
- muito legal mesmo. então, gostaria de comunicar que por isso mesmo, você ganhou um prêmio.
- prêmio, prêmio?
- isso, um prêmio.
- ah que legal.
- isso é que dá, o senhor acumulou muitos.
- e o que eu ganho?
- um telemóvel!
- um telemóvel.
- isso com mp3, câmera fotográfica.
- opa, e em que lugar em posso retirar esse telemóvel? numa loja?
- isso.
- vou tentar ir lá hoje.
- 369 euros.
- como?
- 369 euros.
- não estou entendendo.
- o preço do telemóvel.
- mas eu não ganhei um prêmio?
- ganhou, acumulou muitos pontos.
- e 369 euros?
- é que o telemóvel custa 1000. o senhor vai pagar a diferença.
- por um telemóvel que eu não preciso?
- mas ele tem mp3 e câmera fotográfica.
- e custa 369 euros.
- não, custa mil. mas o senhor acumulou pontos.
- pontos.
- muitos pontos. mas é que eu não preciso do celular. se fosse de graça é outra coisa.
- apenas 369 euros.
- apenas?
- muitos pontos o senhor acumulou.
- mas eu posso não usar esses pontos e bater o recorde de pontos não usados do mundo?
- acho que sim.
- então eu vou fazer isso.
- acumular pontos?
- isso, vou quebrar o recorde mundial.
silêncio.

datas e o acordo.

o namoro começa numa data. o casamento quase com certeza acontece em outra. ah, e tem a data que o casal se conheceu. também, as chances das três datas se coincidirem, são nulas. tem casal que tem outras datas. a data em que aconteceu o pedido de noivado. o foda depois é comemorar todas elas. tem casal que eu conheço que segue esse esqueminha. comemora todas as quatro datas. eu não consigo sequer lembrar datas de aniversários de familiares próximos. de vez em quando a minha mãe dá uma mão e me liga do brasil para dar um alerta. avisar que aquele dia é o aniversário da avó ou da minha irmã. bom, chegou uma hora, um momento, ou melhor, um dia que eu não lembrava mais das datas. não, chegou um dia em que eu pulei alguma data, a do pedido do noivado acho. e também já não conseguia entender ao certo como dar presentes. era num esquema crescente? tipo, dia dos namorados algo simbólico, dia do noivado, algo um tiquinho melhor e dia do casamento, aí nesse dia era o dia de dar aquele presente fucking fuckers e entrar no cheque especial? bom, não estava funcionando. e foi aí que lá em casa rolou um tratado em que todas as datas foram unidas e passaram a ser celebradas no mesmo dia, o dia do casamento. a aliança com a data gravada no lado de dentro ajuda. as fotos do dia do casário ajudam. tudo conspira para você não esquecer. digo isso tudo porque vi hoje pelas rua de lisboa uma porção de caras, de namorados correndo. todos com pressa. comprando a primeira coisa que encontravam ao lado do caixa das lojas. milhares de pessoas, ok, centenas de pessoas que esqueceram que hoje era dia do namorado. no brasil, por motivos mercadológicos é em junho. o que fode ainda mais a cabeça de um brasileiro que mora aqui em portugal. mas é isso. se você é casado ou casada, chegue em casa hoje e chame ela ou ele para conversar. diga que você teve uma idéia. ou que você leu em algum lugar a história de unificar todas as datas. e parar com essa coisa, esse drama, dos presentes proporcionais a data em questão. a pessoa do outro lado da conversa, principalmente se for a mulher, vai fingir estar magoada. vai falar com uma cara levemente tristonha que gostava do esquema de comemorar todas as datas. todas as cento e vinte e sete datas. mas não fique abalado. no fundo no fundo, por trás daquela carinha de tristonha, ela vai estar gritando de felicidade. ela sempre quis falar algo semelhante para você. mas tinha medo que você achasse que ela era um tanto insensível. o namoro começa numa data.

terça-feira, fevereiro 12, 2008

mulheres e homens. 4

mulheres conhecem a marca de mais do que cinco shampoos. homens conhecem uma, talvez duas.
mulheres acordam mais tarde no sábado. homem dormem mais tarde no sábado.
mulheres demoram mais para escolher a comida no restaurante. homens demoram mais para escolher onde estacionar o carro na frente do restaurante.
mulheres sabem o nome dos 4 filhos do brad pitt e da angelina jolie. homens sabem o nome dos últimos quatro filmes da angelina jolie.
mulheres adoram festas de casamento. homens, de festas de churrascos.
mulheres amam pastinhas de queijo. homens amam queijo.
mulheres têm uma lista de 400 nomes para a festa de casamento. homens tem mulheres com uma lista de 400 nomes para a festa de casamento.
mulheres sabem de cor a lista da festa. homens sabem de cor a escalação do seu time de futebol.
muheres podem achar esse textinho machista. homens não, podem até argumentar que, muito pelo contráio, que ele até pesa em favor das mulheres.

a vizinha. 3

impressionante. já escrevi aqui que a minha vizinha é a maior cão de guarda do bairro. nada passa por ela. se você chegar em casa de taxi e o carro ficar parado com o motor ligado digamos uns 38 segundos por alí, ela trata de abrir a janela da casa e fica olhando lá para baixo. um olho no taxista e um outro em quem vai sair pela porta. se você colocar o lixo para fora, mas fizer barulho, também. antes mesmo de dormir, a noite, quando estou na sala de casa vendo tv, vejo ela pela janela colocando a cabeça uma última vez pela janela. como se quisesse dar uma última espiadela na vizinhança. como se quisess ter certeza que está tudo bem antes de dormir. nunca acenei para ela. não é medo do olhar fulminante dela. não, me cago de medo que ela possa cobrar uma grana de mim. pelos serviços de segurança até hoje prestados. a minha vizinha é um dos grandes benefícios de morar na minha rua. tenho receio também da dona do meu apartamento cobrar um preço extra, aumentar o aluguel. com um esquema como estes da vizinha que cuida do bairro, "nada mais natural", diria ela. impressionante.

diálogo rápido e um omelete sem queijo num restaurante que tinha queijo.

o garçom chega e eu faço o pedido:
- omelete?
- sim.
- de fiambre?
- não, presunto.
- pode colocar queijo?
- hmmm, não.
- omelete de presunto então.
dois minutos depois chegam as bebidas e o garçom carrega consigo na outra mão, uma cesta com pães e um mini prato com queijo fatiado em cima. ele enumera os itens enquanto coloca cada uma deles sobre a mesa:
- pão, água com gás, manteiga e queijo.
e eu ao olhar ali para o queijo, pergunto:
- mas, tem queijo?
- isso, sim, claro. pão, mateiga e queijo.
- mas e no omelete?
- tarde demais, já está pronto.
- mas?
- mas alguma coisa?

pushing dasies.

o personagem principal tem o poder de ressucitar as pessoas com um toque. mas, se tocar nelas uma segunda vez, elas morrem de vez. no primeiro episódio, ele ressucita com um toque no rosto, a mulher que é o amor da vida dele. e não pode nunca mais tocar nela.

meio mela cueca. mas puta seriado bem feito e bem escrito. se você teve semanas da sua vida sequestrados por 24 horas, lost, e mais um punhado de seriados bem fêla da pulta que foderam o seu tempo. eu daria uma chance a esse aí do título. fucking fuckers.

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

alguns nao entendo.

- não entendo taxista que fica putinho quando você educadamente sugere um caminho para ele.

- não entendo como ainda não deu merda esse esquema das pessoas não pegarem o cocô do próprio cachorro em lisboa.

- não entendo porque pessoas marcam reuniões no almoço.

- não entendo porque pessoas respondem "reply all" quando recebem um email endereçado a mais de 25 pessoas.

- não entendo como é que uma pessoa consegue não comer doce de leite até se afogar no próprio doce.

- não entendo como é que ainda não inventaram um esqueminha mais bacana do que aquele de colocar todos os passageiros de um avião depois de 10 horas de vôo, em dois ônibus até o terminal--na hora da chegada.

lave as mãos então porque o jantar está na mesa.

alfândega é um daqueles empregos que são no mínimo curiosos. mulher pergunta: "amor como foi o dia hoje lá na alfândega? teve que revistar muitas malas?" e o cara responde: "ah, o de sempre, peguei umas 452 cuecas, 390 pares de meias, algumas calcinhas grandes, algumas pequenas, uma barra de chocolate mordida enrolada no papel laminado, 300 gramas de maconha, e um vidro de perfume estourado." e a mulher: "452 cuecas? lave as mão então porque o jantar está na mesa."

a teoria das roupas sujas. ou gremlis, doce de leite, meias e cuecas.

você assistiu gremlins? com o gizmo? aquele bichinho mais fofo da história do cinema que quando em contato com a água, se multiplica? mas se multiplica de uma maneira que, o que sai de dentro dele é bem malvado? uns bichinhos verdes? caráio, fiz um monte de perguntas. mas não desista deste textinho, ele está indo em alguma direção. ou pelo menos essa é a idéia. ao fim de uma viagem que fiz de 8 dias, cheguei a conclusão que roupas sujas quando em contato com outras roupas sujas, expandem. explico. levei uma mala pequena-média. e no último dia, não cabia tudo lá dentro. tive que comprar uma mala idêntica para levar a roupa que escoava pelos lados. você deve estar aí pensado: "mas ele deve ter comprado alguma coisa?" não, não comprei nada. ok, uma só latinha de doce de leite e uma camiseta. e só. mas a mala explodiu. talvez a minha teoria esteja errada. não é o contato de roupa suja com roupa suja que dá merda. mas o contato de roupa suja com uma lata de doce de leite. mas alguma coisa acontece. preste atenção no fenômeno. e fique esperto para não ser de última hora. ou você terá que socar aquela sua mochila tão bonitinha em que você leva a sua câmera digital, com uma caráia da cuecas e meias num estado meio, digamos, mais ou menos.

quando sobram duas cadeiras.

o sonho de todo ser humano quando este não viaja na classe executiva ou na sua irmã mais abastada, a primeira classe, são as duas cadeiras livres. a dele, do passageiro, e aquela ao lado. se ele comprou a do corredor, a da janela. e vice-versa. o corredor é bom para não ficar refem na hora de fazer xixi. a janela para poder encostar a cabeça nela e dormir. mas aím quando as estrelas se alinham, e ninguém aparece na cadeira ao seu lado, aí meu amigo, é o mais próximo do paraíso que você vai chegar. pelo prazer, e pela altitude também. não é ideal. mas é quase perfeito. e o mais engraçado é que apesar de ser impossível deitar o corpo inteiro no espaço de duas cadeiras, as pessoas se esparramam e se encolhem ao mesmo tempo como se estivessem deitadas em camas king size master de um hotel 5 estrelas. e aí é aquela coisa, o carrinho da comida batendo no seu pé. o tiozinho que vai ao banheiro de madrugada levando a sua perna junto e você ali, jurando que está no melhor dos mundo. com duas cadeiras só para você. aconteceu comigo esses dias. foi emocionante. no momento em que escutei a voz do comandante pelo alto-falante dizendo que as portas do avião já estavam fechadas, catarro começou a escorrer do meu nariz, e lagrimas gordas faziam fila indiana no canto dos meus olhos. uma senhora na fileira ao lado olhou para mim e comentou baixinho com a filha, só com o movimento dos lábios: "deve ser saudade... avião decolando tem dessas coisas." e eu ali, com a perna esquerda dobrada sobre a cadeira do corredor e o corpo inteiro ocupando a cadeira da janela.

terça-feira, fevereiro 05, 2008

5 leis para aviões

- nenhum cia. aérea deveria passar um filme que dura mais do que o vôo. da argentina para o brasil, assisti 97% de bourne ultimatum.

- o assento ao lado do banheiro do avião deveria ser transformando em qualquer coisa menos assento. a localização proporciona odores e sons não muito agradáveis.

- duty free shop deve ser exclusividade de aeroportos. não faz sentido uma mulher vender perfume dentro do avião entre o jantar e o café. mostrando os produtos com uma lanterninha presa entre os dentes. ou os caras estão desesperados para fazer um dinheiro extra ou os caras estão desesperados para fazer um dinheiro extra.

- uma cia. aérea nunca deve chamar os passageiros para entrar no avião só para passar a impressão que o vôo não está lá assim tão atrasado. o meu vôo era para sair meio dia. quandoo relógio marcava 11 e 45, chamaram a fila. e aí só 12:48 que foi possível entrar no avião. mas, como estávamos lá em pé desde 11 e 45, ninguém registrou o atraso. esqueminha bem fêla da puta.

- e finalmente, como não é permitido entrar no avião com desodorante com mais de 75 ml. a cia. aérea deveria entregar de brinde uns frascos pequenos, miniaturas. procurei uns pequenos na loja do aeroporto e nada. bom, e aí você sabe. o cheiro pela manhã na chegada é complicado. a aeromoça com nojo de servir o café e você ali com certeza que você é a fonte do horror.

a rivalidade maior

todo brasileiro nasce com a argentina entalada na garganta. o problema é o futebol. o maradona e o simeone. o primeiro porque jogava bem. o segundo porque era um filho da puta. e como o esporte, o futebol é jogado por 9,9 entre 10 crianças, a rivalidade cresce todos os dias. mas é uma injustiça. os argentinos são gente boníssima. menos os torcedores de futebol em época de copa do mundo e final de taça libertadores, claro. nessas épocas, realmente é complicadíssimo dividir uma mesa de bar com eles. mas tirando isto, eles são bem bacanas. as pessoas, o país. se você leu o post logo abaixo sabe que passei uns dias na argentina essa semana. e confesso que depois de comer em churrascarias argentinas três vezes ao dia, tenho que afirmar com todas as palavras que não existe carne similar no brasil. não existe. pode procurar. se você encontrar, pergunte para alguém na rua em que país você está. sem querer você cruzou a fronteira com a argentina. então a moral da história é mais ou menos assim: o pelé é melhor que o maradona? tudo indica que sim. a churrascaria brasileira é melhor do que a argentina? nem fudendo.

os restaurantes de são paulo e o epcot center.

quando eu morava em são paulo comia sempre em restaurantes argentinos e bebia cerveja em bares portugueses. bom, essa semana fui passar alguns dias em buenos aires na argentina e em são paulo. resultado, fui comer nos restaurantes que deram origem aos restaurantes argentinos que eu frequentava em são paulo. e quando voltar pra lisboa, vou tomar uma cerveja nos bares que deram origem ao bar que eu vou tomar um chopp hoje aqui em são paulo. bar, que como disse lá em cima, é feito nos moldes dos portugueses. o que me fez lembrar o epcot center. parece estranho. mas faz sentido. não sei se você já foi ao epcot. eles têm ou pelo menos tinham uma miniatura do mundo. uma miniatura de londres. uma miniatura de roma e por aí vai. são paulo é a epcot center do mundo gastronômico. e basta você visitar os originais, para ver como é tudo muito bem feito. copiado a risca.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

a teoria dos ovos mexidos.

comi hoje cedo ovos mexidos no hotel em que estou. já notou como todos os hotéis do mundo têm o mesmo negócio de ferro com aquela tampa redonda socado de ovos mexidos dentro? e quase sempre, tem o mesmíssimo sabor? mas não era sobre isso que eu queria falar. mas da teoria dos ovos mexidos. a razão por sua existência. e baseado numa experiência própria. eu não consigo fazer um ovo estrelado em que a gema não quebra. não consigo. tentei 100987 vezes e acertei umas 6. em todas as outras, os dois ovos estrelados viraram mexidos. meti o colherzão no meio e pimba, transformei o acidente num ovo mexido. tenho certeza que ovos mexidos nasceram assim. das mãos de alguém com pouquíssima habilidade com uma frigideira. só pode ser. não tem outra explicação. ok, existe. a preguiça. a preguiça de ficar lá tentando fazer o ovo estrelado perfeito. com a clara quase 100 por cento cozida e a gema quase mole. é foda atingir essa perfeição. conheço umas duas pessoas no mundo que conseguem um ovo sem a melequinha na clara e a gema quase mole. pensando bem, acho que não conheço ninguém. então é isso, ou foi por acidente ou preguiça. a teoria dos ovos mexidos.

o gps de lisboa.

todos os taxis tem gps em lisboa. alguns carros também. mas o meu gps é diferente. não é um dispositivo eletrônico que se compra na fnac. não. o meu gps é muito simples. é o trilho do eléctrico. em lisboa, os trilhos permanecem colados no asfalto desde sempre. e como você sabe, trilhos estão lá para levarem algum veículo ao seu destino. então é fácil. estou perdido em lisboa. olho para o chão, busco os trilhos e vou atrás. dia desses com um carro, perdido, mas perdido com vontade de chorar, me salvei com os trilhos. olhei para o chão, trilho. olhei para a plaquinha acima, eléctrico (bondinho) 28. ou seja, aquele trilho era o trilho do 28. e eu estou cansado de ver o 28. sei por onde ele passa. seu trajeto. segui o trilho e em uns 10 minutos estava de volta a civilização. se você tem uma disfunção como eu, em que não consegue decorar mais do que 4, 5 caminhos no hd do seu cérebro e mora em lisboa. foco nos trilhos.

dieta da proteína e a vitrine de pastéis de nata.

não faz muito sentido. poder comer toda a carne, queijos, ovos e frios que você quiser. não faz sentido nenhum. mas funciona. já li a teoria por trás da história toda, mas não deixa de ser estranho. bom, depois de 9 meses em portugal comecei a sentir o efeito de todos os pastéis de nata, porco preto etc e tal. uma das minhas calças jeans me dedurou. uma camisa de botão também. todos os botões. aí fucei na internet e parti para o esquema das proteínas. quem sabe não funciona mais uma vez. um, dois, quem sabe até uns três quilinhos. mas foi ao passar por uma vitrine dessas de lisboa coberta com pastéis de nata, aqueles com a casquinha levemente queimada que cheguei a conclusão que a dieta da proteína que resolvi seguir-- não tem nenhum lado estético. não é para ficar com uma barriga mais retinha. não, é para que eu possa fazer um rewind no tempo e comer novamente, uma segunda vez, tudo aquilo que experimentei em portugal desde que cheguei. faz sentido. a dieta é que não faz muito.

12 horas, o truque e o avião.

pegar um vôo de 12 horas não é lá fácil assim. 12 horas são 12 horas. peguei ontem um desses. depois de uma conexão. mas desde sempre descobri um truque para fazer o tempo passar mais rápido. não é optar pelas duas taças de vinho quando o carrinho da comida passar. não. o truque é mais simples. é não dormir na noite anterior. parece bobo, mas funciona. primeiro saia para jantar. depois assista um filme. quando um dos olhos ameaçar a fechar, coloque um outro filme. tem que ser um drama, tipo babel. daqueles que você precisa ficar acordado para entender os flashbacks. aí quando você olhar para o relógio e ver que já são quase 3 da manhã, abra uma garrafa de vinho. tome uma, duas taças. uma sobremesa talvez. tente convencer a sua mulher que é importante ficar acordado. esta talvez seja uma excelente oportunidade para colocar o papo em dia. coloque o papo em dia rapaz. quando estiver prestes a amanhecer. você vai dormir. de pança cheia. um pouco alegre pelo vinho e com mais uns dois filmes e meio no hd do seu cérebro. isso é bom, porque o alarme vai tocar em uma hora. você vai levantar meio grogue. faz parte do plano. aí você vai para o trabalho. com o mesmo ritmo de sempre. ah, deixe a mala pronta em casa antes de sair para o trabalho. você vai passar esse dia meio zumbi, morto-vivo. mas tudo bem, faz parte do plano. aí meu amigo, quando chegar a hora de embarcar num vôo de 12 horas de duração, assim que você encostar na cadeira do avião. o seu corpo inteiro aplaude e dorme até o piloto anunciar que o vôo está prestes a pousar. funciona sempre. ah, mais uma dica, faça duas, três vezes xixi antes de sentar na cadeira do avião. porque se você tiver que acordar no meio da noite para encarar uma ida ao banheiro no avião, pode foder o esqueminha. e talvez não consiga mais dormir. bom, taí, como dormir 12 horas seguidas. e fazer de um vôo de 12 horas a maior moleza da história.

terça-feira, janeiro 29, 2008

barba por fazer e o emprego.

deixei a barba por fazer como quem quer parecer que não faz a barba desde segunda. isso, se for quarta feira. aquela barba de dois, dois dias e meio. emagrece,alguém me disse: "vai por mim, perdi quase um quilo quando deixei a barba assim." ou pelo menos é o que algumas pessoas acham. bom, e lá estava eu hoje andando pelo chiado aqui em lisboa depois do almoço com a minha mulher quando ela encontrou um conhecido. ela me apresentou. aperto de mão. olá. olá. tchau. tchau. e quando estávamos nos despedindo mesmo, nos finalmentes. cada um para um lado. ele para a direita da rua e nós dois para a esquerda, ele comenta baixinho, educadamente, para a minha mulher: " é, o seu marido está precisando de um emprego... eu conheço algumas pessoas...." ela agradeceu e disse que não, que eu estava empregado e tal. e foi aí, que eu descobri que a barba de dois, dois dias e meio tem dois efeitos. primeiro, como meu amigo disse: tira quase um quilo da sua fisionomia. esconde as bochechas. e agora, como fui informado hoje, a barba por fazer me deixou com a aparência de quem passa o dia como diríamos no brasil, coçando o saco. num estado de férias permanente. deixei a barba por fazer como quem quer parecer que não faz a barba desde segunda. amanhã eu faço.

o truque da panelinha de cobre.




não sou zura, egoista. nenhum pouco. muitas vezes sou até um péssimo pesquisador de preço. e pago mais, sem querer é claro, por algum produto zambers. mas hoje fui almoçar num lugar que vou de vez em quando. aí vi no cardápio "ovos estrelados com presunto ibérico". o preço era o mesmo de um prato fucking fuckers. beleza. fiquei curioso. aí o prato chegou. um ovo estrelado, duas fatias de presunto e batatas fritas embaixo dele. matei em uma, ou talvez duas garfadas. ok, matei em três, três garfadas. não devolvi o prato é claro, era o que estava escrito no cardápi: ovos estrelados. e foi ao olhar para a caráia do prato em era servida a comida para entender o porque do preço. a panelinha. uma panelinha de cobre. mini paneliinha que finge ser um pratinho. toda cheia de estilinho. estava lá não pagando pelo ovo que já não existia no meu prato. mas pelo estilo. pelo simples gesto de estar almoçando não com um simples prato na minha frente. não, uma panelinha de cobre. esse é o truque da panelinha. se você ver alguma saindo da copa, da cozinha na direção do salão, pergunte para o garçom que prato é aquele. aquele que ele estava segurando e é servido naquela panelinha tão bonitinha de cobre. aí, quando ele revelar o nome do prato. você pde outro.

o ac/dc e o darwin.



quando eu era moleque tinha uma caraiada de lps de bandas de rock. depois passei a ter cds, o que eliminou grande parte dos lps. o que aconteceu, foi que eu substitui os lps que eu mais gostava por cds dos mesmos. e neste processo, claramente, alguns lps não ganharam um espaço na minha estante em forma de cds. o que é natural, afinal alguns lps eram de bandas que eu já não gostava tanto. aí o tempo passou. os cds, é o cds começaram a passar pelo mesmo processo dos lps. começaram a ser substituidos por mp3s. arquivos de mp3. um formato digital que se vive no seu itunes e naquele ipod que você tem ligado a algum som de casa. e aí, chegou a vez de alguns cds não ganharem espaço no meu hd. a falta de memória ou mesmo o bom senso faz com que você eleja apenas aqueles antigos que você realmente mas realmente gostava mesmo. então tem uma caráiada de cds que não existem mais hoje no meu computador ou mesmo no ipod lá de casa em forma de mp3. e vendo assim, fazendo um rewind, indo e voltando. 1980 e tal. 1990 e tal. e até hoje em dia, cheguei a conclusão que existe uma banda que conseguiu passar os últimos vinte e tra lá lá por perto. seja como lp, cd ou mp3. o ac/dc. a banda mais fucking fuckers de todos os tempos. mete um "who made who" no itunes e um repeat para sentir o drama do negócio.

mojito e a mesa que você não tem reservada no lucca de propósito.




não sou lá assim fã fã do mojito. gosto. o que é diferente. mas tenho notado que as minhas papilas gustativas passaram a apreciar bastante tal bebida com origem cubana. acho que foi quando o meu cérebro mandou a mensagem de que ele, o cérebro, estava farto, das caipirinhas e sua prima caipiroska. não sei ao certo que dia foi, mas certamente teve um dia que depois e um gole em uma caipiroska, devolvi o copo para a mesa. caipirinha, e caipiroska para quem nasce e vive a grande maioria da vida no brasil-- são as bebidas fortes, digamos oficiais. ou seja você toma muita vezes. e as chances de enjoar, bem, são grandes. e é aí que entra o mojito. com as sua quantidade farta de folhas de hortelãs. tanto hortelã para deixar qualquer koala com inveja. taí, se o koala fosse aceito na nossa sociedade, pediria sempre um mojito no seu happy hour. mas voltemos ao mojito. aqui em portugal, o mojito, é vizinho no cardápio da caipirinha. encontrei ele na linha logo abaixo. bom, aí eu resolvi escrever aqui o lugar do melhor mojito que eu já tomei em portugal. em lisboa, pelo menos. fica lá no restaurante lucca. italiano meio moderno e sempre cheio. e que por ser assim, tão cheio, sempre convem pedir um mojito enquanto você espera pela sua mesa. um mojito enorme. com gelo picado por uma britadeira. e folhas de menta verde daqueles de quando o hulk fica um tanto nervoso. faz o seguinte, dê um pulo no lucca. sem reserva mesmo. a chance de você conseguir uma mesa é praticamente zero. aí, quando o maître disser que não existe mesa para aquela noite. você aterriza o cotovelo direito sobre o balcão diz: "não tem problema." e pede um mojito. o bom desta cena é que como você não vai estar ansioso para sentar e jantar, vai poder aproveitar o mojito do lucca com mais tranquilidade. vai por mim. mas também, se você não curtir o tal mojito não fique magoado (a) comigo afina como eu disse lá em cima na primeira linha: não sou lá assim fã fã do mojito. gosto. o que é diferente.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

o dia a dia a dia a dia.

sou contra rotinas. mas ao mesmo tempo sou fã fervoroso delas. explico. sou contra rotina imposta por coisas que você não tem lá assim muito controle. exemplo: pegar o trânsito todos os dias, é uma rotina que dá no saco. você precisa seguir ela pois sem ela você não chega no trabalho. se não chegar ao trabalho não recebe o seu salário e sem o salário, não paga as contas. simples assim. mas gosto de rotinas daquelas que é você o grande responsável por elas existirem. exemplo: ler o jornal no sábado pela manhã. ou, tomar dois cafés todas as manhãs. o primeiro com leite, o segundo sem. não troco essa rotina por nada. não importa por exemplo se eu estou na china, em portugal ou no brasil. sempre dou um jeito de me cobrir de jornais num sábado de manhã. rotinas assim, dessas em que você é o responsável, são importantes. são elas que definem sábados pela manhã, domingos fim de tarde e terças de feriado. rotinas ruins e as boas. as duas são igualmente importantes. a primeira é uma bosta. mas faz a segunda ficar muito mais legal. experimente abrir um jornal novinho daqueles cheio de cadernos num sábado pela manhã para entender o que eu estou falando. mas tem que ser um jornal novinho e com um café daqueles que solta fumacinha. e aí, quando você estiver socado, preso numa sala de reuniões, numa parte da rotina ruim, você pensa no sábado. e lembra do jornal.

a sobremesa que mais trabalha no mundo.




a bola de sorvete de baunilha. o gelado de baunilha aqui de portugal. o vanilla dos eua e de onde o inglês é falado. a bola de sorvete de baunilha é a sobremesa que mais trabalha sem dúvida. você pode até argumentar que o bolo de chocolate, a torta de mousse, ou qualquer outra variação achocolatada esteja mais presente. o que pode ser verdade em alguns lugares. mas na esmagadora maioria das vezes não passa de um caso isolado. muito isolado. se em portugal se come o leite de creme, na frança o creme brulê e no brasil o quindim e a própria mousse, a bola de sorvete de baunilha estará sempre lá. sempre. sempre como coadjuvante. ou como terceiro ingrediente do pacote. não tenha dúvidas. basta passar o dedo indicador por qualquer cardápio de sobremesa para comprovar essa teoria. as vezes, só as vezes, para dar uma mão para sobremesas menos queridas, experimento outras. assim, quase sem querer dou uma folga. um dia pelo menos para a bola de sorvete de baunilha. tenho um pouco de pena da bola de sorvete de baunilha. coitada. é comida, devorada com bolos, tortas, mousses, caldas, biscoitos ou mesmo sozinhas. em dupla, tripla, as vezes num pote inteiro. ela sofre. quem mando a fêla da pulta ser gostosa assim.

o truque ben harper.

o truque ben harper no momento em que ele acontece.


nada contra o ben harper. curto. acho legal. tenho lá o fera no meu itunes. aquela "diamonds on the inside" tem uns 726 no play count. ou seja, gosto. mas agora com essa música nova da vanessa da mata "boa sorte/good luck" que toca sem parar na rádio, cheguei a conclusão que existe um truque do ben harper. é um truque relativamente simples mas que funciona sempre. um leve dedilhar no violão. nunca guitarra, só violão. um chocalho de leve por trás. e um leve ar de improviso. descobri e esmiucei o truque ao escutar repetidas vezes essa música ("boa sorte") e a música "hight tide or low tide" em que ele faz um dueto com o jack johnson. está lá o violão. o leve dedilhar quase que as mesmas notas, o mesmo timbre e o improviso na hora de cantar. eu chamo de truque e não de "cantar" porque todos os duetos do cara tem o mesmo climão de sábado pôr de sol com uma caipirinha pela metade. o truque ben harper simplesmente diz que a combinação do dedilhar de violão, o jeitão que o ben harper "atropela" seu parceiro no dueto ou parceira e o chocalho--- fazem com que todas as músicas dele tenham o mesmo som de pôr do sol de sábado a tarde. o lado ruim é que tudo fica meio parecido.eu sinceramente quase não sei nenhuma música dele por nome. sei que é ele lá do outro lado. só não sei que caráio é o nome daquela música. o lado bom, é que sem querer, depois de escutar uma música em que ele faz esse truque, você fica com a sensação de que está de bem com a vida. mesmo quando está com algum prazo de algum trabalho estourado. e sempre se sente como se estivesse com os dedos dos pés na areia da praia.

o msn. o ladrão de tempo. o ali babá do tempo. o ladrão mais fucking fuckers do tempo de todos os tempos.




existem ladrões que roubam jóias. esses são mais comuns em filmes de ação. os ladrões dos jornais roubam com mais frequência os bancos. ou os turistas desatentos no calçadão da praia de copacabana. mas ladrão mesmo, daqueles que merecia prisão perpétua é o msn. o messenger. aquele que fica piscando no canto da sua tela. que quando chega uma mensagem, apita. o msn rouba tempo precioso. rouba horas. já me roubou dias inteiros. e o mais engraçado do msn é que ele é um ladrão que continua roubando e que mesmo assim a gente continua abrindo a lojinha para ele roubar. chega a ser irônico para dizer o mínimo. o fato de todos continuarem acessando ele, mesmo sabendo que no final do dia você vai voltar para casa com minutos a menos num dia bom. ou horas perdidas, quando o roubo é dos grandes. enquanto eu escrevo este textinho, por exemplo, entrei no msn umas seis vezes. e lá se foram uns vinte e tal minutos. reunião de empresa não se compara. fila de cinema em dia de estréia também não. sala de espera de dentista. nada, nada se compara ao tempo que escoa pelos dedinhos enquanto você entra em contato com o mundo pelo msn. ele rouba o seu tempo. que simultaneamente rouba dos outros. e por aí vai. cheio de testemunhas dos assaltos e continua lá, livre. piscando no canto do seu computador. como quem diz, assim mesmo, sem muitos escrúpulos: "passa trinta segundos aí porra! caralho, entrega logo antes que eu resolva roubar o seu dia inteiro..." e aí você clica no ícone, responde a pergunta de um amigo. ou é você mesmo que pertuba alguém e lá se vão mais preciosos minutos.

www.pocketmod.com




esse é o palm de papel. se você imprimir e seguir as regrinhas de como montar terá em mãos um organizer desses fucking fuckers feito sob medida para você. é do caráio. recomendo. cabe no bolso. custa zero euros. e é reciclável. agora o melhor: se você colocar no mesmo bolso em que você leva o seu celular ou telemóvel, é como levar um iphone no bolso. ou quase.


o endereço em que você pode imprimir o seu iphone de papel é esse aí do título.

terça-feira, janeiro 22, 2008

as cabras e o queijo


- as cabras de portugal sabem de alguma coisa que as outras não sabem. o queijo daqui é muito muito muito, tipo assim, quatro muitos mais saboroso do que em outros lugares.

- o queijo amanteigado por exemplo está ali, encostado no primeiro lugar, colado com aquele quarteirão com queijo que existe apenas e somente na sua memória de quando você tinha 11 anos. e depois da escola.

- e o mais legal é quando você pede sem querer presunto achando que vem presunto como no brasil, e vem o presunto que em portugal é o equivalente ao nosso presunto de parma. é um dos melhores erros do mundo. você sem querer comer o queijo de cabra português com o presunto.

- em alguns supermercados é possível ver as pessoas que entendem, cheirando apertando, levando queijo perto do olho. queijo é um negócio sério aqui. já vi pessoas brigarem por um pedaço zambers. a tiazinha olhava para a outra e com olhos marejados falava em câmera lenta: "é meuuuuuu!" e, se você já comeu um dos bons, entende.

petróleo



agora a máquina já funciona. estávamos prestes a devolver quando eu e juan, olhamos para a máquina e falamos quase juntos:
- e se a gente tentasse mais uma vez?
explico. tivemos umas 26 vezes frustrados com o líquido que insistia em não descer. a máquina ia ser devolvida. a tristeza batia a porta. e a gente tentou mais uma vez. uma só.
- funciona! funciona! funciona! caráio, funciona!
me senti como naqueles filmes antigos em que as pessoas furam o chão e encontram petróleo. só que um tiquinho mais emocionante. mais ou menos isso. e o juan, com lágrimas nos olhos continuou a gritar:
- funciona! funciona!!!!
acho, sem querer exagerar-- que foi um dos momentos mais emocionantes da história da humanidade. ou pelo menos era o que os berros do juan transmitia para a população de lisboa naquele momento.

moleskine, a agenda que não deu certo



moleskine é muito arrumadinha. tudo no lugar. e o mais foda é aquele papo de que o hemingway escrevia nela durante as suas viagens de trem. ele e mais um monte de fodalhão. todos os caras que você já leu na escola ou que parece ser legal falar que você leum, bom, quase todos eles escreviam pensamentos, num moleskine. ou essa é a idéia que aquele papelzinho que vem dentro quer passar. como o moleskine é fucking fuckers. como o hemingway se inspirava. e esse é o maior problema. sempre que eu pesco uma caneta para anotar uma idéia, um compromisso, um telefone, penso seis vezes antes de escrever. eu penso: "será que o hemingway escreveria algo assim?" "será que esse telefone da gerente do meu banco vale a pena ficar imortalizado no caderninho dos caderninhos?" e acabo desistindo. já comprei uma caráiada deles. o que eu posso fazer, o negócio é bonito e vomita estilo e bom gosto. mas não consigo escrever direito. tem sempre um hemingway flutuando sobre o bloquinho como quem diz: "ô, vê lá o que você vai escrever em seu mané, eu escrevi pensamentos muito do caráio aí..."

run forest. run caráio. mais rápido pourra.




canso de ver pessoas correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param. não desaceleram. nunca. a regra é clara, se não se encontra em pé debaixo do sinal do ponto, o cara não pára. dá uma pena, você vê o cara correndo como se estivesse escapando de aliens no último dia da terra. você vê senhores com a respiração falha. eu mesmo já até fisguei um músculo correndo, perseguindo um buzum e o cara não parou. consigo entender. faz um pouco de sentindo. se ele parar para todo mundo, a cidade pára. ninguém chega ao trabalho. dá para entender mas é no dia que acontece com você, que dá um dor, uma pontada no canto do cérebro e ou do coração. "porque?! porque!? você não pára! pelo amor de deus....." mas o motorista precisa ser forte. precisa olhar em frente. e deixar os atrasados para trás. aqueles que apertaram o botão do soneca não uma, mas três vezes. aquele que demorou para sair do chuveiro. aquele que naquele dia vai ter que chegar atrasado no trabalho, suando, mancando com um músculo fisgado e dizer: "eu corri, eu tentei, mas ele, o motoristo do 758, não parou...eu juro." e as pessoas do seu trabalho vão olhar para você e pensar: "também canso de ver gente correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param."

dark chocolate com laranja caramelizada e aí fodeu.

a receita para destruir o seu maior inimigo na disputa por uma menina: dark chocolate com laranja caramelizada da haagen dazs. é um desses sabores que chegam e somem com a mesma velocidade. edição especial diz o poster da loja aqui do chiado. e digo que este sorvete é a arma mais fucking fuckers para destroçar um oponente porque é impossível parar de comer. não dá. é bom para cacete. não são lascas da mesma laranja que usam para fazer aquele suco com bagaço. não meu amigo, é a prima chique dessa laranja. cristalizada. é a laranja mais fodidona do pedaço. cuidado. se você morar perto de uma haagen dazs, não vá. sério. é perigoso. você pode comer até explodir. ou pode ser bem fêla e comprar uma caixinha daquelas para viagem e mandar entregar na casa de alguém que você deseja ver triplicar de tamanho em questão de horas. é mais ou menos como aquela morte da "gula" do filme seven. mais ou menos não. é igual.

evel knievel e a minha lambreta.




dia desses bateu as botas o evel knievel. para quem não sabe, o evel knievel saltava carros com motos. saltava caminhões. saltava precipícios. saltava tudo. o cara não tinha medo de nada. deve ter quebrado uns 70 ossos no corpo. o fêla devia ter o equivalente ao peso do corpo em placas de titânio. bom, o cara bateu as botas. o cara que eu sempre julguei invencível. unbreakable. o herói dos heróis. triste. mas zuzo bem. e foi o evel knievel ter batido as botas que me fez pensar. pensar sobre o fato de eu ter comprado uma motoca. bom, certa vez com as ruas quase molhadas de lisboa levei um mini tombo. mas nini mini mesmo. estava devagar, bem devagar. acho que não passava de 18 kms por hora. escorreguei a lambretinha no trilho e pimba. "você quer que eu chame uma ambulância?" "você está bem?" "ele apareceu de repente..." levantei rapidamente, já recolhendo a motoca da rua, levante o dedão como quem diz: "ok!" e continuei em frente. não aconteceu nada. ralei o quadril e o cotovelo. e só. mas fiquei cagado desde então. a motoca tinha 80 Kms rodados. olhei hoje o mostrador, ela está com 86. ou seja, desde o mini tombo, andei mais 6 km. e agora com a notícia que o evel knievel bateu as botas, decidi me aposentar quase que permantemente das pistas. não faz sentindo saltar calçadas, faixas de pedestres (passadeiras) e trilhos do elétrico se o evel knievel não vai mais fazer o mesmo. o cara que era super fucking fuckers deixou as pistas, farei o mesmo. eu e a minha imitação de vespa que na velocidade máxima chegava nos 46 km/h. e isso nas descidas. ahhh, a emoção de passar por cima de uma pedrinha na rua. as mãos suando. a respiração ofegante. e por falar nisso, o capacete todo embaçado. abandono as pistas com a mesma velocidade que entrei. em homenagem ao evel. e é claro, por causa do meu cagaço agora crônico.
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quinta-feira, janeiro 17, 2008

como investir o seu dinheiro.



aqui na empresa em que eu trabalho, cada funcionário ganhou um din din ao final do ano. é uma espécie de tradição. cada ano da empresa equivale a um dólar. 72 anos, 72 dólares. cada ano que passa, mais um dólar. uma tradição muito bacana se você pensar. e que acontece na véspera do natal. bom, e como os 72 dólares chegaram meio assim de presente, não sabia o que comprar. compro um presente? guardo embaixo de um colchão? alguém teve uma idéia. não sei quem foi. mas alguém teve a idéia: "e se todos juntarem o din din e comprar uma máquina de tirar chopp, imperial em casa? e a gente coloca na empresa?" meio milésimo de segundo depois, todos concordaram com a idéa. todos. a máquina chegou hoje. está em uma das salas de reuniões. ainda não consegui colocar a bagáça para funcionar. mas, só o fato de ela estar numa de sala de reuniões, tem um impacto psicológico impressionante. em outras palavras, se você me perguntar no que investir o seu dinheiro, eu não diria ações da petrobrás ou da vale do rio doce. muito menos, euro, ouro ou dólar. também não diria para você colocar em um fundo de investimento. nunca. diria que o melhor, e único lugar para se colocar o seu suado dinheiro, é numa máquina de tirar cerveja no trabalho. que mesmo antes de funcionar, consegue deixar você com a estranha sensação que você não está no trabalho, por mais que tudo ao redor, indique que sim.

o pequeno almoço.

de todas as expressões, palavras-- portuguesas diferentes do português falado no brasil, a que eu, pessoalmente mais curto é o pequeno almoço. para quem não sabe, se trata do café da manhã. pequeno almoço é o café da manhã aqui em portugal. ou seja, quando você entra num hotel e pergunta se está incluido o café da manhã, deve se referir ao almoço no diminutivo. e porque eu acho do caralho o pequeno almoço? porque é literal. e auto explicativo. e curioso. um pequeno almoço. uma pequena porção daquilo que você vai comer mais tarde entre meio dia e duas da tarde. o pequeno almoço aqui em portugal não é farto como o dos americanos. os americanos com certeza não entenderiam que caráio is a small lunch. mas para mim faz todo o sentindo. logo pela manhã eu não como filé com fritas. como apenas uma torrada com duas passadas de manteiga e dois copos de café, um deles as vezes com leite. pouco leite. nada mais. uso um prato pequeno. do mesmo conjuto do prato grande que eu uso no almoço. mas menor. prepara você para o almoço. não deixa você comer demais. comeu demais, deixa de ser pequeno, e estraga o apetite para o almoço de tamanho normal. pequeno. e o melhor, se você trabalha num hotel, não periga levar um esporro do tipo: "que caráio de café da manhã minuatura ou what the fuck is up with this small breakfast? cadê o bacon? where's the scrambled eggs..." o atendente pode simplesmente dizer: "é um pequeno almoço senhor. nada mais. nada menos. não exagere.

uma teoria sobre as quintas feiras



a quinta feira é o melhor dia da semana. que me perdoe a sexta e o sábado (e até o domingo) que sempre acham que vão levar este título assim de mão beijada. sem precisar cuspir uma só gota de suor.explico: a sexta-feira vem antes do sábado (que vem antes do domingo), só aí, já te fode um pouco. porque? você não dá tanto valor para ela. você pensa: "ah, amanhã é sábado, posso sair amanhã. hoje posso ficar em casa coçando a sáca..." colocar dois dias tão bons lado a lado, consecutivamente como a sexta e o sábado, causa uma overdose de exposição a dias bons. é como jantar dois dias seguidos nos dois melhores restaurantes do mundo. você com certeza apreciaria mais se, estes dois jantares estivessem separados por uma semana. daria mais valor. a cabeça do ser humano é foda. agora vamos a quinta feira. o argumento mais óbvio é o mesmo que disclassifica a sexta e o sábado. a quinta vem antes da sexta. que apesar de ser um dia de trabalho, é um dia que vem antes do sábado. e é aí que entra a beleza da quinta. a quinta chega depois da segunda, da terça e da quarta. os piores dias da semana. e aí, quando ela chega, você já está com o saco na lua. cansado. arrastando o esqueleto. com dois dedos de olheiras e uma sensação de que o relógio está quebrado. a quinta chega aos 38 do segundo do tempo da semana. e é na quinta que você pode ligar o foda-se. pode tomar as primeiras e as segundas da semana. pode dormir mais tarde, mesmo sabendo que na sexta, tem trabalho. tudo bem. sem problema. depois de sexta, vem o sábado. e depois o domingo. que como você já sabe, são dias que você não não podem ser considerados os melhore, ou não são, pelo simples fato de estarem colados um no outro. seu organismo, você mesmo, pode notar, com o tempo começa a não dar lá a importância devida. a quinta é especial porque tá ali no meio. entre as bostas do começo e os greatest hits do fim de semana. é um dia ímpar. boa quinta.

a mulher do seinfeld...




escreveu um livro de culinária que ensina a esconder comidas mais saudáveis para as crianças comerem. exemplo: o seu filho não come chuchu? corte ele em formato de batatas chips e frite em olho vegetal zambers. o seu filho não come tomate? corte em cubos bem pequenos, coloque uma pitada de maionese entre eles para o cérebro do seu filho registrar ketchup. posso ter cagado aqui as receitas, mas é algo por aí. esconder alimentos saudáveis para a molecada comer. bom, agora surgiu uma tiazinha, uma outra autora dizendo que a mulher do seinfeld plagiou um livro dela. a idéia dela. porra nenhuma. as duas plagiaram a minha mãe. que fazia tudo ainda de uma maneira mais simples. colocava tudo num liquidificador desses mix master plus com lâminas de titânio e misturava tudo. uma grande papa. um sopão cremoso com todos os legumes do unvierso. "olha que gotôsinho, meu filho..." e lá ia eu, tonto, e comia tudo. vou falar com ela. e vamos processar as duas. ou talvez não...

terça-feira, janeiro 15, 2008

o tsc, tsc. cuidado.


"tsc tsc..."

sabe o que é o tsc, tsc? é aquele barulhinho que você faz, eu faço, todo mundo faz quando está de saco cheio. ou, se não está de saco cheio, está perdendo a paciência. aquele barulhinho que se faz quando você leva a língua contra o céu da boca na direção dos dois dentões de cima, leva a língua e retrai, fazendo um barulhinho breve, curto, baixo, mas ensurdecedor. e o mais engraçado, ou curioso. isso, o mais curioso é que o tsc é contagiante. a pessoa que escuta, testemunha o tsc tsc, também acaba por ficar inclinada para fazer o mesmo. quantas vezes eu não escuto alguém fazer isso e faço logo em seguida. exemplo, hoje eu estava com pressa para ir ao dentista. corri, sai em disparada para pegar um taxi pois estava atrasado. assim que entrei no taxi, cheio de "boa tarde, tudo bem..." disse o endereço, e o taxista fez "tsc". acho que o endereço fica num lugar relativamente perto. não sei. fiquei puto com a reação do fera e fiz o mesmo barulho. ele olhou pelo retrovisor mais puto e fomos até o destino cada um, infinitamente mais puto com o outro do que 8 minutos antes-- tudo por causa de um "tsc". outro exemplo, eu mesmo numa fila do banco esperando para ser atendido, fiz um "tsc", ou melhor, fiz uns três quando um cara furou a minha fila. mas ele não furou como quem faz disso uma arte, sutilmente. não, o fera conhecia a mulher do caixa e foi conversar com ela, dar boa tarde, falar da família e aproveitou para ficar por lá. pagar sete contas. bom, aí eu fiz o barulhinho de puto, o tsc, com a língua, o cara de trás também, e a senhora atrás do cara que estava atrás de mim, também. bastaram uns cinco "tsc" para fuder com o bom humor do banco inteiro. o "tsc" é foda. perigoso até. pode acabar um casamento. experimente fazer "tsc" dia sim, dia não , sempre que a sua esposa ou marido entrar na cozinha pela manhã. um "tsc" desses fode qualquer casamento ou namoro. você quer foder com uma reunião. solte um desses quando as luzes se apagarem para passarem o powerpoint. o cliente vai ficar rabugento, e quem estiver ao lado dele também. tudo por causa do "tsc". pense neste textinho como um aviso, uma advertência, um sinal de neon. fique esperto. economize nos "tsc". pense duas, não, pense três vezes antes de soltar um desses. é foda. e se você estiver duvidando do poder dele, experimente fazer uma vez, apenas uma quando chegar em casa hoje. vai voar um prato. ou, se não voar um prato, com certeza você vai receber de volta um outro "tsc". e aí é questão de tempo até que o prato decole. cuidado com o "tsc". muito cuidado.

bares, gerações, o caneco 70 e "lembra aquela tarde no..."



recentemente fui ao rio visitar meus pais. meu pai, coincidentemente mora no leblon quase na esquina de um bar que eu devo ter ido mais ou menos umas 2.897 vezes quando mais jovem. o caneco 70. o pessoal da escola ia. o pessoal fora da escola ia. depois de formado, o pessoal se encontrava lá. e depois de velho, o pessoal ia falar dos tempos de escola lá. o caneco 70 tinha talvez uma das melhores localizações do mundo. no comecinho da praia do leblon. alí, onde a brisa nasce. perto de são conrado, mais perto de ipanema. cardápio simples. chopp (imperial), porção de batatas, provolone e pizzas. tinha outras coisas, mas não conheço muitos outros pratos. tomei bastante cerveja lá e comi muita batata frita. mas voltemos a visita que fiz ao rio recentemente. cheguei lá e assim que passei pela esquina onde ficava o célebre caneco 70, existia agora um prédio. um esqueleto ainda, mas um prédio. definitivamente não era mais servido chopps e porções fartas de provolone derretido. o caneco 70 se foi. e foi ao ver este esqueleto de prédio que me dei conta que toda geração deve passar por isso. essa tristeza. essa nostalgia. ver os bares e boates que você frequentava, desaparecer. pense comigo. tente lembrar o bar ou boate que você frequentava com os seus amigos e amigas quando você era mais novo. agora tente lembrar se algum deles existe. se existe, corra para lá. celebre este fato. porque, bares e boates, por natureza desaparecem com uma velocidade maior do que os seus cabelos brancos irão. deve ter sido assim quando os meus pais eram mais novos, quando os pais deles eram mais novos e será assim nas próximas gerações. restaurante é um bocadinho diferente. tem sempre aquele lugar que existe e se mantém fiel ao seu endereço original desde... mas bares e boates, é complicado. ou viram vítimas de empreendimentos imobiliários ou da moda. o bar, a boate sai da moda, troca a música, o nome, o público e vamos em frente. não posso marcar mais um chopp no caneco, assim como você con certeza não pode mais marcar um-- naquele bar ou boate que você frequentava. existem os sobreviventes? existem. o bar lagoa, no rio, é um grande exemplo de um sobrevivente. aqui em portugal devem ter uma porção deles. mas os que desaparecem são em maior número. principalmente os daquela fase final de adolescência-faculdade-primeiro apartamento. aí, o que acontece depois, quando você fica um poquinho mais velho é até engraçado. você descobre um outro bar. senta lá com um amigo que também frequentava o mesmo bar de quando os dois-- você e ele-- eram moleques. e aí, você sempre, mas sempre, começa histórias da mesma maneira: "lembra aquela tarde no....(nome do bar que não existe mais), foi muito engraçado...."

sexta-feira, janeiro 11, 2008

o cachorro e a esquina.



sempre tive medo de cachorro. sou daqueles que acredita que cachorro sabe que você sente medo. sou daqueles que desde pequeno no rio de janeiro, os amigos tinham que segurar ou prender os cachorros quando eu entrasse na casa deles. o erick chegou? prende o cachorro. nunca fui mordido também. o que não explica lá assim muito o medo. também já tive uns cachorros. em especial um labrador fêmea que morava lá em casa, ou melhor, num apartamento lá em nova ipanema. dela eu não tinha medo. bom, mas isso tudo para dizer que tem um cachorro bem filho da puta que descobriu isso. mora lá na minha rua. ou melhor é dono da rua. da esquina. em toda portugal fui morar justamente no lugar em que um cachorro é dono de uma esquina. o truque até agora tem sido fazer cara de bravo. deixei a barba crescer uns dois, três dias para dar aquele ar clint eastwood velho oeste. e piso mais firme na calçada. estava funcionado. até que um dia desses o fera veio até mim e pulou, não mordeu. segurou na minha calça com os dentes. bastou uma balançada para ele soltar. foi tudo muito rápido. mas foi bem claro, foi como se ele dissesse: "ô erick, eu tenho um primo meu. mora lá no rio de janeiro, barra da tijuca... que te conhece desde pequeno. e ele me contou que você se caga de cachorros. que isso tudo aí, essa cara, essa barba por fazer-- não passa de pose. " desde então, a cena se repete. chego na esquina, eu saio para a rua. passa a esquina, eu volto para a calçada. isso quando eu não tenho um português simpático subindo a rua-- para eu me esconder atrás. como sou baixinho é fácil. bom agora é torcer para o fera não ter acesso a internet. se ele ler este blog ficaria bem puto que eu estou falando mal dele. esse cachorro é o equivalente a um mafioso daqueles tipo tony soprano da série da hbo. daqui a pouco vai passar a cobrar um bife suculento sempre que eu atravessar aquela parte da rua. torço quase todos os dias para o vizinho da frente comprar um gato. sempre tive medo de cachorro. sou daqueles que acredita que cachorro sabe que você sente medo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

patê e os bichos fofinhos que você come.

patê é um negócio curioso. não é possível identificar ao certo que caráio tem lá dentro. você tem que acreditar na embalagem. nos dizeres. patê de figado de alguma coisa. de pato. de ganso. patê é tudo meio parecido. e patê tem uma coisa curiosa. o patê faz você consumir os bichinhos mais fofos do universo. porque, como eles estão em forma de patê. você não consegue lá identificar muito a carinha fofa daquele patinho. e lá vai a faca e passa o patê do pato ou do grande amigo dele, o ganso-- na torrada igualmente fofa. que por ser fofa acumula muito patê. patê é um negócio curioso.