quarta-feira, maio 09, 2007

liedson e a teoria do pastel de nata.

a teoria do pastel de nata é simples. o pastel de nata é mais gostoso aqui em portugal do que aí no brasil. os ingredientes, pelo menos na teoria, são os mesmos. mas alguma coisa faz com que os pastéis de nata daqui acabem com os daí. espanquem. cubram os pastéis de nata feitos no brasil de porrada. não tem conversa. não tem putaria. não tem nacionalismo nem torcida. é melhor aqui e pronto. bom, mas quem é ou o que é liedson? o liedson para quem não sabe jogava no flamengo e no corinthians aí no brasil. atacante. camisa 9. jogador nota 5,5 aí. e isso, com boa vontade. nada demais. não me lembro de nenhuma jogada memorável do fêla. acho que nunca foi cogitado para jogar na seleção brasileira. no flamengo vivia no banco. mas aqui, aqui o cara é artilheiro isolado do campeonato português. o cara é ídolo. já vi até livro tipo autobiografia nas livrarias: “liedson, minha vida, minhas palavras.” caceta como é que o liedson aprendeu a jogar bola? impressionante. e não é porque os portugueses jogam pior. não, tá cheio de estrangeiros aqui. portugal foi para as semi-finais na copa da alemanha. o brasil, não. ou seja, o campeonato é duro. e o liedson, brilha. como nunca brilhou no brasil. no meu flamengo. fêla da pulta. que porra aconteceu com o liedson? como ele foi virar craque da noite para o dia? capa de jornal? será o ar? será a água? deve ser o pastel de nata. é a teoria do pastel de nata. os mesmos ingredientes, que por algum motivo-- funcionam melhor aqui em portugal do que aí no brasil.

segunda-feira, maio 07, 2007

o buraco negro da ikea.

a ikea daqui é umas vinte e seis vezes do tamanho da tok & stok. o preço, mais ou menos metade. e é isso que fode. o tamanho da loja e o tamaninho dos preços. é um buraco negro. daqueles que você entra segunda e sai quarta-feira. é preocupante. a ikea é um daqueles lugares em que a mulher do alto-falante volta e meia avisa pelas caixas de som: "pelo amor de deus, o dono do adolescente moreno com uma camisa do ac/dc preta, favor aparecer na recepção para resgatá-lo!" você começa a namorar uma poltrona, se aproxima, olha o preço, vê uma que está logo ao lado, vê outra que está ao lado. continua andando, esbarra numa senhora portuguesa e pede desculpas, e aí já vê que você está no corredor dos sofás, olha preço, olha cor, olha modelo, ôpa, estamos agora vendo armários, cozinha, banheiro, e quando você olha para o lado.... cadê a sua mulher? e você se lembra que a última vez que você viu ela, estava comentando sobre uma cadeira. a ikea daqui é foda. fui três vezes no total. é como o louvre. como a disney. não dá pra ver de uma só vez. tem que ir duas, três vezes. ah, e tem que ir combinado de que a sua mulher não vai brigar com você e você não vai brigar com ela. é, porque você vai cismar em comprar uma poltrona zambers que não cabe na sala. ela vai cismar em comprar o kit cozinha 1, 2 e 3. você vai querer a luminária de três metros de altura. ela vai querer o tapete de meia tonelada. vocês vão marcar de se encontrar nos talheres. mas só vão se encontrar nas caixinhas de palha, de acrílico, de madeira, dos designers suecos que ganharam o prêmio nobel. mas no final tudo dá certo. é só pagar mais 80 mangos, euros é claro, pros caras entregarem e montarem na sua casa. e todos vivem felizes para sempre. mas isso é claro, se não se perderem para sempre no buraco negro da ikea.

sexta-feira, maio 04, 2007

a velhinha que mora na frente.

na frente do meu prédio mora uma senhora de uns 106 anos. sem sacanagem. sem exagero. se der mole tem mais. ela é uma senhora curiosa. daquelas que ficam debruçadas na janela, o dia inteiro. com olhos de águia. vestido florido. cabelo armado. óculos de grau. já me acostumei com a senhora. penso nela como se fosse um alarme de primeira geração. uma grade daquelas eletrificadas de são paulo. qualquer bosta que acontecer no meu quarteirão aqui em lisboa, a senhora vai limpar o pigarro da garganta. vai balançar a cabeça. vai soltar um suspiro. um cão de guarda como se não fabrica mais. impossível de imitar como o vestido que ela usa. durmo tranqüilo aqui em lisboa. porque na frente do meu prédio mora uma senhora de uns 106 anos.

pataniscas.

pataniscas são quase bolinhos de bacalhau. um tanto mais moles e maiores. igualmente saborosos. pataniscas de bacalhau. são mais mastigáveis, com uma crosta mais crocante, mais fina, mais dourada. pelo o que eu vi aqui em lisboa, os locais, os lisboetas, mergulham as pataniscas num caldo de feijão grosso com um arroz denso. o negócio é bom. daqueles que depois que acaba você deseja estar usando uma calça de moletom. daquelas com o elástico frouxo.

o dia da mãe. não das mães.

aqui em portugal é dia da mãe. não dia das mães como no brasil. assim mesmo no singular. "compre o seu presente do dia da mãe." é um negócio curioso, mas dá para entender. é uma mãe. cada um tem a sua, então celebre com a sua e deixe a dos outros, com os outros. deixe a dos outros, em paz.

quinta-feira, maio 03, 2007

sportv em lisboa e a escalação do celtic rangers.

aqui em portugal também são dois canais sportv. assim, com a mesma grafia que a nossa. não são da globo. mas também têm monópolio sobre todo e qualquer programa de esporte interessante.do campeonato ibérico de bocha a final dos campeonatos locais. mas os caras são bem mais espertos que a globosat, a net, a globo. aí no brasil, você assina o pacote cocô, e vem a sportv. os dois. aqui você assina o pacote diamante eterno e nada. quer assistir os jogos da liga dos campeões? tem que pagar mais 30 euros por mês para ter sportv. isso, quando o pacote diamante eterno custa 32. ou seja, você paga 32 euros para ter 50 canais. e 62 euros para ter 52. algo por aí. sugestão: se você estiver planejando morar nessas bandas, decore a escalação completa de uns três times europeus. do goleiro ao atacante reserva. aí, quando você chegar na lojinha para fazer a assinatura e o fêla da pulta do outro lado do balcão revelar o esqueminha da sportv, você olha para a sua mulher e diz, com a maior naturalidade que você não consegue viver sem os jogos do celtic rangers da liga escocesa. é, tem que ser uma liga dessas bem sinistras para ela sentir o tamanho da sua paixão pelo futebol europeu. um time daqueles que até o carinha do outro lado do balcão vai se levantar e bater palmas em câmera lenta pra você. e aí, só para não ter dúvida que vale a pena pagar o dobro por mais dois canais que a sua mulher nunca vai assistir, você fala a escalação do dínamo de moscou. sua mulher vai respirar fundo e pensar como tem um marido/namorado que não consegue mesmo viver sem esses canais. se der mole vai até sentir uma pontinha de inveja por não ter uma paixão, um hobby como você. vai por mim. nenhum “ah, porque eu gosto de futebol...” convence uma mulher a pagar o dobro por mais dois canais. decora a pourra da escalação do celtic rangers caráio, não me venha com real madrid que até ela sabe.

quarta-feira, maio 02, 2007

a dança das cadeiras no ônibus 58.

de cada 10 lisboetas, uns 7.4 são idosos. um dado carregado no exagero mas que não deixa de ser quase verdade. e que caráio isso tem a ver com o título desse textinho? bom, hoje foi a primeira vez que eu peguei o buzum, o ônibus, o auto-carro—como eles chamam-- para o trabalho. e, como todo ônibus, os daqui também tem uns lugares reservados para idosos. nada mais justo. mas o que é engraçado aqui, é que, como tem um grande número de idosos, não existe lugares para todos nos ônibus. (é, o fêla da pulta que desenhou o ônibus daqui, não reservou o número certo. o número necessário de cadeiras para os idosos. elas são mais baixas e azuis, eu acho.) então, o que é engraçado aqui é a dança das cadeiras. uma dança sem a música que pára. a dança das cadeiras acontece toda vez que o ônibus pára. é um tal de “pode sentar-se senhora!”, “o senhor, não quer o meu lugar?!” e levanta uma mãe e cede o lugar para uma senhora que antes estava em pé, mas que já na próxima parada oferece o lugar para um senhor um tiquinho mais idoso que ela. e este senhor, já cheio de segundas intenções, recusa o lugar, que vai para um outro senhor que acaba de entrar. e a cada parada, a cena se repete. é uma senhora que vem correndo do final do ônibus para pegar uma cadeira especial que se abriu. é um senhor que se recusa a ser considerado idoso e recusa a cadeira com uma cara como quem grita: “vai dar meia hora de bunda, eu sou mais velho que você mas não exagera.” e tudo isso acontence com uma harmonia impressionante. como um relógio. gente se misturando num zig-zag, trocando lugares, oferecendo, gesticulando, as vezes apenas com um olhar. tudo isso enquanto o auto-carro de número 58 faz uma curva fechada e chega na praça de camões. e eu, bem, eu quase perco o meu ponto observando a tiazinha que fulmina com os olhos uma adolescente que se recusava a se levantar e ceder a cadeira para ela. a dança das cadeiras no ônibus 58.

sexta-feira, abril 27, 2007

açorda de gambas. o melhor prato de todos os tempos até hoje.

se você tiver um dia, meio dia, duas horas, meia hora, quinze minutos. bom, se você tiver tempo para uma só refeição aqui em lisboa, peça açorda de gambas. nada de bacalhau. bacalhau é o caráio. peça açorda de gambas. gambas é camarão. e açorda? açorda é uma massaroca de pão com azeite, manjericão, ervas, e mais azeite e acho que um pouco de água (não tenho certeza). imagine o pão mais gostoso que você já comeu na sua vida. agora imagine esse pão socado até a morte com azeite, colheres generosas. agora imagine ervas, daquelas que a gente não sabe o nome mas que fazem a comida ficar digna de virar assunto de blog. visualizou? agora coloque camarões geneticamente modificados. dos grandes. gigantes. barrigudos. e dê uma boa mexida na massaroca. esconda alguns camarões lá no meio. parta alguns pela metade. outros, você corta em três. quatro, talvez. deixe respirar um tiquinho. só um tiquinho. esfriar o suficiente para não queimar o céu da boca. meu amigo, te prepara que o negócio é de foder. mergulhe o garfo como não quer nada dentro da açorda. ah, use um prato fundo daqueles de sopa. mas voltemos ao garfo. o bom da açorda é que ela é meio pegajosa, o garfo acaba atraindo uma meleca de açorda. uma crema de açorda é içada do fundo do prato, com um camarão já sem a cabeça agarrado na ponta do mesmo garfo. respira fundo e lance a açorda para dentro. com jeito. não engula com pressa como quem come batata frita do mcdonalds. deixe ele alguns segundos na boca antes de engolir. três segundos. é o tempo das suas papilas gustativas fazerem uma ola. se emocionarem com a explosão de sabor. sabores, no plural. agritarem lá do fundo da sua língua: "obrigado, mas obrigado pelo prazer, obrigado pela açorda. obrigado por ter um dia lido o blog do erick. e ter pedido uma açorda de gambas no lugar do bacalhau!"

quinta-feira, abril 26, 2007

"e o cristiano ronaldo hein, caro taxista?"

descobri outro truque aqui em portugal. esse é para fazer com os taxistas. bom, mas antes de revelar o truque, vale contar um pouco sobre eles. ou melhor, sobre o humor deles. os taxistas daqui são ranzinzas. têm uma certa dificuldade para abrir um sorriso. e, se você entrar numas de gaguejar com o endereço ou não decorar com todas as palavras o destino, o fêla da pulta vão te fulminar com olhos que lançam labaredas de fogo na sua direção. agora vamos ao truque para reverter essa situação. o truque do cristiano ronaldo, vamos definir assim. é muito simples. e funciona sempre. nunca falha. pelos menos até agora não me deixou na mão. você entra no taxi, erra o endereço, a pronúncia ou os dois. o taxista olha pra você pelo retrovisor, puto. com a cara fechada. nenhum dente se revela por debaixo do bigode. aí, bem, aí você abre um sorriso e, de um jeito bem humilde fala, mas fala no formato de pergunta: "e o cristinao ronaldo hein, caro taxista?!" aí meu amigo, você conquista o cara. ele começa a falar com orgulho. mostra dentes, mostra pontos turísticos pela janela. e fala do cristiano ronaldo quando ele ainda jogava aqui no sporting de lisboa. quando ainda era moleque e despontava na seleção. fala como eles está conquistando o mundo. você é tratado como um rei. vai por mim. é um truque simples que vai funcionar sempre. mas é claro que você tem que praticar um tiquinho. é, você tem que perguntar com um tom que indique que você quer ao mesmo tempo a opinião do taxista sobre o futebol do cristiano ronaldo-- e também que você está completamente ciente que se trata de um gênio do futebol. tem que massagear o ego dele. do taxista. isso deveria ser a primeira coisa que você aprende no aeroporto antes mesmo de sair do brasil. "vocês vão para portugal? bom, pegue aqui esse guia de lisboa." e no guia é claro, teria apenas uma frase, uma pergunta: "e o cristiano ronaldo hein, caro taxista?"

terça-feira, abril 24, 2007

o plano do metrô em lisboa.

descobri um plano maquiavélico aqui do metrô aqui em lisboa. na verdade é uma estratégia que eu já vi usada em prédios de firmas. é mais ou menos assim que funciona: o metrô está chegando na próxima estação, o condutor acaba de avisar. bom, é aí que entra o plano. todas as pessoas, silenciosamente vale ressaltar (depois de tantos anos executando o tal plano, tudo que basta é uma trocada de olhares para decidir, combinar quando colocar as engenhocas para funcionar)... mas voltando ao começo da frase... todas as pessoas, silenciosamente vale ressaltar, dão um passo para frente. não dois, não três. apenas um passo. o suficiente para disfarçar que o metrô está mais cheio do que parece. tudo isso para que você não embarque. para que você se cague e espere pelo próximo. um bando de fêla. não me entenda errado, os lisboetas são gente finíssima, é o pessoal do metrô que são um bando de fêla. esse esqueminha do metrô já me deixou esperando pelo próximo trem umas duas vezes. pensando bem, umas três vezes. ok, quatro. foi o tempo que levou para eu descobir, sacar, pegar os carinhas no contraopé. na verdade, quem fodeu o esqueminha, quem entregou tudo, foi um carinha. um estudante aparentemente com sono que demorou um pouco mais do que os outros para dar o fatídico passo a frente. o passo que iria mais uma vez me enganar. aquele passso que iria me deixar mais uma vez lendo o verso do mapinha do próprio metrô. azar o dele, e dos outros. no dia seguinte já não caí no esquema, no plano. entrei no carrinho como se ele estivesse completamente vazio. espaçozo, cotovelando, com um certo ar de "se foderam, descobri tudo!" a partir daquele dia nunca mais perdi um metrô. para ser sincero, até entendo a razão pelo plano. o porque inventaram todo o esquema. de manhã, cansados, as pessoas naturalmente não querem dividir aquele meio metro quadrado com qualquer estranho. dia desses eu mesmo entrei no esquema. segui o plano. dei o meu pequeno passo para frente. junto com os lisboetas. não porque também queria foder quem esperava pelo metrô do outro lado da plataforma. é que, num vagão com uma centena de pessoas, eu não queria ser linchado. o brasileiro filho daputa que entregou o plano para os outros turistas. o plano do metrô. já tinha testemunhado coisa parecida em prédios de firma. mas aqui no metrô de lisboa acontece todos os dias. em todas as estações.

sexta-feira, abril 20, 2007

pastilhas elásticas e o telemóvel.

duas palavras que são completamente dieferentes do português do brasil. a primeira que quer dizer chiclete e a segunda, celular. agora, sem querer defender os portugueses, faz muito mais sentido como eles falam por aqui. pastilhas elásticas já descreve o produto. são pastilhas, e são elásticas. mais simples, impossível. o telemóvel, é um telefone que é móvel. uma criança que nasce aqui, ao escutar a palavra telemóvel pela primeira vez, já entende que caráio ela significa. no brasil, não. vai se tornar um moleque pentelho que vai ficar perguntando: "mãe, porque é celular? mãe, porque é celular!"

a mãe na cozinha.

o perni e o renatão fizeram uma campanha publicitária que conta uma história que quem come o produto tal jura que a comida foi feita pela própria mãe. comeu o tal produto, você vai ligar pra fábrica pra ver se a sua mãe trabalha lá de tão gostoso que é. bom, essa é a impressão que se tem aqui em portugal. que a minha mãe está me seguindo pelos restaurantes. que ela está sempre um quarteirão atrás, esperando eu entrar no restaurante. entrei no restaurante, pedi o prato, pimba, ela corre para cozinha e gerencia as panelas, as bocas do fogão. "o erick gosta de carne mal passada!", "carrega no azeite!", "menos creme no molho...!!" e depois, bem, depois ela fica espiando pela janela eu comer. só pode ser. o negócio é engraçado. todo restaurante que eu entro é a mesma coisa. as batatas, o arroz, o feijão, os fêla da puta acertam sempre. e sempre com aquele estilinho, aquele jeitinho que indica que a dona dadá, minha mãe está na cozinha coordenando os cozinheiros. não sei. mas parece que é o que está acontencendo. minha mãe na cozinha.

terça-feira, abril 17, 2007

a ladeira em lisboa.

a firma nova aqui em lisboa-- fica numa ladeira. uma senhora ladeira. na verdade, a chegada é uma descida. a partida para casa é uma ladeira. o que deveria ser ao contrário, se você pensar. pela manhã, o corpo ainda não está cansado. está inteiro, por isso, subir uma ladeira seria tranquilo. mais tarde, depois de um dia de trabalho, o corpo já está meio baleado. ou seja, descer uma ladeira, seria o ideal. mas não. não. é o contrário. acho que tudo faz parte de um grande esquema. os portugueses são excelentes na cozinha, portanto fazem escritórios nesse esquema. você enche a pança de comida no almoço e se exercita no caminho de casa. simples assim. pensando bem, é das melhores idéias que eu já vi. come-se muito. exercita-se mais. no primeiro dia da ladeira, parei três vezes para respirar. no segundo dia, trouxe uma garrafa de gatorade. amanhã, vou trazer mais uma. o lado bom, é que você acaba economizando na academia. não tem jeito. o exercício é obrigatório, se não você não vai para casa. fico imaginando em uma semana, eu, caido no chão da ladeira, com uma contusão na panturrilha-- igual a do romário com um tubo de gelol em uma das mãos tentando curar a dor. e os portugueses, já acostumados com a ladeira, passando por mim e perguntando: "o que foi? o que foi?" e eu, ali embaixo, com o pouco ar que me resta nos pulmões vou tentar explicar: "a ladeira, a laddeira em lisboa!" a tal ladeira em lisboa é uma das grandes surpresas desta viagem. depois do pastel de belém. dos peixes. das alheiras e dos imperiais (chopps). a ladeira em lisboa é o que me permite continuar nessa exploração gastrônomica sem precedentes em qualquer guia turístico. agora, quando alguém chegar para me visitar em lisboa. eu vou levar para comer todas essas guloseimas. regadas a litros de azeite e aquela manteiga amarela escura gorda que brilha de longe. e depois, bom, depois eu vou convidar gentilmente para me encontrar na saída do trabalho e subir a ladeira comigo. a ladeira a caminho de mais um restaurante. a ladeira em lisboa.

domingo, abril 15, 2007

dois filmes pela metade.

007 e happy feet. estava lá eu encaixado na cadeira do avião. viagem longa. bexiga vazia e pança cheia. a idéia era simples. viagem longa, preso na cadeira da janela com um fêla da pulta sentado no corredor que já dormia desde o primeiro minuto. com a bexiga zerada e a pança cheia, não seria necessário levantar durante o vôo inteiro. mas o assunto não é esse, mas os dois filmes que eu assisti pela metade. comecei a noite assistindo 007, o novo. peguei no sono no meio. não sei que caráio aconteceu. é claro que o james bond continua vivo e tal. mas acordei já com as letrinhas subindo. beleza. sem dramas. virei pro lado e dormi. afinal, como você já sabe, tinha um segurança na cadeira do corredor dormindo. pernas esticadas, máscara e braços cruzados. ou seja, não podia sair dali. então, como já disse...zzzzz. algumas horas depois, a aeromoça, simpática-- me dá um cutucão no ombro: "e aí, o fêla vai querer comer esses ovos requentados?" e eu, ali, com quinhentas gramas de remela em cada olho, acordei. e, enquanto comia os ovos quase mexidos. quase frescos, quase bons, liguei o monitor novamente. happy feet. o desenho do pinguin alegre estava começando. concentração. foco. headphone. o vizinho do corredor ainda não liberou a saída. tenho que assistir a pourra do filme para não pensar no xixi que eu não posso sair para fazer. e é aí que o piloto me fode. depois de uma hora e meia de filme, ele pausa a porra do vídeo para falar do pouso, da temperatura, das chances de chuva e do programa de milhagem. o monitor apaga. não termino de ver um segundo filme. o carinha, o vizinho acorda, tira a máscara. mas aí, bom aí já é tarde demais. os avisos de apertar os cintos já estão acesos. ninguém levanta. dois filmes pela metade.

dia desses

- dia desses eu pedi uma coca cola light com gelo e sem limão. o garçom trouxe um chopp.

- dia desses uma tiazinha lá do prédio fingiu que não me viu e não segurou a porta do elevador para mim. na semana seguinte eu retribuí o "favor". duas vezes.

- dia desses a mulher da tim me deixou 32 minutos cronometrado no próprio celular esperando. dia desses eu vou assinar um contrato com a claro, a concorrente.

- dia desses eu vi um carinha comendo um prato de estrogonofe no trânsito parado de são paulo. tupperware, garfo de ferro, porção farta de arroz. daqueles com o molho bem laranja.

- dia desses eu assisti um capítulo inteiro de uma novela porque estava com preguiça de pegar o controle sobre a tv.

- dia desses eu vi um pombo soltar uns duzentos gramas de bosta sobre um porsche cayenne.

- dia desses eu achei que um textinho que começasse com "dia desses" poderia ficar interessante.

- dia desses eu vou acessar aqui para ler e ver que o tal textinho ficou bem "mais ou menos."

terça-feira, abril 10, 2007

pensamentos de terça.

- aqui em são paulo os taxis são brancos. todo branco. sem faixas quadriculadas. no rio é amarelo ovo. sacanagem. enquanto em são paulo, o sr. taxista pode simplesmente tirar aquele quadradinho que diz "taxi" do teto para passear com a namorada no fim de semana. o taxista do rio vai ter que passar o fim de semana gesticulando com o braço pra fora da janela para dizer que não está trabalhando.

- quer ganhar dinheiro fácil? é só abrir um centro para recuperar viciados em "24 horas". aquele seriado da tv. e, se você tiver alguma dúvida se vale o investimento, compre a caixa com uma das temporadas e coloque no dvd. você será o membro fundador do seu centro de recuperação.

- arroz que é para ser solto quando chega grudado na mesa é uma bosta. arroz quando é para chegar junto (risoto) e chega separado na mesa, é uma bosta.

- a laranja é uma fruta com dois empregos. as vezes é uma fruta. outras vezes, quando conveniente, é uma cor.

- a fruta do conde é da minha mãe e não do conde. foi ela quem comprou. não ele.

- entrei no supermercado hoje e os ovos de páscoa estavam com 40% de desconto. me senti enganado. ludibriado. ultrajado. sacaneado. ano que vem eu vou celebrar a páscoa na terça feira e não no domigo como o resto do mundo. fica mais original e mais barato.

- as músicas mais escrotas do mundo tocam entre sete da manhã e oito-- quando você coloca o alarme para tocar. é um esqueminha que as rádios encontraram para fazer você passar o resto do dia cantarolando essas bostas por aí. pode notar. toda e qualquer música que você escuta quando o alarme toca, vai cantar até o dia seguinte. e se não cantar, pelo menos vai assobiar.

- dia desses fui na padaria da esquina e perguntei se o pão era fresco. se tinha acabado de sair. o carinha disse que sim. eu peguei o pão e não estava quente. olhei para ele e o fêla comentou: "saiu tem uns 17 minutos." acho que ele fez uma conta na cabeça para não passar por mentiroso e ao mesmo tempo ter uma resposta para o pão estar frio quase gelado. fêla da pulta.

- eu queria sofrer de calvície dos cabelos do nariz. só do nariz.

- pedi uma "entrada" que chegou depois do prato principal. chamei educadamente o maître e perguntei se aquela porção de aperitivo era na verdade uma "saída".

sexta-feira, abril 06, 2007

existe uma grande diferença entre

- existe uma grande diferença entre uma cerveja mais ou menos gelada e uma gelada.

- existe uma grande diferença entre um filme ok e um filme bom.

- existe uma grande diferença entre cinco minutos atrasado e dez.

- existe uma grande diferença entre uma cadeira no centro e uma outra no corredor do avião. elas parecem ser iguais. não são.

- existe uma grande diferença entre "esse pão de queijo acabou de sair" e "frescos? acho que sim."

- existe uma grande diferença entre "não sei" e "veja bem".

- existe uma grande diferença quando o bebê chorando no avião é da sua família e quando ele não é.

- existe uma grande diferença quando o bebê chorando no restaurante, bom, você entendeu.

- existe uma grande diferença entre uma pitada de pimenta malagueta e duas.

- existe uma grande diferença entre morar na cobertura e no penúltimo andar.

- existe uma grande diferença entre pedir o couvert e pedir a sobremesa. o primeiro, como o nome diz, vem primeiro. a sobremesa vem depois quando a pança já está ameaçando pular pra fora da calça.

- existe uma grande diferença entre acordar numa sexta de feriado e numa sexta sem.

- existe uma grande diferença entre 200 gramas e 250 gramas quando o item sobre a balança é o filé que você vai jantar.

- existe uma grande diferença entre perder 1 kg quando você tem 1,60 de altura e 1,80.

- existe uma grande diferença entre um bolinho de bacalhau que custa 26 mangos a porção e um do mesmo tamanho que custa 12 reais.

- existe uma grande diferença entre comer um big mac no almoço e comer o mesmo antes de fechar os olhos na cama.

- existe uma grande diferença entre citar um autor uma vez e citar o mesmo duas vezes. eu sei, por exemplo, que foi nietzsche que falou aquela putaria de "o que não te mata, fortalece..." mas tente citar ele pela segunda, vez. uma segunda frase. é caplicado.

- existe uma grande diferença entre torcer para o flamengo na década de 80 e agora.

- existe uma grande diferença entre molho de tomate e ketchup.

- existe uma grande diferença entre uma carne gordurosa e uma com gordura. a com gordura você acha e consegue remover. a gordurosa está com gordura por toda parte misturada com a carne. pode cruzar os talheres e desistir porque fodeu.

quarta-feira, abril 04, 2007

pensamentos do dia depois de um casamento.

- casamento é o único momento do mundo e do ano que você come de tudo sem nenhum peso na consciência por um motivo muito simples: todos ao seu redor também estão comendo.

- num casamento tem sempre um garçom cujo declarado objetivo é derrubar você. explico, sempre que eu estou num casamento, tenho a sensação que o mesmo garçom ou garçonete me seguem pela festa trocando a minha taça vazia por uma completamente cheia. não sei se eles fazem apostas ou um bolão na cozinha antes da recepção começar... mas pode notar. a razão pela existência dele ali na parada é derrubar você ou pelo menos testemunhar você dobrando as pernas e as palavras.

- nos outros dias do ano, aonde é que vão parar os docinhos da mesa de doces do casamento? você já parou para pensar nisso? os melhores doces que existem estão sempre nas mesas de doces de casamento, e não adianta fuçar por aí que você não vai encontrar algo parecido. a não ser é claro, que você entre na doceria do seu bairro vestido de terno, segurando um taça de champgne e com a sua mulher vestida com um vestido longo. quem sabe essa não é a senha para a tiazinha de trás do balcão puxar uma bandeija especial com docinhos de casamento. não sei, mas não existe nada parecido em nenhum outro lugar.

- o bem-casado desperta comportamentos jamais vistos nas pessoas. mas principalmente nas mulheres. como no casamento elas, as mulheres carregam bolsas miniaturas, cabe a você, o namorado ou marido utilizar todos os bolsos do seu terno para levar bem-casados para casa. e aí de você se não levar. já testemunhei uma briga de proporções divorciais porque o marido se recusava a levar mais do que cinco bem-casados para mulher. se a sua mulher pedir, ou melhor exigir, não titubeie, soque o paleto com os docinhos. eu não sei o que tem dentro deles, mas alguma coisa tem.

- se num casamento, ao entrar no banheiro, logo no início da festa, você encontrar cartelas de "engov" de brinde-- pegue. engov para quem não sabe são aqueles comprimidos que prometem prevenir a ressaca. bom, então se o noivo e a noiva se preocuparam em disponibilizar o preventivo para você, tome. só eles sabem a quantidade de bebidas e garçons foram comprados e contratados para servir você e os outros convidados da festa.

- se você foi a um casamento sem relógio é fácil ver as horas pelo terno de um convidado. o último botão do colarinho já está aberto? já se passaram duas horas de festa. tirou o paletó e ficou apenas com a camisa social? já se passaram três horas e meia de festa. tirou a gravata? quatro horas de festa. dobrou as mangas da camisa? quase cinco horas de festa.

- fazer o nó da gravata demora mais do que colocar o resto do terno inteiro. por isso dá uma puta dó de tirar depois quando a festa já está nos finalmentes.

- o que é a lavagem a seco de um terno? no meu caiu champagne... como é que o fêla vai tirar a mancha assoprando?

- mas o mais bacana de um casamento é ver pessoas de diferentes épocas da sua vida. uma vez convidado para um casamento, existe uma grande chance de você conhecer amigos em comum do noivo e da noiva. amigos que você conheceu em diferentes épocas da sua vida. casamento é uma espécie de máquina do tempo-- que trás você de volta para os dias de hoje ao final-- com a máquina do cafezinho ao lado das mesas dos doces.

sexta-feira, março 30, 2007

a teoria do contrapé 2.

a teoria do contrapé é simples. o título desse textinho vem com um 2 no fim porque eu não me lembro se já escrevi sobre isso antes. bom, mas vamos a teoria. e o contrapé. um exemplo de como ela se aplica: você sai para beber com os amigos numa segunda-feira ao invés de uma quinta ou sexta, ou até mesmo um sábado. sem saber já ee mestre na teoria. como? bom, o seu corpo está acostumado a sair para beber com os amigos naqueles útimos dias da semana, não é? os enzimas do seu aparelho digestivo. o seu fígado. os seus rins. até mesmo aquele cantinho do seu cérebro que controla o sono e o cansaço. a patota toda, achando que aqueles copos a mais de cerveja vão vir pontualmente numa sexta depois do trabalho. mas, você resolve pregar uma peça. pegar todo mundo no contrapé. quando os seus enzimas esperavam um copo de leite. "um copo de coca light com bastante gelo e sem limão, por favor."-- você fode todo mundo. é o contrapé. e a teoria se aplica em diversas facetas do seu dia. da sua vida. seus neurônios achavam que você ia assistir mais uma vez uma filme de aventura cheio de explosões? comédia romântica neles. domingo é dia de pizza em são paulo? pede feijoada. quarta é dia de feijoada? "opa, o senhor pode trazer o cardápio de pizzas, por favor!" mas tem uma coisa, uma regra, que deve ser sempre seguida na teoria do contrapé. a única regra da teoria. a regra universal. quebrou a porra da regra. fodeu a teoria. acabou o contrapé. a regra é a seguinte: você não pode aplicar a teoria do contrapé com freqüência. tem que ser raramente. de vez em quando. quase nunca. por um motivo muito simples: se você entrar numa putaria de querer pegar o seu fígado, seus neurônios, no contrapé sempre, aí, meu amigo, deixa de ser contrapé. eles vão ficar atentos. vão ficar mais espertos. já vão saber antes, que segunda é o dia do chopp com a galera e não mais sexta. que você agora é apreciador de comédias românticas e não mais torcedor do charles bronson. segure a onda. marque o chopp de segunda uma vez a cada dois meses. aí, é contrapé. peça um x-filé bacon com ovo e três dedos de maionese, as sete da manhã na padaria. peça. mas uma vez em janeiro, outra em maio. coloque aquele tênis quadriculado dos anos 80 que está no fundo do armário para ir ao cinema. ok, mas uma vez para assistir um filme, a outra, a continuação do mesmo. a teoria do contrapé. pode parecer uma baboseira. e é. mas experimente marcar um chopp com a galera do trabalho numa segunda feira chuvosa. ou marque um jantar com a patroa ao lado de uma van de cachorro quente. cachorro quente dos bão. mas tem que ser o de van. aí você vai entender o contrapé.

terça-feira, março 27, 2007

alguns pensamentos do dia e tres "quando o personagem principal de um filme..."

o tempo passa mais rápido quando você está atrasado. mais devagar quando você está com pressa. e nem devagar, nem rápido quando você está olhando para o relógio.


minha mãe ainda pergunta se eu almocei quando liga de noite. e se eu tomei café da manhã quando liga de tarde.


acho que o cachorro da minha vizinha comeu a vizinha e o marido dela. agora ele está com fome e não tem ninguém para dar comida pra ele. o fêla tem latido um tantinho mais do que o comum.


quando o personagem principal de um filme anda em câmera lenta depois de um carro explodir em um trilhão de pedaços, você pode ter uma certeza, o filme é uma bosta.


quando o personagem principal de um filme fala: "eles vão ver, matarei todos. sem pena. afinal, eles mataram o meu cachorro." bom, esse filme vai ser uma bosta.


quando o personagem de principal de um filme leva dois tiros, cai do terceiro andar de um prédio, levanta mancando, corre quatro quarteirões, rouba um carro, foge do fbi, entra de ré num rio e escapa nadando de trinta e seis helicóptero... você pode ter certeza, o filme tem grandes chances de ser uma bosta.


se você é sedentário e vai ao cinema assistir rocky 6, sai de lá se sentindo um bosta. o cara tem uns 96 anos e passa metade do filme correndo e socando gente.

o meu alarme de vez em quando não toca. Isso é que dá não trocar de alarme depois de tanto tempo. o fêla da pulta começa a ter pena de você.


se eu fosse dono de um boteco, colocaria no cardápio uma porção de pastel de “pastel de vento”. aí, quando um cliente puto chamasse o garçom perguntando se aquilo ali era uma porção de pastel de queijo ou de vento (cheio de ironia), o garçom poderia simplesmente responder (sério e sem qualquer dose de ironia): “é ‘de queijo’ meu senhor, se você quiser ‘de vento’, a gente faz.”

quanto menor o espaço, mais você é obrigado a socializar com estranhos. exemplo: você vê o vizinho do oitavo andar no shopping, lá na casa do caralho. ele te vê, você vê ele, e os dois concordam em se ignorar. agora, você entra num elevador com o fêla da pulta e já vaia falando: “oi, bom dia.” E “tchau, até mais” ao sair. puta negócio estranho.


quinta-feira, março 22, 2007

pensamentos do dia.

- existe uma coisa pior do que ficar preso no trânsito. ficar preso no elevador a caminho do estacionamento onde está o seu carro que você vai pegar para ficar preso no trânsito.

- a conta de gás de um restaurante de sushi é quase zero.

- dia desses fui reconhecer a minha assinatura e a mulher do cartório disse que não era a minha assinatura. eu olhei para ela e disse que eu, era eu. e ela respondeu, mas a assinatura não é. voltei para casa e fiquei treinando a minha própria assinatura.

- quando você é moleque, morre de medo do escuro. quando vira adulto e tem que pagar a conta de luz, morre de medo da luz.

- tem uma tiazinha de uns oitenta e nove anos no meu prédio que entra no elevador e fica se arrumando no espelho como se eu não estivesse lá.

- eu fiz um teste cego entre um miolo de alcatra e um miolo de picanha e não acertei.

- os filhos da fátima bernardes e do william bonner são muito bem informados.

- não deve faltar assunto na mesa da família bonner.

- entrei numa loja para tirar uma foto 3 x 4 e a mulher perguntou se eu não queria comprar óculos escuros. mais tarde ela perguntou se iria pagar as fotos em dinheiro e eu perguntei se poderia pagar com jujubas.

terça-feira, março 20, 2007

o skype e relacionamentos.

O skype está fudendo com os relacionamentos. eu sei, você deve estar pensando, “mas como assim? o skype tem dado uma puta mão no meu namoro… ligações mais baratas… posso falar por mais tempo…” mas é exatamente por isso que o skype tem estragado uma caráiada de namoros. antigamente, sua namorada viajava, você tinha que marcar hora para ligar pra ela: “amor, vou te ligar na quarta-feira, entre nove e nove e dezoito, porque nesse horário a ligação é metade do preço.” e, na quarta-feira, lá estaria o casal, pendurado no telefone, fazendo juras de amor. com a voz embargada, prometendo escrever uma carta assim que desligasse o telefone. hoje, não. com o skype, é aquela coisa. a namorada fica de um lado da câmera, em nova iorque, por exemplo. E o namorado, no rio, do outro lado da camera. Uma, duas, três horas falando. “oiê…”, “oiê…”, “eu já disse que eu te amo?”, “já, e eu, já disse?”, “já…” é foda. não existe assunto que renda mais do que meia hora no telefone. não existe namoro à distância que aguente um skype. com aquela imagem quase perfeita, trânsmissão da guerra do golfo, um tantinho granulada. “amor, você está fazendo o que?”, “assistindo a novela…”, “ah, tá…conta pra mim o que está acontecendo na novela…real time….” depois de seis meses, de duas horas diárias de skype, quando um casal se reencontra no aeroporto, deve ser tão emocionante quanto espremer um cravo do queixo. o casal sabe tudo o que aconteceu, em cada segundo, cada minuto, do tempo que eles ficaram separados. o email já tinha fodido o esqueminha das cartas. aquelas cartas borradas de lágrimas, borrifadas com perfume e com garranchos do autor. que a menina guardava numa caixa para reler quando estivesse com saudades. beleza, o email é prático. mas o skype, bom, esse é roubada. da próxima vez que você ligar para a sua namorada ou para o seu namorado, veja como está cada vez mais difícil gerar assunto. a ligação não vai passar de cinco minutos. se passar de dez, é porque vocês brigaram ou um dos dois está preso no trânsito. já o skype, acabou com a desculpa da ligação que é cara. se eu pudesse escolher entre pagar 10 reais o minuto e falar pelo skype de graça para manter um relacionamento à distância entre tókio e são paulo, ficaria com a ligação de 10 reais o minuto. vai por mim, daqui a pouco sai uma pesquisa relacionando o skype com o aumento de índice de divórcios e fins de namoro. vai por mim, se você estiver num esqueminha de namoro à distância, fuja do skype, não faça o dowload nem sob ameaça da muié acabar o namoro.

quinta-feira, março 15, 2007

4 pensamentos do dia e 3 "qualquer conversa que começa com..."

- o trânsito sempre pode piorar o seu dia. ex.: você sai do dentista com meia boca anestesiada e uma dor do caralho no molar superior direito. aí, quando você acha que o dia já não está lá essas coisas, você coloca a seta para sair da garagem do dentista e entra num trânsito filhodaputa. outro exemplo: você acaba de sair de uma reunião com um cliente. todos estão com sorrisos estampados no rosto. você entra no carro, olha para o relógio que marca, 19:08. meia hora depois, você ainda está no mesmo quarteirão. você está puto, o cliente está puto. todo mundo está puto. amanhã ele, o cliente, nem vai lembrar que teve uma boa reunião com você. terá memórias. sim. mas do trânsito filhodaputa. "e então mathias, como é que foi a reunião ontem, lá na agência?" e o mathias, "a reunião, cara... aproveitando que você mencionou... nunca mais vamos marcar uma reunião na agência. a gente paga esses caras, manda eles virem até aqui. não fódi. que trânsito du cacete. a reunião? não lembro. mas o trânsito estava uma bosta.

- manobrista é um sujeito que chegou antes que você naquele ponto da calçada e por isso se acha no direito de cobrar por isso.

- batom é um produto que quanto mais bonita for a dona dele, menos ele dura.

- os 'spams' do email estão me devendo umas 198 horas de vida.

- qualquer conversa que começa com: "vamos por etapas..." dura mais do que meia hora. no mínimo.

- qualquer conversa que começa com: "a gente precisa conversar..." termina com alguém puto ou chorando.

- qualquer conversa que começa com: "não sei se você sabe, mas a empresa está passando por uma fase de ajustes..." termina com a pessoa que está escutando com as subácas molhadas e fazendo contas na cabeça.

terça-feira, março 13, 2007

pensamentos do dia.


- h20h! vende que nem água. tenta achar essa pourra em algum supermercado.

- a revista istoé dinheiro deveria se chamar istoéuma revista.

- se eu jogasse xadrez profissionalmente, só jogaria vestindo camisas xadrez para confundir o fêla da pulta do outro lado da mesa.

- ninguém vai acreditar que você foi a praia se usar um filtro solar 50.

- o canal do meu prédio que filma os elevadores tem uma audiência de dois porteiros. mas com 100% de share.

- uma lata de leite condensado está para um pé de alface como uma quilo de chumbo está para um quilo de algodão.

- o filho da puta do cachorro da minha vizinha engoliu duas caixas de som daquelas bang olufsen makers plus soundworks.

- entregador de flores é um entregador de pizza que tem segundas intenções com a sua mulher.

- massas são todas iguais. só muda o formato, o recheio e o molho.

- havaianas. todo mundo usa? então porque anuncia, caráio.

- quando o flamengo joga, "o globo" do dia seguinte demora pra chegar lá em casa. e quando chega, já está todo moído. o fêla é flamenguista doente.

quinta-feira, março 08, 2007

regras do buffet.

lá no prédio em que eu trabalho só tem kilão e buffet. buffet ou kilão. sério, ou é isso ou um esqueminha daqueles sanduíches suspeitos embalados em plástico com uma data de validade. bom, você entendeu, o negócio é sempre apelar para o bandeijão, pra balança do kilão, para a fila do buffet. e, de tanto observar o buffet, de tanto frequentar o kilão comecei a pensar em algumas regras que poderiam ser interessantes para criar um ambiente mais traquilo e com um certo clima de "é, tâmo na merda, mas tá tudo bem..." regra número 1: se você pegar comida comida demais e colocar no seu prato, não pode devolver para a bandeija. regra número 2: se você não quer socar tomate, cenoura ou beterraba no seu prato, pode furar a pourra da fila e ir direto para os pratos quentes. não fode. regra número 3: se você espirrar sobre o alface será convidado a se retirar do restaurante. regra número 4: se a hostess falar que sua mesa fica pronta em dez minutos, ela tem 5 minutos de desconto, passou de 15 minutos de espera, ela será obrigada a pegar um violão e cantarolar músicas da mpb para fazer a sua espera ficar mais confortável. regra número 5: couvert não pode custar mais do que a sobremesa quando ele consiste apenas de pão e bloquinho de manteiga quase congelados. regra número 6: bloquinho de manteiga do couvert quase congelados são proíbidos a partir de hoje. vai dar meia hora de bunda, quando você consegue colocar a manteiga na lasca de pão, sua comida já chegou. regra número 7: na hora de pagar, nenhum mané poderá furar a fila porque conhece um outro mané que está na sua frente. essa regra só poderá ser quebrada se for marido e mulher. e os dois terão que dar um beijo na boca cinematográfico para provar que são casados. caso contrário, fim da fila rapaz. regra número 8: alface murcho? 10% de desconto. naco de carne tostada no rechaud? 20% de desconto. regra número 9: o fêla que lambuzar o alface usando o pegador do fetuccine alfredo, vai educadamente se oferecer para pagar o seu prato cheio de alface melecado de molho alfredo. regra número 10: guardar o lugar na mesa com um óculos escuros, um crachá ou levantando a cadeira é crime inafiançável. o sujeito será transportado para a prisão de presidente bernardes para dividir uma cela com o beira-mar. quer arrumar um lugar para sentar e ao mesmo tempo ficar na fila para pegar comida? deixe de ser mala e convide um amigo para almoçar e reveza com ele. simples assim. regras do buffet. se elas fossem seguidas por todos, o almoço no prédio da firma seria sensacional. tá bem, exagerei, mas seria pelo menos melhor.

terça-feira, março 06, 2007

dentistas e os sopranos.

meu dentista é bacana, gente boa. oferece aplicar anestesia antes de partir meu molar ao meio. beleza. sem dores. mas fico imaginando porque até hoje não apareceu uma gangue de dentistas saqueadores. uma gangue de dentistas que aproveita aquela broca, aquele motorzinho no seu dente enfermo e não pede nada em troca. vou dar um exemplo: imagine que você está lá, deitado no dentista, ele, por algum motivo disse que não seria necessário aplicar anestesia e soca a broca no meio daqueles dois dentões lá de trás. sabe, aquels grandões, do tamanho do dedão do seu pé? então, ele está com a broca lá. e, naquele momento, ele aperta aquele aceleradorzinho e raspa a primeira camada dos seus dentes. só para arrancar uns 50 ml de lágrimas dos seus olhos. aí, quando você ameaçar mandar ele tomar no cu, quando você ameaçar matar ele, ele te ameaça. ele encosta a broca no mesmo dente dolorido e fala: passa as senhas do seu cartão de crédito ou eu ligo a pourra do motorzinho. e você, bem, você que não é masoquista, grita, em pânico: "sete, sete, nove, um." e ele recua um pouco a broca e manda a secretária dele/assistente ir até o banco vinte e quatro horas da esquina para fazer o saque. mas isso seria só o começo. dor de dente é a pior dor que existe. dor de dente causada pela broca da maquininha de um dentista mal intencionado é pior ainda. em outras palavras, dentistas poderiam formar uma gangue de mafiosos. "entregue todo o seu dinheiro ou eu vou deixar um canal aberto para infeccionar e te causar uma dor eterna." ou "deixe as chaves da sua mercedes benz com a dona lucinda na recepção ou eu vou raspar lentamente o esmalte dos seus caninos." não consigo imaginar quem resistiria a tal assalto. uma gangue. uma gangue de dentistas. só tem um lado bom dessa história. com esse esqueminha, eles não precisariam cobrar tanto a cada consulta.

quinta-feira, março 01, 2007

"é aquela coisa..."

é aquela coisa é um começo de frase meio suspeito. não sei se você escutou alguma frase que começa assim, mas é meio aterrorizante. aterrorizante não é a palavra. é no mínimo suspeito. você entra num restaurante, num boteco daqueles com ladrilhos na parede e um garçom que se chama paiva ou zé ou palhares. aí, você acena para o palhares e pede para ele tirar uma dúvida que você tem com o cardápio. "ô garçom, o bolinho de bacalhau é bolinho de bacalhau mesmo ou é muito carregado com batata?" e o palhares, bem, o filho da puta do palhares olha pra você, e na maior cara de pau fala: "é aquela coisa... depende do que você quer dizer com 'carregado com batata..." e você alí com cara de mané fala: "cuma?" e o palhares: "é aquela coisa, tem gente que prefere com mais batata, tem gente que prefere com menos batata... é aquela coisa..." e você, sem saber o que dizer, pede a porra do bolinho de batata. mas essa frase não é exclusiva de botecos. você entra numa loja de calçados esportivos. aponta para um nike air max plus e pergunta: "esse é aquele que o pessoal da propaganda salta cinco metros de altura, né?" e o vendedor, vestido com aquele uniforme de auxiliar técnico da seleção de basquete do chipre, vai responder: "é aquela coisa, se você já joga basquete, pode saltar relativamente alto. agora se você não costuma se exercitar com frequência, periga não saltar como o pessoal da propoganda. é aquela coisa." e você ali, fica com aquela vontade de dizer: "é aquela coisa, eu poderia dar um chute de trivela no seu joelho esquerdo ou uma cotovelada na base do seu pescoço." é aquela coisa, ou você encontra um sujeito que vai falar assim com você hoje. ou esbarra nesse "fêla" amanhã. um comecinho de frase que diz muito do que está por vir. um comecinho de frase que significa que você está na merda. uma mulher pode acabar um namoro assim: "é aquela coisa, eu te amo, mas não o suficiente para ficar com você." ou "é aquela coisa, o problema não é com você, é comigo..." e por aí vai.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

o horário de inverno. uma idéia.

existe o horário de verão. todo mundo sabe disso. adianta uma hora. a noite chega uma hora mais tarde. as pessoas ligam as luzes uma hora mais tarde. todo mundo economiza. bom, mas e o horário de inverno? é uma idéia simples, baseada no princípio do horário de verão, mas, como o nome já diz, o inverso. o contrário. ao invés de adiantar uma hora, iríamos atrasar, não uma, mas três. isso, voltar umas três horas. o seu relógio está marcando quatro da tarde? na verdade já são sete da noite. ôpa rapaz, olhe pela janela, já está escuro é hora de ir para casa. tá fazendo o que aí catando números nos teclados encardidos do seu computador? vai por mim, no começo todo mundo vai reclamar, falar como é complicado, como o corpo demora para acostumar, como é difícil se adaptar ao fato da noite estar chegando assim no meio do dia. vai ter aquela clássica entrevista no jornal hoje em que uma tiazinha do bairro de moema vai reclamar do barulho dos aviões e do fato da lua estar mais apressada para subir e de como ela sente dores lombares quando acorda. mas com o tempo, muito pouco tempo, você verá as vantagens. a hora de ir para casa vai chegar muito mais cedo. três horas mais cedo. é, depois de algumas horas vendo aquela escuridão pela janela, e com as luzes brancas queimando a retina das pessoas, o seu chefe vai começar a liberar a galera. o corpo não vai aguentar ficar tanto tempo dentro de um escritório com aquele breu lá fora. é natural do ser humano. pode notar, bateu seis e tal, começa a escurecer. você já fica meio inquieto na cadeira contando os minutos. chega sete e tal, e aí meu amigo, você já está tenso, nervoso com a sáca na lua. já está escuro lá fora, que caráio você ainda está fazendo aí no escritório? levanta a bunda da cadeira e some, pourra. oito horas e você levanta e corre deixando marcas do solado no carpete da firma. e tudo isso porque aquela escuridão que você testemunhou crescer pela janela-- fodeu a sua cabeça. é o mundo, o tempo escorrendo pelos dedos. com o horário de inverno é a mesma coisa. só que, como vai ficar escuro muito mais cedo, você e o seu corpo vão jogar a bombinha ninja igualmente cedo. vai começar a ir para casa entre três da tarde e quatro. o horário de inverno, atrasar o relógio umas três horas. você acha que é meio-dia? mas seu relojinho deveria estar marcando três. cinco da tarde? oito de verdade. vou escrever uma carta para o ministério do trabalho. fazer um teste. uma pequena experiência. assim meio de putaria só pra ver a bosta que dá.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada.

se você já dirigiu o seu carro durante oito horas numa viagem sabe que precisa parar. seja para tirar a água do joelho, seja para comprar um red bull para recarregar as baterias. e sabe também que se a viagem começou oito da matina, lá pelas 14 horas, vai estar com uma fome insana. barrinhas de cereais evaporam no primeiro contato com a sua boca, biscoitos seguem o mesmo destino. você precisa de comida. e é aí que entram os postos suspeitos. descendo a dutra, aquela estrada sem fim que liga o rio a são paulo, você passa por uns 72 postos de gasolina. e, com cada um deles, você ganha de brinde um restaurante. churrascaria las pampas do sul, churrascaria meu garoto, churrascaria guri, rodízio com cheque para 30 dias, comida da fazenda da vovó a kilo. tem de tudo. alguns com a tinta exterior descascando, outros com erros de português, e todos com um ar de comida caseira. aquela que você come alí e vai sentir o estrago em casa. mas a fome é braba, e você tem que comer. é um fato. é alí, com o velocímetro do seu carro marcando 120 km/h, e com aquelas churrascarias desfilando pela janela do seu carro, que você tem que decidir. acelero para tentar chegar na cidade antes? mas a dutra não acaba, a dutra não tem fim. e a resposta é óbvia, você vai ter que enfrentar uma churrascaria de estrada. um restaurante que jura ter uma comida igual a da sua querida avó. e como a fome toma conta de você, o carro começa a desacelerar. a fome é que toma as decisões a partir de agora. o carro pára. você sai, se comportando como um zumbi desses de filmes de terror preto e branco que passam quatro da matina no telecine action. churrascaria meu guri. aqui eles têm maminha? sim. picanha, fraldinha, alcatra? sim. setenta e duas guarnições. um enroladinho de carne suspeito com uma tira gorda e branca de bacon e um arroz "veja bem, não sei se é carreteiro ou biro-biro, vou perguntar para o gerente..." e lá vai você, com a fome, a cara e a coragem. você reza antes, mesmo não sendo religioso. respira fundo e mastiga com força para ajudar a matar qualquer objeto não identificado. e, para a sua surpresa, a comida é gostosa, saborosa. com fome, meu amigo, casca de pão plus-vita é saborosa. pão com meia colher de maionese light é saboroso. biscoito de água e sal acompanhado com um copo de água é saboroso. e você raspa o prato, mata a fêla da pulta da fome de porrada e segue em frente. você foi corajoso rapaz. não é todo mundo que soca o estômago com arroz "veja bem". não, a maioria teria continuado na estrada com fome. e, enquanto você sai com o carro, vê pelo retrovisor, um outro automóvel de família. com a seta ligada, entrando no mesmo restaurante que você acabara de comer. no volante está o marido com um terço na mão rezando em voz alta e ao lado, a esposa, chorando no celular se despedindo, dando adeus para os filhos. a o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada. você ainda vai encarar os dois.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

a síndrome do nextel.

não sei se você tem ou já teve ou conhece alguém que tem um nextel. nextel, para quem não sabe é um celular que está sempre no viva-voz. as pessoas que estão ao redor escutam tudo o que o dono ou a dona do nextel fala. como eu já disse, a pourra do telefone é uma espécie de walkie-talkie fantasiado de celular. puta negocinho escroto. entendo que dá pra economizar. ligação infinitas com o apertar de um botão. ok, beleza, faz sentido. mas só se você usa essa maravilha da tecnologia para algum tipo de trabalho. você é mestre de obras? beleza, tem que falar com o carinho no segundo andar do prédio que está chovendo sacos de cimento. com um apertar de botão você pode salvar a vida do fêla. mas tem gente que usa a pourra do nextel para conversar coisas íntimas, do dia a dia. "amor, eu vou pegar as crianças... mas depois tenho que dar uma parada na farmácia porque o meu furúnculo do joelho está vomitando pus." puta papozinho que não dá para falar num nextel para todos que estão ao redor escutem. o foda de um dono de nextel é que ele ou ela, com o tempo simplesmente esquecem do fato de estarem falando em voz alta. na primeira conversa talvez sussurrem. na segunda conversa já falam um tantinho mais alto. afinal, a pessoa do outro lado da linha está gritando. é o marido que vai falar baixinho para mulher no nextel que ele está louco para chegar em casa e tirar o atraso, depois de uma semana trabalhando na ponte aérea. mas que um mês depois, pede pra ela descrever graficamente a cor da calcinha dela, em voz alta dentro de um carro do metrô. ou é a esposa que fala para o marido baixinho que pegou a cueca dele escondida entre as almofadas do banco de trás do carro da família. e pede explicações. mas, aí, passam se os meses, e ela liga pelo nextel e esperneia que encontrou uma gola de camisa de terno lambuzada de batom. e fala isso na escada rolante de um shopping, por exemplo. é a síndrome do nextel. com um, dois, três meses de nextel, as pessoas esquecem que existe um mundo de pessoas ao redor. e falam alto, coisas íntimas que não necessariamente merecem ver a luz do dia no viva voz do nextel. "maria, as crianças comeram? ah, o claudinho não comer brocólis? então empurra goela abaixo e diz que se ele não comer eu vou cortar a língua dele fora..." escutei isso na sala de espera de um aeroporto. não fodi. compra um celular e fala direito, baixo. a síndrome do nextel. um bando de fêla que fica falando alto pra cacete porque perdeu a noção que a caráia do nextel é um walkie talkie e não um telefone celular.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

dia desses, preso no trânsito vi um caminhão cegonha na faixa ao lado. dos grandes. tinha uns 18 carros. mais um, menos um. o cara estava com o vidro abaixado, com um calor do cão, aquela testa que brilhava de longe e o sol tostando o bigode do fêla. achei que o cara ia pegar fogo. e, como o trânsito não andava, o fêla derretia. bom, você entendeu, o cara estava sofrendo. mas, bastou olhar só um pouquinho para a carga do caminhão cegonha pra ver como a vida dele ainda poderia ficar pior. os 18 carros que estavam bem atrás da sauna, da cabine em que ele estava, eram carros de luxo. jaguar, alfa romeo, bmw, mercedes. um mais bem equipado do que o outro. numa outra vida esse cara devia roubar o lanche do colega mais fraco na hora do recreio. devia ser bem filhodaputa. puta trabalho sofrido du caralho. 18 carros cheio de ar condicionado e um zilhão de itens de série e o cara a dois palmos deles cozinhando na cabine de um scania. o sinal abriu, o trânsito começou a se mover e e lá se foi o coitado. quer ver outro emprego desses: vendedor de cerveja estupidamente gelada de praia no verão. complicadíssimo. o cara tem que ser bem zen. tem que ter um poder de auto-controle fora do comum. quarenta e dois graus. aquecimento global. areia quente pra cacete. mar, mulheres com pouca roupa e um isopor socado com gelo seco e cerveja a 0,1 graus de congelar. outro emprego foda: policial de estádio de futebol. se entrar numas de virar pra assistir o jogo, leva esporro. e o fêla tem que passar o jogo inteiro olhando com cara feia para uns marmanjos, de costas para o jogo. e ainda periga levar na quina da cabeça uma lasca de asfalto. taí outro que em outra vida devia ser bem escroto. o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

uma lasca da alface e o teste.

a melhor maneira de testar o nível da amizade de alguém em relação a você, é com uma lasca de alface. uma lasca de alface do tamanho da unha do seu dedo mindinho. nem menor. nem maior. a idéia é simples. ah, só mais uma coisa, a lasquinha de alface tem que ser nova, nada de usar alface murcho, véio. bom, mas vamos a lasquinha de alface. pegue a lasquinha como quem segura um fio dental. com o indicador e o polegar, agarre a pontinha do alface. mas com cuidado para não rasgar. faça o mesmo com a outra mão. você tem agora, esticado, entre as mãos uma lasca de alface. agora vamos testar o nível de amizade das pessoas. encaixe a lasca de alface entre o canino e aquel primeiro pré-molar, o vizinho do canino. mas encaixe, deixando para fora, exposta para o lado visível da boca, a maior face da lasca do alface. agora, munido desta lasca verde, saia por aí, vá ao trabalho, frequente festas, jantares de família, entre numa loja do shopping e fale com uma vendedora que você quer experimentar o tênis zambers da vitrine. a idéia é circular com a lasca de alface no dente. portanto sorria bastante, fale bastante, puxe assunto. a partir daí meu amigo, preste atenção na reação das pessoas. conte quantas vão te avisar da lasquinha do alface. leve um bloquinho no bolso da calça. conte os segundos que demora para um fêla da pulta levantar uma sobrancelha ou apontar com o indicador freneticamente para a sua boca. a lasca de alface é um dos melhores testes que existem. a lasca de alface é capaz de separar amigos de quase-amigos. você vai saber por exemplo se a sua mulher realmente quer o seu bem, ou se está buscando algum tipo de vingança deixando a lasca de alface alí sambando contra o vento na quina da sua boca. faça o teste e comprove. uma lasca de alface e um sorriso daqueles meio falsos que mostram uma caráiada de dentes. é tudo que você precisa.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

salaminho e as pequenas e honestas piscinas de banha.

o salaminho é honesto. não, o salaminho é o alimento, em qualquer forma, mais honesto que existe no mundo. em qualquer país. se você olhar para um doritos desses laranja escuro, de queijo, você não enxerga a gordura. ela está lá, e você, de alguma maneira sabe disso, pois já notou que depois de consumir toneladas do mesmo, acaba desenvolvendo bolsas de gordura localizada que saltam pela calça. mas o doritos não te avisa, não fala, não coloca um neon sobre ele com letras garrafais que dizem: "gordura saturada. banha. 500 calorias." não, você tem que pesquisar você mesmo. se não estiver escrito nas letrinhas miúdas do verso, você talvez encontre um 0800 minúsculo escondido ou uma caixa postal para escrever perguntando a quantidade de banha que você está adicionando ao seu querido corpo. agora, voltemos ao salaminho. aquela rodela reluzente empapada em gordura que brilha à distância. aquele petisco, que faz parte da família dos frios no supermercado. o salaminho não tem vergonha de se expor. de falar com todas as palavras, "meu amigo, aqui contém duas colheres de sopa cheias de banha." ou "tá vendo estes pequenos círculos brancos? é banha." e você vai lá e compra. eu compro. todo mundo compra. pinga limão, junta com provolone e come. é uma relação honesta. você sabe o que está comendo e o fêla da pulta do salaminho não te engana. diz na lata coisas que sorvetes, biscoitos e manteigas se recusam. e não adianta entrar numas de retirar os pequenos círculos de gordura como se faz quando se retira uma azeitona de uma empada. é, porque se você entrar numas de tirar as piscininhas de gordura saturada do salaminho, ele deixa de existir. simples assim. é gordura pra caráio. e mesmo assim você compra. é uma forma de retribuir pela honestidade do fêla. salaminho é foda. é o alimento mais honesto que existe.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

o tiozinho filhodaputa no cinema e "o xixi da morte."

dia desses fui ao cinema assistir babel. aquele filme indicado a uma caráiada de oscars. babel é daqueles filmes que contam 3 histórias simultâneas, um terço em japonês, o segundo terço em árabe, e a outra parte em espanhol. no meio desse esquema todo também tem inglês, outra coisa do filme, a porra da história não segue nenhuma ordem cronológica. resumindo, é bom prestar atenção na porra do filme ou você periga voltar pra casa sem entender picas do enredo. segure o mijo, a sede, a vontade involuntária de piscar. foco na tela. bom, aí você senta atrás de um tiozinho filhodaputa de voz grave e carente. que gosta de fazer piadas entre cenas em que a maioria das pessoas está soluçando ou com a respiração fora dos eixos. esse tiozinho estava bem na minha frente com uma filha ao lado que parecia idolatrar cada piadinha daquele bosta. vinte minutos de filme, uma mulher leva um tiro no peito. o cinema suga o ar inteiro da sala. o tiozinho aproveita o silêncio e diz: "bala perdida. perdeu playboy!" e solta uma risada tipo mutley do dick vigarista. meia hora depois, no núcleo japonês da história, uma menina surda-muda e em profunda depressão entra em cena nua. o veado imita umas quatro frases em japonês macarrônico e fecha com "peito bon, nô?" dez minutos depois, uma das personagens a beira da morte pede ajuda para urinar para o marido. uma tiazinha no corredor ao lado chorava. ele, o tiozinho, limpou a garganta e gritou: "ahhh, o xixi da morte!" eu não sei se era o fato de 200 pessoas estarem com os olhos pregados na tela pra entender a pouura do roteiro, mas ninguém matou o filhodaputa. dei mole. ele tem mais ou menos 1,70m. pesa uns 90kg. tem uma pança saliente. uma barbichinha no queixo. é careca atrás e tem o cabelo bem branco a lá steve martin. usava uma camisa laranja gritante e um par de chinelos de couro. ah, e tinha uma voz meio cid moreira, meio william bonner quando aparece no plantão da globo. se você pegar uma sessão com ele, dê uma cotovelada na nuca do fera por mim.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

guarda-chuvas, garrafas mudernas que falam russo e a caipiroska de 22 mangos.

sua caipiroska vem guarda-chuvinha? fodeu. vai pagar caro. mais caro do que você está acostumado com certeza. o guarda-chuvinha é sinal de que você vai ser enrabado quando a conta chegar. a garrafa da vodka fala russo? xi, melhor pedir uma salada então. transforma uma entrada em prato principal. a garrafa da vodka é muderna, colorida? ah, antes de fazer o pedido é recomendável ligar para aquele amigo seu que deve uns trocados desde os tempos de moleque. cruzeiro virou cruzado que virou cruzado novo que virou cruzeiro de novo que hoje é real. ou seja, aquele trocadinho que o teu amigo de infância te deve vai dar pra pagar a tal caipiroska. dia desses fui num bar muderno. novo. e caro. a caipiroska tinha guarda-chuva, a vodka falava um russo fino sem sotaque e custava 22 mangos. 22 mangos. e, como você acaba sempre pedindo a segunda, só de caipiroska, lá se foram 44 mangos. dez porcento, quase bateu 50. e como eu fui trouxa e pedi sem ver o preço, não podia levantar e mandar o gerente do lugar à merda. outra coisa que eu notei que criaram para te foder. o nome "robata". robata para quem não sabe é o seu típico espetinho de carne ou de queijo ou de frango. mas, num restaurante muderno, chique trips, eles chamam qualquer espetinho de "robata". aí o negócio é o seguinte, se é espetinho custa X, se é uma robata, custa 3X. simples assim. a carne é a mesma. o queijo coalho também. a lasca de abacaxi então. mas como resolveram chamar a porra do espetinho de robata, prepare-se para escancarar a carteira. vodkas que falam russo sem sotaque com guarda-chuvinhas e robatas. duas maneiras que algum dono de restaurante esperto inventou para aproximar você do cheque especial. antes de pedir qualquer coisa num restautarante da moda, novo, observe as mesas vizinhas. fique atento. notou qualquer comentário do tipo: "a senhora quer a sua caipiroska com vodka st petersburg ou vladvostock?" ou "robata de carne seca com pepino ou de lascas de gengibre com frango?-- fuja, corra e mande o gerente tomar no cu enquanto você arranca a sua carteira da mão do garçom. boa sorte.

terça-feira, janeiro 30, 2007

o taxista, o filosófo e a revolução.

taxistas são filósofos que conhecem bem a cidade em que vivem. taxistas sabem de futebol, absolutamente tudo sobre futebol, política, religião e economia. mais ou menos nessa ordem. dia desses peguei o maior filósofo de todos os tempos. uma mistura de filósofo com che guevara com dor nas bolas do saco. mas uma dor daquelas agudas e crônicas. e para ficar ainda mais caricato, o fêla tinha uma voz a lá cid moreira. bom, ao entrar no taxi ele já foi saudando: "bom dia senhor..." até ai, nada demais, tranquilo. foi a gente passar por um coitado, um sem teto, que dormia no chão para ele comentar: "esse aí vai liderar uma revolução. a revolução. e vai levar um tiro no peito e morrer sem saber o que o atingiu." coitado do sem teto, pensei. não sabia que estava prestes a liderar uma revolução que resultaria na sua iminente morte. segundos depois eu vi um prédio com a lateral toda grafitada. ele olhou para mim, pelo retrovisor e comentou: "tá vendo, você consegue ler o que está escrito lá?" e eu, balancei a cabeça negativamente. ele emendou: "ainda bem que você não consegue entender o que está escrito. se conseguisse, as massas também conseguiriam. e aí a revolução iria começar. mensagens seriam transmitidas. o povo sentiria colar na retina palavras de guerra, de ódio, de asco." levantei ambas sobrancelhas como quem diz, "pois é..." e ele, notando o meu desinteresse disse: "você conhece algum político que não é filhodaputa (assim junto mesmo)?" e eu: "hmmm, acho que não..." e ele: " se entrar no meu taxi um politicofilhodaputa, caga nas calças..." acho que ele quis dar a entender que ia foder com a cabeça do cara. pelo pára brisa já era possível ver o meu destino final, duas esquinas. ele colocou a seta e eu já fui catando duas notas de dez. pedi um recibo. nota fiscal. e foi aí que o che guevara olhou pra mim com babinha acumulada nos cantos da boca e disse: "você por acaso quer o recibo para me entregar? denunciar? avisar sobre a revolução, porque ela está por vir....!" e eu: "não, não, é só para receber o reembolso, eu estou indo para esse endereço a trabalho." ele limpou o suor da testa, me entregou o recibo e disse: "a trabalho? você trabalha para quem? os homens? pra algum políticofilhodaputa?" e eu, enquanto colocava o pé na calçada falei: "não, não. mas na boa, guarda o meu rosto, decora a minha cara. quando a revolução começar, alivia pá nói. nada de porrete nos meus córnios... na boa." e dei um gorda gorjeta pro che.

sábado, janeiro 27, 2007

a quarta cerveja, a represa e o botão do foda-se.

a quarta cerveja é o ponto que abre a porteira para a décima-quarta. a quarta cerveja é aquele ponto em que você decide que vai em frente. que não vai parar. até a terceira, você segura a onda. mas, quando você olha para o garçom e pede a quarta, com aquele gesto do dedo indicador apontando repetidamente para o céu, aí meu amigo, é melhor respirar fundo, se esparramar na cadeira, porque a noite vai ser longa. é, porque a quarta cerveja pega os seus neurônios nas canelas. a quarta cerveja escorre pela garganta como quem avisa: "olha galera, eu, se fosse vocês ia me preparando para aguentar mais umas três horinhas... o cara ligou o foda-se, chegou a conclusão que não precisa entregar nenhum trabalho amanhã e vai tomar mais algumas." a quarta cerveja também é mundialmente conhecida como a terceira caipirinha, a segunda tequila, a terceira dose de whisky. o ponto em que a parede da represa cede e não tem muito mais o que fazer sobre isso. pode notar, as pessoas não vai ficar apontando para você. mas, se você estiver numa mesa cercado de amigos, amigas, casais etc e tal... preste atenção nesse momento. quando você decide partir para a quarta cerveja. (é importante notar que não é o quarto chopp, o que é bem diferente. uma garrafa de cerveja enche quase dois copos de chopp.) bom, mas voltando ao momento em que o garçom rabiscou no bloquinho o seu pedido da quarta cerveja. é nesse instante que as pessoas da mesa vão olharpara o relógio, prender, mesmo que levemente a respiração, olhar para a mesa a sua frente e contar o número de long necks. esse momento é importante. o seu pedido pode gerar uma reação em cadeia. pode gerar uma onda de pedidos como num efeito dominó. maridos que até então bebericavam a terceira cerveja como se fosse água potável no deserto do sahara, vão seguir o seu exemplo. se libertar do racionamento. a quarta cerveja é um marco. um instante na história de toda mesa de bar que prolonga qualquer noite em mais ou menos umas três horas extras. da próxima vez que você for beber com amigos, preste atençaõ. conte as garrafas. mantenha uma boa relação como garçom que vai servi-la, porque, quando chegar o momento da quarta cerveja, você vai sentir no ar essa sensação, que, de alguma maneira, o botão do foda-se acaba de ser ligado. mesmo que temporariamente.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

como se convencer de uma vez por todas que o mundo está derretendo.

a melhor maneira de ver se a porra do aquecimento global existe mesmo, é passar uns dias no rio. não um dia qualquer, tem que ser durante a semana. e tem que ser a trabalho. não vale passar uns dias de bermuda bundando na praia. tem que meter uma calça jeans, uma camisa de botão e sapato. aí meu amigo, eu tenho a absoluta certeza que você vai entender o que as pessoas, os cientistas querem dizer com aquecimento global. duvido que um fela da pulta vai deixar de acreditar que existe o o aquecimento global depois de alguns dias aqui no rio. com as subácas jorrando suor e o desodorante vencendo, o babaca que ainda não acredita que a terra está derretendo vai mudar de idéia rapidinho. uns três dias, com um ar condicionado gago, daqueles que cospe esbaforadas de ar-frio em pequenas etapas. com a testa suada, as meias arriadas pela canela pois não agüentam mais o próprio peso. com a sensação escrota de que o sol está atrás de você lendo o que você digita no computador. acho, só acho que da próxima vez que entrarem numas de propor um tratado mundial desses para acabar com a emissão de gases, deveriam fazer a tal reunião aqui no rio. no verão. meados de janeiro. tipo um dia de hoje. ninguem, nenhum chefe de estado iria ter culhão para discutir mais do que dois minutos. todo mundo iria assinar no primeiro dia. unanimidade. alguns dias no rio. mas tem que ser a trabalho. não vale ficar bundando na praia.

terça-feira, janeiro 23, 2007

quando você não conhece o melhor caminho mas não pode deixar isso transparecer para o taxista.

existem taxistas bons e taxistas ruins. e não estou falando da habilidade no volante. mas de caráter mesmo. se você entrar num taxi de um fêla da pulta e não souber direito como ir da vila mariana para a sua casa se fodeu bonitchu. meu amigo, o cara pode ir até o aeroporto internacional de guarulhos, fazer o retorno e voltar. e você não vai ter a menor idéia de que ele acabou de meter a mão no seu bolso. eu me considero um coitado no trânsito. quase me perco para chegar em casa do trabalho as vezes. na minha cabeça tenho uns quatro caminhos decorados. se eu tiver que aprender um caminho novo, para o dentista por exemplo, minha memória apaga um antigo e substitui por esse novo. por isso, e por volta e meia me encontrar no banco de trás de taxis, tive que desenvolver uma habilidade: fingir que eu sei o caminho quando eu não sei. é simples. quase ingênua. mas se você um dia pegar um taxista fêla da pulta pode ajudar. bom, vamos lá. você está na casa do caralho. foi cair lá por causa de uma reunião. foi de taxi do trabalho porque não tinha a menor idéia de como chegar e agora, obviamente tem que voltar. depois de alguns segundos acenando o braço, um taxista pára. você entra e ele pergunta: "pra onde, chefia?" e é aí que está o segredo. o "chefia". aproveite o gancho e chame o taxista de chefia: "ô chefia, eu tô indo para o brooklin.." o cara já vai se sentir o fodalhão, respeitado. aí ele vai perguntar que caminho você quer fazer. aí, como se você conhecesse são paulo como ele, responde: "olha, quem sou eu para ensinar você um caminho. eu até poderia, mas vou deixar para o especialista... que tal ir pela... não, não, você é quem manda." o importante aí e a pausa no momento em que você ameaça dizer o nome de uma avenida. a pausa é fundamental. ele não pode sentir que é um blefe. aí, bom, aí é fechar os olhos e partir com a cara e com a coragem. e esperar que o fêla ache que você conhece são paulo como ele. "chefia!", "quem sou eu..." e a pausa. nessa ordem. funciona sempre. ou pelo menos parece que sim.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

o sujeito que tira a catota no trânsito.

hoje, a caminho da firma enquanto pescava cds no chão no banco do carona, flagrei um sujeito limpando o salão. catando catota. libertando a verdinha. explorando os canais da narina. lustrando a escuridão do canal da mancha. com uma calma e uma delicadeza de quem achava que estava em casa. e não cercado de centenas de carros. se o fêla tivesse um carro com insulfim 100% preto, beleza. 90% preto, ok. 80% preto, veja bem. 70% preto, é, acho que aquele sujeito ali está tirando uma meleca. agora, o vidro do cara estava aberto. aberto. e ele não estava tirando uma lasquinha de meleca da ponta do nariz. estava escavando serra pelada na busca de uma pepita. uma pedra preciosa. e, como o trânsito não andava, o fêla continuava. meleca teimosa. trinta, quarenta, cinquenta segundos com o dedo indicador enterrado até a primeira falange. gira para a direita. gira para a esquerda e nada de liberar a catota. o sinal abre, e o sujeito finalmente tira o dedo lá de dentro. não, ele não come. mas dá uns petelecos como se jogasse a teimosinha para a vida. como se libertasse ela de vez: "vai, vai viver, explorar esse mundo, sua meleca. você está livre..." depois raspou a ponta do dedo na camisa. como quem limpa uma pá de cocô de cachorro depois de usada. os carros começaram a se mover com uma certa rapidez até. ele abraçou o volante com as duas mãos, abriu e fechou as narinas e partiu. o sujeito que tira catota no trânsito. num belo dia, preso entre um caminhão de lixo e um taxi, com um motoboy metralhando a buzina para passar, você vai encontrar o fêla. com o dedo nervoso. sem nenhuma vergonha. e sem insulfilm. ele caga para as convenções da sociedade. o que importa é o salão limpo, lustrado, brilhando. só fique esperto para ele não petelecar uma na sua direção.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

coisas e aviões.

- todo avião que eu pego tem sempre o mesmo cardápio de duas linhas: "chicken or pasta?" ou "pasta or chicken?"

- quem é o filho da puta que não consegue acertar o vaso sanitário do avião ao mijar?

- ninguém mais olha para os comissários de bordo quando eles fazem os sinais de emergência antes do avião decolar. todo mundo caga para o colete, o oxigênio, as saídas de emergência. caga. baldes. deveriam usar aquelas cheerleaders peitudas de futebol americano para fazer a mesma apresentação.

- pegar uma viagem de 9 horas sem fone de ouvido para escutar o filme é pior do que sentar na poltrona do meio entre os dois caras mais gordos do mundo.


- uma taça de vinho mais ou menos custa 5 dólares na united. 5 doletas. sobrevoando o acre, com o sinal de apertar os cintos piscando, não dá para levantar, mandar a aeromoça à merda e comprar um vinho mais em conta na lojinha da esquina.


- quando o avião estava no ponto mais perto do sol, lá pelas 5 da manhã, uma mulher sentada na janela, abriu a caráia da janela. cegou uns sete passageiros. dependendo do ângulo que eu olho, não enxergo picas.


- o piloto do meu avião descrevia em tempo real as manobras que ele fazia: "agora eu estou levando o avião para 17.000 pés. 17.500, 17.490, 17.328... estamos sobrevoando o oceano atlântico e logo logo, estaremos passando sobre a ilha da casa do cacete..." real time. detalhe: toda hora que ele falava, um dispositivo interrompia o filme do monitor.

- a mulher do meu lado roncava.

- o tiozinho do outro lado tinha um puta chulé.

- acho, que deveria existir uma lei para essas ocasiões. "no caso do passageiro sentar ao lado de uma pessoa que ronca, bufa feio ou tem chulé, o passageiro em questão terá suas milhas creditadas em dobro no programa de milhagem." simples assim.

"em caso de reincidência, o passageiro pode exigir duas passagens de primeira classse para qualquer lugar."

- o filho da puta que se fizer de sonso e levar uma mala gigante para dentro avião e passar meia hora atrasando 200 passageiros tentando socar a mala no compartimento superior, deveria ser preso. uma semaninha só pra ficar esperto.

- o que leva um sujeito ficar em pé atrás do carrinho de comida durante os 45 minutos que está sendo servido o jantar? depois de uns 3 minutos acho que já dá para sacar que é impossível chegar ao toillete sem empurrar o carrinho junto.


- quem é que compra um conjunto de tacos de golf às 3 da manhã no carrinho de free shop que passa pelos corredores apagados do avião?


- como é que se cozinha 200 ovos mexidos numa cozinha menor do que o fogão que você tem em casa?


- "17.208... 17.100... 17078..."


- "chicken or pasta?"

quarta-feira, janeiro 10, 2007

ah previsao do tempo.

nada contra a previsao do tempo. as vezes, quando os caras acertam, ate ajuda. mas aquela putaria de "chances de chuva no final da tarde", "maxima de 29, minina de 19"... nao fodi. vai tirar o cu da reta assim na casa do caraio. raramente esses caras arriscam algo mais especifico. a mocinha do tempo sempre aponta para uma parte gigante do mapa dizendo que ali, naquele espaco talvez, apenas talvez, dependendo da frente fria, pode ter chuvas esparsas. tai outra palavra bem fela da puta... "esparsas". chuvas esparsas e uma maneira que inventaram para tambem tirar o cu da reta. nao e nem aqui, nem ali. ou pode ser aqui e ali ao mesmo tempo. no brasil, a mocinha do tempo geralmente arrisca uns tres dias. o que, ca entre nos, ja e um chute memoravel. se ela nao consegue prever direito um dia, imagine tres de uma so vez. bom, dia desses assistindo o jornal das dez aqui nos estados unidos vi um negocio incrivel e de uma coragem impressionante. o carinha do tempo deu a previsao de sete dias. isso mesmo. o fela da pulta nao arriscou um dia. nao. nao chutou tres dias. nao. tambem nao se contentou em dar a previsao de cinco dias. o cara simplesmente, munido de mapas, graficos e uma senhora cara de pau, deu a previsao de uma semana inteira. imagine voce numa segunda feira, sabendo que caraio de tempo vai dar na outra segunda feira. impressionante. e o mais interessante e que o ancora sentado ao lado dele, assim como o comentarista esportivo franziam os olhos como se aquilo tudo fizesse o maior sentido. como se aquele nostradamus do tempo estivesse realmente prevendo cada gota ou floco de neve que cairia dos ceus nos proximos sete dias. se o cara acertou? acertou. mas tambe e claro que acertou, o fela tambem usa o mesmo linguajar cafajeste da mocinha do jornal nacional: "chances de neve entre 5 e 11 da noite.", "nuvens esparsas entre essa area do mapa e essa outra aqui.", "minima de 32 farenheit, maxima de 59..." ou seja, parece corajoso, mas tambem tira o dele da reta. qualquer coisa que acontecer esta de alguma maneira coberta pelas palavras vagas dele. bom, no dia que a farsa for descoberta, mandam ele para o olho da rua. ai, ele arruma um emprego escrevendo o horoscopo.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

terra de gigantes ou como se sentir o sujeito mais magro do mundo mesmo nao sendo.

existem duas maneiras de se sentir magro: estando magro e estando cercado de nao-magros. a segunda e mais facil. muito mais facil. a primeira requer atividade fisica, dieta balanceada. a segunda, apenas um senso de localizacao. basta voce procurar o lugar com uma concentracao maior de pessoas acima do peso. no interior dos estados unidos eu encontrei uma porcao. muitos. pessoas gigantes, vertical e horizontalmente falando. andando num shopping num sabado a tarde, e como se voce tivesse emagrecido uns trinta quilos enquanto dormia na noite anterior. ninguem fica apontando para voce "olha que sujeito magro!". nao, mas fica claro que suas arterias estao menos entupidas que a da maioria das pessoas. nao me entenda errado, o pessoal e simpatico, receptivo, so e maior, gigante. o tamanho "p" equivale ao "g" do brasil, por exemplo. se voce for com muita sede a uma promocao de uma loja de roupas e comprar uma camiseta "p" sem experimentar, por exemplo, vai se foder. a camisa vai bater no seu joelho. como eu disse, o pessoal e gigante. cafe com leite pequeno e, qual e a palavra mesmo... gigante. o hamburguer testa os limites dos cantos da sua boca. "um spaghetti pomoddoro, por favor!" e, minutos depois, voce olha para o prato com a estranha sensacao que voce nao vai conseguir ver o fundo dele. tudo e gigante, grande, enorme. sorvete pequeno? nao. a batata frita que vem com o prato, nao vem no canto do prato. vem num prato separado. a mulher que serve a comida faz sombra na mesa. a colher do sorvete "pequeno" e do tamanho da mao de uma crianca. fatias de bolos, sao bolos inteiros. calcas de moletom quase uniformes. o que, se voce pensar, quando se esta de ferias, e muito interessante. afinal, por alguns dias, voce pode comer para cacete, olhar ao seu redor e se sentir o sujeito mais magro do mundo. existem duas maneiras de se sentir magro: estando magro e estando cercado de nao magros.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

o blógui

esse blógui vai entrar de férias junto com o sujeito que escreve ele até janeiro.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para a esquerda.

sabe quando você sai pela rua meio assim com pressa e, encontra no seu caminho uma outra pessoa, igualmente com pressa? bom, e é aí que fodi. para não colidir com a pessoa, você tem que escolher um lado. desvio para a direita? desvio para a esquerda? e, enquanto você pensa isso, o sujeito que vem na sua direção está pensando a mesma coisa: "desvio para a direita? desvio para a esquerda?" as chances de colisão são grandes. enormes. eu sempre me fodo. bato de frente, trinco uma lasca do dente. pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para esquerda são uma ameaça ao bem-estar da nação. eu não sei porque, mas por algum motivo eu sempre ameaço ir para a direita, o fêla da pulta também, aí eu faço um desvio brusco para a esquerda, e o cara, bom, o cara também. as vezes existe a chance de mais uma desviada. uma só. mas essa terceira chance é rara. muito rara. a colisão é certa e dolorida. hoje, por exemplo a caminho do elevador, estava lá eu com uma certa pressa. um olho no chão, outro na minha reta atento para essas quase colisões. de longe vi um tiozinho marchando na minha direção. o filho da pulta me olhou no olho como que diz, "não vou desviar nem a caráio." também mantive a mesma direção. ele não titubeou. em cima da hora, desviei para a direita e o cagão também. esquerda. direita. esquerda. colisão. pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para a esquerda. fique esperto. tome cuidado. uma hora, um desses pode aparecer no seu caminho.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

estacionamento. (1)

se você acredita nessas coisas de céu e inferno e quiser ter uma idéia do que te espera se você não se comportar e for uma mau menino, pegue o seu carro e vá ao shopping. qualquer um. qualquer dia da semana. entre hoje e o domingo dia 24. é impressionante. o inferno está localizado entre o andar das violetas e o das margaridas. é, só de putaria, estacionamentos de shopping têm esses nomes alegres para identificar os andares da garagem. mas o que acontece lá é o contrário. não tem nada de margarida ou violeta. você fica puto, bem puto. demora em média uns 37 minutos para achar uma vaga. e, quando acha, tem que disputar ela com um sujeito que aparenta estar armado. bom, aí você conseguiu a vaga, então acabou o inferno? pourra nenhuma. você se fodeu. meu amigo, olhe ao redor, você parou longe, bem longe de tudo. o elevador é na casa do cacete, a escada rolante então. você já entra no shopping puto. se tiver acompanhado da mulher ou dos filhos, as chances de brigar com eles são grandes. bem grandes. e, se você não brigar, não vai trocar uma só palavra na tarde de compras de natal. pode notar, em época de natal, todo mundo está puto no shopping. maridos chutando o chão. crianças chorando, mulheres tensas. tudo culpa do estacionamento. não sei se existem essas estatísticas, mas o índice de divórcio durante o natal deve aumentar consideravelmente. fico imaginando o juiz recebendo a papelada. "motivo do divórcio: estacionamento de shopping durante o natal." o juiz não vem nem titubear. vai lembrar da última vez que ele arriscou fazer compras num shopping nessa época e vai passar a caneta concedendo a pourra do divóricio. casais deveriam pedir indenizações para os shoppings. os shoppings deveriam ter um fundo reservado especialmente para banca a terapia das pessoas que se fodem procurando uma vaga. é foda meu amigo. evite, a todo custo. a não ser é claro, que você é curioso e quer porque quer saber como é o tal do inferno. aí você vai lá.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

cavalos

cavalos (1)

dois cavalos conversam antes do páreo começar no jockey. eles estão lado a lado.
- e aí, tudo bem?
- mais ou menos.
- o que aconteceu?
- dor... tô com uma dor nas costas...
- é o jockey que está aí em cima de você.
- caramba, como eu sou burro. é verdade, eu tinha esquecido.


cavalos (2)

dois cavalos conversam antes do páreo começar no jockey. eles estão lado a lado.
- você deixa eu ganhar essa?
- beleza.


cavalos (3)

um cavalo mais velho fala com o filho, um potrinho.
- meu filho, o que você quer ser quando crescer?
- reprodutor.


cavalos (4)

duas éguas conversam:
- ai a-mi-ga
- fala sua égua lin-da!
- você tem que ver as ferraduras que o fazendeiro colocou em mim.
- ma-ra-vi-lho-sas.


cavalos (5)

cavalo mais velho conversa com um potrinho:
- meu filho, ou você se comporta, ou quando morrer, você vai para um lugar lá cheio de jockeys e cowboys com botas com esporas.


cavalo (6)

um casal de cavalos sai para namorar.

- (cavalo garçom) e o que a senhora égua vai querer de entrada?
- hmmm, alfafa.
- (garçom) e você, senhor cavalo?
- alfafa.
- (graçom) e de prato principal?
- acho que a gente vai...deixa eu ver... acho que a gente vai experimentar essa alfafa.
- (garçom) excelente pedida.
minutos depois. o garçom volta.
- e de sobremesa, para a madame?
- é, vou querer um pouco de alfafa. mas só um pouquinho.
- (garçom) e o senhor?
- acho que eu vou acompanhar ela, alfafa.

terça-feira, dezembro 12, 2006

a miss e o adolescente de mão peluda.

dia desses vi na tv o miss universo. ganhou a da república dominicana. quase bonita. cheia de dentes. a brasileira ficou entre as dez. o que eu achei estranho foram os jurados que os caras escolheram pra votar. um casal bem esquisitinho de uma novela mexicana. uma modelo daquelas que se te falassem que é modelo, você não saberia dizer que era. uma ex-miss que se tocasse o interfone e o porteiro perguntasse se a fêla podia subir, você mandaria ele a merda. um maquiador com um jeitão suspeitíssimo. e um apresentador de programa de auditório colombiano. caráio. não dá pra sair resultado justo daí. como é que esses caras são capazes de escolher uma gostosa. uma mulher cujo rosto ira adornar as fantasias da molecada. não fódi. na minha sincera opinião, o jurí tinha que ser outro. tinha que ter pelo menos cinco adolescentes. espinhentos e com os hormônios em ebulição. um deles com a mão peluda. três véios safados, aqueles bem sacanas de banco de praça. e uns dois pedreiros de obra. vestidos a carater. com a cara suja de cal e com aquele assobio de arrancar sangue dos tímpanos das secretárias que passam na frente das obras. gente que ganha a vida observando, babando e secando a mulherada. no dia que eles fizerem um concurso com jurados assim, a miss universo não precisará usar coroa pra ser reconhecida na rua. vai ter que estar em forma pra correr com aquela coroa socada debaixo do braço. aí sim meu amigo, essa miss vai ser gostosa.


segunda-feira, dezembro 11, 2006

saquê, o traiçoeiro.

gin tem cheiro de porre. vodka tem fama de cabeça na calçada. uísque tem jeitão de quem vai acordar com dois dedos de olheiras e os olhos com aquele emaranhado de veias. cerveja, por natureza, gera repetição, repetição, repetição, o que indiretamente, só pela quantidade de garrafas alinhadas na mesa, pode-se prever um porre. ou uma leve dor de cabeça. cachaça, bem, cachaça é feito da mesma matéria-prima que movimenta os carros flex fuel. agora, o saquê, o saquê é traiçoeiro. aparentemente inofensivo. pra começar, o bicho é feito de arroz. é associado com sushi, peixe cru. saquê vem naquelas garrafas gorduchas e é servido em copos quadrados decorados com sal. e alí, no meio daquele ritual, você se engana, acha que o bicho é inofensivo. toma um, toma dois, toma três. toma quatro. mais uma garrafa, por favor. e quando você vê, sua língua está enrolada, num nó quase cego. você jura que está ok. mas não está. vai ceder gentilmente as chaves do carro para a sua mulher e procurar falar menos ou quase nada. o saquê é traiçoeiro. ainda mais traiçoeiro é o saquê combinado com frutas. ah, quando você combina o saquê com frutas o efeito é potencializado. você acaba bebendo mais. três, quatro, "tem certeza que eu bebi sete?" e aí, chega a conta e você acha que deixou cair uma lente de contato no chão. ou, em muitos casos, chega em casa, e, pilhado, coloca um dvd (desses de seriados) para assistir. quatro horas depois, com a tv chiando e as lentes de contato grudando, você levanta no susto do sofá e pensa: "caráio, saquê é traiçoeiro."

sexta-feira, dezembro 08, 2006

cachorro (3)

um cachorro desce o elevador com a dona.
a porta se abre e entra uma cadela. os dois conversam:

- e aí, tudo bem?
- tudo.
- você sabe onde essa porta vai dar quando abrir? é, eu sou nova no prédio.
- bom, quando essa porta abrir, é só você sair pelo portão do prédio, que é o banheiro.
- obrigada.
- de nada.
- lady, muito prazer.
- rex, igualmente.
- bom, cocô.
- procê também.

desconfie de manobristas de bigode e costeletas.

manobristas de bigode e costeletas são perigosos por um motivo muito simples: assistiram muitos filmes de ação. assinam telecine action. são fãs de steve mcqueen. manobristas de bigode e costeletas não assobiam enquanto pilotam o seu possante. não, esses são munidos de uma paixão pela velocidade. cheiro de pneu queimado na rua e velocidade. pode notar, nesses filmes de ação, tem sempre um sujeito chamado "buck" ou "toby jones" com costeletas a lá wolverine. com aquelas luvas de couro com os dedos cortados e uma lata de budweiser rolando no chão do carro. esses manobristas não estão alí, batendo continência no restaurante da moda para ganhar 10 mangos por carro. ah, meu amigo, eles estão alí para colocar a mão nos carros do ano, doze válvulas, tiptronic, 2.4, gasolina podium de alta octanagem. é uma teoria. baseada em uma única observação, dia desses deixei meu carro na mão de um fera com bigode e costeletas que escorriam até a base do pescoço. e olha que o meu carro deve acelerar de 0 a 100 em quase um minuto. mas não importa. foi eu voltar para buscar o celular que tinha esquecido no carro para flagrar o cara cantando os pneus do meu carro no asfalto. e, enquanto o pneu fabricava fumaça na rua, olhei para o outro manobrista que estava na porta e comentei: "telecine action. bigode e costeletas." ele olhou para mim e, balançando a cabeça disse: "bigode e costeletas." brincadeira, essa parte da história é mentira. mas que o fêla da pulta tinha bigode e costeletas, tinha. é apenas uma teoria. mas não custa ficar esperto.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

pessoas que você não tem certeza se conhece e por isso não tem certeza qual é o nome. ou "ôpa, zuzo bem?"

"ôpa, zuzo bem?" quantas vezes você já não saiu em busca de uma bebida num casamento e esbarrou num cara que você não tem certeza de onde você conhece, ou até mesmo se conhece o fêla. aí fica aquele negócio, levanta as duas sobrancelhas ou manda um "ôpa." mas um ôpa contido, sem putaria, sem aperto de mão, sem "quanto tempo!?". afinal, você não tem a menor idéia do nome do cara. então, naquele momento, o nome dele vira "ôpa". foda-se o nome que os pais dele escolheram pra ele. a partir daquele momento, o nome dele é "ôpa". você encontra muitos "ôpas" no shopping, prédio de firma, fila de cinema. os "ôpas" estão por toda parte. dia desses sentei numa mesa de um restaurante ao lado de uma mesa em que estava um "ôpa". passei o jantar inteiro tentando lembrar o nome do fêla, e nada-- então chamei o sujeito de "ôpa". reunião de trabalho é um lugar cheio de "ôpas". com tantas reuniões, você com certeza já foi apresentado para o cara ou para a mulher que está do outro lado da mesa. mas fica ali, meio envergonhado de perguntar o nome novamente. então, na cara dura, estende a mão e fala: "ôpa." conheço muitos "ôpas". não consigo decorar o nome de ninguém. dia desses entrei no mesmo dentista que frequento desde mil novencentos e tal e esqueci o nome do fera. "quanto tempo, erick!" e eu, com a boca aberta, "ôpa." o "ôpa" é recomendado para momentos breves. quando você passa por alguém. quando você esbarra. quando uma pessoa está saindo do elevador e você entrando. mas deve ser evitado por exemplo quando você se senta ao lado de uma pessoa que você acha que pode conhecer na ponte aérea. é esquisito repetir o "ôpa" durante uma hora e tal. te vira colega, arrume um jeito de descobrir o nome do cara ou da mulher. o "ôpa" tem mil utilidades. é simpático, breve e ao mesmo tempo dá uma mão para o fêla que você não tem tanta certeza se conhece ou não. é, porque o fêla, também pode olhar para o seus córnios e falar "ôpa."

quarta-feira, dezembro 06, 2006

como quebrar o gelo em elevadores (2)

- apertar a cobertura e perguntar: “você sabe se eles têm manobrista para helicopteros aqui nesse prédio?”

- perguntar para qualquer morador que tenha cachorro: “e aí, já pegou bosta dele no chão hoje?”

- deitar a cabeça para trás e perguntar: “o meu nariz está sujo?”

- cantar baixinho “singing in the rain” e ao sair do elevador no seu andar, dar alguns passos de sapateado.

- ou cantarolar baixinho “singing in the rain” e perguntar para quem está no elevador se ele ou ela viu o seu guarda-chuva por aí.

- fazer embaixadinha com uma bola imaginária.

- jogar iô-iô imaginário.

- recitar "e agora josé" de drummond enquanto o elevador sobe. e "no meio do caminho tinha uma pedra" enquanto o elevador desce.

- fazer uma bola grande de chiclete e estourar propositalmente na cara. e subir o resto dos andares assim.

- comentar: "você está prendendo uma bufa? porque eu estou."

terça-feira, dezembro 05, 2006

os "pegadô" de bic.

eu já perdi umas setecentas e noventa canetas bic. por baixo. você já perdeu um número similar. a pessoa que está ao seu lado, também. e por aí vai. o mundo inteiro já perdeu uma caráiada de canetas bics. e, foi perdendo mais uma, um dia desses que eu comecei a pensar como é que se perde tantas bics. para onde elas vão. e o mais importante, como é que elas somem. cheguei a conclusão que existe uma galera, funcionários pagos pela bic para sumirem com as suas bics. uma caráiada de franceses meio marcel marceau, aquele mímico francês, cuja única função na vida é roubar a bic que está sobre a sua mesa. você deixou uma bic dando mole ao lado do bloquinho de papel enquanto foi ao banheiro? lá vem o francês com a mão boba para roubar a fêla da sua mesa. quer ver outra área de atuação dos pegadô de bic? faculdade. você está no meio de uma aula de física, e, quando dá uma piscada, olha para a carteira a sua frente e nada de bic. taí uma das táticas de maior sucesso dos franceses pegadô de bic. esse bando de fêla se matricula em escolas e faculdades, eles prestam atenção nas aulas para não serem notados, mas só estão lá para pegar a sua bic. aeroporto, você está lá preenchendo aqueles formulários e olha para uma turista alemã com uma irmã gemêa ainda mais gostosa. um francês passa e pega a sua bic. as gemêas são um velho truque deles. famosos também sofrem. fim de jogo de futebol. o artilheiro sai do vestiário e é cercado de fãs pedindo autógrafos. pode notar, tem sempre uma peituda ou um torcedor da torcida adversária no meio para causar alvoroço. mais uma vez, ambos são contratados pela bic. para foder com a organização e sumirem com a bic. e assim as vendas continuam, crescem e batem recordes. não existe outra explicação. os pegadô de bic. enquanto escrevia este paragrafozinho, um francês filho da puta pegô a última bic da minha mesa. brincadeira, mas eu estava sem um final decente para ele.

dois peixes num aquário redondo.


o primeiro peixe circula pelo aquário no sentido horário.
o segundo peixe, que é uma mulher, circula no sentido anti-horário.
- eu não te conheço em algum lugar?
- eu não te conheço em algum lugar?
três segundos depois.
- eu não te conheço em algum lugar?
- eu não te conheço em algum lugar?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

cuidado com a tiazinha do seu prédio que usa bobs no cabelo.

não sei como é o seu prédio. o meu é cheio de tiazinhas. metade rabugenta, metade quase-simpática. o elevador é pequeno. tem uma plaquinha que diz que cabem 6, mas cabem apenas 4. e com uma certa dificuldade, um esquema meio nariz na nuca da vizinha. o que nos leva ao título desse parágrafo, desse textin: cuidado com a tiazinha do seu prédio que usa bobs no cabelo. quando eu entro na caráia do elevador, tenho o costume de fingir que não tem nenhuma tiazinha lá. finjo que a fêla é invisível. é uma antipatia preventiva. evitar abrir as porteiras do "bom dia, boa tarde, como é que vai a senhora sua mulher, e o tempo, e olha que ainda nem é verão, você viu o trânsito?, é um poodle toy, tem três anos, o nome dele é lindinho, adivinha porque?, que horas são?, já!, comprei na feira, quer um pouquinho?" é meu amigo, se você arrisca o primeiro "bom dia!" com uma tiazinha de bobs no cabelo, uma coisa é certa, para o resto dos seus dias ali, naquele prédio, você se sentirá na obrigação de comentar sobre o tempo, a feira, o trânsito e o vizinho maconheiro do 602. e é fácil entender porque. uma tiazinha que sai de casa com bobs no cabelo é tudo, menos tímida. mas principalmente, uma tiazinha que sai com bobs no cabelo mora sozinha. está sedenta para falar com alguém. e como é que eu sei que ela mora sozinha? bom, se ela dividisse o apartamento com alguém, esse alguém, nem fodeindo, deixaria ela sair com bobs no cabelo. simples assim. nada contra a tiazinha. mas é um perigo. uma ameaça. a tiazinha com bobs no cabelo é uma represa prestes a se romper. e o "bom dia!" que você dá, é a marreta que vai colocar a represa abaixo. é por isso, e só por isso que eu, no máximo, mas no máximo, levanto as sobrancelhas. as duas, juntas, num leve slow-motion. como quem diz: "não fódi tiazinha com bobs no cabelo, a gente mora no mesmo prédio, mas não precisamos ser melhores amigos, belê."