sexta-feira, janeiro 25, 2008

o truque ben harper.

o truque ben harper no momento em que ele acontece.


nada contra o ben harper. curto. acho legal. tenho lá o fera no meu itunes. aquela "diamonds on the inside" tem uns 726 no play count. ou seja, gosto. mas agora com essa música nova da vanessa da mata "boa sorte/good luck" que toca sem parar na rádio, cheguei a conclusão que existe um truque do ben harper. é um truque relativamente simples mas que funciona sempre. um leve dedilhar no violão. nunca guitarra, só violão. um chocalho de leve por trás. e um leve ar de improviso. descobri e esmiucei o truque ao escutar repetidas vezes essa música ("boa sorte") e a música "hight tide or low tide" em que ele faz um dueto com o jack johnson. está lá o violão. o leve dedilhar quase que as mesmas notas, o mesmo timbre e o improviso na hora de cantar. eu chamo de truque e não de "cantar" porque todos os duetos do cara tem o mesmo climão de sábado pôr de sol com uma caipirinha pela metade. o truque ben harper simplesmente diz que a combinação do dedilhar de violão, o jeitão que o ben harper "atropela" seu parceiro no dueto ou parceira e o chocalho--- fazem com que todas as músicas dele tenham o mesmo som de pôr do sol de sábado a tarde. o lado ruim é que tudo fica meio parecido.eu sinceramente quase não sei nenhuma música dele por nome. sei que é ele lá do outro lado. só não sei que caráio é o nome daquela música. o lado bom, é que sem querer, depois de escutar uma música em que ele faz esse truque, você fica com a sensação de que está de bem com a vida. mesmo quando está com algum prazo de algum trabalho estourado. e sempre se sente como se estivesse com os dedos dos pés na areia da praia.

o msn. o ladrão de tempo. o ali babá do tempo. o ladrão mais fucking fuckers do tempo de todos os tempos.




existem ladrões que roubam jóias. esses são mais comuns em filmes de ação. os ladrões dos jornais roubam com mais frequência os bancos. ou os turistas desatentos no calçadão da praia de copacabana. mas ladrão mesmo, daqueles que merecia prisão perpétua é o msn. o messenger. aquele que fica piscando no canto da sua tela. que quando chega uma mensagem, apita. o msn rouba tempo precioso. rouba horas. já me roubou dias inteiros. e o mais engraçado do msn é que ele é um ladrão que continua roubando e que mesmo assim a gente continua abrindo a lojinha para ele roubar. chega a ser irônico para dizer o mínimo. o fato de todos continuarem acessando ele, mesmo sabendo que no final do dia você vai voltar para casa com minutos a menos num dia bom. ou horas perdidas, quando o roubo é dos grandes. enquanto eu escrevo este textinho, por exemplo, entrei no msn umas seis vezes. e lá se foram uns vinte e tal minutos. reunião de empresa não se compara. fila de cinema em dia de estréia também não. sala de espera de dentista. nada, nada se compara ao tempo que escoa pelos dedinhos enquanto você entra em contato com o mundo pelo msn. ele rouba o seu tempo. que simultaneamente rouba dos outros. e por aí vai. cheio de testemunhas dos assaltos e continua lá, livre. piscando no canto do seu computador. como quem diz, assim mesmo, sem muitos escrúpulos: "passa trinta segundos aí porra! caralho, entrega logo antes que eu resolva roubar o seu dia inteiro..." e aí você clica no ícone, responde a pergunta de um amigo. ou é você mesmo que pertuba alguém e lá se vão mais preciosos minutos.

www.pocketmod.com




esse é o palm de papel. se você imprimir e seguir as regrinhas de como montar terá em mãos um organizer desses fucking fuckers feito sob medida para você. é do caráio. recomendo. cabe no bolso. custa zero euros. e é reciclável. agora o melhor: se você colocar no mesmo bolso em que você leva o seu celular ou telemóvel, é como levar um iphone no bolso. ou quase.


o endereço em que você pode imprimir o seu iphone de papel é esse aí do título.

terça-feira, janeiro 22, 2008

as cabras e o queijo


- as cabras de portugal sabem de alguma coisa que as outras não sabem. o queijo daqui é muito muito muito, tipo assim, quatro muitos mais saboroso do que em outros lugares.

- o queijo amanteigado por exemplo está ali, encostado no primeiro lugar, colado com aquele quarteirão com queijo que existe apenas e somente na sua memória de quando você tinha 11 anos. e depois da escola.

- e o mais legal é quando você pede sem querer presunto achando que vem presunto como no brasil, e vem o presunto que em portugal é o equivalente ao nosso presunto de parma. é um dos melhores erros do mundo. você sem querer comer o queijo de cabra português com o presunto.

- em alguns supermercados é possível ver as pessoas que entendem, cheirando apertando, levando queijo perto do olho. queijo é um negócio sério aqui. já vi pessoas brigarem por um pedaço zambers. a tiazinha olhava para a outra e com olhos marejados falava em câmera lenta: "é meuuuuuu!" e, se você já comeu um dos bons, entende.

petróleo



agora a máquina já funciona. estávamos prestes a devolver quando eu e juan, olhamos para a máquina e falamos quase juntos:
- e se a gente tentasse mais uma vez?
explico. tivemos umas 26 vezes frustrados com o líquido que insistia em não descer. a máquina ia ser devolvida. a tristeza batia a porta. e a gente tentou mais uma vez. uma só.
- funciona! funciona! funciona! caráio, funciona!
me senti como naqueles filmes antigos em que as pessoas furam o chão e encontram petróleo. só que um tiquinho mais emocionante. mais ou menos isso. e o juan, com lágrimas nos olhos continuou a gritar:
- funciona! funciona!!!!
acho, sem querer exagerar-- que foi um dos momentos mais emocionantes da história da humanidade. ou pelo menos era o que os berros do juan transmitia para a população de lisboa naquele momento.

moleskine, a agenda que não deu certo



moleskine é muito arrumadinha. tudo no lugar. e o mais foda é aquele papo de que o hemingway escrevia nela durante as suas viagens de trem. ele e mais um monte de fodalhão. todos os caras que você já leu na escola ou que parece ser legal falar que você leum, bom, quase todos eles escreviam pensamentos, num moleskine. ou essa é a idéia que aquele papelzinho que vem dentro quer passar. como o moleskine é fucking fuckers. como o hemingway se inspirava. e esse é o maior problema. sempre que eu pesco uma caneta para anotar uma idéia, um compromisso, um telefone, penso seis vezes antes de escrever. eu penso: "será que o hemingway escreveria algo assim?" "será que esse telefone da gerente do meu banco vale a pena ficar imortalizado no caderninho dos caderninhos?" e acabo desistindo. já comprei uma caráiada deles. o que eu posso fazer, o negócio é bonito e vomita estilo e bom gosto. mas não consigo escrever direito. tem sempre um hemingway flutuando sobre o bloquinho como quem diz: "ô, vê lá o que você vai escrever em seu mané, eu escrevi pensamentos muito do caráio aí..."

run forest. run caráio. mais rápido pourra.




canso de ver pessoas correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param. não desaceleram. nunca. a regra é clara, se não se encontra em pé debaixo do sinal do ponto, o cara não pára. dá uma pena, você vê o cara correndo como se estivesse escapando de aliens no último dia da terra. você vê senhores com a respiração falha. eu mesmo já até fisguei um músculo correndo, perseguindo um buzum e o cara não parou. consigo entender. faz um pouco de sentindo. se ele parar para todo mundo, a cidade pára. ninguém chega ao trabalho. dá para entender mas é no dia que acontece com você, que dá um dor, uma pontada no canto do cérebro e ou do coração. "porque?! porque!? você não pára! pelo amor de deus....." mas o motorista precisa ser forte. precisa olhar em frente. e deixar os atrasados para trás. aqueles que apertaram o botão do soneca não uma, mas três vezes. aquele que demorou para sair do chuveiro. aquele que naquele dia vai ter que chegar atrasado no trabalho, suando, mancando com um músculo fisgado e dizer: "eu corri, eu tentei, mas ele, o motoristo do 758, não parou...eu juro." e as pessoas do seu trabalho vão olhar para você e pensar: "também canso de ver gente correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param."

dark chocolate com laranja caramelizada e aí fodeu.

a receita para destruir o seu maior inimigo na disputa por uma menina: dark chocolate com laranja caramelizada da haagen dazs. é um desses sabores que chegam e somem com a mesma velocidade. edição especial diz o poster da loja aqui do chiado. e digo que este sorvete é a arma mais fucking fuckers para destroçar um oponente porque é impossível parar de comer. não dá. é bom para cacete. não são lascas da mesma laranja que usam para fazer aquele suco com bagaço. não meu amigo, é a prima chique dessa laranja. cristalizada. é a laranja mais fodidona do pedaço. cuidado. se você morar perto de uma haagen dazs, não vá. sério. é perigoso. você pode comer até explodir. ou pode ser bem fêla e comprar uma caixinha daquelas para viagem e mandar entregar na casa de alguém que você deseja ver triplicar de tamanho em questão de horas. é mais ou menos como aquela morte da "gula" do filme seven. mais ou menos não. é igual.

evel knievel e a minha lambreta.




dia desses bateu as botas o evel knievel. para quem não sabe, o evel knievel saltava carros com motos. saltava caminhões. saltava precipícios. saltava tudo. o cara não tinha medo de nada. deve ter quebrado uns 70 ossos no corpo. o fêla devia ter o equivalente ao peso do corpo em placas de titânio. bom, o cara bateu as botas. o cara que eu sempre julguei invencível. unbreakable. o herói dos heróis. triste. mas zuzo bem. e foi o evel knievel ter batido as botas que me fez pensar. pensar sobre o fato de eu ter comprado uma motoca. bom, certa vez com as ruas quase molhadas de lisboa levei um mini tombo. mas nini mini mesmo. estava devagar, bem devagar. acho que não passava de 18 kms por hora. escorreguei a lambretinha no trilho e pimba. "você quer que eu chame uma ambulância?" "você está bem?" "ele apareceu de repente..." levantei rapidamente, já recolhendo a motoca da rua, levante o dedão como quem diz: "ok!" e continuei em frente. não aconteceu nada. ralei o quadril e o cotovelo. e só. mas fiquei cagado desde então. a motoca tinha 80 Kms rodados. olhei hoje o mostrador, ela está com 86. ou seja, desde o mini tombo, andei mais 6 km. e agora com a notícia que o evel knievel bateu as botas, decidi me aposentar quase que permantemente das pistas. não faz sentindo saltar calçadas, faixas de pedestres (passadeiras) e trilhos do elétrico se o evel knievel não vai mais fazer o mesmo. o cara que era super fucking fuckers deixou as pistas, farei o mesmo. eu e a minha imitação de vespa que na velocidade máxima chegava nos 46 km/h. e isso nas descidas. ahhh, a emoção de passar por cima de uma pedrinha na rua. as mãos suando. a respiração ofegante. e por falar nisso, o capacete todo embaçado. abandono as pistas com a mesma velocidade que entrei. em homenagem ao evel. e é claro, por causa do meu cagaço agora crônico.
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quinta-feira, janeiro 17, 2008

como investir o seu dinheiro.



aqui na empresa em que eu trabalho, cada funcionário ganhou um din din ao final do ano. é uma espécie de tradição. cada ano da empresa equivale a um dólar. 72 anos, 72 dólares. cada ano que passa, mais um dólar. uma tradição muito bacana se você pensar. e que acontece na véspera do natal. bom, e como os 72 dólares chegaram meio assim de presente, não sabia o que comprar. compro um presente? guardo embaixo de um colchão? alguém teve uma idéia. não sei quem foi. mas alguém teve a idéia: "e se todos juntarem o din din e comprar uma máquina de tirar chopp, imperial em casa? e a gente coloca na empresa?" meio milésimo de segundo depois, todos concordaram com a idéa. todos. a máquina chegou hoje. está em uma das salas de reuniões. ainda não consegui colocar a bagáça para funcionar. mas, só o fato de ela estar numa de sala de reuniões, tem um impacto psicológico impressionante. em outras palavras, se você me perguntar no que investir o seu dinheiro, eu não diria ações da petrobrás ou da vale do rio doce. muito menos, euro, ouro ou dólar. também não diria para você colocar em um fundo de investimento. nunca. diria que o melhor, e único lugar para se colocar o seu suado dinheiro, é numa máquina de tirar cerveja no trabalho. que mesmo antes de funcionar, consegue deixar você com a estranha sensação que você não está no trabalho, por mais que tudo ao redor, indique que sim.

o pequeno almoço.

de todas as expressões, palavras-- portuguesas diferentes do português falado no brasil, a que eu, pessoalmente mais curto é o pequeno almoço. para quem não sabe, se trata do café da manhã. pequeno almoço é o café da manhã aqui em portugal. ou seja, quando você entra num hotel e pergunta se está incluido o café da manhã, deve se referir ao almoço no diminutivo. e porque eu acho do caralho o pequeno almoço? porque é literal. e auto explicativo. e curioso. um pequeno almoço. uma pequena porção daquilo que você vai comer mais tarde entre meio dia e duas da tarde. o pequeno almoço aqui em portugal não é farto como o dos americanos. os americanos com certeza não entenderiam que caráio is a small lunch. mas para mim faz todo o sentindo. logo pela manhã eu não como filé com fritas. como apenas uma torrada com duas passadas de manteiga e dois copos de café, um deles as vezes com leite. pouco leite. nada mais. uso um prato pequeno. do mesmo conjuto do prato grande que eu uso no almoço. mas menor. prepara você para o almoço. não deixa você comer demais. comeu demais, deixa de ser pequeno, e estraga o apetite para o almoço de tamanho normal. pequeno. e o melhor, se você trabalha num hotel, não periga levar um esporro do tipo: "que caráio de café da manhã minuatura ou what the fuck is up with this small breakfast? cadê o bacon? where's the scrambled eggs..." o atendente pode simplesmente dizer: "é um pequeno almoço senhor. nada mais. nada menos. não exagere.

uma teoria sobre as quintas feiras



a quinta feira é o melhor dia da semana. que me perdoe a sexta e o sábado (e até o domingo) que sempre acham que vão levar este título assim de mão beijada. sem precisar cuspir uma só gota de suor.explico: a sexta-feira vem antes do sábado (que vem antes do domingo), só aí, já te fode um pouco. porque? você não dá tanto valor para ela. você pensa: "ah, amanhã é sábado, posso sair amanhã. hoje posso ficar em casa coçando a sáca..." colocar dois dias tão bons lado a lado, consecutivamente como a sexta e o sábado, causa uma overdose de exposição a dias bons. é como jantar dois dias seguidos nos dois melhores restaurantes do mundo. você com certeza apreciaria mais se, estes dois jantares estivessem separados por uma semana. daria mais valor. a cabeça do ser humano é foda. agora vamos a quinta feira. o argumento mais óbvio é o mesmo que disclassifica a sexta e o sábado. a quinta vem antes da sexta. que apesar de ser um dia de trabalho, é um dia que vem antes do sábado. e é aí que entra a beleza da quinta. a quinta chega depois da segunda, da terça e da quarta. os piores dias da semana. e aí, quando ela chega, você já está com o saco na lua. cansado. arrastando o esqueleto. com dois dedos de olheiras e uma sensação de que o relógio está quebrado. a quinta chega aos 38 do segundo do tempo da semana. e é na quinta que você pode ligar o foda-se. pode tomar as primeiras e as segundas da semana. pode dormir mais tarde, mesmo sabendo que na sexta, tem trabalho. tudo bem. sem problema. depois de sexta, vem o sábado. e depois o domingo. que como você já sabe, são dias que você não não podem ser considerados os melhore, ou não são, pelo simples fato de estarem colados um no outro. seu organismo, você mesmo, pode notar, com o tempo começa a não dar lá a importância devida. a quinta é especial porque tá ali no meio. entre as bostas do começo e os greatest hits do fim de semana. é um dia ímpar. boa quinta.

a mulher do seinfeld...




escreveu um livro de culinária que ensina a esconder comidas mais saudáveis para as crianças comerem. exemplo: o seu filho não come chuchu? corte ele em formato de batatas chips e frite em olho vegetal zambers. o seu filho não come tomate? corte em cubos bem pequenos, coloque uma pitada de maionese entre eles para o cérebro do seu filho registrar ketchup. posso ter cagado aqui as receitas, mas é algo por aí. esconder alimentos saudáveis para a molecada comer. bom, agora surgiu uma tiazinha, uma outra autora dizendo que a mulher do seinfeld plagiou um livro dela. a idéia dela. porra nenhuma. as duas plagiaram a minha mãe. que fazia tudo ainda de uma maneira mais simples. colocava tudo num liquidificador desses mix master plus com lâminas de titânio e misturava tudo. uma grande papa. um sopão cremoso com todos os legumes do unvierso. "olha que gotôsinho, meu filho..." e lá ia eu, tonto, e comia tudo. vou falar com ela. e vamos processar as duas. ou talvez não...

terça-feira, janeiro 15, 2008

o tsc, tsc. cuidado.


"tsc tsc..."

sabe o que é o tsc, tsc? é aquele barulhinho que você faz, eu faço, todo mundo faz quando está de saco cheio. ou, se não está de saco cheio, está perdendo a paciência. aquele barulhinho que se faz quando você leva a língua contra o céu da boca na direção dos dois dentões de cima, leva a língua e retrai, fazendo um barulhinho breve, curto, baixo, mas ensurdecedor. e o mais engraçado, ou curioso. isso, o mais curioso é que o tsc é contagiante. a pessoa que escuta, testemunha o tsc tsc, também acaba por ficar inclinada para fazer o mesmo. quantas vezes eu não escuto alguém fazer isso e faço logo em seguida. exemplo, hoje eu estava com pressa para ir ao dentista. corri, sai em disparada para pegar um taxi pois estava atrasado. assim que entrei no taxi, cheio de "boa tarde, tudo bem..." disse o endereço, e o taxista fez "tsc". acho que o endereço fica num lugar relativamente perto. não sei. fiquei puto com a reação do fera e fiz o mesmo barulho. ele olhou pelo retrovisor mais puto e fomos até o destino cada um, infinitamente mais puto com o outro do que 8 minutos antes-- tudo por causa de um "tsc". outro exemplo, eu mesmo numa fila do banco esperando para ser atendido, fiz um "tsc", ou melhor, fiz uns três quando um cara furou a minha fila. mas ele não furou como quem faz disso uma arte, sutilmente. não, o fera conhecia a mulher do caixa e foi conversar com ela, dar boa tarde, falar da família e aproveitou para ficar por lá. pagar sete contas. bom, aí eu fiz o barulhinho de puto, o tsc, com a língua, o cara de trás também, e a senhora atrás do cara que estava atrás de mim, também. bastaram uns cinco "tsc" para fuder com o bom humor do banco inteiro. o "tsc" é foda. perigoso até. pode acabar um casamento. experimente fazer "tsc" dia sim, dia não , sempre que a sua esposa ou marido entrar na cozinha pela manhã. um "tsc" desses fode qualquer casamento ou namoro. você quer foder com uma reunião. solte um desses quando as luzes se apagarem para passarem o powerpoint. o cliente vai ficar rabugento, e quem estiver ao lado dele também. tudo por causa do "tsc". pense neste textinho como um aviso, uma advertência, um sinal de neon. fique esperto. economize nos "tsc". pense duas, não, pense três vezes antes de soltar um desses. é foda. e se você estiver duvidando do poder dele, experimente fazer uma vez, apenas uma quando chegar em casa hoje. vai voar um prato. ou, se não voar um prato, com certeza você vai receber de volta um outro "tsc". e aí é questão de tempo até que o prato decole. cuidado com o "tsc". muito cuidado.

bares, gerações, o caneco 70 e "lembra aquela tarde no..."



recentemente fui ao rio visitar meus pais. meu pai, coincidentemente mora no leblon quase na esquina de um bar que eu devo ter ido mais ou menos umas 2.897 vezes quando mais jovem. o caneco 70. o pessoal da escola ia. o pessoal fora da escola ia. depois de formado, o pessoal se encontrava lá. e depois de velho, o pessoal ia falar dos tempos de escola lá. o caneco 70 tinha talvez uma das melhores localizações do mundo. no comecinho da praia do leblon. alí, onde a brisa nasce. perto de são conrado, mais perto de ipanema. cardápio simples. chopp (imperial), porção de batatas, provolone e pizzas. tinha outras coisas, mas não conheço muitos outros pratos. tomei bastante cerveja lá e comi muita batata frita. mas voltemos a visita que fiz ao rio recentemente. cheguei lá e assim que passei pela esquina onde ficava o célebre caneco 70, existia agora um prédio. um esqueleto ainda, mas um prédio. definitivamente não era mais servido chopps e porções fartas de provolone derretido. o caneco 70 se foi. e foi ao ver este esqueleto de prédio que me dei conta que toda geração deve passar por isso. essa tristeza. essa nostalgia. ver os bares e boates que você frequentava, desaparecer. pense comigo. tente lembrar o bar ou boate que você frequentava com os seus amigos e amigas quando você era mais novo. agora tente lembrar se algum deles existe. se existe, corra para lá. celebre este fato. porque, bares e boates, por natureza desaparecem com uma velocidade maior do que os seus cabelos brancos irão. deve ter sido assim quando os meus pais eram mais novos, quando os pais deles eram mais novos e será assim nas próximas gerações. restaurante é um bocadinho diferente. tem sempre aquele lugar que existe e se mantém fiel ao seu endereço original desde... mas bares e boates, é complicado. ou viram vítimas de empreendimentos imobiliários ou da moda. o bar, a boate sai da moda, troca a música, o nome, o público e vamos em frente. não posso marcar mais um chopp no caneco, assim como você con certeza não pode mais marcar um-- naquele bar ou boate que você frequentava. existem os sobreviventes? existem. o bar lagoa, no rio, é um grande exemplo de um sobrevivente. aqui em portugal devem ter uma porção deles. mas os que desaparecem são em maior número. principalmente os daquela fase final de adolescência-faculdade-primeiro apartamento. aí, o que acontece depois, quando você fica um poquinho mais velho é até engraçado. você descobre um outro bar. senta lá com um amigo que também frequentava o mesmo bar de quando os dois-- você e ele-- eram moleques. e aí, você sempre, mas sempre, começa histórias da mesma maneira: "lembra aquela tarde no....(nome do bar que não existe mais), foi muito engraçado...."

sexta-feira, janeiro 11, 2008

o cachorro e a esquina.



sempre tive medo de cachorro. sou daqueles que acredita que cachorro sabe que você sente medo. sou daqueles que desde pequeno no rio de janeiro, os amigos tinham que segurar ou prender os cachorros quando eu entrasse na casa deles. o erick chegou? prende o cachorro. nunca fui mordido também. o que não explica lá assim muito o medo. também já tive uns cachorros. em especial um labrador fêmea que morava lá em casa, ou melhor, num apartamento lá em nova ipanema. dela eu não tinha medo. bom, mas isso tudo para dizer que tem um cachorro bem filho da puta que descobriu isso. mora lá na minha rua. ou melhor é dono da rua. da esquina. em toda portugal fui morar justamente no lugar em que um cachorro é dono de uma esquina. o truque até agora tem sido fazer cara de bravo. deixei a barba crescer uns dois, três dias para dar aquele ar clint eastwood velho oeste. e piso mais firme na calçada. estava funcionado. até que um dia desses o fera veio até mim e pulou, não mordeu. segurou na minha calça com os dentes. bastou uma balançada para ele soltar. foi tudo muito rápido. mas foi bem claro, foi como se ele dissesse: "ô erick, eu tenho um primo meu. mora lá no rio de janeiro, barra da tijuca... que te conhece desde pequeno. e ele me contou que você se caga de cachorros. que isso tudo aí, essa cara, essa barba por fazer-- não passa de pose. " desde então, a cena se repete. chego na esquina, eu saio para a rua. passa a esquina, eu volto para a calçada. isso quando eu não tenho um português simpático subindo a rua-- para eu me esconder atrás. como sou baixinho é fácil. bom agora é torcer para o fera não ter acesso a internet. se ele ler este blog ficaria bem puto que eu estou falando mal dele. esse cachorro é o equivalente a um mafioso daqueles tipo tony soprano da série da hbo. daqui a pouco vai passar a cobrar um bife suculento sempre que eu atravessar aquela parte da rua. torço quase todos os dias para o vizinho da frente comprar um gato. sempre tive medo de cachorro. sou daqueles que acredita que cachorro sabe que você sente medo.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

patê e os bichos fofinhos que você come.

patê é um negócio curioso. não é possível identificar ao certo que caráio tem lá dentro. você tem que acreditar na embalagem. nos dizeres. patê de figado de alguma coisa. de pato. de ganso. patê é tudo meio parecido. e patê tem uma coisa curiosa. o patê faz você consumir os bichinhos mais fofos do universo. porque, como eles estão em forma de patê. você não consegue lá identificar muito a carinha fofa daquele patinho. e lá vai a faca e passa o patê do pato ou do grande amigo dele, o ganso-- na torrada igualmente fofa. que por ser fofa acumula muito patê. patê é um negócio curioso.

limpar o tártaro.

acho que a pior dor depois de um bola de futebol abaixo da linha de cintura é limpar o tártaro no dentista. recomendo para inimigos, ditadores e dirigentes do clube vasco da gama. que dor infernal. por falar em infernal. se existir um inferno deve ser assim: com uma caráiada de cadeiras de dentistas em que o tártaro é limpado 24 horas por dia. não, o inferno deve ser um lugar em que se come biscoitos oreos com copos de iogurte natural no lugar do leite. para agarrar nos dentes mesmo. e depois, você é mandado para as cadeiras e limpam o seu tártaro. com aquela maquininha que faz aquele barulho supersônico e raspa aquele espaço minúsculo entre a sua gengiva e o dente. aquela maquininha que vibra bilhões de vezes por segundo e tira todo e qualquer rastro de sujeira do seu dente. uma dor impressionante. fiz esses dias. desde então passei a escovar os dentes 8 vezes ao dia com aquelas escovas elétricas que giram para todos os lados e vibram e massageam. só para evitar a todo custo mais uma limpeza destas. a pior dor depois de um bola de futebol abaixo da linha de cintura é limpar o tártaro no dentista.

terça-feira, janeiro 08, 2008

o cara que foi sequestrado pelo próprio bronzeado.




veja estas fotos do giorgio armani. o cara é estiloso, ok. o cara se veste bem? não tenha dúvida. o cara pega gente? com certeza. muita. bom, até aí tudo bem. o cara com mais de 70 anos continua atuando firme, desenhando suas roupas e jogando dinheiro para cima em câmera lenta. mas estava lá eu, a ler uma revista quando vi novamente o fera, o giorgio. o armani. bom, e lá estava ele com a sua camiseta preta quase justa, duas mulheres maravilhosas ao seu lado e aqueles 72 dentes brancos cor de neve expostos. e foi exatamente esta combinação, dos dentes brancos, das modelos também pálidas e da camisa preta que me fizeram chegar a conclusão que o caro giorgio é um refém do seu próprio bronzeado. tente buscar na memória alguma imagem, alguma foto do giorgio armani em que ele não está super bem bronzeado. e quando eu digo super hiper bem bronzeado não digo bronzeado daquela praia de sábado e começo de domingo. não, bronzeado de duas semanas num barco apenas com um filtro solar fator 8. não 15, não 30. oito. aquele que você quase entra em combustão, mas fica ok. aquele que você jura que está pegando fogo, mas alguém ao seu lado na mesma situação convence você que não. o giorgio armani está sempre, sempre, e vou dizer apenas mais uma vez para deixar bem claro, sempre bronzeado. uma cor laranja coppertone-fui passar o fim de semana no topo de um vulcão no dia mais quente do século. nada contra, cada um cada um. se o cara quer passar os 365 dias do ano bronzeado, é com ele. mas acho, cá entre nós, que o fera não sabia no que estava se metendo. tudo começou com um fim de semana em algum iate em alguma ilha paradisíaca. aí, alguém elogiou. outra mulher disse que ficava lindo e tal. chegou o inverno. alguem contou para ele que existia uma tal de cama de bronzeamento artificial, um esqueminha prático de ficar com a aparência de quem vive na cobertura de um prédio perto do sol. e o giorgio não só experimentou a máquina como comprou uma também. e desde então, o fera não consegue mais se livrar do bronzeamento. o bronze começa a amarelar e pimba, pula na cama. a cama pifou? pula num avião para qualquer canto do mundo com um mísero raio de sol. um problema. um dia, um dia, ele vai receber um bilhete daqueles escrito com letrinhas recortadas-- típicos de sequestros-- que dirá: "giorgio, ou você deposita 6 quazigalhões de euros na conta tal ou eu não libertarei você." sem assinatura. sem nome. mas bastará ele olhar no espelho para ter a certeza de quem se trata: o bronzeado dele. giorgio armani. o cara que foi sequestrado pelo próprio bronzeado.

filmes baseados em histórias reais o google e caráio, esse cara não parece o tom hanks.



baseado no cara de verdade da foto de cima.

com a invenção da internet essa coisa de filmes baseados em histórias reais ficou meio sem graça. continua sendo interessante, emocionante é a palavra, saber que aquilo que está acontecendo na tela é verdadeiro. você fica ali coçando a cabeça e pensando: "caceta, essa pourra realmente aconteceu." bom, ma como eu ia dizendo a internet está fodendo com esses filmes. porque? vou dar um exemplo, esses dias fui ver "charlie wilson's war." um filme bem bom com o tom hanks e a julia roberts. baseado numa história real. o que faz do filme muito mas muito mais fucking fuckers. calma eu estou chegando ao meu ponto. acabou o filme. cheguei em casa e fiquei curioso. fui buscar na internet mais sobre o tal charlie wilson. o tal congressista que mudou o mundo. google. e o cara não parece picas com o tom hanks. meio quisito até. a personagem da julia roberts a mesma coisa. american gangster. a mesma coisa. todos esses filmes que você chora baldes, a mesma coisa. e o pior, quando você fuça na internet a história real que deu origem ao filme, não tem trilha sonora. não tem efeitos especiais. não tem lá uma direção de arte. é uma caixa de texto no wikipedia. não tem graça nenhuma. perde o impacto. fica meio brocoxô. evite a todo custo a sua curiosidade. não procure muito saber sobre o que rolou no filme. meses atrás estava assistindo pocahontas com a minha sobrinha. como você sabe, a pocahontas no filme, no desenho, é linda. bom, acabou o filme começou um documentário. mostraram a pocahontas de verdade. a que deu origem ao desenho. com todo o respeito a família da moça: ela era bem mais ou menos. o pessoal da disney deu uma força forte para ela. ela tem uma dívida eterna com algum desenhista. eterna no sentido literal da coisa, ela nunca, mas nunca teria din din para retribuir tal força. é, com a invenção da internet essa coisa de filmes baseados em histórias reais ficou meio sem graça. pelo menos, diferente.

um diálogo.

- amor, acho que é por aqui.
- não, a entrada da cidade é por ali.
- aqui ou ali?
- não sei. acho que é ali.
- não é por aqui?
- é que é tão parecido.
- o que? as estradas?
- não, "aqui" e "ali."
- "aqui" e "ali"?
- isso, as palavras. "aqui" e "ali".

você vs. você.

fazer promessas de fim de ano é complicado. difícil de manter a sua palavra. e cada ano que passa fica mais difícil. porque? bom, cada ano que passa, você quebra uma caráiada delas. deixou de fazer a dieta em 1998. não deixou de fumar em 2004. não estou mais em 1992. deixou de ser vagabundo em 2000. bom, aí, você faz as promessas na véspera do ano acabar. mas sabe, no fundo do coração que não vai dar em nada. ou quase nada. porque? porque você mesmo já decepcionou você-- em anos anteriores. por isso mesmo eu deixei de fazer promessas. não que eu planeje ser um filho da puta em 2008. não. não é isso. eu apenas não prometo coisas tão específicias como: a partir de amanhã vou deixar de tomar cerveja. ou, em 2008 ser menos preguiçoso. ou que em 2008 eu vou me matricular numa academia, no primeiro dia de janeiro. não rola. o eu de anos anteriores está cansado de provar para o eu de 2008 que não rola. é muita pressão. o ano está começando-- e, começar assim já cheio de responsabilidades com você mesmo é foda. uma coisa é você prometer para a sua mãe que vai sempre ligar aos sábados e ligar, mesmo que seja no domingo ou na sexta. ela entende. outra coisa é você prometer para você mesmo uma coisa. você passa 24 horas com você. é foda. fazer promessas de fim de ano é complicado.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

o projeto verão português.

é melhor fazer um projeto verão aqui na europa do que no brasil. natal e ano novo acontecem na mesma época em todo o mundo. isto é um fato. dias 24/25 e 31/1. não tem muito como fugir. e, se no brasil tem bacalhau, peru, presunto, batatas mergulhadas em azeite. aqui tem o mesmo bacalhau, com uma receita bem parecida e com milhas a menos no cartão de milhagem. mas assim, olhando a mesa da ceia do natal, do ano novo, é tudo meio parecido no quesito calorias. seja no brasil, aqui em portugal ou mesmo na islândia, se come muito. para caráio. mas as coincidências param por ai. como se sabe, enquanto é inverno aqui, é verão no brasil. enquanto os termômetros tremem aqui. no brasil fervem. 8 graus aqui em lisboa. 40 no rio. e por aí vai. e é aí que entra o projeto verão. o projeto verão, para quem não sabe é aquele esquema de ficar em forma, em tempo recorde para encarar a praia. encarar o verão sem precisar engolir a barriga. o projeto verão no brasil é foda. bem filhodaputa. porque? bom, para começar, como as festas calóricas do brasil acontecem durante o verão, o pico do verão, não existe tempo para se recuperar. você precisa entrar nas festas de fim de ano já meio matriculado numa academia. com um estoque de barrinhas de cereais light na mochila e com uns dois, três quilos de vantagem contra a balança. outra coisa foda do projeto verão no brasil, ele dura o ano inteiro. como o brasil é um dos países de quase uma só estação, você passa o ano inteiro quase sempre com a opção de ir a praia. bom, agora em portugal, descobri que o projeto verão é bem mais tranquilo. mais tranquilo mesmo. o verão aqui só chega em maio. maio. as temperaturas que obrigam você a correr para a praia, maio. maio. não em janeiro. não um dia depois de mergulhar no bacalhau e no presunto com capa extra de gordura. não. entre o momento em que você ingere 7.980 calorias e o dia que começa o verão existe um período de uns 120 dias. ou seja. aqui em portugal é permitido ligar o foda-se. pelo menos por um tempinho maior. aí, quando estiver chegando o verão. final de março. comecinho de abril. bom, aí você começa a pensar no projeto verão. o projeto verão português.

quinta-feira, dezembro 20, 2007

três diálogos de três casais de três de namoro.




(1) angêlo e mariana

- anjo?
- angêlo.
- eu sei que o seu nome é angêlo. mas rima com anjo. anjo.
- angêlo, caralho.
- anjinho.
- angêlo.
- é carinho amor. anjo é mais carinhoso. meu anjo. meu anjinho. sabe?
- não. ah, e queria aproveitar que a gente está conversando para falar com você uma coisa...
- fala meu anjo.
- eu estou querendo dar um tempo nessa relação.
- como meu anjo?
- tempo. um tempo. espaço. espaço. preciso de espaço porra.
- filho da puta.



(2) ricardo e lucia

- pipoca.
- pipoca?
- é lucia, o que você acha? pipoca, para acompanhar o filme, o dvd que você alugou.
- mas pipoca prende entre os dentes.
- mas não é sempre que isto acontece.
- ok, quando não prende nos dentes, fica aquela lasquinha agarrada no céu da garganta.
- ok, ok. e chocolate?
- engorda.
- jujuba?
- cáries.
- salada de frutas?
- você faz?
- um pacote de batatas?
- e ficar com a mão toda cheia de óleo?
- três anos.
- oi?
- três que a gente namora. você me promete uma coisa?
- depende.
- não, promete.
- ok. e o filme?
- não precisa ser hoje. mas algum dia, qualquer, você deixa eu vencer uma discussão? ou será que eu consigo que você concorde comigo? uma vez. peloamordedeus!
- posso pensar um pouco?


(3) antônio e linda.

- linda?
- o que foi amor?
- você sente?
- o que?
- pressão?
- como assim?
- para estar sempre, "linda"?
- mas não é um adjetivo, é um nome ué.
- mas deve ser difícil, não é?
- você.... quando me chama de "linda"... faz isso porque esse é o meu nome ou porque acha que eu estou bonita, linda?
- (pausa) o que você acha?

o dia que a misha chorou. (ela chora a partir dos 2:04 ... do vídeo)

eu tinha cinco anos de idade. cinco. é fácil fazer as contas com acontecimentos como uma olimpíada. tem uma data certa. não faz parte de acontecimentos que você acha que aconteceram num determinado espaço de tempo não tão específico. e, como a misha chorou em 1980. na olímpiada de moscow, eu tinha 5. não me lembro dos jogos. apenas da cerimônia de encerramento. para ser sincero, não me lembro da crimônia. me lembro mesmo é da misha chorando. duas lágrimas. pourra, e olha que isso tem 27 anos já. vinte e sete. naqueles jogos olímpicos, os americanos não foram. era o auge da guerra fria e os caras não quiseram passar uma semaninha em moscow. e aí, algum general russo, que não era bobo, chamou uma galera no gabinete dele e exigiu algo que fosse ter um impacto fucking fuckers pelo mundo. alguém levantou a mão e sugeriu a misha: "um ursinho. um ursinho bonitinho. a gente pode fazer a versão de pelúcia para os turistas levarem. em poucos dias tenho certeza que cópias seram vistas nas ruas dos estados unidos." a idéia foi aceita, é claro. e a partir daí, os russos passaram as semanas que antecederam os jogos preparando a misha. a invasão mundial dela. o ursinho que iria para sempre foder com a cabeça do governo americano. o ursinho mais fofo de todos os tempos. e aí, na véspera da festa de encerramento, quando o mundo inteiro já tinha se apaixonado pela misha, alguém, algum russo levantou a mão e disse: "e se a misha chorasse?" e o general fucking fuckers, puto, respondeu: "chorar é para fracos!!! porra! e a guerra fria caralho?" mas o sujeito insistiu: "mas não é um choro de medo. é um choro de emoção chefe." e o general: "emoção? que porra é essa?" e o cara: "bom, general, é um negócio que vai deixar os americanos bem putos da vida. e mais, se o mundo chorar com a misha, aí, fodeu." depois de algum tempo, o general foi finalmente convencido. a idéia de deixar os americanos chorando de emoção e de raiva com a misha, não tinha preço. no dia seguinte, como você já sabe pelo título deste textinho, a misha chorou. eu chorei. uma caráiada de gente chorou. o mundo inteiro viu o comunismo com a cara de um ursinho mais fofo da história. e ainda, para foder, os caras meteram uma musiquinha que não sai da cabeça. também de chorar. quatro anos depois, os americanos fizeram o escambau para tentar igualar o impacto da misha. colocaram um fera num foguete voando pelo estádio. gastaram sete trilhões de dólares. mas nada, nunca, chegou perto da misha chorando. duas lágrimas. duas gotinhas. vinte e sete anos ainda é foda. veja você mesmo o vídeo. o dia em que a misha chorou.

terça-feira, dezembro 18, 2007

o cagador de regras e o sujeito bem intencionado.


definir um cagador de regras é complicado. primeiro porque o que separa um belo cagador de regras e um sujeito bem intencionado, é, digamos, difícil de definir. é, porque uma pessoa pode ter sugestões, dicas que possam ser utéis para você. o cagador de regra também. a diferenção é que na grande maioria das vezes, o cagador de regra falar coisas que não importam. o cagador de regras é craque em explicar, listar, falar verdades absolutas. amparado em powerpoints, expressões como "veja bem..." e uma cara de pau fantástica. para ser sincero, todos nós temos o nosso lado cagador de regra. o importante é saber-- ser mais o sujeito bem intencionado com dicas válidas do que o cagador de regra que faz bullet points no ar sobre coisas que você está literalmente cagando. mas que, para o cagador de regra é importante. muito importante. o foda, o complicado, é conseguir antecipar a chegada de um cagador de regras. todo cagador de regras se fantasia de sujeito bem intencionado com dicas que parecm interessantes. mas é o fera abrir a conversa com: "veja bem.." para você sacar o celular do bolso e fingir que o bicho está tocando e fugir. ah, outra coisa. como diria o zampa, escrever um textinho como esse é uma certa cagação de regras. o importante é você saber ver nas linhas de cima, o que é importante e o que não é.

era uma segunda que não era a mesma. ou quando o caderno de esportes de avisa.



dia desses na agência, sentei para ler um jornal. na verdade, sentei para tomar um café e ler um jornal. é mais ou menos assim que funciona com jornal. você precisa acompanhar com alguma coisa. ok, não precisa. mas fica mais legal. tem gente que fuma um, dois, quase três cigarros. eu tomo café. daqueles grandes. bom, mas como eu ia dizendo, dia desses sentei para ler o jornal. era uma segunda. abri o jornal pelo começo. e não pelo final, como geralmente faço. ou seja, ao invés de começar pelo esporte. o que foi um erro fatídico. não sei o que você acha, mas se você misturar as notícias do último ano inteiro e dividir pelo número de dias do ano, cola. em outras palavras, se você pegar uma notícia de maio, uma outra de agosto, e uma outra de janeiro e juntar-- você pode dizer que é um jornal de hoje, que as pessoas vão acreditar. eu sei, você deve achar que eu estou cagando regras. que cada dia é diferente. que você iria notar. mas eu acho que não. todos os dias são meio parecidos, menos no que diz respeito ao esporte. encontro de líderes em algum país na europa. encontro de líderes em algum lugar no oriente médio. o preço do petróleo. mais um lançamento da apple. o ipod que diminuiu novamente. um senador X que está correndo o risco de perder o mandato. mais um cientista que passa a convenientemente a acreditar no aquecimento global-- depois de anos negando que o clima está indo para o caralho. é tudo bem parecido. o mesmo banco que quebrou recordes de lucro. o erro fatídico de não ter lido o caderno de esportes. é, porque são os esportes que gritam para você que dia é aquele. foi o fato de eu não ter lido os eportes primeiro que me fizeram perder meia hora da minha vida. e aí, quando já estava pescando o café na mesa para dar o último gole-- foi aí que eu cheguei no caderno de esportes. caráio, meus olhos caíram sobre a notícia que o josé mourinho ainda estava estudando a proposta de dirigir a seleção inglesa. caceta, o fabio capello, acabara de assinar um contrato fucking billion dollars para o mesmo emprego. e foi, aí, neste momento, que eu olhei para a data do jornal. era o jornal da semana passada. por isso, minha sugestão. como as chances de você pegar umas sete páginas que falam do encontro do g8, do presidente sócrates ou do lula reclamando da oposição-- abra os esportes primeiro. esportes não tem erro. dia desses na agência, sentei para ler um jornal. na verdade, sentei para tomar um café e ler um jornal.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

dois diálogos de dois casais com dois anos de namoro.



(1) patrícia e roberto.

- beto?

- oi amor?

- sabe aquela vizinha do 23?

- vizinha? vizinha? ah, sei?

- você acha ela bonita?

- interessante.

- interessante é bom, né?

- acho que sim, sei lá. não me lembro muito dela.

- ela veio pedir açucar hoje aqui.

- e?

- devolveu uma colher que você deixou lá quando foi fazer o mesmo.

- ah...

- é.

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(2) joana e joão.

- j & j.

- o que é isso?

- vou pedir para bordar toalhas com j & j.

- mas...

- o que foi, é romântico.

- mas como é que eu vou saber qual é a minha e qual é a sua?

- uma azul e outra rosa?

- mas já não é assim?

- [ silêncio.]

o chuveiro.

não sei como é que a dona do meu apartamento segurava a onda com o chuveiro. é daqueles que você tem que segurar com a mão para tomar banho. ou seja, o seu corpo nunca está todo coberto com a água. ou é a perna. ou é o braço. ou é o outro braço. ou é a cabeça. no verão, beleza. agora, no inverno é foda. ou a sua perna direita morre de frio. ou é a esquerda. e assim por diante. uma espécie de escolha de sofia-- aquele filme de partir o coração de qualquer ser humano-- você escolher, qual parte do seu corpo fica no frio primeiro. é foda. não sei como é que a dona do meu apartamento segurava a onda com o chuveiro.

luvas

esseé um testew. está taop fdrio em casa qwuie eui estou escrewvendp com luvas.
desisti,/

terça-feira, dezembro 11, 2007

o truque morgan freeman.



- você já notou que todo filme mais ou menos fica muito mais fudido quando ele faz a narração? a voz do fera causa a estranha sensação de que você está assistindo um dos maiores clássicos desde cidadão kane. demora uns dez dias para sair o efeito, o encanto e você se tocar que o filme era na verdade, bem mais ou menos. ou um tiquinho pior do que você achava. exemplo. o filme dos pinguins. é bom? é bom para caráio. ok. isto é um fato. agora experimente assistir com a voz original antes do morgan freeman entrar na parada. o filme cai de um 10 para um 8. existem é claro, os filmes que são unanimidades. the shawshank redemption, por exemplo, é fudido. se eu fizesse a narração enquanto comesse um strogonoff quente, o filme ainda seria do caralho. mas aí tem também aquel filme, o green mile. com o tom hanks. do mesmo diretor. o cara achou que o filme ia ficar legal. mas sabia, desde o início que não era um shawshank redemption. o que o fera fez? "morgan? e se a gente pagasse mais um pouco para você além de atuar, também fazer a narração." e pimba. é o fator morgan freeman. ou melhor, o truque. aquela voz do melhor amigo do universo worldwide planetário-- que faz você acreditar que aquele só pode ser o melhor filme do mundo. e não importa se você já sabe o truque. a beleza do truque morgan freeman, é que ele funciona sempre. mesmo você sabendo como.


pequenas teorias bem mais ou menos.

- quem compra shampoo de caspa, compra para sempre. eu já não tenho caspa desde 1999. mas não paro de comprar a pourra do shampoo com medo da caspa voltar.


- lapiseira é o cyborg do universo de um lápis. o que o robocop e o exterminador do futuro são para os seres humanos, é como um lápis número 2 deve encarar uma lapiseira.


- a cada novo dia de frio, o meu respeito pelos esquimós aumenta.


- depois de uma noite de frio com o cobertor no chão e com preguiça e congelado para resgatar o fêla da pulta, resolvi alugar para assistir novamente "a marcha dos pingüins." tenho certeza que vou chorar agora quando ver os pequenos pingüins tremendo sobre o gelo durante duas horas. tenho certeza.



-

o alarme, a parede e o lionel richie.

dois amigos se encontram na véspera do casamento da ex-namorada de um deles.
sexta-feira de verão, mas com temperatura de outono. o bar está prestes a fechar. eles são de casa, mas o garçom está começando a levantar as cadeiras das outras mesas.

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dinho é casado, pai de uma menina de quatro anos.

andré namora uma menina bem mais bonita do que a luana piovanni mas fantasia com a luana quando está transando com a namorada.
torce para o são paulo é fã dos primeiros discos do titãs.

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andré: - o são paulo.
dinho: - o que tem o são paulo?
andré: - campeão. foi campeão.
dinho: - deve ser bom torcer para o são paulo.
andré: - sabia que não é. não tem lá assim muita graça.
dinho: - como assim?
andré: - o seu time...
dinho: - o que tem o meu time?
andré: - ... faz você sofrer. e aí quando ganha, dá para ver nos seus olhos a alegria. tenho inveja de você.

silêncio.

dinho: - saideira?
andré: - saideira.
dinho: - quantos foram?
andré: - oito cada um?
dinho: - nove.
andré: - não, um foi aquele seu amigo que tomou quando passou para te dar um abraço.
dinho: - o bruno.
andré: - nada contra o bruno. mas existem poucas coisas mais escrotas que amigo que vem dar um alô, toma uma cerveja e vai embora. é como se, só porque nós, eu e você, tomamos mais do que dez chopps, o dele não conta. dilui. não fódi.
dinho: - mas ele ofereceu deixar um dinheiro.
andré: - não, ele perguntou se eu tinha trocado para 50.
dinho: - truque velho. falando no nome dele, me fez lembrar da..
andré: - eu sei.
dinho: - sabe?
andré: - da bruna?
dinho: - isso.
andré: - do casório da bruna?
dinho: - isso.
andré: - do casório da vaca da bruna?
dinho: - calma, vaca, vaca, eu não sei. mas, sim, ela vai casar.
andré: - com aquele babaca do johnny.
dinho: - ele é gente boa.
andré: - ninguém com um apelido como johnny pode ser legal.
dinho: - gente boa, eu disse.
andré: - um filho da puta.
dinho: - cara, mas o que essa mulher fez com você?
andré: - aquela vaca?
dinho: - a bruna.
andré: - a vaca?
dinho: - ok, a vaca.
andré: - então você concorda que ela é uma vaca?
dinho: - não. você é que não queria seguir em frente enquanto eu não chamasse ela de vaca.
andré: - ela acabou comigo.
dinho: - mas isso acontece todos os dias com todo mundo. e você tem uma namorada sensacional.

o garçom se aproxima oferecendo a conta. o copo de chopp, o último, está na metade.

andré: - você acha ela sensacional?
dinho: não sensacional para mim. sensacional para você. ela é bonita. legal. mas não vamos mudar de assunto. conte continue a falar da bruna.
andré: da vaca?
dinho: isso, da vaca.
andré: cara, a gente namorou dois anos. dois anos porra! e um dia, a filha da puta acaba comigo. dois anos.
dinho: - e eu que namorei com a claudinha quase oito e um dia, do nada, acabei com ela. hoje ela está feliz e com quatro filhos.
andré: - é difícil explicar. ele fala baixinho. dois anos. dois. e de repente, puff, acabou.
dinho: - tenta.
andré: - all night long!
dinho: - como?
andré: - cara, eu nunca contei isso para ninguém.
dinho: - explica melhor.
andré: - all night long!
dinho: - all night long?
andré: - all night long!
dinho: - cara... eu não estou entendendo...
andré: - a gente tinha um alarme.
dinho: - alarme?
andré: - isso, que ficava do lado da cama. do meu lado. ou seja...
dinho: - você tinha a obrigação de desligar.
andré: - obrigação não. mas eu tinha que desligar simplesmente porque estava do meu lado da cama.
dinho: - e?
andré: - o alarme era alto para cacete. ou ninguém acordava. dolby stereo surround zamber fuckers.
dinho: - muito?
andré: - porra.
dinho: - e?
andré: - ou ele tocava rádio ou um apito infernal.
dinho: - você escolhia qual?
andré: - rádio.
dinho: - ainda não vi o problema.
andré: - all night long!
dinho: - porra cara, que papo louco...
andré: - um dia, um sábado. o alarme tocou. uma música alta para caralho.
dinho: - que música?
andré: - adivinha?
dinho: - all night long!
andré: - all night long!
dinho: - que música é essa?
andré: - lionel richie. 1983. um clássico.brega, mas um clássico. all night long faz parte daquela lista de músicas que uma vez que você escuta, fodeu. mas fodeu mesmo. apenas uma cirurgia num hospital daqueles de um episódio de x-files-- apenas uma cirurgia experimental consegue fazer você esquecer a carálha da música.
dinho: livin' la vida loca do rick martin?
andré: isso.
dinho: a macarena?
andré: também.
dinho: aquela mela cueca do james blunt... you're a beautiful?
andré: ok, essa também.
dinho: - mas como é a letra da música?
andré: - o refrão é simples... é all night long! umas vinte vezes.
dinho: - vinte?
andré: - e por baixo. bom, naquele dia eu estava cansado. não consegui desligar o alarme. a música tocou na íntegra. e depois, como fazia parte de uma competição de hits, venceu e tocou de novo.
dinho: - all night long?
andré: - quase dez minutos
dinho: - nossa.
andré: - uma semana depois, peguei ela olhando para o vazio. a gente tava no restaurante. e ela olhava para a parede.
dinho: - parede?
andré: - parede é um dos piores sinais. olhou para a parede uma vez, crise. pegou a mulher olhando para a parede duas vezes, fica esperto. três vezes, começa a procurar um apartamento.
dinho: - parede é foda.
andré: - então, era a quarta vez já. e naquela semana. aí eu peguei a mão dela e perguntei o que estava errado.
dinho: - e ela?
andré: - disse que não sabia como dizer.
dinho: - e?
andré: - disse que sempre que olhava para mim só conseguia enxergar uma coisa...
dinho: - uma? mas o que?
andré: - all night long!
dinho: - a música?

andré: - é, a música e o pior, o vídeo clip também. os dois não saiam da cabeça dela. desde o dia do alarme. atormentava ela dia e noite.
dinho: - puta música chata do caralho também.
andré: - ela disse que já tinha tentado de tudo. até psicoterapia e nada. passava o dia repetindo essas palavras na cabeça. sem parar. até dançava sem querer uns passinhos imitando o lionel.
dinho: - também, que azar o seu. foi ficar com sono justo na manhã que tocou all night long!
andré: - all night long!
dinho: - é... foda. que história triste cara. que vaca. Pausa e ele continua: mas também... o alarme ficava do seu lado.
andré: - você também? não fódi.
dinho: - mas não fica assim não. você ainda tem o são paulo.
andré: - é. o são paulo. puta time chato do caralho.
dinho: - nunca perde.
andré: - que graça tem? tenho inveja de você cara.

e, enquanto os dois pagam a conta. o dinho, se lembra do refrão da música e, sem quere começa a cantar baixinho. só o refrão. andré, sem notar, acompanha com um assovio. bem baixinho. quase imperceptível.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

ele gostava de falar "feeling" e ela de falar "né?"

sábado. os créditos de "about a boy" com o hugh grant, estão subindo pela tela da tv. os dois estão na sala. ela com meias. ele com o cobertor enrolado no pé. ela tentando tirar uma lasca de pipoca do dente de trás-- tentando não fazer muito barulho. ele dá um último gole numa taça de vinho, acho que é periquita. ele, meio comovido, ou pelo menos inspirado pelo filme, se vira para o lado e diz uma frase daquelas que ou toda mulher gosta de escutar ou odeia. não existe meio termo. mas o fêla, bom, ele diz a tal frase meio sem abrir muito a boca. apesar da importância e do peso da frase, ele diz como quem diz que prefere pão de forma sem casca do que com. ela pára de buscar a lasca de pipoca com a ponta da língua e presta atenção no que ele diz. faz isso olhando para a boca dele como quem lê lábios. por dois motivos: ele fala baixo. o controle remoto está perdido em algum lugar e ela não consegue abaixar o volume da tv. (pensando bem, com a trilha sonora relativamente emocionante, ela não se importa no volume da tv. ela presta atenção nos lábios dele porque ele nunca começou uma conversa com uma frase destas. nunca. e olha que eles estão juntos desde a véspera da final da copa de 2002.)....

ele:
- então você me ama.

ela:
- essa é uma pergunta ou uma afirmação?

ele:
- como assim, você não sabe dizer?

ela:
- essa última frase, por exemplo, consigo ver, enxergar a interrogação, na primeira não ficou muito claro. não sei ao certo se você sabe que eu te amo e está feliz por isso. ou, não sabe e está com dúvida sobre o nosso relacionamento.

ele:
- o que você acha?

ela:
- que você me ama, "né." e que eu também te amo, "né"?
ele:
- bom, o "né" fudeu a sua resposta.
ela:
- o "né"?
ele:
- é, o "né" é o maior símbolo de insegurança do mundo.
ela:
- "né" é um jeitinho meigo de terminar a frase... é que, agora que você levantou o assunto... eu também queria saber...
ele:
- que eu te amo? queria saber se eu te amo?
ela:
- é, quanto.
ele:
- mas não dá para quantificar. não é matemática. é... é..
ela:
- é o que?
ele:
- feeling... é um feeling.
ela:
- bom, agora foi você que fudeu a sua resposta.
ele:
- como assim?
ela:
- "feeling"? puta respostinha mais ou menos.
ele:
- "feeling". "feeling" é "feeling" caralho.
ela:
- não fala de novo não, que já cortou o tesão.
ele:
- "feeling".
ela:
- caralho, você está querendo me irritar "né"?
ele:
- "né"?
ela:
- o meu "né" é bem mais aceitável do que o seu "feeling".
ele:
- desculpe foi só um...
ela:
- pelo amor de deus, fale qualquer coisa, só não diga esta palavra...
ele:
- desculpe foi só um feeling que eu tive.
ela:
- babaca. você faz de propósito "né"?
ele:
- então você me ama.
ela:
- essa é uma pergunta ou uma afirmação?

três pequenas teorias.




- quanto mais frio o pais, maior a unha do pé do sujeito. ex.: no brasil onde era quente para cacete, eu sempre cortava as unhas para poder circular de havaianas. aqui, que está frio para caralho, não vejo meu pé tem umas quatro semanas. hoje, dei uma espiada no dedão, no chuveiro... rapaz... dá para matar alguém.
- a saudade, do mundo inteiro, diminuiu consideravelmente depois da invenção do skype. digo, o pessoal ainda sente saudade. mas a emoção é definitivamente menor. antigamente com o minuto de uma ligação internacional custando uma fortuna, os casais se reencontravam com catarro escorrendo pelo nariz e o reservatório seco de lágrimas. o skype dá uma aliviada.

- sempre que oferecem mostarda ou algum tipo de pimenta junto com a comida... fique esperto, a comida não tem muito sabor.

- o dan'up milkshake de banana é o melhor dan'up da história universal worldwide. ele dura umas três horas na maquininha de moedas aqui da agência.


quinta-feira, dezembro 06, 2007

carbonara e a aula de antropologia.



procuro evitar comer muita gordura. mas como com uma certa frequência. é complicado evitar. certa vez, acho que era uma aula de antropologia, um professor meu explicou que todo nosso fascínio por gordura está na nossa origem. quando éramos nômades e púlavamos de um canto para o outro da terr atrás de comida, o nosso organismo criou as papilas gustativas e alguma parte no cérebro para que a gente apreciasse mais as comidas com maior índice calórico. assim, com mais calorias, mais gordura acumulada, as viagens poderiam ser mais longas. até porque, naquela época não existiam supermercados e tal. é algo mais ou menos por ai. posso estar cagando regra. mas algo faz algum sentido aí. o fêla da pulta do homem da caverna que entrasse numas de comer alface, rúcula e tomate, estava fudido. e, está aí a nossa predisposição de preferir uma fatia de picanha do que uma de beterraba por exemplo. o que faz de um chocolate mais popular do que brotos de feijão. o que nos leva ao título deste textinho. hoje, jantei um macarrão carbonara. com mais lascas de bacon do que macarrão. impressionante a quantidade de calorias. esse que eu pedi, por algum motivo tinha um creme desses que agarra no garfo. saboroso. mas deve ter lá suas quinhentas e tal calorias. bom, enquanto comia e comentava que precisava perder lá uns quilos emendei na teoria do meu professor de antropologia. com a boca cheia de carbonara e uma tulipa de cerveja na outra e uma cesta de pão de alho mergulhado em manteiga disse: preciso contar para vocês o que um professor de antropologia meu disse um dia. sobre as calorias. e, sem nenhum peso na consciência, molhei o pão na mini piscina de molho que se acumulava no canto do meu prato e soquei para dentro. as vezes, quando a calça jeans ameaça tossir, penso como teria sido interessante ter faltando aquela aula.

caráio, não tive nenhuma idéia. ok, tive uma bem mais ou menos: este título mais ou menos engraçadinho. aí, o post de hoje, fica para amanhã.

terça-feira, dezembro 04, 2007

"hmmm que dilíça de fila."

as filas de fim de ano.




em todo mundo é a mesma coisa. com o natal chegam as filas. com o frio chegam as filas. na verdade, quando eu morava no rio, com o natal chegava um calor do caráio. mas aqui em lisboa, o frio está chegando com força total. o que é bom. e ruim. bom, porque todo comercial de coca-cola tem neve. tem papai noel com bochechas rosadas com frio. tem trenó. ou seja, quando eu morava no rio, era, no mínimo estranho assistir aqueles comerciais de coca-cola com o papai noel risonho com frio e com renas. aqui faz um tiquinho a mais de sentido. a parte ruim do frio é a parte prática. mãos azuis, corpo tremendo. todo mundo marchando como os pinguins. mas voltando ao assunto das filas e do natal. é engraçado. a impressão que eu tenho é que a cada ano que passa, as pessoas compram os presentes mais cedo. se antes as filas se formavam umas duas, três semanas antes. agora já é um esquema que começa com mais de um mês de antecedência. tentei comprar café na nespresso hoje. fila. comprar um dvd. fila. comprar meias. fila. fila para cacete. e para todos os lados. de onde vieram todas essas pessoas extras. parecem figurantes que vieram apenas com a intenção de criar as filas. não faz lá assim tanto sentido. você deve estar pensando: "não fódi erick, falta um mês para o natal e nada mais natural do que as pessoas comprarem seus presentes com calma." concordo e discordo. concordo porque acho que comprar presente de última hora, uma das piores coisas do mundo. mas também discordo, porque ainda faltam cinco semanas. ou seja, não existe ninguém tão precavido que entra numas de comprar um presente com tanto tempo assim de antecedência. bom, mas é a temporada. fazer o que? é complicado. não tem como fugir. não adianta ficar nervosinho. dar chilique. dizer que não vai comprar o presente.e as filas, bom, as filas tem um lado bom. um só. as filas te dão a esperança de que, no final do ano, na véspera do natal, existe uma chance de ter um presentinho-- com o seu nome debaixo daquela árvore de plástico. é natal. em todo mundo é a mesma coisa. com o natal chegam as filas.

quinta-feira, novembro 29, 2007

a pequena teoria da sangria.



sangria usa vinho. vinho realtivamente barato. gelo. frutas. açucar e uma dose de um licor zambers, contreau, por exemplo. ah, e ainda colocam uns dois dedos de sprite. a teoria da sangria diz que a sangria foi um esquema que inventaram para cobrar, por um vinho bem mais ou menos, o preço de um vinho caro. simples assim. joga tudo numa jarra de vidro sem rótulo. com uma lasca de laranja agarrada na borda e uma caráiada de pedras de gelo. não tem como resistir. é praticamente impossível.