sexta-feira, março 30, 2007

a teoria do contrapé 2.

a teoria do contrapé é simples. o título desse textinho vem com um 2 no fim porque eu não me lembro se já escrevi sobre isso antes. bom, mas vamos a teoria. e o contrapé. um exemplo de como ela se aplica: você sai para beber com os amigos numa segunda-feira ao invés de uma quinta ou sexta, ou até mesmo um sábado. sem saber já ee mestre na teoria. como? bom, o seu corpo está acostumado a sair para beber com os amigos naqueles útimos dias da semana, não é? os enzimas do seu aparelho digestivo. o seu fígado. os seus rins. até mesmo aquele cantinho do seu cérebro que controla o sono e o cansaço. a patota toda, achando que aqueles copos a mais de cerveja vão vir pontualmente numa sexta depois do trabalho. mas, você resolve pregar uma peça. pegar todo mundo no contrapé. quando os seus enzimas esperavam um copo de leite. "um copo de coca light com bastante gelo e sem limão, por favor."-- você fode todo mundo. é o contrapé. e a teoria se aplica em diversas facetas do seu dia. da sua vida. seus neurônios achavam que você ia assistir mais uma vez uma filme de aventura cheio de explosões? comédia romântica neles. domingo é dia de pizza em são paulo? pede feijoada. quarta é dia de feijoada? "opa, o senhor pode trazer o cardápio de pizzas, por favor!" mas tem uma coisa, uma regra, que deve ser sempre seguida na teoria do contrapé. a única regra da teoria. a regra universal. quebrou a porra da regra. fodeu a teoria. acabou o contrapé. a regra é a seguinte: você não pode aplicar a teoria do contrapé com freqüência. tem que ser raramente. de vez em quando. quase nunca. por um motivo muito simples: se você entrar numa putaria de querer pegar o seu fígado, seus neurônios, no contrapé sempre, aí, meu amigo, deixa de ser contrapé. eles vão ficar atentos. vão ficar mais espertos. já vão saber antes, que segunda é o dia do chopp com a galera e não mais sexta. que você agora é apreciador de comédias românticas e não mais torcedor do charles bronson. segure a onda. marque o chopp de segunda uma vez a cada dois meses. aí, é contrapé. peça um x-filé bacon com ovo e três dedos de maionese, as sete da manhã na padaria. peça. mas uma vez em janeiro, outra em maio. coloque aquele tênis quadriculado dos anos 80 que está no fundo do armário para ir ao cinema. ok, mas uma vez para assistir um filme, a outra, a continuação do mesmo. a teoria do contrapé. pode parecer uma baboseira. e é. mas experimente marcar um chopp com a galera do trabalho numa segunda feira chuvosa. ou marque um jantar com a patroa ao lado de uma van de cachorro quente. cachorro quente dos bão. mas tem que ser o de van. aí você vai entender o contrapé.

terça-feira, março 27, 2007

alguns pensamentos do dia e tres "quando o personagem principal de um filme..."

o tempo passa mais rápido quando você está atrasado. mais devagar quando você está com pressa. e nem devagar, nem rápido quando você está olhando para o relógio.


minha mãe ainda pergunta se eu almocei quando liga de noite. e se eu tomei café da manhã quando liga de tarde.


acho que o cachorro da minha vizinha comeu a vizinha e o marido dela. agora ele está com fome e não tem ninguém para dar comida pra ele. o fêla tem latido um tantinho mais do que o comum.


quando o personagem principal de um filme anda em câmera lenta depois de um carro explodir em um trilhão de pedaços, você pode ter uma certeza, o filme é uma bosta.


quando o personagem principal de um filme fala: "eles vão ver, matarei todos. sem pena. afinal, eles mataram o meu cachorro." bom, esse filme vai ser uma bosta.


quando o personagem de principal de um filme leva dois tiros, cai do terceiro andar de um prédio, levanta mancando, corre quatro quarteirões, rouba um carro, foge do fbi, entra de ré num rio e escapa nadando de trinta e seis helicóptero... você pode ter certeza, o filme tem grandes chances de ser uma bosta.


se você é sedentário e vai ao cinema assistir rocky 6, sai de lá se sentindo um bosta. o cara tem uns 96 anos e passa metade do filme correndo e socando gente.

o meu alarme de vez em quando não toca. Isso é que dá não trocar de alarme depois de tanto tempo. o fêla da pulta começa a ter pena de você.


se eu fosse dono de um boteco, colocaria no cardápio uma porção de pastel de “pastel de vento”. aí, quando um cliente puto chamasse o garçom perguntando se aquilo ali era uma porção de pastel de queijo ou de vento (cheio de ironia), o garçom poderia simplesmente responder (sério e sem qualquer dose de ironia): “é ‘de queijo’ meu senhor, se você quiser ‘de vento’, a gente faz.”

quanto menor o espaço, mais você é obrigado a socializar com estranhos. exemplo: você vê o vizinho do oitavo andar no shopping, lá na casa do caralho. ele te vê, você vê ele, e os dois concordam em se ignorar. agora, você entra num elevador com o fêla da pulta e já vaia falando: “oi, bom dia.” E “tchau, até mais” ao sair. puta negócio estranho.


quinta-feira, março 22, 2007

pensamentos do dia.

- existe uma coisa pior do que ficar preso no trânsito. ficar preso no elevador a caminho do estacionamento onde está o seu carro que você vai pegar para ficar preso no trânsito.

- a conta de gás de um restaurante de sushi é quase zero.

- dia desses fui reconhecer a minha assinatura e a mulher do cartório disse que não era a minha assinatura. eu olhei para ela e disse que eu, era eu. e ela respondeu, mas a assinatura não é. voltei para casa e fiquei treinando a minha própria assinatura.

- quando você é moleque, morre de medo do escuro. quando vira adulto e tem que pagar a conta de luz, morre de medo da luz.

- tem uma tiazinha de uns oitenta e nove anos no meu prédio que entra no elevador e fica se arrumando no espelho como se eu não estivesse lá.

- eu fiz um teste cego entre um miolo de alcatra e um miolo de picanha e não acertei.

- os filhos da fátima bernardes e do william bonner são muito bem informados.

- não deve faltar assunto na mesa da família bonner.

- entrei numa loja para tirar uma foto 3 x 4 e a mulher perguntou se eu não queria comprar óculos escuros. mais tarde ela perguntou se iria pagar as fotos em dinheiro e eu perguntei se poderia pagar com jujubas.

terça-feira, março 20, 2007

o skype e relacionamentos.

O skype está fudendo com os relacionamentos. eu sei, você deve estar pensando, “mas como assim? o skype tem dado uma puta mão no meu namoro… ligações mais baratas… posso falar por mais tempo…” mas é exatamente por isso que o skype tem estragado uma caráiada de namoros. antigamente, sua namorada viajava, você tinha que marcar hora para ligar pra ela: “amor, vou te ligar na quarta-feira, entre nove e nove e dezoito, porque nesse horário a ligação é metade do preço.” e, na quarta-feira, lá estaria o casal, pendurado no telefone, fazendo juras de amor. com a voz embargada, prometendo escrever uma carta assim que desligasse o telefone. hoje, não. com o skype, é aquela coisa. a namorada fica de um lado da câmera, em nova iorque, por exemplo. E o namorado, no rio, do outro lado da camera. Uma, duas, três horas falando. “oiê…”, “oiê…”, “eu já disse que eu te amo?”, “já, e eu, já disse?”, “já…” é foda. não existe assunto que renda mais do que meia hora no telefone. não existe namoro à distância que aguente um skype. com aquela imagem quase perfeita, trânsmissão da guerra do golfo, um tantinho granulada. “amor, você está fazendo o que?”, “assistindo a novela…”, “ah, tá…conta pra mim o que está acontecendo na novela…real time….” depois de seis meses, de duas horas diárias de skype, quando um casal se reencontra no aeroporto, deve ser tão emocionante quanto espremer um cravo do queixo. o casal sabe tudo o que aconteceu, em cada segundo, cada minuto, do tempo que eles ficaram separados. o email já tinha fodido o esqueminha das cartas. aquelas cartas borradas de lágrimas, borrifadas com perfume e com garranchos do autor. que a menina guardava numa caixa para reler quando estivesse com saudades. beleza, o email é prático. mas o skype, bom, esse é roubada. da próxima vez que você ligar para a sua namorada ou para o seu namorado, veja como está cada vez mais difícil gerar assunto. a ligação não vai passar de cinco minutos. se passar de dez, é porque vocês brigaram ou um dos dois está preso no trânsito. já o skype, acabou com a desculpa da ligação que é cara. se eu pudesse escolher entre pagar 10 reais o minuto e falar pelo skype de graça para manter um relacionamento à distância entre tókio e são paulo, ficaria com a ligação de 10 reais o minuto. vai por mim, daqui a pouco sai uma pesquisa relacionando o skype com o aumento de índice de divórcios e fins de namoro. vai por mim, se você estiver num esqueminha de namoro à distância, fuja do skype, não faça o dowload nem sob ameaça da muié acabar o namoro.

quinta-feira, março 15, 2007

4 pensamentos do dia e 3 "qualquer conversa que começa com..."

- o trânsito sempre pode piorar o seu dia. ex.: você sai do dentista com meia boca anestesiada e uma dor do caralho no molar superior direito. aí, quando você acha que o dia já não está lá essas coisas, você coloca a seta para sair da garagem do dentista e entra num trânsito filhodaputa. outro exemplo: você acaba de sair de uma reunião com um cliente. todos estão com sorrisos estampados no rosto. você entra no carro, olha para o relógio que marca, 19:08. meia hora depois, você ainda está no mesmo quarteirão. você está puto, o cliente está puto. todo mundo está puto. amanhã ele, o cliente, nem vai lembrar que teve uma boa reunião com você. terá memórias. sim. mas do trânsito filhodaputa. "e então mathias, como é que foi a reunião ontem, lá na agência?" e o mathias, "a reunião, cara... aproveitando que você mencionou... nunca mais vamos marcar uma reunião na agência. a gente paga esses caras, manda eles virem até aqui. não fódi. que trânsito du cacete. a reunião? não lembro. mas o trânsito estava uma bosta.

- manobrista é um sujeito que chegou antes que você naquele ponto da calçada e por isso se acha no direito de cobrar por isso.

- batom é um produto que quanto mais bonita for a dona dele, menos ele dura.

- os 'spams' do email estão me devendo umas 198 horas de vida.

- qualquer conversa que começa com: "vamos por etapas..." dura mais do que meia hora. no mínimo.

- qualquer conversa que começa com: "a gente precisa conversar..." termina com alguém puto ou chorando.

- qualquer conversa que começa com: "não sei se você sabe, mas a empresa está passando por uma fase de ajustes..." termina com a pessoa que está escutando com as subácas molhadas e fazendo contas na cabeça.

terça-feira, março 13, 2007

pensamentos do dia.


- h20h! vende que nem água. tenta achar essa pourra em algum supermercado.

- a revista istoé dinheiro deveria se chamar istoéuma revista.

- se eu jogasse xadrez profissionalmente, só jogaria vestindo camisas xadrez para confundir o fêla da pulta do outro lado da mesa.

- ninguém vai acreditar que você foi a praia se usar um filtro solar 50.

- o canal do meu prédio que filma os elevadores tem uma audiência de dois porteiros. mas com 100% de share.

- uma lata de leite condensado está para um pé de alface como uma quilo de chumbo está para um quilo de algodão.

- o filho da puta do cachorro da minha vizinha engoliu duas caixas de som daquelas bang olufsen makers plus soundworks.

- entregador de flores é um entregador de pizza que tem segundas intenções com a sua mulher.

- massas são todas iguais. só muda o formato, o recheio e o molho.

- havaianas. todo mundo usa? então porque anuncia, caráio.

- quando o flamengo joga, "o globo" do dia seguinte demora pra chegar lá em casa. e quando chega, já está todo moído. o fêla é flamenguista doente.

quinta-feira, março 08, 2007

regras do buffet.

lá no prédio em que eu trabalho só tem kilão e buffet. buffet ou kilão. sério, ou é isso ou um esqueminha daqueles sanduíches suspeitos embalados em plástico com uma data de validade. bom, você entendeu, o negócio é sempre apelar para o bandeijão, pra balança do kilão, para a fila do buffet. e, de tanto observar o buffet, de tanto frequentar o kilão comecei a pensar em algumas regras que poderiam ser interessantes para criar um ambiente mais traquilo e com um certo clima de "é, tâmo na merda, mas tá tudo bem..." regra número 1: se você pegar comida comida demais e colocar no seu prato, não pode devolver para a bandeija. regra número 2: se você não quer socar tomate, cenoura ou beterraba no seu prato, pode furar a pourra da fila e ir direto para os pratos quentes. não fode. regra número 3: se você espirrar sobre o alface será convidado a se retirar do restaurante. regra número 4: se a hostess falar que sua mesa fica pronta em dez minutos, ela tem 5 minutos de desconto, passou de 15 minutos de espera, ela será obrigada a pegar um violão e cantarolar músicas da mpb para fazer a sua espera ficar mais confortável. regra número 5: couvert não pode custar mais do que a sobremesa quando ele consiste apenas de pão e bloquinho de manteiga quase congelados. regra número 6: bloquinho de manteiga do couvert quase congelados são proíbidos a partir de hoje. vai dar meia hora de bunda, quando você consegue colocar a manteiga na lasca de pão, sua comida já chegou. regra número 7: na hora de pagar, nenhum mané poderá furar a fila porque conhece um outro mané que está na sua frente. essa regra só poderá ser quebrada se for marido e mulher. e os dois terão que dar um beijo na boca cinematográfico para provar que são casados. caso contrário, fim da fila rapaz. regra número 8: alface murcho? 10% de desconto. naco de carne tostada no rechaud? 20% de desconto. regra número 9: o fêla que lambuzar o alface usando o pegador do fetuccine alfredo, vai educadamente se oferecer para pagar o seu prato cheio de alface melecado de molho alfredo. regra número 10: guardar o lugar na mesa com um óculos escuros, um crachá ou levantando a cadeira é crime inafiançável. o sujeito será transportado para a prisão de presidente bernardes para dividir uma cela com o beira-mar. quer arrumar um lugar para sentar e ao mesmo tempo ficar na fila para pegar comida? deixe de ser mala e convide um amigo para almoçar e reveza com ele. simples assim. regras do buffet. se elas fossem seguidas por todos, o almoço no prédio da firma seria sensacional. tá bem, exagerei, mas seria pelo menos melhor.

terça-feira, março 06, 2007

dentistas e os sopranos.

meu dentista é bacana, gente boa. oferece aplicar anestesia antes de partir meu molar ao meio. beleza. sem dores. mas fico imaginando porque até hoje não apareceu uma gangue de dentistas saqueadores. uma gangue de dentistas que aproveita aquela broca, aquele motorzinho no seu dente enfermo e não pede nada em troca. vou dar um exemplo: imagine que você está lá, deitado no dentista, ele, por algum motivo disse que não seria necessário aplicar anestesia e soca a broca no meio daqueles dois dentões lá de trás. sabe, aquels grandões, do tamanho do dedão do seu pé? então, ele está com a broca lá. e, naquele momento, ele aperta aquele aceleradorzinho e raspa a primeira camada dos seus dentes. só para arrancar uns 50 ml de lágrimas dos seus olhos. aí, quando você ameaçar mandar ele tomar no cu, quando você ameaçar matar ele, ele te ameaça. ele encosta a broca no mesmo dente dolorido e fala: passa as senhas do seu cartão de crédito ou eu ligo a pourra do motorzinho. e você, bem, você que não é masoquista, grita, em pânico: "sete, sete, nove, um." e ele recua um pouco a broca e manda a secretária dele/assistente ir até o banco vinte e quatro horas da esquina para fazer o saque. mas isso seria só o começo. dor de dente é a pior dor que existe. dor de dente causada pela broca da maquininha de um dentista mal intencionado é pior ainda. em outras palavras, dentistas poderiam formar uma gangue de mafiosos. "entregue todo o seu dinheiro ou eu vou deixar um canal aberto para infeccionar e te causar uma dor eterna." ou "deixe as chaves da sua mercedes benz com a dona lucinda na recepção ou eu vou raspar lentamente o esmalte dos seus caninos." não consigo imaginar quem resistiria a tal assalto. uma gangue. uma gangue de dentistas. só tem um lado bom dessa história. com esse esqueminha, eles não precisariam cobrar tanto a cada consulta.

quinta-feira, março 01, 2007

"é aquela coisa..."

é aquela coisa é um começo de frase meio suspeito. não sei se você escutou alguma frase que começa assim, mas é meio aterrorizante. aterrorizante não é a palavra. é no mínimo suspeito. você entra num restaurante, num boteco daqueles com ladrilhos na parede e um garçom que se chama paiva ou zé ou palhares. aí, você acena para o palhares e pede para ele tirar uma dúvida que você tem com o cardápio. "ô garçom, o bolinho de bacalhau é bolinho de bacalhau mesmo ou é muito carregado com batata?" e o palhares, bem, o filho da puta do palhares olha pra você, e na maior cara de pau fala: "é aquela coisa... depende do que você quer dizer com 'carregado com batata..." e você alí com cara de mané fala: "cuma?" e o palhares: "é aquela coisa, tem gente que prefere com mais batata, tem gente que prefere com menos batata... é aquela coisa..." e você, sem saber o que dizer, pede a porra do bolinho de batata. mas essa frase não é exclusiva de botecos. você entra numa loja de calçados esportivos. aponta para um nike air max plus e pergunta: "esse é aquele que o pessoal da propaganda salta cinco metros de altura, né?" e o vendedor, vestido com aquele uniforme de auxiliar técnico da seleção de basquete do chipre, vai responder: "é aquela coisa, se você já joga basquete, pode saltar relativamente alto. agora se você não costuma se exercitar com frequência, periga não saltar como o pessoal da propoganda. é aquela coisa." e você ali, fica com aquela vontade de dizer: "é aquela coisa, eu poderia dar um chute de trivela no seu joelho esquerdo ou uma cotovelada na base do seu pescoço." é aquela coisa, ou você encontra um sujeito que vai falar assim com você hoje. ou esbarra nesse "fêla" amanhã. um comecinho de frase que diz muito do que está por vir. um comecinho de frase que significa que você está na merda. uma mulher pode acabar um namoro assim: "é aquela coisa, eu te amo, mas não o suficiente para ficar com você." ou "é aquela coisa, o problema não é com você, é comigo..." e por aí vai.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

o horário de inverno. uma idéia.

existe o horário de verão. todo mundo sabe disso. adianta uma hora. a noite chega uma hora mais tarde. as pessoas ligam as luzes uma hora mais tarde. todo mundo economiza. bom, mas e o horário de inverno? é uma idéia simples, baseada no princípio do horário de verão, mas, como o nome já diz, o inverso. o contrário. ao invés de adiantar uma hora, iríamos atrasar, não uma, mas três. isso, voltar umas três horas. o seu relógio está marcando quatro da tarde? na verdade já são sete da noite. ôpa rapaz, olhe pela janela, já está escuro é hora de ir para casa. tá fazendo o que aí catando números nos teclados encardidos do seu computador? vai por mim, no começo todo mundo vai reclamar, falar como é complicado, como o corpo demora para acostumar, como é difícil se adaptar ao fato da noite estar chegando assim no meio do dia. vai ter aquela clássica entrevista no jornal hoje em que uma tiazinha do bairro de moema vai reclamar do barulho dos aviões e do fato da lua estar mais apressada para subir e de como ela sente dores lombares quando acorda. mas com o tempo, muito pouco tempo, você verá as vantagens. a hora de ir para casa vai chegar muito mais cedo. três horas mais cedo. é, depois de algumas horas vendo aquela escuridão pela janela, e com as luzes brancas queimando a retina das pessoas, o seu chefe vai começar a liberar a galera. o corpo não vai aguentar ficar tanto tempo dentro de um escritório com aquele breu lá fora. é natural do ser humano. pode notar, bateu seis e tal, começa a escurecer. você já fica meio inquieto na cadeira contando os minutos. chega sete e tal, e aí meu amigo, você já está tenso, nervoso com a sáca na lua. já está escuro lá fora, que caráio você ainda está fazendo aí no escritório? levanta a bunda da cadeira e some, pourra. oito horas e você levanta e corre deixando marcas do solado no carpete da firma. e tudo isso porque aquela escuridão que você testemunhou crescer pela janela-- fodeu a sua cabeça. é o mundo, o tempo escorrendo pelos dedos. com o horário de inverno é a mesma coisa. só que, como vai ficar escuro muito mais cedo, você e o seu corpo vão jogar a bombinha ninja igualmente cedo. vai começar a ir para casa entre três da tarde e quatro. o horário de inverno, atrasar o relógio umas três horas. você acha que é meio-dia? mas seu relojinho deveria estar marcando três. cinco da tarde? oito de verdade. vou escrever uma carta para o ministério do trabalho. fazer um teste. uma pequena experiência. assim meio de putaria só pra ver a bosta que dá.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada.

se você já dirigiu o seu carro durante oito horas numa viagem sabe que precisa parar. seja para tirar a água do joelho, seja para comprar um red bull para recarregar as baterias. e sabe também que se a viagem começou oito da matina, lá pelas 14 horas, vai estar com uma fome insana. barrinhas de cereais evaporam no primeiro contato com a sua boca, biscoitos seguem o mesmo destino. você precisa de comida. e é aí que entram os postos suspeitos. descendo a dutra, aquela estrada sem fim que liga o rio a são paulo, você passa por uns 72 postos de gasolina. e, com cada um deles, você ganha de brinde um restaurante. churrascaria las pampas do sul, churrascaria meu garoto, churrascaria guri, rodízio com cheque para 30 dias, comida da fazenda da vovó a kilo. tem de tudo. alguns com a tinta exterior descascando, outros com erros de português, e todos com um ar de comida caseira. aquela que você come alí e vai sentir o estrago em casa. mas a fome é braba, e você tem que comer. é um fato. é alí, com o velocímetro do seu carro marcando 120 km/h, e com aquelas churrascarias desfilando pela janela do seu carro, que você tem que decidir. acelero para tentar chegar na cidade antes? mas a dutra não acaba, a dutra não tem fim. e a resposta é óbvia, você vai ter que enfrentar uma churrascaria de estrada. um restaurante que jura ter uma comida igual a da sua querida avó. e como a fome toma conta de você, o carro começa a desacelerar. a fome é que toma as decisões a partir de agora. o carro pára. você sai, se comportando como um zumbi desses de filmes de terror preto e branco que passam quatro da matina no telecine action. churrascaria meu guri. aqui eles têm maminha? sim. picanha, fraldinha, alcatra? sim. setenta e duas guarnições. um enroladinho de carne suspeito com uma tira gorda e branca de bacon e um arroz "veja bem, não sei se é carreteiro ou biro-biro, vou perguntar para o gerente..." e lá vai você, com a fome, a cara e a coragem. você reza antes, mesmo não sendo religioso. respira fundo e mastiga com força para ajudar a matar qualquer objeto não identificado. e, para a sua surpresa, a comida é gostosa, saborosa. com fome, meu amigo, casca de pão plus-vita é saborosa. pão com meia colher de maionese light é saboroso. biscoito de água e sal acompanhado com um copo de água é saboroso. e você raspa o prato, mata a fêla da pulta da fome de porrada e segue em frente. você foi corajoso rapaz. não é todo mundo que soca o estômago com arroz "veja bem". não, a maioria teria continuado na estrada com fome. e, enquanto você sai com o carro, vê pelo retrovisor, um outro automóvel de família. com a seta ligada, entrando no mesmo restaurante que você acabara de comer. no volante está o marido com um terço na mão rezando em voz alta e ao lado, a esposa, chorando no celular se despedindo, dando adeus para os filhos. a o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada. você ainda vai encarar os dois.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

a síndrome do nextel.

não sei se você tem ou já teve ou conhece alguém que tem um nextel. nextel, para quem não sabe é um celular que está sempre no viva-voz. as pessoas que estão ao redor escutam tudo o que o dono ou a dona do nextel fala. como eu já disse, a pourra do telefone é uma espécie de walkie-talkie fantasiado de celular. puta negocinho escroto. entendo que dá pra economizar. ligação infinitas com o apertar de um botão. ok, beleza, faz sentido. mas só se você usa essa maravilha da tecnologia para algum tipo de trabalho. você é mestre de obras? beleza, tem que falar com o carinho no segundo andar do prédio que está chovendo sacos de cimento. com um apertar de botão você pode salvar a vida do fêla. mas tem gente que usa a pourra do nextel para conversar coisas íntimas, do dia a dia. "amor, eu vou pegar as crianças... mas depois tenho que dar uma parada na farmácia porque o meu furúnculo do joelho está vomitando pus." puta papozinho que não dá para falar num nextel para todos que estão ao redor escutem. o foda de um dono de nextel é que ele ou ela, com o tempo simplesmente esquecem do fato de estarem falando em voz alta. na primeira conversa talvez sussurrem. na segunda conversa já falam um tantinho mais alto. afinal, a pessoa do outro lado da linha está gritando. é o marido que vai falar baixinho para mulher no nextel que ele está louco para chegar em casa e tirar o atraso, depois de uma semana trabalhando na ponte aérea. mas que um mês depois, pede pra ela descrever graficamente a cor da calcinha dela, em voz alta dentro de um carro do metrô. ou é a esposa que fala para o marido baixinho que pegou a cueca dele escondida entre as almofadas do banco de trás do carro da família. e pede explicações. mas, aí, passam se os meses, e ela liga pelo nextel e esperneia que encontrou uma gola de camisa de terno lambuzada de batom. e fala isso na escada rolante de um shopping, por exemplo. é a síndrome do nextel. com um, dois, três meses de nextel, as pessoas esquecem que existe um mundo de pessoas ao redor. e falam alto, coisas íntimas que não necessariamente merecem ver a luz do dia no viva voz do nextel. "maria, as crianças comeram? ah, o claudinho não comer brocólis? então empurra goela abaixo e diz que se ele não comer eu vou cortar a língua dele fora..." escutei isso na sala de espera de um aeroporto. não fodi. compra um celular e fala direito, baixo. a síndrome do nextel. um bando de fêla que fica falando alto pra cacete porque perdeu a noção que a caráia do nextel é um walkie talkie e não um telefone celular.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

dia desses, preso no trânsito vi um caminhão cegonha na faixa ao lado. dos grandes. tinha uns 18 carros. mais um, menos um. o cara estava com o vidro abaixado, com um calor do cão, aquela testa que brilhava de longe e o sol tostando o bigode do fêla. achei que o cara ia pegar fogo. e, como o trânsito não andava, o fêla derretia. bom, você entendeu, o cara estava sofrendo. mas, bastou olhar só um pouquinho para a carga do caminhão cegonha pra ver como a vida dele ainda poderia ficar pior. os 18 carros que estavam bem atrás da sauna, da cabine em que ele estava, eram carros de luxo. jaguar, alfa romeo, bmw, mercedes. um mais bem equipado do que o outro. numa outra vida esse cara devia roubar o lanche do colega mais fraco na hora do recreio. devia ser bem filhodaputa. puta trabalho sofrido du caralho. 18 carros cheio de ar condicionado e um zilhão de itens de série e o cara a dois palmos deles cozinhando na cabine de um scania. o sinal abriu, o trânsito começou a se mover e e lá se foi o coitado. quer ver outro emprego desses: vendedor de cerveja estupidamente gelada de praia no verão. complicadíssimo. o cara tem que ser bem zen. tem que ter um poder de auto-controle fora do comum. quarenta e dois graus. aquecimento global. areia quente pra cacete. mar, mulheres com pouca roupa e um isopor socado com gelo seco e cerveja a 0,1 graus de congelar. outro emprego foda: policial de estádio de futebol. se entrar numas de virar pra assistir o jogo, leva esporro. e o fêla tem que passar o jogo inteiro olhando com cara feia para uns marmanjos, de costas para o jogo. e ainda periga levar na quina da cabeça uma lasca de asfalto. taí outro que em outra vida devia ser bem escroto. o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

uma lasca da alface e o teste.

a melhor maneira de testar o nível da amizade de alguém em relação a você, é com uma lasca de alface. uma lasca de alface do tamanho da unha do seu dedo mindinho. nem menor. nem maior. a idéia é simples. ah, só mais uma coisa, a lasquinha de alface tem que ser nova, nada de usar alface murcho, véio. bom, mas vamos a lasquinha de alface. pegue a lasquinha como quem segura um fio dental. com o indicador e o polegar, agarre a pontinha do alface. mas com cuidado para não rasgar. faça o mesmo com a outra mão. você tem agora, esticado, entre as mãos uma lasca de alface. agora vamos testar o nível de amizade das pessoas. encaixe a lasca de alface entre o canino e aquel primeiro pré-molar, o vizinho do canino. mas encaixe, deixando para fora, exposta para o lado visível da boca, a maior face da lasca do alface. agora, munido desta lasca verde, saia por aí, vá ao trabalho, frequente festas, jantares de família, entre numa loja do shopping e fale com uma vendedora que você quer experimentar o tênis zambers da vitrine. a idéia é circular com a lasca de alface no dente. portanto sorria bastante, fale bastante, puxe assunto. a partir daí meu amigo, preste atenção na reação das pessoas. conte quantas vão te avisar da lasquinha do alface. leve um bloquinho no bolso da calça. conte os segundos que demora para um fêla da pulta levantar uma sobrancelha ou apontar com o indicador freneticamente para a sua boca. a lasca de alface é um dos melhores testes que existem. a lasca de alface é capaz de separar amigos de quase-amigos. você vai saber por exemplo se a sua mulher realmente quer o seu bem, ou se está buscando algum tipo de vingança deixando a lasca de alface alí sambando contra o vento na quina da sua boca. faça o teste e comprove. uma lasca de alface e um sorriso daqueles meio falsos que mostram uma caráiada de dentes. é tudo que você precisa.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

salaminho e as pequenas e honestas piscinas de banha.

o salaminho é honesto. não, o salaminho é o alimento, em qualquer forma, mais honesto que existe no mundo. em qualquer país. se você olhar para um doritos desses laranja escuro, de queijo, você não enxerga a gordura. ela está lá, e você, de alguma maneira sabe disso, pois já notou que depois de consumir toneladas do mesmo, acaba desenvolvendo bolsas de gordura localizada que saltam pela calça. mas o doritos não te avisa, não fala, não coloca um neon sobre ele com letras garrafais que dizem: "gordura saturada. banha. 500 calorias." não, você tem que pesquisar você mesmo. se não estiver escrito nas letrinhas miúdas do verso, você talvez encontre um 0800 minúsculo escondido ou uma caixa postal para escrever perguntando a quantidade de banha que você está adicionando ao seu querido corpo. agora, voltemos ao salaminho. aquela rodela reluzente empapada em gordura que brilha à distância. aquele petisco, que faz parte da família dos frios no supermercado. o salaminho não tem vergonha de se expor. de falar com todas as palavras, "meu amigo, aqui contém duas colheres de sopa cheias de banha." ou "tá vendo estes pequenos círculos brancos? é banha." e você vai lá e compra. eu compro. todo mundo compra. pinga limão, junta com provolone e come. é uma relação honesta. você sabe o que está comendo e o fêla da pulta do salaminho não te engana. diz na lata coisas que sorvetes, biscoitos e manteigas se recusam. e não adianta entrar numas de retirar os pequenos círculos de gordura como se faz quando se retira uma azeitona de uma empada. é, porque se você entrar numas de tirar as piscininhas de gordura saturada do salaminho, ele deixa de existir. simples assim. é gordura pra caráio. e mesmo assim você compra. é uma forma de retribuir pela honestidade do fêla. salaminho é foda. é o alimento mais honesto que existe.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

o tiozinho filhodaputa no cinema e "o xixi da morte."

dia desses fui ao cinema assistir babel. aquele filme indicado a uma caráiada de oscars. babel é daqueles filmes que contam 3 histórias simultâneas, um terço em japonês, o segundo terço em árabe, e a outra parte em espanhol. no meio desse esquema todo também tem inglês, outra coisa do filme, a porra da história não segue nenhuma ordem cronológica. resumindo, é bom prestar atenção na porra do filme ou você periga voltar pra casa sem entender picas do enredo. segure o mijo, a sede, a vontade involuntária de piscar. foco na tela. bom, aí você senta atrás de um tiozinho filhodaputa de voz grave e carente. que gosta de fazer piadas entre cenas em que a maioria das pessoas está soluçando ou com a respiração fora dos eixos. esse tiozinho estava bem na minha frente com uma filha ao lado que parecia idolatrar cada piadinha daquele bosta. vinte minutos de filme, uma mulher leva um tiro no peito. o cinema suga o ar inteiro da sala. o tiozinho aproveita o silêncio e diz: "bala perdida. perdeu playboy!" e solta uma risada tipo mutley do dick vigarista. meia hora depois, no núcleo japonês da história, uma menina surda-muda e em profunda depressão entra em cena nua. o veado imita umas quatro frases em japonês macarrônico e fecha com "peito bon, nô?" dez minutos depois, uma das personagens a beira da morte pede ajuda para urinar para o marido. uma tiazinha no corredor ao lado chorava. ele, o tiozinho, limpou a garganta e gritou: "ahhh, o xixi da morte!" eu não sei se era o fato de 200 pessoas estarem com os olhos pregados na tela pra entender a pouura do roteiro, mas ninguém matou o filhodaputa. dei mole. ele tem mais ou menos 1,70m. pesa uns 90kg. tem uma pança saliente. uma barbichinha no queixo. é careca atrás e tem o cabelo bem branco a lá steve martin. usava uma camisa laranja gritante e um par de chinelos de couro. ah, e tinha uma voz meio cid moreira, meio william bonner quando aparece no plantão da globo. se você pegar uma sessão com ele, dê uma cotovelada na nuca do fera por mim.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

guarda-chuvas, garrafas mudernas que falam russo e a caipiroska de 22 mangos.

sua caipiroska vem guarda-chuvinha? fodeu. vai pagar caro. mais caro do que você está acostumado com certeza. o guarda-chuvinha é sinal de que você vai ser enrabado quando a conta chegar. a garrafa da vodka fala russo? xi, melhor pedir uma salada então. transforma uma entrada em prato principal. a garrafa da vodka é muderna, colorida? ah, antes de fazer o pedido é recomendável ligar para aquele amigo seu que deve uns trocados desde os tempos de moleque. cruzeiro virou cruzado que virou cruzado novo que virou cruzeiro de novo que hoje é real. ou seja, aquele trocadinho que o teu amigo de infância te deve vai dar pra pagar a tal caipiroska. dia desses fui num bar muderno. novo. e caro. a caipiroska tinha guarda-chuva, a vodka falava um russo fino sem sotaque e custava 22 mangos. 22 mangos. e, como você acaba sempre pedindo a segunda, só de caipiroska, lá se foram 44 mangos. dez porcento, quase bateu 50. e como eu fui trouxa e pedi sem ver o preço, não podia levantar e mandar o gerente do lugar à merda. outra coisa que eu notei que criaram para te foder. o nome "robata". robata para quem não sabe é o seu típico espetinho de carne ou de queijo ou de frango. mas, num restaurante muderno, chique trips, eles chamam qualquer espetinho de "robata". aí o negócio é o seguinte, se é espetinho custa X, se é uma robata, custa 3X. simples assim. a carne é a mesma. o queijo coalho também. a lasca de abacaxi então. mas como resolveram chamar a porra do espetinho de robata, prepare-se para escancarar a carteira. vodkas que falam russo sem sotaque com guarda-chuvinhas e robatas. duas maneiras que algum dono de restaurante esperto inventou para aproximar você do cheque especial. antes de pedir qualquer coisa num restautarante da moda, novo, observe as mesas vizinhas. fique atento. notou qualquer comentário do tipo: "a senhora quer a sua caipiroska com vodka st petersburg ou vladvostock?" ou "robata de carne seca com pepino ou de lascas de gengibre com frango?-- fuja, corra e mande o gerente tomar no cu enquanto você arranca a sua carteira da mão do garçom. boa sorte.

terça-feira, janeiro 30, 2007

o taxista, o filosófo e a revolução.

taxistas são filósofos que conhecem bem a cidade em que vivem. taxistas sabem de futebol, absolutamente tudo sobre futebol, política, religião e economia. mais ou menos nessa ordem. dia desses peguei o maior filósofo de todos os tempos. uma mistura de filósofo com che guevara com dor nas bolas do saco. mas uma dor daquelas agudas e crônicas. e para ficar ainda mais caricato, o fêla tinha uma voz a lá cid moreira. bom, ao entrar no taxi ele já foi saudando: "bom dia senhor..." até ai, nada demais, tranquilo. foi a gente passar por um coitado, um sem teto, que dormia no chão para ele comentar: "esse aí vai liderar uma revolução. a revolução. e vai levar um tiro no peito e morrer sem saber o que o atingiu." coitado do sem teto, pensei. não sabia que estava prestes a liderar uma revolução que resultaria na sua iminente morte. segundos depois eu vi um prédio com a lateral toda grafitada. ele olhou para mim, pelo retrovisor e comentou: "tá vendo, você consegue ler o que está escrito lá?" e eu, balancei a cabeça negativamente. ele emendou: "ainda bem que você não consegue entender o que está escrito. se conseguisse, as massas também conseguiriam. e aí a revolução iria começar. mensagens seriam transmitidas. o povo sentiria colar na retina palavras de guerra, de ódio, de asco." levantei ambas sobrancelhas como quem diz, "pois é..." e ele, notando o meu desinteresse disse: "você conhece algum político que não é filhodaputa (assim junto mesmo)?" e eu: "hmmm, acho que não..." e ele: " se entrar no meu taxi um politicofilhodaputa, caga nas calças..." acho que ele quis dar a entender que ia foder com a cabeça do cara. pelo pára brisa já era possível ver o meu destino final, duas esquinas. ele colocou a seta e eu já fui catando duas notas de dez. pedi um recibo. nota fiscal. e foi aí que o che guevara olhou pra mim com babinha acumulada nos cantos da boca e disse: "você por acaso quer o recibo para me entregar? denunciar? avisar sobre a revolução, porque ela está por vir....!" e eu: "não, não, é só para receber o reembolso, eu estou indo para esse endereço a trabalho." ele limpou o suor da testa, me entregou o recibo e disse: "a trabalho? você trabalha para quem? os homens? pra algum políticofilhodaputa?" e eu, enquanto colocava o pé na calçada falei: "não, não. mas na boa, guarda o meu rosto, decora a minha cara. quando a revolução começar, alivia pá nói. nada de porrete nos meus córnios... na boa." e dei um gorda gorjeta pro che.

sábado, janeiro 27, 2007

a quarta cerveja, a represa e o botão do foda-se.

a quarta cerveja é o ponto que abre a porteira para a décima-quarta. a quarta cerveja é aquele ponto em que você decide que vai em frente. que não vai parar. até a terceira, você segura a onda. mas, quando você olha para o garçom e pede a quarta, com aquele gesto do dedo indicador apontando repetidamente para o céu, aí meu amigo, é melhor respirar fundo, se esparramar na cadeira, porque a noite vai ser longa. é, porque a quarta cerveja pega os seus neurônios nas canelas. a quarta cerveja escorre pela garganta como quem avisa: "olha galera, eu, se fosse vocês ia me preparando para aguentar mais umas três horinhas... o cara ligou o foda-se, chegou a conclusão que não precisa entregar nenhum trabalho amanhã e vai tomar mais algumas." a quarta cerveja também é mundialmente conhecida como a terceira caipirinha, a segunda tequila, a terceira dose de whisky. o ponto em que a parede da represa cede e não tem muito mais o que fazer sobre isso. pode notar, as pessoas não vai ficar apontando para você. mas, se você estiver numa mesa cercado de amigos, amigas, casais etc e tal... preste atenção nesse momento. quando você decide partir para a quarta cerveja. (é importante notar que não é o quarto chopp, o que é bem diferente. uma garrafa de cerveja enche quase dois copos de chopp.) bom, mas voltando ao momento em que o garçom rabiscou no bloquinho o seu pedido da quarta cerveja. é nesse instante que as pessoas da mesa vão olharpara o relógio, prender, mesmo que levemente a respiração, olhar para a mesa a sua frente e contar o número de long necks. esse momento é importante. o seu pedido pode gerar uma reação em cadeia. pode gerar uma onda de pedidos como num efeito dominó. maridos que até então bebericavam a terceira cerveja como se fosse água potável no deserto do sahara, vão seguir o seu exemplo. se libertar do racionamento. a quarta cerveja é um marco. um instante na história de toda mesa de bar que prolonga qualquer noite em mais ou menos umas três horas extras. da próxima vez que você for beber com amigos, preste atençaõ. conte as garrafas. mantenha uma boa relação como garçom que vai servi-la, porque, quando chegar o momento da quarta cerveja, você vai sentir no ar essa sensação, que, de alguma maneira, o botão do foda-se acaba de ser ligado. mesmo que temporariamente.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

como se convencer de uma vez por todas que o mundo está derretendo.

a melhor maneira de ver se a porra do aquecimento global existe mesmo, é passar uns dias no rio. não um dia qualquer, tem que ser durante a semana. e tem que ser a trabalho. não vale passar uns dias de bermuda bundando na praia. tem que meter uma calça jeans, uma camisa de botão e sapato. aí meu amigo, eu tenho a absoluta certeza que você vai entender o que as pessoas, os cientistas querem dizer com aquecimento global. duvido que um fela da pulta vai deixar de acreditar que existe o o aquecimento global depois de alguns dias aqui no rio. com as subácas jorrando suor e o desodorante vencendo, o babaca que ainda não acredita que a terra está derretendo vai mudar de idéia rapidinho. uns três dias, com um ar condicionado gago, daqueles que cospe esbaforadas de ar-frio em pequenas etapas. com a testa suada, as meias arriadas pela canela pois não agüentam mais o próprio peso. com a sensação escrota de que o sol está atrás de você lendo o que você digita no computador. acho, só acho que da próxima vez que entrarem numas de propor um tratado mundial desses para acabar com a emissão de gases, deveriam fazer a tal reunião aqui no rio. no verão. meados de janeiro. tipo um dia de hoje. ninguem, nenhum chefe de estado iria ter culhão para discutir mais do que dois minutos. todo mundo iria assinar no primeiro dia. unanimidade. alguns dias no rio. mas tem que ser a trabalho. não vale ficar bundando na praia.