terça-feira, março 06, 2007

dentistas e os sopranos.

meu dentista é bacana, gente boa. oferece aplicar anestesia antes de partir meu molar ao meio. beleza. sem dores. mas fico imaginando porque até hoje não apareceu uma gangue de dentistas saqueadores. uma gangue de dentistas que aproveita aquela broca, aquele motorzinho no seu dente enfermo e não pede nada em troca. vou dar um exemplo: imagine que você está lá, deitado no dentista, ele, por algum motivo disse que não seria necessário aplicar anestesia e soca a broca no meio daqueles dois dentões lá de trás. sabe, aquels grandões, do tamanho do dedão do seu pé? então, ele está com a broca lá. e, naquele momento, ele aperta aquele aceleradorzinho e raspa a primeira camada dos seus dentes. só para arrancar uns 50 ml de lágrimas dos seus olhos. aí, quando você ameaçar mandar ele tomar no cu, quando você ameaçar matar ele, ele te ameaça. ele encosta a broca no mesmo dente dolorido e fala: passa as senhas do seu cartão de crédito ou eu ligo a pourra do motorzinho. e você, bem, você que não é masoquista, grita, em pânico: "sete, sete, nove, um." e ele recua um pouco a broca e manda a secretária dele/assistente ir até o banco vinte e quatro horas da esquina para fazer o saque. mas isso seria só o começo. dor de dente é a pior dor que existe. dor de dente causada pela broca da maquininha de um dentista mal intencionado é pior ainda. em outras palavras, dentistas poderiam formar uma gangue de mafiosos. "entregue todo o seu dinheiro ou eu vou deixar um canal aberto para infeccionar e te causar uma dor eterna." ou "deixe as chaves da sua mercedes benz com a dona lucinda na recepção ou eu vou raspar lentamente o esmalte dos seus caninos." não consigo imaginar quem resistiria a tal assalto. uma gangue. uma gangue de dentistas. só tem um lado bom dessa história. com esse esqueminha, eles não precisariam cobrar tanto a cada consulta.

quinta-feira, março 01, 2007

"é aquela coisa..."

é aquela coisa é um começo de frase meio suspeito. não sei se você escutou alguma frase que começa assim, mas é meio aterrorizante. aterrorizante não é a palavra. é no mínimo suspeito. você entra num restaurante, num boteco daqueles com ladrilhos na parede e um garçom que se chama paiva ou zé ou palhares. aí, você acena para o palhares e pede para ele tirar uma dúvida que você tem com o cardápio. "ô garçom, o bolinho de bacalhau é bolinho de bacalhau mesmo ou é muito carregado com batata?" e o palhares, bem, o filho da puta do palhares olha pra você, e na maior cara de pau fala: "é aquela coisa... depende do que você quer dizer com 'carregado com batata..." e você alí com cara de mané fala: "cuma?" e o palhares: "é aquela coisa, tem gente que prefere com mais batata, tem gente que prefere com menos batata... é aquela coisa..." e você, sem saber o que dizer, pede a porra do bolinho de batata. mas essa frase não é exclusiva de botecos. você entra numa loja de calçados esportivos. aponta para um nike air max plus e pergunta: "esse é aquele que o pessoal da propaganda salta cinco metros de altura, né?" e o vendedor, vestido com aquele uniforme de auxiliar técnico da seleção de basquete do chipre, vai responder: "é aquela coisa, se você já joga basquete, pode saltar relativamente alto. agora se você não costuma se exercitar com frequência, periga não saltar como o pessoal da propoganda. é aquela coisa." e você ali, fica com aquela vontade de dizer: "é aquela coisa, eu poderia dar um chute de trivela no seu joelho esquerdo ou uma cotovelada na base do seu pescoço." é aquela coisa, ou você encontra um sujeito que vai falar assim com você hoje. ou esbarra nesse "fêla" amanhã. um comecinho de frase que diz muito do que está por vir. um comecinho de frase que significa que você está na merda. uma mulher pode acabar um namoro assim: "é aquela coisa, eu te amo, mas não o suficiente para ficar com você." ou "é aquela coisa, o problema não é com você, é comigo..." e por aí vai.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

o horário de inverno. uma idéia.

existe o horário de verão. todo mundo sabe disso. adianta uma hora. a noite chega uma hora mais tarde. as pessoas ligam as luzes uma hora mais tarde. todo mundo economiza. bom, mas e o horário de inverno? é uma idéia simples, baseada no princípio do horário de verão, mas, como o nome já diz, o inverso. o contrário. ao invés de adiantar uma hora, iríamos atrasar, não uma, mas três. isso, voltar umas três horas. o seu relógio está marcando quatro da tarde? na verdade já são sete da noite. ôpa rapaz, olhe pela janela, já está escuro é hora de ir para casa. tá fazendo o que aí catando números nos teclados encardidos do seu computador? vai por mim, no começo todo mundo vai reclamar, falar como é complicado, como o corpo demora para acostumar, como é difícil se adaptar ao fato da noite estar chegando assim no meio do dia. vai ter aquela clássica entrevista no jornal hoje em que uma tiazinha do bairro de moema vai reclamar do barulho dos aviões e do fato da lua estar mais apressada para subir e de como ela sente dores lombares quando acorda. mas com o tempo, muito pouco tempo, você verá as vantagens. a hora de ir para casa vai chegar muito mais cedo. três horas mais cedo. é, depois de algumas horas vendo aquela escuridão pela janela, e com as luzes brancas queimando a retina das pessoas, o seu chefe vai começar a liberar a galera. o corpo não vai aguentar ficar tanto tempo dentro de um escritório com aquele breu lá fora. é natural do ser humano. pode notar, bateu seis e tal, começa a escurecer. você já fica meio inquieto na cadeira contando os minutos. chega sete e tal, e aí meu amigo, você já está tenso, nervoso com a sáca na lua. já está escuro lá fora, que caráio você ainda está fazendo aí no escritório? levanta a bunda da cadeira e some, pourra. oito horas e você levanta e corre deixando marcas do solado no carpete da firma. e tudo isso porque aquela escuridão que você testemunhou crescer pela janela-- fodeu a sua cabeça. é o mundo, o tempo escorrendo pelos dedos. com o horário de inverno é a mesma coisa. só que, como vai ficar escuro muito mais cedo, você e o seu corpo vão jogar a bombinha ninja igualmente cedo. vai começar a ir para casa entre três da tarde e quatro. o horário de inverno, atrasar o relógio umas três horas. você acha que é meio-dia? mas seu relojinho deveria estar marcando três. cinco da tarde? oito de verdade. vou escrever uma carta para o ministério do trabalho. fazer um teste. uma pequena experiência. assim meio de putaria só pra ver a bosta que dá.

sexta-feira, fevereiro 23, 2007

o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada.

se você já dirigiu o seu carro durante oito horas numa viagem sabe que precisa parar. seja para tirar a água do joelho, seja para comprar um red bull para recarregar as baterias. e sabe também que se a viagem começou oito da matina, lá pelas 14 horas, vai estar com uma fome insana. barrinhas de cereais evaporam no primeiro contato com a sua boca, biscoitos seguem o mesmo destino. você precisa de comida. e é aí que entram os postos suspeitos. descendo a dutra, aquela estrada sem fim que liga o rio a são paulo, você passa por uns 72 postos de gasolina. e, com cada um deles, você ganha de brinde um restaurante. churrascaria las pampas do sul, churrascaria meu garoto, churrascaria guri, rodízio com cheque para 30 dias, comida da fazenda da vovó a kilo. tem de tudo. alguns com a tinta exterior descascando, outros com erros de português, e todos com um ar de comida caseira. aquela que você come alí e vai sentir o estrago em casa. mas a fome é braba, e você tem que comer. é um fato. é alí, com o velocímetro do seu carro marcando 120 km/h, e com aquelas churrascarias desfilando pela janela do seu carro, que você tem que decidir. acelero para tentar chegar na cidade antes? mas a dutra não acaba, a dutra não tem fim. e a resposta é óbvia, você vai ter que enfrentar uma churrascaria de estrada. um restaurante que jura ter uma comida igual a da sua querida avó. e como a fome toma conta de você, o carro começa a desacelerar. a fome é que toma as decisões a partir de agora. o carro pára. você sai, se comportando como um zumbi desses de filmes de terror preto e branco que passam quatro da matina no telecine action. churrascaria meu guri. aqui eles têm maminha? sim. picanha, fraldinha, alcatra? sim. setenta e duas guarnições. um enroladinho de carne suspeito com uma tira gorda e branca de bacon e um arroz "veja bem, não sei se é carreteiro ou biro-biro, vou perguntar para o gerente..." e lá vai você, com a fome, a cara e a coragem. você reza antes, mesmo não sendo religioso. respira fundo e mastiga com força para ajudar a matar qualquer objeto não identificado. e, para a sua surpresa, a comida é gostosa, saborosa. com fome, meu amigo, casca de pão plus-vita é saborosa. pão com meia colher de maionese light é saboroso. biscoito de água e sal acompanhado com um copo de água é saboroso. e você raspa o prato, mata a fêla da pulta da fome de porrada e segue em frente. você foi corajoso rapaz. não é todo mundo que soca o estômago com arroz "veja bem". não, a maioria teria continuado na estrada com fome. e, enquanto você sai com o carro, vê pelo retrovisor, um outro automóvel de família. com a seta ligada, entrando no mesmo restaurante que você acabara de comer. no volante está o marido com um terço na mão rezando em voz alta e ao lado, a esposa, chorando no celular se despedindo, dando adeus para os filhos. a o enroladinho de carne suspeito e o arroz "veja bem" num posto no meio da estrada. você ainda vai encarar os dois.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

a síndrome do nextel.

não sei se você tem ou já teve ou conhece alguém que tem um nextel. nextel, para quem não sabe é um celular que está sempre no viva-voz. as pessoas que estão ao redor escutam tudo o que o dono ou a dona do nextel fala. como eu já disse, a pourra do telefone é uma espécie de walkie-talkie fantasiado de celular. puta negocinho escroto. entendo que dá pra economizar. ligação infinitas com o apertar de um botão. ok, beleza, faz sentido. mas só se você usa essa maravilha da tecnologia para algum tipo de trabalho. você é mestre de obras? beleza, tem que falar com o carinho no segundo andar do prédio que está chovendo sacos de cimento. com um apertar de botão você pode salvar a vida do fêla. mas tem gente que usa a pourra do nextel para conversar coisas íntimas, do dia a dia. "amor, eu vou pegar as crianças... mas depois tenho que dar uma parada na farmácia porque o meu furúnculo do joelho está vomitando pus." puta papozinho que não dá para falar num nextel para todos que estão ao redor escutem. o foda de um dono de nextel é que ele ou ela, com o tempo simplesmente esquecem do fato de estarem falando em voz alta. na primeira conversa talvez sussurrem. na segunda conversa já falam um tantinho mais alto. afinal, a pessoa do outro lado da linha está gritando. é o marido que vai falar baixinho para mulher no nextel que ele está louco para chegar em casa e tirar o atraso, depois de uma semana trabalhando na ponte aérea. mas que um mês depois, pede pra ela descrever graficamente a cor da calcinha dela, em voz alta dentro de um carro do metrô. ou é a esposa que fala para o marido baixinho que pegou a cueca dele escondida entre as almofadas do banco de trás do carro da família. e pede explicações. mas, aí, passam se os meses, e ela liga pelo nextel e esperneia que encontrou uma gola de camisa de terno lambuzada de batom. e fala isso na escada rolante de um shopping, por exemplo. é a síndrome do nextel. com um, dois, três meses de nextel, as pessoas esquecem que existe um mundo de pessoas ao redor. e falam alto, coisas íntimas que não necessariamente merecem ver a luz do dia no viva voz do nextel. "maria, as crianças comeram? ah, o claudinho não comer brocólis? então empurra goela abaixo e diz que se ele não comer eu vou cortar a língua dele fora..." escutei isso na sala de espera de um aeroporto. não fodi. compra um celular e fala direito, baixo. a síndrome do nextel. um bando de fêla que fica falando alto pra cacete porque perdeu a noção que a caráia do nextel é um walkie talkie e não um telefone celular.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

dia desses, preso no trânsito vi um caminhão cegonha na faixa ao lado. dos grandes. tinha uns 18 carros. mais um, menos um. o cara estava com o vidro abaixado, com um calor do cão, aquela testa que brilhava de longe e o sol tostando o bigode do fêla. achei que o cara ia pegar fogo. e, como o trânsito não andava, o fêla derretia. bom, você entendeu, o cara estava sofrendo. mas, bastou olhar só um pouquinho para a carga do caminhão cegonha pra ver como a vida dele ainda poderia ficar pior. os 18 carros que estavam bem atrás da sauna, da cabine em que ele estava, eram carros de luxo. jaguar, alfa romeo, bmw, mercedes. um mais bem equipado do que o outro. numa outra vida esse cara devia roubar o lanche do colega mais fraco na hora do recreio. devia ser bem filhodaputa. puta trabalho sofrido du caralho. 18 carros cheio de ar condicionado e um zilhão de itens de série e o cara a dois palmos deles cozinhando na cabine de um scania. o sinal abriu, o trânsito começou a se mover e e lá se foi o coitado. quer ver outro emprego desses: vendedor de cerveja estupidamente gelada de praia no verão. complicadíssimo. o cara tem que ser bem zen. tem que ter um poder de auto-controle fora do comum. quarenta e dois graus. aquecimento global. areia quente pra cacete. mar, mulheres com pouca roupa e um isopor socado com gelo seco e cerveja a 0,1 graus de congelar. outro emprego foda: policial de estádio de futebol. se entrar numas de virar pra assistir o jogo, leva esporro. e o fêla tem que passar o jogo inteiro olhando com cara feia para uns marmanjos, de costas para o jogo. e ainda periga levar na quina da cabeça uma lasca de asfalto. taí outro que em outra vida devia ser bem escroto. o carinha da cegonha, outros dois empregos bem mais ou menos e o karma.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

uma lasca da alface e o teste.

a melhor maneira de testar o nível da amizade de alguém em relação a você, é com uma lasca de alface. uma lasca de alface do tamanho da unha do seu dedo mindinho. nem menor. nem maior. a idéia é simples. ah, só mais uma coisa, a lasquinha de alface tem que ser nova, nada de usar alface murcho, véio. bom, mas vamos a lasquinha de alface. pegue a lasquinha como quem segura um fio dental. com o indicador e o polegar, agarre a pontinha do alface. mas com cuidado para não rasgar. faça o mesmo com a outra mão. você tem agora, esticado, entre as mãos uma lasca de alface. agora vamos testar o nível de amizade das pessoas. encaixe a lasca de alface entre o canino e aquel primeiro pré-molar, o vizinho do canino. mas encaixe, deixando para fora, exposta para o lado visível da boca, a maior face da lasca do alface. agora, munido desta lasca verde, saia por aí, vá ao trabalho, frequente festas, jantares de família, entre numa loja do shopping e fale com uma vendedora que você quer experimentar o tênis zambers da vitrine. a idéia é circular com a lasca de alface no dente. portanto sorria bastante, fale bastante, puxe assunto. a partir daí meu amigo, preste atenção na reação das pessoas. conte quantas vão te avisar da lasquinha do alface. leve um bloquinho no bolso da calça. conte os segundos que demora para um fêla da pulta levantar uma sobrancelha ou apontar com o indicador freneticamente para a sua boca. a lasca de alface é um dos melhores testes que existem. a lasca de alface é capaz de separar amigos de quase-amigos. você vai saber por exemplo se a sua mulher realmente quer o seu bem, ou se está buscando algum tipo de vingança deixando a lasca de alface alí sambando contra o vento na quina da sua boca. faça o teste e comprove. uma lasca de alface e um sorriso daqueles meio falsos que mostram uma caráiada de dentes. é tudo que você precisa.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

salaminho e as pequenas e honestas piscinas de banha.

o salaminho é honesto. não, o salaminho é o alimento, em qualquer forma, mais honesto que existe no mundo. em qualquer país. se você olhar para um doritos desses laranja escuro, de queijo, você não enxerga a gordura. ela está lá, e você, de alguma maneira sabe disso, pois já notou que depois de consumir toneladas do mesmo, acaba desenvolvendo bolsas de gordura localizada que saltam pela calça. mas o doritos não te avisa, não fala, não coloca um neon sobre ele com letras garrafais que dizem: "gordura saturada. banha. 500 calorias." não, você tem que pesquisar você mesmo. se não estiver escrito nas letrinhas miúdas do verso, você talvez encontre um 0800 minúsculo escondido ou uma caixa postal para escrever perguntando a quantidade de banha que você está adicionando ao seu querido corpo. agora, voltemos ao salaminho. aquela rodela reluzente empapada em gordura que brilha à distância. aquele petisco, que faz parte da família dos frios no supermercado. o salaminho não tem vergonha de se expor. de falar com todas as palavras, "meu amigo, aqui contém duas colheres de sopa cheias de banha." ou "tá vendo estes pequenos círculos brancos? é banha." e você vai lá e compra. eu compro. todo mundo compra. pinga limão, junta com provolone e come. é uma relação honesta. você sabe o que está comendo e o fêla da pulta do salaminho não te engana. diz na lata coisas que sorvetes, biscoitos e manteigas se recusam. e não adianta entrar numas de retirar os pequenos círculos de gordura como se faz quando se retira uma azeitona de uma empada. é, porque se você entrar numas de tirar as piscininhas de gordura saturada do salaminho, ele deixa de existir. simples assim. é gordura pra caráio. e mesmo assim você compra. é uma forma de retribuir pela honestidade do fêla. salaminho é foda. é o alimento mais honesto que existe.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

o tiozinho filhodaputa no cinema e "o xixi da morte."

dia desses fui ao cinema assistir babel. aquele filme indicado a uma caráiada de oscars. babel é daqueles filmes que contam 3 histórias simultâneas, um terço em japonês, o segundo terço em árabe, e a outra parte em espanhol. no meio desse esquema todo também tem inglês, outra coisa do filme, a porra da história não segue nenhuma ordem cronológica. resumindo, é bom prestar atenção na porra do filme ou você periga voltar pra casa sem entender picas do enredo. segure o mijo, a sede, a vontade involuntária de piscar. foco na tela. bom, aí você senta atrás de um tiozinho filhodaputa de voz grave e carente. que gosta de fazer piadas entre cenas em que a maioria das pessoas está soluçando ou com a respiração fora dos eixos. esse tiozinho estava bem na minha frente com uma filha ao lado que parecia idolatrar cada piadinha daquele bosta. vinte minutos de filme, uma mulher leva um tiro no peito. o cinema suga o ar inteiro da sala. o tiozinho aproveita o silêncio e diz: "bala perdida. perdeu playboy!" e solta uma risada tipo mutley do dick vigarista. meia hora depois, no núcleo japonês da história, uma menina surda-muda e em profunda depressão entra em cena nua. o veado imita umas quatro frases em japonês macarrônico e fecha com "peito bon, nô?" dez minutos depois, uma das personagens a beira da morte pede ajuda para urinar para o marido. uma tiazinha no corredor ao lado chorava. ele, o tiozinho, limpou a garganta e gritou: "ahhh, o xixi da morte!" eu não sei se era o fato de 200 pessoas estarem com os olhos pregados na tela pra entender a pouura do roteiro, mas ninguém matou o filhodaputa. dei mole. ele tem mais ou menos 1,70m. pesa uns 90kg. tem uma pança saliente. uma barbichinha no queixo. é careca atrás e tem o cabelo bem branco a lá steve martin. usava uma camisa laranja gritante e um par de chinelos de couro. ah, e tinha uma voz meio cid moreira, meio william bonner quando aparece no plantão da globo. se você pegar uma sessão com ele, dê uma cotovelada na nuca do fera por mim.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

guarda-chuvas, garrafas mudernas que falam russo e a caipiroska de 22 mangos.

sua caipiroska vem guarda-chuvinha? fodeu. vai pagar caro. mais caro do que você está acostumado com certeza. o guarda-chuvinha é sinal de que você vai ser enrabado quando a conta chegar. a garrafa da vodka fala russo? xi, melhor pedir uma salada então. transforma uma entrada em prato principal. a garrafa da vodka é muderna, colorida? ah, antes de fazer o pedido é recomendável ligar para aquele amigo seu que deve uns trocados desde os tempos de moleque. cruzeiro virou cruzado que virou cruzado novo que virou cruzeiro de novo que hoje é real. ou seja, aquele trocadinho que o teu amigo de infância te deve vai dar pra pagar a tal caipiroska. dia desses fui num bar muderno. novo. e caro. a caipiroska tinha guarda-chuva, a vodka falava um russo fino sem sotaque e custava 22 mangos. 22 mangos. e, como você acaba sempre pedindo a segunda, só de caipiroska, lá se foram 44 mangos. dez porcento, quase bateu 50. e como eu fui trouxa e pedi sem ver o preço, não podia levantar e mandar o gerente do lugar à merda. outra coisa que eu notei que criaram para te foder. o nome "robata". robata para quem não sabe é o seu típico espetinho de carne ou de queijo ou de frango. mas, num restaurante muderno, chique trips, eles chamam qualquer espetinho de "robata". aí o negócio é o seguinte, se é espetinho custa X, se é uma robata, custa 3X. simples assim. a carne é a mesma. o queijo coalho também. a lasca de abacaxi então. mas como resolveram chamar a porra do espetinho de robata, prepare-se para escancarar a carteira. vodkas que falam russo sem sotaque com guarda-chuvinhas e robatas. duas maneiras que algum dono de restaurante esperto inventou para aproximar você do cheque especial. antes de pedir qualquer coisa num restautarante da moda, novo, observe as mesas vizinhas. fique atento. notou qualquer comentário do tipo: "a senhora quer a sua caipiroska com vodka st petersburg ou vladvostock?" ou "robata de carne seca com pepino ou de lascas de gengibre com frango?-- fuja, corra e mande o gerente tomar no cu enquanto você arranca a sua carteira da mão do garçom. boa sorte.

terça-feira, janeiro 30, 2007

o taxista, o filosófo e a revolução.

taxistas são filósofos que conhecem bem a cidade em que vivem. taxistas sabem de futebol, absolutamente tudo sobre futebol, política, religião e economia. mais ou menos nessa ordem. dia desses peguei o maior filósofo de todos os tempos. uma mistura de filósofo com che guevara com dor nas bolas do saco. mas uma dor daquelas agudas e crônicas. e para ficar ainda mais caricato, o fêla tinha uma voz a lá cid moreira. bom, ao entrar no taxi ele já foi saudando: "bom dia senhor..." até ai, nada demais, tranquilo. foi a gente passar por um coitado, um sem teto, que dormia no chão para ele comentar: "esse aí vai liderar uma revolução. a revolução. e vai levar um tiro no peito e morrer sem saber o que o atingiu." coitado do sem teto, pensei. não sabia que estava prestes a liderar uma revolução que resultaria na sua iminente morte. segundos depois eu vi um prédio com a lateral toda grafitada. ele olhou para mim, pelo retrovisor e comentou: "tá vendo, você consegue ler o que está escrito lá?" e eu, balancei a cabeça negativamente. ele emendou: "ainda bem que você não consegue entender o que está escrito. se conseguisse, as massas também conseguiriam. e aí a revolução iria começar. mensagens seriam transmitidas. o povo sentiria colar na retina palavras de guerra, de ódio, de asco." levantei ambas sobrancelhas como quem diz, "pois é..." e ele, notando o meu desinteresse disse: "você conhece algum político que não é filhodaputa (assim junto mesmo)?" e eu: "hmmm, acho que não..." e ele: " se entrar no meu taxi um politicofilhodaputa, caga nas calças..." acho que ele quis dar a entender que ia foder com a cabeça do cara. pelo pára brisa já era possível ver o meu destino final, duas esquinas. ele colocou a seta e eu já fui catando duas notas de dez. pedi um recibo. nota fiscal. e foi aí que o che guevara olhou pra mim com babinha acumulada nos cantos da boca e disse: "você por acaso quer o recibo para me entregar? denunciar? avisar sobre a revolução, porque ela está por vir....!" e eu: "não, não, é só para receber o reembolso, eu estou indo para esse endereço a trabalho." ele limpou o suor da testa, me entregou o recibo e disse: "a trabalho? você trabalha para quem? os homens? pra algum políticofilhodaputa?" e eu, enquanto colocava o pé na calçada falei: "não, não. mas na boa, guarda o meu rosto, decora a minha cara. quando a revolução começar, alivia pá nói. nada de porrete nos meus córnios... na boa." e dei um gorda gorjeta pro che.

sábado, janeiro 27, 2007

a quarta cerveja, a represa e o botão do foda-se.

a quarta cerveja é o ponto que abre a porteira para a décima-quarta. a quarta cerveja é aquele ponto em que você decide que vai em frente. que não vai parar. até a terceira, você segura a onda. mas, quando você olha para o garçom e pede a quarta, com aquele gesto do dedo indicador apontando repetidamente para o céu, aí meu amigo, é melhor respirar fundo, se esparramar na cadeira, porque a noite vai ser longa. é, porque a quarta cerveja pega os seus neurônios nas canelas. a quarta cerveja escorre pela garganta como quem avisa: "olha galera, eu, se fosse vocês ia me preparando para aguentar mais umas três horinhas... o cara ligou o foda-se, chegou a conclusão que não precisa entregar nenhum trabalho amanhã e vai tomar mais algumas." a quarta cerveja também é mundialmente conhecida como a terceira caipirinha, a segunda tequila, a terceira dose de whisky. o ponto em que a parede da represa cede e não tem muito mais o que fazer sobre isso. pode notar, as pessoas não vai ficar apontando para você. mas, se você estiver numa mesa cercado de amigos, amigas, casais etc e tal... preste atenção nesse momento. quando você decide partir para a quarta cerveja. (é importante notar que não é o quarto chopp, o que é bem diferente. uma garrafa de cerveja enche quase dois copos de chopp.) bom, mas voltando ao momento em que o garçom rabiscou no bloquinho o seu pedido da quarta cerveja. é nesse instante que as pessoas da mesa vão olharpara o relógio, prender, mesmo que levemente a respiração, olhar para a mesa a sua frente e contar o número de long necks. esse momento é importante. o seu pedido pode gerar uma reação em cadeia. pode gerar uma onda de pedidos como num efeito dominó. maridos que até então bebericavam a terceira cerveja como se fosse água potável no deserto do sahara, vão seguir o seu exemplo. se libertar do racionamento. a quarta cerveja é um marco. um instante na história de toda mesa de bar que prolonga qualquer noite em mais ou menos umas três horas extras. da próxima vez que você for beber com amigos, preste atençaõ. conte as garrafas. mantenha uma boa relação como garçom que vai servi-la, porque, quando chegar o momento da quarta cerveja, você vai sentir no ar essa sensação, que, de alguma maneira, o botão do foda-se acaba de ser ligado. mesmo que temporariamente.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

como se convencer de uma vez por todas que o mundo está derretendo.

a melhor maneira de ver se a porra do aquecimento global existe mesmo, é passar uns dias no rio. não um dia qualquer, tem que ser durante a semana. e tem que ser a trabalho. não vale passar uns dias de bermuda bundando na praia. tem que meter uma calça jeans, uma camisa de botão e sapato. aí meu amigo, eu tenho a absoluta certeza que você vai entender o que as pessoas, os cientistas querem dizer com aquecimento global. duvido que um fela da pulta vai deixar de acreditar que existe o o aquecimento global depois de alguns dias aqui no rio. com as subácas jorrando suor e o desodorante vencendo, o babaca que ainda não acredita que a terra está derretendo vai mudar de idéia rapidinho. uns três dias, com um ar condicionado gago, daqueles que cospe esbaforadas de ar-frio em pequenas etapas. com a testa suada, as meias arriadas pela canela pois não agüentam mais o próprio peso. com a sensação escrota de que o sol está atrás de você lendo o que você digita no computador. acho, só acho que da próxima vez que entrarem numas de propor um tratado mundial desses para acabar com a emissão de gases, deveriam fazer a tal reunião aqui no rio. no verão. meados de janeiro. tipo um dia de hoje. ninguem, nenhum chefe de estado iria ter culhão para discutir mais do que dois minutos. todo mundo iria assinar no primeiro dia. unanimidade. alguns dias no rio. mas tem que ser a trabalho. não vale ficar bundando na praia.

terça-feira, janeiro 23, 2007

quando você não conhece o melhor caminho mas não pode deixar isso transparecer para o taxista.

existem taxistas bons e taxistas ruins. e não estou falando da habilidade no volante. mas de caráter mesmo. se você entrar num taxi de um fêla da pulta e não souber direito como ir da vila mariana para a sua casa se fodeu bonitchu. meu amigo, o cara pode ir até o aeroporto internacional de guarulhos, fazer o retorno e voltar. e você não vai ter a menor idéia de que ele acabou de meter a mão no seu bolso. eu me considero um coitado no trânsito. quase me perco para chegar em casa do trabalho as vezes. na minha cabeça tenho uns quatro caminhos decorados. se eu tiver que aprender um caminho novo, para o dentista por exemplo, minha memória apaga um antigo e substitui por esse novo. por isso, e por volta e meia me encontrar no banco de trás de taxis, tive que desenvolver uma habilidade: fingir que eu sei o caminho quando eu não sei. é simples. quase ingênua. mas se você um dia pegar um taxista fêla da pulta pode ajudar. bom, vamos lá. você está na casa do caralho. foi cair lá por causa de uma reunião. foi de taxi do trabalho porque não tinha a menor idéia de como chegar e agora, obviamente tem que voltar. depois de alguns segundos acenando o braço, um taxista pára. você entra e ele pergunta: "pra onde, chefia?" e é aí que está o segredo. o "chefia". aproveite o gancho e chame o taxista de chefia: "ô chefia, eu tô indo para o brooklin.." o cara já vai se sentir o fodalhão, respeitado. aí ele vai perguntar que caminho você quer fazer. aí, como se você conhecesse são paulo como ele, responde: "olha, quem sou eu para ensinar você um caminho. eu até poderia, mas vou deixar para o especialista... que tal ir pela... não, não, você é quem manda." o importante aí e a pausa no momento em que você ameaça dizer o nome de uma avenida. a pausa é fundamental. ele não pode sentir que é um blefe. aí, bom, aí é fechar os olhos e partir com a cara e com a coragem. e esperar que o fêla ache que você conhece são paulo como ele. "chefia!", "quem sou eu..." e a pausa. nessa ordem. funciona sempre. ou pelo menos parece que sim.

quarta-feira, janeiro 17, 2007

o sujeito que tira a catota no trânsito.

hoje, a caminho da firma enquanto pescava cds no chão no banco do carona, flagrei um sujeito limpando o salão. catando catota. libertando a verdinha. explorando os canais da narina. lustrando a escuridão do canal da mancha. com uma calma e uma delicadeza de quem achava que estava em casa. e não cercado de centenas de carros. se o fêla tivesse um carro com insulfim 100% preto, beleza. 90% preto, ok. 80% preto, veja bem. 70% preto, é, acho que aquele sujeito ali está tirando uma meleca. agora, o vidro do cara estava aberto. aberto. e ele não estava tirando uma lasquinha de meleca da ponta do nariz. estava escavando serra pelada na busca de uma pepita. uma pedra preciosa. e, como o trânsito não andava, o fêla continuava. meleca teimosa. trinta, quarenta, cinquenta segundos com o dedo indicador enterrado até a primeira falange. gira para a direita. gira para a esquerda e nada de liberar a catota. o sinal abre, e o sujeito finalmente tira o dedo lá de dentro. não, ele não come. mas dá uns petelecos como se jogasse a teimosinha para a vida. como se libertasse ela de vez: "vai, vai viver, explorar esse mundo, sua meleca. você está livre..." depois raspou a ponta do dedo na camisa. como quem limpa uma pá de cocô de cachorro depois de usada. os carros começaram a se mover com uma certa rapidez até. ele abraçou o volante com as duas mãos, abriu e fechou as narinas e partiu. o sujeito que tira catota no trânsito. num belo dia, preso entre um caminhão de lixo e um taxi, com um motoboy metralhando a buzina para passar, você vai encontrar o fêla. com o dedo nervoso. sem nenhuma vergonha. e sem insulfilm. ele caga para as convenções da sociedade. o que importa é o salão limpo, lustrado, brilhando. só fique esperto para ele não petelecar uma na sua direção.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

coisas e aviões.

- todo avião que eu pego tem sempre o mesmo cardápio de duas linhas: "chicken or pasta?" ou "pasta or chicken?"

- quem é o filho da puta que não consegue acertar o vaso sanitário do avião ao mijar?

- ninguém mais olha para os comissários de bordo quando eles fazem os sinais de emergência antes do avião decolar. todo mundo caga para o colete, o oxigênio, as saídas de emergência. caga. baldes. deveriam usar aquelas cheerleaders peitudas de futebol americano para fazer a mesma apresentação.

- pegar uma viagem de 9 horas sem fone de ouvido para escutar o filme é pior do que sentar na poltrona do meio entre os dois caras mais gordos do mundo.


- uma taça de vinho mais ou menos custa 5 dólares na united. 5 doletas. sobrevoando o acre, com o sinal de apertar os cintos piscando, não dá para levantar, mandar a aeromoça à merda e comprar um vinho mais em conta na lojinha da esquina.


- quando o avião estava no ponto mais perto do sol, lá pelas 5 da manhã, uma mulher sentada na janela, abriu a caráia da janela. cegou uns sete passageiros. dependendo do ângulo que eu olho, não enxergo picas.


- o piloto do meu avião descrevia em tempo real as manobras que ele fazia: "agora eu estou levando o avião para 17.000 pés. 17.500, 17.490, 17.328... estamos sobrevoando o oceano atlântico e logo logo, estaremos passando sobre a ilha da casa do cacete..." real time. detalhe: toda hora que ele falava, um dispositivo interrompia o filme do monitor.

- a mulher do meu lado roncava.

- o tiozinho do outro lado tinha um puta chulé.

- acho, que deveria existir uma lei para essas ocasiões. "no caso do passageiro sentar ao lado de uma pessoa que ronca, bufa feio ou tem chulé, o passageiro em questão terá suas milhas creditadas em dobro no programa de milhagem." simples assim.

"em caso de reincidência, o passageiro pode exigir duas passagens de primeira classse para qualquer lugar."

- o filho da puta que se fizer de sonso e levar uma mala gigante para dentro avião e passar meia hora atrasando 200 passageiros tentando socar a mala no compartimento superior, deveria ser preso. uma semaninha só pra ficar esperto.

- o que leva um sujeito ficar em pé atrás do carrinho de comida durante os 45 minutos que está sendo servido o jantar? depois de uns 3 minutos acho que já dá para sacar que é impossível chegar ao toillete sem empurrar o carrinho junto.


- quem é que compra um conjunto de tacos de golf às 3 da manhã no carrinho de free shop que passa pelos corredores apagados do avião?


- como é que se cozinha 200 ovos mexidos numa cozinha menor do que o fogão que você tem em casa?


- "17.208... 17.100... 17078..."


- "chicken or pasta?"

quarta-feira, janeiro 10, 2007

ah previsao do tempo.

nada contra a previsao do tempo. as vezes, quando os caras acertam, ate ajuda. mas aquela putaria de "chances de chuva no final da tarde", "maxima de 29, minina de 19"... nao fodi. vai tirar o cu da reta assim na casa do caraio. raramente esses caras arriscam algo mais especifico. a mocinha do tempo sempre aponta para uma parte gigante do mapa dizendo que ali, naquele espaco talvez, apenas talvez, dependendo da frente fria, pode ter chuvas esparsas. tai outra palavra bem fela da puta... "esparsas". chuvas esparsas e uma maneira que inventaram para tambem tirar o cu da reta. nao e nem aqui, nem ali. ou pode ser aqui e ali ao mesmo tempo. no brasil, a mocinha do tempo geralmente arrisca uns tres dias. o que, ca entre nos, ja e um chute memoravel. se ela nao consegue prever direito um dia, imagine tres de uma so vez. bom, dia desses assistindo o jornal das dez aqui nos estados unidos vi um negocio incrivel e de uma coragem impressionante. o carinha do tempo deu a previsao de sete dias. isso mesmo. o fela da pulta nao arriscou um dia. nao. nao chutou tres dias. nao. tambem nao se contentou em dar a previsao de cinco dias. o cara simplesmente, munido de mapas, graficos e uma senhora cara de pau, deu a previsao de uma semana inteira. imagine voce numa segunda feira, sabendo que caraio de tempo vai dar na outra segunda feira. impressionante. e o mais interessante e que o ancora sentado ao lado dele, assim como o comentarista esportivo franziam os olhos como se aquilo tudo fizesse o maior sentido. como se aquele nostradamus do tempo estivesse realmente prevendo cada gota ou floco de neve que cairia dos ceus nos proximos sete dias. se o cara acertou? acertou. mas tambe e claro que acertou, o fela tambem usa o mesmo linguajar cafajeste da mocinha do jornal nacional: "chances de neve entre 5 e 11 da noite.", "nuvens esparsas entre essa area do mapa e essa outra aqui.", "minima de 32 farenheit, maxima de 59..." ou seja, parece corajoso, mas tambem tira o dele da reta. qualquer coisa que acontecer esta de alguma maneira coberta pelas palavras vagas dele. bom, no dia que a farsa for descoberta, mandam ele para o olho da rua. ai, ele arruma um emprego escrevendo o horoscopo.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

terra de gigantes ou como se sentir o sujeito mais magro do mundo mesmo nao sendo.

existem duas maneiras de se sentir magro: estando magro e estando cercado de nao-magros. a segunda e mais facil. muito mais facil. a primeira requer atividade fisica, dieta balanceada. a segunda, apenas um senso de localizacao. basta voce procurar o lugar com uma concentracao maior de pessoas acima do peso. no interior dos estados unidos eu encontrei uma porcao. muitos. pessoas gigantes, vertical e horizontalmente falando. andando num shopping num sabado a tarde, e como se voce tivesse emagrecido uns trinta quilos enquanto dormia na noite anterior. ninguem fica apontando para voce "olha que sujeito magro!". nao, mas fica claro que suas arterias estao menos entupidas que a da maioria das pessoas. nao me entenda errado, o pessoal e simpatico, receptivo, so e maior, gigante. o tamanho "p" equivale ao "g" do brasil, por exemplo. se voce for com muita sede a uma promocao de uma loja de roupas e comprar uma camiseta "p" sem experimentar, por exemplo, vai se foder. a camisa vai bater no seu joelho. como eu disse, o pessoal e gigante. cafe com leite pequeno e, qual e a palavra mesmo... gigante. o hamburguer testa os limites dos cantos da sua boca. "um spaghetti pomoddoro, por favor!" e, minutos depois, voce olha para o prato com a estranha sensacao que voce nao vai conseguir ver o fundo dele. tudo e gigante, grande, enorme. sorvete pequeno? nao. a batata frita que vem com o prato, nao vem no canto do prato. vem num prato separado. a mulher que serve a comida faz sombra na mesa. a colher do sorvete "pequeno" e do tamanho da mao de uma crianca. fatias de bolos, sao bolos inteiros. calcas de moletom quase uniformes. o que, se voce pensar, quando se esta de ferias, e muito interessante. afinal, por alguns dias, voce pode comer para cacete, olhar ao seu redor e se sentir o sujeito mais magro do mundo. existem duas maneiras de se sentir magro: estando magro e estando cercado de nao magros.

quinta-feira, dezembro 28, 2006

o blógui

esse blógui vai entrar de férias junto com o sujeito que escreve ele até janeiro.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para a esquerda.

sabe quando você sai pela rua meio assim com pressa e, encontra no seu caminho uma outra pessoa, igualmente com pressa? bom, e é aí que fodi. para não colidir com a pessoa, você tem que escolher um lado. desvio para a direita? desvio para a esquerda? e, enquanto você pensa isso, o sujeito que vem na sua direção está pensando a mesma coisa: "desvio para a direita? desvio para a esquerda?" as chances de colisão são grandes. enormes. eu sempre me fodo. bato de frente, trinco uma lasca do dente. pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para esquerda são uma ameaça ao bem-estar da nação. eu não sei porque, mas por algum motivo eu sempre ameaço ir para a direita, o fêla da pulta também, aí eu faço um desvio brusco para a esquerda, e o cara, bom, o cara também. as vezes existe a chance de mais uma desviada. uma só. mas essa terceira chance é rara. muito rara. a colisão é certa e dolorida. hoje, por exemplo a caminho do elevador, estava lá eu com uma certa pressa. um olho no chão, outro na minha reta atento para essas quase colisões. de longe vi um tiozinho marchando na minha direção. o filho da pulta me olhou no olho como que diz, "não vou desviar nem a caráio." também mantive a mesma direção. ele não titubeou. em cima da hora, desviei para a direita e o cagão também. esquerda. direita. esquerda. colisão. pessoas que você não tem assim tanta certeza se vão virar para a direita ou para a esquerda. fique esperto. tome cuidado. uma hora, um desses pode aparecer no seu caminho.