terça-feira, agosto 04, 2009

menu de bebidas.

uma bebida se aproxima da outra no balcão de um bar movimentado:
- quanto?
- você tá me achando com cara de vagabunda?
- quanto?
- olha, eu não sou assim fácil não hein?
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- 9 euros se for com gin gordon. 12, se for bombay saphire e 14, tanqueray.

terça-feira, julho 28, 2009

o clichê.

ela corre de um lado.
ele vem do outro.
ele corre um pouco mais rápido.
ela com um pouco mais de estilo.
a gaivota passa.
o sol está quase contra a água.
ele consegue enxergar o sorriso dela de longe.
ela também.
o coração dele bate mais forte.
o dela também.
os pés dos dois levantam água lentamente a cada passo.
ele segura uma lágrima.
ela não.
eles finalmente estão quase prestes a dar o abraço.
faltam metros.
cinco.
dois.
e quando o abraço está para se concretizar, ela pára e diz:
- pensando bem, que clichê do caralho.

ignora ele e continua correndo. agora, para longe dele.

o cão.

- amor, esse cachorro fez cocô novamente no carpete.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro mijou na nossa cama.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro fez cocô dentro do box do chuveiro.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro fez xixi nos meus sapatos no armário.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, ou você se livra desse cachorro ou eu saio desta casa para sempre!
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.

o pior argumento.

- filho da puta!
- mas o que foi que eu fiz!?
- você me traiu. a maria disse que viu você na cama com a vizinha!
- a maria? a vizinha?
- é, a maria disse que entrou no quarto para limpar o carpete e viu você e a vizinha no rala e rola.
- (fala baixinho) que merda.
- você me traiu!
- calma amor.
- calma?
- eu usei camisinha!
- como assim, seu bosta!
- tecnicamente, o meu corpo não esteve em contato com o dela.
- [silêncio]
- durante todo o tempo existiu .2 mm de latex entre eu e ela. isso a maria não diz não é?
- filho da pulta!


o vhs e a gerações.

- mãe?
- diz minha filha.
- você não ama, ama o papai não é?
- amo.
- mas ama, ama?
- amo, amo?
- é, você ama. mas ama, ama?
- não sei. é muito amor isso que você está dizendo.
- então porque é que você casou com ele.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- diz mamãe...
- o seu pai sabia programar o vhs para gravar quando a gente saia para jantar fora.
- o que é um vhs?

retrato falado.

mulher descreve um assaltante para o homem do retrato falado numa delegacia. ela, com 47 e ele com uns 29. ela com um decote farto. ele concentrado no papel. depois de alguns minutos...

- mas... mas... pérai minha senhora!!! esse sujeito que você está descrevendo, bom, esse sujeito sou EU!
- é que você é tão simpático. queria guardar de lembrança.

3d.

- menina! você emagreceu?
- não amiga, aumentei os peitos.

quinta-feira, julho 23, 2009

depois do twitter

é complicado atualizar o blog depois das férias. e não porque existem muitos assuntos das férias para escrever. não. é preguiça mesmo. e também tem a caráia do twitter. esse esqueminha de escrever com 140 caracteres condiciona você a escrever cada vez menos. não que eu atualize o twitter com muita frequência. mas atualizar o blog é mais complicado depois de se acostumar com o twitter. e da preguiça pós férias.

mas, se você está em portugal enquanto lê este textinho, leia as duas colunas abaixo que sairam no destak. duas dicas bacanudas.
a primeira, de um restaurante com uma comida honesta, um vinho nota 11 e um atendimento especial. esqueminha bem interessante para marcar uns pontos com a patroa e com o seu estômago.

a segunda coluna é sobre viana do castelo. se você notar, a coluna está cheia de elogios. mas alguns bem exagerados. todos merecidos. se você está por essas bandas e já consegue enxergar as férias no horizonte, vá para viana do castelo. você volta com menos cansado e com uns dois fios de cabelo branco a menos.

bom, mas voltando ao blog e as atualizações. aos poucos ele volta a ser atualizado como antes.

a crônica do destak da semana passada

a crônica do destak da semana

quinta-feira, julho 09, 2009

para quem...

tem o costume de de vez em quando dar um pulo por essas bandas.
este blog vai viajar junto com o cara que escreve ele. e volta em uns 10 dias.

contrapé.

adolescente entra correndo na cozinha de casa esbaforida-- e solta uma frase num só respiro:

- mãe, vou abandonar tudo e vou pegar a estrada com o pedrão, meu namorado.
- ok.
- mas você não vai dizer nada? afinal eu tenho apenas 17 anos!?
- numa boa. manda um beijo para o pedrão. quer levar essas barrinhas de cereais para a viagem?
- mas mãe, cadê o escândalo, o drama, a gritaria?
- só um instante filhinha, só um segundinho que a mamãe está terminando de esquentar o leite do seu irmãozinho e eu não quero me queimar.
- mãe eu disse que vou abandonar tudo, a escola, a casa... vou pegar a estrada de moto! e com o pedrão. pedrão-- no aumentativo.
- amorzinho, desculpe não prestar atenção-- é que a mamãe tem que correr para levar o leite do seu irmãozinho.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mãe?
- o que foi, meu amor?
- posso ajudar você com alguma coisa?
- claro, fica de olho na comida que está no forno-- para não queimar-- que eu vou pegar o seu irmãozinho.
- ok, deixa só eu guardar a minha mochila.

livros.

ela era louca por livros.
comprava compulsivamente.
começava um, comprava outro.
começava outro, comprava outro.

no momento tinha 39 personagens na sua cabeça. todos a espera dela-- para dar continuidade a história deles.

o ovo mexido.

ela inicia um diálogo com ele. os dois ainda estão na cama. se conheceram na noite anterior.

- você sabe fritar um ovo?
- como?
- ovo, sabe fritar um?
- sei fazer ovo mexido. sempre quebra a gema.
- então pode ficar. tira essa roupa novamente.
- mas, não estou entendendo... porque a pergunta do ovo?
- eu te conheci ontem. não sou nenhuma mulher fácil. e já estava preparada para chutar você daqui para restabelecer a normalidade na minha vida. não me lembro nem como chegamos aqui. eu não sou assim.
- mas e ovo com isso?
- eu posso sempre me convencer depois que a razão pela qual eu dormi com você novamente na manhã seguinte-- não foi porque sou uma mulher fácil-- mas porque você faz um ovo frito es-pe-ta-cu-lar.
- [silêncio]
- não esquece de adicionar uma colher de manteiga gorda, uma pequena pitada de orégano e uma de sal grosso.

mas aqui atrás?

ele investiu num carro esportivo.
estava sozinho desde o divórcio.
na primeira conquista, ela bateu com a cabeça no teto e ele deu um jeito nas costas.

quarta-feira, julho 08, 2009

palhaços




idéia para um curta. a vida de dois palhaços.


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Um Palhaço levanta-se da cama de casal, de pijama, mas já pintado como tal. Câmara revela que a sua esposa, a Palhaça também está prestes a levantar-se. Ela também, de pijama, mas com o rosto caracterizado como Palhaça. O Palhaço, após longo bocejo passa a mão sobre o nariz grande e vermelho dela. Ela acena como quem diz que está a acordar.


Corta para o Palhaço a escovar o cabelo na casa de banho.

A Palhaça entra, escorrega no tapete, cai de rabo no chão, mas levanta-se como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Corta para os dois na mesa do café da manhã.

Vemos duas tortas no centro da mesa.
A Palhaça aponta com o nariz para a torta como se pedisse para ele a servir. Ele deita o jornal ao lado, agarra uma das tortas e atira a torta à cara dela. Logo em seguida ele pega na segunda torta e atira-a à sua própria cara.



Corta para ele a despedir-se dela. Ela ainda está de roupão, ele já está vestido com a típica roupa de palhaço. Ela dá um beijo no nariz dele e, ele, ao apertar a mão dela como se fosse fazer um carinho, dá-lhe um choque. Ela sorri com uma expressão de quem ama muito aquela pessoa.


Corta para o Palhaço no metro cercado de pessoas comuns indo para o trabalho. Ele desdobra um jornal, que deita água na cara dele. A cada página que ele vira, um novo jacto de água sai em direcção à cara dele. Ele comporta-se como se fosse a coisa mais comum do mundo e continua a ler o jornal.


Corta para ele já na porta do circo. Vemos que entra pela porta com uma mala de trabalho.


Corta para o exterior da tenda do circo, já é noite. Vemos o palhaço sair cercado de outros trabalhadores do circo. Um outro palhaço bate no ombro dele e chama-o fazendo um movimento com a cabeça. Corta para ele a entrar no carro do outro. Detalhe: Ele é o décimo-oitavo a entrar no pequeno carro.

Corta para os dezoito presos no trânsito.

Corta para ele a chegar a casa. A mulher dele está a acabar de ver uma telenovela.

Ela tira lenços de papel da orelha e assoa o nariz pois está emocionada com o que está a passar na TV.

Corta para os dois novamente sentados à mesa de jantar. Ele enche um garfo, coloca na boca, pára e começa a rir. Mas, baixinho. Ele pôe o garfo no prato.


A Palhaça faz uma expressão de quem está curiosa.

PALHAÇA:

- O que foi?


PALHAÇO.:


- Hoje lá no trabalho, aconteceu uma coisa engraçada.


Câmara sai aos poucos enquanto ele se prepara para contar o que aconteceu no trabalho.

terça-feira, julho 07, 2009

velhos tempos. V.2

mulher olha para o marido.
ela tem 71. ele 82.
eles se conheceram na praia de copacabana.
ela na época estava de maiô de corpo inteiro.
ele de calção de banho.
ela diz: "velhos tempos aqueles em que você olhava para os meus tornozelos na praia e ficava excitado."
ele não diz nada.
nisso, passa uma menina, do altos dos seus 18 anos. com um corpo firme e praticamente todo exposto. quase nua. com um par de seios inflados de tudo menos silicone.
ele olha para ela, da cabeça aos pés. dos pés a cabeça. ele passa a mão na cabeça. da testa para a nuca, inspira, expira e depois de um gole no mate, comenta com a mulher:
"cacete, você viu o tamanho dos tornozelos dessa menina que passou?!"

espontâneo

- vamos fugir, linda! pegaremos o primeiro avião para o primeiro destino internacional que estiver no monitor de partidas do aeroporto?! mas tem que ser agora. vamos!
- a gente não pode escolher?
- não, assim fica mais emocionante. espontâneo.
- posso pensar? preciso fazer as unhas. e se eu for viajar preciso pegar o meu secador e a minha chapinha na casa da minha irmã.
- [silêncio]
- preciso também comprar um biquini. talvez passar na casa da minha mãe para se despedir.
- [silêncio]
- depilação. preciso fazer uma depilação. vai que o lugar tem praia.
- [silêncio]
- e então? vamos?
- perdi a vontade.

médio-bom

- amor, você teve?
- tive. e você?
- também.
- mas e aquele último grito? era falso ou verdadeiro?
- verdadeiro.
- então foi tão bom assim?!
- médio-bom.
- mas e o grito?
- a unha do dedão do seu pé está grande.

quinta-feira, julho 02, 2009

mini-projetos que hibernam. 1

quase um ano atrás, fiz umas camisetas com a esperança de criar um esqueminha aqui para fazer algumas para os amigos.
o projeto ainda existe, mas ainda está num processo de hibernação.
um dia acorda. vou colocar algumas das camisetas aqui embaixo.










a coluna do destak da semana.

terça-feira, junho 30, 2009

a coluna do destak da semana passada.


basta ver a data do post anterior para ter uma idéia que rolou uma semaninha magra por aqui. bom, vou postar a coluna que saiu no destak na semana passada.
esta é sobre as praias portuguesas. se você é carioca como eu, vai entender o que estou falando. sempre que um carioca deixa o rio, bate aquele medinho de perder a praia.
e eu, que fui morar por quase 10 anos em são paulo, perdi o sotaque e todo e qualquer vestígio de bronzeado.
quando me mudei para cá, sabia que o país inteiro tinha uma costa gigantesca. cheguei cheio de esperança para encontrar as praias. putz, que esqueminha bacana.
se você estiver visitando portugal, alugue um carro. não fique somente no eixo lisboa-belém-sintra. parta para uma praia com toda a fúria. valerá a pena.

terça-feira, junho 23, 2009

uma semaninha.

se você tem o costume de ler este blog, deve notar que eu tento sempre que possível marcar presença. o esqueminha de terça e quinta é tão importante para mim que está alí em cima escrito. 

mas como o acesso a internet esta semana é via cyber café, com minutos contados, e fila de espera-- o blog vai sair de férias. por uma semaninha.  e aí, como diz alí em cima, na próxima terça--  ele volta.

se você não tem o costume de ler este blog e caiu aqui por acidente, foi mal... o google é foda.

quinta-feira, junho 18, 2009

moleskine e o caderno azul português.


uma vez escrevi aqui sobre o drama do moleskine. que consiste no fato de comprar um caderninho tão bacana que dá pena de escrever. ou você pensa uma caráiada de vezes antes de rabiscar qualquer pourra nele. o mesmo acontece com o caderno azul português. faz um google image com "caderno azul português". quase todos os resultados serão sobre o tal caderno num livro do paul auster. o caderninho é genial. lindo. com uma etiqueta colada a mão na capa. eu já comprei uma caráiada. e tenho o mesmo problema que tenho com o moleskine. não consigo escrever na bagaça antes de pensar seis vezes. se você é fã de moleskines e tal, compre o tal caderno azul. é muito stâile. e é muito mais em conta.

a crônica do destak da semana.

terça-feira, junho 16, 2009

você viu os sapatos dela?

uma mulher linda. maravilhosa. estava vindo na outra direção.
em segundos ela iria passar por eles. ele sabia que a mulher dele era muito ciumenta.
e nunca, nunca iria perdoar qualquer olhar dele sobre o corpo da outra.
ele pensou rápido e disse:
- você viu os sapatos dela? couro de jacaré?

ao comentar sobre os sapatos da outra. ele fez com que a mulher dele olhasse para a outra junto com ele. mas, o mais importante, ele conseguiu dirigir os olhos dela, para a parte mais insignificante do corpo da outra. deixando todo o resto para ele.

a mulher dele olhou para os pés. ele, para a bunda.
ela comentou:
- mas que cafona.
- muito.

mas eu estou falando a verdade.

- mas você me ama mesmo?
- amo.
- muito?
- muito.
- mas como é que posso acreditar em você?
- não estou entendendo?
- o seu emprego.
- o que tem o meu emprego?
- você é lutador de luta livre. encena tudo. tudo ali é falso.
- mas é apenas o meu trabalho.
- mas é de mentira.
- é um trabalho. eu te amo.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mas como é que eu vou saber se você não está trazendo trabalho para casa?

gordo e careca. careca e gordo.


marido e mulher conversam ao fim do jantar. ela inicia o diálogo:

- o james dean.
- o que tem ele?
- você acha que se ele tivesse vivido mais tempo, teria ficado um galã, bonitão?
- não.
- você não acha mesmo?
- não, seria careca e gordo.
- mas....
- careca e gordo.
- mas e se...
- careca e gordo.
- amor?
- oi?
- não come mais mousse de chocolate não. o médico disse que o seu colesterol está horrível.

o casal paga a conta, e quando está a caminho do carro, o marido encontra com um amigo do trabalho que está estacionando. o amigo abaixo o vidro e diz:
- careca! bom tem ver aqui. o jogo de tênis de amanhã, vamos adiar para a sexta?

ele, na extensão.

o telefone tocou duas vezes.
ela atendeu do quarto.
o marido atendeu da sala.
era para ela.
não para ele.
ela começou a falar.
ele, a escutar.

- linda!
- lindo!
- fofa!
- fofo!
- tô te esperando!
- já tô indo!
- loura!
- louro!
- ma-ra-vi-lho-sa!

e antes que ela respondesse no mesmo tom e conteúdo, ele largou o telefone, pegou a arma e subiu as escadas até o quarto. ela desligou o telefone e ele deu um tiro. deu dois.
ela só teve um último respiro, suficiente para responder a última pergunta dele.

- quem era no telefone porra!
- o meu cabeleireiro, cacete...

terça-feira, junho 09, 2009

gerações e um dos segredos.



menina e o pai estão saindo de uma festinha de crianças. ela inicia a conversa:
- pai, pega um balão para mim?
- não.
- por favor.
- não posso.
- mas porque?
- das duas uma. ou ele vai estourar ou perder o gás e vai deixar de flutuar. e você ficará triste.
- mas eu vou ficar triste se você não pegar também.
- mas passa.
- como é que você sabe?
- eu já fui da sua idade.
- então você vai entender se eu não falar com você durante a viagem inteira para casa e o resto do fim de semana?
- claro.
- você já foi da minha idade?
- sim.
- assim não tem graça.
- como?
- você já foi da minha idade então pode usar esse argumento para tudo.
- quando você for da minha idade você vai entender.
- mas quando eu for da sua idade, você vai estar mais velho e vai poder continuar falando isso.
- mas você vai ter uma criança da sua idade para você fazer o mesmo com ela.
- é esse?
- é esse o que?
- esse é um dos significados da vida?
- um deles.
- quem disse para você?
- meu pai.
- o vô?
- quando ele tinha a minha idade.
- e você a minha.
- viu como você entendeu rapidinho?
- então nada de balão?
- [silêncio]
- [silêncio]
- pede para sua mãe.

"não pode ser."


marido entra no quarto e flagra a mulher com outro.
ela está com nutella espalhada pelo corpo--  o amante come a nutella lentamente. meio nove semanas e meia de amor.

ele pergunta com os olhos vermelhos de tristeza: - você não me ama mais? é isso?
e ela: - é a sua diabetes amor. é a sua diabetes. se eu fizesse isso com você...
ele: - eu entraria em choque?
ela: - e eu sei como você tem medo da agulhinha da insulina.eu sei...


o gps do casal.

casal  na estrada. simon and garfunkel tocando no rádio. o marido puxa o assunto.

- amor?
- oi?
- você não acha que perdeu um pouco da graça?
- o que?
- antes a gente brigava sempre que se perdia....
- agora com o gps...
- a gente não se perde mais.
- e depois que a gente brigava a gente sempre fazia aquele drama...
- você fazia um carinho...
- demorava. mas era, não sei qual é a palavra...
- inesperado?
- é... era...
- emocionante?
- isso, era mais emocionante.
- posso?
- por favor.

ele então joga o gps pela janela. e eles ficaram  felizes para sempre. 
sempre depois de uma briga. mas felizes.

antes/depois

paciente pergunta para o médico, endocrinologista.

- mas e a foto do "antes" e "depois"?
- como?
- você não vai tirar a foto do "antes" para a gente comparar com a do "depois" quando eu acabar a dieta?
- não.
- mas... com a foto do "antes" eu posso ter uma idéia melhor...
- eu não tenho esse costume.
- é tudo no olho?
- e na balança.
- pô doutor, quebra essa para mim. tira uma foto agora, do "antes"-- que eu estou gordinha. para depois eu levar o choque em algumas semanas e indicar o senhor para todas as minhas amigas.
- [silêncio]
- e então?
- [silêncio]
- doutor?
- ok. deixa eu pegar a minha câmera. aqui, pronto.
- porra doutor? quantos megapixels tem esta máquina?
- 14. 14 megapixels.
- e a lente?
- lente leica.
- zoom digital ou optico?
- optico.
- não aponta esta merda para mim. nem fudendo.

sexta-feira, junho 05, 2009

A crônica do destak da semana.

esses dias fui ao cirque du soleil. genial. aqui em lisboa os caras ficam até o dia 14.
se você estiver por essas bandas, vale a pena. a bagáça é de roer as unhas, ficar na beira da cadeira. se você está no brasil ou em algum país vizinho, ou mesmo em lisboa, os ingresso estão a venda na fnac. ou no site da fnac.pt

terça-feira, junho 02, 2009

26.


mulher larga o garfo sobre o prato, respira fundo e diz para o marido como quem prende o choro.

- cláudio? você não disse nada.
- como?
- do cabelo. você não disse nada sobre o meu cabelo.
- mas...
- você não notou?
- [silêncio]
- porra cláudio!
- mas não dá para ver...
- filho da puta.
- cacete patrícia... é que...
- você é um bosta mesmo. desde que casamos que você deixou de prestar atenção em mim.
- isso não é verdade. é que eu olho para o seu cabelo. e busco alguma diferença e.... não consigo enxergar nada que...
- .... diferente!? 
- isso.
- cláudio, você partiu o meu coração em pedaços.
- desculpe amor, talvez eu esteja cansado. prometo que irei a partir de agora mudar... vou prestar mais atenção. em você. no seu cabelo...

ela olha para o chão como se encontrasse forças para perdoar ele. ele cata uma lágrima do canto do olho esquerdo com o polegar direito. ele ameaça dar um beijo de desculpa ela vira o rosto. e, enquanto ele sai da sala de cabeça baixa e fungando, ela abre um sorriso.
é, porque ela não tinha feito nada no cabelo. o cabelo era o mesmo de todos os dias. nada. nenhum corte. nenhuma tinta diferente. nada. o cabelo era o mesmo.

mais cedo, enquanto esperava para ser atendida no consultório do dentista ela pescou uma revista dessas feminina na sala de espera. uma das matérias dizia: "100 maneiras de ter a atenção dele todos os dias." o truque do cabelo era o de número 26.

diálogo nonsense que só parece que tem alguma idéia porque tem a palavra "twitter" lá no meio.

casal está na estrada a caminho da praia.
toca alguma música do coldplay na rádio. dessas que você não consegue identificar o nome ou o album de origem, mas conhece. a música acaba, e o locutor da rádio anúncia que, em segundos dirá a previsão do tempo. ele então diz:

- ... e agora a previsão do tempo: quente!

e a mulher comenta com o marido que está no banco do passageiro do carro: 
- caceta amor, a porra do twitter está fodendo com a quantidade de caracteres de todo mundo!? até do sujeito da previsão do tempo.

e o marido o comenta de volta: 
- sim.

alfie.


no som da casa de praia tocava uma música da trilha sonora do filme "alfie"-- aquele remake com o jude law e a siena miller.

ele se aproxima dela e fala um pouco desajeitado, como quem busca qualquer brecha para falar qualquer coisa com ela: 
- você já notou que o jude law está cada vez mais careca?
e ela diz:
- é importante.
ele:
- que ele fique careca?
ela:
- sim. muito. para todo o mundo.
ele:
- que o jude law fique careca? mas porque? mas que exagero. eu só estava tentando puxar conversa...
ela:
- mas sim, a careca do jude law é muito importante.
ele:
- mas... porque?!
ela:
- eu deixo de acreditar em homens perfeitos.
e ele completa:
- ...e passa dar chance a homens imperfeitos?
ela:
- meu nome é paula.
ele:
- bruno. muito prazer.