terça-feira, julho 07, 2009

espontâneo

- vamos fugir, linda! pegaremos o primeiro avião para o primeiro destino internacional que estiver no monitor de partidas do aeroporto?! mas tem que ser agora. vamos!
- a gente não pode escolher?
- não, assim fica mais emocionante. espontâneo.
- posso pensar? preciso fazer as unhas. e se eu for viajar preciso pegar o meu secador e a minha chapinha na casa da minha irmã.
- [silêncio]
- preciso também comprar um biquini. talvez passar na casa da minha mãe para se despedir.
- [silêncio]
- depilação. preciso fazer uma depilação. vai que o lugar tem praia.
- [silêncio]
- e então? vamos?
- perdi a vontade.

médio-bom

- amor, você teve?
- tive. e você?
- também.
- mas e aquele último grito? era falso ou verdadeiro?
- verdadeiro.
- então foi tão bom assim?!
- médio-bom.
- mas e o grito?
- a unha do dedão do seu pé está grande.

quinta-feira, julho 02, 2009

mini-projetos que hibernam. 1

quase um ano atrás, fiz umas camisetas com a esperança de criar um esqueminha aqui para fazer algumas para os amigos.
o projeto ainda existe, mas ainda está num processo de hibernação.
um dia acorda. vou colocar algumas das camisetas aqui embaixo.










a coluna do destak da semana.

terça-feira, junho 30, 2009

a coluna do destak da semana passada.


basta ver a data do post anterior para ter uma idéia que rolou uma semaninha magra por aqui. bom, vou postar a coluna que saiu no destak na semana passada.
esta é sobre as praias portuguesas. se você é carioca como eu, vai entender o que estou falando. sempre que um carioca deixa o rio, bate aquele medinho de perder a praia.
e eu, que fui morar por quase 10 anos em são paulo, perdi o sotaque e todo e qualquer vestígio de bronzeado.
quando me mudei para cá, sabia que o país inteiro tinha uma costa gigantesca. cheguei cheio de esperança para encontrar as praias. putz, que esqueminha bacana.
se você estiver visitando portugal, alugue um carro. não fique somente no eixo lisboa-belém-sintra. parta para uma praia com toda a fúria. valerá a pena.

terça-feira, junho 23, 2009

uma semaninha.

se você tem o costume de ler este blog, deve notar que eu tento sempre que possível marcar presença. o esqueminha de terça e quinta é tão importante para mim que está alí em cima escrito. 

mas como o acesso a internet esta semana é via cyber café, com minutos contados, e fila de espera-- o blog vai sair de férias. por uma semaninha.  e aí, como diz alí em cima, na próxima terça--  ele volta.

se você não tem o costume de ler este blog e caiu aqui por acidente, foi mal... o google é foda.

quinta-feira, junho 18, 2009

moleskine e o caderno azul português.


uma vez escrevi aqui sobre o drama do moleskine. que consiste no fato de comprar um caderninho tão bacana que dá pena de escrever. ou você pensa uma caráiada de vezes antes de rabiscar qualquer pourra nele. o mesmo acontece com o caderno azul português. faz um google image com "caderno azul português". quase todos os resultados serão sobre o tal caderno num livro do paul auster. o caderninho é genial. lindo. com uma etiqueta colada a mão na capa. eu já comprei uma caráiada. e tenho o mesmo problema que tenho com o moleskine. não consigo escrever na bagaça antes de pensar seis vezes. se você é fã de moleskines e tal, compre o tal caderno azul. é muito stâile. e é muito mais em conta.

a crônica do destak da semana.

terça-feira, junho 16, 2009

você viu os sapatos dela?

uma mulher linda. maravilhosa. estava vindo na outra direção.
em segundos ela iria passar por eles. ele sabia que a mulher dele era muito ciumenta.
e nunca, nunca iria perdoar qualquer olhar dele sobre o corpo da outra.
ele pensou rápido e disse:
- você viu os sapatos dela? couro de jacaré?

ao comentar sobre os sapatos da outra. ele fez com que a mulher dele olhasse para a outra junto com ele. mas, o mais importante, ele conseguiu dirigir os olhos dela, para a parte mais insignificante do corpo da outra. deixando todo o resto para ele.

a mulher dele olhou para os pés. ele, para a bunda.
ela comentou:
- mas que cafona.
- muito.

mas eu estou falando a verdade.

- mas você me ama mesmo?
- amo.
- muito?
- muito.
- mas como é que posso acreditar em você?
- não estou entendendo?
- o seu emprego.
- o que tem o meu emprego?
- você é lutador de luta livre. encena tudo. tudo ali é falso.
- mas é apenas o meu trabalho.
- mas é de mentira.
- é um trabalho. eu te amo.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mas como é que eu vou saber se você não está trazendo trabalho para casa?

gordo e careca. careca e gordo.


marido e mulher conversam ao fim do jantar. ela inicia o diálogo:

- o james dean.
- o que tem ele?
- você acha que se ele tivesse vivido mais tempo, teria ficado um galã, bonitão?
- não.
- você não acha mesmo?
- não, seria careca e gordo.
- mas....
- careca e gordo.
- mas e se...
- careca e gordo.
- amor?
- oi?
- não come mais mousse de chocolate não. o médico disse que o seu colesterol está horrível.

o casal paga a conta, e quando está a caminho do carro, o marido encontra com um amigo do trabalho que está estacionando. o amigo abaixo o vidro e diz:
- careca! bom tem ver aqui. o jogo de tênis de amanhã, vamos adiar para a sexta?

ele, na extensão.

o telefone tocou duas vezes.
ela atendeu do quarto.
o marido atendeu da sala.
era para ela.
não para ele.
ela começou a falar.
ele, a escutar.

- linda!
- lindo!
- fofa!
- fofo!
- tô te esperando!
- já tô indo!
- loura!
- louro!
- ma-ra-vi-lho-sa!

e antes que ela respondesse no mesmo tom e conteúdo, ele largou o telefone, pegou a arma e subiu as escadas até o quarto. ela desligou o telefone e ele deu um tiro. deu dois.
ela só teve um último respiro, suficiente para responder a última pergunta dele.

- quem era no telefone porra!
- o meu cabeleireiro, cacete...

terça-feira, junho 09, 2009

gerações e um dos segredos.



menina e o pai estão saindo de uma festinha de crianças. ela inicia a conversa:
- pai, pega um balão para mim?
- não.
- por favor.
- não posso.
- mas porque?
- das duas uma. ou ele vai estourar ou perder o gás e vai deixar de flutuar. e você ficará triste.
- mas eu vou ficar triste se você não pegar também.
- mas passa.
- como é que você sabe?
- eu já fui da sua idade.
- então você vai entender se eu não falar com você durante a viagem inteira para casa e o resto do fim de semana?
- claro.
- você já foi da minha idade?
- sim.
- assim não tem graça.
- como?
- você já foi da minha idade então pode usar esse argumento para tudo.
- quando você for da minha idade você vai entender.
- mas quando eu for da sua idade, você vai estar mais velho e vai poder continuar falando isso.
- mas você vai ter uma criança da sua idade para você fazer o mesmo com ela.
- é esse?
- é esse o que?
- esse é um dos significados da vida?
- um deles.
- quem disse para você?
- meu pai.
- o vô?
- quando ele tinha a minha idade.
- e você a minha.
- viu como você entendeu rapidinho?
- então nada de balão?
- [silêncio]
- [silêncio]
- pede para sua mãe.

"não pode ser."


marido entra no quarto e flagra a mulher com outro.
ela está com nutella espalhada pelo corpo--  o amante come a nutella lentamente. meio nove semanas e meia de amor.

ele pergunta com os olhos vermelhos de tristeza: - você não me ama mais? é isso?
e ela: - é a sua diabetes amor. é a sua diabetes. se eu fizesse isso com você...
ele: - eu entraria em choque?
ela: - e eu sei como você tem medo da agulhinha da insulina.eu sei...


o gps do casal.

casal  na estrada. simon and garfunkel tocando no rádio. o marido puxa o assunto.

- amor?
- oi?
- você não acha que perdeu um pouco da graça?
- o que?
- antes a gente brigava sempre que se perdia....
- agora com o gps...
- a gente não se perde mais.
- e depois que a gente brigava a gente sempre fazia aquele drama...
- você fazia um carinho...
- demorava. mas era, não sei qual é a palavra...
- inesperado?
- é... era...
- emocionante?
- isso, era mais emocionante.
- posso?
- por favor.

ele então joga o gps pela janela. e eles ficaram  felizes para sempre. 
sempre depois de uma briga. mas felizes.

antes/depois

paciente pergunta para o médico, endocrinologista.

- mas e a foto do "antes" e "depois"?
- como?
- você não vai tirar a foto do "antes" para a gente comparar com a do "depois" quando eu acabar a dieta?
- não.
- mas... com a foto do "antes" eu posso ter uma idéia melhor...
- eu não tenho esse costume.
- é tudo no olho?
- e na balança.
- pô doutor, quebra essa para mim. tira uma foto agora, do "antes"-- que eu estou gordinha. para depois eu levar o choque em algumas semanas e indicar o senhor para todas as minhas amigas.
- [silêncio]
- e então?
- [silêncio]
- doutor?
- ok. deixa eu pegar a minha câmera. aqui, pronto.
- porra doutor? quantos megapixels tem esta máquina?
- 14. 14 megapixels.
- e a lente?
- lente leica.
- zoom digital ou optico?
- optico.
- não aponta esta merda para mim. nem fudendo.

sexta-feira, junho 05, 2009

A crônica do destak da semana.

esses dias fui ao cirque du soleil. genial. aqui em lisboa os caras ficam até o dia 14.
se você estiver por essas bandas, vale a pena. a bagáça é de roer as unhas, ficar na beira da cadeira. se você está no brasil ou em algum país vizinho, ou mesmo em lisboa, os ingresso estão a venda na fnac. ou no site da fnac.pt

terça-feira, junho 02, 2009

26.


mulher larga o garfo sobre o prato, respira fundo e diz para o marido como quem prende o choro.

- cláudio? você não disse nada.
- como?
- do cabelo. você não disse nada sobre o meu cabelo.
- mas...
- você não notou?
- [silêncio]
- porra cláudio!
- mas não dá para ver...
- filho da puta.
- cacete patrícia... é que...
- você é um bosta mesmo. desde que casamos que você deixou de prestar atenção em mim.
- isso não é verdade. é que eu olho para o seu cabelo. e busco alguma diferença e.... não consigo enxergar nada que...
- .... diferente!? 
- isso.
- cláudio, você partiu o meu coração em pedaços.
- desculpe amor, talvez eu esteja cansado. prometo que irei a partir de agora mudar... vou prestar mais atenção. em você. no seu cabelo...

ela olha para o chão como se encontrasse forças para perdoar ele. ele cata uma lágrima do canto do olho esquerdo com o polegar direito. ele ameaça dar um beijo de desculpa ela vira o rosto. e, enquanto ele sai da sala de cabeça baixa e fungando, ela abre um sorriso.
é, porque ela não tinha feito nada no cabelo. o cabelo era o mesmo de todos os dias. nada. nenhum corte. nenhuma tinta diferente. nada. o cabelo era o mesmo.

mais cedo, enquanto esperava para ser atendida no consultório do dentista ela pescou uma revista dessas feminina na sala de espera. uma das matérias dizia: "100 maneiras de ter a atenção dele todos os dias." o truque do cabelo era o de número 26.

diálogo nonsense que só parece que tem alguma idéia porque tem a palavra "twitter" lá no meio.

casal está na estrada a caminho da praia.
toca alguma música do coldplay na rádio. dessas que você não consegue identificar o nome ou o album de origem, mas conhece. a música acaba, e o locutor da rádio anúncia que, em segundos dirá a previsão do tempo. ele então diz:

- ... e agora a previsão do tempo: quente!

e a mulher comenta com o marido que está no banco do passageiro do carro: 
- caceta amor, a porra do twitter está fodendo com a quantidade de caracteres de todo mundo!? até do sujeito da previsão do tempo.

e o marido o comenta de volta: 
- sim.

alfie.


no som da casa de praia tocava uma música da trilha sonora do filme "alfie"-- aquele remake com o jude law e a siena miller.

ele se aproxima dela e fala um pouco desajeitado, como quem busca qualquer brecha para falar qualquer coisa com ela: 
- você já notou que o jude law está cada vez mais careca?
e ela diz:
- é importante.
ele:
- que ele fique careca?
ela:
- sim. muito. para todo o mundo.
ele:
- que o jude law fique careca? mas porque? mas que exagero. eu só estava tentando puxar conversa...
ela:
- mas sim, a careca do jude law é muito importante.
ele:
- mas... porque?!
ela:
- eu deixo de acreditar em homens perfeitos.
e ele completa:
- ...e passa dar chance a homens imperfeitos?
ela:
- meu nome é paula.
ele:
- bruno. muito prazer.

quinta-feira, maio 28, 2009

a coluna do destak desta semana


eu já escrevi aqui sobre o siraiva.
o melhor hambúrguer que eu já comi na vida.
eu sei, falar assim "o melhor hambúrguer que eu já comi na vida" parece um exagero.
você deve estar pensando: "não fódi cara, que mané melhor hambúrguer da vida... hambúrguer é hambúrguer..." então, vai lá no siraiva para sentir o drama. a carne. o tempero. é punk meu amigo.

terça-feira, maio 26, 2009

mas ela é

filho de uns 17 anos conversa com o pai de 49, divorciado.

- mas ela é o amor da minha vida.
- mas você tem apenas 17 anos. ainda tem muita vida pela frente.
- mas...
- mas, meu filho, ela é a sua primeira namorada séria. a vida tem muitas surpresas. olhe para o seu pai. eu achava que eu e a sua mãe ficaríamos juntos para sempre.
- mas eu tenho certeza que ela é a pessoa que eu quero ficar para sempre.
- a sua namorada é linda, mas você é muito novo.
- olha para ela. como o sol bate contra a pele dela. ela é perfeita.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- meu filho...
- diz pai...
- ela tem uma amiga?

observações que podem fazer sentido ou não. 2

sempre que o dentista faz qualquer coisa na sua boca-- é ele virar para o lado para você colocar a língua sobre o que o fera acabou de fazer. exemplo: fez um furo? ponta da língua no furo. colocou uma obturação? ponta da língua na obturação. dentista deve ficar puto. é ele virar a cara para a linguinha curiosa ir investigar que caráio era aquilo que estava doendo para cacete.


antes de ir ao dentista, escovo duas vezes. uso listerine. escovo a língua. uso fio dental. acho engraçado esse negócio de você achar que em uma escovada bem feita vai consertar anos de preguiça ou escovadas bem mais ou menos.

dia desses, fiquei imaginando como seria curioso se eu chegasse no dentista depois de comer com dentadas preguiçosas um croissant de chocolate, sem escovar os dentes depois. só para ver a merda que dava.

observações que podem fazer sentido ou não. 1




sempre que um taxista me pergunta se eu "tenho um caminho preferido", fico um pouco preocupado. não que todo taxista seja fêla da pulta. e também, o cara pode estar sendo simplesmente gentil. mas sei lá, a partir do momento em que le pergunta isso, e eu faço uma cara de "caráio, não tenho a menor idéia se existe um caminho melhor do que aquele que eu conheço." ou muitas vezes faço uma cara de "fodeu, ele sabe que eu estou perdido." acontece sempre. 99% das vezes. é aquele instante que dura seis milésimos de segundo em que, ao olhar para a minha cara pelo espelho retrovisor, o taxista fica sabendo que eu não sei picas sobre direção, estou quase perdido, e quase nas mãos dele. no rio de janeiro no brasil, se um fera perguntar isso para você na saída do aeroporto e você mostrar qualquer dúvida, fodeu. e como nasci lá, antes mesmo do fera fazer a pergunta, eu metralho nomes de ruas, avenidas, esquinas, sinais que podem estar quebrados, comento sobre uma obra que nunca foi terminada num bairro entre o aeroporto e o meu destino. e assim, ele olha pelo retrovisor como quem diz: "esse conhece!" e seguimos em frente. bom, como disse lá em cima, de maneira alguma acho todos os taxistas fêlas. muito pelo contrário, dependo dos caras para me locomover em milhares de ocasiões. e são provavelmente as melhores fontes de assunto do mundo. mas por algum motivo, sempre que surge a pergunta : "tem algum caminho preferido?" fico deitado com a cabeça para trás no banco, com o lábio inferior pressionando o superior, solto ar pelas narinas, levanto as sobrancelhas quase em câmera lenta-- e fico nas mãos do fera.

quinta-feira, maio 21, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

essa é sobre o adamastor. sobre a vista do adamastor.
espetacular. e agora com o verão quase aí, é um negócio para qualquer turista ficar doidjo.


terça-feira, maio 19, 2009

o efeito diane keaton. ou como um momento pode facilmente influenciar o destino de todos os outros que ainda não aconteceram.

homem chega em casa numa quinta e enquanto entorna uma heineken gelada num copo alto inicia uma conversa com a mulher:

- você pegou um dvd no video clube?
- peguei.
- qual?
- não sei o nome.
- como assim não sabe o nome?
- é um filme do woody allen.
- "woody allen fase diane keaton" ou "woody allen fase scarlett johansson"? 
- e tem diferença? 
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- amor? então vai querer assistir ou não?
- você vai achar estranho o que eu vou dizer-- mas acho que temos que ter uma conversa séria.
- séria?
- acho que isto não vai funcionar.
- isto o que?
- o nosso relacionamento. acho que precisamos dar um tempo.
- [silêncio]
- [silêncio]

o que você quer ser quando crescer?


mãe e filho conversam. ele tem uns 9 anos.

- um astronauta.
- você tem certeza?
- absoluta.
- mas você sabe que não se pode levar um cachorro para o espaço.
- é?
- é.
- nem o lupo que é treinado?
- nem o lupo.
- ok.
- no espaço você não pode jogar playstation.
- mas e se tiver mais um astronauta?
- você já viu as luvas? como são grandes? não dá para segurar o controle.
- é. você tem razão.
- a sua camisa do flamengo também não pode levar.
- não posso usar por cima do uniforme?
- hmmm....
- não né?
- não.
- a luana...
- o que tem a luana?
- bom, a sua amiguinha luana não pode falar com você no msn a noite inteira.
- as luvas né?
- as luvas. como é que você vai digitar.
- pô, a luana... o lupo, o playstation....
- é mãe, sorte do neil armstrong.
- porque?
- bom, ele não conheceu a luana, ainda não existia playstation, não torcia para o flamengo e o lupo ainda não tinha nascido.
- é verdade...
- duvido se ele tivesse conhecido o lupo e a luana, ele teria escolhido ser astronauta.
- também. também.

sexta-feira, maio 15, 2009

crônica rápida de um verão igualmente breve em algum tempo recente. ou não.


eles se encontraram no verão.
ela tinha 19.
ele tinha 22.
ele disse duas vezes que ela era o amor da vida dele.
ela balançou duas vezes a cabeça quando ele disse que ela era o amor da vida dele.
ele prometeu escrever todos os dias.
ela prometeu ligar todas as semanas.
ele ficou com preguiça.

e ela com outro menino.

a cidade.

mulher no telefone com o marido. ele está prestes a entrar num conference call. o terceiro daquela semana.

- paixão, você acha que consegue chegar a tempo para o jantar?
- não.
- e para a sobremesa?
- também não.
- e para o café?
- não.
- e para assistir um filme comigo?
- não.
- e para ficar abraçadinho na cama comigo?
- também não.
- [silêncio]
- [silêncio]
- e para me flagrar com um amante na nossa cama?
- acho que não. mas vou tentar.

o banco, ângulos, vento e café.


ele sempre sentou no mesmo banco. o banco ficava numa praça. a praça ficava num bairro pouco movimentado. o bairro ficava numa cidade grande. a cidade ficava entre duas cidades ainda maiores.

ele via as mesmas pessoas passarem. uma espécie de deja-vu controlado. pois, ao se sentar no mesmo banco, no mesmo horário, nos mesmos dias, ele, obrigatoriamente via a rotina tomar forma a sua frente.

ele carregava sempre o jornal do dia. e nele encontrava abrigo quando alguém quase-conhecido passava.

mas tudo mudou no dia que o banco foi removido. na verdade, mudaram o banco de lugar. e no lugar onde antes ele estava, instalaram um quiosque de bebidas.

e no primeiro dia, ao sentar no banco em seu novo lugar, descobriu um novo ângulo de ver as coisas. a mulher que sempre passava de frente, agora ele via de perfil. as crianças também. já não corriam na sua direção. mas na direção oposta. o vento agora balançava as folhas do jornal de dentro para fora. e não de fora para dentro. e por mais sutil que fosse cada detalhe, naquele dia a vida ganhou um novo fôlego. um novo ângulo.

enquanto isso, lá do outro lado, enquanto bebia len-ta-men-te um café no quiosque, uma mulher pensava a mesma coisa. afinal, onde antes estava o banco em que nosso protagonista agora está sentado, estava o quiosque.


ela sempre tomou café no mesmo quiosque...

quinta-feira, maio 14, 2009

amanhã nói posta mais.

a crônica do destak da semana.

se você gosta de viajar.
se você briga com a sua mulher quando estão perdidos na estrada.
se você não sabe escolher hotel direito.
se você não quer ir novamente para a disney.
bom, e finalmente, se você não quer viajar com cara de turista perdido e mané-- leia a coluna abaixo.

terça-feira, maio 12, 2009

ela.

a professora de piano inicia um diálogo com o aluno. ela tem  26. ele, 17. é verão. o ar-condicionado está defeituoso. ela está como sempre, com pernas fartas. brilho na pele. e cabelos quase soltos.

ela: - está quente.
ele: - muito.
ela: - acho que vou tirar o vestido. não tem mais ninguém aqui na casa, não é?
ele: - não. apenas nós dois.
ela: - pronto. tirei.
ele: - você... é... você... quer que eu tire a minha roupa também?
ela: - quero, mas só se você acertar primeiro-- a lição de casa-- que eu passei para você na aula anterior.


declaração de amor entre personagens que não existem. mas poderiam existir.


casal deitado na grama. a lua está cheia. o céu com estrelas.

- se você pudesse viajar para qualquer planeta maria, para qual você gostaria de ir?
- esse, dentro da sua cabeça.

diálogos quase abstratos de casais quase reais.

- amor?
- diz princesa.
- quando você era mais jovem, você era pegador?
- pegador?
- é, você ficava com muitas mulheres?
- [silêncio]
- e então, ficava?
- ficava.
- alguma delas era mais bonita do que eu?
- [silêncio]
- e então?
- ok, tinha a paulinha. ela era linda.
- mas porque é que você não casou com ela então. ao invés de ficar comigo?
- porque ela casou antes com o marcelo. o marcelo. sabe?
- o marcelo é lindo.
- mas porque é então que você não casou com ele então?
- porque ele casou antes com a paulinha. a paulinha. sabe?


quinta-feira, abril 30, 2009

de volta.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.u.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?

....

você não quer mesmo subir?

quase duas da manhã. no jantar foram quase duas garrafas.
eles chegam ao pé da porta de entrada da casa dela.

ela convida para ele subir para o apartamento dela.
ele pergunta:
- café? para tomar um café?
e ela:
- não, para transar mesmo.
e ele:
- sincera você hein?
e ela:
- ingênuo você hein?

onde tomar a sua imperial quando chegar em lisboa.


uma das coisas mais complicadas para quem vai morar fora é o boteco. o bar. aquele esqueminha que o garçom te conhece pelo nome. ou mesmo pelo sobrenome. tem garçom que te chama pelo apelido. é aquele bar do "o de sempre". ou, se "o de sempre" estiver em falta, os caras sabem o que você gosta e recomendam algo igualmente inesquecível.

em são paulo eu ia religiosamente ao bar espírito santo. na rua horácio lafer com a salvador cardoso. o que é curioso pois o espírito santo era um bar português. é um bar português. com bacalhau dos bons. batatas ao murro. azeite português. petiscos lusitanos. é sensacional.

mas como você pode ver pelo título, a idéia é sobre o boteco de lisboa. boteco para comer petiscos, comida, batatas eu não tenho um preferido. mas boteco para encostar no balcão com um amigo para falar do futebol, ou dois para falar sobre nada, ou até mesmo uns quatro para falar sobre muita coisa-- esse sim, bar de balcão, esse eu encontrei. e eu até já falei do senhor que serve e é dono. se você fizer uma busca com as palavras "seu jaime" vai encontrar um textinho sobre ele.  mas é o bar do fera que é o assunto aqui. pastel, empanada, croquete, tremoços. mas o mais importante é a imperial, o chopp, estupidamente gelado. o nome do bar é ginginha das gáveas. o que, servirá como uma excelente desculpa para tomar uma ginja. mas depois de matar a curiosidade, foque na imperial. é gelada. é barata. é bem servida. e o local é no coração do bairro alto. ou melhor. numa das artérias um pouco antes do coração. o que significa que você pode ir lá antes e depois de circular pelas ruas do bairro.  concluindo, se você veio parar por essas bandas com saudade do bar, do boteco da sua cidade natal, procure o bar do seu jaime na rua das gáveas. nota 11.

terça-feira, abril 28, 2009

o presente.


- amor.
- oi?
- comprei um presente para você.
- é o que eu estou imaginando?
- não sei.
- um anel de brilhantes?
- não.
- um brinco?
- não.
- um carro, você comprou um carro!?
- não.
- é.... é....é.... tá vendo aquele cocô ali?
- caralho! você comprou um cocô?
- não, um cachorro.

tubarão.

- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- do que?
- de entrar no mar?
- claro que não meu filho. o mar está calmo.
- mãe?
- oi meu filho?
- você assistiu tubarão?
- assisti sim.
- em dolby stereo surround?
- sim.
- na tela plana hd de 72 polegadas?
- sim.
- e tava escuro?
- sim.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
---

os copos.

em portugal é comum as pessoas falarem “vamos beber uns copos.” ao invés de “vamos beber uma cerveja.” acho curioso. a idéia de que as pessoas falam não do conteúdo. mas do objeto, do veículo que leva a bebida até a boca. mais cedo um fera aqui da agência comentou: "opa, vamos beber uns copos hoje?" e eu: "beleza. cerveja?" e ele: "uns copos. um. dois." acho bem interessante a ideia e a maneira de chamar para um chopp. "uns copos?"

quinta-feira, abril 23, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

passei uns dias em paris na semana passada. e como já tinha estado lá, partimos para programas meio improvisados. ou pelo menos programas que eu nunca tinha feito ou imaginado fazer em paris. o mais bacana deles foi a visita a um mercado de pulgas. é muito interessante conhecer a frança através das pequenas coisas que os franceses tem para vender nesses lugares. é um poster de uma propaganda antiga de um refrigerante que já não existe, um par de sapatos que é mais gasto na sola do lado de dentro do pé. uma senhora que costura enquanto vende vestido de 1900 e tal. recomendo. a coluna que saiu no destak esta semana foi sobre isso.

e como a coluna sai numa página que se chama "viagem"-- achei que era um boa dica para quem lê aquela página em busca de idéias para viagens.
algo por aí.


quarta-feira, abril 22, 2009

diálogo breve. 3


- mas fernando, eu não sabia que você chorava assim. eu nunca imaginei ver você chorando com tanta vontade. sempre achei você mais introspectivo e durão. mas chorão, não.

- porra mulher, e eu não sabia que o filme surpresa que você tinha comprado os ingressos era "marley & eu." não fode. [snif]

dialógo breve. 2

o garçom se aproxima e pergunta:
- e para o casal, o que será para comer?
e o rapaz, com os dois olhos concentrados sobre o decote impressionante da menina responde, na maior naturalidade:
- 7 dúzias de ostras, 4 porções de amendoim, e uma garrafa de água de dois litros para viagem.