terça-feira, junho 30, 2009

a coluna do destak da semana passada.


basta ver a data do post anterior para ter uma idéia que rolou uma semaninha magra por aqui. bom, vou postar a coluna que saiu no destak na semana passada.
esta é sobre as praias portuguesas. se você é carioca como eu, vai entender o que estou falando. sempre que um carioca deixa o rio, bate aquele medinho de perder a praia.
e eu, que fui morar por quase 10 anos em são paulo, perdi o sotaque e todo e qualquer vestígio de bronzeado.
quando me mudei para cá, sabia que o país inteiro tinha uma costa gigantesca. cheguei cheio de esperança para encontrar as praias. putz, que esqueminha bacana.
se você estiver visitando portugal, alugue um carro. não fique somente no eixo lisboa-belém-sintra. parta para uma praia com toda a fúria. valerá a pena.

terça-feira, junho 23, 2009

uma semaninha.

se você tem o costume de ler este blog, deve notar que eu tento sempre que possível marcar presença. o esqueminha de terça e quinta é tão importante para mim que está alí em cima escrito. 

mas como o acesso a internet esta semana é via cyber café, com minutos contados, e fila de espera-- o blog vai sair de férias. por uma semaninha.  e aí, como diz alí em cima, na próxima terça--  ele volta.

se você não tem o costume de ler este blog e caiu aqui por acidente, foi mal... o google é foda.

quinta-feira, junho 18, 2009

moleskine e o caderno azul português.


uma vez escrevi aqui sobre o drama do moleskine. que consiste no fato de comprar um caderninho tão bacana que dá pena de escrever. ou você pensa uma caráiada de vezes antes de rabiscar qualquer pourra nele. o mesmo acontece com o caderno azul português. faz um google image com "caderno azul português". quase todos os resultados serão sobre o tal caderno num livro do paul auster. o caderninho é genial. lindo. com uma etiqueta colada a mão na capa. eu já comprei uma caráiada. e tenho o mesmo problema que tenho com o moleskine. não consigo escrever na bagaça antes de pensar seis vezes. se você é fã de moleskines e tal, compre o tal caderno azul. é muito stâile. e é muito mais em conta.

a crônica do destak da semana.

terça-feira, junho 16, 2009

você viu os sapatos dela?

uma mulher linda. maravilhosa. estava vindo na outra direção.
em segundos ela iria passar por eles. ele sabia que a mulher dele era muito ciumenta.
e nunca, nunca iria perdoar qualquer olhar dele sobre o corpo da outra.
ele pensou rápido e disse:
- você viu os sapatos dela? couro de jacaré?

ao comentar sobre os sapatos da outra. ele fez com que a mulher dele olhasse para a outra junto com ele. mas, o mais importante, ele conseguiu dirigir os olhos dela, para a parte mais insignificante do corpo da outra. deixando todo o resto para ele.

a mulher dele olhou para os pés. ele, para a bunda.
ela comentou:
- mas que cafona.
- muito.

mas eu estou falando a verdade.

- mas você me ama mesmo?
- amo.
- muito?
- muito.
- mas como é que posso acreditar em você?
- não estou entendendo?
- o seu emprego.
- o que tem o meu emprego?
- você é lutador de luta livre. encena tudo. tudo ali é falso.
- mas é apenas o meu trabalho.
- mas é de mentira.
- é um trabalho. eu te amo.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mas como é que eu vou saber se você não está trazendo trabalho para casa?

gordo e careca. careca e gordo.


marido e mulher conversam ao fim do jantar. ela inicia o diálogo:

- o james dean.
- o que tem ele?
- você acha que se ele tivesse vivido mais tempo, teria ficado um galã, bonitão?
- não.
- você não acha mesmo?
- não, seria careca e gordo.
- mas....
- careca e gordo.
- mas e se...
- careca e gordo.
- amor?
- oi?
- não come mais mousse de chocolate não. o médico disse que o seu colesterol está horrível.

o casal paga a conta, e quando está a caminho do carro, o marido encontra com um amigo do trabalho que está estacionando. o amigo abaixo o vidro e diz:
- careca! bom tem ver aqui. o jogo de tênis de amanhã, vamos adiar para a sexta?

ele, na extensão.

o telefone tocou duas vezes.
ela atendeu do quarto.
o marido atendeu da sala.
era para ela.
não para ele.
ela começou a falar.
ele, a escutar.

- linda!
- lindo!
- fofa!
- fofo!
- tô te esperando!
- já tô indo!
- loura!
- louro!
- ma-ra-vi-lho-sa!

e antes que ela respondesse no mesmo tom e conteúdo, ele largou o telefone, pegou a arma e subiu as escadas até o quarto. ela desligou o telefone e ele deu um tiro. deu dois.
ela só teve um último respiro, suficiente para responder a última pergunta dele.

- quem era no telefone porra!
- o meu cabeleireiro, cacete...

terça-feira, junho 09, 2009

gerações e um dos segredos.



menina e o pai estão saindo de uma festinha de crianças. ela inicia a conversa:
- pai, pega um balão para mim?
- não.
- por favor.
- não posso.
- mas porque?
- das duas uma. ou ele vai estourar ou perder o gás e vai deixar de flutuar. e você ficará triste.
- mas eu vou ficar triste se você não pegar também.
- mas passa.
- como é que você sabe?
- eu já fui da sua idade.
- então você vai entender se eu não falar com você durante a viagem inteira para casa e o resto do fim de semana?
- claro.
- você já foi da minha idade?
- sim.
- assim não tem graça.
- como?
- você já foi da minha idade então pode usar esse argumento para tudo.
- quando você for da minha idade você vai entender.
- mas quando eu for da sua idade, você vai estar mais velho e vai poder continuar falando isso.
- mas você vai ter uma criança da sua idade para você fazer o mesmo com ela.
- é esse?
- é esse o que?
- esse é um dos significados da vida?
- um deles.
- quem disse para você?
- meu pai.
- o vô?
- quando ele tinha a minha idade.
- e você a minha.
- viu como você entendeu rapidinho?
- então nada de balão?
- [silêncio]
- [silêncio]
- pede para sua mãe.

"não pode ser."


marido entra no quarto e flagra a mulher com outro.
ela está com nutella espalhada pelo corpo--  o amante come a nutella lentamente. meio nove semanas e meia de amor.

ele pergunta com os olhos vermelhos de tristeza: - você não me ama mais? é isso?
e ela: - é a sua diabetes amor. é a sua diabetes. se eu fizesse isso com você...
ele: - eu entraria em choque?
ela: - e eu sei como você tem medo da agulhinha da insulina.eu sei...


o gps do casal.

casal  na estrada. simon and garfunkel tocando no rádio. o marido puxa o assunto.

- amor?
- oi?
- você não acha que perdeu um pouco da graça?
- o que?
- antes a gente brigava sempre que se perdia....
- agora com o gps...
- a gente não se perde mais.
- e depois que a gente brigava a gente sempre fazia aquele drama...
- você fazia um carinho...
- demorava. mas era, não sei qual é a palavra...
- inesperado?
- é... era...
- emocionante?
- isso, era mais emocionante.
- posso?
- por favor.

ele então joga o gps pela janela. e eles ficaram  felizes para sempre. 
sempre depois de uma briga. mas felizes.

antes/depois

paciente pergunta para o médico, endocrinologista.

- mas e a foto do "antes" e "depois"?
- como?
- você não vai tirar a foto do "antes" para a gente comparar com a do "depois" quando eu acabar a dieta?
- não.
- mas... com a foto do "antes" eu posso ter uma idéia melhor...
- eu não tenho esse costume.
- é tudo no olho?
- e na balança.
- pô doutor, quebra essa para mim. tira uma foto agora, do "antes"-- que eu estou gordinha. para depois eu levar o choque em algumas semanas e indicar o senhor para todas as minhas amigas.
- [silêncio]
- e então?
- [silêncio]
- doutor?
- ok. deixa eu pegar a minha câmera. aqui, pronto.
- porra doutor? quantos megapixels tem esta máquina?
- 14. 14 megapixels.
- e a lente?
- lente leica.
- zoom digital ou optico?
- optico.
- não aponta esta merda para mim. nem fudendo.

sexta-feira, junho 05, 2009

A crônica do destak da semana.

esses dias fui ao cirque du soleil. genial. aqui em lisboa os caras ficam até o dia 14.
se você estiver por essas bandas, vale a pena. a bagáça é de roer as unhas, ficar na beira da cadeira. se você está no brasil ou em algum país vizinho, ou mesmo em lisboa, os ingresso estão a venda na fnac. ou no site da fnac.pt

terça-feira, junho 02, 2009

26.


mulher larga o garfo sobre o prato, respira fundo e diz para o marido como quem prende o choro.

- cláudio? você não disse nada.
- como?
- do cabelo. você não disse nada sobre o meu cabelo.
- mas...
- você não notou?
- [silêncio]
- porra cláudio!
- mas não dá para ver...
- filho da puta.
- cacete patrícia... é que...
- você é um bosta mesmo. desde que casamos que você deixou de prestar atenção em mim.
- isso não é verdade. é que eu olho para o seu cabelo. e busco alguma diferença e.... não consigo enxergar nada que...
- .... diferente!? 
- isso.
- cláudio, você partiu o meu coração em pedaços.
- desculpe amor, talvez eu esteja cansado. prometo que irei a partir de agora mudar... vou prestar mais atenção. em você. no seu cabelo...

ela olha para o chão como se encontrasse forças para perdoar ele. ele cata uma lágrima do canto do olho esquerdo com o polegar direito. ele ameaça dar um beijo de desculpa ela vira o rosto. e, enquanto ele sai da sala de cabeça baixa e fungando, ela abre um sorriso.
é, porque ela não tinha feito nada no cabelo. o cabelo era o mesmo de todos os dias. nada. nenhum corte. nenhuma tinta diferente. nada. o cabelo era o mesmo.

mais cedo, enquanto esperava para ser atendida no consultório do dentista ela pescou uma revista dessas feminina na sala de espera. uma das matérias dizia: "100 maneiras de ter a atenção dele todos os dias." o truque do cabelo era o de número 26.

diálogo nonsense que só parece que tem alguma idéia porque tem a palavra "twitter" lá no meio.

casal está na estrada a caminho da praia.
toca alguma música do coldplay na rádio. dessas que você não consegue identificar o nome ou o album de origem, mas conhece. a música acaba, e o locutor da rádio anúncia que, em segundos dirá a previsão do tempo. ele então diz:

- ... e agora a previsão do tempo: quente!

e a mulher comenta com o marido que está no banco do passageiro do carro: 
- caceta amor, a porra do twitter está fodendo com a quantidade de caracteres de todo mundo!? até do sujeito da previsão do tempo.

e o marido o comenta de volta: 
- sim.

alfie.


no som da casa de praia tocava uma música da trilha sonora do filme "alfie"-- aquele remake com o jude law e a siena miller.

ele se aproxima dela e fala um pouco desajeitado, como quem busca qualquer brecha para falar qualquer coisa com ela: 
- você já notou que o jude law está cada vez mais careca?
e ela diz:
- é importante.
ele:
- que ele fique careca?
ela:
- sim. muito. para todo o mundo.
ele:
- que o jude law fique careca? mas porque? mas que exagero. eu só estava tentando puxar conversa...
ela:
- mas sim, a careca do jude law é muito importante.
ele:
- mas... porque?!
ela:
- eu deixo de acreditar em homens perfeitos.
e ele completa:
- ...e passa dar chance a homens imperfeitos?
ela:
- meu nome é paula.
ele:
- bruno. muito prazer.

quinta-feira, maio 28, 2009

a coluna do destak desta semana


eu já escrevi aqui sobre o siraiva.
o melhor hambúrguer que eu já comi na vida.
eu sei, falar assim "o melhor hambúrguer que eu já comi na vida" parece um exagero.
você deve estar pensando: "não fódi cara, que mané melhor hambúrguer da vida... hambúrguer é hambúrguer..." então, vai lá no siraiva para sentir o drama. a carne. o tempero. é punk meu amigo.

terça-feira, maio 26, 2009

mas ela é

filho de uns 17 anos conversa com o pai de 49, divorciado.

- mas ela é o amor da minha vida.
- mas você tem apenas 17 anos. ainda tem muita vida pela frente.
- mas...
- mas, meu filho, ela é a sua primeira namorada séria. a vida tem muitas surpresas. olhe para o seu pai. eu achava que eu e a sua mãe ficaríamos juntos para sempre.
- mas eu tenho certeza que ela é a pessoa que eu quero ficar para sempre.
- a sua namorada é linda, mas você é muito novo.
- olha para ela. como o sol bate contra a pele dela. ela é perfeita.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- meu filho...
- diz pai...
- ela tem uma amiga?

observações que podem fazer sentido ou não. 2

sempre que o dentista faz qualquer coisa na sua boca-- é ele virar para o lado para você colocar a língua sobre o que o fera acabou de fazer. exemplo: fez um furo? ponta da língua no furo. colocou uma obturação? ponta da língua na obturação. dentista deve ficar puto. é ele virar a cara para a linguinha curiosa ir investigar que caráio era aquilo que estava doendo para cacete.


antes de ir ao dentista, escovo duas vezes. uso listerine. escovo a língua. uso fio dental. acho engraçado esse negócio de você achar que em uma escovada bem feita vai consertar anos de preguiça ou escovadas bem mais ou menos.

dia desses, fiquei imaginando como seria curioso se eu chegasse no dentista depois de comer com dentadas preguiçosas um croissant de chocolate, sem escovar os dentes depois. só para ver a merda que dava.

observações que podem fazer sentido ou não. 1




sempre que um taxista me pergunta se eu "tenho um caminho preferido", fico um pouco preocupado. não que todo taxista seja fêla da pulta. e também, o cara pode estar sendo simplesmente gentil. mas sei lá, a partir do momento em que le pergunta isso, e eu faço uma cara de "caráio, não tenho a menor idéia se existe um caminho melhor do que aquele que eu conheço." ou muitas vezes faço uma cara de "fodeu, ele sabe que eu estou perdido." acontece sempre. 99% das vezes. é aquele instante que dura seis milésimos de segundo em que, ao olhar para a minha cara pelo espelho retrovisor, o taxista fica sabendo que eu não sei picas sobre direção, estou quase perdido, e quase nas mãos dele. no rio de janeiro no brasil, se um fera perguntar isso para você na saída do aeroporto e você mostrar qualquer dúvida, fodeu. e como nasci lá, antes mesmo do fera fazer a pergunta, eu metralho nomes de ruas, avenidas, esquinas, sinais que podem estar quebrados, comento sobre uma obra que nunca foi terminada num bairro entre o aeroporto e o meu destino. e assim, ele olha pelo retrovisor como quem diz: "esse conhece!" e seguimos em frente. bom, como disse lá em cima, de maneira alguma acho todos os taxistas fêlas. muito pelo contrário, dependo dos caras para me locomover em milhares de ocasiões. e são provavelmente as melhores fontes de assunto do mundo. mas por algum motivo, sempre que surge a pergunta : "tem algum caminho preferido?" fico deitado com a cabeça para trás no banco, com o lábio inferior pressionando o superior, solto ar pelas narinas, levanto as sobrancelhas quase em câmera lenta-- e fico nas mãos do fera.