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meio dia e dezoito. meio dia e dezoito é o pior momento do dia. é quando a fome bate. bate com travas de alumínio nas canelas. meio dia e dezoito a barriga ronca. a mão esquerda treme. a direita vacila. a boca fica seca. a língua resvala nos dentes aflita. meio dia e dezoito é mortal. o sangue circula com dificuldade pelo organismo. é como se cada célula vermelha usasse uma bengala pra pular de artéria em artéria. o sangue gagueja. as costelas vibram. quando dá meio dia e dezoito a fome é tanta--que vale até comer o hífen de meio dia e dezoito. todos eles.
encontrei uma frumelo de framboesa perdida, no fundo da minha mochila.
criança que grita irrita. nada contra criança. só não gosto de crianças que gritam. mas a culpa não é das crianças que gritam. elas foram criadas acreditando que poderiam e deveriam gritar. em casa, no carro, no shopping e é claro--no restaurante. sei lá, aprenderam que é bonito gritar. pai fica bobo quando a criança grita. mãe então. domingo encontrei uma criança dessas no restaurante. ela estava sentada longe. mas parecia que estava na mesa ao lado. dois gritos foram bem marcantes. o primeiro--que impediu o garçom de escutar o meu pedido e o segundo--quando senti uma dor aguda lá dentro do ouvido. acho que estourei o tímpano direito. tenho quase certeza. até dei uma espiada para tentar identificar o moleque. só consegui ver os pais rindo. em câmera lenta. na maior felicidade. não estou também querendo generalizar. essas crianças tem uma idade certa para isso. criança que grita geralmente tem entre três e seis anos e meio de idade. também tenho certeza que quando tiver um moleque correndo em casa, também vou achar o grito dele espetacular. mas eu tenho uma sugestão. simples. mas que pode ajudar. acho que os restaurantes deveriam se adaptar. "boa noite! mesa para dois? fumante ou não-fumante? crianças que gritam ou crianças que não gritam?" tudo muito civilizado. sem dramas. sem grito.
- bolinho de bacalhau com mais bacalhau do que batata dentro.
- cerveja que não esquenta.
- café que não esfria.
- elevador com um dispositivo que evita a porta reabrir três vezes seguidas para acomodar que está chegando depois de você.
- aviões sem a cadeira do meio.
- vizinho sem cachorro.
- queijo prato que não fica suado fora da geladeira.
- cabelo de nariz que se desintegra automaticamente ao escapar pela narina.
- telefone celular que explode ao tocar durante um filme no cinema.
- assento ejetor do cinema para o fêla que falar mais que dezessete palavras durante um filme.
[som de telefone tocando.]
- alô?
- gravação: "tum...tum...tum...tum....tum...tum....essa é uma ligação a
cobrar...."
- [pensamento: "a essa hora? e ligando a cobrar?"] alô? quem é?
- aqui é o jorge...seu amigo de infância...lá de pirapora grande? lembra?
jorge...jorginho!?
- jorge?...jorge? sim...sim...me lembro sim...tudo bem jorge? quanto tempo! mas porque a ligação a cobrar?
- lembra daqueles dez reais que você ficou me devendo quando a gente era moleque?
- dez reais?
- é, aquele dia no barzinho lá perto da farmácia do zé?
- ahhhh, lembrei, lembrei....
- e, você lembra que eu disse que um dia eu ia cobrar?
- lembro, lembro.
- então quanto tempo você acha que a gente já tá falando no telefone? nessa ligação a cobrar?
- não sei, uns três minutos?
- tá, tá, espera mais uns dez segundos.
- dez segundos?
- isso... calma...
- mas que caráio é isso...
- pronto, dez reais...
- como assim?
- ué, a ligação não é a cobrar?
- fêla da puta. você vai me pagar.
- bom, quem acabou de fazer isso foi você. te disse que um dia eu ia cobrar. te disse.
enquanto assistia o debate dos candidatos a presidência, fiquei imaginando como seria interessante ter outros debates com pessoas que fazem parte do nosso dia a dia. mais especificamente, pensei como seria interessante um funcionário do mcdonald's frente a frente com um carinha do bob's. palco. luzes. mediador. público. regras pré-determinadas. um debate sério, um representante de cada uma das duas redes de fast-food para discutir idéias, qual sanduíche é melhor, quem tem o melhor milkshake, que sundae é mais gostoso e algumas outras dúvidas que assolam as praças de alimentação do país.
funcionário do mcdonald's: boa noite. caro sr. funcionário do bob's, o que você tem a dizer sobre o boato de que a receita do molho especial do big bob é uma cópia do big mac?
funcionário do bob's: isso é uma colocação inverídica. uma mentira deslavada. o molho do big bob é uma criação nossa, feita com 36 ingredientes.
mcdonald's: eu tenho em minhas mãos um guardanapo rabiscado de um ex-funcionário afirmando que o molho é idêntico.
bob's: é falso. faça o favor de mastigar um big bob e veja você mesmo o sabor delicioso do nosso molho especial.
mcdonald's: mais uma vez, o meu adversário não respondeu a minha pergunta. preferiu fazer propaganda desse sanduíche meia boca com o nome parecido com o nosso. mas tudo bem.... agora, você me diz... e aquela batata murcha que vocês chamam de batata frita... como é que vocês tem a coragem de chamar aquilo de batata-frita?
bob's: batata-murcha? então fale um pouco do milkshake de vocês? ou você vai ficar atacando ao invés de falar dos produtos que vocês vendem? você tem a coragem de chamar aquilo de milkshake? você por acaso sabia que o nosso milkshake de ovomaltine foi escolhido o melhor milkshake do brasil?
mcdonald's: melhor? na opinião da sua mãe?
bob's: respeito! res-pei-to! direito de resposta! eu quero o direito de resposta!
mediador: vamos consultar a produção e depois dos comerciais voltamos com o debate.
mcdonald's: comercial que nada! e as acusações de que vocês usam gordura trans para fritar aquilo que vocês chamam de comida!???
bob's: leviano! safado! gorda é a sua mulher!
panda é dos animais mais queridos de qualquer zoológico. não, é o mais querido. com aquele jeitão "caguei pra tu colega." andando em super slow motion e comendo lascas de bambu servido em bandeja de prata. panda acorda cercado de flashes. é flash pela manhã quando o zoológico abre. flashes a tarde, quando a molecada da escola visita e flashes a noite quando, os últimos ônibus disparam do estacionamento lotados de turistas com suas máquinas digitais com 2 gigas de memória e zoom super power. panda se fode bonito. nunca tem folga. é claro, que o bicho não faz picas, não trabalha. mas vive cercado, fotografado. e é por isso que panda tem aquelas olheiras. aqueles círculos pretos ao redor dos olhos. é, os círculos são olheiras. o fêla não consegue dormir direito. depois de passar o dia sendo metralhado pelo pipocar de flashes, o bicho tem insônia. os olhos não pregam. e, enquanto o leão, a girafa, o macaco e rinoceronte dormem, roncam e hibernam, o panda fica lá, girando. cafuzo, estafado mas sem conseguir parcos segundos de descanso. pois sabe que a qualquer momento, o sol vai nascer, a molecada vai entrar correndo pelos portões e é aí meu amigo, é aí que a porra do panda não pode dormir. se ele entrar numas de dormir, não ganha as lascas de bambu. durante o dia, o panda tem que trabalhar duro. dar cambalhotas em câmera lenta e bocejar fazendo um estilo "sou fodalhaço e posso cagar baldes para vocês." ele sabe que todo mundo espera isso dele. bom, mas voltando a insônia e as olheiras. é um ciclo vicioso: o panda não dorme, ganha olheiras, a molecada adora e tira fotos com flashes, o panda não dorme, ganha olheiras....
agulhas. finas. médias e longas, nunca pequenas. a primeira coisa que vem a cabeça quando se fala de acupuntura são elas, as agulhas. e o que é mais engraçado sobre a acupuntura é que quando você é moleque, uma das coisas que você mais se caga, são delas. sua mãe conversa, o médico conversa, seu pai segura sua mão, "é uma vacina de gripe, anestesia para fazer a obturação, vacina pra isso, vacina para aquilo, calma filhinho vai ser só uma picadinha, deixa que a mamãe assopra e fica tudo bem..." mas nada nunca ficava bem. criança fica muito cafuza com agulhas. bom, aí fast forward para os dias de hoje. a mesma criança que se borrava nas calças ao ver uma agulha, hoje paga uma senhora para cobrir seu corpo de agulhas. é, hoje em dia, a coisa mais comum é um marmanjo entrar num consultório de uma acupunturista, comprar um kit de agulhas e permitir, dar toda a liberdade para ela colocar as agulhas nos pontos x , y, z, w.... acabei de sair de lá. acho que foram quase vinte agulhas, talvez mais. e, para ser sincero, sem dramas. a acupunturista pergunta: "você já fez antes?" e eu, "bom, uma vez meu dentista perfurou a minha gengiva para aplicar a anestesia, no começo doeu, depois de alguns segundos, parou de doer naturalmente." mas não é a mesma coisa. e, enquanto você fica ali com agulhas mapeando partes do seu corpo, começa a pensar como você era chato pra cacete quando era moleque. e como, quando você era moleque, não imaginava que um dia estaria naquela situação. voluntariamente com uma agulha fixada no centro da cabeça e uma outra entre o dedo mindinho do pé e o dedo do lado que eu não sei o nome. agulhas, finas, médias e longas, nunca pequenas. a primeira coisa que vem a cabeça quando se fala de acupuntura são elas.
ontem fui ao cinema numa dessas sessões das nove quase dez que acabam onze quse meia-noite e você chega em casa meia-noite e meia quase uma hora. sabe? então, estava lá eu com a minha mulher sentado esperando o filme começar. desliga celular. desliga celular. apagam-se as luzes, propaganda, propaganda, trailler, trailler, começa o filme. bom, e é aí que entra o casal que falava no cinema do título desses texto. não entendo o que leva um casal até o cinema para conversar. sussurar frases pela metade, palavras soltas e observações desconexas. o que se passa na cabeça de um fêla da pulta para sair do trabalho depois de um dia agarrado ao teclado do computador e ir para o cinema para conversar? como é que esse fêla se mete num carro, procura vaga no estacionamento, paga quase quarenta mangos para ficar trocando idéia com a esposa? deve ser uma tara. tipo esses casais que curtem se pegar no estacionamento de shopping. casais que vão a loucura no sobe e desce do elevador. os casais que falam no cinema, devem ser aqueles que só conseguem conversar lá. como os casais que só sentem tesão no estacionamento do carrefour num domingo cheio. só pode ser. depois de alguns dias em casa sem trocar uma palavra, o marido olha para a mulher. a mulher, olha para o marido e os dois juntos, em silêncio é claro chegam a conclusão que chegou a hora de voltar para o cinema. colocar o papo em dia. e lá vão os dois. o marido pesca o jornal do chão, pesquisa o cinema mais próximo e dispara na direção da garagem. a mulher não vem muito atrás. bom, o fim da história você já sabe. o casal fêla da pulta senta atrás de mim. e conversa durante o filme. naquele tom de sussuro ensurdecedor. e você, ali, na frente, no escuro, na sala praticamente cheia, não sabe ao certo com quem gritar, cuspir. o casal que falava no cinema. sempre no filme que eu vou.
lista de casamento é engraçada. é prática. é prática e engraçada. lista de casamento por definição, é uma lista com tudo que o casal quer ganhar de presente. na lista, pelo menos em teoria, tem tudo que o casal ainda não tem em casa portanto precisa. mas o que eu acho cafuzo são os presentes clássicos que aparecem em todas as listas: rechaud, por exemplo. que caráio é um rechaud. bom, eu sei o que é um rechaud. eu não consigo imaginar uma pessoa usando o tal do rechaud em casa. pra quem não sabe o que é um rechaud, é aquele negócio que todo restaurante a quilo e com buffet tem, para manter a comida morna. aquele negócio de metal que parece uma bandeija com uma mini-vela ao centro.(ou pelo menos eu acho que e isso.) conjunto de fondue é outro negócio bem quisitinho. eu ganhei um de casamento, tentei usar uma vez. difícil pra cacete fazer a pourra do fondue. subiu um fumacê, a carne ficou melada de óleo e o fogo apagava a cada dois minutos. e não é culpa dos noivos. é matemática pura. quatrocentos convidados. trezentos e setenta e seis convidados. o número de pessoas convidadas ultrapassa todo e qualquer número de presentes "normais". depois do centésimo nono presente, lá pela oitava página da lista de casamento, aparece o rechaud, o conjunto de fondue. ou seja, para dar conta dessa galera toda, torna-se necessário presentes como rechaud. dia desses fui comprar presentes para dois casamentos. a muié da loja veio com a lista na minha direção. eu olhei pra ela e comentei: "qualquer coisa útil que o casal vai usar no dia a dia, menos a porra do rechaud, não fódi." e ela, bem, ela olhou para mim e disse: "veja bem, o casal pode sempre trocar por um conjunto lindo de pratos."
- pegar chuva durante três minutos sem guarda-chuva ou pegar um trânsito no conforto do seu carro por meia hora.
- sentar na cadeira do meio de um avião lotado de uma viagem de 8 horas ou sentar na primeira fila do cinema no canto esquerdo atrás de uma pilastra de um filme de 3 horas tipo titanic.
- interfone oito da manhã de domingo para avisar que a veja chegou ou telefonema de uma empresa de cartão de crédito numa quinta feira a noite durante o jantar.
- dor de dente ou bolada na saca durante uma pelada de futebol
- mancha de caneta bic no bolso da camisa durante uma reunião ou mancha de molho de tomate na calça durante um jantar romântico.
- ganhar o equivalente do seu salário em big macs ou em fatias de pizza marguerita.
- esquecer de colocar o desodorante antes de uma entrevista ou esquecer de colocar as lentes de contato antes de pegar a estrada.
- pagar 15 reais no valet parking ou andar meia hora até um beco escuro meia noite e tal atrás do seu carro.
- aprender a falar russo fluente ou apenas 20 frases bem melosas e sacanas em francês.
- perder a carteira ou se perder a caminho do rio de janeiro numa saída sinistra da linha vermelha.
- pisar em chiclete derretido pelo sol ou em cocô de cachorro congelado pelo frio.
- o que dá mais bosta: chegar em casa 8 da noite com marca de batom na camisa ou cinco e meia da manhã sem marca nenhuma com bafo de cana.
- ver a angelina jolie nua por uma meia hora ou poder tocar nela nua por 20 segundos.
não entendo terno. o conjunto completo. o sapato caramelo, o cinto que combina, a gravata que enforca, a calça com pregas e o paletó que derrete. terno não faz muito sentido, principalmente num país em que a temperatura no inverno bate nos 34º. tente lembrar a última vez que você colocou um terno. o sofrimento. aquela sensação de estar dentro de um microondas ambulante sem o barulhinho da ventoinha do microondas. acho que os testes vocacionais de hoje em dia deveriam ter duas opções: "no futuro, você se enxerga derretendo dentro de um terno?" ou " no futuro, você não se enxerga derretendo dentro de um terno?" a partir daí tudo ficaria mais fácil. uma caráiada de profissões já seriam eliminadas com uma só canetada. o mais foda do terno é que ele vem com uma gravata de brinde. e a gravata por definição é algo que você deve apertar ao redor do seu pescoço. um nó grande, que aperta e afrouxa de acordo com a sua respiração. as vezes pego o elevador com algum vizinho de terno e fico com dó. ao ver aquela aglomeração de bolinhas de suor se formando na testa dele, me simpatizo. dou bom dia, levanto um sorriso daqueles de canto de boca e balanço a cabeça como quem diz: "segura aí campeão, tudo vai dar certo!" agora, fico imaginando a vida de um sujeito que precisa do terno todos os dias e não tem um carro dotado de ar-condicionado. a vida ganha um sentindo completamente novo. ou perde todo o sentido. dia desses fui a um casamento. de terno é claro. acho que seria difícil convencer a minha mulher que eu iria de calça de moletom e tênis adidas. para ser sincero eu sequer coloquei esse assunto na mesa. coloquei o terno e fui em frente. pensando nisso, acho que é por isso que casamento tem fartura de bebida. pro-secco, whisky 12 anos, champanhe. por causa do terno. para você ficar doidjo. para você esquecer o terno. a gravata, o cinto e os sapatos. nessa ordem. não entendo terno.
bem- casado é gostoso, isso é um fato. não tem muito como discutir isso. duas faces de massa levemente açucaradas com uma camada de doce de leite ao centro. nem muito, nem pouco, doce de leite é, como diz o nome, doce. bem-casado tem a quantidade ideal. bem-casado é gostoso. eu acho, só acho que todo e qualquer casamento só existe por causa do bem casado. e não o contrário. convidados entram pelas portas de qualquer festa com um olho nos noivos e outro na mesa do bem-casado. embrulhado naquele papel delicado com uma fitinha de seda dourada. o bem-casado fica empilhado, contado, bem guardado por moças contratadas para ter certeza que não faltarão bem-casados. que eles não serão degustados antes da hora e que principalmente, convidados não vâo levar mais de 16 para casa. pode notar, na hierarquia dos doces não tem doce mais fucking fuckers que ele. ele é o único que vem embrulhado para presente. um presente de você para suas papilas gustativas. depois das três e tal, quando a fome chega, convidados correm sedentos na direção do bem-casado. mulheres beliscam os homens, para que estes pegarem o maior número possível de bem-casados. homens, embrigados, rasgam o embrulho no local e engolem o bem-casado sem sequer mastigar. já testetmunhei casais brigando no momento de pegar o bem-casado. na frente daquela mesa imponente coberta de bem-casados, todos os convidados entram num acordo. todos os convidados concordam que ninguém vai dedurar ninguém. que nehuma das pessoas alí presente vai ligar se alguém resolver socar 36 bem-casados na bolsa. que os bons modos são suspensos temporariamente. faz parte do casamento. todos sabem disso. é uma lei silenciosa. que todos sabem e respeitam a cada fim de casamento. o assalto da mesa dos bem-casados. a primeira coisa que a noiva pergunta no dia seguinte do próprio casamento é: "sobrou algum bem-casado?" e o noivo, ainda grogue, ao lado dela: "sobraram dois?" dois pãezinhos, circulares, levemente açucarados, com a quantidade certa de doce de leite. bem casado é gostoso.
- dia desses pedi para entregarem uma comida lá em casa. a comida chegou errada. era melhor do que a que eu tinha pedido.
- hoje pela manhã, esbarrei com a vizinha nova. ela ficou olhando para dentro do meu apartamento. fuçando-- acho que queria saber se o vizinho era algum louco desses que guarda lixo na sala ou vara as noites planejando ataques. a primeira oportunidade que eu tiver, a noite, vou colocar bem alto-- aquele canal árabe de notícias - al jazeera. aquele em que os terroristas sempre dão um alô. só pra cafuzar a cabecinha dela.
- roubaram o rádio do meu carro. mas só a parte da frente. é como se o fêla da pulta tivesse roubado só o pé esquerdo do meu tênis que eu deixei na areia-- quando fui dar um mergulho na praia. entrei num loja de som e perguntei: "vocês vendem só a frente do rádio? um rádio pela metade." ela não respondeu.
- quando eu era pequeno, não sabia que existiam contas para pagar. confesso que quando minha mãe gritava de longe para eu apagar a luz do quarto, eu ignorava. não tinha idéia como eu tava fodeindo a conta de luz dos coroa.
- um toddynho nunca é suficiente. já dois toddynhos é muito. deveriam lançar a embalagem de um e meio toddynho.
- entregador de pizza nunca pede pizza em casa-- para não levar trabalho pra casa.
- eu tenho uma camisa amarelo água que não combina com nada.
- é mais difícil cancelar uma mensalidade de academia de ginástica do que fazer mil embaixadinhas com uma bolinha de tênis.
- está rolando um apartheid na minha cabeça. na frente, do lado direito, está ficando grisalho, predominantemente branco. mas ao redor, todos os cabelos são pretos. por algum motivo, eles não se misturam. ou eles se entendem, e param com essa putaria ou eu pinto tudo de uma cor só. grecin 2000 nele.
d
ia desses resolvi me inscrever numa academia. aqui do lado do trabalho. o acesso era fácil, o elevador vizinho da garagem, o pessoal simpático. só tinha um problema. a caráia da esteira tem um limite de tempo, 20 minutos. cada pessoa só tem o direito de ficar 20 minutos na esteira. mais uma vez, 20 minutos. se você ultrapassa esse tempo, a máquina pára, e alguém, que já está aquecendo atrás de você, limpa a garganta como quem diz "não fódi, pula logo desta bosta que é a minha vez." bom, na primeira vez eu achei que talvez no dia seguinte estaria mais tranquilo. que a esteira seria uma pouco mais flexível. que eu poderia pelo menos suar um tantinho. estava completamente enganado. mas tão errado que no dia seguinte era eu que estava ali, atrás de um tiozinho tossindo para ele ceder o lugar na esteira. no terceiro dia, ciente que ia ficar na fila, pelo menos 20 minutos, procurei aparelhos alternativos, fiz remo, transport e bebi água no bebedouro, quatro vezes, para matar o tempo. no quarto dia eu não fui. no quinto, também não. fui no sexto, mas só sobrou uma bicicleta. na semana seguinte eu acordei seis e tal da manhã, cheio de sono. muito sono. com uma certa raiva de uma academia que cobra uma fortuna por 20 minutos de esteira.acordei com os óio sangrando, joguei meio litro d'água gelada no rosto para acordar, coloquei o short adidas surrado, aquele new balance mofado do fundo do armário, respirei fundo e abri a porta de casa. fechei. sentei na cozinha, olhei pela janela, o dia ainda estava escuro. o sol ainda não tinha apertado o "soneca" do seu alarme nenhuma vez. e, ali, entre goles de café forte, fiquei namorando o relógio da parede da cozinha. depois de 20 minutos eu desisti.
- cada grau a menos de temperatura, mais 30 minutos na cama. exemplo: hoje tava uns 10 graus. ontem uns 12. ou seja, hoje demorei mais uma hora para sair da cama.
- o roger federer quando joga tênis parece que está jogando xadrez.
- uma tiazinha no supermercado comprou um pacote de salsichas e um pacote de pão de forma. um negócio estranho. afinal, ou ela comprava pão de cachorro quente e salsicha ou pão de forma e requeijão. queria perguntar, mas não tinha intimidade.
feriado numa quinta feira é traiçoeiro. encurta a semana quase pela metade.você fica mal acostumado. acorda tarde na quinta, acorda mais tarde na sexta. ainda mais tarde no sábado, e quando você menos espera, lá está você acordando domingo quase quatro da tarde. aí vem a segunda. a nova semana. e a nova semana está cagando baldes que você acordou tarde no domingo. que você não trabalha desde quarta. a nova semana é impiedosa. começando com a segunda, quando você ainda estiver bocejando em seqüência, ela vai te apresentar algum problema. ou alguma ligação, daquelas longas. não me entenda errado o feriado numa quinta feira é muito bem vindo. muito querido. desconheço que não gosta. mas ele te fode. deixa você despreparado fisicamente para a próxima semana. o feriado de quinta faz com que você só se recupere lá pela quarta feira da próxima semana. segunda feira você fica cambaleando de sono. na terça um pouquinho menos. aí, na quarta, na quarta você acorda. e é nesse dia, que você fica pensando como é bom não ter que trabalhar numa quinta feira. como é bom um feriado numa quinta feira. como o de hoje, por exemplo. traiçoeiro, mas que de vez em quando, faz muita falta.
algumas pessoas preferem o calor. eu prefiro o frio. calor derrete. frio congela. no calor você depende exclusivamente do ar condicionado para sobreviver. no frio, um casaco pesado segura a onda. no calor, você sua bicas. no frio, bem no frio você não sua, fica imóvel, quase parado. o frio permite extravagâncias como fondue, vinhos e pratos fartos. no calor, é cerveja, saladas e frutas. é claro que tem limite para o frio. frio assim, como está na cidade de são paulo também é uma bosta. até porque, o inverno foi quente pra cacete. muito quente. lojas dando casacos como troco. liquidações de 90% em alguns lugares. aquela sensação estranha de que meio mundo está te sacaneando, que não é inverno porra nenhuma, que já era verão e todos faziam parte da maior pegadinha da história da humanidade. bom, eu tenho uma outra teoria. é, acho que num belo dia, depois de várias cervejas, são pedro, acidentalmente esbarrou na manivela que troca as estações. sem querer, mudou a alavanca de inverno para verão escaldante. e, bebâdo, não poderia assumir o erro, ficou alguns dias, algumas semanas disfarçando a cagada lá em cima, enquanto meio mundo, nós do hemisfério sul, derretíamos aqui na terra. mas a situação ficou crítica quando são pedro notou que com a proximidade do verão, ele teria que mudar novamente a estação, e aí sim sua cagada, aquele fatídico dia em que ele tomou algumas cervejas a mais seria descoberto. bom, sentado nas nuvens, observando nós terráqueos, são pedro, resolveu se abrir com um anjo que passava. contou a história toda. as cervejas. o dia em que ele esbarrou na manivela e pulou, sem querer, o inverno. e de como o verão estava chegando e ele ficaria sem saber como mudar de estação já que o mundo já estava derretendo com o calor da cagada dele. bom, o anjo pensou, mas pensou pouco, porque o conselho que ele deu foi bem mais ou menos. o anjo sugeriu que são pedro pegasse todo o frio que nós deixamos de sentir com a falta de frio no inverno e colocasse tudo de uma só vez num espaço de uns cinco dias. assim, pensava o anjo, ninguém jamais iria esquecer o frio que passou no ano de 2006. noites de 6 graus. dias com 8. ventos cortantes. e o anjo estava certo, fêla da pulta. está fazendo tanto frio na cidade que todos se lembrarão do inverno de 2006. o inverno de cinco dias. os cinco dias que valeram por dois meses. são pedro agradeceu o conselho e em troca convidou o anjo para tomar um chopp. "vou tomar um só, prometo, pra não fazer cagada de novo. talvez dois." e lá foram eles, rindo, alegres, afinal o inverno finalmente chegou. as pessoas tiraram seus casacos do armário e as receitas de fondue das gavetas.