quarta-feira, junho 01, 2005

o oficinês.

oficina de carro é um lugar curioso. eu por exemplo não entendo picas sobre carro. sei como ligar, dirijo mais ou menos, e sei também como destravar a tampinha da gasolina. e só. é por isso que sempre que eu vou a uma oficina-- sinto como se estivesse em outro país. não-- em outra galáxia. não entendo uma caralha que os caras falam. é como se existisse uma língua oficial das oficinas: o oficinês. dia desses o farol direito do meu carro faleceu. apagou. então lá fui eu até a oficina numa bela manhã de sábado. o sujeito olhou meu carro, abriu o capô. fechou o capô. abriu o capô e fechou. ligou o carro e desligou. diagnóstico: "regulador de voltagem moderada da rotatória do motor de partida". caráio. se ele falasse a mesma coisa de trás para
frente faria o mesmo sentido. é por isso que eu me cago de ir em oficina. o fila da puta pode falar qualquer coisa. qualquer. "hmmmm...teremos que trocar o carro inteiro por um novo. vamos manter somente o banco do carona e o retrovisor." o que é que eu vou falar? vou argumentar que o cabo da embreagem na verdade está em ótimas condições? não dá. oficina é foda. as vezes tenho vontade de passar uma mão de graxa na cara--e dois dedos de óleo 4 tempos no cabelo antes de ir. sei lá. só pra chegar lá com uma cara de que entende. com uma cara de quem vive fuçando o motor. ou melhor. tenho vontade de responder na mesma língua que os caras. no oficinês. ex.: o mecânico me diz o problema do carro: "bem, o problema do seu carro está no capacitador de frenagem da 3º marcha! 793 reais mais a mão de obra!" aí eu responderia no meu oficinês improvisado:: "tudo bem então! eu vou efetuar esse pagamento
com base na aceleração do regulador de injeção financeira que regula a minha
conta bancária. belê?"

domingo, maio 29, 2005

pessoas que você conhece mas nao conhece assim tao bem pra perguntar como é que estao as coisas.

umas duas, três vezes por mês isso acontece comigo. eu encontro uma pessoa e não sei como falar. nada contra a pessoa. é que eu não sei se conheço assim tão bem essa pessoa para parar ela, apertar a mão e perguntar como é que estão as coisas. deixa eu tentar me explicar melhor. existem três tipos de conhecidos. os deconhecidos, que obviamente são aqueles que você não conhece. os conhecidos, aqueles que você sabe o nome, talvez o sobrenome. e tem aquele pessoal que fica entre o grupo dos desconhecidos e dos conhecidos. não vamos confundir conhecidos com amigos. são coisas completamente diferentes. conhecidos são quase amigos. mas vamos voltar ao grupo de pessoas que fica entre os desconhecidos e os conhecidos. vamos chamar esse grupo de acho-que-eu-te-conheço-de-algum-lugar-mas-não-tenho-assim-tanta-certeza. bem, você entendeu. os acho-que-eu-te-conheço são difíceis de se lidar. primeiro porque você não tem assim tanta certeza se conhece mesmo tal pessoa. segundo, porque essa pessoa que você não tem assim tanta certeza se sabe o nome, deve estar pensando a mesma coisa que você quando te vê. e finalmente, se você resolve parar pra falar com essa pessoa que você não tem certeza se já foi apresentado e errar o nome, pode ser chato. para os dois. não existe nada pior do que aquele silêncio de vinte e sete segundos entre duas pessoas que não se conhecem, mas acham que podem se conhecer de algum lugar. isso acontece muito em casamentos. ou melhor, acontece sempre em casamentos. acontece em shoppings, em fila de aeroportos. acontece em restaurantes com mesas coladas e bares também. você não sabe se levantar a sobrancelha é suficiente pra dar o alô. se acenar de longe funciona. ou se você arrisca perguntar como é que estão as coisas. por isso mesmo vou dividir com você um técnica que eu desenvolvi com o tempo. se você também já passou por essa situação, aqui vai a minha técnica. primeiro, levante as duas sobrancelhas ao mesmo tempo quase em câmera lenta. em seguida, faça uma pequena contração dos lábios e, quase que simultaneamente, estenda uma das mãos. não acene, caralho. é um erro de iniciantes. vai te custar uns cinco minutos tentando puxar papo com um quase estranho, de pé, entre duas mesas de bar. acenar é para amigos. estenda a mão e recue rapidamente colocando ela no bolso. geralmente funciona.

quarta-feira, maio 25, 2005

a consulta

- doutor?
- o que foi?
- pode falar...é sério?
- hmmm...não sei ainda ao certo...tenho que fazer alguns testes para
confirmar o resultado.
- que tipo de testes...
- repita comigo, 33.
- trinta e três!
- agora diga 16.
- dezesseis!
- de novo.
- dezesseis.
- 43.
- quarenta e três.
- 13.
- treze.
- 53.
- cinquenta e três.
- 3.
- três.
- puta que pariu! que merda. é muito azar para uma pessoa só.
- mas como assim, azar? o que é que eu tenho doutor?
- você não tem porra nenhuma...eu é que não acertei a mega-sena.

27 anos de casamento.

[quinta-feira. 21:00. pratos empilhados na pia.
três dedos de coca light morna no copo.]

ele: futebol!
ela: novela!
ele: futebol!
ela: novela!
ele: fu-te-bol!
ela: tá bem. futebol!
[silêncio]
ele: novela!

a maravilhosa loja do tempo.

imagina uma loja que vende tempo. é, tempo. você pode comprar caixas com horas, minutos ou segundos. milésimos de segundo vc encontra na boca do caixa em pacotinhos pequenos. você pode comprar tempo redondo: três horas, meia hora. pode comprar também tempo quebrado: vinte e seis minutos, sete segundos e alguns décimos. não importa. perdeu meia hora no trânsito? visite a loja no almoço e compre tempo. quer jogar a pelada da firma e jantar fora com a sua mulher no mesmo dia? sem dramas? sem crises? compre tempo. uma hora e meia. tempo suficiente pra dar uns carrinhos e umas beijocas. a maravilhosa loja do tempo funcionaria como uma broker de tempo. você tem tempo sobrando? a loja do tempo compra e revende para quem tá sem tempo. simples assim. todo mundo ganha. o rubinho compraria alguns centésimos nos domingos. eu venderia alguns minutos das tardes de sábado. a maravilhosa loja do tempo ficaria aberta vinte e quatro horas e teria centenas de filiais. não faria sentido vc perder tempo dirigindo até a loja do tempo. nos fins de semana quando todo mundo tem tempo pra tudo, a loja teria promoções tipo: compre duas horas, leve três. sei lá. imagine. se você acha que perdeu tempo lendo esse parágrafo poderia comprar tempo a caminho de casa. o mesmo tempo que eu tinha sobrando quando cheguei mais cedo do almoço.

sexta-feira, maio 20, 2005

os motoristas jedi dos ônibus do rio.

ônibus tem em qualquer lugar do mundo. mas, motoristas de ônibus como os que existem no rio de janeiro, não. meu amigo. os motoristas de ônibus daqui são motoristas de elite. são parte de um seleto grupo. basta atravessar as avenidas ataulfo de paiva e a visconde de pirajá (que cortam o leblon e ipanema) para sentir o drama. eles costuram aqueles ônibus lotados de passageiros como se fosse uma bicicleta. os motoristas de ônibus do rio de janeiro são como os cavaleiros jedi do guerra nas estrelas. os fêla da puta tem super poderes. eles fazem curvas sem olhar pelo retrovisor. freiam sem saber se você está atrás deles e aceleram quando o sinal está vermelho. fico imaginando se existe um centro de treinamento pra esses caras. como no guerra nas estrelas. será que existe treinamentos de corrida de ônibus com 40 passageiros sentados e mais 30 em pé? será que nesse centro eles ziguezagueam cones? dão cavalinho de pau? e, no final do treinamento, um mestre jedi, como o obi wan kenobi, é eleito o fucking fuckers motoristas de ônibus? só pode ser. porque não é possível que um sujeito comum aprenda a pilotar desta maneira na rua. é instinto e muito treinamento. mas, principalemnte instinto. um instinto selvagem que não existe em nenhum outro lugar do mundo. como os cavaleiros jedi. é difícil explicar o poder dos caras assim. você tem que ver. ou melhor, você tem que sentir na pele. tem que pegar o seu carrinho querido, e enfrentar o trânsito do rio. de preferência num dia de sol escaldante e com trânsito caótico. tipo 3 da tarde entre copacabana e ipanema. cercado de prédios colados um no outro e com caminhões com o pisca alerta entregando coco nos bares e senhoras atravessando a rua. é impressionante. você vai ter a impressão que vai bater o seu carro contra um ônibus umas vinte vezes por dia. é só impressão. os motoristas jedi são craques nisso. você vai achar que o motorista jedi está tentado jogar você pra fora da pista. respire fundo. é emocionante. os motoristas jedi do rio são inesquecíveis. e, uma sugestão. se você quiser despertar o lado negro da força, quando um motorista jedi fechar o seu carro, mande ele tomar no cú e/ou levante o dedo médio. o cara vira o darth vader, acelera, joga farol alto e cola na traseira do seu carro. você vai jurar que foi a tarde mais emocionante da sua vida. meu amigo, fique tranquilo. amanhã, tem mais.

quarta-feira, maio 18, 2005

derreti.

morei no rio durante dezenove anos da minha vida. nasci aqui. saí quando tinha dezenove. e lá se vão 11 anos. é claro que sempre que tinha férias, dava meus pulos por aqui. beijo na mãe. beijo no pai. beijo na irmã. e voltava. e não sei se eu sou meio ruim de memória. mas não me lembrava do rio de janeiro tão quente assim. caráio. a gente tá no meio de maio e os termômetros ainda marcam perto de quarenta. porra. porque o sol não vai dar meia hora de bunda. tô falando sério. será que alguém lá em cima esqueceu de desligar a porra do microondas? caceta. tava andando hoje em ipanema e uma tiazinha me avisou que minha canela estava derretendo. corri para casa. para o ar-condicionado. não sei se era alucinação. mas cheguei aqui jurando que tinha testemunhado carros pegando fogo no calçadão. e seus respectivos donos correndo para a praia. não sei. tô torcendo para acordar amanhã e o sol ter aliviado a parada. uns três graus. quatro, quem sabe. de tempos pra cá, sempre que lia no jornal que o aquecimento global estava fudendo com o mundo-- ignorava. não conseguia entender toda aquela gritaria. greenpeace. líderes mundiais. todos querendo dar um jeito no aquecimento global. porra, acabei de entrar nessa onda. "abaixo ao aquecimento global!!!!" amahão vou me filiar ao greenpeace. ao wildlife zambers. a sos mata atlântica. meu amigo, vou dedicar minha vida a acabar com o tal aquecimento. ou faço isso, ou nunca mais venho para o rio.

quinta-feira, maio 12, 2005

o meteoro e o irmao maior do quarteirao com queijo.

vi um outdoor aqui nos estados unidos que me deixou cafuzo. hamburguer de 1/2 libra e hamburguer de 2/3 de libra por apenas um dolar e noventa e nove centavos. nao, nao fiquei impressionado com o o preco nao. fiquei cafuzo foi com o tamanho do hamburguer. so para voce entender melhor, o quarteirao com queijo tem 1/4 de libra e tem la suas quinhentas e tal calorias. o outdoor era de uma rede de fast food chamada hardees. entra no site dos caras, voce vair o tamanho do bicho (www.hardees.com). e assustador. e maior do que a sua cabeca. perguntei para a minha cunhada que me disse que essa lanchonete e famosa por fazer sanduiches maiores que seu estomago. que faz o maior sucesso com a molecada que ainda nao aprendeu a contar calorias. eu cheguei a pensar em visitar um hardees. mas fiquei com medo. fiquei com medinho sim. cheguei a colocar uma calca de moletom, uma camisa xl e me despedi de todos em casa. mas recuei. nao tive coragem. acho que seu comesse um negocio desses, teria que hibernar uns seis meses para digerir. e foi, pensando no hardees e observando as pessoas nas ruas que eu cheguei a uma conclusao: as pessoas aqui, ou pelo menos as que frequentam o hardees, sabem que um meteoro vai atingir a terra. so pode ser isso. eles tem informacoes precisas que no dia tal e tal, um meteoro vindo de urano vai colidir com a terra. sabendo disso, eles ligaram o foda-se. mas ligaram no maximo. resolveram nao ligar para o bom senso. colesterol? foda-se o colesterol. obesidade? foda-se a obesidade. e por ai vai. porque, numa boa, nao faz sentido comer um hamburguer do tamanho de um fusca como se fosse a coisa mais natural do mundo. esse hamburguer e prova concreta e definitiva de que um meteoro esta fazendo a curva em marte na direcao da terra. e so as pessoas que fazem fila no hardees sabem disso. e e claro, voce, que acabou de ler isso aqui agora. boa sorte.

a invasao dos homenzinhos de soja

sempre escutei falar sobre carne de soja. queijo de soja. tudo de soja. sempre escutei falar que ja existia imitacoes de produtos feitos de soja com o sabor identico aos originais. nunca tinha provado. nada contra. mas, sei la, enquanto podia comer os produtos de verdade, evitava os de soja. ate que cheguei do teatro ontem depois de meia noite com fome. muita fome. com meu umbigo batendo na coluna cervical. ta bem, exagerei, mas voce entendeu. estava com fome. e, depois de investigar a geladeira e o freezer, cheguei a conclusao que o unico alimento que poderia de alguma forma saciar a minha fome, era uma mega carne de hamburguer que eu encontrei se escondendo atras de duas travessas de gelo. pesquei a carne do freezer como a mesma delicadeza que um urso trataria um pote de mel. olhei para ela com os olhos arregalados enquanto os cantos da boca espumavam saliva. e foi ai, que eu vi. e foi ai que pude ler o que era aquele hamburguer. se tratava de um hamburguer de soja. a soja que eu evitei durante tanto tempo. hamburguer de soja. mas como voce ja sabe, eu estava com fome e o hamburguer era grande. frigideira, manteiga, hamburguer no fogo. tres minutos, prato, garfo, faca, mostarda e catchup. resultado: o negocio e identico ao original. se a minha vida dependesse de adivinhar se era de soja ou de verdade, provavelmente nao estaria aqui escrevendo agora. matei o bicho com quatro generosas garfadas. impressionante como os caras conseguiram replicar um hamburguer de verdade com uma semente de soja. e dificil compreender. o que nos leva a conclusao deste textinho. se os caras conseguem fazer um hamburguer suculento com sementes de soja, eles conseguem fazer tudo. tudo. sem sacanagem. nao sei que caraio de tecnica eles usam. se envolve a mais alta tecnologia ja inventada. se e feito em laboratorio. pela nasa. ou pelos marcianos. meu amigo, esse hamburguer de soja pode ser muito mais do que somente um hamburguer de soja. esse hamburguer pode muito bem ser parte de um plano maior. pode ser alguem, uma mente diabolica que esta substituindo as coisas originais, por replicas de soja. e serio, nao ri nao. fique esperto. chegando em casa, de uma dentada na sua namorada ou esposa. ela pode ser de soja.

sexta-feira, maio 06, 2005

a maquina que cospe jornal.

(mais um textinho sem acentos-- ainda nao descobri como funciona o tal teclado)
sempre que eu viajo, seja para o rio ou para shanghai, eu tento comprar todos os dias pela manha o jornal local. e uma maneira que eu encontrei de tentar entender o que se passa pela cabeca das pessoas da cidade. leio as cartas dos leitores, os esportes (badmington, baseball, o classico entre o volta redonda e o bangu), os quadrinhos, as noticias locais e ate o caderno de economia. pra ser sincero, muitas vezes nao entendo picas do que esta acontecendo. tipico caso do cara que tenta entrar numa conversa uns bons 15 minutos depois que ela comecou. mas eu tento. e diferente sair pela cidade que voce nao mora e esta so visitando, sabendo que a populacao esta ansiosa com o desfecho do campeonato de cricket. que os professores estao seriamente pensando entrar em greve. hoje, por exemplo, estou em st. louis, de ferias. aqui, bem no meio dos estados unidos. e, aqui na esquina, tem uma caixinha daquelas que cospe jornal quando voce coloca 50 centavos de dolar. comprei todos os dias. resumo das noticias: aqui, so se fala nos corte que o governo local fez no seguro de saude dos pobres. fala-se muito tambem de uma nova lei em que todo cidadao tem o direito de carregar uma arma de fogo. o cardinals, time de baseball local esta em primeiro lugar. e o wall mart esta estudando alguns terrenos perto de st. louis para instalar uma de suas super-mega-hiper-jumbo store. as pequenas lojas de bairro sao contra. as pessoas que querem economizar sao a favor. pronto. esse e o resumo do que esta acontecendo por aqui. pra que saber isso tudo? bom, fica mais facil, ou ate mesmo interessante entender as coisas. exemplo: hoje, mais tarde, se eu entrar num restaurante pra almocar e a garconete estiver cheia de olheiras e cansada, das duas uma: ou ela passou a noite preocupada com o seu seguro de saude que o governo eliminou-- ou, ela ficou ate tarde torcendo para os cardinals (o time de baseball local, lembra?).

o pao de queijo sem til que esta conquistando o mundo.

e complicado escrever sem acento. sem cedilha. e sem til. isso e o que acontece quando voce se depara com um teclado em que voce nao tem a menor idea como colocar acento. teclado de pc e meio complicado. requer pratica. o que, voce pode ver, eu nao tenho. mas tudo bem. vamos em frente. ja tentei apertar a tecla do "control" mais a letra "n" pra ver se arrancava um til, tentei tambem a tecla do "shift" mais a letra "e", tentei control e shift juntos-- e nada. a ideia no comeco era escrever um texto bem longo de como o pao de queijo iria conquistar o mundo. de como bastava tirar uma bandeja quentinha do forno para ter as pessoas se curvando aos seus pes. mas, assim que eu comecei a escrever. assim que eu escrevi a primeira palavra do titulo, pao-- vi que nao ia dar certo. afinal escrever um puta texto longo sobre pao de queijo sem nenhum acento ia complicar depois para ler. como deve estar sendo dificil ler agora. entao, um texto que comecou como uma tentativa de teorizar sobre o poder do pao de queijo no mundo, acabou virando um texto sobre acentos, tils e cedilhas que apesar nao estarem presentes, fizeram bastante falta. a teoria do pao de queijo fica para uma proxima vez.

quarta-feira, abril 27, 2005

bigode e colete de lã com a gola em "v".

duas coisas que deveriam ser proibidas. nessa ordem: primeiro o bigode, depois o colete de lã com gola em "v". bigode é esquisito. não tenho amigos que usam bigodes. bigode é anti higiênico. bigode é a extensão do cabelo do nariz. bigode mergulha no café. mergulha no refrigerante. e dependendo do tamanho da garfada, bigode também mergulha na gema do ovo. sempre desconfiei de pessoas que usam bigodes. bigode pra mim é disfarce em filme de espião. é caricatura de ditador alemão. taí outro ponto: ditadores usaram e usam bigode. bigode é apelido de ponta esquerda . bigode entra na boca. pronto. bigode deveria ser proibido. agora tem uma outra coisa que também deveria ser abolida: o colete de lã com a gola em "v". agora, com o inverno chegando é o que eu mais vejo nas ruas. não entendo picas de moda. muito menos o que combina ou não. mas colete de lã com gola em "v" é foda. me cago de ganhar um de presente. graças a deus morei grande parte da minha vida no rio. e no rio não se dá roupa de lã de presente. até dá. mas só se você quiser sacanear alguém. pode-se argumentar que o colete de lã com a gola em "v" não pinica. foda-se. prefiro ficar com o pescoço em chamas. é isso. na minha sincera opinião, se você quiser sacanear alguém, de verdade. das duas uma: ou você comenta com um "amigo" que ele ficaria bem de bigode, ou você dá um colete de lã com a gola em "v" de presente.

14 coisas que você deveria fazer.

1) ligar para sua mãe e depois para o seu pai. nessa ordem. conta como um item, uma coisa. são duas pessoas--mas são seus pais.
2) comprar uma calça jeans. um número maior que o seu. confortável. nem clara. nem escura. e só vale usar ela com tênis. nunca sapato.
3) comer uma torta de chocolate quente com duas bolas de sorvete. uma bola derrete rápido. e é covardia colocar uma só bola contra a torta.
4) sair de casa sem se programar. decidir o que vai fazer no carro. ou na calçada. mas esperar oito minutos para se decidir. quanto já estiver longe de casa.
5) escolher para assistir um filme. e na hora--assistir o da sala ao lado. se este já tiver começado. assistir o outro que está na sala ao lado desse. e assim por diante. até você conseguir ver um filme diferente do que está acostumado.
6) comer cachorro-quente de barraquinha. com todos os molhos. todos os ingredientes. com batata palha por cima. e depois comer com colherzinha de plástico todo recheio que acumulou no plástico do pão.
7) ler o jornal de sábado numa padaria que você nunca foi na sua vida. mas tem que ir andando. não vale padaria que você tem que ir de carro.
8) mijar de porta aberta.
9) sortear uma camisa/camiseta de costas para o armário. se der a sua favorita--legal. mas se der uma que você não quer usar de jeito nenhum--doe pra alguém.
10) comprar um gibi do cascão. ou do chico bento. funciona como botox. remove umas rugas da sua cara.
11) bocejar sem colocar a mão na frente.
12) não ligar o computador.
13) mandar algum barbeiro no trânsito para puta que pariu. mas com o carro ligado—é mais seguro. pense nisso como uma boa ação. o cara vai caprichar mais no volante.
14) tirar o relógio do pulso. pode ser no sábado. pode ser no domingo. tanto faz. e só vale perguntar a hora para uma única pessoa. o porteiro. na hora que vc sair e na hora que você chegar.

domingo, abril 24, 2005

quatro.

a mesa de bar. mesa de bar não pode ter mais do que quatro pessoas. não é uma lei. apenas uma sugestão. mesa de bar é quadrada. quatro lados. quatro pessoas. mais do que isso não funciona. se chega mais gente, a mesa cresce para os lados. encaixa cadeira aqui. encaixa cadeira alí. "essa aqui tá ocupada?" conversas paralelas surgem. e você volta pra casa sem saber ao certo quem estava por lá. (pior ainda: o quê, e com quem falou.) mesa grande tem outro problema. a conta. conta de mesa grande é sempre um problema. é uma merda. conta de mesa grande é alta. cara. e todo mundo acaba enrabado na hora de dividir. sempre que eu caio por acidente numa mesa grande eu peço um prato. peço sobremesa. ou um drink em copo longo. importado. "uma caipiroska com absolut triple filtered special reserve". daquelas que quando servem, o pessoal da mesa ao lado, fica olhando embasbacado acumulando baba nos cantos da boca. é, porque se não eu me fodo. acabo pagando por gente que eu nunca vi na minha vida. mais uma coisa: pode notar, quando a mesa tem onze pessoas, você fala com duas, três pessoas no máximo. que você talvez conheça pelo primeiro nome. o que nos leva a outro ponto: numa mesa grande você corre um risco sério de ficar socado entre pessoas que você não conhece bem. gente que você nunca viu na vida. e que agora é forçado a dividir o último bolinho de bacalhau. pau no cu. o último bolinho de bacalhau eu só divido com a minha mulher ou com algum amigo de infância. quando a mesa é de quatro. você fala com as três. garantido--ou seu dinheiro de volta. mesa grande você tem que gritar. mesa de quatro não. numa mesa grande as pessoas deixam cheques preenchidos com valores irrisórios e vão embora. na mesa de quatro não. quatro pessoas. contando com você. se chegar uma quinta pessoa, vá embora. é melhor perder a amizade de um conhecido do que uma perfeita mesa de bar.

sexta-feira, abril 15, 2005

9 sugestões para quebrar o gelo num elevador.

- puxar papo depois de mastigar 2 cream crackers.
- cantar o hino do flamengo com a mão direita no coração.
- assoviar "ilariê" da xuxa e pedir que todas as pessoas que cantem com você.
- perguntar que horas são-- e quando a pessoa falar, perguntar novamente: "e agora?"
- tentar apertar o seu andar de olhos fechados.
- apertar dois andares e perguntar: "adivinha qual é o certo?" e depois ficar fazendo barulhinho de "tic-tac" com a boca como se fosse um jogo emocionante.
- executar aquele passo de dança do michael jackson para trás, o "moonwalk", ficar nas pontas dos pés e gritar "beat it... beat it... beat it..."
- tirar um pote de palmito da mochila e pedir para alguém te ajudar a abrir a parada.
- olhar para qualquer pessoa e dizer: "eu não peidei. mas poderia. eu estou prendendo."

a sogra

[sabado. 20:37. o filme começa em meia hora. acabaram as
long necks da geladeira.]

- amor, você acha que eu estou gorda?
[silêncio]
- amoooooor?
- hein?
- então, vc acha que eu estou gorda?
- não.
- jura?
- juro.
- jura pela sua mãe mortinha?
[silêncio]
- amooooooor?
- mãe, mãe é foda porra!
- então eu tô gorda?
- não.
- você jura pelo seu pai mortinho?
[silêncio]
- tá bem. você jura pela sua irmã? irmão? primo? prima? o zé da portaria?
[silêncio]
- e pela minha mãe? pela minha mãe mortinha? você jura?
- por ela eu juro.

o divórcio, o sucrilhos e a mulher do porteiro.

barulho de colher de sopa batendo contra o fundo de um prato de sucrilhos. tem som mais irritante? som mais pentelho? e o problemas é que esse som se repete várias, várias vezes quando você come sucrilhos e seus similares. a colher resvala no fundo do prato repetidas vezes. é, porque comer sucrilhos é uma espécie de ritual em que você repete a mesma ação com a colher, dezenas de vezes. tudo porque, o caráio do sucrilhos tende a ficar todo empapuçado com o leite e por isso agarra nas bordas e nas curvas do prato fundo. porra, então pra conseguir capturar um número de sucrilhos decente para preencher uma colher e matar a sua fome, lá vai a colher contra o prato. desengonçada, sem jeito. barulhenta. dia desses, comecei a pensar nisso durante o café da manhã. comecei a ficar com raiva de mim mesmo. eu estava me irritando. quase me mandeir tomar no cu. e foi aí que eu cheguei a conclusão que muita gente já deve ter se divorciado, brigado, se espancado, por causa dos sucrilhos. ou melhor, por causa do som irritante que é ter uma pessoa comendo sucrilhos do seu lado. é meu amigo, porque não é só o barulho da colher que irrita. como você sabe, sucrilhos se come com leite. e uma colher não é o melhor instrumento para beber leite. ou seja, é um negócio de fazer aquele barulhinho de “shhhhhhh” “shhhhhhh”. sabe? aquela chupadinha com biquinho em câmera lenta? então, agora some o barulho da chupadinha com o da colher estapeando o prato. putz, é de deixar qualquer um maluco. pronto. agora imagine isso tudo bem cedo. com sono. tipo 7 da matina. você puto de ter acordado cedo. com duas colheres de remela nos olhos e uma vontade louca de ligar para o trabalho e não falar coisa com coisa, gritando esporadicamente que o mundo está sendo invadido por aliens verdes alaranjados. nessa situação. nesse estado, todos os barulhinhos associados com o sucrilhos são uma dedáda na sáca. chato pra cacete. dia desses minha mulher comprou uma caixa de sucrilhos lá pra casa. no segundo dia eu dei a caixa para o porteiro do prédio.

quarta-feira, abril 06, 2005

o din din do banco imobiliário.

quando eu era mais novo, adorava jogar banco imobiliário. era sensacional. com apenas 8 anos de idade, já era dono de apartamentos na avenida vieira souto e na faria lima. tinha casas nos jardins e no leblon. era um magnata. mas o que era mais bacana no banco imobiliário era o dinheiro de mentirinha. aquelas notas coloridas. tinha aos montes. eu não só era proprietário de vários imóveis aos 8 anos, como tinha uma fortuna em dinheiro colorido. (fast forward) dia desses vi um banco imobiliário anunciado num encarte de jornal. a primeira coisa que me veio a cabeça foi lembrar o que eu tinha feito com todo aquele patrimônio conquistado quando era moleque. putz..."e aquela fortuna toda, onde é que eu tinha guardado. como é que eu fui ser tão
desleixado?" "o que será que aconteceu com aquela mansão na avenida atlântica?" bateu um puta desespero. cheguei a conclusão que nunca se deve deixar uma criança jogar banco imobiliário. puta que pariu. imagina a expectativa que essa porra cria na molecada. eu, por exemplo, quando tinha 8 anos já era dono de mansões nos jardins e tinha alguns duplex de frente para a praia no rio. e hoje--aos 28--ou seja 20 anos depois--acabo de me lembrar que tá chegando o dia de pagar o aluguel. e o mais engraçado é que o tiozinho--o dono do apartamento--não aceita notinhas coloridas. não sei porque--quando eu era moleque, adorava jogar banco imobiliário--e elas valiam uma fortuna.

terça-feira, abril 05, 2005

um moleque sincero.

- o que você quer comer hoje no almoço?
- a vizinha. aquela do 202.

- porque você bateu no seu irmão?
- porque sou mais forte.

- o que você deve dizer quando recebe um presente?
- tem mais?

- porque você gosta tanto da xuxa?
- gosto das coxas da xuxa, mãe. gosto das coxas.

- o que você tá fazendo com a aninha? brincando de médico?
- não. sacanagem mesmo.

- porque você tirou essa nota baixa meu filho? você está com dificuldade na matéria?
- preguiça.

- o que você quer ser quando crescer, meu filho?
- grande.

o mistério do queijo suíço.

ontem, logo cedo, fui no mercadinho aqui do lado comprar peito de peru, queijo e pão para o café. nessa ordem. assim o pão chega mais quentinho em casa. o peru tava fresquinho, o pao quentinho, mas o que me intrigou mesmo foi o queijo. mais especificamente, o queijo suíço, com seus furinhos. que queijo suíço tem furinhos não é nenhuma novidade, eu sei. mas, enquanto eu procurava o queijo certo pra levar pra casa, tentei desvendar o misterio do queijo suíço. para onde estão mandando os furinhos? ou melhor, a porcão de queijo suíço que antes preenchia cada furinho. quem e que faz cada furinho? e como ele(a) consegue tamanha precisão? seria uma máquina suíça que passa odia aplicando leve estocadas em carregamentos de queijos suíços? aquilo me deixou cafuso. a ponto de perder a minha vez na fila dos frios. tudo bem. assim eu tinha mais tempo para pensar naquilo tudo. o meu apetite estava nas mãos da solução daquele mistério. com um bloco de queijo suíço em uma das mãos olhei para a moça atrás do balcão. ela engoliu seco e ligou a serra pra cortar 200 gramas de mortadela sadia para uma madame. olhei para um funcionario que estava de passagem e ele, com um sorriso suspeito disse apenas "bom dia!". foi quando eu olhei novamente para a prateleira dos queijos suíços que caiu a ficha. puta que pariu a solução estava o tempo inteiro na minha frente. a solução estava nos proprios queijos suíços.elementar meu caro erick. os furinhos do queijo suíço sao usados pra fazer outro queijo suiço. isso. a porção de queijo que um dia preencheu um furinho, hoje pertence a um novo queijo suíço. e assim por diante. algum suíço teve a brilhante idéia de retirar pequenas porçoes de um bloco de queijo e com essas porçoes, fazer um novo bloco de queijo suíço. ufa. já podia ir pra casa tomar café. acabei levando queijo prato. porque eu não sou mané.