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- 10 entre 10 homens usam óculos escuros na praia pra olhar bundas que passam em câmera lenta.
- pessoas que conversam em cinemas não conversam em casa.
cheguei a conclusão que a vida gira ao redor de de rodinhas. é. as rodinhas que você pertence. desde pequeno é assim. toda criança tem sua rodinha na escola. se não é a rodinha do futebol, é a rodinha dos cdfs. se não é a rodinha dos cdfs, é a rodinhas dos que ficam no fundo da sala gritando-- atormentando as professoras. tem também a rodinha dos que estudam na véspera-- os quase vagabundos. já na adolescência, tem a rodinha dos metaleiros. a dos maconheiros. dos festeiros. é rodinha pra cá. rodinha pra lá. tem gente que nunca está satisfeita com a rodinha que pertence e passa a vida inteira tentando mudar de rodinha. é. as vezes é o certinho que quer pular pra rodinha dos sacanas. outras vezes é o surfista que quer pular pra rodinha dos cdfs. e isso-- é bem complicado na vida de uma pessoa. ela tem que trabalhar duro pra mudar de rodinha. não é nada fácil fazer isso. e poucos conseguem. tem ainda gente quer quer participar de duas rodinhas, três, quatro e acaba não fazendo parte de nenhuma. fica de fora. e convenhamos, não dá pra viver fora de uma rodinha. eu, pessoalmente, tive sorte do meu pai um dia cismar em me matricular numa escolinha de futebol. é. quase sem querer entrei na rodinha do futebol. a grande rodinha do futebol. e de lá nunca mais saí. vale dizer que eu nunca fui craque. em time nenhum. mas sei que de todas as rodinhas, a do futebol é uma das melhores. as mulheres também tem suas rodinhas. a rodinha do balé. a rodinha da praia. a do volei. a do condomínio. rodinhas. como a dos meninos. convivendo lado a lado. as vezes uma rodinha dentro da outra. as vezes distantes. as vezes com o mesmo núcleo, mas cada uma com um diâmetro diferente. rodinhas. rodinhas. rodinhas. grupos. de todos os tipos. idades. e cada um com a sua mania. então, agora que você terminou de ler, vá cuidar do seu lugar na sua rodinha porque pode ter alguém de olho nele.
- o cara que trabalha na sedex não pode chegar nunca em casa atrasado.
um cooler não, tem uma geladeira, o que é consideravelmente maior. bom, uma geladeira daquelas de bar cheia de cerveja tinindo de gelada. isso existe aqui no trabalho como título já disse. hoje aconteceu um troço curioso. quinta-feira já é quase sexta então fica aquele cheiro de sexta no ar. então, voltando ao troço curioso que aconteceu. estava eu aqui na minha mesa com as pupilas fritando e os neurônios se suicidando quando resolvi ir até a geladeira. pensei: "pourra preciso jogar um lúpulo, uma cevada e uma água cristalina pra esfriar o cérebro. fui lá, abri a porta e a long neck. dei um gole, dei dois. e foi aí que de repente comecei a acreditar cegamente que hoje não era quinta, mas sexta. sexta-feira. sem querer, coloquei os pés sobre a mesa e comecei a planejar o dia de amanhã, o sábado que como você sabe, é uma sexta. e, quando eu já começava a ensaiar uma batucada na mesa, o telefone tocou, um email chegou, meu relógio apitou. "ainda é quinta moleque, não fódi!" dei mais um gole e fiquei imaginando quantas pessoas naquele exato instante no escritório estavam passando pela mesma coisa. freezer de cerveja no trabalho é du caralho. o problema é quando ele te pega no contra-pé. e te fodi bonito. como fez comigo hoje.
- fiquei imaginando a mulher de qualquer alfredo servindo fettucini alfredo para ele: "seu fettucine alfredo, afredo!"
- imagine a pressão que deve ser para qualquer alfredo cozinhar um fettucine alfredo.
"quem é que cozinhou esse fettucine alfredo?" "ah... foi o alfredo mesmo que fez!"
- para uma tribo de canibais, fettucine alfredo, é um prato completamente diferente: é fettucine com lascas do próprio alfredo.
sempre preferi manteiga. mateiga daquelas amarelas. com bastante sal. mas de vez em quando. só de vez em quando eu uso o requeijão. quando eu digo requeijão quero dizer, não é qualquer requeijão. na minha sincera opinião, só existe um requeijão que merece ser chamado assim no aumentativo. o único dos requeijões que volta e meia oferece algum tipo de resistência para o reinado da mateiga na minha torrada. requeijão itambé. provavelmente o único requeijão que agarra na faca, ou melhor que a faca agarra nele. requeijão itambé tem gosto de queijo fresco. salgadinho. o que é bem diferente das outras marcas. umas bostas que parecem plástico derretido. as outras marcas parecem ser feitas do mesmo material usado para fabricar aquela rodelinha branca de plástico que fica vedando a tampa do requeijão. sabe aquele merdinha que você tem que cutucar com a unha para abrir? então, itambém não fodi contigo. itambé é ponta firme. é o amigo das horas mais difíceis, aquela segunda de manhã que você tem os olhos cobertos de remela e um dor de cabeça bem fininha que faz com que você sinta vontade de mandar o alarme à merda. vai por mim. não dê mole. nnao encontrou itambém no supermercado? chame o gerente, dê um esporro daqueles que vão entrar para a história. escreva uma carta para o presidente da rede de supermercados. e nunca mais coloque os pés nele. requijão só se for itambé. esse paragrafozinho não tem um fim assim muito claro. ele acaba assim-- de
repente-- quando você menos espera. como o pote de requeijão itambé lá de casa.
130. 130 pra quem não sabe era o telefone da hora certa no rio de janeiro. é, quando eu era moleque não existia celular pra ficar olhando as horas. então a gente ligava para a hora certa. bom, acho que um dia o serviço acabou ou eu simplesmente parei de usar. mas isso não vem a questão agora. o que interessa é que você entenda o espírito do 130. sua simplicidade e praticidade. a idéia é expandir o serviço. além da hora certa, pensei em criar alguns outros. como, por exemplo: a roupa certa. a "roupa certa" seria um número que você ligaria para tirar dúvidas rápidas. "caráio hoje tem festa de noivado da prima da minha sogra, com que roupa eu vou?" fácil, basta ligar para a roupa certa que você se informa. mais um serviço que poderia ser interessante, é o "comida certa". "meu amigo é lacto-vegetariano, que caráio eu sirvo para esse fêla da puta quando ele estiver aqui em casa?" cara, o que você está esperando? liga pro comida certa, pourra! e se informa. cada ligação custaria um centavo. aí, você soma todas as vezes que você teve dúvidas como essa e vê a fortuna que eu posso fazer. mas os servços não parariam por aí: "frase certa pra falar pra muié na balada", "jeito certo de mandar alguém tomar no cu!" o negócio não tem fim. respostas rápidas para pessoas necessitadas. se você tivesse crescido se informando das horas pelo "hora certa", pelo 130, você concordaria comigo.
- mas, mas, mas quem é você? me larga, quem é que chega assim beijando!? tá louco!?
- oras, sou eu, inácio! a gente tá ficando.
- inácio? ficando.
- é caráio! não tá me reconhecendo?
- hmmm, não....
- e assim ó, de perfil.
- também não.
- e assim de costas?
- acho que você está enganado.
- mas você não é a maria?
- sou.
- maria antunes? 22 anos, e faz 23 amanhã.
- maria antunes. quase 23. acertou.
- estudou no colégio anglo americano?
- sim.
- nasceu na casa de saúde são josé?
- sim.
- falou pra mim que a gente tinha tudo a ver.
- euuuuu?
- você tem um piercing na boca!
- como é que você sabe?
- e tem uma tatuagem linda de um beija-flor nas costas.
- como é que você sabe? eu tô de costas pro bar!? tarado!
- e também está com a saia manchada de vinho tinto?
- vinho tinto? mancha? não, aí você errou.
- caráio, que horas são maria?
- hmmm, onze e vinte da noite.
- onze e vinte?
- é, ué. onze e vinte.
- cacete!
- o que foi ?
- desculpa, meu relógio tá adiantado uma hora. a gente ainda não se conheceu.
- parmesão de saquinho não tem o mesmo gosto de parmesão inteiro.
- se um mosquito beber sangue de uma pessoa obesa, ele engorda? e o contrário, se ele beber sangue de uma pessoa magra, ele emagrece?
- se oferecessem dobrar o seu salário, você chegaria no trabalho antes das 6 e sairia depois das 23:00?
- o estroboscópio é uma luz que é gaga.
(estroboscópio pra quem não sabe é aquela luz da boate que fica piscando.)
- se você ligar para a sua mãe nesse exato instante, aposto um pirulito que vira chiclete que ela vai dizer que estava pensando em você.
segunda-feira é deprimente, o nome em si é sinônimo de coisa ruim, de tempo ruim. terça é bem mais ou menos é aquele chove não molha, terça é mornp. quarta é perdido, alí no meio de tudo. quinta, bem quinta é quase sexta, fica te tentando. sexta é sexta não precisa de muitas explicações. sábado é quase uma sexta. o problema é que a sexta tem um dia de ócio de vantagem. domingo é cruel. você dormiu mais tarde na sexta, ainda mais tarde no sábado e acorda quebrado no segunda. e é aí que entra a minha proposta. e se a gente trocar o nome da segunda. sai segunda-feira entra sexta-feira 2. a semana teria duas sextas-feiras. uma, a original no mesmo dia de sempre e uma outra no lugar da segunda. essa idéia é para absorver um pouco do impacto da segunda. é claro que a sensação de bosta seria a mesma. o mesmo cansaço, as mesmas dores no corpo e a sensação indescritível de que não existe pior momento na semana. mas uma coisa eu tenho certeza, o novo nome da segunda-feira, a sexta-feira 2 certamente daria uma nova cara pra sexta. você não ficaria tão puto. ficaria puto, mas não "tão puto", o que convenhamos é uma puta diferença. a gente faria uma cerimônia de enterro da segunda-feira. o mundo inteiro de mãos dadas, bandas de rock juntas em palcos espalhados por todos os continentes: o fim da segunda-feira. só uma idéia. quem sabe a semana não começa um tantinho melhor. sextas feiras deveriam ser duas: sexta-feira 1 e sexta-feira 2.
Como é que os dentes ficam mais brancos?
Depois de horas de bronzeamento artificial ou depois clarear os dentes?
O que é que o Mcdonald's usa pra colar as sementes de gergelim?
E quem é que faz esse serviço sujo?
Que plavara o sujeito que inventou o código morse escuta quando você bate na porta da casa dele?
acho que a lei do impedimento poderia ser usada com sucesso fora dos campos de futebol. pra quem não sabe, um atacante está impedido quando ele recebe a bola sem que exista nenhum jogador entre ele e o goleiro. entendeu? é bem simples. ele só pode partir para o ataque se tiver alguém entre ele e o gol. bom, pensando nisso, comecei a imaginar um mundo onde o impedimento fizesse parte do nosso dia a dia. ou melhor, se o impedimento fizesse parte da noite. ou night, balada, boate. nos bares, na hora em que os marmanjos chegassem de bicho na mulherada. sabe aquele exato instante em que você encosta no bar, ombro colado na moça, cheio de más intenções? então assim não é justo. tem gente que chega mais cedo no bar. aí, quando você pensa em falar, o cara já tá lá. por isso, acho que seria interessante uma regra de impedimento. uma amiga da menina, ou um garçom, entre você e o alvo. é o espaço que você precisa pra dar uma segunda olhada. saber se é uma roubada. a regra do impedimento impede por exemplo, uma ação afobada. tudo visando o melhor para os dois lados. para mulher, porque ela não vai passar a noite inteira tento que se esquivar de uns manés pegajosos que fazem ponto no bar. e pro homem, bom, pelo simples motivo que é esse espaço extra é o tempo perfeito pra não fazer uma cagada. pegar quem não deve, algum jaburu, uma menina casada, pensar duas vezes. a regra do impedimento vai dificultar um pouco a pegação. mas acredite quando eu digo que assim a qualidade e o resultado é de melhor agrado para ambos os lados.
estou cansado.
alguns dizem que estou com olheiras.
estou cansado.
quase cochilei na minha mesa.
estou cansado.
ôpa, olha lá no calendário,
amahã,
é feriado.
depois de virar fã do popey quando era moleque-- descobri duas coisas sobre espinafre. a primeira--é que espinafre não vem em latinhas verdes bonitinhas. e a segunda--é que espinafre não é tão gostoso assim como o marinheiro popeye fazia parecer. (creme de espinafre é bom, mas aí já é outra história.) prefiro as barrinhas energéticas de neston. barrinhas de cereais dessas que vendem no caixa das farmácias com sabores como pêssego e maçã light e banana e aveia com mel também light. no mundo mudernu de hoje, elas equivalem ao espinafre do popeye. ou pelo menos é isso que as embalagens prometem. afirmam com cores fortes e letras garrafais: "mais energia, mas disposição...e poucas calorias." se o popeye voltasse às telinhas repaginado, provavelmente colocariam ele rasgando embalagens de barrinhas neston no lugar de latinhas de espinafre. comigo é assim, sempre que eu preciso de uma energia extra, corro pra lojinha do posto, pra farmácia e devoro umas duas barrinhas. prefiro a de frutas vermelhas cobertas por uma espessa camada de chocolate nestlè. confesso que na primeira vez que eu comi-- fiquei observando por horas a fio meus tríceps, meus bíceps e até meu peitora. mas eles não pularam como os do popeye nos desenhos. não chega nem perto da força do marinheiro. mas tudo bem. no dia que fizerem barrinhas neston com sabor espinafre... aí sim... aí fodeu. aí os tríceps pulam, a força aumenta e a disposição dispara. aí sim, o popeye está de volta. popeye e as barrinhas de cereais.
existe uma fronteira muito fina entre um prato de 20 reais e um de 59. essa fronteira é quando você está numa pousada distante de tudo. é, porque quando você tem opções, quando você pode pegar o carro e ir a outros restaurantes, existe uma competição. neste caso, no meio das montanhas, enterrado num chalé no meio do mato, você paga o quanto te cobrarem, senão morre de fome. o restaurante da pousada é um daqueles bem cheio das meia hora, água mineral servida como se fosse vinho. mas o que eu acho engraçado é quando os caras entram numas de te foder. por exemplo: quando eles servem confit de rabada com raspas de alecrim e cobram quase sessenta mangos pelo prato. me lembro de ter visto a minha mulher pedindo a mesma rabada em outro restaurante, mas sem as raspas de alecrim e o primeiro nome francês, por uns 20 reais. e, depois de passar o olho no cardápio, de ponta a ponta, fui anotando nos cantos da minha cabeça os truques, os nome, e é claro, os preços. não vou entrar numas de reclamar muito, até porque a comida era boa. mas vou comentar os preços, porque lá no topo da montanha numa cidades longe de tudo, os caras abusaram. salmão com mandioquinha? 40 mangos. água? 4,50. couvert? 10. conta, sem bebida? 150. bom, depois que eu vi o preço da rabada eu liguei o foda-se. cheguei a conclusão que não tinha para onde correr, é aquele coisa de que "está na chuva é pra se molhar!" então mergulhei de cabeça na salada de cubos de abacaxi com tiras de repolho roxo e peru defumado com molho de tomilho repicado com tomate cerejinha (assim mesmo no diminutivo). afinal, quando se está longe de tudo, com o estômago roncando e um frio de fazer os dentes estalarem, o mínimo que você pode fazer é colocar algumas migalhas que sejam para dentro. o mais foda é que os caras sabem disso. assim que eu sentei para fazer o pedido da minha primeira refeição e deitei os olhos no cardápio, podia escutar de longe as risadas dos cozinheiros. os garçom também gargalhou, mas por dentro como quem dizia "é meu amigo, confit de rabada por sessenta manguitos! pode abrir a carteira.... já era... espera só a tua mulher pedir o petit gateua de vintão!" e lá se foi o meu din-din. mas zuzo bem, a pousada era de foder. acho que até isso foi planejado pelos caras. no exato instante em que você pensa em sair socando o pessoal do restaurante, você olha pela janela e vê a natureza. aí, é aquela coisa: natureza lembra tranqüilidade que lembra que é melhor você contar até 100 e colocar o cartão de crédito na mesa. antes que os fêla da puta aumentem o preço.
nunca tive uma letra bonita. nem feia. minha letra é um ok. não é assim uma beleza. mas dá pra entender. o que nos leva ao assunto desse parágrafo: a escrita. a caligrafia das pessoas. nessa última década com a democratização dos computadores, muita gente parou de escrever. é. eu, por exemplo, só escrevo no computador. escrever com a caneta mesmo-- só escrevo quando passo cheque. o que na atual conjuntura econômica é muito raro. resultado: a minha escrita está uma bosta. eu já não entendo o que eu mesmo escrevo. não entendo o que as pessoas escrevem. e olha que eu tento. fico pensando nos médicos. nos clínicos gerais. os fêlas das puta passaram anos escrevendo assim. de forma ilegível. em grego e latim. nunca entendi como as mocinhas das farmácias entendiam as receitas médicas. não entendendo como elas conseguem decifrar hoje. já devo ter tomado muito antibiótico errado, o que explicaria um tufo de cabelos brancos no meio da minha cabeça. mas zuzo bem. fico imaginando um cara mandando um torpedo no guardanapo para uma menina na boate. com o nome ilegível e rabiscado. e a menina ao receber não pensa duas vezes. ela cai de boca beijando ele, engolindo o cara. afinal, ela não é louca. ela não vai perder um partidão daqueles. com aquela letra de bosta, ilegível, aquele torpedo, aquela convite para a perdição, só pode pertencer a um médico. a caligrafia dos médicos, nunca entendi, e pelo que parece vou continuar sem saber que caráio esse pessoal de jaleco branco anda me receitando.
sobremesa é feita para ser gostosa pra cacete. sobremesa foi inventada com esse único propósito, ser muito, muito gostosa. é difícil encontrar sobremesa ruim. você pode até preferir comer o sundae de chocolate, mas com certeza não odeia o petit gateau. o ponto que eu quero chegar é o seguinte: porque não servem a sobremesa antes? antes da entrada, do couvert e do prato principal? pensa bem: o couvert não é melhor do que uma bela panqueca de doce de leite. a entrada não é melhor do que os profiteroles. o prato principal não é melhor do que o brownie quente com duas bolas gordas de sorvete de creme. tudo bem, o prato principal pode até ser igual. mas, voltemos a minha pergunta inicial... porque não servem antes? porque não se deliciar com a sobremesa e só aí depois ver se você tem cantos vazios no estômago para as azeitonas pretas e o talharim banhado na manteiga? eu, sinceramente, se tivesse um din din guardado abriria um restaurante em que a sobremesa seria servida antes. sério, sem putaria, acho que faria um puta sucesso. eu acabaria de vez com o problema das pessoas que chegam ao final do jantar tossindo comida e-- não conseguem sequer olhar para um carrinho de sobremesas. falando no carrinho, no meu restaurante, tudo começaria com o carrinho de sobremesas. quase que de trás para frente. em pouco tempo as filas estariam dobrando as esquinas, pessoas abririam franquias, e booom, ninguém nunca mais se lembraria que antes de chegar na deliciosa sobremesa, você tinha que passar pelas torradas duras, manteigas de bolinhas e a sofrível pastinha de berinjela do couvert. melhor ainda: ninguém nunca mais perguntaria perguntas como: "porque não servem a sobremesa antes?" hein?
é difícil encontrar uma pessoa que perdoa grandes deslizes. já os pequenos deslizes até passam, mas existem pequenas regras. por exemplo. se você comete um deslize como chegar em casa do bar entre 1 da manhã e 2 em ponto, isso se qualifica como um pequeno deslize. depois das duas da matina, o deslize é grande. bom, mas voltando ao derrapada de ter chegado em casa uma e tal da madrugada. sua mulher pode até perdoar. mas você tem que seguir algumas regras. não tocar a campainha é uma delas. campainha dá susto. e a última coisa que a sua mulher quer é levar um susto e encontrar você um tantinho bebô. quer ver outro pequeno deslize? é comer comida fria da geladeira depois de chegar do bar com os amigos. esse não é o deslize. o problema acontece quando você esquece a geladeira aberta. você pode ter uma certeza... fodeu! você vai acordar de ressaca e com um cheiro de comida podre pela casa. neste caso alegue insanidade mental e busque internação num instituto renomado. outro deslize é esquecer de dar um recado importantíssimo como "sua mãe estava ligando da alfandêga, ela está precisando de ajuda, parece que os guardas implicaram com aqueles 3 ipods que você queria revender no brasil.... mas eu esqueci..." esqueceu é o caralho. esquecer não pode. a regra aí é simples, invente a melhor desculpa que um ser humano pode criar. contrate um roteirista de cinema, peça ajuda, diga que você foi abduzido por vacas coreanas que te levaram para passear nos pampas gaúchos e que você esqueceu pois as vacas fizeram você assistir "e o vento levou" de trás pra frente repetidamente. sua mulher sabe que você não está falando a verdade. que você está inventando uma desculpa. o que ela quer é ver que você está se esforçando. pequenas regras para pequenos deslizes. elas são fáceis, bem básicas, não requerem treinamento muito menos um manual. por isso, se algum dia você se encontrar nessa situação, vai por mim, não fodi.
saí de casa hoje com um mosquito solto dentro do carro. é desesperador. não sei se você já saiu de casa com um mosquito solto dentro do carro, mas meu amigo, se acontecer contigo, fica esperto, cuidado, reze, é um perigo. as chances de você bater o carro aumentam com cada minuto que passa. um mosquito solto dentro do carro, equivale a conversar no celular e comer uma fatia de pizza calabresa fervendo enquanto você pilota o seu carro. eu não sei com não raspei a lataria do carro na calçada. não sei como não saltei por cima de um toyota que estava bem na minha frente. por azar ou sorte, eu ainda não decidi qual dos dois, eu tinha um jornal no banco de passageiro. o que fez com que eu entrasse numa de matar o mosquito a mais de 100 km/h. dei duas porradas com o jornal enrolado contra o pára brisa e nada. mosquito solto dentro do carro é mais esperto do que os comuns. afinal, se o fêla da puta conseguiu entrar no seu carro fechado, ele é bem mais maroto que os outros. tenho certeza que ele ainda está lá. tentei de tudo. ar condicionado no 4, todos os vidros abertos, zig-zaguear na estrada, e nada. cheguei na minha mesa com as subáca suada e com a certeza que não existe inimigo pior no trânsito que o mosquito solto dentro do carro. o único mosquito que existe exclusivamente para te foder nas estradas perigosas de são paulo e não, chupar o seu sangue. tenho medo dele. tenho pavor. mais até do que cobra naja de filmes como "a múmia". falando nisso, hollywood ainda vai fazer um filme sobre este monstro. sobre esta ameaça ao bem estar da sociedade. se não fizerem, eu faço.
como voltar no tempo por poucos reais ou até mesmo de graça. ou, máquinas do tempo enquanto não inventam uma definitiva. boa viagem.
- chocolate chokito.
- mate leão.
- rocky 2
- o programa do didi.
- sérgio chapelin no globo repórter.
- picole chicabon ou de coco ou de uva, mas tem que ser kibon e nessa ordem.
- fita vhs
- revistinha do tio patinhas ou do cascão. também vale a do chico bento.
- jeans desbotado.
- deixar as costeletas crescer.
- qualquer novela com o tarcísio meira.
- a música brega "total eclipse of the heart".
- cachorro quente da geneal.
- milkshake do bob's.
- cheeseburguer especial do mcdonald's.
- disk mtv
- locução do cid moreira nas chamadas do fantástico.
- seriados com claque, aquelas risadinhas pré gravadas.
- michael j. fox.
- madonna.
- toddynho com canudo quebrado.
- corneto mio, muito crocante é da gelatto...
- de volta para o futuro 1 e 2.
- apuração das escolas de samba do rio.
- gol do flamengo.
- ver fotos da monique evans e luiza brunet peladas.
- ilariê.
- transmissão da abertura das olimpíadas.
- bala juquinha.
- bala bhering de caramelo que agarra nos dentes.
- beijo molhado de tia em festa de natal.
depois que você ler esse textinho, entre no seu email e dê uma olhada no 'inbox' ou nas pastas, dê uma olhada geral. porque? bem, cheguei a conclusão que existe um novo tipo de pessoa: a quase-virtual. a pesssoa quase-virtual é aquela que você sabe que existe, é de carne e osso, mas você só fala com ela por email, messenger e txt message no celular. mas, definitivamente o maior número de quase-virtuais residem no universo do email. dia desses recebi um email de um amigo e depois de ler, notei que não falava com o cara desde janeiro. mas mesmo assim, eu sabia o que ele tinha feito ontem e na semana passada. tudo por email. o cara tinha se transformado num amigo quase-virtual. e o problema disso é que para voltar a ser um amigo de carne e osso é foda. é muito mais fácil virar um quase-virtual do que voltar a ser um sujeito de verdade que você briga pelo último pastel de queijo numa mesa de bar. o número de ligações e a freqüência dessas ligações principalmente, são chave para resgatar um quase-virtual. não me entenda errado, os quase-virtuais as vezes são os seus melhores amigos mas você ainda não parou para notar que eles se transformaram. o problema é muito maior do que você imagina: você não sabe, mas aquele cara que você considera um dos seus melhores amigos pode perfeitamente considerar você, um quase-virtual. a ficha já caiu pra ele. ele já passou os olhos na caixa postal do email dele e fez a contas: "caráio, eu mandei uns 30 emails pro erick esse mês, mas não liguei nenhuma!" e por aí vai. é matemática pura, quanto maior a distância entre o número de emails e o de telefonemas, mais perto está a transformação num quase-virtual. o segredo é saber escolher quem você quer que vire quase-virtual e quem você quer que continue de carne e osso. é priorizar os emails para o primeiro e deixar de ser preguiçoso e ligar para o segundo.
o barbeiro/cabelereiro e o garçom que serve cupim na churrascaria. esses dois sujeitos têm a sua vida na mão. literalmente. pensa só. o barbeiro, um sujeito que você não tem nenhum intimidade fica com uma tesoura das mais afiadas a milímetros do seu pecoço, da sua orelha e porque não também do seu nariz. já o garçom que serve o cupim está sempre empunhando uma faca do seu tamanho bem ao lado do seu rosto. você pode achar estranho, mas dias desses numa churrascaria fiquei pensando nisso: o que impede esse garçom de ter encontrado a mulher dele com o garçom da picanha na cama-- e se vingar de todo ódio-- fatiando os clientes? a mesma coisa com o barbeiro. lá está você, o cliente de número 238º daquele dia quente, cagando regra de como você quer que ele corte o seu cabelo. "assim não! tira atrás, menos, mais, mais, menos e menos caráio! não fodi eu pedi pra você cortar mais dos lados!" e ele, o barbeiro fica lá de trás da cadeira, olhando para você pelo espelho enquanto afia a lâmina da navalha. essas duas situações, a churrascaria e o barbeiro são os únicos dois lugares em que você e qualquer outro ser deste universo não liga em ter um sujeito com um instrumento afiado perto da veia aorta do seu pescoço. tente se imaginar em qualquer outra situação: no mcdonald's por exemplo, um mané vestido de ronald mcdonald aparece com um facão perto de você, fodeu, é chute no saco do dele. você está fazendo o check in no aeroporto e a atendente coloca uma tesoura perto da sua orelha... cotovelada na boca dela. duas pessoas que você não conhece, mas mesmo assim, coloca a sua vida nas mãos delas. são esses dois sujeitos descritos aí em cima. ou seja, pense trinta e duas vezes antes de mandar o cara que serve o cupim à merda ou falar que o corte de cabelo ficou bem escroto.
calcular a conta do restaurante é uma arte. sem exagero. você já tentou pegar pra você essa responsabilidade? meia noite e tal, meio com sono meio com o buzz dos chopps? não é pra qualquer um. me lembro quando por algum motivo estiquei o braço e trouxe a conta pra perto de mim. mesa de 8, que já tinha sido de 11 três horas antes, uma conta das mais complicadas para somar. um erro de iniciante. é como antes mesmo de aprender a andar, você entrar numas de correr. é como antes mesmo de aprender a escrever cismar em escrever um romance. você entendeu, é como colocar os cavalos na frente da carroça. eu nunca deveria ter feito aquilo. deveria ter esperado o dia que a mesa fosse pequena para calcular a conta. uma mesa de duas pessoas com uma porção de pastéis e dois chopps, uma mesa simples. me fodi, primeiro tive que conferir o número de chopps tomados, tarefa impossível quando as pessoas não lembram nem que horas são. depois, tive que somar as notas quase rasgadas de dinheiro que foram deixadas para trás, e no meio de tudo, desisti. um nocaute no segundo assalto. não tinha a capacidade, muito menos a habilidade para equilibrar uma tulipa de chopp numa mão e uma pilha de notas de dez e cheques já assinados por pessoas que eu não conhecia, na outra. e foi aí que entrou um amigo que domina a arte de calcular notas de bar. é como se ele conseguisse isolar todo e qualquer "buzz" e ficar sóbrio por uns dois minutos. zen, concentrado, focado, como se estivesse sozinho naquela mesa. ele fez quatro pilhas: uma de cheques, uma de dinheiro, uma de ticket e uma de bolachas de chopp. ao final ele sorriu para os que ainda estavam na mesa e disse: "fiz as contas e alguém deixou dinheiro demais. sobrou uns 18 reais pra tomar a saideira." e todos aplaudiram, mesmo que fora de rítmo, o fato de ele ter encontrando no meio daquele caos, a saideira. um gênio. a arte de calcular a conta do bar depois de uma meia dúzia de chopps.
fritar frango. parece fácil. mas não é. o frango não cozinha por dentro com as mesma facilidade que queima por fora. sempre que eu tento fazer ou ele fica cru por dentro e legal por fora, ou torrado por fora e bacana por dentro. ovo. bem, ovo parece fácil. é foda. deixar a gema mole então sem aquelas melequinhas boiando então é mais foda ainda. passar uma camisa social. "passa aí essa camisa pra mim vera!" quando você não pode gritar pra alguém fazer isso pra você, tente fazer sozinho. são tantas curvas e retas, e bolsos e mangas e botões que você vai desistir no meio do caminho e pegar uma camisa que já esteja passada. dobrar uma camisa. você deve estar pensando: "não fodi, dobrar a camisa é mole." parece, mas não é. nunca fica legal. nunca fica igual ao jeito que a arrumadeira da sua casa fazia. arrumar a cama. muito foda. quando eu faço sempre fica com um dos lados arrastando no chão. sempre sobra colcha. sempre sobra cobertor. tirar cocô de cachorro da sola do tênis. essa é uma das mais difíceis. você fica lá debruçado no tanque com água escorrendo a 100km/h sobre a sola do tênis e nada do cocô largar, ceder, corre pro ralo. quantas vezes você já chegou em casa e largar um tênis coberto de bosta na área e encontrou ele no dia seguinte cheiroso dentro do seu armário. parece que foi fácil, não foi. quando você faz isso você mesmo, você dá um valor inestimável a todas as removidas de cocô de sola de tênis que já fizeram pra você na sua vida. fazer café. lá em casa sempre tinha café fervendo na garrafa térmica. parece que é mole fazer. não é. a coisa mais fácil do mundo é fazer um café fraco ou forte pra cacete. que é o que sempre acontece comigo, café óleo diesel que pinta os dentes de marrom. quando você é moleque tudo parece fácil. quando você cresce, se você tiver sorte, tem sempre alguém pra te dar uma mão e fazer essas coisinhas do dia a dia pra você. e, você, lá de longe acha que é mole, que é fácil e no dia que você precisar fazer você mesmo, acha que vai dar tudo certo. ontem, por exemplo, coube a mim fazer o frango em casa. minha mulher não estava naquele exato instante que a minha barriga roncou e a cozinheira já tinha saído. pensei: "é fácil erick, vai lá, vai com fé!" uns oito minutos depois estava lá eu raspando a casca queimada do frango. o que também parece fácil, mas não é.
está quente pra cacete.
o calendário diz que é primavera,
mas parece verão.
vou tomar um sorvete.
pois acabei de ver pela janela
uma velhinha entrando em combustão.
sábado a tarde fui almoçar numa lanchonete nova dessas que servem variações de hamburguer. uma sanduicheria para ser mais preciso. os caras levam esse negócio a sério. na joaquim floriano, rua no bairro do itaim bibi tem uma em cada esquina. bom, talvez por isso, os caras tentam cada vez se especializar mais. carne importada da argentina moída em moedor italiano e grelhada em forno inglês, servida em pão francês com maionese grega e queijo suíço. exagerei um tiquinho, mas é por aí. mas voltando ao meu almoço de sábado a tarde. lá estava eu, prestes a dar a minha primeira dentada no suculento hamburguer, quando de repente um cara que deveria ter lá seus 25 anos, de olhos quase fechados enquanto mastigava diz: "hmmm, não, não, não, está salgado! carregaram no sal, dá pra sentir pela textura!" o amigo que estava ao lado reagiu com uma mão estendida chamando o maître: "olha, nossos hamburguers estão fora do padrão. nos recusamos a dar mais uma mordida!" e lá se foi o maître correndo para a cozinha equilibrando a prova do crime na bandeija. enquanto assistia esta cena, soquei quase 50 gramas de hamburguer na boca e mastiguei como se tivesse sido resgatado dos andes depois de uma semana perdido na neve, tava gostoso pra cacete. o maître voltou oferecendo um novo hamburguer e uma sobremesa ao final da refeição. o novo sanduíche chegou e enquanto o pseudo-crítico teorizava com os amigos sobre a qualidade dos ingredientes, eu comia e tentava conversar na minha mesa. mas era complicado. os fêla da puta reclamavam em voz alta: "não sei, acho que é o queijo... esse queijo definitivamente é de péssima qualidade. o sabor agarra na carne e deixa uma sensação de gordura em cada mordida!" ou "o pão parece fresco mas não é." ou "a carne é quase seca, já comi melhores." e, meia hora depois quando o garçom finalmente veio oferecer a sobremesa de cortesia, aí que deu vontade de mandar os caras à merda, mas estava de boca cheia. "vocês gostariam de experimentar nosso romeu & julieta? um delicioso sorvete de queijo com goiabada?" o moleque simplesmente disse: "queijo? queijo? como você ousa me oferecer queijo depois da péssima qualidade do queijo do sanduíche de vocês?" não fodi. vai dar meia hora de bunda. na boa, até confio mais na opinião de uma pessoa comum do que um crítico de restaurante. mas caráio, use o bom senso. se eu fosse dono do restaurante colocava a mesa toda na grelha. "o especial do dia? bom, nosso especial do dia é sanduíche de fêla da puta metido a chef."
- porque o restaurante friday's não se chama week's?
- que produto usam para limpar os banheiros de estádios de futebol?
- quando o cachorro late, será que ele está tentando nos avisar de alguma coisa?
- a primavera deveria ser chamada "verão 2"
- o colarinho do chopp desce, não sobe como o garçom insiste em dizer.
- que tipo de asfalto que usam para pavimentar as estradas de outros países?
- o domingo é mais curto que o sábado.
- segunda é mais longa que sexta.
- tabasco está dominando o mundo.
- todo mundo tem letra feia.
- zorra total tem uns 30 e tal pontos de audiência.
- a gerente do meu banco me manda correntes por e-mail.
- existe um queijo chamado emental, mas não existe um chamado gostoso pra burro.
- burro é gostoso? de onde veio essa expressão?
- se você espumar de raiva pela boca, você tambem tem febre aftosa?
- quem assiste a tv bandeirantes?
- catchup tem alguma coisa a ver com gato?
- quando uma pessoa deixa crescer um bigode, ela volta para os anos 70?
- quem é que coloca gasolina aditivada no carro?
- a joaninha é um besouro nojento que usa uma roupa bonita.
- nenhum telefone toca mais com o clássico "trimmm"
- tenho saudades da ana paula padrão, da fabiana sacaranzi e porque não, também da giselle que vem pouco ao brasil.
- minha mulher pode não gostar da observação acima.
- mulher não gosta de conhecer nenhuma mulher bonita que trabalha com você.
- homem não lembra que roupa vestiu 48 horas atrás.
- esqueci como se soluciona uma equação de 2º grau.
- acho que vou deixar crescer um bigode, tô com saudade de quando eu era moleque.
não me lembro com que idade deixei de ganhar o presente no dia das crianças. não sei se foi com 10, 11, 12 ou com 13. acho que foi por aí, até porque com 14 eu teria vergonha de exigir um brinquedo. por algum motivo, foi aos 14 que comecei a ter barba, rala, mas era barba. fiquei pensando nisso ontem, no dia das crianças. comecei a imaginar esse dia-- o dia de da decisão de não dar mais um presente no dia das crianças, do ponto de vista dos pais. fiquei imaginando a conversa entre uma mãe e um pai na semana que antecede o dia das crianças.
pai: amor, você notou a maneira que o carlinhos olhava para as coxas da vizinha no elevador?
mãe: [silêncio]
pai: então? notou?
mãe: mas aquela vagabunda precisava colocar tanta coxa pra fora... o moleque não tinha como desviar...
pai: bom, esse ano não tem mais presente do dia das crianças pra ele!
mãe: mas eu prometi que ele ia ganhar aquele computador novo...
pai: ô seguinte, da maneira que ele olhava as coxas da vizinha, esse moleque não é mais criança.
mãe: mas eu prometi...
pai: mas você mesmo viu, como ele olhava aquelas coxas carnudas queimadas de sol...
mãe: mas...
pai: ... grossas porém tenras, gostosas, se equilibrando sobre aquele par de sapatos vermelhos.
mãe: [silêncio]
pai: dava até para ver o começo da calcinha rosa que apertava aquelas coxas como quem não quer nunca mais largar...
mãe [interrompendo]: sei... coxas carnudas, calcinha rosa que aperta...
pai [engole seco]: ....computador de última geração para o carlinhos no dia das crianças que ele merece.. e aproveita para comprar aquele colar de brilhantes que você tava namorando, o par de sapatos italianos, dois, e não esquece de dar uma passadinha na concessionária pra ver se já chegou aquele carro que você não parou de falar depois de ver no comercial...
você provavelmente já teve algum brinquedo ou até mesmo um walkman que usasse pilhas recarregáveis. para quem não sabe, são pilhas como as comuns, só que quando elas ficam fracas, ao invés de jogar fora, você coloca elas para recarregar na tomada, e pimba, elas ficam como novas. a teoria das pilhas recarregáveis, é bem simples. ela diz que cada pessoa possui um conjunto de pilhas recarregáveis dentro de si. e que, o que essa pessoa faz no dia a dia, com a vida dela, influi diretamente na carga daquelas pilhas. entendeu? é fácil, fácil. aqui vão alguns exemplos de atividades que ajudam a carregar as pilhas de uma pessoa: dormir umas 8 horas ou mais, assistir um filme no cinema com o ar condicionado bombando, comer uma boa refeição sentado e sem nenhuma pressa, ler o jornal esparramado no sofá sem saber ao certo que horas são, comer três triângulos de toblerone, beber uma cerveja quase congelada, pegar no sono durante um seriado leve como seinfeld, bocejar sem colocar a mão na frente, escutar pela milésima no rádio vez aquela música que você adora mas não se lembra ao certo aonde você colocou a porra do cd, receber de troco uma bala mastigável bhering ou frumelo no saguão de um aeroporto, tomar um banho quente, deitar a cabeça num travesseiro frio, rir de uma piada sem graça, comer sushi de um peixe que você não sabe o nome e mandar alguém que te fechou no trânsito para puta que pariu. bom, agora, alguns exemplos de atividades que descarregam suas pilhas: te mandarem para puta que paril no trânsito porque você fechou alguém, ir ao dentista, ficar numa fila para pegar uma senha para outra fila, descobrir que amanhã é quinta e não sexta, dormir com as lentes de contato, dormir na posição errada, acordar quatro e trinta da manhã no sofá e ter que se mudar para o quarto, tomar uma cerveja morna, pegar uma taxi em que o taxista não conhece as ruas da cidade, comer jiló e quiabo, ir ao dentista novamente porque o fêla da puta não conseguiu terminar o trabalho na primeira consulta, pisar em bosta de cachorro, não saber que você pisou em bosta de cachorro e ficar uma meia hora andando pelo carpete de casa, alarme que não toca música e só faz pí pí pí, pagar 9 mangos para o serviço de manobrista, beber um toddynho estragado, queimar o céu da boca, ter que se levantar para mudar o canal da tv porque acabaram as pilhas do controle remoto. a teoria das pilhas recarregáveis. carregue as suas o máximo que você puder, porque como você viu, é mais fácil fôder com as carga delas do que mantê-las 100%. eu, por exemplo, vou me cobrir de jornal no sofá e abrir uma long neck estalando de gelada agora. afinal, as chances de eu sair do meu prédio amanhã a caminho do trabalho, e fechar alguém no trânsito, são grandes.
segunda passada acordei 6 e 30 pra tentar chegar na academia antes das 8. não sei se você tem o costume de ir a academia, mas é difícil acordar, escovar os dentes, lavar o rosto, colocar a lente, a roupa que você vai usar depois no trabalho, a da academia, tomar cafe, pegar o carro, estacionar o carro, subir o elevador, guardar as coisas no armário da academia, subir numa esteira e correr. porra, só de escrever essa rotina, eu fiquei cansado. sério, estou suando bicas. bom, vamos lá. como eu ia dizendo, é foda ir a academia. eu só vou por que, depois de um check-up, o médico me disse pra parar de putaria e levantar do sofá. sério, se ele não tivesse me assustado eu não levantaria 6 e 30 da matina nem com tapa na orelha (que você deve concordar comigo, é uma das piores dores que existem, um tapa de mão aberta na orelha.) sempre que eu me encontro correndo naquela esteira, tenho flashbacks do médico me dizendo: "erick, se eu fosse você começaria numa academia amanhã, para o seu bem, os índices de colesterol atingiram níveis... hmmmm... poderia dizer...... acima do normal!" sempre a mesma cena. sempre quando eu ameaço desligar a esteira e inventar uma súbita dor nas costas. funciona. o diagnóstico do médico funciona. mas funciona também, que hoje, lá estava eu novamente. bem, e com isso em mente, comecei a maquinar um novo negócio. uma espécie de serviço. "os falsos diagnósticos". não, eu não ia matar ninguém de susto, não iria receitar remédios desnecessários. é um serviço quase que beneficente. é mais ou menos assim: eu contrato um ator que passe por médico. uns 50 anos de idade, um tanto grisalho, com um óculos bifocal e uma certa preferência por canetas caras como montblanc. aí, eu alugo uma sala de escritório num prédio decente e abra uma clínica geral. uma recepcionista séria, uma sala de espera bem fornida de revistas e um café de dar inveja a qualquer vó. o serviço funcionaria da seguinte maneira: sua mulher não pára de fumar. você já insistiu, seu filho já insistiu e nada. ligue para gente. a gente resolve o seu problema. ligaremos para uma amiga da sua mulher, que como amiga, deseja o bem dela e pediremos para ela indicar esse novo médico maravilhoso que mudou a vida dela. e é aí que nosso serviço entra. sua mulher marca uma consulta. e depois de usar o estetóscópio, olhar a língua da sua mulher e pedir para ela repetir em voz alta "43", nosso ator-médico dará um "falso diagnóstico". ele colocará a mão sobre a mão da sua mulher e dirá: "se você não parar de fumar hoje, é melhor desmarcar a próxima consulta, não sei se você dura até lá..." a partir daí, drama, emocão, choradeira, e pimba, a mulher pára de fumar. "falsos diagnósticos", não sei, mas pode ser um serviço muito usado. assim que eu tiver com tempo, vou me dedicar a isso. uma outra fonte de renda, quem sabe. a não ser é claro, que este serviço já exista. e eu, correndo na academia, sou a maior prova de que ele já é um sucesso. médico fêla da puta.
tem um filme do robin williams recente que é bem bacana. o nome é "one hour photo". nele, o robin williams é um psicopata completamente pirado que trabalha numa loja de revelação--e que começa a viver a vida de uma família através das fotos que são reveladas. entendeu? o cara, de tanto passar o dia debruçado sobre a maquininha que revela as fotos, fica achando que faz parte daquela família. então. hoje eu, erick, não o robin williams, fui ao shopping revelar umas fotos no almoço. assim que cheguei, fui recebido por uma mocinha que disse: "oi, erick! o que vai ser hoje?" não, a mocinha não é nenhuma psicopata. eu tinha ligado mais cedo pra saber se eles conseguiriam revelar durante o almoço. mas-- eu me toquei que já era a vigésima vez que eu revelava filmes lá. das férias, do noivado, do casamento, de aniversários-- caráio, até coisa do trabalho eu já tinha levado lá. é um troço bastante curioso. eu não conheço a tal da mocinha--mas ela conhece minha vida como ninguém. melhor até do que a minha mãe, que do casamento levou somente uma foto ampliada. cacete-- a mocinha já viu foto minha bêbado, muito bêbado, dormindo no sofá de casa, pulando na piscina, de boca cheia no almoço, emocionado no casamento e por aí vai. não sei não. mas eu acho que vou ligar pra loja pedindo pra ver uns álbuns da família dela. vou mesmo. "opa, aqui é o erick! lembra? aquele que tem um sofá branco e volta e meia corta a cabeça de algumas pessoas na hora de tirar as fotos... sabe? então, prepara seus álbuns de fotos que eu estou a caminho!" vou mandar ela trazer todos eles. porra--eu tenho o mesmo direito de ficar rindo das fotos dela e da família. sacanear as que saíram com a cabeça cortada e com os olhos fechados. vai dar meia hora de bunda. e--se ela não deixar eu levar pra minha casa. zuzo bem. vejo no shopping mesmo. afinal, não preciso mais do que 1 hora. e se entrar numa de que não vai dividir as fotos comigo, vou revelar minhas fotos em outro lugar.
hoje depois do almoço eu tive uma idéia. foi na hora que o manobrista trouxe o meu carro. foi um estalo. daqueles que você pensa em voz alta: "caráio, como é que eu não pensei nisso antes?" bom, a idéia é simples. mas todos têm que participar, senão não funciona, pode dar merda das grandes. é o "sorteio do manobrista". imagine que você acabou de jantar na sua pizzaria favorita. você pagou a conta e agora, a única que coisa que separa você de chegar na sua casa, é pegar o seu carro com o manobrista. e é aí que começa o nosso jogo. é meu amigo, você não vai pegar aquele carro que você está cansado de ver. o manobrista vai colocar todas as chaves numa urna e vai sortear um carro qualquer e entregar para você. pense só na emoção. na tensão. você chegou de astra duas portas e vai para casa de fiat doblò. você chegou de mercedes e vai para casa de bmw 4x4. imagine a emoção, você lá de barriga cheia, na frente do restaurante, mas ao invés de ficar com aquele ar cansado de quem vai para casa com o botão da calça aberto, meu amigo, a emoção está só começando. você pode ir para casa com um carro completamente novo!!!! é o "sorteio do manobrista". você entra no restaurante, dá a chave para o manobrista e passa o resto do almoço, ou do jantar, com aquela formiguinha na barriga esperando, como se fosse novamente criança, feliz, sabendo que a volta para casa vai ser diferente do que você sempre imaginou. "o sorteio do manobrista!!!!" com rufar de tambores, neon e manobrista com microfone no peito a lá silvio santos. seria o jogo mais popular de todos os tempos. a família iria a loucura. "quem sabe, mamãe a gente não volta pra casa hoje de harley-davidson!!!" imagine. quem sabe não acontece. quem sabe alguém não lê isso aqui e decide fazer. boa sorte. que você leve para casa um mercedes benz do ano, cor prata e por que não, conversível. hein?
assisti o primeiro episódio de seinfeld meio que por acidente. hoje, 15 anos depois, tenhos gravado em vhs os mais de 160 episódios da série. já comprei as primeiras 4 temporadas em dvd. e volta e meia assisto as reprises na tv. eu sei que é estranho. muito estranho. caráio, como é que eu consigo assistir o mesmo seriado, ou melhor, o mesmo episódio do mesmo seriado repetidas vezes? a resposta é simples: o negócio vicia. bom, isso aconteceu com seinfeld. aí, um tempinho depois, comecei a assistir "six feet under" ou "a sete palmos" em português. me fodi bonito também. tenho 4 temporadas do seriado lá em casa. "a família soprano" apareceu depois e também passou a roubar várias horas das poucas que sobram no meu dia. bom, aí, quando eu já achava que estava tudo beleza, que eu tinha sobrevivido essas doses maciças de seriados, veio o "24 horas". o 24 horas, se você ainda não assistiu é a heróina injetável dos seriados. se o seinfeld é a maconha que você consome com regularidade durante anos. o 24 horas é a heróina das mais pesadas que te mata de overdose. o seinfeld acostumou o seu organismo a aguentar por horas a fio um seriado. agora o "24 horas" vai retirar você da sociedade numa maca. você vai querer consumir a temporada inteira de uma só vez. e não importa se já são quase cinco da manhã e você tem que "acordar" em três horas para ir pro trabalho. você caga para coisas tão simples como jantar e falar com a sua mãe no telefone. você liga o foda-se no máximo e vai em frente. o problema do "24 horas" é que o programa é em tempo real e o protagonista está sempre a um passo de salvar o mundo. dando a falsa impressão que se você desligar a porra do dvd, vai impedir tal façanha. bom, você entendeu, viciar em seriado é fácil, limpar seu organismo deles, é impossível. eu tenho um plano. um plano sério. vou abrir uma clínica de reabilitação de viciados em seriados. vai ser bem simples. é uma pousada sem televisão. e, para aqueles que estiverem nas últimas, eu terei um só quarto. uma espécie de solitária onde essa pessoa assistirá continuamente um episódio do seriado "carga pesada" da rede globo. o mesmo episódio. num loop, onde sempre que ele acabar, o mesmo episódio recomeça. o pior episódio do pior seriado de todos os tempos para dar um choque na cabeça do viciado. sei lá. é apenas uma idéia. acho que vou fazer milhões. fico imaginando o mercado negro rolando nas redondezas da minha pousada/clínica, um mercado negro de dvds players portáteis com episódios da "super máquina", "friends" e o sempre clássico "o homem de seis milhões de dólares."
a primeira cerveja tem um papel muito nobre. a primeira cerveja é aquela que entra no seu corpo com o papel de abrir a porteira, ou portão. ela entra em território inimigo. um território até então habitado por refrigerantes, águas minerais e talvez leite. a primeira cerveja tem o papel de chegar no organismo do índividuo e avisar: "prepara a área que vem chumbo grosso!" é por isso que a primeira cerveja vem sempre seguida de uma estrondoso "ahhhhh!". esse som é uma espécie de sirene que esperneia e diz com todas as palavras que a partir daquele instante, muitas cervejas estão sendo geladas no freezer, exclusivamente com o objetivo de lutar ferozmente contra os ternos e as alatas temperaturas das tardes de sábados e porque não também as noites de quinta. a primeira cerveja é como aquele amigão do peito que quando chega na boate é o primeiro a chegar naquele grupo grande de mulheres. sem medo de ser feliz. abrindo espaço para todos os mais tímidos também terem chance de se dar bem. a primeira cerveja é como aquele cara que quando sente que a porrada é inevitável, respira fundo e parte pra cima. o que faz com que ele sempre tenha que responder aonde ganhou aquela cicatriz no queixo. a primeira cerveja simboliza tudo aquilo que nós queremos ser. destemidos, sem medo de ser feliz. sem medo de enfrentar o desconhecido. bom, você pode estar se perguntando: "caráio, esse cara está exagerando! pourra, nenhuma cerveja é isso tudo!" bom, é fácil você comprovar a minha tese. faça o teste. espere chegar quinta-feira. depois do trabalho. trânsito. entre num boteco. daqueles que conhecem você por nome. peça um chopp, uma cerveja, estupidamente gelada e, bem, você vai ver. a primeira cerveja é tudo. ou nada, sete segundos depois que o copo pousar na mesa.
frango preso nos dentes deve ser uma das maiores preocupações mundiais. não estou falando de preocupações como armas de destruição em massa, terrorismo, furacões e etc... estou das pequenas preocupações. aquelas que a gente sente durante o dia. aquelas preocupações mínima, de detalhes que não vão afertar ninguém como um ataque terrorista. bem, você entendeu, preocupações como "será que tem uma meleca fazendo polichinelo no meu nariz?" , "será que o meu desodorante venceu" ou "hmmm, será que eu aviso pra ele que os cantos dos olhos dele está cheio de remela ou foda-se?" mas, de todas essas mini-preocupações, o frango preso nos dentes é sem dúvida das mais fodas. não existe língua que consiga arrancar uma lasca de frango de um dente. frango desfia com facilidade. frango é como aquele vilão do filme exterminador do futuro 2 (sabe aquele que se transformava em qualquer coisa). então, o frango possui uma constituição que permite ao fêla da puta se alojar em qualquer dente, e por quanto tempo for necessário. você tem que ser um craque com o fio-dental para salavr o seu dente. não é qualquer um, não. o que eu acho mais engraçado é as madames nos restaurantes no horário do almoço tentando arrancar os pedacinhos de frango. algumas colocam as mãos sobre a boca tentando em vão esconder o trabalho árduo que as línguas estão fazendo. outras tentam ser mais delicadas e levam as línguas lá pros cantos da boca com a esperação de que o frango vai ceder após um breve carinho. o franguinho é tarado por dentes molares. aqueles grandões lá de trás. passei o almoço inteiro tentando desapropriar um frango dos meus. usei todos os 47 músculos em perfeita sintonia e nada. e foi pensando nisso, ou melhor, e foi cutucando os meus dentes com a língua a caminho da minha mesa que eu comecei a pensar nisso. no frango. até pouco tempo, tinha a mais absoluta certeza que "a meleca que parece estar lá, mas não está" era a maior mini-preocupação que existia no nosso dia-a-dia. estava enganado. é o franguito.
qual foi a última vez que você foi ao shopping morumbi? meu amigo, dei um pulo no shopping hoje para almoçar e o que foi que eu encontrei? um novo tipo de manequim, na verdade eles já existiam, mas agora evoluiram: são os manequins com bicos entumecidos do shopping morumbi. é uma nova espécie de manequim. com bicos dos seios duros como se estivessem em contínuo estado de tesão. deve funcionar. porque todas as lojas fazem isso agora. eu acho que segue o seguinte raciocínio: o consumidor, eu, está lá passeando procurando uma camisa social. ele olha a vitrine de uma loja, olha a da outra, até que de repente, ele se de frente com um manequim feminino com os bicos dos seios entumecidos, ou em português claro, com os bicos duros. e, vamos citar o exemplo da loja richard's. uma loja unisex. bem ao lado da manequim excitada, está um manequim homem vestindo uma camisa social nova que custa uns duzentos mangos. o que você faz? porra, você compra cararalho. se essa camisa deixou um manequim com os bicos dos seios entumecidos, meu amigo essa camisa vai fazer as mulheres de verdade pularem em cima de você. o mesmo funciona para as mulheres. de um outro ângulo, é claro. acho que com as mulheres funciona da seguinte maneira. a mulher passa e vê aquele manequim com os bicos dos seios entumecidos e pensa: "caceta, essa mulher está pegando fogo com essa camisa... e eu aqui nesse marasmo! vou comprar cinco. também quero estar me sentindo assim." os bicos entumecidos dos manequins do shopping morumbi. vai lá ver você mesmo, em pessoa. é bico para todo lado. um novo tipo de manequim. quem sabe esses bicos entumecidos (palavra legal essa de escrever hein?) não convencem você a comprar aquela camisa que você tanto precisa mas não se decide.
saber parar de comer num buffet é uma arte. eu, particularmente, não sei. se a minha mulher não me afastar da mesa eu explodo. sério, não estou exagerando. ir a um restaurante bacanudo em que você pode comer comidinhas gostosas sem parar, é uma aventura. é muita emoção: da cestinha de pão de queijo ao carrinho de sobremesa. tem gente que é tão boa nesse esporte (comer em buffet) que sabe a quantidade certa de pães de queijo que se deve comer no início para não foder o resto da experiência. essas pessoas comem no máximo um, um pão de queijo. quem come dois, depois se arrepende. esse segundo pão de queijo é a diferença entre voltar para casa soltando mini-arrotos e voltar tranquilo. o segundo pão de queijo é o que separa você de abrir a calça em pleno restaurante. depois vem a salada. ou melhor, depois você vai até a salada se servir. o certo é evitar coisas como palmito, salada de batata e aquele mega tomates. prefira as folhas. você volta para casa com a consciência leve de quem comeu uma saladinha, e ainda tem espaço para o prato principal. falando nele, concentre-se nas carnes, nos peixes e nas aves. porco não. só se você tiver um metabolismo como do "the flash", a carne de porco vai se arrastar dentro do seu sistema. evite arroz, feijão e maçarocas como mandioca frita e batata frita. meu amigo, você não quer chegar na hora da sobremesa suando bicas pela testa. bom, pelo menos isso foi o que eu escutei por aí. até porque, eu tentei, mas não consegui. ainda não aprendi a a arte do buffet. quando parar e principalmente o que evitar. quando parar no buffet. uma das coisas mais importantes da humanidade. algo que todos deveriam saber. quem sabe um dia não ensinam nas escolas. vou ficar aqui torcendo.
você pára o seu carro sempre no mesmo lugar? eu tento. mas nem sempre é possível. estacionamento é foda. é tudo igual. as vagas são do mesmo tamanho. as paredes da mesma cor de concreto. a luz é fraquinha fraquinha e não ajuda picas na hora de encontrar o seu querido carrinho. estacionamento é uma aventura na hora de estacionar mas principalmente na hora de ir embora. o pessoal tenta de tudo. principalmente o pessoal do shopping. inventam nomes criativos para os andares: "andar fanta laranja", "andar coca-cola", "andar tulipa", "andar rosas selvagens", "andar beija-flor". mas é foda, quanto mais os caras tentam simplificar, mais complicam. eu já passei horas em shoppings procurando o meu carro. já peguei carona em carrinhos de golf com os tiozinhos que cuidam do estacionamento atrás do meu carro. já fui até de taxi para o trabalho para depois voltar e continuar procurando o carro. sério, estava tão atrasado para uma reunião que não podia mais perder tempo procurando onde eu tinha estacionado. as vezes quando eu entro no estacionamento de um shopping e sinto um "vibe" negativo, eu dou meia volta e saio. isso acontece geralmente quando tem fila para entrar, muitas motos pilotadas por guardinhas uniformizados e é claro, quando a sinalização é uma bosta. é por isso que eu acho que todo shopping deveria ser estilo "valet park". da noite para o dia, tinha que mudar tudo. a minha vida seria melhor. a sua vida também. eu te garanto. isso teria um efeito cascata na sociedade. todos seriam mais felizes no trânsito. e eu provavelmente não teria mandado a tiazinha que me fechou na saída do estacionamento "à merda!". mas é só a minha opinião. se você gosta tanto assim de estacionamento de shopping, vá em frente. eu provavelmente terei que passar uma boa meia hora procurando o meu carro no estacionamento aqui do prédio onde eu trabalho-- antes de ir para casa.
s.a.c. de banco é coisa de fêla da puta. não sei se você já tentou tirar uma dúvida, resolver algum problema. é de foder. cada vez mais esse negócio de sac é automatizado. é sempre uma gravaçãozinha meia boca. gravada nas coxas. não entendo como é que banco, uma instituição que toma conta de bilhões de reais (não os meus bilhões é claro), não consegue pagar uns carinhas pra falar com você. hoje, por exemplo, liguei para falar com o meu banco, me fodi. escutei a nona sinfonia de bethovem inteira. mas inteira mesmo. não estou exagerando. vai dar meia hora de bunda. não aceito perder meia hora do meu dia falando com gravações e apertando o meu cpf, a minha data de nascimento, repetindo o meu endereço. sério, acho que alguma coisa deveria ser feita. não é possível que ninguém ainda não se revoltou. não é possível que alguém ainda não achou o endereço da central de atendimento para ir até lá lançar uns coquetéis molotovs, aquelas garrafinhas com alcool e um um pano na ponta. quase mandei um carinha tomar no meio do olho do cu da mãe dele quando ele teve a cara de pau de falar que iria me repassar para mais uma gravação. "se você me passar para mais uma gravação, você tem que mudar a porra do disco! não aguento mais bethovem. coloca chopin!" mas ele cagou para mim. me jogou no beethovem novamente. acho que eles estão acostumados a mandar os clientes à merda. acho que é a falta de opção. é tão difícil, dá tanto trabalho cancelar uma conta de banco e abrir outra que você, o cliente, acaba engolindo tanta bosta. já sei o que eu vou fazer. sempre que eu estiver em casa e atender alguma ligação do banco, vou acionar uma secretária eletrônica com os seguintes comandos: "aperte 1 para tomar no cu, aperte 2 para ir para a puta que te pariu ou aparte 3 para ir a merda." e depois jogava música em cima dos caras.
-headphones deveriam ser chamar ear-phones.
- o hamburguer tem esse nome pois foi criado na cidade de hamburgo.
- o cheeseburguer tem esse nome mesmo sem existir uma cidade com o nome de cheeseburgo.
- existe coca-cola. mas não existe maconha-cola.
- a revista veja deveria ser chamada "leia".
- apesar de ser uma musiquinha de criança, se você "atirar o pau no gato-to-to" você é preso.
- o trânsito sempre está livre entre três e quatro da tarde em qualquer lugar do mundo.
- se você estudar numa escola comum e responder que 2+2= 5, vão te chamar de burro.
- se você der a mesma resposta numa escola de artes plásticas, vão te chamar de criativo.
- uma criança chorando no avião equivale a dezoito chorando num restaurante de shopping.
- uma sujeito que sai com uma mulher que usa uma mini saia e um decote que revela metade dos peitos, não tem o direito de ficar putinho se alguém olhar para ela. vai dar tomar no cu.
- churrascaria rodízio deveria tirar o cupim do cardápio.
- o mcdonald's deveria tirar o picles do big mac.
- o bob's deveria fechar as portas e abrir uma sorveteria.
- sete e meia da mahã deveria deixar de existir. por lei.
- os deputados do brasil deveriam ser obrigados a trocar o "vossa excelência" por "seu fêla duma puta" quando se dirigir uns aos outros.
- segundas-feiras deveriam trocar de nome para "dia de merda".
- o kid abelha deveria ser proibido de lançar mais discos com as mesmas músicas com nomes diferentes.
- restaurantes deveriam ser divididos em duas partes: as pessoas que mudam os pratos do cardápio e gente que não muda e está satisfeita com forma que o chef criou o prato em primeiro lugar.
- a seleção brasileira deveria ser autorizada a ter dois times, a seleção "a" e a seleção "b" e inscrever as duas nas eliminatórias da copa do mundo.
- a porção de batata frita deveria ter a mesma quantidade de batatas em qualquer boteco.
- mais pessoas deveriam morrer nos episódios do seriado "er- plantão médico".
- a novela das 8 passa as 9 e 15.
- se você colocar todas as músicas dos beatles lado a lado, são menos de 3 horas de música.
depois de uma semana usando um computador sem acentuação. o acento está de volta. o acento é de foder. poucas pessoas dão valor pra ele. ou para eles. afinal são muitos, os acentos. mas no dia que os seus dedinhos percorrem o teclado atrás deles e você não encontrar, aí meu amigo, aí você vê a diferença que eles fazem. aí que você sente falta deles. acento é como um chapéu, um boné para a palavra. o acento para a palavra é como o gergelim em cima do pão do big mac, o telhado de uma casa, o cadarço de um sapato, a calda de chocolate do sundae do mcdonald's. a neve no topo do monte fuji, o filtro do cigarro, a tampinha do saleiro e o catchup da salsicha. ou seja, quando ele não existe, faz uma puta falta. por isso mesmo decidi escrever um textinho em homenagem ao acento. tava com saudade deles. eles ajudam você e eu a não travar na hora de ler as palavras e as frases que elas constroem. o acento do "pão", do "pé", do "incrível", e de "você". ahhh, os acentos. nunca, nos meus trinta anos de vida achei que escreveria um texto em homenagem aos acentos. acento é de foder, mesmo que volta e meia não tenho a menor idéia onde colocar os fêla da puta.
- porque quanto mais voce fica na cama, mais dificil e levantar depois?
- voce ja notou que voce so fode o esqueminha do AM e PM do alarme quando voce realmente precisa acordar cedo?
- mulher usa salto alto mas vive dizendo que sao os homens que mentem.
- o clube do flamengo fica na gavea.
- existe queijo-quente. existe misto-quente. nao existe presunto-quente.
- maes estao sempre certas mesmo quando estao erradas.
- os mesmo com esposas e sogras.
- voce usa cada vez mais a internet para ir ao banco, mas mesmo assim sobra cada vez menos tempo livre no almoco.
- o codigo da vinci esta no top 3 da lista de bestsellers desde 1968.
- existe uma banda que toca musica de elevador e que de vez em quando esta mesma banda toca em salas de espera de consultorios medicos.
- a bala perdida sempre encontra alguem.
- se o roberto carlos nao tivesse aquele chutao, voce estaria pergunta para alguem agora: quem e roberto carlos?
- o brazil so e escrito com "s" no brasil.
- os japoneses estao sempre doze horas na sua frente, nao importa a velocidade que voce faz as suas coisas.
- e que eles estao dormindo enquanto voce esta trabalhando duro.
- existem mais chicletes debaixo de cadeiras e carteiras do que em lojas para vender.
- um elefante incomoda muita gente. mas duas pessoas falando no cinema incomodam muito mais.
- nao e possivel ver a muralha da china do ceu.
- mas e possivel ver o ceu da muralha da china.
continuamos sem acentos. mas vamos la.acabei de comer um cafe da manha de cafuzar a cabeca. um cafe com leite, daqueles com espuminha em cima. bastante espuma. e, para acompanha um "croque madame". o croque madame, descobri hoje, e primo do croque monsieur. daqueles tipos de primos que se comportam como se fossem irmaos. bom, voce entendeu. o croque madame, e uma sanduba de queijo, presunto, uma manteiga daquelas de vacas obesas e um belo ovo por cima. e e ai que a historia fica interessante. afinal, esse ovo, ele nao e mexido, ou sanduichado entre camadas de frios e paes. esse ovo vem por cima. e literalmente um ovo que subiu na vida. e como se ele tivesse tido a oportunidade que um simples ovo frito nao teve. o ovo do croque madame teve a chance de estudar numa escola particular em paris. conheceu formadores de opiniao. o ovo que vem por cima do croque madame, e como o nome diz, uma madame. ele e o mesmissimo ovo que vem misturado na farofa, ou estourado sobre o arroz. mas ele teve uma chance. ele viu uma luz no fim do tunel e pulou pra cima do croque monsieur, e assim foi criado o croque madame. esse ovo, corajoso, e a maior prova de que tudo e possivel. a vida e um mar de oportunidades. quando voce acha que tudo esta perdido, voce pode subir na vida. voce pode escalar montanhas. vencer objetivos. pular obstaculos. o croque madame e um exemplo. um exemplo que eu vou para sempre seguir. ate porque, depois de comer o fela da puta hoje no cafe da manha, com certeza vou comer varios outros. croque madame, o ovo que subiu na vida.
hoje acordei com muito sono. tanto sono que eu achava que nao tinha acordado. tanto sono que mesmo colocando os oculos eu nao conseguia enxergar nada na minha frente. tanto sono que eu pensei que tinha sido sequestrado e estava no alasca com tudo branco ao meu redor. mas, foi so tomar o primeiro gole de cafe que tudo veio ao normal. bom, nao foi automatico. mas foi relativamente rapido. eu nao sei como e que o cafe faz isso. tudo bem, eu sei que o cafe tem cafeina. o que eu nao sei e como o fela da puta faz isso tao rapido. fiquei imaginando o cafe entrando garganta abaixo. o caminho que ele fez pelo meu corpo. e foi ai que eu cheguei a conclusao que, diferente dos outros liquidos, o cafe nao desce pela garganta. o cafe sobe. e, ele sobe. na direcao do seu cerebro. o cafe funciona como aquela mangueira que o pessoal da padaria usa para limpar as calcadas. o cafe sobe queimando cada onda do cerebro. cada curvinha dele. e como se ele desse uns tapas nos cantos mais dormentes da sua cabeca. so pode ser verdade. eu acho que as pessoas nao divulgam isso como medo da repercusaao. mas nao existe outra explicacao. o cerebro esta viciado no cafe. o cerebro precisa da fumacinha e principalmente das temperaturas elevadas. apenas uma teoria. eu, por exemplo, estou com um dos olhos no momento quase fechando. o que eu vou fazer? vou socar os cantos do meu cerebro com cafe, e claro. experimente. tente. vai por mim. funciona. todas as manhas.
obs: cade os acentos? tambem nao encontrei nesse computador.dia desses comprei um desodorante sem cheiro. acho que o termo oficial e "neutro". bom, esse desodorante e um misterio. porque? e um misterio porque diferente dos outros com cheirinhos de flores, "fresh", "powder" e similares, o desodorante sem cheiro, como o nome diz, nao tem nenhum cheiro. essa porra esta me causando problemas. problemas serios. eu nunca sei se eu coloquei o desodorante ou nao. todos os dias pela manha eu tenho que colocar a lente de contato, fazer a barba, colocar a locao pos barba, escovar os dentes e passar o fio dental depois do cafe. e, no meio disso tudo, eu coloco o desodorante. e e ai que esta o problema. como ele nao tem cheiro, chega um determinado ponto do dia que eu nao consigo me lembrar se eu estou ou nao usando desodorante. chega um ponto do dia em que eu nao sei se entre a barba e a lente de contato, eu me lembrei de colocar a camada protetora debaixo de cada subaca. com o meu desodorante atigo, o "powder fresh" eu sentia aquele odor falso de "limpinho" de longe. minhas narinas conseguiam na hora sentir o drama. eu me sentia seguro. eu sabia que eu podia entrar confiante num elevador lotado sem o risco de causar um incidente internacional. agora por exemplo, acabei de sair de uma reuniao. e eu sai com a sensacao estranha de que eu nao coloquei o caraio do desodorante sem cheiro. nunca mais. a partir de agora so desodorantes como avanco, rastro e similares. aqueles desodorantes de spray. aqueles que despejam uns 100 ml de alcool nas subaca. pode ate incomodar alguem mais fresco. mas eu caguei. nao saber se voce esta com o desodorante e de foder. e inquietante. nao entendo quem compra. nao entendo quem faz. nao entendo como e que eu fui car nessa.
obs: mais uma vez o textinho vai sem acentuacao porque noi ainda nao descobriu como se faz isso nesse computador.camisa cinza definitivamente nao deve ser nunca usada em reunioes, encontros ou qualquer situacao que envolva algum tiquinho de tensao. camisa cinza e uma especie de termometro que revela o que esta passando na sua cabeca. a camisa cinza reage a qualquer mudanca de temperatura no seu corpo. se voce estiver nervoso, da subaca nasce uma pequena ilha mais escura, ou como algumas pessoas gostam de descrever esse efeito, forma uma pizza. bom, o problema de nascer a tal ilha na subaca, e que nao tem como voce esconcer de ninguem. qualquer pessoa num raio de dez kilometros consegu ver esse suor acumulando debaixo do seu braco. e dai para tomar conta do resto da camisa e questao de minutos. uma pessoa que sai no primeiro encontro com a giselle bundchen de camiseta cinza e uma lenda viva. um heroi que merece ser eternizado com uma estatua em praca publica, vestindo e claro, a sua camisa cinza. uma sujeito que entra numa reuniao de diretoria com uma camisa de terno cinza clara, e um heroi que merece ser eleito o presidente da compania por unanimidade. isso tudo, e claro, e somente, se os dois, tanto o cara que saiu com a giselle como o executivo da reuniao, nao suarem uma gota sequer. nada, nem uma mililitro de suor. meu amigo, isso precisa de treino. agora, se voce nao se garante, e entra numa situacao de tensao, vestindo uma camisa dessas, ai, voce e muito mane. do maiores que existem. por isso, va por mim, evite a todo custo a camisa cinza. e um perigo. do maiores que existem. nao arrisque. a nao ser e claro que voce sej o dalai lama e, e por lei, o cara mais zen que existe. a camisa cinza te entrega. mas se voce leu isso aqui, ja sabe disso.
obs.: esse textinho nao tem acentos porque o teclado em que ele esta sendo escrito e bem esquisitinho.
aviao. tem gente que tem medo de aviao. eu nao tenho medo, eu tenho mais e claustrofobia. do lugar fechado. de nao poder abrir a janela pra pegar um ar. de nao poder dar uma paradinha numa loja de conveniencia no caminho para tomar uma agua, esticar os joelhos e voltar para encarar o resto da viagem. bem, voce entendeu. aviao e foda. umas trezentas pessoas socadas dentro de uma lata. se voce se levantar, periga ficar preso entre o carrinho da comida e uma tiazinha nervosa que foi ao banheiro pela centesima vez. mas o que mais me deixa cafuzo no aviao e as comidinhas. o mini pratinho. o mini garfinho. o mini copinho. o que mais me deixa cafuzo e o fato desses caras servirem frango recheado com queijo e arroz com amendoas como se tivesse acabado de ser cozinhado. caraio, de onde esses caras tiram essas comidas? quem e que esta cozinhando essa comida? sera que o co-piloto faz um bico de assistente de chef? "file com molho de cogumelos, frango em tiras com lascas de gengibre ou ravioli de vitela?" quando a aeromoca me pergunta o que eu vou querer comer no jantar, eu fico pensando: "puta que pariu, e se as trezentas pessoas deste aviao pedirem o mesmo prato? cacete, lascas de gengibre? vai dar meia hora de bunda, como e que voces arrumaram tempo de tirar lascas de gengibre nos quinze minutos que o aviao ficou no solo?" agora, o que de foder, e o cafe da manha. a mulher, a aeromoca, novamente aparece cheio de opcoes: "omelete? cereais? sanduiche de peito de peru?" caceta, onde e que esses caras guardam tudo isso? sera que eles viraram a noite cozinhando enquantos os passageiros dormiam? e, eu nao sei. acho tudo muito estranho. trezentas pessoas, tres opcoes de jantar. tres opcoes de cafe da manha. no meio do nada. dez mil metros de altura. tem algo estranho acontecendo la naquele lugarzinho em que as aeromocas se reunem de madrugada. alguma coisa sinistra. piloto, co-piloto e aeromocas descascando batatas e cortando carne enquantos os passageiros dormem. da proxima vez eu nao durmo. vou entrar la de madrugado e pegar esse felas das puta com a faca e o queijo na mao.
aeroporto é um lugar engraçado. engraçado não, diferente. é como se fosse um universo quase paralelo. onde as pessoas usam roupas que geralmente não colocam em outras ocasiões, como calças de veludo marrom escura, por exemplo. no aeroporto também, as pessoas comem comidas que nunca comeriam em outro lugar. suco de maçã e sanduíche frio de queijo e presunto é um bom exemplo. e como o seinfeld disse uma vez, você paga em média uns quinze mangos para comer esses quitutes com prazo de validade de dois meses. leitura é outra coisa. você acaba comprando revistas que você nunca comprou porque, sei lá, a porra do aeroporto tem esse efeito em você. um bilhão de pessoas socadas num portão de embarque a espera de um avião que está vindo do rio de janeiro ou que está trocando de tripulação em recife. é de foder. esse textinho por exemplo, estou escrevendo numa sala de espera, com um grego suado fungando o meu cangote. o fêla da puta quer tomar o teclado de mim. mas como essa é a última cadeira disponível na sala de emabarque, eu quero que ele se foda. bom, pensando bem, a subáca do cara tá ardendo as narinas. tchau.
que roupa escolher para vestir pela manhã? não fico muito tempo escolhendo. juro. não tenho frescuras. tenho é preguiça de escolher. as vezes eu abro a janela só para ver como é que as pessoas estão vestidas lá fora. tento copiar. mas geralmente não tenho nada igual no armário. as vezes eu vejo o céu. coloco o dedo para fora da janela. "tá frio?" "tá quente?" "tá morno?" "tá bom! eu já tô indo porra!" canso de ir para a mesa tomar café de toalha. as vezes dá um branco--não sei o que colocar. tenho medo de ter uma reunião e não me lembrar. me cago de ficar suando o dia inteiro por ter finalmente decidido usar o sweater bordado com renas amarelas com bolinha azuis dado pela minha vó. muitas vezes não me lembro que calça ou camisa eu usei no dia anterior. tenho que começar a anotar. semana passada por exemplo, vim três dias seguidos para o trabalho com uma camisa azul e jeans. o mesmo tênis. as camisas eram da mesma cor. marcas diferentes. mas da mesma cor. não sei se passei a impressão de sujo ou de apenas 'quisito'. vou fazer como einstein. einstein pelo o que reza a lenda se vestia sempre igual. com a mesmíssima roupa. não mudava a combinação. todos os dias. faça frio ou faça sol. ele não queria gastar seus neurônios escolhendo a roupa logo pela manhã. e olha que o cara tinha muitos neurônios. tô pensando em seguir o exemplo . afinal, se ele que tinha bilhões de neurônios--fazia isso. imagina eu--que ontem matei uma dúzia dos que restam-- secando 3 cervejas.
garfo pequeno, garfo grande, faca pequena, faca grande, colher pequena, colher grande. alguns restaurantes, os mais caros tem o costume de entulhar a mesa com talheres. os pequenos para a salada ou entrada, os maiores para o prato principal, a faca sem dente pra o peixe, a afiada para a carne, a super afiada para a carne que custa o dobro da carne da faca que é apenas afiada e assim por diante. quando eu era mais moleque, caí de pára-quedas num restaurante desses e não consegui entender picas. não consegui decorar a ordem. e desde então tenho ignorado todas as etiquetas: só uso os talheres grandões. garfo e faca grande pra salada, o prato principal e sobremesa. no começo as pessoas olham, observam, e olham novamente pra ver se você se tocou que você está comendo a salada com os talheres errados. mas depois elas se acostumam, ou pelo menos se comportam como se fosse a coisa mais normal do mundo. a primeira coisa que eu faço quando sento numa mesa dessas, é pegar todos os talheres supérfluos e entregar para o garçom. não sei se você teve dificuldade na hora de aprender a usar os talheres, comigo foi foda. aprender a cortar um bife então, foi mais difícil que dominar uma equação de segundo grau. a minha teoria é a seguinte, já é difícil fazer uma criança largar a colher. agora, fazer um moleque decorar com que garfo e com que faca ela deve rasgar as folhas de alface é de fuder. sei que já estou mais crescidinho e já não é tão difícil decorar a ordem, mas e me recuso. vai dar meia hora de bunda o pessoal que inventou essa história de garfos e facas de vários formatos e tamanhos. é como os orientais, você não vê eles comerem salada com palitos pequenos. não, é tudo do mesmo tamanho. na próxima vez que você for a um restaurante e se ver cercado de talheres, pegue o guardanapo do colo, embrulhe todos os talheres que você não vai usar e chame o garçom. assim, meu amigo, você pode concentrar em driblar as espinhas do peixe, dobrar as folhas de alface, desfiar o frango e tirar aquela casca de titânio dos camarões de buffet. vai por mim, fica muito mais fácil. e se alguém levantar uma sobrancelha quando notar que você não está comendo com o garfo certo, pergunte se na casa dele, ele almoça todos os dias com essa putaria toda.
quando eu era mais moleque, inventei um super-herói bem quisitinho, o nome dele era sobrancelha man. isso mesmo. dia desses fuçando numa papelada lá em casa, encontrei um esboço com o sobrancelha man. ele era um super-herói para os dias modernos. ele não soltava raios lasers pelo rabo, não era feito de titânio, mas tinha lá seus super poderes. é, o sobrancelha man, carregava uma pinça em cada mão. daquelas pinças bem fucking fuckers feitas para arrancar os pêlos mais difíceis. sobrancelha man, tinha duas mega sobrancelhas. gigantes mesmo. elas subiam quase um metro e depois curvavam. bom, você deve estar pensando que caráio essas mega sobrancelhas faziam? elas funcionavam mais ou menos como o escudo do capitão américa. além de serem a prova de bala, também funcionavam como um puta charme para a mulherada. sobrancelha man era pegador. dos mais pegadores. a mulherada chegava perto pra olhar as sobrancelhas e ele cráu. e as pinças? quem já arrancou um band-aid com força sabe a dor que é arrancar cabelos de suas respectivas raízes. mas com a pinça doi mais. doi muito mais. se uma vovó estivesse sendo assaltada num beco escuro por um fêla da puta... sobrancelha man surgiria munido de suas micro-pinças para arrancar fios de cabelo da base da nuca do ladrão (estudos comprovam que arrancar um fio de cabelo da base da nuca resulta na maior dor que um ser humano pode sentir.) depois de encontrar os rabiscos do sobrancelha man tentei me lembrar como é que ele nasceu. a resposta estava no verso da mesma folha de caderno. a inimiga nº1 dele era uma professora minha de matemática bem babaca. ela era o lex luthor, o duende verde do sobrancelha man. ele nasceu no dia que ela, a professora, me fodeu ao dar um teste surpresa de algebra, eu acho. e porque, sobrancelha man e as pinças? a fela da mãe tinha umas sobrancelhas que enrolavam na testa, uns tufos de cabelo nos braços e um bigodinho, um buço bem visível. e foi aí que eu pensei no sobrancelha man. depois de pensar em todas as alternativas, cheguei a conclusão que a melhor maneira de me vingar dela seria arrancando cada cabelinho daquele bigode. um por um. mas como eu já estava bem fodido naquela matéria... aquilo era um trabalho para o sobrancelha man... man...man....man... (eco)
reza a lenda que o pai das irmãs williams (venus e serena) teve a idéia de matricular as filhas numa escolinha de tênis depois de assistir a entrega de uma premiação de um torneio de tênis. aquele cheque gigante de papelão cheio de zeros -- que os caras entregam nessas finais fodem a cabeça de qualquer um. o cheque gigante de papelão quase levou o cara a locura. ele não sossegou enquanto não viu as filhas ganharem um. 15 anos depois, as duas já ganharam mais de 10 milhões de dólares cada uma. caráio. é dinheiro que não acaba mais. o que nos leva ao assunto desse textinho. ontem, assisti a final do us open. assisti a entrega do prêmio. e do cheque gigante de papelão. no valor de 1 milhão de dólares. puta que pariu-- 1 milhão de dólares! foi aí que eu decidi. como eu ainda não tenho filhos e não posso forçar eles a jogar-- vou jogar tênis eu mesmo. é resolvi jogar tênis. noite e dia. dia e noite. fiz os cálculos. eu tenho 30. posso treinar duro uns 2, 3 anos. me dedicar de verdade. aí-- com 32 eu entro no circuto profissional (o agassi tem 35). jogo uns 3 torneios desses dos grandes e me aposento. é. quero ganhar um cheque gigante de papelão. esse passou a ser o meu grande objetivo na vida. não vou lutar pela paz mundial não. muito menos plantar uma dúzia de árvores para um mundo melhor. quero ganhar o checão de papelão. é apenas uma questão de tempo e dedicação. vou me aposentar com o checão. e aí, sempre que chegar a conta do restaurante e o garçom me perguntar: "cartão? dinheiro? cheque?" eu vou simplesmente responder: "não! eu vou pagar com o meu checão de papelão." deve ser de fuder.
- pior que sentir dor de cabeça, é ter que sair pra comprar aspirina.- pior que não picanha ou fraldinha, é só ter cupim.
- pior que esquecer de tirar as lentes de contato, é acordar com elas.
- pior que pegar um trânsito, é pegar um caminho alternativo e se perder.
- pior que trabalhar no fim de semana, é trabalhar na vespera do natal.
- pior que sinal de ocupado, é ficar escutando a musiquinha da espera.
- pior que dor de dente, é dor da maquininha do dentista.
- pior que uma espinha no rosto, é uma de peixe atravessada na garganta.
- pior que especial do roberto carlos, é a reprise do mesmo.
- pior que coçar o saco, é levar uma bolada nele.
- pior que estar com o nariz sujo, é não estar ciente disso.
- melhor que acordar tarde no sábado é acordar tarde na segunda.
as mulheres vão juntas ao banheiro.
os homens vão separados.
as mulheres gostam de atender o telefone.
os homens gostam de desligar.
as mulheres gostam de comidas como "quiche" e "confit de pato".
os homens gostam de "bolinho de bacalhau" e "filé a cavalo"
as mulheres não entendem porque o homem precisa saber quanto foi "fortaleza x cruzeiro" pela segunda rodada da copa sulamericana, mesmo que você não torça por nenhum dos dois.
os homens não entendem como a mulher não percebe a beleza que existe num gol de bico aos 47 minutos do segundo tempo num jogo que não vale pourra nenhuma, mas que vai deixar algum amigo seu bem puto.
as mulheres choram ao final de filmes como "titanic" e "notting hill".
os homens choram quando levam uma bolada na sáca.
as mulheres acham que entendem o homem.
os homens acham que não entendem as mulheres.
as mulheres acham que mandam nos homens.
os homens acham que eles mandam nas mulheres mas fingem que as mulheres mandam neles.
as mulheres amam a sandra bullock.
os homens acham que a sandra bullock quebra um galhão, mas amam a angelina jolie.
as mulheres odeiam a daniella cicarelli.
os homens adoram.
as mulheres gostam de conversar.
os homens fingem gostar de escutar.
as mulheres entendem que homem tem barriga.
os homens não entendem quando mulher tem.
as mulheres gostam de escrever, de falar, de conversar e provavelmente não terminariam esse textinho por aqui.
os homens são mais práticos.
já aconteceu com você? comigo já. eu apertei é claro. o que é que eu vou falar? desculpa aí cara, mas você acabou de espirrar na sua mão. não dá, o cara vai achar que eu estou de sacanagem. eu também já fiz minhas vítimas. já espirrei e apertei a mão de alguém. é complicado, você não controla. as vezes você está lá trabalhando e espirra. seis minutos depois chega um amigo e oferece a mão. o espirro já perdeu a validade, ele não viu você espirrar e muitas vezes você esqueceu até que espirrou. e você estende a mão e aperta. existem algumas maneiras de evitar apertar a mão espirrada. a melhor, na minha opinião é oferecer a outra mão. por exemplo, o cara espirrou na mão direita e logo em seguida oferece a mesma mão direita para você apertar... estenda a mão esquerda. mas faça isso com convicção. não desista, deixe ela lá no ar, como se você não entendesse ao certo o que está acontecendo. até ele trocar de mãos. mas se comporte com naturalidade como se você fosse canhoto. pessoas que espirram e depois apertam a sua mão não fazem isso de propósito. essas pessoas não acordam com um plano maquiavélico na cabeça. eles não fazem parte de um grupo cuja especialidade é espalhar germes. não, pessoas que espirram e depois apertam a sua mão simplesmente espirram com tanta frequência que cresceram apertando a mão dos outros depois de um atchim. dia desses estava tomando um café depois do almoço quando esbarrei num cara que eu conhecia de algum lugar só não sabia de onde. o rosto era familiar, mas se a minha vida dependesse de dar o nome dele, você não estaria lendo isso aqui agora. ele acenou de longe e veio na minha direção. só que, no caminho ele espirrou. um daqueles espirros que você vê em slow motion. com gotículas densas e viscosas voando para toda direção. bom, o cara usou a mão direita pra cobrir o espirro. eu estendi a mão esquerda e levantei o café com a direita, deixando claro que estava com a aquela mão impossibilitada de apertar a dele. não fode, vi depois que o cara também não lembrava o meu nome. já inventei apertos de mão no momento em que eu noto que se trata de um espirrador. apertos como aquele famoso em que as pessoas batem os punhos ao invés de apertar a mão. já dei golpes baixos também: recusei a apertar a mão de um amigo e dei um abraço seguido de frases como: "apertar mão!? vai tomar no cu! a gente é amigo desde pequeno! não fode! abraça aqui, irmão, porrrrra!" pessoas que espirram e depois apertam a sua mão. preste atenção, você pode ser a próxima vítima.
você deve estar se perguntando que caráio eu estou querendo dizer com isso. bom, deixa eu tentar explicar. quando você pega um milkshake no drive-thru do mcdonald's, por exemplo, você soca o canudinho amarelo e vermelho e começa a chupar com a mesma força de uma mãe que tenta tirar o ferrão de abelha do braço de uma criança. bem, você entendeu. o ponto que eu estou tentando chegar é o seguinte: é impossível compreender a magnitude de um milskhake consumindo ele em seu estado líquido. é difícil abstrair, calcular a densidade, a espessura, a quantidade de ingredientes de um milkshake, simplesmente com um canudo. quando você coloca as mãos num copo de milkshake, você bebe rápido. o negócio é gostoso e você bebe até dar aquele choque gelado na cabeça. ou, você aprecia cada gole, mas bebe em goles grandes. desta maneira, você não consegue visualizar a quantidade de sorvete que está engolindo em segundos. por isso, vale a pena fazer essa experiência. congelar o milkshake. eu fiz e é bem simples. vai ajudar você a entender o milkshake. congele ele no freezer por algumas horas. uma vez que você tirar o milkshake do freezer, pegue uma colher de aço inox daquelas que nem o uri geller conseguiria entortar. aí, você coloca um filme no dvd e comece a comer o milkshake. coma o bicho como se fosse sorvete. colher por colher. você vai ter uma surpresa. é, quando você chegar na metade do copo, você não vai aguentar dar mais uma colherada. vai estar com as bordas da boca lambuzada de chocolate e uma sensação de peso no estômago. o copo ainda estará pesado, cheio de milkshake congelado, mas você não vai conseguir comer. nem se a vida daquela velhinha boazinha do andar debaixo dependesse disso. aí você guarda o milkshake congelado no freezer e volta para ler as conclusões deste textinho. vai lá, eu espero. a idéia desse teste é mostrar pra você que o milkshake que você bebe com o canudo é monstruoso. contem 1 bilhão de calorias. sete bolas de sorvete, meio litro de leite. mas a sua cabeça não computa isso. você não consegue visualizar isso. então você bebe tudo como se fosse toddynho. mas, assim como eu aprendi, você agora já sabe o que é um milkshake. o que se passa ali dentro. congelado, fica beeeeem mais fácil entender que se trata de meia tonelada de açucar. assim como todo jovem que completa 18 anos deve se apresentar ao exército, acho que também deveria existir uma lei forçando a molecada a fazer esse teste. e mais, todo milkshake deveria vir com fotos como os cigarros. e no lugar de gente impotente e de pulmões podres, os milkshakes teriam fotos de barrigas enormes, celulite e cirurgia de redução de estômago. milkshake... aprecie com moderação.
sempre achei engraçado primeiros encontros em restaurantes. acho que a grande maioria dos primeiros encontros acontecem num restaurante. o casal pode até ter se encontrado num bar, numa festa, na escola ou no trabalho. mas o primeiro encontro sério acontece numa mesa no canto de um restaurante que provavelmente foi indicado por alguém que já teve um primeiro encontro lá. bom, a idéia do primeiro encontro no restaurante, obviamente é chegar ao final dele com um segundo encontro programado. isso é claro, se tudo der certo. mas não vamos desviar do assunto deste textinho. que é o fato desses encontros acontecerem em restaurantes. porque é engraçado isso? bem, qualquer comida que você pedir pode influenciar diretamente no que pode acontecer. se você pedir uma salada, você pode passar o jantar inteiro com um pedaço de alface agarrado nos dentes da frente sem saber. lembre-se que a menina ainda não tem lá essa intimidade com você para avisar sobre o alface. se você pedir fetuccine, espaguete e similares, você tem que dar aquela chupadinha com barulho pra levar todo macarrão para a sua boca. ou, você morde o que cabe na sua boca e devolve o restante ao prato. ou seja, nada simpático para quem quer impressionar alguém. bom, aí você pensa: "hmmmm... acho que vou pedir um peixe com molho de maracujá!" se fodeu também. as chances de você ter que levar a mão inteira pra dentro da boca pra retirar uma espinha que ameaça te sufocar são enormes. filé acebolado. bafo de cebola. file sem cebola. aí, você fica sem o bafo, mas vai ter que esfregar a língua nos dentões lá de trás para liberar o naco de carne preso. é só por isso que eu acho engraçado o fato de primeiros encontros acontecerem em restaurantes. as variáveis que podem acabar, destruir com esse primeiro encontro são muitas. não sei, mas deve ser exatamente por isso que é assim. afinal, se você passar por esse teste.... significa que você é o cara. pourra, depois de traçar dezoito tipos de carnes jorrando sangue e de bochechar café, se a mulher encarar te beijar no final, é porque você mandou bem. e, se ela aceitar um segundo encontro mesmo depois de você passar a noite fazendo aquele barulhinho ensurdecedo ao chupar o espaguete, aí meu amigo, pode pedir bife a cavalo caprichado no alho e na cebola com dois ovos mal passados no próximo encontro. essa mulher te ama.
você já assistiu o filme "babe"? aquele do porquinho que conversa com os animais da fazenda? e "procurando nemo"? do peixinho que vai para um aquário e o pai passa o filme tentando salvar? dia desses, acho que foi domingo passado, assisti pequenas partes dos dois na televisão. quando existem mais de 60 canais na tv, as chances disso acontecer são grandes. primeiro vi o "babe" e depois o "nemo". o problema é que tudo isso aconteceu antes do almoço. uma meia hora antes. saí de casa com o babe e o nemo na cabeça. cheguei no restaurante cheio de fome. muita fome. o couvert evaporou em questão de segundos. se o garçom demorasse mais um milésimo para tirar a mão da minha frente, ao colocar a cestinha de pães na mesa, eu teria arrancado o dedo dele. bom, aí chegou o cardápio. a pessoa que estava a minha direita, pediu cachorro quente. e, a que estava a minha esquerda pediu peixe a milanesa. ou seja, eu estava prestes a testemunhar uma pessoa comer o babe, o porquinho atrapalhado do filme, com catchup, mostarda e maionese. e uma outra pessoa, o nemo, empanado com molho tártaro. você deve estar pensando que eu estou de putaria, exagerando. mas tente você mesmo, assistir "procurando nemo" e depois degustar um sashimi. ou melhor, alugue o dvd do "babe" e depois mastigue uma linguiça de porco suculenta. mas mastigue devagar. eu dúvido que você não tem uma pontinha de dó. de pena do peixe e do porquinho. a primeira coisa que vai vir a sua cabeça e o pai do nemo atravessando o mundo atrás do filho. tudo isso, para encontrar, ele, o nemo, sendo fatiado por você num restaurante qualquer. chegou a minha vez de escolher o que comer. eu pensei, pensei, pensei, olhei o cardápio de ponta a ponta. prato por prato. e decidi. pedi um frango grelhado com batatas. afinal eu consegui sair de casa antes de começar o desenho "a fuga das galinhas". vai, alugue o filme e faça o teste. aposto um pirulito qe você não passa.
não estou falando de um pequeno comentário sobre o tempo, as horas ou algo parecido. estou falando de pessoas que conversam coisas íntimas no elevador como se não existisse ninguém ao redor. vou dar um exemplo: "amor, você lembrou de jogar fora a fralda suja de cocô do nenem?" ou "diz aí, armando, você não acha que aquela menina do financeiro tá louquinha pra me dar?" ou "você se lembrou de rebobinar 'dando de 4 é mais gostoso'? tô cansada de pagar multa no vídeo clube!" bem, você entendeu. nada contra quem fala em elevador. só acho estranho. quer falar sobre o seu período mestrual no meio de estranho? beleza, não me importo em escutar. mas como é que uma pessoa não consegue esperar o elevador abrir a porta para confessar para o amigo que não foi capaz de segurar a bufa? quer saber as horas? onde vamos comer? beleza. que tesão louco é esse de falar coisas íntimas na presença de estranhos? será que dá uma onda? será que causa um formigamento na base da nuca? não sei, deve ser mais ou menos a sensação que as pessoas têm ao transar em estacionamentos de shopping, elevadores e banheiros de aviões. só pode ser. o elevador lá do meu prédio é pequeno. muito pequeno. cabem 6 pessoas prendendo a respiração. dia desses, uma mulher perguntou para o marido com quem ele tinha ido tomar chopp na noite anterior. gaguejando, ele emendou uns três nomes de amigos (aqueles três que são casados, e que toda mulher confia). tava na cara que estava mentindo. como o elevador é pequeno, a mulher notou que eu estava a par de tudo. ela olhou para mim, como se pedisse um veredito. eu cocei a sobrancelha direita e o elevaador chegou. quase entrei no meio de uma briga conjugal. vai dar meia hora de bunda. espera o elevador chegar e interroga o cara no carro. no subsolo do prédio, onde ninguém poderá testemunhar o crime de vingança. não fode.