segunda-feira, dezembro 18, 2006

estacionamento. (1)

se você acredita nessas coisas de céu e inferno e quiser ter uma idéia do que te espera se você não se comportar e for uma mau menino, pegue o seu carro e vá ao shopping. qualquer um. qualquer dia da semana. entre hoje e o domingo dia 24. é impressionante. o inferno está localizado entre o andar das violetas e o das margaridas. é, só de putaria, estacionamentos de shopping têm esses nomes alegres para identificar os andares da garagem. mas o que acontece lá é o contrário. não tem nada de margarida ou violeta. você fica puto, bem puto. demora em média uns 37 minutos para achar uma vaga. e, quando acha, tem que disputar ela com um sujeito que aparenta estar armado. bom, aí você conseguiu a vaga, então acabou o inferno? pourra nenhuma. você se fodeu. meu amigo, olhe ao redor, você parou longe, bem longe de tudo. o elevador é na casa do cacete, a escada rolante então. você já entra no shopping puto. se tiver acompanhado da mulher ou dos filhos, as chances de brigar com eles são grandes. bem grandes. e, se você não brigar, não vai trocar uma só palavra na tarde de compras de natal. pode notar, em época de natal, todo mundo está puto no shopping. maridos chutando o chão. crianças chorando, mulheres tensas. tudo culpa do estacionamento. não sei se existem essas estatísticas, mas o índice de divórcio durante o natal deve aumentar consideravelmente. fico imaginando o juiz recebendo a papelada. "motivo do divórcio: estacionamento de shopping durante o natal." o juiz não vem nem titubear. vai lembrar da última vez que ele arriscou fazer compras num shopping nessa época e vai passar a caneta concedendo a pourra do divóricio. casais deveriam pedir indenizações para os shoppings. os shoppings deveriam ter um fundo reservado especialmente para banca a terapia das pessoas que se fodem procurando uma vaga. é foda meu amigo. evite, a todo custo. a não ser é claro, que você é curioso e quer porque quer saber como é o tal do inferno. aí você vai lá.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

cavalos

cavalos (1)

dois cavalos conversam antes do páreo começar no jockey. eles estão lado a lado.
- e aí, tudo bem?
- mais ou menos.
- o que aconteceu?
- dor... tô com uma dor nas costas...
- é o jockey que está aí em cima de você.
- caramba, como eu sou burro. é verdade, eu tinha esquecido.


cavalos (2)

dois cavalos conversam antes do páreo começar no jockey. eles estão lado a lado.
- você deixa eu ganhar essa?
- beleza.


cavalos (3)

um cavalo mais velho fala com o filho, um potrinho.
- meu filho, o que você quer ser quando crescer?
- reprodutor.


cavalos (4)

duas éguas conversam:
- ai a-mi-ga
- fala sua égua lin-da!
- você tem que ver as ferraduras que o fazendeiro colocou em mim.
- ma-ra-vi-lho-sas.


cavalos (5)

cavalo mais velho conversa com um potrinho:
- meu filho, ou você se comporta, ou quando morrer, você vai para um lugar lá cheio de jockeys e cowboys com botas com esporas.


cavalo (6)

um casal de cavalos sai para namorar.

- (cavalo garçom) e o que a senhora égua vai querer de entrada?
- hmmm, alfafa.
- (garçom) e você, senhor cavalo?
- alfafa.
- (graçom) e de prato principal?
- acho que a gente vai...deixa eu ver... acho que a gente vai experimentar essa alfafa.
- (garçom) excelente pedida.
minutos depois. o garçom volta.
- e de sobremesa, para a madame?
- é, vou querer um pouco de alfafa. mas só um pouquinho.
- (garçom) e o senhor?
- acho que eu vou acompanhar ela, alfafa.

terça-feira, dezembro 12, 2006

a miss e o adolescente de mão peluda.

dia desses vi na tv o miss universo. ganhou a da república dominicana. quase bonita. cheia de dentes. a brasileira ficou entre as dez. o que eu achei estranho foram os jurados que os caras escolheram pra votar. um casal bem esquisitinho de uma novela mexicana. uma modelo daquelas que se te falassem que é modelo, você não saberia dizer que era. uma ex-miss que se tocasse o interfone e o porteiro perguntasse se a fêla podia subir, você mandaria ele a merda. um maquiador com um jeitão suspeitíssimo. e um apresentador de programa de auditório colombiano. caráio. não dá pra sair resultado justo daí. como é que esses caras são capazes de escolher uma gostosa. uma mulher cujo rosto ira adornar as fantasias da molecada. não fódi. na minha sincera opinião, o jurí tinha que ser outro. tinha que ter pelo menos cinco adolescentes. espinhentos e com os hormônios em ebulição. um deles com a mão peluda. três véios safados, aqueles bem sacanas de banco de praça. e uns dois pedreiros de obra. vestidos a carater. com a cara suja de cal e com aquele assobio de arrancar sangue dos tímpanos das secretárias que passam na frente das obras. gente que ganha a vida observando, babando e secando a mulherada. no dia que eles fizerem um concurso com jurados assim, a miss universo não precisará usar coroa pra ser reconhecida na rua. vai ter que estar em forma pra correr com aquela coroa socada debaixo do braço. aí sim meu amigo, essa miss vai ser gostosa.


segunda-feira, dezembro 11, 2006

saquê, o traiçoeiro.

gin tem cheiro de porre. vodka tem fama de cabeça na calçada. uísque tem jeitão de quem vai acordar com dois dedos de olheiras e os olhos com aquele emaranhado de veias. cerveja, por natureza, gera repetição, repetição, repetição, o que indiretamente, só pela quantidade de garrafas alinhadas na mesa, pode-se prever um porre. ou uma leve dor de cabeça. cachaça, bem, cachaça é feito da mesma matéria-prima que movimenta os carros flex fuel. agora, o saquê, o saquê é traiçoeiro. aparentemente inofensivo. pra começar, o bicho é feito de arroz. é associado com sushi, peixe cru. saquê vem naquelas garrafas gorduchas e é servido em copos quadrados decorados com sal. e alí, no meio daquele ritual, você se engana, acha que o bicho é inofensivo. toma um, toma dois, toma três. toma quatro. mais uma garrafa, por favor. e quando você vê, sua língua está enrolada, num nó quase cego. você jura que está ok. mas não está. vai ceder gentilmente as chaves do carro para a sua mulher e procurar falar menos ou quase nada. o saquê é traiçoeiro. ainda mais traiçoeiro é o saquê combinado com frutas. ah, quando você combina o saquê com frutas o efeito é potencializado. você acaba bebendo mais. três, quatro, "tem certeza que eu bebi sete?" e aí, chega a conta e você acha que deixou cair uma lente de contato no chão. ou, em muitos casos, chega em casa, e, pilhado, coloca um dvd (desses de seriados) para assistir. quatro horas depois, com a tv chiando e as lentes de contato grudando, você levanta no susto do sofá e pensa: "caráio, saquê é traiçoeiro."

sexta-feira, dezembro 08, 2006

cachorro (3)

um cachorro desce o elevador com a dona.
a porta se abre e entra uma cadela. os dois conversam:

- e aí, tudo bem?
- tudo.
- você sabe onde essa porta vai dar quando abrir? é, eu sou nova no prédio.
- bom, quando essa porta abrir, é só você sair pelo portão do prédio, que é o banheiro.
- obrigada.
- de nada.
- lady, muito prazer.
- rex, igualmente.
- bom, cocô.
- procê também.

desconfie de manobristas de bigode e costeletas.

manobristas de bigode e costeletas são perigosos por um motivo muito simples: assistiram muitos filmes de ação. assinam telecine action. são fãs de steve mcqueen. manobristas de bigode e costeletas não assobiam enquanto pilotam o seu possante. não, esses são munidos de uma paixão pela velocidade. cheiro de pneu queimado na rua e velocidade. pode notar, nesses filmes de ação, tem sempre um sujeito chamado "buck" ou "toby jones" com costeletas a lá wolverine. com aquelas luvas de couro com os dedos cortados e uma lata de budweiser rolando no chão do carro. esses manobristas não estão alí, batendo continência no restaurante da moda para ganhar 10 mangos por carro. ah, meu amigo, eles estão alí para colocar a mão nos carros do ano, doze válvulas, tiptronic, 2.4, gasolina podium de alta octanagem. é uma teoria. baseada em uma única observação, dia desses deixei meu carro na mão de um fera com bigode e costeletas que escorriam até a base do pescoço. e olha que o meu carro deve acelerar de 0 a 100 em quase um minuto. mas não importa. foi eu voltar para buscar o celular que tinha esquecido no carro para flagrar o cara cantando os pneus do meu carro no asfalto. e, enquanto o pneu fabricava fumaça na rua, olhei para o outro manobrista que estava na porta e comentei: "telecine action. bigode e costeletas." ele olhou para mim e, balançando a cabeça disse: "bigode e costeletas." brincadeira, essa parte da história é mentira. mas que o fêla da pulta tinha bigode e costeletas, tinha. é apenas uma teoria. mas não custa ficar esperto.

quinta-feira, dezembro 07, 2006

pessoas que você não tem certeza se conhece e por isso não tem certeza qual é o nome. ou "ôpa, zuzo bem?"

"ôpa, zuzo bem?" quantas vezes você já não saiu em busca de uma bebida num casamento e esbarrou num cara que você não tem certeza de onde você conhece, ou até mesmo se conhece o fêla. aí fica aquele negócio, levanta as duas sobrancelhas ou manda um "ôpa." mas um ôpa contido, sem putaria, sem aperto de mão, sem "quanto tempo!?". afinal, você não tem a menor idéia do nome do cara. então, naquele momento, o nome dele vira "ôpa". foda-se o nome que os pais dele escolheram pra ele. a partir daquele momento, o nome dele é "ôpa". você encontra muitos "ôpas" no shopping, prédio de firma, fila de cinema. os "ôpas" estão por toda parte. dia desses sentei numa mesa de um restaurante ao lado de uma mesa em que estava um "ôpa". passei o jantar inteiro tentando lembrar o nome do fêla, e nada-- então chamei o sujeito de "ôpa". reunião de trabalho é um lugar cheio de "ôpas". com tantas reuniões, você com certeza já foi apresentado para o cara ou para a mulher que está do outro lado da mesa. mas fica ali, meio envergonhado de perguntar o nome novamente. então, na cara dura, estende a mão e fala: "ôpa." conheço muitos "ôpas". não consigo decorar o nome de ninguém. dia desses entrei no mesmo dentista que frequento desde mil novencentos e tal e esqueci o nome do fera. "quanto tempo, erick!" e eu, com a boca aberta, "ôpa." o "ôpa" é recomendado para momentos breves. quando você passa por alguém. quando você esbarra. quando uma pessoa está saindo do elevador e você entrando. mas deve ser evitado por exemplo quando você se senta ao lado de uma pessoa que você acha que pode conhecer na ponte aérea. é esquisito repetir o "ôpa" durante uma hora e tal. te vira colega, arrume um jeito de descobrir o nome do cara ou da mulher. o "ôpa" tem mil utilidades. é simpático, breve e ao mesmo tempo dá uma mão para o fêla que você não tem tanta certeza se conhece ou não. é, porque o fêla, também pode olhar para o seus córnios e falar "ôpa."

quarta-feira, dezembro 06, 2006

como quebrar o gelo em elevadores (2)

- apertar a cobertura e perguntar: “você sabe se eles têm manobrista para helicopteros aqui nesse prédio?”

- perguntar para qualquer morador que tenha cachorro: “e aí, já pegou bosta dele no chão hoje?”

- deitar a cabeça para trás e perguntar: “o meu nariz está sujo?”

- cantar baixinho “singing in the rain” e ao sair do elevador no seu andar, dar alguns passos de sapateado.

- ou cantarolar baixinho “singing in the rain” e perguntar para quem está no elevador se ele ou ela viu o seu guarda-chuva por aí.

- fazer embaixadinha com uma bola imaginária.

- jogar iô-iô imaginário.

- recitar "e agora josé" de drummond enquanto o elevador sobe. e "no meio do caminho tinha uma pedra" enquanto o elevador desce.

- fazer uma bola grande de chiclete e estourar propositalmente na cara. e subir o resto dos andares assim.

- comentar: "você está prendendo uma bufa? porque eu estou."

terça-feira, dezembro 05, 2006

os "pegadô" de bic.

eu já perdi umas setecentas e noventa canetas bic. por baixo. você já perdeu um número similar. a pessoa que está ao seu lado, também. e por aí vai. o mundo inteiro já perdeu uma caráiada de canetas bics. e, foi perdendo mais uma, um dia desses que eu comecei a pensar como é que se perde tantas bics. para onde elas vão. e o mais importante, como é que elas somem. cheguei a conclusão que existe uma galera, funcionários pagos pela bic para sumirem com as suas bics. uma caráiada de franceses meio marcel marceau, aquele mímico francês, cuja única função na vida é roubar a bic que está sobre a sua mesa. você deixou uma bic dando mole ao lado do bloquinho de papel enquanto foi ao banheiro? lá vem o francês com a mão boba para roubar a fêla da sua mesa. quer ver outra área de atuação dos pegadô de bic? faculdade. você está no meio de uma aula de física, e, quando dá uma piscada, olha para a carteira a sua frente e nada de bic. taí uma das táticas de maior sucesso dos franceses pegadô de bic. esse bando de fêla se matricula em escolas e faculdades, eles prestam atenção nas aulas para não serem notados, mas só estão lá para pegar a sua bic. aeroporto, você está lá preenchendo aqueles formulários e olha para uma turista alemã com uma irmã gemêa ainda mais gostosa. um francês passa e pega a sua bic. as gemêas são um velho truque deles. famosos também sofrem. fim de jogo de futebol. o artilheiro sai do vestiário e é cercado de fãs pedindo autógrafos. pode notar, tem sempre uma peituda ou um torcedor da torcida adversária no meio para causar alvoroço. mais uma vez, ambos são contratados pela bic. para foder com a organização e sumirem com a bic. e assim as vendas continuam, crescem e batem recordes. não existe outra explicação. os pegadô de bic. enquanto escrevia este paragrafozinho, um francês filho da puta pegô a última bic da minha mesa. brincadeira, mas eu estava sem um final decente para ele.

dois peixes num aquário redondo.


o primeiro peixe circula pelo aquário no sentido horário.
o segundo peixe, que é uma mulher, circula no sentido anti-horário.
- eu não te conheço em algum lugar?
- eu não te conheço em algum lugar?
três segundos depois.
- eu não te conheço em algum lugar?
- eu não te conheço em algum lugar?

sexta-feira, dezembro 01, 2006

cuidado com a tiazinha do seu prédio que usa bobs no cabelo.

não sei como é o seu prédio. o meu é cheio de tiazinhas. metade rabugenta, metade quase-simpática. o elevador é pequeno. tem uma plaquinha que diz que cabem 6, mas cabem apenas 4. e com uma certa dificuldade, um esquema meio nariz na nuca da vizinha. o que nos leva ao título desse parágrafo, desse textin: cuidado com a tiazinha do seu prédio que usa bobs no cabelo. quando eu entro na caráia do elevador, tenho o costume de fingir que não tem nenhuma tiazinha lá. finjo que a fêla é invisível. é uma antipatia preventiva. evitar abrir as porteiras do "bom dia, boa tarde, como é que vai a senhora sua mulher, e o tempo, e olha que ainda nem é verão, você viu o trânsito?, é um poodle toy, tem três anos, o nome dele é lindinho, adivinha porque?, que horas são?, já!, comprei na feira, quer um pouquinho?" é meu amigo, se você arrisca o primeiro "bom dia!" com uma tiazinha de bobs no cabelo, uma coisa é certa, para o resto dos seus dias ali, naquele prédio, você se sentirá na obrigação de comentar sobre o tempo, a feira, o trânsito e o vizinho maconheiro do 602. e é fácil entender porque. uma tiazinha que sai de casa com bobs no cabelo é tudo, menos tímida. mas principalmente, uma tiazinha que sai com bobs no cabelo mora sozinha. está sedenta para falar com alguém. e como é que eu sei que ela mora sozinha? bom, se ela dividisse o apartamento com alguém, esse alguém, nem fodeindo, deixaria ela sair com bobs no cabelo. simples assim. nada contra a tiazinha. mas é um perigo. uma ameaça. a tiazinha com bobs no cabelo é uma represa prestes a se romper. e o "bom dia!" que você dá, é a marreta que vai colocar a represa abaixo. é por isso, e só por isso que eu, no máximo, mas no máximo, levanto as sobrancelhas. as duas, juntas, num leve slow-motion. como quem diz: "não fódi tiazinha com bobs no cabelo, a gente mora no mesmo prédio, mas não precisamos ser melhores amigos, belê."

quarta-feira, novembro 29, 2006

master beef supremus imperador maximus

"o senhor gostaria de um naco dessa picanha nobre?" não sei se você já notou, mas em qualquer churrascaria, as carnes são divididas em classes sociais. tem a picanha que é nobre e tem a normal. tem o corte especial da alcatra, assim como tem o corte normal. tem o coração da picanha e da alcatra. mas como você já sabe, tem também os cortes comuns, os mais simples, sem fru-fru. o próprio filet-mignon, que em qualquer outro lugar é rei, na própria churrascaria é recebido com descaso. pode notar, o filet mignon dentro de uma churrascaria é tão bem aceito quanto uma lasca magra de cupim. resultado dessas classes sociais impostas pelos estabelecimentos. miolo de picanha nobre, especial, especialidade da casa, com crosta de alho, com crosta de alho especial, com crosta de alho nobre e super especial, master beef sumus. é sempre a mesma cena--quando se aproxima da sua mesa o garçom com o espeto com aqueles galetinhos magros de frango, você pode ver nos olhos do sujeito um certo ar de "sou um bosta, eles não me acham capaz de carregar um miolo especial fucking fuckers master sumus premium. não, é franguinho mesmo." o garçom do cupim então, já chega olhando para os próprios sapatos como se estivesse pagando algum pecado. o carinha do filet mignon fala baixinho, com ênfase no "gnon", só pra ver se desperta nas pessoas aquele brilho nos olhos. costela de boi, fraldinha. fodeu. essa divisão de classes está fodendo com as carnes com nomes mais simples. lá perto de casa, por exemplo, os nomes mais pretensiosos é que fazem maior sucesso: ancho premium, "bife de tira, dotô, corte argentino!" já, perto do trabalho, tem uma churrascaria que inventou um tal de "baby beef fiorentina especialidade da casa!!" o garçom oferece a tal especialidade com sangue nos olhos: "vai um fiozinho de azeite campeão? fica ainda mais especial." toda churrascaria é assim agora. carne não é mais simplesmente carne. se custar uns 80 mangos pode se chamar master beef supremus imperador maximus. já a picanha comum, comum, que supostamente não é tão fodona como sua irmã mais nobre, a nobre, não teria coragem de cobrar metade disso. não sei se você já notou, mas em qualquer churrascaria, as carnes são divididas em classes sociais.

segunda-feira, novembro 27, 2006

ou isso ou aquilo (4)

telefone celular com câmera ou relógio com calculadora.

chocolate meio amargo ou batata doce.

descer para pegar a pizza e entregarem o jornal na porta da sua casa ou descer para pegar o jornal e entregarem a pizza na porta da sua casa.

dentista ou acupuntura.

taxista perdido ou nota de 20 reais perdida.

fio dental depois de comer uma costela de boi ou uma praia com uma gostosa com um fio dental.

ar condicionado quebrado no verão ou cobertor curto furado no inverno.

pneu furado ou radiador estourado.

dor de cabeça ou dedada com mindinho do pé na quina da mesa de jantar da sala.

vizinho pentelho ou pentelho do cozinheiro na comida.

ou isso ou aquilo.

incongruências.(1)

dentista com dentes tortos.
endocrinologista pançudo.
taxista perdido.
cachorro-quente frio.
cobertura em prédio de três andares.
pit bull manso.
porteiro do seu prédio que não sabe o seu nome.
s.a.c. ocupado.
sofá da sala desconfortável.
linguiça de frango.
carne de soja.
sorvete de queijo.
café descafeinado.
esmalte transparente.
desodorante sem cheiro.
fio dental grosso.
feijão sem arroz
óculos escuros claros

quinta-feira, novembro 23, 2006

frangos.

frangos (1)

dois frangos conversam:

- sabe quem eu vi saindo do motel agora a pouco?
- quem?
- sua irmã.
- é uma galinha.



frangos (2)

dois frangos gagos conversam:

- co-co-co-ricó.
- co-co-co-ricó.




frangos (3)

dois frangos conversam:

- tá vindo dá onde?
- cinema.
- comédia?
- filme de terror.
- qual é o nome do filme?
- mcnuggets com molho barbecue.
- nossa.



frangos (4)

dois frangos observam uma galinha passar:

- nossa, que galinha gostosa.
- viu as coxas dela?
- suculentas. e olha que eu acho que ela está arrastando as asas para mim.



frangos (5)

dois frangos se encontram no elevador:

- mas que cara é essa rapaz?
- o natal. o natal tá chegando.
- você tem razão. é a época mais triste do ano.
- ceia. salpicção de frango. salada com frango. coxinha.
- triste.
- triste.
- boa sorte.
- procê também.

quarta-feira, novembro 22, 2006

porcos.

porcos (1)

dois porquinhos conversam.
- você não vai lavar as mãos depois de fazer suas necessidades?
- não.
- seu porco.



porcos (2)

dois porquinhos assistem o jogo do palmeiras juntos:

- porco! porco! porco!
- porco! porco! porco!




porcos (3)

bebê porquinho vai até o quarto dos pais de madrugada:

- mãe, eu não tô conseguindo dormir.
- o que aconteceu, meu filho.
- sonhei que tinha um lobo mal debaixo da minha cama.



porcos (4)

casal de porcos:
- amor?
- oi?
- você acha que eu fico gorda nesse vestido?
- fica.



porcos (5)

dois porcos conversam. é fim de tarde.
- caesar salad leva bacon?
- leva.
- muito?
- um pouco, pedacinhos, em cima.
- então fodeu!
- fodeu como?
- e escutei a dona da fazenda falando que ia fazer uma caesar salad.
- pra família inteira ou só para ela?
- pra família inteira.
- então fodeu.

terça-feira, novembro 21, 2006

vacas.

vacas (1).

duas vacas se encontram no pasto.

- oi.
- oi.
- tudo bem?
- tudo tranquilo.
- o que você fez hoje?
- fiquei pastando. e você?
- fiquei pastando.
- vai fazer alguma coisa mais tarde?
- acho que vou pastar. e você?
- pastar também.
- quer fazer alguma coisa amanhã?
- tipo o que?
- sei lá, pastar.
- legal.




vacas (2)

duas vacas se encontram.

- leite?
- isso. tava tirando leite.
- integral?
- não, desnatado.
- que dureza hein?
- é foda, tenho que tomar um litro d'água para cada litro de leite que o fêla da pulta tira.
- um litro?
- um litrão de água para cada litro de leite desnatado.
- foda.
- complicado.




vacas (3)

duas vacas se encontram.

- você viu?
- viu o que?
- de que material é feita as botas que o fazendeiro está usando?
- não, não notei...
- lembra da ana?
- ana?
- é, aquela vaca "simpática" que sumiu?
- ah, lembro. ana, ana, aquela vaca.
- bom, virou bota de fazendeiro.
- bem feito.




vacas (4)

bezerro pergunta para uma vaca:

- de onde viemos?
- inseminação artificial.




vacas (5)

duas vacas conversam:

- você acredita em vida após a morte?
- acredito.
- e o que acontece com a gente depois que morre?
- quarteirão com queijo.

quinta-feira, novembro 16, 2006

a loja de animais (2).

a loja já está aberta desde meio dia. o relógio marca duas e meia. um dos cachorrinhos finalmente parece ter conquistado a atenção de uma menina.

- olha lá. aquela menina gamou.
- tá louquinha por você.
- como eu disse, gamou.
- olha como ela me olha.
- faz carinha de "cuti, cuti" não dá mole. foram horas de treinamento, não vai jogar isso fora.
- chamou a atendente. tá vindo pra cá.
- pula. pula. dá dois pulinhos e depois coloca a língua para fora.
- assim?
- menos. menos. mais discreto.
- mil reais!!!??? não fodi. você viu quanto a vendedora disse que eu custava?
- caramba, tá caro. faz um cocô. grande. talvez eles abaixam o preço.
- já fiz. fiz antes da loja abrir. mas olha lá, olha lá, a mãe dela sacou o cheque do bolso. vão deixar ela pagar em três vezes.
- putz cara, acho que chegou a sua hora. quem diria que esse dia chegaria. cada um para um lado.
- e graças aos seus ensinamentos. obrigado por tudo. você é o meu obi-wan kenobi. meu mestre jedi.
- calma, assim eu vou ficar emocionado. me promete uma coisa.
- claro.
- se ameaçarem colocar o seu nome de "rex", você morde, late, mija, mas não deixa.
- beleza.
- tudo menos rex.
- lá vem ela. vai abrir a portinha do vidro.
- tchau.
- tchau.
-snif.
- snif.

a menina pega o cachorrinho e comenta com a mãe:
- olha mamãe, ele tá chorando de emoção.

e as duas vão embora com o cachorrinho no colo.

quarta-feira, novembro 15, 2006

a loja de animais quatro minutos antes de abrir.

sábado. shopping cheio de crianças famintas por animais de estimação. dois cachorrinhos recém-nascidos conversam:

- cara de fofo. faz cara de fofo.
- assim?
- não, não. tem que mexer os olhinhos para cima e juntar as sobrancelhas. tem que fazer cara de "abandonado", sabe?
- assim, então?
- quase.
- e, quando eu fizer essa carinha, eu devo chorar também?
- até pode, mas tem que chorar baixinho. não pode ficar histérico. ninguém leva cachorro histérico para casa.
- e se uma criança bater no vidro?
- tenta não latir.
- uma latidinha alegre?
- latidinha alegre pode.
- e se duas crianças baterem no vidro?
- bom, aí você tem que focar em uma. se você tentar impressionar as duas, aí fodeu. você vai se desgastar e o pai da criança não vai sentir tanta confiança assim em você.
- caramba?
- o que foi?
- tô com vontade de fazer xixi.
- segura.
- pourra, justo agora que a loja vai abrir.
- segura esse xixi. se uma mãe te ver mijando na vitrine, aí pode dar adeus para a fuga da loja. você vai passar mais uma semana aqui. e, você sabe, quanto mais velho você fica, mais difícil é ser vendido. e tem outra coisa. se a gente não agradar, o moleque acaba levando um gato.
- gato fêla da pulta.
- calma. calma. olha lá a vendedora virando o sinal de "aberto". vai abrir. respira fundo.
- abriu a loja!
- concentração. cara de coitado. olhinhos para cima. sobrancelha juntas. e foco numa só criança. foco!
- boa sorte.
- pra você também.

segunda-feira, novembro 13, 2006

o fiapo de frango agarrado nos dentes e outros meios de tortura.

dia desses, enquanto lia uma notícia sobre o bush comecei a pensar em outras formas de tortura. o texto falava sobre algum tratado em que o bush decidiu, por lei, que era permitido torturar prisioneiros de guerra. com socos na nuca, na garganta, dedo no olho, joelhada na sáca. em outras palavras, tudo relacionado a dor extremas. muita dor, dor pra caráio, dor. bom, e foi pensando nisso que eu comecei a pensar em formas alternativas de tortura. menos doloridas, mas igualmente eficazes. ex.: dar uma coxa de frango assada para o terrorista e esconder o fio dental dele. outro exemplo, ajudar o terrorista a entrar num prédio empresarial e depois esconder o crachá dele. outro, dar um telefone celular para o terrorista com o toque polifônico de "festa no apê" e ligar seguidamente para ele. alguns outros tipos de tortura: servir batata frita sem sal e sem ketchup e ao final oferecer aquele guardanapo de boteco que espalha a gordura. servir uma bifa suculenta com um nervinho ao centro. convidar o terrorista para um casamento e forçar ele a usar terno e gravata. servir torrada integral com creme vegetal becel. dar uma pick-up cabine dupla para o terrorista estacionar no shopping num sábado a tarde de chuva. depois de três dias passando fome, servir para o terrorista uma fatia grossa de quiche sem direito a nenhum líquido para acompanhar. levar o sujeito para experimentar roupas numa loja dessas mudernas em que a vendedora fica cantando uma música baixinho enquanto mostra para você as roupas. viajar para são paulo do rio, na poltrona do meio, com o pitoquinho de ar condicionado meia bomba. fazer ele ligar para uma operadora de celular para cancelar uma linha. e finalmente, colocar ele para dar uma volta no meu quarteirão num domingão calçando um daqueles tênis com a sola cheia de vincos que agarram bosta de cachorro quando se pisa em cima. bom, eu duvido que o terrorista ia omitir qualquer informação. alí, com aquele fiapo de frango preso entre os molares, sem fio dental, o terrorista ia chorar, entregar a mãe, o pai, e cantaria o hino americano com a mão direita no peito.