quinta-feira, agosto 20, 2009

o contrato e a cláusula 7.

quando ela era pequena, sempre passava na sessão da tarde o filme "a noviça rebelde".
e quando ela já não era pequena, sempre lembrava da cena clássica da julie andrews a correr pelo campo.

mas o que é que isso tem a ver com um contrato e uma cláusula? a cláusula 7. tudo.
certa vez, ao negociar um dos maiores (o maior) contratos de sua carreira profissional, ela negociou tudo. bônus, férias, motorista. um valor que até então nunca havia sido pago para uma pessoa com a idade dela. cada ponto do contrato, uma cláusula rubricada por ela, o diretor da empresa e dois advogados. ao final da negociação e do acerto, ela resolveu, através do seu advogado, incluir uma cláusula. a de número 7.


7.
"quero, uma vez por ano, na primavera, uma tarde livre para correr num espaço descampado. espaço que obrigatoriamente lembre o que foi utilizado como locação no filme 'a noviça rebelde'. todas as reuniões e eventos corporativos deverão ser marcados ao redor deste evento, neste dia de primavera. obrigada."

as canelas dela

ele não conseguia parar de pensar nas canelas dela.
lisas, longas, lindas. as canelas dela mudavam o humor dele.
sempre para melhor, é claro.
um dia ela perguntou para ele: "que parte do meu corpo você gosta mais?"
e ele, educadamente respondeu: "as canelas. amo suas canelas."
ele fez a mesma pergunta e a resposta dela foi igualmente pitoresca:
"o peito do seu pé. o peito do seu pé."

nada de respostas como "bunda, barriga, sorriso, seios..." mas, canelas e peito do pé.

e foi ali que ela descobriu que ele era o homem da vida dela. não porque ele achava as canelas dela-- a parte mais importante do corpo dela.

mas porque ele não achou estranho-- ela gostar-- do peito do pé dele.

terça-feira, agosto 18, 2009

tudo

ela inicia a conversa na cama.

- tudo o que é meu é seu.
- tudo?
- tudo.
- você me ama mesmo assim?
- amo. muito.
- tudo? tudo?
- tudo.
- [silêncio]
- [silêncio]
ele apalpa com a mão o lado direito da barriga, na altura dos rins. ao tocar a ponta do dedo sobre o ponto certo, ele faz uma cara de dor aguda-- olha para ela e diz, na maior calma:
- um rim?

você consegue?

- antônia?
- o que foi meu amor?
- se você pudesse ler pensamentos, você usaria este poder?
- acho que sim.
- mesmo sabendo o quanto eu não gosto da sua mãe?
- acho que sim.
- e mesmo sabendo que acaba de mudar para o apartamento ao lado uma vizinha maravilhosa?
- acho que sim.
- mas que existe a chance de pegarmos o mesmo elevador, os três?
- acho que sim.
- e considerando a frequência que você me pergunta se está magra ou gorda, mesmo sabendo que está fora de forma?
- pensando bem. não preciso. você é muito sincero.
- e isso é bom?
- acho que não.

quantas.


- quantas vezes mais eu terei que dizer que te amo?
- até eu perder a vontade de ir até a geladeira abrir aquela caixa de mini-toblerones.

agente secreto e a diva.

ela dizia que ele dizia que era um agente secreto.
ele dizia que ela dizia que era uma atriz de teatro.
ela dizia que ele dizia que ela dizia que ela era uma atriz de teatro.
ele dizia que ela dizia que ele dizia que ele era um agente secreto.
ela dizia que ele dizia 'eu te amo'
ele dizia que ela dizia 'eu também.'

um dia ele confundiu o endereço do restaurante e não apareceu. e ela, depois, sem graça, não ligou.

ela dizia que ele dizia que o dia que não aparecesse é porque estaria numa missão secreta no leste europeu.
ele dizia que ela dizia que o dia que ela não ligasse é porque estaria numa longa temporada de teatro em buenos aires.

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nunca se soube qual dos dois acreditou mais na mentira que o outro dizia.
se ele no que ela dizia sobre o teatro. ou ela no que ele dizia sobre a espionagem.
agora era esperar acabar a missão secreta que ela dizia que ele dizia fazer parte.
ou a temporada de teatro que ele dizia que ela dizia ser a estrela.

eles nunca mais se viram.

bozano.

- e então, gostou do corte filipe?
- é, é, sim. mas você pode colocar aquele líquido azul debaixo das minhas costeletas? aquele do meu pai.
- bozano, você quer dizer?
- eu não sei ler. mas é aquele pote azul que o senhor sempre mergulha um pedacinho de algodão e coloca debaixo das costeletas -- quando termina de cortar o cabelo do meu pai.
- bozano.
- o senhor pode botar?
- claro.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [siliencio]
- pronto.
- obrigado.
- esse cheirinho, de bozano? lembra o seu pai?
- não. lembra o comentário que a minha babá sempre sussurra no ouvido da cozinheira-- quando o meu pai volta para casa-- após cortar o cabelo com o senhor.

quinta-feira, agosto 13, 2009

50% de desconto!


- mãe?
- o que foi meu filho?
- essa roupa...
- o que tem ela?
- quem foi que escolheu? o papai?
- não.
- a senhora?
- não.
- a vovó?
- não.
- quem foi então?
- a promoção.

não estou.

ela inicia uma conversa breve para tentar entender como funcionava a cabeça dele.

- porque você não grava uma mensagem na sua caixa postal?
ele responde:
- porque, se eu não estou, eu não estou. simples assim

o preço.

depois de ver o apartamento, ele pergunta para o corretor de imóveis:

- mas porque este apartamento é tão mas tão mais caro que os outros nesta região?

o corretor abre as persianas, afrouxa a gravata, limpa os óculos com o bafo e diz:

- porque a vizinha de seios fartos, do prédio da frente-- anda completamente nua pela casa entre 17:00 e 22:00. todos os dias.

retribuição.

- paixão, tá vendo aquela mulher ali?
- qual?
- aquela segurando uma bolsa da c&a.
- tô.
- você acha ela bonita?
- sim.
- mais bonita do que eu?
- claro que não.
- mas olha o corpo dela.
- patrícia! mas que conversa é essa?
- não, só estava querendo ter uma conversa franca com você.
- mas...
- eu sei que você acha ela bonita. com um corpo legal... não é porque está comigo que precisa fingir que não acha... nós estamos casados desde... de...de.... bom, não tem problema olhar...
- posso te perguntar uma coisa?
- claro.
- mas você responde com sinceridade?
- sempre.
- você quer olhar para aquele sujeito que está passando-- que acaba de sair da academia, sem culpa?
- sim.

chato.


- o woody allen é inteligente.
- mas você está afirmando alguma coisa ou está dizendo?
- não entendi?
- amor, você está dando uma opinião sua, formada, ou está simplesmente repetindo o óbvio?
- marcelo, é uma constatação. acabei de ver uma foto dele numa revista... estava apenas puxando assunto.
- então você estava repetindo, falando algo que já ouviu. o óbvio.
- quando?
- quando o que?
- você ficou assim, chato para caralho?
- mas você está afirmando ou perguntando, como se tivesse dúvida sobre isso e precisa da minha opinião para tirar conclusões?

sexta-feira, agosto 07, 2009

um sujeito carente e sem sono.


- linda?
- o que foi?
- você ainda está acordada?
- não estou falando com você?
- [silêncio]
- sim, estou acordada.
- você está pensando em que?
- nada.
- em mim?
- em nada.
- eu estava pensando em você.
- que bom.
- mas você...
- não, não estava.
- mas...
- amor... deixa eu tentar dormir...
- mas você pode tentar?
- pensar em você?
- não é assim que funciona, você sabe.
- mas...
- ok, eu tento. eu tento.
- amor?
- oi?
- quer que eu coloque a nossa música de fundo para ajudar?
- pelo amor de deus, deixa eu dormir...
- mas você vai tentar né? pensar em mim, enquanto estiver dormindo...
- eu ia.
- não vai mais?
- não.
- brad pitt né?
- sim.

paris.



- amor?

- oi?
- o que você quer de presente de casamento?
- um clichê.

- um clichê?
- sim, o maior deles.

quinta-feira, agosto 06, 2009

mini-pequena-curtíssima idéia para um curta.


baseado numa piada.


abre com um casal no momento em que eles, o marido e a mulher-- se sentam numa mesa de um restaurante bem fino. francês. Mas um restaurante fino, fino mesmo. duas estrelas no guia michelin. não três, mas duas. o suficiente para o prato sair bem mais caro do que se imagina.

e o cardápio é apresentado. o casal passa o olho de relance sobre os pratos e pede para o garçom recomendar.


- o chef recomeda o pato. sim, o pato.

o casal então fica com o pato. pato com molho de laranja para os dois.

minutos depois. não cinco, mas quase trinta... o pato chega a mesa. num prato daqueles decorados. com uma cenoura raspada num canto e abobrinhas em fatias quase transparentes no outro. lascas de gengibre. batatas em espuma e um bocadinho de purê de mandioca. e um molho de laranja fino, quase um caramelo desenhado sobre o pato.

mas antes de comer, o garçom pergunta se o casal gostaria de um pouco de suor sobre o pato.

e, como se fosse a coisa mais natural do mundo, sem achar nada nojento-- a resposta é positiva para ambos. o garçom então começa a correr no mesmo lugar, até que gotículas de suor formam na sua testa-- e então lança gotas fartas de suor sobre o prato. a mulher pede um pouco mais-- que ele acaba por capturar da base da nuca.

minutos depois, ele pergunta se o casal gostaria de uma pitada de catarro. novamente a resposta é positiva. ele então, fecha a entrada de uma das narinas com o auxílio do polegar e assopra uma rajada breve de catarro sobre cada um dos pratos. o casal agradece e segue comendo.

durante a refeição, ele ainda oferece uma pitada de cuspe sobre a salada e pêlos do suvaco sobre a sobremesa. e em ambas ocasiões o pedido foi aceito. e todas as vezes, o casal mandava elogios rasgados para a cozinha. sempre com um sorriso grande no rosto.

para finalizar, uma bufa, um peido do chef sobre a dose de conhaque digestivo dos dois. a taça de conhaque foi levada até a cozinha e-- com a porta ainda aberta-- eles viram o chef encher o copo de gases. nada muito barulhento. sutil.

e finalmente chegou a conta. o marido colocou os óculos de leitura e pediu para a mulher conferir. essa cena se repetiu duas vezes. até que ele, o marido, inconformado com algum dado da conta, chamou o gerente.

- o que foi meu senhor? em que posso ajudar?

- a conta.

- mas o que tem de errado com a conta?

- 68 euros por uma dose de conhaque?

- [silêncio]

- 68 euros!?

- meu senhor, deixe eu conferir este preço...

minutos depois ele volta da cozinha com um sorriso amarelo e diz:

- você me desculpe. mas o preço está certo. o chef disse que antes de bufar sobre o seu conhaque-- havia consumido uma porção de caviar.

- caviar?! ah, tá. você aceita visa?

terça-feira, agosto 04, 2009

O TIQUE - uma idéia para um pequeno-mini-curta



Homem com seus trinta e mais anos senta-se para comer numa mesa de uma praça de restauração de um centro comercial. A camâra percorre o prato dele (Caldo Verde com um pedaço grande de chouriço agarrado na borda do prato.) e corre pelo braço dele até chegar ao seu rosto. Vemos então que ele tem um tique nervoso no olho direito. Ele pisca uma vez forte e duas vezes mole.


Corta para este mesmo homem a esperar o sinal abrir para atravessar a rua. Camara desvia de várias pessoas que estão ao seu lado e fecha no seu rosto. O tique está ainda mais evidente. Ele pisca duas vezes forte e uma vez bem mole.


Corta para ele no elevador do trabalho. Ele acena para alguém que trabalha com ele e pelo ponto de vista do colega de trabalho, vemos que o tique agora desencadeou algo ainda mais forte. Ele pisca umas três vezes bem forte.


Corta para ele sentado de frente para o seu computador. (O escritório ainda está cheio.) A câmara passeia pela sua mesa e sobe em alta velocidade até frear sobre o seu rosto. Vemos que o tique está mais intenso. Uma gota gorda de suor desce pelo lado esquerdo da testa.


Passagem de tempo. Ele está agora sozinho a frente do computador. O escritório está vazio. Uma senhora encarregada da limpeza olha para ele de canto de olho. Pelo ponto de vista dela identificamos o tique ainda mais intenso.


Corta para ele no seu carro a caminho de casa. Ele liga o rádio. Escutamos o locutor do rádio dizer algo.


LOCUTOR

Previsão de chuva para Lisboa.

Ele fecha a janela do carro. Pelo retrovisor, vemos o tique com uma intensidade quase inexplicável. O carro sai brevemente da trajectória devido a um piscar mais forte.

Corta para ele a entrar em casa. Vemos sobre o chão da sala uma pilha de cartas, uma revista e um jornal do domingo anterior. Ele apanha as cartas e vemos ele jogar sobre a mesa, todas as contas, a revista e após uma breve olhada na manchete velha do jornal, joga também o jornal. Resta em suas mãos uma carta. Uma só. Não endereçada. Ele abre a carta e encontra dentro a típica carta usada por sequestradores. Com cada frase composta por letras recortadas de revistas e jornais.

Enquanto a camara revela o que está escrito, escutamos ele ler em off.:


HOMEM EM OFF:

- Deposite seis bilhões de Euros na conta corrente número

000977 98765 9877 ou eu não liberto você nunca mais.

Assinado: O SEU TIQUE.


teorias dela.

- mas minha filha porque você está sofrendo tanto por esse menino?
- não consigo explicar.
- mas minha filha, ele é o seu primeiro namorado. você ainda terá outros.
- mas é difícil.
- passa.
- não passa.
- confia em mim.
- confia você em mim.
- é que...
- é que o que?
- ele acabou comigo.
- mas é assim minha filha. as vezes é você que acaba. as vezes é o namorado.
- você não está me entendendo. eu não gostava mais dele.
- então...
- mas ele acabou comigo.
- mas se você não gostava mais dele... foi bom, não?
- não, porque eu queria acabar com ele. mas ele acabou comigo antes. filho da puta.
- mas que bobeira. deixa para lá. ele fez um favor.
- acho que eu vou ligar para ele chorando. como é que está a minha cara. se ele chegar aqui parece que eu estava chorando muito?
- mais ou menos.
- me empresta aquela sua maquiagem que borra.
- mas...
- eu vou implorar para ele voltar quando ele chegar aqui.
- para que? mas para que?
- para terminar com ele depois.

menu de bebidas.

uma bebida se aproxima da outra no balcão de um bar movimentado:
- quanto?
- você tá me achando com cara de vagabunda?
- quanto?
- olha, eu não sou assim fácil não hein?
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- 9 euros se for com gin gordon. 12, se for bombay saphire e 14, tanqueray.

terça-feira, julho 28, 2009

o clichê.

ela corre de um lado.
ele vem do outro.
ele corre um pouco mais rápido.
ela com um pouco mais de estilo.
a gaivota passa.
o sol está quase contra a água.
ele consegue enxergar o sorriso dela de longe.
ela também.
o coração dele bate mais forte.
o dela também.
os pés dos dois levantam água lentamente a cada passo.
ele segura uma lágrima.
ela não.
eles finalmente estão quase prestes a dar o abraço.
faltam metros.
cinco.
dois.
e quando o abraço está para se concretizar, ela pára e diz:
- pensando bem, que clichê do caralho.

ignora ele e continua correndo. agora, para longe dele.

o cão.

- amor, esse cachorro fez cocô novamente no carpete.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro mijou na nossa cama.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro fez cocô dentro do box do chuveiro.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, esse cachorro fez xixi nos meus sapatos no armário.
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.
- amor, ou você se livra desse cachorro ou eu saio desta casa para sempre!
- mas ele sabe buscar cerveja no cooler.

o pior argumento.

- filho da puta!
- mas o que foi que eu fiz!?
- você me traiu. a maria disse que viu você na cama com a vizinha!
- a maria? a vizinha?
- é, a maria disse que entrou no quarto para limpar o carpete e viu você e a vizinha no rala e rola.
- (fala baixinho) que merda.
- você me traiu!
- calma amor.
- calma?
- eu usei camisinha!
- como assim, seu bosta!
- tecnicamente, o meu corpo não esteve em contato com o dela.
- [silêncio]
- durante todo o tempo existiu .2 mm de latex entre eu e ela. isso a maria não diz não é?
- filho da pulta!


o vhs e a gerações.

- mãe?
- diz minha filha.
- você não ama, ama o papai não é?
- amo.
- mas ama, ama?
- amo, amo?
- é, você ama. mas ama, ama?
- não sei. é muito amor isso que você está dizendo.
- então porque é que você casou com ele.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- diz mamãe...
- o seu pai sabia programar o vhs para gravar quando a gente saia para jantar fora.
- o que é um vhs?

retrato falado.

mulher descreve um assaltante para o homem do retrato falado numa delegacia. ela, com 47 e ele com uns 29. ela com um decote farto. ele concentrado no papel. depois de alguns minutos...

- mas... mas... pérai minha senhora!!! esse sujeito que você está descrevendo, bom, esse sujeito sou EU!
- é que você é tão simpático. queria guardar de lembrança.

3d.

- menina! você emagreceu?
- não amiga, aumentei os peitos.

quinta-feira, julho 23, 2009

depois do twitter

é complicado atualizar o blog depois das férias. e não porque existem muitos assuntos das férias para escrever. não. é preguiça mesmo. e também tem a caráia do twitter. esse esqueminha de escrever com 140 caracteres condiciona você a escrever cada vez menos. não que eu atualize o twitter com muita frequência. mas atualizar o blog é mais complicado depois de se acostumar com o twitter. e da preguiça pós férias.

mas, se você está em portugal enquanto lê este textinho, leia as duas colunas abaixo que sairam no destak. duas dicas bacanudas.
a primeira, de um restaurante com uma comida honesta, um vinho nota 11 e um atendimento especial. esqueminha bem interessante para marcar uns pontos com a patroa e com o seu estômago.

a segunda coluna é sobre viana do castelo. se você notar, a coluna está cheia de elogios. mas alguns bem exagerados. todos merecidos. se você está por essas bandas e já consegue enxergar as férias no horizonte, vá para viana do castelo. você volta com menos cansado e com uns dois fios de cabelo branco a menos.

bom, mas voltando ao blog e as atualizações. aos poucos ele volta a ser atualizado como antes.

a crônica do destak da semana passada

a crônica do destak da semana

quinta-feira, julho 09, 2009

para quem...

tem o costume de de vez em quando dar um pulo por essas bandas.
este blog vai viajar junto com o cara que escreve ele. e volta em uns 10 dias.

contrapé.

adolescente entra correndo na cozinha de casa esbaforida-- e solta uma frase num só respiro:

- mãe, vou abandonar tudo e vou pegar a estrada com o pedrão, meu namorado.
- ok.
- mas você não vai dizer nada? afinal eu tenho apenas 17 anos!?
- numa boa. manda um beijo para o pedrão. quer levar essas barrinhas de cereais para a viagem?
- mas mãe, cadê o escândalo, o drama, a gritaria?
- só um instante filhinha, só um segundinho que a mamãe está terminando de esquentar o leite do seu irmãozinho e eu não quero me queimar.
- mãe eu disse que vou abandonar tudo, a escola, a casa... vou pegar a estrada de moto! e com o pedrão. pedrão-- no aumentativo.
- amorzinho, desculpe não prestar atenção-- é que a mamãe tem que correr para levar o leite do seu irmãozinho.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mãe?
- o que foi, meu amor?
- posso ajudar você com alguma coisa?
- claro, fica de olho na comida que está no forno-- para não queimar-- que eu vou pegar o seu irmãozinho.
- ok, deixa só eu guardar a minha mochila.

livros.

ela era louca por livros.
comprava compulsivamente.
começava um, comprava outro.
começava outro, comprava outro.

no momento tinha 39 personagens na sua cabeça. todos a espera dela-- para dar continuidade a história deles.

o ovo mexido.

ela inicia um diálogo com ele. os dois ainda estão na cama. se conheceram na noite anterior.

- você sabe fritar um ovo?
- como?
- ovo, sabe fritar um?
- sei fazer ovo mexido. sempre quebra a gema.
- então pode ficar. tira essa roupa novamente.
- mas, não estou entendendo... porque a pergunta do ovo?
- eu te conheci ontem. não sou nenhuma mulher fácil. e já estava preparada para chutar você daqui para restabelecer a normalidade na minha vida. não me lembro nem como chegamos aqui. eu não sou assim.
- mas e ovo com isso?
- eu posso sempre me convencer depois que a razão pela qual eu dormi com você novamente na manhã seguinte-- não foi porque sou uma mulher fácil-- mas porque você faz um ovo frito es-pe-ta-cu-lar.
- [silêncio]
- não esquece de adicionar uma colher de manteiga gorda, uma pequena pitada de orégano e uma de sal grosso.

mas aqui atrás?

ele investiu num carro esportivo.
estava sozinho desde o divórcio.
na primeira conquista, ela bateu com a cabeça no teto e ele deu um jeito nas costas.

quarta-feira, julho 08, 2009

palhaços




idéia para um curta. a vida de dois palhaços.


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Um Palhaço levanta-se da cama de casal, de pijama, mas já pintado como tal. Câmara revela que a sua esposa, a Palhaça também está prestes a levantar-se. Ela também, de pijama, mas com o rosto caracterizado como Palhaça. O Palhaço, após longo bocejo passa a mão sobre o nariz grande e vermelho dela. Ela acena como quem diz que está a acordar.


Corta para o Palhaço a escovar o cabelo na casa de banho.

A Palhaça entra, escorrega no tapete, cai de rabo no chão, mas levanta-se como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Corta para os dois na mesa do café da manhã.

Vemos duas tortas no centro da mesa.
A Palhaça aponta com o nariz para a torta como se pedisse para ele a servir. Ele deita o jornal ao lado, agarra uma das tortas e atira a torta à cara dela. Logo em seguida ele pega na segunda torta e atira-a à sua própria cara.



Corta para ele a despedir-se dela. Ela ainda está de roupão, ele já está vestido com a típica roupa de palhaço. Ela dá um beijo no nariz dele e, ele, ao apertar a mão dela como se fosse fazer um carinho, dá-lhe um choque. Ela sorri com uma expressão de quem ama muito aquela pessoa.


Corta para o Palhaço no metro cercado de pessoas comuns indo para o trabalho. Ele desdobra um jornal, que deita água na cara dele. A cada página que ele vira, um novo jacto de água sai em direcção à cara dele. Ele comporta-se como se fosse a coisa mais comum do mundo e continua a ler o jornal.


Corta para ele já na porta do circo. Vemos que entra pela porta com uma mala de trabalho.


Corta para o exterior da tenda do circo, já é noite. Vemos o palhaço sair cercado de outros trabalhadores do circo. Um outro palhaço bate no ombro dele e chama-o fazendo um movimento com a cabeça. Corta para ele a entrar no carro do outro. Detalhe: Ele é o décimo-oitavo a entrar no pequeno carro.

Corta para os dezoito presos no trânsito.

Corta para ele a chegar a casa. A mulher dele está a acabar de ver uma telenovela.

Ela tira lenços de papel da orelha e assoa o nariz pois está emocionada com o que está a passar na TV.

Corta para os dois novamente sentados à mesa de jantar. Ele enche um garfo, coloca na boca, pára e começa a rir. Mas, baixinho. Ele pôe o garfo no prato.


A Palhaça faz uma expressão de quem está curiosa.

PALHAÇA:

- O que foi?


PALHAÇO.:


- Hoje lá no trabalho, aconteceu uma coisa engraçada.


Câmara sai aos poucos enquanto ele se prepara para contar o que aconteceu no trabalho.

terça-feira, julho 07, 2009

velhos tempos. V.2

mulher olha para o marido.
ela tem 71. ele 82.
eles se conheceram na praia de copacabana.
ela na época estava de maiô de corpo inteiro.
ele de calção de banho.
ela diz: "velhos tempos aqueles em que você olhava para os meus tornozelos na praia e ficava excitado."
ele não diz nada.
nisso, passa uma menina, do altos dos seus 18 anos. com um corpo firme e praticamente todo exposto. quase nua. com um par de seios inflados de tudo menos silicone.
ele olha para ela, da cabeça aos pés. dos pés a cabeça. ele passa a mão na cabeça. da testa para a nuca, inspira, expira e depois de um gole no mate, comenta com a mulher:
"cacete, você viu o tamanho dos tornozelos dessa menina que passou?!"