sexta-feira, março 06, 2009

suspicious minds.




a música suspicious minds do elvis toca ao fundo.

mulher olha para o marido e pergunta:
- você está querendo dizer alguma coisa com essa música?
marido responde:
- como?
mulher:
- suspicious minds, é uma indireta? me chamando de ciumenta? que eu não confio em você? suspeito de você?
homem enquanto roda o dedo indicador dentro do copo de whisky:
- é apenas uma música. apenas uma música.
mulher:
- você acha que eu acho que você está me traindo. eu sei disso.
homem, sem tirar o olho do livro:
- eu não acho nada.
mulher:
- então porque a música?
homem, puto:
- porra, é elvis presley, não fode.
mulher:
- poderia ser "love me tender".
homem:
- poderia, mas não é.
mulher:
- mas porque não é? é de alguém?
homem:
- como de alguém?
mulher:
- você costuma tocar "love me tender" para alguma outra mulher?
homem:
- não, não.
mulher:
- então o que você quis dizer com "poderia, mas não é"?
homem:
- porra, que estava tocando "suspicious minds" como poderia estar tocando "love me tender".
mulher:
- então o que você está dizendo é que foi coincidência?
homem:
- foi. mas como você pode suspeitar, já não é mais.

a crônica do destak da semana


esses dias fui conhecer sierra nevada. se você entrar numas de ativar o flux capacitor do seu carro, chega lá em 6 horas se estiver saindo de lisboa. esqueminha sensacional. tem a cidade de granada lá embaixo que é espetacular. e lá em cima tem a neve com pistas que não acabam mais. recomendo. muito. o esqueminha dos tapas e das cervejas e dos tapas e das cervejas e dos tapas é de romper a costura de qualquer calça jeans antiga. essa aí em cima é a coluna que saiu essa semana no destak sobre a tal viagem. com o português devidamente aportuguesado pela joana, redatora nota 11 aqui da agência-- que sempre que eu preciso quebra essa galhão. e faz com que esse português em letras minúsculas e em carioquês seja transformado no correto português lisboeta.

terça-feira, março 03, 2009

uma das invenções mais preguiçosas da história.



vi no show do jon stewart no comedy central. genial. os caras pegaram bacon e bateram num liquidificador com maionese. é um ataque do coração em latinhas de vidro. deve ser bão para caráio. ou não. também pode ser bem mais ou menos. mas não deixa de ser curioso. eu pelo menos fiquei co vontade de socar duas colheres de sopa num sanduba farto. mas acho que esse troço deveria ter um daqueles avisos que existem nos cigarros. aviso: só deve experimentar o produto, a pessoa que tiver planos de correr a maratona de ny e correr o triathlon do havaí de maneira consecutiva-- para desentupir as veias. vai por mim. ou não. mas a bagáça deve ser boa. e tira toda e qualquer preguiça de fazer o esqueminha do bacon na frigideira. que é chato para cacete. frita, não queima, tira a babinha de gordura. vira, frita. o bacon encolhe. pourra, mas assim misturado com maionese... assim meu amigo, é de questionar a sanidade mental dos americanos que como você sabe têm uma pequena tendência a estarem um pouquinho acima do peso.

casal durante o jantar.



casal durante o jantar.

mulher: você me ama?
homem: passa a batata frita por favor.
mulher: você me ama?!?
homem: passa o arroz, por favor.
mulher: você me ama?!? Diz, homem!
homem: passa a salada, por favor.
mulher: você não me ama então?
homem: posso ser sincero?
mulher: claro.
homem: amo. mas tava com uma fome. e sei como você gosta de falar quando começa a falar de sentimentos.

5 pensamentos do dia.




- o restaurante farta brutos em lisboa leva ao limite o elástico de qualquer calça de moletom.

- qualquer coisa com 20% de desconto faz você pensar duas vezes se quer comprar um negócio que você não precisa. qualquer coisa com 70% de desconto faz você comprar dois negócios que você não precisa.

- dia desses encontrei uma música no meu ipod que eu não escutava desde o dia que eu coloquei ela lá. é o que eu chamo de "o resgate do ipod." que acontece sempre que você acidentalmente escuta ou descobre uma música que estava sequestrada pelo seu ipod e você e sua memória já tinham se despedido dela.

- o filme the wrestler é de triturar o coração de qualquer marmanjo que nunca chorou no cinema. fique esperto com quem você vai assistir este filme para não estragar a sua reputação e o recorde de dias consecutivos sem chorar no cinema.

- os cafés com aroma e sabor da nespresso, são bem mais ou menos. a cápsula de café com aroma de mentirinha de caramelo, por exemplo, é a pior invenção desde o barulhinho do meu alarme.

não entendo. ou o fera que me ultrapassou na calçada



já escrevi aqui uma vez que as calçadas portuguesas são estreitas. o que, invariavelmente-- complica na hora de circular. muitas vezes um dos lados-- tem que decidir se vai ceder para o outro passar ou não. mas tem uma coisa que eu não entendo. gente que ultrapassa você na calçada e depois, ao ultrapassar-- volta a andar na velocidade normal. sabe do que eu estou falando? é aquele cara que fica colocando uma pressão, fazendo sombra sobre você, e aí, quando você pára, encosta contra a parede para ele passar, o fêla começa a andar numa velocidade moderada. não entendo. meu amigo, se você conseguiu fazer a mega hiper ultrapassagem na calçada, corra, continue acelerando. o único motivo pelo qual eu parei e me joguei contra o muro é porque achava que você tinha o coração de um transplante em um dos bolsos da calça jeans.

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

a volta


os dois resolveram dar a volta ao mundo de bicicleta para celebrar a força do amor do casal.
tudo começou bem. até o momento que ela descobriu que o gatorade dava muita vontade de fazer xixi.

as probabilidades

ela nunca decidiu se gostava dele ou não. gostava e não gostava.
ele nunca decidiu se pedia a mão dela em casamento. as vezes ameaçava pedir. as vezes esquecia.
um dia ela decidiu que não gostava dele. e ele, decidiu pedir a mão dela.

de todas as combinações, para ele, saiu a pior.

naquele dia

naquele dia ele recebeu um aumento e uma proposta de trabalho. naquele dia ele levou duas cantadas. uma no elevador e uma outra ao cruzar a rua a caminho do trabalho. naquele dia, ele havia defendido dois penâltis no jogo de futebol da empresa. naquele dia ele abriu uma lata de palmito sem fazer nenhum esforço. naquele dia ele correu e alcançou o metrô um milésimo de segundo antes da porta fechar. naquele dia ele deixou a lente de contato cair sobre a pia e a encontrou em um instante. naquele dia ele fez a barba sem se cortar. e desligou o alarme antes que ele tocasse uma segunda vez.

naquele dia , ele estava se sentindo imbatível.

tá quase.


aqui em lisboa, está quase. quase quase. o frio ainda ronda uma esquina ou outra. mas está quase. quase quase.

buffet de hotel e milhas de avião




buffet de hotel e milhas de avião, dois esqueminhas que os caras começaram e não conseguem mais parar. digo, os donos de hotéis (principalmente de las vegas) entraram numa testar e fodeu. o mesmo com as cias. aéreas. o raciocínio do consumidor é simples: "pourra se esses caras podem me dar um prato sem fim para comer sem parar por um preço fixo-- eles não podem nunca mais deixar de fazer isso." ou "cacete, então a comida é bem mais barata do que eu achava e esses manés revelaram isso com o esqueminha do buffet." com o avião é diferente, mas um pouquinho similar. diferente porque milhas de avião não é algo que você come, consome. mas é bem parecido no quesito "caráio, durante anos os caras me deram essa pourra de graça, agora vão tirar? não fódi." dia desses de frente para um buffet de hotel fiquei imaginando o dia que todos os donos de hotéis de las vegas vão se reunir e combinar de acabar com a putaria em todos os restaurantes. o mesmo com todas as cias. aéreas. "rapá, a gasolina de avião é cara para cacete, que mané milha de graça é essa? acabou." acho que um dia pode acontecer. apenas acho. porque não faz muito sentido o esqueminha das pessoas pegarem camarões morderem um pedaço e jogar a bagaça no canto do prato pois sabem que podem comer até explodir. buffet de hotel e milhas de avião, dois esqueminhas que os caras começaram e não conseguem mais parar.

terça-feira, fevereiro 17, 2009

this book will change your life.



não é um livro de auto ajuda. é mais um livro que ajuda você a levantar a bunda do sofá e fazer alguma coisa um pouquinho mais interessante. é um livro cheio das nove horas. cada página é uma dica do que você tem que fazer naquele dia. a idéia é que se você fizer o que pourra da página do dia manda, você terá um ano fucking fuckers. um ano que vai mudar a sua vida, como diz o título.

alguns exemplos que eu peguei ao sortear alguma páginas do livro. 1- hoje pegue o autógrafo de algué famoso nessa página. 2- hoje aprenda algumas palavras de sueco (meu nome é = mitt namn ar...), 3- construa um ninho e espere até um passarinho ficar interessado. ou, 4- compre um jornal e leia somente os classificados. 5- hoje faça o sinal do "caralho" com o dedo médio disfarçadamente para todo mundo.

como você pode ver, cada dia tem um esqueminha interessante.

bom, agora vamos somar as páginas acima e imaginar o que poderia ter acontecido com você.
com o autógrafo de alguém famoso você já tem um bom assunto para puxar com uma sueca perdida nas ruas de lisboa com um mapa da cidade de cabeça para baixo. e a sueca, que é bem interessante-- vai entender o que você diz porque você já domina o básico da língua. você pode passar uma imagem de um cara de bem com a natureza, membro de uma ong-- pois você tem o costume de construir ninhos para passarinhos que perderam as suas casas por culpa do desmatamento. a sueca vai ficar doida com a sua sensibilidade. você também sabe o quanto custa uma casa de praia. e sabe o melhor preço para alugar para passar o fim de semana com a sueca. porque por ter se obrigado a ler todos os classificados descobriu uma casa genial por um preço especial no algarve. e finalmente, você pode fazer o famoso sinal do dedo em forma de caráio para os seus amigos que ficaram sacaneando você por ter comprado o livro. afinal, é você que está a caminho de uma casa de praia com uma sueca que está completamente louca por você, membro do greenpeace poliglota. e não eles. algo por aí.

fica aqui então a dica. não as dicas acima. mas de comprar o livro. as dicas você segue quanto tiver comprado a bagaça.

duas palavras estaladiças.

acho essa palavra em português genial. a palavra "estaladiço". no masculino e no feminino. você encontra muito em propagandas. um sanduíche do mcdonalds com cebolas estaladiças. batatas naquele estilinho "palha"-- é uma batata estaladiça. acho muito mais fodido do que "crocante". estaladiço dá uma puta vontade de sentar os dentões da frente num sanduíche do mcdonald's.

outra palavra curiosa é "rija". eu fui comprar um creme de barba esses dias e ao perguntar para a mulher onde eu poderia encontrar creme para barba punk como a minha, ela disse: "creme para barba rija?" e eu: rija. ok. rija, apesar das conotações sexuais no português brasileiro-- não deixam sombra de dúvida alguma que se trata de uma barba dura.

o esqueminha estaladiço de cebola da ikea.



certa vez escrevi aqui sobre as almondêgas da ikea. boas. suculentas e ajudam você naquele momento em que última coisa que você quer fazer é deitar o umbigo sobre o fogão. bom, esses dias, para ser mais exato, na semana passada, fui a ikea. e dei um pulinho na loja de comida para comprar as já mencionadas almondêgas. e foi bem ao lado delas, num potinho de plástico transparente que eu encontrei mais um produto fucking fuckers by ikea. as mini lascas de cebolas estaladiças da ikea. cebolas a milanesa, diga-se de passagem. com aquela mini camada crocante. um esqueminha que funciona sobre qualquer prato. sobre qualquer sanduba. puta negócio bom. e simples. se você já foi ao restaurante/lanchonete outback e já comeu aquela cebola de entrada, sabe do que estou falando. sabe aquelas mini lascas mais grossas que ficam na ponta de cada pedaço da cebola do outback? e que você quebra e coloca na boca antes mesmo da garçonete do outback deitar o prato sobre a mesa? então imagina um picadinho dessas cebolas. esse é o esqueminha que eu encontrei na loja. não sei o nome. mas não é difícil de achar. a foto da embalagem tem algo a ver com cebola. o nome também. mas é só perguntar para a mocinha do caixa. garanto que você vai curtir. dia desses comi como se fosse iogurte. do próprio potinho com uma colher das grandes de sopa.

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

encontros. 1

e no primeiro encontro, depois do jantar, ele convidou ela para subir.
ele ofereceu uma taça de vinho e ela começou a se despir.

no dia seguinte, ela diria para as amigas que apesar de ter transado com ele logo no primeiro instante-- ela não era uma mulher fácil. dada. muito pelo contrário. ela era pragmática. inteligente até.

afinal ela achava ele atraente, ele achava ela atraente. ela tinha que acordar cedo no dia seguinte e ainda queria assistir um filme que precisava devolver pela manhã. achar uma vaga na frente do prédio na volta da casa dele-- seria complicado. quanto mais tarde ficava, mais difícil. e é claro, ao chegar na casa dele depois do jantar, as lentes de contato dela  já estavam começando a incomodar. simples assim.

as letrinhas que sobem pela tela.




ela sempre quis um beijo de cinema. daqueles que o mocinho dá na mulher quando as letrinhas sobem pela tela.
ele sempre evitou. dizia que iria parecer ensaiado, formal, de mentira, ficção.
ela insistiu.
ele argumentou o óbvio: "porra amor! um beijo de cinema de verdade só acontece no final do filme. e o nosso namoro está apenas começando. cronologicamente não faz sentido!"
ela insistiu.
ele então beijou. e como previsto, o filme acabou.
cada um seguiu para um lado.
ele, puto.
ela, feliz.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

novela 3- o final

...

o agente secreto olhou nos olhos de jana e perguntou:
- jana?
e ela:
- depende.
ele puxou uma identificação do bolso, estacionou o documento debaixo do nariz dela e disse quase sussurrando:
- no porta-malas do seu carro que se encontra estacionado na garagem deste prédio, você vai encontrar duas metralhadoras, vinte e seis granadas, oito detonadores, seis quilos de pólvora, uma bazooka, vinte e seis morteiros e quinhentas balas de munição.
- mas qual é a minha missão?
- no porta-luvas do seu carro que se encontra estacionado na garagem deste prédio, você vai encontrar dois mapas, seis documentos falsos, um deles um passaporte ucraniano no nome de ilsa-- um celular, dois palmtops, um caderninho com anotações na penultima folha e um chip que você deve engolir assim que entrar no carro.

jana ficou ali olhando para o agente alemão. o pai dela, lá do fundo observava um jogo chato de futebol entre o chelsea e o west ham. 

em seguida jana olhou pela janela, e ao ver que estava nevando, bateu uma preguiça. jana soltou um bocejo, apertou um dos pés dentro do sapatinho de pele e comentou com o agente:
- o seguinte, se eu te der a minha coleção de todos os filmes remasterizados do james bond com um dvd bonus com o making of de 'casino royale'--- você pode fingir que nunca me encontrou?
o agente coçou a cabeça e perguntou:
- é sistema europeu pal ou aquele americano ntsc que fica em preto e branco se o dvd player não estiver transcodificado? sabe?
- pal, sistema europeu.
- making of do casino royale?
- um dvd inteiro.
- se você jogar no rolo um mix cd com as músicas tema de todos os 007, eu finjo que nunca te encontrei.


novela 2 - o final.

... eu, joão prometo que esperarei maria para o resto da minha vida.
sei que ela tem um casamento marcado amanhã com o meu maior inimigo, inácio antunes pereira pinto, mas mesmo assim, prometo esperar. pois apesar da dor, do sofrimento sem fim. e da humilhação de ver ela nas mãos do meu maior inimigo, inácio antunes de oliveira pereira pinto, tenho perfeita consciência de que meu amor por ela é ainda maior. portanto fica aqui assinado, registrado, com a assinatura reconhecida de três testemunhas, estas presentes no momento em que escrevi esta carta-- que, no dia em que maria se cansar... e resolver se separar do meu maior inimigo, inácio antunes de oliveira pereira pinto--- estarei a sua espera. eu, joão, metade envergonhado pela situação de humilhação e metade abismado por maria ter escolhido meu maior inimigo para casar, inácio antunes  de oliveira pereira pinto-- parto em meu caminho. sozinho. enquanto o meu maior inimigo, inácio antunes de oliveira pereira pinto fica com a minha amada. adeus.

e, no que ele deu o primeiro passo na direção contrária a dela. ela, maria, olhou para ele e disse:

- joão, só para ter certeza. essa carta que você me deu? é xerox, ou é a original?

novela 1 - o final

... ela, a mulher e a amante deitadas sobre o sofá de couro bege café da sala. sua mulher olhou para ele e disse:
- mas o que foi? que cara é essa?
e ele, embasbacado com a cena retrucou:
- porra, tudo bem me trair. afinal eu sou um fêla da pulta que fazia o mesmo com você.... mas precisava ser com a mesma pessoa?

a amante de ambos, que até aquele momento permanecera calada simplesmente disse:
- grandes merda alberto. ela está te traindo com a mulher que você está traindo ela. e eu, estou traindo você com a mulher que você está traindo. quer situação mais cômoda para você?

e ali, observando aquela cena, e com um certo cansaço e sabendo que teria que acordar cedo para um conference call na manhã seguinte, alberto murmurou:
- você tem razão. mas diz para mim.... e eu, não tinha razão quando dizia que ela era frígida?

a amante deitou a cabeça para o lado, apertou o lábio inferior sobre o superior e soltou o ar como quem diz:
"hmmm, não."

alberto passou a noite quase toda em branco. sua mulher não amava ele. e sua amante, menos do que ele achava. ele sintonizou no discovery channel-- que naquele momento passava um documentário sobre pandas e pensou em voz alta:
- vai comer bambú assim na casa do caralho.

estalou o dedão do pé e foi dormir.


terça-feira, fevereiro 10, 2009

novela 3

por um misto de falta de tempo, jogo do brasil e duas reuniões, hoje serão três posts estilo novela. ou seja. tem um começo. um esqueminha dramático no final e a conclusão só vem amanhã... e essa é a terceira.

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jana. esse era o nome dela. nome de dominatrix. cara de anjo.
o pai era polaco a mãe, americana.
ela fazia balé clássico e dominava o inglês, o alemão e o francês.
numa tarde de sábado enquanto cozinhava frango ensopado para o pai que sofria de parkinson, a campainha tocou. era um agente do serviço secreto.

ela sabia que aquele dia iria chegar.

só não espera que seria tão cedo, afinal...

(continua amanhã)

novela 2

por um misto de falta de tempo, jogo do brasil e duas reuniões, hoje serão três posts estilo novela. ou seja. tem um começo. um esqueminha dramático no final e a conclusão só vem amanhã... essa é a segunda...

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tudo começou com um beijo na testa. beijo dela na testa dele.
o sol estava quase indo dormir atrás da montanha.
ela disse: "eu queria dizer que te amo, mas não posso."
ele não disse nada, apenas retirou uma carta do bolso e começou a ler:
"


(continua amanhã.)

novela 1


por um misto de falta de tempo, jogo do brasil e duas reuniões, hoje serão três posts estilo novela. ou seja. tem um começo. um esqueminha dramático no final e a conclusão só vem amanhã... essa é a primeira.



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ele amava ela mas também amava outra.
ela não amava ele mas também amava outra.

os dois não sabiam, mas ela era a mesma pessoa.
tudo mudou quando ele chegou mais cedo em casa e viu pela primeira vez....

(continua amanhã)

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

(oi)



era quase tarde. ela usava um short adidas azul claro. daqueles de elástico. justo. cabelo grande quase enrolados. camiseta um dedo mais curta que a altura da cintura. em uma das mãos carregava uma garrafinha de sprite-- enquanto a outra mão ficava ocupada-- brincando com o lóbulo da orelha esquerda. em câmera lenta. de tempos em tempos ela fazia uma bola de goma de mascar. a bola estourou uma vez e ela lambeu a ponta do dedo indicador para desgrudar a goma da ponta do nariz.

de longe ele observava. "essa menina é o amor da minha."

e ela pensava: "quando é que aquele cara vai tomar coragem de falar comigo?"

e viveram felizes para sempre na imaginação dele.

já ela, esqueceu dele no verão seguinte.

não conta para ninguém.



- eu vou te contar um segredo.
- ok.
- mas você não pode comentar com ninguém.
- ninguém!
- ninguém.
-
- vai pô, conta.
- mas você promete que fica entre nós dois?
- prometo. tá, prometo.
- eu tô tendo um caso com a sua mulher.
- mas... mas... você! e ela! eu vou já ligar para aquela vagabunda...
- mas você prometeu.

a brigitte.



- pai?
- oi.
- você colocou filtro anti-pornô no computador?
- claro.
- claro?
- porra meu filho é muita putaria na internet.
- mas pai. eu já tenho 15 anos.
- na minha época até tornozelo nú era difícil de ver.
- tornozelo?
- é, uma mulher pelada então...
- mas que merda hein pai?
- você tem que aprender a valorizar cada centímetro da mulher.
- porra pai, libera lá...
- ok, só se...
- qualquer coisa...
- encontra umas fotos peladas da brigite bardot pro seu velho.


quarta-feira, fevereiro 04, 2009

o ditado


alí, ao pé da árvore que havia plantado, juvenal franziu a testa e pensou em voz alta: "caralho, será que depois de plantar uma árvore desse tamanho eu ainda preciso escrever um livro e ter um filho?"

as meias dela.


- amor.
- o que foi?
- você não pára de olhar para as pernas da minha irmã.
- pernas? eu estou olhando para as meias.

coisas que não importa em que lugar do mundo você está, pode sempre contar. 1



sempre achei curioso as pequenas coisas que eu sempre encontro quando viajo. o mais incrível é claro a coca-cola e suas variações. mas tem um negócio que em todo lugar também tem. qualquer quarto de hotel. não importa se tem uma estrela ou cinco: ou cnn ou csi miami dublado. csi miami dublado você encontra em qualquer lugar do mundo. aí eu coloquei uma mini lista aí embaixo de mais algumas coisas dessas.

coca-cola.


mcdonald's.


o cartão visa.


cnn no hotel.


jogo de futebol passando na tv colada no teto do bar.

jogo de futebol americano passando na tve colada no teto do bar americano.


dólar. alguém sempre vai fazer alguma conversão. mesmo que foda com você.


o mapinha que o carinha te dá na recepção do hotel e anota nele dois endereços com a caneta da recepção.

a caneta que você encontra na mesinha ao lado da cama do hotel.

heineken. pode notar, por algum motivo em praticamento todo bar do mundo tem heineken, mesmo que seja uma cerveja bem nota 7.


ketchup heinz.

csi miami passando legendado ou dublado na tv local num horário mais ou menos tarde.


pagar uma grana bacanuda para falar alguns segundos com o exterior porque os feras do hotel arrumaram um esqueminha para te foder em qualquer ligação que atravesse a porta do seu quarto.

a crônica do destak da semana.

quinta-feira, janeiro 29, 2009

pourra.

pesquei num site desses de designers fucking fuckers. e tem um tempinho já. mas pourra, esqueci de postar aqui. taí a capa de revista mais bacanuda que eu vi nos últimos tempos. o que os jornais e revistas gastam árvores e baldes de tinta para tentar explicar sobre a crise econômica--- aqui, bem claro-- em duas palavras e um ponto de exclamação.

uma das coisas mais importantes do mundo.

uma cadeira quase sofá confortável em casa. seja para ler um jornal de sábado, tomar uma taça grande de vinho numa quinta-feira ou tirar 26 minutos de cochilo no domingo. acho, e posso estar cagando uma regra grande aqui-- mas todo ser humano deveria investir uma pequena fortuna numa cadeira quase sofá confortável. é como aquele esquema de previdência privada que você vai começar a receber em 25 anos. uma cadeira quase sofá confortável é uma previdência privada instantânea. é um tapa que você dá nas prórpias costas. vai por mim.

a aeromoça.

avião cheio. todos dormem. o jantar acaba de ser recolhido. as mesas já foram levantadas. uma ou outra pessoa ainda assiste o filme no monitor preso atrás da cadeira a frente. em 6 horas o avião pousará em shanghai. a aeromoça que está a caminho da sua cadeira é chamada por um jovem que está acordado. ele acena para ela.

ela: em que posso ajudar.
ele: eu tenho uma fantasia.
ela: como?
ele: você entendeu. eu tenho uma fantasia.
ela: mas...
ele: eu notei durante o jantar, você não tirava os olhos de mim.
ela: acho que você está confundindo as coisas. eu sou atenciosa.
ele: qual é o seu nome?
ela: júlia.
ele: bruno.
ela: prazer.
ele: é todo meu.
ela: boa noite. eu preciso...
ele: senta ao meu lado. está vago.
ela:
ele: posso fazer uma pergunta então?
ela: ok.
ele: também funciona ao contrário?
ela: como? não entendi.
ele: bom, todo homem tem a fantasia de transar com uma aeromoça linda como você no banheiro do avião de madrugada quando todos os passageiros estão dormindo. e vocês, as aeromoças, tem a fantasia de transar com passageiros?
ela:
ele: pode falar. ninguém está ouvindo.
ela: se eu contar estraga.
ele: mas...
ela: não é muito mais bacana passar o resto da vida e dos vôos com essa dúvida?
ele:
ela: por exemplo, eu vou continuar andando naquela direção. eu posso estar a caminho da minha cadeira-- como posso estar esperando por você perto do banheiro. não é mais interessante ficar aí confuso sem saber se você levanta em dois minutos e vai até lá ou não-- do que já saber a verdade?

ele: é, você tem razão, é mais emocionante.

ela: com turbulência então..

o lado bom.




o lado bom de um bife queimado é o garçom não cobrar pelo mesmo e oferecer a sobremesa grátis.

o lado bom de acordar cedo é pegar o melhor pão francês da mesa.

o lado bom de estar chovendo é não suar a subáca ao caminhar para o trabalho.

o lado bom de um filme bem mais ou menos é um cochilo bacanudo na cadeira do cinema vip do shopping amoreiras.

o lado bom de subir na balança e ver que você está na merda, é parar de comer merda.

o lado bom da cia. aérea perder a sua mala por dois dias na volta para casa é você se forçar a conhecer outras roupas esquecidas do seu armário.

o lado bom de um fiapo de frango agarrado no dentão lá de trás é você ter vergonha na cara e passar a usar a pourra do fio dental.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

a nasa e o mcdonald's.


quando eu era moleque eu nunca entendi o esqueminha que ia embaixo dos ônibus espaciais. sempre achei esquisito os caras, no meio do caminho, largarem aquele negócio gigante no espaço como se fosse qualquer bosta. aquele mega tanque de combustível laranja, sabe? bom, a comparação é bem mais ou menos-- mas acho que funciona. esses dias vi um cara de uns 20 e poucos anos jogando na calçada um copo dos grandes do mcdonald's vazio apenas com gelo. no chão. quando crescer esse fêla vai trabalhar na nasa. ou não.

a crônica do destak da semana.

o prato otimista.



tem um restaurante novo, ok, quase novo, ok, não é novo, mas eu meio que descobri recentemente. kaffehauss. é um esqueminha austríaco. aquelas sopas grossas com carne, umas saladas de batata e mais umas coisas bem interessantes que se come nas redondezas de viena. mas tem um prato que eu tenho comido quase que sempre que vou lá. summer salad. que não é escrito assim, mas quer dizer isso pela tradução da linha de baixo no cardápio. bom, a salada é boa? é. mas tem um marketing nela que eu curto. o nome dela. aqui em lisboa está chovendo bastante. está frio. meu amigo, tudo que você precisa num dia de frio é uma salada otimista. e você sabe, no frio, otimismo ajdua bastante. exemplo:

casal caminhando na rua a caminho de casa sem nenhum táxi por perto. chuva fina que não molha mas deixa a sensação de pequenas agulhas geladas pipocando a sua pele. duas da manhã, 4 graus.

ela: amor, você está com frio?
ele (com apenas um sweater fino de um tecido que imita lã mas não imita a proteção da lã): dá para segurar, dá para aguentar.
ela: mas eu estou com um sweater, um casaco, um cachecol e luvas e estou congelada.
ele: dá para aguentar. podia ser pior. eu poderia ter esquecido sobre a cadeira do restaurante, além do cachecol e das luvas-- o sweater também.
ela: silêncio.

a summer salad tem um pouco disso. quando você olha para o cardápio com os dentes brincando de código morse--- a summer salad aquece um pouco. e ainda serve para equilibrar o esqueminha das calorias da estação. dos baldes de vinho. dos pães e dos queijos feitos com o leite de vacas obesas. algo por aí.

o dilema do guarda-chuva.



não sou um cara alto. também não sou tão baixo. ok, muito mais baixo do que alto. médio-baixo. mais por aí. mas sem traumas. sem dramas. mas, o fato de eu não ser um jogador de basquete dos melhores e ter que usar um banquinho para pegar uma caixa na última prateleira do armário da cozinha causa uma situação engraçada quando estou com o guarda-chuva. que, aqui em portugal se chama chapéu. chapéu-de-chuva. quando chove, lisboa anda. caminha. sobe ladeiras abraçada a um guarda-chuva. o que é normal em qualquer lugar do mundo. mas aqui, as ruas são relativamente estreitas e com curvas escondidas. e quando a rua é estreita e as curvas repentinas, existe uma tendência grande de você andar bem perto das pessoas que andam na sua direção. e você sabe, o guarda-chuva pelo seu diâmetro acaba ainda por encurtar ainda mais a distância. resultado: sempre que eu passo lado a lado de um sujeito mais alto do que eu (viu como o papo lá em cima sobre a minha altura iria em algum lugar fazer algum sentido?)-- quando eu passo por um cara mais alto, o meu guarda-chuva fica na altura do rosto do fera. na altura do queixo se o fêla for realmente mais alto. e aí, o que acontece é uma série de quase acidentes quase mortais. quando chove eu sei que chegarei na agência com alguma história de um quase olho arrancado pela ponta do meu guarda-chuva. ou uma história dos 8 pontos que o sujeito teve que levar no rosto quando eu passei correndo por ele. mas como tem chovido com uma certa regularidade aqui-- já estou escolado. já sei driblar rostos, olhos e testas. já sei. o dilema do guarda-chuva.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

sempre achei bem esquisito o esqueminha da peruca dos juízes em alguns países do mundo. esse quadrinho coloca isso de uma maneira perfeita.

uma das piores e melhores coisas do mundo. ao mesmo tempo. 1


ler jornal do lado de fora de casa num dia agradável. seja na praia, no parque ou numa praça.

a vista.

mais uma foto dessas pescada na internet. bom fica aqui a minha sugestão, faça o download para o seu desktop e coloque ela de protetor de tela no seu computador do trabalho. mas não aquele protetor de tela que estica a foto até preencher o monitor inteiro. não. coloque a foto naquela opção do tamanho verdadeiro dela.

mesmo que ela fique pequenininha num cantinho do seu computador.

bom, aí ou a foto inspira você a trabalhar mais para conseguir ter uma vista dessas-- do lado de dentro do vidro. ou a trabalhar menos para ter uma vista dessas do lado de fora, na areia. a primeira opção demora mais. a segunda, é um pouquinho mais rápida. e as duas têm a vista.

o pombo e o porta-aviões.

o pombo não cagou na minha cabeça. todo textinho que começa com um título falando de um pombo já é para esperar algum tipo de merda. alguma observação como: "eu estava andando e um pombo cagou no meu ombro." mas não, esse textinho é apenas uma observação sobre uma tiazinha que alimenta os pombos numa escadaria lá perto de casa. hoje vi ela colocar o equivalente a umas 6 baguetes em migalhas para os pombos. foi um esquema violento com uns 100 pombos avançando nas migalhas. migalhas fartas. migalhas gordas. naquele momento eu comecei a imaginar o que aconteceria meia hora depois. aqueles pombos já teriam feito a digestão e iriam então cagar na cabeça ou nos ombro de outras pessoas. a tiazinha que alimenta os pombos é uma espécie de porta-aviões em que os caças, os aviões americanos pousam para recarregar com mísseis e bombas. ela acha tudo bonito. quem olha de longe a cena, acha pura poesia. eu não. a tiazinha é um porta-aviões que recarrega os pombos com bosta. ou melhor, com as migalhas de pão que vão virar bosta depois.

sopa. 2



sopa é a melhor invenção do frio. melhor do que o aquecedor. você não pode comer o aquecedor. sopa é melhor também do que o cobertor. cobertor não alimenta. só tem um problema com a sopa, ela expira. a vida da sopa é curta. se você deixar a sopa sobre a mesa por mais do que uns 5 minutos, ela vai para o caráio. sopa fria não é sopa. pensando nisso, acho que vou comer uma sopa. até porque aqui em lisboa está frio para cacete.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

a crônica do destak da semana

os add on do firefox e o benjamin button.

não sei se você já foi ver benjamin button. aquele filme com o brad pitt e a cate blanchett. achei muito bom. achei ele melhor no dia seguinte do que no momento após o filme acabar. o que é bom. pelo menos é assim que eu identifico os filmes que mais gosto. aqueles que deixam você pensando-- um tempinho depois e um tempão depois que ele acabou. algo por aí. bom, mas pelo título do textinho você sabe que eu quero falar dos add-on do firefox. puta esqueminha bacanudo. você pode downloadear uma porrada de coisinhas que mudam a cara e as funções do seu firefox. e, a que eu mais gosto é dos "tab" que envelhecem. as "abas" que quando você as esquece abertas, começam a mudar de cor. meio que para gritar com você, lá de cima do browser: "ô fera, você me esqueceu aqui em cima aberto e não leu ainda." eu tenho esse problema com tabs. abro uma porrada e deixo de ler uma cacetada. o que não é bom. desta maneira acabo não lendo nada direito. mas com o tal add on que envelhece os tabs ignorados, você fica mais esperto. e que caráio isso tem a ver com o benjamin button? simples. após o filme e durante também, você começa a ficar meio cafuzo com tudo relacionado ao tempo. fica meio que planejando o que fazer com ele. você começa a questionar que caráio você estava fazendo aquele tempo todo no shopping até o filme começar. o add-on que envelhece o seu tab/aba do firefox não proporcional uma viagem meio filosófica dessas. mas é quase.

o sujeito que lava o carro na chuva

existem pessoas que são tão mas tão taradas que lavam o carro até mesmo na chuva. vi isso hoje aqui perto da agência. um senhor esfregando com sabão a lataria do carro. e a chuva caindo sobre a mesma lataria. numa competição estranha para ver quem limpava mais o automóvel. ele ou a chuva. o tal carro deve ser completamente apaixonado por ele. e vice-versa.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

pequenos diálogos VII



- (mulher fala, mas com um tom de voz como quem quer dizer exatamente o contrário) você jura que aquela comida que a gente acaba de comer...
- (ele interrompe ela) ...é minha receita. eu fiz!
- mas estava muito boa.
- não estou entendendo?
- é que você nunca cozinhou para mim antes.
- pressão.
- como?
- sua mãe cozinha bem. sua avó cozinha bem.
- e eu?
- você quebra um galhão.
- como?
- porra amor, você cresceu com essa pressão nas costas, sua avó com aquele bacalhau com natas, a sua mãe com a pouurra do estrogonofe com champignons selvagens....
- mas você não gosta da minha massa?
- nota 7.
- 7?
- 7. e aí imagina o desgosto que a sua mãe e a sua vó-- teriam se soubessem que eu cozinho assim. bem melhor do que a única pessoa que pode levar adiante a lenda da família?! imagina a merda. o chorôro.
silêncio
- estava muito boa a sua comida.
- eu sei. boa para cacete. você ficou lambendo os dedos.
- amor?



- oi?
- você promete nunca mais cozinhar?


o moleque da foto.




não sei quem é. pesquei num site desses que colocam as melhores fotos do dia.

puxei para o desk e fiquei olhando para o moleque voando alguns segundos. impressionante. sem querer entrar numas de filosofar aqui.

mas, das duas uma: ao olhar para o moleque da foto e o sorriso de canto de boca da mãe dele-- ou você fica uns 8 dias mais jovem ou desliga o computador imediatamente-- e vai para casa mais cedo.

coisas




dia desses alguém, não me lembro ao certo quem foi e tenho quase a certeza que foi o peixinho, disse um negócio interessante na mesa: "você já notou um negócio curioso... quando um prato do restaurante tem o nome do restaurante, é o prato fucking fuckers. exemplo: a pizza casanova da pizzaria casanova é a mais regada com ingredientes mais zambers. agora, o vinho da casa é sempre o vinho mais barato e de qualidade mais duvidável. o que, se você coçar a cabeça e pensar um pouco é no mínimo engraçado. ou curioso." algo por aí.


comprar um celular novo. ou melhor, investir num telemóvel é complicado. se você trocar de marca, o seu cérebro tem que fazer um re-start, porque tudo muda. o menu, a maneira de escrever sms, o lugar da calculadora, tudo. aí você deve estar pensando (ou não): "não fódi erick, em dois minutos você consegue domar a bagaça." não sei, acho que tem um canto do meu cérebro designado para essas funções que foi para o caráio-- porque eu pareço um véio catando as teclas sempre que rola uma mudança dessas.

numa visita dessas a uma loja de vinhos-- comprei uma garrafa de moscatel. não, a mulher me empurrou a garrafa. contou uma história de como o moscatel foi criado ou inventado, ou os dois. bom, dia desses com um frio de rachar o fêmur, abri a garrafa e coloquei uns 4 dedos no copo. a temperatura subiu rápido. muito rápido. recomendo para dias de frio como esses mais recentes.


ainda compro jornal. compro porque desde moleque criei uma relação carinhosa com o esquema do papel e das notícias-- a nostalgia é foda. mas tá cada vez mais complicado continuar esse esqueminha. hoje, por exemplo, abri o jornal, e todas as notícias das duas primeiras páginas-- ei já tinha visto na internet no dia anterior.

terça-feira, janeiro 13, 2009

os oscars, a família do ator, o diretor, o carinha que fez a fotografia e a figurinista do filme. todo mundo junto.



uma das minhas maiores agonias é assistir entrega de prêmios. tipo globo de ouro, oscar, grammy's, emmy's e similares. e quando a sua mulher se emociona com um esqueminha desses e cola o controle remoto com cola bonder na mão, não tem jeito. você, obrigatoriamente, ou quase, tem que ver. acho dramático o carinha ou a atriz alí no palco, debruçados sobre o microfone com meio mundo olhando. e aí o ator ou a atriz começa a falar uma lista de "obrigados!"--agradecimentos. as vezes o vencedor foca na família imediata, marido ou esposa e filhos. esse é o mais esperto. não vai arrumar merda quando chegar em casa. agradece aqueles que ele sabe que vai chegar em casa e encontrar sentados na sala com a entrega do prêmio gravada numa vhs ou mesmo eternizada no hd do computador. existe também aquele que agradece as pessoas do estúdio de cinema assim como todos que estavam envolvidos no filme. desde o cozinheiro até o diretor. esse ator pensa no futuro. não no futuro imediato de quando ele chegar em casa. esse, pensa nas contas que tem que pagar. por isso sabe que é importante puxar o saco do agente, do roteirista. esse sabe que pode chegar em casa e argumentar com a família: "galera, vocês têm que me entender, eu preciso colocar comida na mesa, pagar a faculdade da maria e as contas da mãe de vocês que esse mês se empolgou com uma promoção de sapatos.... por isso eu tive que agradecer o estúdio e os carinhas lá que vocês nunca ouviram falar... beleza?" existe também aquele ator que arrisca. ele tenta fazer os dois. tenta agradecer as pessoas do círculo familiar: "eu queria dedicar esse oscar para minha mãe que sempre acreditou em mim.... e na minha mulher, que é a minha inspiração em cena...." e também emenda logo em seguida e agradece o pessoal importante da industria: "...e também, o diretor ridley scott por ter me escolhido para esse papel com um texto maravilhoso escrito pelo...." mas existe um perigo. e esse perigo é comum. o cara que se empolga e tenta fazer os dois, agradecer a família e os carinhas importantes, 99% das vezes é interrompido pela música da orquestra. a não ser é claro que se trate do jack nicholson ou da meryl streep. nesses casos, a orquestra fica quietinha esperando os dois listarem os nomes das páginas amarelas. mas voltemos aos atores que arriscam. esses se fodem. esses são os que me deixam tensos. puta esqueminha. o fera levou a vida inteira para ganhar a bagaça e agora são meros 45 segundos para eternizar a gratidão. é como olhar para uma batida daquelas em que os dois donos estão de pé discutindo de quem é a culpa. você não consegue não olhar. e passa devagar observando o amassado nos carros. com o ator ou atriz que tenta agradecer todo mundo ao ganhar um globo de ouro ou um oscar, é a mesma coisa. é aterrorizante. mas você não consegue tirar os olhos. com um olho na atriz que lê uma lista de um papel-- e um outro olho na orquestra-- para saber se vai dar alguma merda e o maestro vai puxar a música do intervalo.

alguns brasileiros de passagem por lisboa pela primeira vez.



notei a primeira vez isso com a minha mãe. ela veio me visitar aqui em lisboa, e já, ao entrar no taxi comenta em voz alta: "erick, eles aqui não dirigem bem não né?"e o taxista espia pelo espelho retrovisor e eu levanto as duas sobrancelhas como quem diz: "é, mãe, português fala português." e por mais óbvio que isso possa parecer, muitos brasileiros que estão de passagem pela primeira vez em lisboa fazem isso: falam como se ele ou ela falasse outra língua que não é o português-- e por isso mesmo falam qualquer coisa. não estou chamando o brasileiro de ignorante é claro. como você pode ver, comecei o textinho usando a minha mãe como exemplo. e ela é bem esperta. mas acho que é o esquema da distância, a mudança de temperatura e ambiente. o fato de estar em outro continenente. não sei, mas acontece. é como você faria com a sua mulher se ambos estivessem de passagem por berlim. as chances de um fera entender o que vocês estão falando é perto de zero, ou zero mesmo. o fato de estar na alemanha deixa você ligeiramente mais confortável de falar qualquer barbaridade. comentar sobre alguém, alguma situação, qualquer coisa. você pensa: "esse fera fala alemão pourra!" e solta o verbo. mas aqui, curiosamente, não. acontece muito. hoje, por exemplo estava sentado numa pizzaria dessas com uma mesa comunitária gigante. eu e minha mulher, entre dois grupos. de um lado um casal num esqueminha bem romântico. e do outro um grupo de uns 6 brasileiros. bom, ao sentar, uma senhora do grupo comenta com a outra em tom normal: "engraçado né, como eles aqui fazem isso? sentar assim entre dois grupos? eu se fosse esse casal que acaba de sentar me recusava, por falar nisso, notou o casaco dela? onde será que ela comprou?" e eu ainda olhei para ela com uma expressão de quem quer dizer que: "ôpa, eu também sou brasileiro, falo português, e, se fosse português, obviamente também falaria a mesma língua." ela não se tocou ou estava meio que fingindo que a língua daqui é diferente da língua do brasil, pois foi uma entrada chegar na mesa ao lado que ela mandou: "aqui as porções são uma vergonha, e você viu o preço? será que esse rapaz sabe quanto custa?" já escutei uma vez uma senhora brasileira no ônibus mandar o seguinte comentário para a amiga que estava sentada ao lado: "eles são engraçados, não tem o costume de oferecer a cadeira se você não mostrar que está realmente interessada?!" e aí você pensa: "mas erick, isso é papo comum, as pessoas conversam entre si." sim e não. sim, conversam. mas não, não falam comentários em voz alta como se as outras pessoas ao redor não entendessem nada pelo simples motivo de estarem fora do seu país de origem. acho engraçado. ou curioso. ou os dois.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

o king.



documentários são bacanas por um motivo muito básico: não precisam colocar aquela frase no início que diz "baseado numa história real." a bagaça é real do começo ao fim e ninguém duvida, ninguém questiona. documentários são por natureza impressionantes, porque aquilo que se está vendo, aconteceu mesmo, e não importa se chamaram o brad pitt para interpretar a história do sujeito que em 1800 e tal ficou preso seis anos numa mina de carvão e enquanto lá criou uma cidade perfeita e etc... a bagaça aconteceu e pronto. mas estou cagando essa regra toda porque dia desses assisti um épico de proporções digamos star warsianas. um documentário de arrancar lágrimas no segundo final. um turbilhão de emoções. uma batalha do dark side contra o bem. "the king of kong". a história de um pai de família que tenta bater o recorde do clássico joguinho donkey kong dos anos 80. o cara está desempregado. na merda. e tudo que ele tem para se agarrar é o donkey kong. depois ele consegue um emprego numa escola. e aí, seus alunos, todos eles, entre 5-7 anos de idade-- torcem pelo herói. eu sei, eu sei, parece estranho. ou pelo menos você tem toda a razão para questionar a minha empolgação com o documentário. mas você precisa assistir. eu apertei play meio que com um pé atrás. e com um pouco de sono. se você leu o post abaixo, já sabe que lisboa está um pouquinho frio. e aí você sabe, frio, cobertor, sono. mas o documentário é foda. é uma batalha daquelas que você prende a respiração e começa a temer pela estrutura familiar do cara. a mulher que leva os filhos para a escola enquanto ele continua debruçado sobre o donkey kong na garagem. o filho que chora ao fundo. o rival dele, detentor do recorde que se recusa um desafio ao vivo. o drama, a emoção, a trilha que sobe nos momentos chave. a torcida. não vou entregar o final. mas vai por mim, dos melhores filmes de, sei lá, um tempão. um épico como gladiador. ou mais. sim, mais.


groelândia.



o frio é relativamente previsível. não, o frio é muito previsível. afinal, todos os dias escutamos, ou no elevador da empresa em que trabalhamos-- ou mesmo no jornal-- o que nos espera no dia seguinte. e por mais que os fêlas errem na hora de dar uma previsão exata, eles mais ou menos deixam você sabendo se vai dar alguma merda ou não. mas mesmo assim, mesmo com todos os avisos. os gráficos e os mapas no jornal, o frio em lisboa é foda. aí você pergunta:"mas fera, não foi você mesmo que uns meses atrás escreveu que lisboa tem a temperatura perfeita?" foi. mas, apesar de ser um bocadinho mais alta que a média dos países vizinhos, tá foda meu amigo. o simples pisar nos ladrilhos do banheiro pela manhã faz a sua vida inteira passar num flash momentâneo. hoje tomei 4 cafés antes de sair de casa. estou teclando de luvas. apesar de previsível, o frio, independente se você é um cidadão da groelândia ou de lisboa, é implacável. o que fode é a comparação do antes e depois. o antes, quando ele-- o frio-- não estava. e o depois, quando ele-- novamente, o frio-- chega com um pisão na porta. algo por aí. e aí você dá uma espiada de canto de olho no calendário e fica com medinho. é, a bagaça ainda está no começo.

a crônica do desta da semana

terça-feira, janeiro 06, 2009

bingo!



- qual é o nome dele?
- bingo.
- o nome do cachorro é bingo?
- bingo. isso, bingo.
- e ele morde?
- o bingo não morde.
- e ele faz cocô em casa?
- só na rua. desde o primeiro dia. acredita?
- ele late muito?
- pouquíssimo.
- ele faz xixi no carpete?
- nunca. nem quando chegou.
- mas que sorte.
- sim, temos muita sorte de ter um cão como o bingo.
- ah claro. por isso vocês escolheram esse nome. pois vocês tiveram sorte de encontrar um cão assim.
- não não, é porque ele gosta de jogar bingo mesmo.