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certa vez escrevi sobre a falta de tempo. ou melhor, já escrevi sobre a falta de tempo uma porção de vezes. acho que é um fato, o tempo é o grande bam bam bam. o carinha mais fucking fuckers que existe. presente de natal? tempo. quem não quer? dúvido. existem várias maneiras de tentar ganhar, adquirir, ser dono de um pedacinho de tempo. botox. botox te compra uns dois anos. mas dois anos que expiram em seis meses ou menos. uma camiseta com uma estampa retrô, com a imagem original do poster de guerra nas estrelas? hmmm, sei lá uns 25 anos. vinte e cinco que, dependendo da máquina de lavar, dura lá seus dois anos. o próprio relógio é uma maneira de comprar tempo. literalmente. eu tenho um daqueles casio com calculadora. não é original comprado em 1983. mas de uma coleção dessas que os caras lançam hoje em dia para fisgar pessoas como eu. que querem ganhar do tempo. livros. romances. livros antigos digo. programas como o dvd com o melhor do tv pirata, por exemplo. você ganha alguns anos. mas com o risco de série de perder uma hora e meia. porque existe a chance grande de tv pirata ter muito menos graça do que tinha quando você viu pela primeira vez. emagrecer. emagrecer é das maneiras mais difíceis de ganhar tempo. ficar com aquele corpitcho de quando você era moleque e não se preocupava com o que a fivela do seu cinto dizia. o tempo é foda. dia desses, com o inverno porrtuguês, entrei numas de deixar a barba crescer, só para sentir o drama, ver o que dava. bom, cresceu uma caráiada de fios brancos. o tempo não está lá assim, esquecendo de me lembrar que ele não pára. ele é foda. a melhor maneira de recuperar, ganhar o tempo que perdi com esses fios? mach 3. três lâminas afiadas e duas mãos de creme. guns and roses. com qualquer itunes, pimba, lá vai você para 1990. falando nisso, nele, no itunes. existem poucas maneiras mais rápidas e práticas de voltar no tempo. dura lá seus três minutos e tal e pronto. mas quebra um galhão. o primeiro fêla que abrir uma loja que vende tempo, fica quaquilionário. aqui em portugal, descobri um esqueminha bom. a veja. isso, a revista veja velha. aqui, você vai numa banca e encontra a veja da semana, uns cinco dias depois. ou seja, a revista que saiu no domingo, no sábado no brasil, encontra aqui na quinta seguinte. por cinco euros. cinco euros para voltar cinco dias no tempo? porra, é uma merreca. o tempo que você perdeu aqui, por exemplo. quer ganhar ele de volta? assista uma parte da sessão da tarde. qualquer dia. uma parte só. não precisa ser o filme inteiro. ok, se você não mora no brasil e não tem sessão da tarde... alugue uma vhs. não vale dvd. dvd não funciona. vhs funciona bem melhor. vai por mim. certa vez escrevi sobre a falta de tempo. ou melhor, já escrevi sobre a falta de tempo uma porção de vezes.
que caráio é isso? um programa em que as pessoas famosas dançam e ganham um prêmio zambers e milhões de pessoas assistem? não é que seja estranho... não faz nenhum sentido. dia desses vi que um dos grandes favoritos para o programa era o helio castro neves, campeão de formula indy. caceta como assim? quem é que assiste o helio castro neves dançando rumba? como é que se julga uma bagáça dessas? o menos esquisito? o que cai menos? o que parece que está sofrendo menos? e, na boa, ou o cara está afim de ficar com a instrutora de danças do programa ou ele está afim de ficar com a instrutora de danças do programa. um fera que ganha dois milhões de dólares só por ter vencido as 500 milhas de indianápolis não vai vestir um colant e dançar tango ao vivo em rede nacional. essa semana vi um grupo desses quase famosos no larry king live, na caráia da cnn-- falando sobre os passo de dança. quase bizarro. o mundo acabando. o petróleo batendo na casa dos 100 dólares. california em chamas. paris em greve. flamengo na libertadores. e os caras perguntando para o hélio castro neves como é que ele aprendeu a fazer o cha-cha-cha em tão pouco tempo? não fódi.

- as batatas fritas camponesas da "lays" a elma chips daqui, é fabricada no mesmo lugar em que a ruffles que não é camponesa. eu olhei no verso da embalagem. achei que vinha do campo e o caráio.
- ao lado do subway aqui em lisboa tem uma estação de metrô. ou seja, um turista cuja primeira língua é o inglês periga parar na loja de sanduíches se perguntar para alguém-- onde fica o metrô mais próximo.
- quando o atendente do subway pergunta "extra cheese?" ele na verdade quer dizer: "extra 35 cents?"
- quando você entra numas de pedir o subway inteiro. o de 30 cm, deixa de fazer parte do grupo da humanidade que consome a quantidade normal de calorias. e passa a fazer parte do pessoal que tem suspeitas de possuir algum ser não identificado dentro do corpo.
- o subway de lisboa fica ao lado do ben and jerrys. coisa de fêla da pulta. vai ser esperto assim na casa do caráio. nêgo come sanduba leve, sai achando que está na boa, que comeu algo leve, e pimba, soca um sorvetão para dentro. já fiquei observando o esqueminha. funciona sempre. 7 de cada dez manés que joga para dentro um subway, come um sorvete.
fui ao dentista aqui em portugal. cheguei lá, e na sala de espera, as revistas que estavam sobre a mesa de centro eram da semana. atuais. não eram velhas. eram fresquinhas. eu olhei duas vezes para a data da capa e umas vinte vezes para a data do meu relógio. só para ter certeza. impressionante. me senti num universo paralelo. como o universo bizarro dos super amigos, da sala de justiça, lembra? acho que foi a primeira vez na minha vida que eu entro numa sala de espera de um dentista e encontro uma revista da semana. do dia. uma pena, pois o universo paralelo continuou. eu não tive que esperar. ou seja, diferente do meu dentista no brasil em que eu tinha que esperar um tempão lendo a revista caras de 1998, aqui eu fiquei, vai, uns dois minutos esperando. talvez menos. uma sala de espera daquelas que merecem fazer um programa investigativo daqueles tipo 60 minutes, globo repórter, cnn 360º, dateline nbc. negócio sério. o mundo precisa conhecer. eu, se fosse o dentista, abriria a sala de espera do meu consultório para visitas turísticas. o mundo inteiro ia gostar de ver esse esquema. uma sala de espera com revistas novas. teria filas. pessoas visitariam o castelo, belém, o pavilhão chinês, o bairro alto, e a sala de espera desse dentista. eu visitaria. mesmo se não fosse cliente.

não sei o que diz o botãozinho do seu email. o meu diz 'get mail'. eu clico nele, e o computador passa um pente fino para ver se chegou alguma mensagem nova. é simples. aperto, um relógio gira rapidinho e pipocam mensagens na minha caixa postal. ou não. e é aí que dá a merda. quando não tem mensagens. aí começa o dedo nervoso. clica. clica. clica. como se a quantidade de clicks fosse influenciar na vontade de alguém escrever para você. o que não é o caso, é claro. não adianta nada clicar. o fêla não funciona assim. muitos clicam o botão do get mail, como se a velocidade dos clicks vai fabricar mensagens. acho, e tenho quase certeza que uma das coisas mais viciantes do mundo é o botão do get message. você mesmo que está lendo este textinho, deve estar pensando nisso neste exato momento: "será que eu tenho alguma mensagem no meu email agora?" , "acho que vou parar de ler esse blog e apertar o botãozinho catador de mesangens de email." vai lá, eu espero. numa boa. checou? ok, vamos em frente então. se existe uma coisa que eu compreendo é este vício. eu tenho. dos grandes. não sofro como quem precisa ir para uma clínica. mas sofro. já saí de reuniões fingindo que ia ao banheiro para apertar o botão do get mail. sei lá, vai que chegou um email. nunca se sabe. tá vendo, me diz se você não está com vontade de voltar lá e checar o seu. o meu, quando aparece email antes de eu mesmo clicar o botãozinho (o que é raro), bom, ele colocar o número de mensagens nova dentro de um pequeno círculo vermelho na parte inferior do meu computador. não pisca. eu tenho que passar o mouse sobre o ícone do programa para saber se tem alguma coisa. qualquer mensagem. e volta e meia eu vou lá. pior. mesmo quando o ícone do programa do email me avisa que não tem nada, nada me esperando, eu vou lá e clico o get mail. e isso vale para boletins de jornais que eu assino. sites desses que eu mesmo entro numas de me cadastrar apenas e somente para receber updates das notícias da cnn que eu acabo de ver no próprio site. todo email vale. ok, spam não. até porque o fêla do spam já vai direto para a caixa de spam. o que ainda dá mais raiva, a caixa de spam recebe mais mensagem do que eu. caráio, nunca tinha pensado nisso, mas o spam é o sujeito ou coisa mais popular do mundo. recebe centenas de email por segundo. sorte dele. fêla da pulta. email é uma das coisas mais viciantes do mundo. e o problema é que o negócio é grátis, não fode com o fígado, não aumenta o seu colesterol ou o nível de açucar no sangue. não, apenas faz você passar o dia com o dedo indicador nervoso sobre o mouse e o botãozinho do get mail. eu, por exemplo, vou lá agora. até por isso, se você sentiu que ficou faltando um final decente para este textinho. desculpa. mas deve ter um email lá. ou não.

a morte do meia dúzia. o meia dúzia do número do telefone. do número do endereço. meia dúzia, irmão gêmeo do seis. aqui em portugal, ele não existe. não é que ele tenha morrido como eu disse no título. ele simplesmente não existe. quando digo que o meia dúzia bateu as botas, quero dizer do meu vocabulário. morreu. no começo confesso que insisti. o meu endereço aqui em lisboa tem um número 6. o meu telefone uns quatro números 6. e no começo eu falava: "nove meia meia..." e a pessoa do outro lado da linha as vezes entendia por saber que é assim que os brasileiros se referem muitas vezes ao número seis. mas, na grande maioria das vezes ficava aquele silêncio. a pessoa pescando na memória: "meia? meia? meia que caráio esse cara quer dizer com meia?" depois de algum tempo, resolvi enterrar o fêla. não falo mais. faço um esforço fenomenal para segurar o "meia." agora é só seis. isso, nove seis seis. depois de trinta e dois anos falando "meia", meia dúzia de ovos. meia dúzia de maçãs. meia isso, meia aquilo. agora é só o seis. não tem muito como evitar. primeiro, porque você se passa por um cara, digamos não tão simpático. isso, é claro, depois que você descobre que não se fala o meia. a primeira vez, ok. a segunda, também. mas, depois que você descobre, a sensação é que não custa nada enterrar o meia. nem que por um tempo. com tantas técnicas avançadas na medicina moderna, tenho certeza que é possível ressucitar o "meia" quando precisar. para ser sincero, cá entre nós, de vez enquanto bate uma saudades. assim como bate uma saudade do gerúndio. mas tudo bem. até porque, dependendo do ângulo que você olha, o "seis" é muito parecido com o "meia." aí, bem, aí a saudade passa.
o dentista, um almoço longo e três reuniões... adiaram os posts de quinta (hoje) para amanhã.
"caráio erick, a caras é igual no mundo inteiro." é impressionante. não é apenas o mesmo layout. o espaço entre as letras e as cores. não, as poses das pessoas que estão na revista são as mesmas. as pernas cruzadas da madame na sala de estar. o casal com os braços trançados-- cada um agarrado com uma taça de champagne na mão. o sorriso da mulher enquanto belisca um tapete de pele de um animal desses que você nunca viu estampa parecida nem no animal no zoo. e o banquete oferecido pelo anfitrião X para o casal Y. os mesmos talheres. fico imaginando se, para economizar tempo, tudo já está pré-determinado. apenas os textos são traduzidos. o nome das pessoas trocados e pimba, manda imprimir. não consigo imaginar outro cenário. eu por exemplo, quando segurei o exemplar de caras que o juan falou, achei que era brasileira. o português demorou para se entregar. as manchetes eram curtas. e foi só depois de folhear umas doze páginas que eu pensei: "caráio, não conheço uma pessoa aqui..." eram todos portugueses. mas poderiam ser argentinos. fiquei com vontade de marcar uma consulta ao dentista. só para matar a curisosidade. chegar um pouco mais cedo e ver um número maior de exemplares de caras. só para confirmar a teoria. dentista, você sabe, é o maior arquivo na terra de edições antigas de revista caras. o juan pegou uma caras hoje e comentou. "caráio erick, a caras é igual no mundo inteiro."

nunca se cadastre na amazon. use a conta do seu irmão, do seu amigo. pague para ele. deposite na conta dele. faça um doc. uma transferência. eu sou cadastrado na amazon. o que é um erro. o serviço dos caras não é ruim. é muito bom, e é aí que está o problema. a amazon não pára de enviar emails com as melhores ofertas do universo. ofertas fucking fuckers. o email da amazon é uma espécie de spam ao contrário. o que chega é sempre desejado. mas custa caro. mas se custa caro, também é conveniente. e eles tem o seu cartão de crédito registrado. e basta um click. e você recebe em casa aquele gadget que apesar de fudido, você não precisava. e não é porque você não precisava que você não tem que pagar. e eles continuam mandando emails. e você continua comprando. é um ciclo vicioso. perigoso. eu, se pudesse voltar atrás no tempo faria duas coisas: mudaria uma nota de matemática que me fodeu na quinta série e não me cadastraria na amazon.
em são paulo ou você tinha buffet ou comida a kilo. ok, estou exagerando, mas pelo menos perto da agência, se você não estivesse disposto a leiloar o seu fígado no ebay, ou você gastava um din din no buffet ou no pingava umas notas no kilão maldito. aqui em lisboa não tem muito este esquema. aqui é cardápio, doses generosas. o kilão aqui é o tamanho da dose, da porção. vem comida para cacete no prato. muita comida. mas hoje reencontrei o kilão. perto da agência. uns dez minutinhos andando. aquele mesmo esqueminha dos rechauds mantendo a comida quente. as mesmas saladas. os mesmo pratos principais. frango com algum molho daqueles que você não sabe se é cogumelos ou sei lá com duas pedras de caldo knorr. o reencontro não foi emocionante. também não foi ruim. foi rápido e farto como todo buffet.

água. água. e mais água. água quente. no inverno os banhos ganham mais uns bons doze minutos de duração. doze para mais. nunca para menos. me lembro ainda quando era moleque e nos desenhos animado do pica-pau, quase sempre, ele, o pica-pau, sempre corria para colocar os pés dentro de uma bacia de água quente depois de um dia de frio. aqui é a mesma coisa. lá em casa, por exemplo, tem uma banheira. daquelas com um chuveiro em cima. tecnicamente tem uma bacia grande. no primeiro dia de inverno que o bicho pegou aqui, me lembrei dos desenhos animados. do pica-pau. enchi a banheira quase pela metade, coloquei uma bermuda, e sentado na beirada da banheira, mergulhei os pés. agora entendo porque o pica-pau fazia isso. o efeito é quase imediato. quase. demora lá uns vinte segundos, mas acaba funcionando. a temperatura sobe logo. o complicado depois é negociar com o seu corpo para abandonar o esqueminha. negociar com os pés, quero dizer. mas voltemos a duração dos banhos. sempre que estou no meio, fico imaginando o pessoal das represas ou barragens como eles chamam aqui em portugal. fico imaginando o carinha que lá trabalha, olhando para o nível da água da represa e pensando: "pourra erick, sai logo desse chuveiro cacete."

não sei se você já assistiu o filme "babe, o porquinho trapalhado." genial. daqueles filmes que agrada todo mundo. mas todo mundo mesmo. sem exagero. babe é foda. dia desses peguei na tv o finalzinho, engoli umas lágrimas. e antes que você fique aí achando que estou exagerando, sugiro alugar. o filme é foda. é de 1990 e tal. tem que fuçar um pouco nos corredore da videolocadora, mas eles devem ter. fique com o primeiro, a sequencia, o babe 2 é uma bosta. não o babe, o porquinho, o filme. bom, mas porque caráio estou aqui falando ou a falar do babe? ontem fui a um restaurante aqui do lado de casa. e mais uma vez sentei os dentes nos secretos de porco. juro, e não é falta de assunto... juro que fiquei meio sem jeito na primeira mordida. acho que foi um senhor que entrou no restaurante. com uma boina tipo a do dono do babe. naquele momento, com o senhor entrando no restaurante e eu com um garfo carregado de porco frito a caminho da boca, tive um flashback. lembrei do filme. lembrei do babe. caráio, fique uns dois minutos sem conseguir comer. mas, quando senti que iam avançar nas minhas lascas de porco preto, respirei fundo pensei: "é apenas um filme erick, o porquinho é bonitinho e tal, mas lembre-se, era um porquinho de mentira que falava... porco não fala.... come essa pourra." e comi. sugestão: se você gosta de porco preto, nunca, mas nunca tenha esse filme em casa. recomendo assistir, mas longe das refeições. bem longe. você nunca sabe quando irá entrar num restaurante que serve o melhor porco preto de campo de ourique e encontrar um senhor com um chapéu idêntico ao do dono do babe e ter um flashback muito complicado.
aqui em portugal, perto da praça de camões tem um lugar sensacional, o gruta velha. não vou aqui entrar numas de falar comida. o outro blog, o guia fucking fuckers, como você já sabe, é para isso. mas vou falar do petit gateau dos caras. da maneira como eles encontraram de sei lá, deixar o petit gateau deles mais cheio das nove horas. mais zambers. um pouco mais original. alguém teve a idéia simples e brilhante de chamar o petit gateau de "fofo de chocolate". o fofo de chocolate nada mais é do que um petit gateau com um nome diferente. fofo de chocolate. é engraçado o ciclo das sobremesas. algum cara em algum lugar deve até hoje exigir o título de invetor da sobremesa master emperor worldwide-- o petit gateau. bom, o negócio é que, pelo menos em são paulo, todos os restaurantes que existem têm petit gateau no cardápio. o que não é nenhuma sacanagem. acho que ninguém roubou a receita de ninguém. é um simples resultado da lei da oferta e da demanda: todo mundo quer, todo mundo vende. simples assim. a impressão que o fofo de chocolate dá é que, como ainda não é possível tirar o petit gateau do cardápio-- tipo, como não dá para colocar nada diferente, os caras resolveram ganhar no nome. já que tem que ter a pourra do bolinho quente com sorvete, pelo menos vamos caprichar no nome. fofo. isso, fofo de chocolate. hmmm, fofo. quanto mais você repetir, mais vontade tem de comer. a garçonete por exemplo foi a mesa e, ao mostrar a placa com as sobremesas, leu em voz alta todas elas. fez um esforço monumental para desviar a atenção de todos para as outras opções, mas quando sentiu que alguém da mesa estava atrás mesmo era do bom e velho petit gateau, bom, ela encheu a boca e disse: "temo o fofo." alguém na mesa lambeu os beiços e perguntou: "fofo?" e ela: "fo-fo de chocolate." mais uma pequena dúvida: "hmmm, fofo parece ser perfeito... como é?" e ela, já com a caneta apontada para o bloco de pedidos disse, com um sorriso de canto de boca: "sabe o petit gateau? aquela sobremesa que o mundo inteiro ama? então, a nossa se chama assim, fofo de chocolate." boca cheia d'água e pedidos. muitos. todos os dias. um nome que deu mais uns anos a uma sobremesa que se chamava petit gateau.
o play count do meu itunes é muito traiçoeiro. dia desses descobri que a terceira música mais tocada é uma dessas bem mela cueca dos anos 80. uma daquelas do bon jovi em que metade da música tem "babe" como letra. trilha de alguma novela da globo. daquelas bem sem vergonhas. acho, apenas acho que um dia escutei ela uma vez e deixe no repeat quando fui para casa. bom, e agora, não importa quantas vezes escuto qualquer outra música, está difícil tirar ela do topo do ranking.

- o aquecimento global vai foder com o meu häagen dasz.
- o dia que eu descobri que häagen dasz não significa nada em nenhuma língua nórdica-- me senti enganado. juro que achava que queria dizer "cremoso para cacete" em norueguês. ou "nossa, experimenta essa pourra!" em islandês. ou até mesmo "meu amigo, que sorvete fucking fuckers é esse?" em sueco. bom, descobri que não significa picas. é apenas o nome da marca. inventado por algum cara que deve ter ganho o maior estoque intergalático de sorvete grátis para o resto da vida.
-assim como é proibido a entrada de menores de 18 anos em boates, discos e similares em muitos lugares. deveria ser proibido a entrada do pessoal com colesterol alto e açucar no sangue igualmente na casa do caráio-- em todas as lojas da häagen dasz. é impossível resistir. e quando eu digo impossível não é força de expressão. fato.
- se você pegar uma foto do al gore quando ele concorreu contra o bush nas eleições de 2000 e comparar com uma foto dele de hoje pós 1723 palestras sobre o aquecimento global, vai chegar a conclusão que de tão preocupado com o aumento da temperatura-- ele não pára de comer sorvetes. deve ser um atrás do outro. de duas bolas, nunca de uma. sério, o cara deve ter engordado uns 25 kilos desde as eleições.

o bocejo pelo menos como eu o vejo, não tem nenhuma outra função a não ser avisar para os que estão a seu redor-- que você está cansado. cansado para caráio. estafado. o bocejo é uma maneira que o seu corpo inventou de quase que sutilmente mandar um email mental para o pessoal do trabalho ou mesmo de uma receção de casamento. com um subject que é claro: estou com as horas contadas. com o combustível na reserva. na reserva não. posso parar no acostamento e pedir um reboque a qualquer momento. e quando digo que é o corpo que manda a mensagem, estou falando o óbvio. você não controla o bocejo. diferente de um espirro que você pode frear com o dedo indicador na frente das narinas, o bocejo sai. pula, sem pré aviso. escapa. pode notar, pouquíssimas vezes você consegue diminuir o impacto de um bocejo ao colocar a mão aberta-estatelada sobre a boca. como quem tentasse sem sucesso matar um mosquito. pense no bocejo como um amigo. um amigo que não tem vergonha. não importa se é a sua mulher na sala sentado ao seu lado no sofa -- ou se é o seu chefe sentado do outro lado da mesa, na sala de reuniões. o bocejo sai. bocejo é sincero.s incero para caráio não mente. aparece nas hora mais apropriadas. quando sente que você está começando a prolongar a sua estadia na festa de casamento da prima da amiga da prima da amiga da sua mulher. ou quando a reunião já acabou, mas a apresentação de power point não. o bocejo é um dos seus melhores amigos. a hora que ele aparecer, é a hora de se retirar. a hora de ir para casa. essa é a teoria do bocejo. não o ignore. ele só existe por um único e simples motivo: ligar o foda-se. e, de uma maneira quase simpática, se você pensar.
(1)
o rapaz apaixonado toma coragem
e escreve a frase para ela na areia.
o filho da puta do mar apaga.
ele era muito tímido para tentar de novo.
(2)
a mãe compra o alface.
a mãe limpa o alface.
a mãe tempera o alface.
o filho só come a carne e as batatas fritas.
(3)
ele fala: desliga você.
ela fala: ok.
ele fica esperando ela ligar de volta.
a noite inteira.
(4)
uma marca de batom na cueca.
não tem desculpa.
mesmo assim, ele inventa.
corajoso, pensa ela.
(5)
era uma vez um amor sem fim.
que acabou.
quando ele contou para ela.
que acreditava em um amor sem fim.
(6)
amor?
oi?
estranho...
o que?
você... responder?
o que?
amor.
(7)
ele toca a campainha.
a vizinha abre a porta.
ele pede açucar.
ela diz que só tem adoçante.
ele estava preparado para todas as respostas.
todas. menos esta.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 1
- tem coca light?
- não, mas tem salmão e dourado.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 2
- você viu o sol como está bonito hoje? Olha o reflexo no rio.
- achei quente.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 3
- mãe, e a manuella como é que está?
- o flamengo está ganhando de 2 do vasco.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 4
- (para o taxista) boa noite, eu vou para a rua X, o sr. pode ir pela...
- (interrompendo) eu sei.
tem uma loja aqui ao lado da agência que vende bonecos desses de quadrinhos. vende batman. vende batman do quadrinho do frank miller. e o batman idoso de algum quadrinho obscuro. mas não vende apenas super heróis. é impressionante a variedade dos caras. vendem por exemplo, a pamela anderson versão baywatch primeira temporada e também da quarta. é diferente, o biquini é menor no quarto ano e o peito maior. tem também o david hasselhoff de shortão vermelho. tem o pessoal de lost em versão boneco. simpsons. south park. 300 e sin city. mas tem um boneco que eu fiquei curioso para saber quem compra. é do hannibal lecter. o anthony hopkins comedor de gente, o hannibal the cannibal. aí você pensa: "mas qual é o problema, a pessoa curte o filme portanto nada mais natural do que comprar a pourra do boneco." ok, você teria razão em pensar isso se o boneco fosse um boneco do tamanho, digamos, de um boneco. o engraçado... engraçado não. o curioso é que o boneco que os caras vendem é em tamanho real. o hannibal vestido com aquela roupa laranja do manicômio com a boca lambuzada de sangue. e tudo isso por uns 300 mangos. euros. passei pela vitrine da loja e fui caminhando para a agência tentando imaginar o que se passa na cabeça de um fera que compra um hannibal desse tamanho. e cheguei a conclusão que não é lá assim tão má idéia. o hannibal é uma espécie de espantalho para a cidade grande. porque se no campo, basta um bosta de espantalho feito de palha para afastar os corvos. na cidade grande, a pessoa coloca um hannibal na sala de entrada da casa e o ladrão se mija nas calças. o mesmo acontece no trânsito. imagine, se você tem pânico de dirigir com medo de ser abordado, ôpa, basta colocar um hannibal lecter no banco do carona. ah, você está acompanhado? sem problema, cinto de segurança nele e joga o hannibal no banco de trás. outro lugar que o hannibal deve ser uma puta mão na roda é restaurante. qual é o restaurante da moda? o mais difícil de arrumar uma mesa? ah é? bom, faz o seguinte, entre empurrando o hannibal sobre rodinhas e de mãos dadas com a sua namorada. peça uma mesa para três. você pode ter certeza que se não pegar a melhor mesa do lugar, pelo menos será presenteado com um desconto bonito. um bom investimento se você fizer as contas. ah, e o melhor de tudo é que o boneco está na posição do filme em que ele, o anthony hopkins, está preso naquele negócio de ferro com rodinhas. ou seja, o pessoal não vai estranhar muito o fato dele não se mexer.
quando morava no brasil existia aquela mania de dizer que todo dono de padaria era português. o que era mentira. muitos são. mas não é uma lei. o que é uma pena. depois que você entra numa padaria portuguesa você fica com inveja do café da manhã dos caras. do pequeno almoço como eles dizem. não é que o pão derreta na boca como força de expressão. não, é isso que acontece em muitos casos. talvez foi aí que nasceu a expressão. padaria aqui é um negócio sério. orgulho nacional. mas tem um negócio que eu descobri tarde. uma pena. mas já descobri então não adianta chorar. agora tenho é que recuperar tempor perdido. semana passada a sanae me perguntou: "erick, você já comeu torrada?" e eu: "torrada? mas que pergunta, claro. a vida inteira." e ela: "não... não.. não este tipo de torrada, torrada aqui em portugal? você já entrou numa padaria e pediu com essas palavras... 'eu queria uma torrada?'" e eu fiz uma busca no hd da cabeça e nada. e ela continuou: "...e quando eu digo torrada não é pedir uma torrada com queijo e fiambre... torrada, simplesmente torrada." bom, sábado fomos a uma padaria e, depois de ensaiar baixinho, pedi: "uma torrada." eu sei que se você está lendo isto do brasil, está estranhando. deve estar pensando: "que caráio este cara está querendo falar, torrada é torrada cacete!" é. e não é. aqui, quando você pede um a torrada assim, vem um negócio fantástico para a mesa. imagine duas fatias de pão grossas. com uma camada crocante por fora, daquelas que faz barulhinho stereo dolby surround thx quando passa a manteiga, e fofo no interior. ou seja, duas senhoras fatias de pão em que cada lado consiste desta camada crocante com um interior feito sob medida para absorver uma quantidade quase criminosa de manteiga gorda. essa é a torrada. cada mordida e você não sabe se pesca o café na mesa ou continua mastigando. é uma fartura em formato de pão e manteiga que eu não sabia ser possível. não é a toa que as padarias portuguesas são reconhecidas mundialmente. e que no brasil, virou sinônimo de padaria boa. se os caras conseguem fazer essa mágica com duas fatias de pão e meio kilo de manteiga meu amigo, não tem para ninguém. ah, e para facilitar a bagáça a torrada vem cortada em cinco tiras verticais, ou horizontais é claro, dependendo a maneira que elas se portam no prato. é fácil decorar. "uma torrada, por favor." e pronto. você volta para o brasil torcendo para que toda padaria tenha um dono com raízes portuguesas.

que eu assisti almost famous eu queria ser repórter da revista rolling stone.
que eu assisti de volta para o futuro e fiquei tentando decidir para que ano eu ia.
que eu assisti 300 eu pensei em embarcar para a grécia e dar uma mão para os caras na batalha.
que eu assisti ratatoille tomei meia garrafa de vinho e comi uns trës pratos num restaurante lá perto de casa.
que eu assisti e.t. entrei numas de que gostava para caráio de m&m.
que eu assisti good will hunting fiquei chateado de ter sido um bosta em matemática.
que eu assisti o filme dos simpsons entrei numas de assistir todos os episódios e recuperar o tempo perdido.
que eu assisti sideways entrei numa loja e pedi uma garrafa de pinot noir.
que eu assisti pocahontas 32 vezes com a minha sobrinha que estava visitando, não consegui mais parar de cantar a musiquinha tema.
que eu assisti american pie, pensei: "torta?"
que eu assisti batman & robin queria pedir o meu dinheiro de volta.
que eu assisti matrix 2 queria processar o fêla que fez.
que eu assisti o poderoso chefão1,2 e 3 de uma só vez fiquei tentando imitar o marlon brando. parecia fácil, não é.
já assistiu o show? o seriado na tv? o programa? acho que é no people and arts. um grupo de amigos abriu uma estúdio de tatuagem em miami e câmeras filmam a bagáça. da entrada, quando a pessoa, o cliente chega com um pedido, durante o processo, até a saída quando a tatuagem está pronta. o programa é interessante. assisto sempre que consigo encontrar na tv. as estrelas, os planetas precisam se alinhar. eu tenho que estar em casa no momento exato que passa. e passa em horários estranhos. em dias da semana esquisitos. não passa nove da noite, segundas e quartas. não, passa tipo segunda, quinta e sexta, onze e dezessete. bom, mas tem uma coisa que eu acho engraçado do programa. os caras, os tatuadores são meio preguiçosos. e por isso, eles sempre dão um jeitinho de convencer quem entra a fazer o que eles querem. e, como quem entra quer aparecer no programa--- acaba se "convencedo" ou concordando com a opinião do tatuador. exemplo: entra uma menina que quer fazer um anjo alado abraçado numa cruz com o nome da melhor amiga. o tatuador, olha para ela, olha para o chão e pensa: "putz, isso vai dar um trabalho.... e a gente só precisa de mais uns doze minutos de filmagem para preencher o episódio de hoje..." aí ele respira fundo, coça a cabeça e fala com um jeitão meio imperador das tatuagens tenho um show de tatuagens no people and arts por isso a minha opinião é muito fudida: "olha, anjo alado abraçado numa cruz é legal... mas e se você fizesse um happy face? sabe? o smiley? aquele amarelinho com um sorriso? eu posso usar um sombreado amarelo com um toque de preto nos olhos. acho que tem uma visão toda diferente de encarar o mundo, a vida." e a cliente, a menina fica olhando para a estrela do programa e com um olho na câmera que a filma naquele momento ela responde: "ah legal, confio em você..." e pronto, sai anjo alado entra sorriso alegre. e isso se repete em todos os programas. coisas do tipo: "e se eu improvisasse no seu braço?", "hmmm... cores? eu, se fosse você faria preto e branco mesmo, é mais roots, retrô?" e como o programa tem uma trilha musical zambers, entra e sai gente para caráio, ninguém presta muita atenção nisso. mas de cada 5 tatuagens feitas, umas 3 são bem preguiçosas, sem cor, menores do que foram pedidas, recusadas, ou os caras conseguem mudar a cabeça do cliente. presta atenção. basta o programa estar no finalzinho e entrar uma mulher mais gostosa no estúdio para todos os tatuadores pisarem fundo no motorzinho das tatuagens.
comprei uma scooter daquelas que parecem de brinquedo. menor que uma vespa maior que um velotrol-- aquela motinho de criança que você controla girando a manivela presa na rodinha da frente. se eu acelerar ao máximo, máximo mesmo, chega a uns 48 km por hora. nunca mais do que isso. talvez numa descida e só. na subida então, a fera tosse sangue para quebrar a barreira dos 39 km. os taxistas não me odeiam, mas também não me amam. uma scooter é o equivalente aos caminhões das grandes auto estradas. dentro da cidade, a scooter segura trânsito. não fura. isso é para profissionais. eu me cago de medo de fazer uma ultrapassagem. ultrapasso pedestres. e quando eles são lentos. no mais, vou na manha. devagar. quase como se estivesse pilotando a moto dos flintstones. em que sou eu, com os pés na rua que movimento a moto para cima e para baixo. scooter é a mobilete de gente grande que sempre quis ter uma quando era moleque e não teve. eu tive fapinha. mobilete para quem não sabe, era a versão fapinha em duas rodas. fapinha, a versão mobilete em quatro. scooter não tem marcha. o farol está sempre ligado e um litro de gasolina rende quase 100 km. é uma moto born to be mais ou menos wild. recomendo-- se você está com a saca na lua de esperar o ônibus ou com a saca assada de tanto andar. outra coisa boa de uma scooter é que é praticamente impossível drink and drive. tente pilotar com uma das mãos no volate e uma outra segurando um copo de mojito ou martini com três azeitonas. é caplicado.ou encontrar ela depois de beber. é tão pequena que você não acha. scooter é uma alternativa interessante também se você é um cocô para estacionar. scooter cabe até entre dois carros. scooter também é meio estranho roubar. o cara vai correr o risco de ser preso por roubar uma moto que chega com dificuldade aos 48 km. falando nisso, se roubar numa ladeira que a mão só dá para cima, existem grandes chances do fêla ser alcançado por qualquer ser humano correndo. comprei uma scooter daquelas que parecem de brinquedo.
não conheço a dona gertrudes. conheci a comida dela ontem. impressionante. e quando digo impressionante, digo isto depois de quase seis meses em portugal. seis meses investigando os guias turísticos, jornais e colocando o google para trabalhar.ou seja, estou aqui enchendo a bola da dona gertrudes enquanto comparo com tudo e todos os lugares que já comi aqui. bom, para ser sincero, a revista veja lisboa já tinha eleito o restaurante da dona gertrudes como um dos melhores. mas você sabe, a veja, uma revista brasileira querendo ensinar português a comer, aqui em lisboa. eu pensei, vou focar nos guias locais e tal. conhecer a cozinha dela só agora, foi bom e ruim. ao mesmo tempo. bom, porque se eu tivesse encontrado a comida da dona gertrudes antes talvez teria deixado de experimentar outros restaurantes. ou seja, ter encontrado ela só agora me permitiu conhecer, explorar outros. e ruim, porque se eu tivesse encontrado a comida da dona gertrudes antes talvez teria deixado de experimetar outros restaurantes. ou seja, teria comido lá mais vezes. o mais bacana da comida da dona gertrudes é que o local não é de fácil acesso. é difícil. fica longe. não é daqueles lugares que você está andando e esbarra. ou que fica perto do trabalho. ou que fica perto da casa de alguem. ou que... não, é longe para caráio. fica em carnide numa esquina bem escondida. o taxista, por exemplo, não sabia. sinal de que as pessoas vão pela comida e ponto final. a porta não tem um sinal grande. o sinal é médio. você aperta a campainha e é recebido pelo filho dela. se você tem cara de turista como eu, e sotaque de turista como eu, é perfeito. isso, porque o filho da dona gertrudes vai socar a mesa com tudo. você não precisa pedir. ou melhor, basta pedir para ele escoher para você. e vem comida. vem perdiz, vem entrecosto e pão banhado na gordura. e vem queijo. e vem também ovo com tomates. e vem vinho. mas eu não pedi alheira? tudo bem, vem alheira. e quando você vê, a mesa está coberta de comida. uma explosão de sabores que é complicado descrever. tem que ir. faz o seguinte. vai no google, digita 'o galito' , 'carnide','restaurante'. coloque uns 5-7 euros no bolso para o taxi e prepare-se para conhecer a cozinha da dona gertrudes. a melhor coisa de não ser um crítico gastronômico é poder inventar o seu próprio sistema de classificação. o meu sistema de classificação para restaurantes é o seguinte: ruim para caráio! / interessante. / fucking fuckers! isso, o "fucking fuckers" é o meu equivalente as 3 estrelas do guia michelin. o galito e a cozinha da dona gertrudes ganha um fucking fuckers!
O Galito Rua da Fonte, 18A - Carnide (Junto ao Largo da Luz), Lisboa Tel: 21 711 1088
café faz mais sentido quente. pouquíssimas vezes faz sentido frio. talvez afogado em chocolate, leite, no menu do starbucks com nomes como frappuccino, como ingrediente de torta ou sorvete. falando nele, no sorvete, não faz sentido sorvete quente. carne, filé de vaca, bife, tem que ser quente. bife frio meu amigo, ou tão de sacanagem com você ou estão de sacanagem com você. frango, inteiro, daqueles com pele e tudo que o pica-pau sonhava no desenho animado, só faz sentido quente. frango desfiado, abraçado a uma folha de alface, aí belê, pode ser frio. pastel, quente. pastel frio você pede o dinheiro de volta. torta doce, fria. e, quando a torta doce vem quente, é porque tem a maior bola de sorvete sobre ela como um meteoro gigante que veio para destroçar toda e qualquer existência dela. torta salgada? tem que ser quente. torta salgada fria? fique esperto rapaz, se a torta for salgada e estiver fria, é porque estão tentando te empurrar um quiche. é, um quiche, uma das maiores enganações da culinária mundial. fuja, escape do esqueminha do quiche. uma torta com nome chique trips com preço de prato principal mas que satisfaz o seu apetite com a mesma brutalidade que uma lasca semi transparente de sashimi. e já que chegamos a cozinha japonesa, o sushi. sushi tem que ser frio, não frio sorvete frio, frio não fervendo. ferveu, aí é peixe cozido. pizza? pizza tem que estar quente quando você pede. queimar o céu da boca. pizza que não queima o céu da boca é bem mais ou menos. pode notar, se a pizza dá água na boca, você não consegue esperar ela esfriar e soca a fatia ainda borbulhando para dentro da boca, portanto o céu dela em chamas. agora, pizza faz muito sentido fria. nunca quando você pede. não. pizza é fucking fuckers fria quando você acorda de ressaca. algumas coisas fazem mais sentido quando estão frias. outras não.

não teclo sem olhar para o teclado 100%. mas uns 82%. não teclo também usando os dez dedos. mas uns sete. o que é ok, se você considerar que até um tempo atrás eu ainda dependia exclusivamente dos indicadores. mas a prática acabou liberando os outros dedos para teclar em algumas teclas. e hoje, nesse esquema metade sem olhar, e usando quase todos os dedos, até que digito rápido. com uma caráiada de erros que você pode notar com extrema facilidade ao ler este blog, mas teclo relativamente rápido. o que nos leva a letra fora do lugar. a letra fora do lugar diz respeito a um teclado de um laptop alemão que eu esbarrei lá na agência um dia desses. mas que caráio essa letra fora de lugar fez? bom, bastou uma letra, uma só, apenas, não duas, mas uma letra fora do lugar para foder todo o meu esqueminha. não sei ao certo qual é a letra, se é o 'a' que está em outra parte do teclado e troca de lugar com o 'r'. ou se é o 's' que inverte de posição com o 'a'. sei que era coisa de uma só letra. bastou uma letra fora de lugar para me derrubar. de repente, voltei aos meus quatorze anos de idade quando teclava num word processor brother. catando letra. escrevi um texto longo e quando olhei, apenas uma letra tinha criado um efeito cascata, meio teoria do caos em que uma coisinha desencadeia uma reação fucking fuckers sem fim. uma só letra inutilizou quase todos os dedos e voltei a olhar para cada letra antes de teclar. uma só letra fora de lugar basta para foder a sua cabeça e forçar você a reaprender tudo. por sorte, usei o laptop alemão por alguns minutos e só. era de um amigo, este também alemão que havia pedido para eu digitar umas frases em português para ele. uma letra fora de lugar. uma só. e você, assim, no tempo que leva para digitar uma só frase, volta a ter uns 14 anos de idade.

não sei se você tem o costume de comer tremoços. para quem não sabe, tremoços é um negócio muito parecido com o milho. assim, de primeira é um milho que cresceu um tiquinho mais. mais salgado e que você pode ou não tirar a casquinha usando os dentes da frente como um abridor de latas. tremoços anda sempre acompanhado da cerveja. e quando digo milho, quero dizer o milho não em espigas, mas o milho em conserva. aquele que vem mergulhado numa água suspechosa dentro de uma latinha. tremoços também é servido assim, em conserva, uma caráiada de tremoços. bom, mas foi comendo tremoços esses dias que eu imaginei um encontro dos dois. do milho e do tremoços. talvez num balcão de bar. um garçom passa carregando uma porção de tremoços e cruza com um outro carregando uma salada com milho. o papo é breve.
- você, por aqui?
- milho?
- tremoços?
- quanto tempo.
- primo!
- primão, como é que está a família?
- ahhh, você sabe...saladinha, quiche, sanduíche, latas em conserva, algumas tortas, mais nessa área... e vocês?
- bar, trabalho mesmo só em bar. mas tudo bem... trabalho é trabalho. bar, bar e bar.
- claro. ô, manda um abraço para o pessoal.
- você também.
- tchau.
- tchau.
- beleza porção de tremoços.
- abração milho.
hoje, estava andando pelo pátio da agência quando uma bola de futebol surgiu no horizonte. ela veio crescendo na minha direção. alguém tinha chutado a bola, que naquele momento, era apenas minha. olhei para o meu adidas como quem diz: "segura essa fera. me ajuda. tudo o que eu preciso é de um bom chute. um só. para matar as saudades da bola, do flamengo e dos tempos de moleque." bom, meu adidas não me deu lá muita atenção. ou melhor, o filho da puta não me escutou. porque? quando a bola chegou, bati com toda a força. com vontade mesmo. o tênis encontrou a bola meio de um jeitão meio esquisito. e naquele momento me senti na pele do romário na véspera da copa de 98. coloquei a mão na panturrilha e senti o drama. o músculo me mandando para o caráio. dizendo para eu deixar de ser mané. senti a fisgada. respirei fundo e segurei uma lágrima. não a lágrima de dor apenas. mas a lágrima de quem sabe que se amanhã eu tivesse que servir a seleção, eu seria cortado.

se você chegou aqui através da maquininha de busca do google atrás do viagra, perdão. dê uma olhada no folder de spam do seu email que lá tem uma caráiada de mensagens. bom, agora vamos falar desses emails. hoje cheguei na firma e eram acho que sei lá, uns 27 emails oferecendo 36 horas de ereção. trinta e seis. caceta quem é que quer trinta e seis horas de ereção. quem é o sujeito que fica puto em casa porque não consegue ficar trinta e seis horas em ação? putz, acho que toda propaganda de viagra, os spams mesmo-- funcionariam melhor com um enfoque diferente, quase sincero do tipo: "meu amigo, desta vez, vai!" apenas isso. ou algo como: "jogue uma prorrogação rapaz para deixar ela feliz." algo um tiquinho mais tangível como diriam os marqueteiros do governo, qualquer governo. esse esquema de trinta e seis horas é, digamos, hmmm, exagerado: "chefe, hoje eu não vou poder ir trabalhar, pensando bem, amanhã também não sei ao certo? estou no meio das trinta e seis horas de ereção? belê?" bom, e se você chegou aqui com o google atrás do viagra, fique esperto rapaz que hoje eu recebi uma caráiada de spams dos genéricos do viagra. ou seja, você está pagando mais do que deve pelas 36 horas de sexo insaciável.
o monty python é uma daquelas coisas que eu sempre escutei falar a vida inteira mas nunca assisti. sei quem são os caras, mas nunca vi. já escutei histórias geniais. bom, comprei a caixa completa. agora o dilema: abro a pourra da caixa e descubro que é bom--- mas com o grande risco de destruir a aura de fucking fuckers que meio mundo ajudou a construir dos caras? ou não abro e passo a falar permanentemente que ainda não vi mas vou ver assim que tiver um tempo? parece bosta. mas não é. aluguei um filme desses que as pessoas juram que é o filme mais fudido da história e fiquei com a sáca na lua: bullit com o steve mcqueen. fiminho bem mais ou menos. taí, se você ainda não assistiu bullit, segura a onda. guarde a imagem que seu pai te disse que o steve mcqueen era o pegador mais forte da época dele. o bullit é um dos filmes que você deve para sempre manter como "os filmes do caralho que eu ainda não vi, mas juro que vou ver quando tiver uma chance."

compro o meu adidas originals. calça levi's. manteiga leco. balas bhering. e por aí vai. marcas velhas. antigas, mas que você ainda encontra por aí. marcas que você tem algum tipo de relação e por isso mesmo tem uma confiança um tanto mais estabelecida. algumas marcas você encontra com mais dificuldade do que as outras. mas encontra. as balas mastigáveis bhering, por exemplo, é foda de encontrar. sempre que vejo uma, compro duas. até porque, se você é fã das balas bhering sabe que uma sempre fica para sempre grudada no dentão lá de trás. por isso mesmo, a segunda. aqui em portugal não tem, mas tem outras coisas. portugal também tem as suas marcas antigas que continuam fazendo sucesso. ou pelo menos um sucesso suficiente para manter a produção do tal produto. o que nos leva a pasta dentífrica couto. pasta de dente. creme dental couto. pelo o que eu li aqui, é mais ou menos como a kolynos que já não existe no brasil. a embalagem é de metal. aquele metal que retorce quando começa a chegar no finalzinho. experimentei essas semanas. gostei e vou abandonar a colgate zambers que eu estava usando. não porque ela, a colgate é ruim. o negócio é que a pasta couto é simples. ela diz que evita as afecções da boca. e por isso, eu entendo: espanca as cáries, a placa bacteriana e outras coisitas suspechosas que circulam pela boca quando você não está olhando. o negócio da colgate que tava começando a me deixar meio puto era a quantidade de versões. experimente ir hoje a uma farmácia, supermercado, loja de conveniência comprar colgate. meu amigo não esqueça de levar um banco e um ipod carregado. existem mais de 100 tipos de colgate. com ervas, sem, menta, menta plus, menta plus com estrelinha, eucalipto, mais fluor, total. na boa, não fódi. eu quero apenas cuidar dos dentes, do hálito e seguir com o meu dia. a pasta couto tem essa vantagem sobre a colgate. é uma pasta. não quer ser mais. nem menos. ah, e se você é brasileiro e mora em portugal, mata a saudades da kolynos. que foi comprada e virou uma marca bem mais ou menos chamada 'sorriso'. é mais ou menos como o seinfeld disse dia desses numa entrevista que eu assisti: "esses dias eu vi uma embalagem de detergente da mesma marca que a minha usava, e ela dizia que estava 'improved', 'better', 'whiter', 'stronger'. uma caráiada de adjetivos que diziam que aquela versão era infinitamente superior do que qualquer outra anterior a ela." no que ele concluiu: "quer dizer que de 1960 e tal para hoje, todos os anos, as roupas estão ficando cada vez mais brancas? naquela época a minha roupa estava bege e ninguém notava?" algo por aí. o mesmo com as pastas de dente. por isso mesmo a experiência com a couto. a fêla limpa os dentes e ponto. passa um verniz nos dentões da frente sem dramas. pasta couto. evita as afecções da boca.

tem uma hora que o frio chega em lisboa. mas chega com a delicadeza de um elefante bebâdo com uma das patas machucadas. bom, se você olhar para a data vai ver que eu estou falando disto agora no outono e que ainda falta para a chegada oficial do inverno. mas o foda aqui de portugal é que realmente tem lá as suas estações. os caras não ficam de putaria como no brasil onde chove no inverno e faz calor no verão. não, verão aqui tem seus dias com 43 graus e o inverno seu dias com 3 graus. e o outono daqui funciona como uma espécie de tapa na testa. daqueles tapas que fazem barulho. do tipo que fala: "ô rapá fica esperto, o frio tá chegando. compra um aquecedor, um cobertor, casaco? você tem?" o outono é um alerta. ele te proporciona algumas poucas semanas de alerta, para você se adaptar e fazer a transição sem muitos dramas. assim que mudei para a casa que eu moro, coloquei perto da janela um termômetro. daqueles clássicos de madeira com o mercúrio e tal. bom, hoje de manhã ele estava marcando 14 graus dentro de casa. agora já está mais perto dos 20º, mas disso não passa. fui hoje já numa loja comprar o aquecedor. "ainda não chegaram os modelos deste ano." disse o vendedor com um sorriso de canto de boca. acho, só acho que e, algum lugar tem uma caráiada de aquecedores amontoados esperando o pessoal entrar em desespero. esperando pessoas como eu a colocar o pé sem meia no chão gelado do banheiro e gritar. só pode ser. e assim, quando a população entrar em crise, ameaçar fazer um quebra-quebra nas lojas, eles revelam que o estoque sim, chegou. acho que isso deve acontecer em umas duas semanas. estou esperando. com uma taça de vinho tinto na mão. uma caneca de café quente na outra. uma calça de moletom. meias grossas e um casaco que arrasta pelo chão. é, tem uma hora meu amigo, que o frio chega em lisboa.
... a parte mais legal de andar de metrô em portugal é nunca se perder.
... saborosa do pastel de nata é a segunda mordida depois do choque calórico da primeira.
... complicada do ônibus daqui, é quando você fica preso entre um passageiro que não vai sair e um outro que acaba de entrar, bem no ponto que você vai sair. e por algum motivo, isso acontece quase todos os dias.
o prego é um sanduba de filé. sei que já falei sobre a bifana por aqui. e que você, se visitar lisboa, deveria sempre optar pela bifana no lugar do prego. continuo pensando assim. ou melhor, a pensar assim, como me corrigiria o peixinho, o português que senta ao meu lado na agência. mas o prego tem uma coisa bacana sobre ele. sabe aquela coisa, a certeza de saber que em qualquer mcdonald's do mundo, você vai encontrar o mesmo quarteirão, o mesmo big mac. o mesmo sabor. o mesmo molho? então com o prego é a mesma coisa. basta você debruçar a pança em qualquer padaria e pedir um prego para receber o mesmo sanduíche. idêntico. o mesmo tipo de pão. o mesmo filé. o mesmo tempero. uma pitada de sal e de pimenta. depois de ter comido uma caráiada de pregos em uma caráiada de lugares, cada um mais distante do outro, cheguei a conclusão que o prego é o equivalente ao mcdonald's. acho que algum lisboeta, uns setenta anos atrás visitou o mcdonald's nos estados unidos e correu de volta para lisboa. "donos e donas de padarias, pastelarias, eu convoco, ou melhor, eu imploro... a partir de hoje vamos todos seguir a mesma receita. o mesmo pão. o mesmo filé. ou fazemos isso, ou esse tal de mcdonald's vai acabar com a gente." bom, e desde então, a lei permanece. as pessoas sabem, os locais e os turistas. que em qualquer lugar o prego será feito seguindo à risca a mesmíssima receita.

certa vez li que o número de aplicações para a faculdade qu ensina aquelas técnicas de investigações criminais a lá csi, subiram mais de 100% nos últimos anos. resultado direto do sucesso da série da tv. antes as pessoas cagavam baldes para esse esquema de ficar fuçando dna, catando copo usado, cigarro pisado, restos de sangue e semem. puta profissãozinha mais ou menos. puta esquema esquisito. entrar com uma lanterna num motel de beira de estrada atrás de fio de cabelo entre a unha do dedão do pé da vítima. mas pelas estatísticas, parece que tem filas para aprender fazer isso. csi ny, csi las vegas, csi miami são os maiores responsáveis. uma caráiada de jovens realmente acham que vão colocar um par de óculos escuros como horatio caine, andar de hummer por south beach em miami e ainda tre tempo de falar frases como: "ele morreu com um cigarro na mão e um tiro na cabeça. é, cigarro definitavemente contribui com a morte." acho que o governo deveria considerar este esquema a partir de agora. que profissão está dando bosta? os professores estão em falta? patrocina uma série com atores fucking fuckers de hollywood em que professores salvam o mundo atirando giz e livros nos bandidos. apenas uma idéia. todas as terças, no fox channel.

aqui em lisboa tem um par de bondinhos. acho que são duas linhas. ou três. talvez quatro. ok, se vocie pesquisar talvez encontre uma quinta. mas a principal que está em camisetas, cartões postais e chaveiros, é a linha 28. o eléctrico 28. assim com este c entre o é e o t. se você quiser entrar numas de ir todos os dias para o trabalho de eléctrico, dá. mas é masi prático como um esqueminha turístico mesmo. mas eu recomendo mesmo uma viagem no eléctrico 28-- se você curte a série de volta para o futuro. isso. pense no eléctrico como o delorean do doc e do michael j. fox. você entra nele em 2007, e, ao descer em alta velocidade uma ladeira, volta para o passado, numa ruela zambers com casinhas antigas. bom, aí ele sobe uma outra ladeira recarrega as baterias com 1.21 jigowatts de potência e dispara de volta para os dias de hoje. e vai nesse zig zag pelo tempo impressionante. passado, presente, futuro. até que chega no castelo. no topo de lisboa. e você, se der sorte, pega a viagem ao lado de um senhor com os cabelos brancos como o doc brown de de volta para o futuro. o que, acaba por deixar a experiência ainda mais real. você pode estar aí pensando, que exagero, comparar um bondinho com o delorean fucking fuckers do filme. mas vai por mim. na primeira curva que ele fizer e acionar o flux capacitor, você vai ver como eu estava certo.
certa vez anotei num guardanapo um assunto para escrever aqui nesse blog. este mesmo que você está lendo agora. era alguma coisa engraçada. alguma observação que, pelo menos naquele momento parecia genial. o problema é que eu perdi o guardanapo. e como a idéia não era assim, genial, não me lembro o que estava escrito na pourra do papel. da idéia não me lembro, mas o que eu consigo recordar com perfeição é o momento em que eu pedi para o garçom uma caneta. e o fera que estava anotando o pedido de alguma mesa, não ficou lá tão feliz. mas cedeu a caneta. fez o favor: "o cliente tem sempre a razão" deve ter pensando ele. ou não, talvez ele deu a caneta porque eu insisti muito. até porque como já disse, julgava ser uma idéia muito boa. achava que ia encher um parágrafo inteiro com ela. por isso mesmo rabisquei de uma só vez e coloquei no bolso de trás como quem acaba de descobrir a solução de uma equação de segundo grau de uma prova do ginásio que ate então continuava em branco. um erro. daqueles básicos. o bolso de trás é raramente visitado. dinheiro, chaves, notas de dinheiro e recibos de compras de cartão de crédito que você pode um dia se arrepender, se guarda no bolso da frente. é no bolso da frente que as mãos buscam proteção do frio. ou é no bolso da frente que as mãos volta e meia tentam ajudar a pessoa a ter um tiquinho de estilo. e que, por isso mesmo, acabam sempre encontrando coisas importantes que lá estão . bom, coloquei a idéia no bolso de trás. e perdi. creio que no segundo ciclo da máquina de lavar. falando nisso, você já parou para pensar quantas grandes idéias morrem afogadas no segundo ciclo da máquina de lavar? algumas grandes idéias até sobrevivem o primeiro. o segundo, nunca. ok, não necessariamente grande idéias. mas digo grande em termos de quantidade? muitas. com certeza muitas. mas voltemos a idéia que deixou de existir e que certa vez anotei num guardanapo. todo o propósito dela, toda a razão dela existir, era preencher este espaço. este que você está pacientemente lendo. e foi escrevendo este textinho sobre a idéia perdida que cheguei a conclusão como a perda de uma idéia até que não é assim tão ruim como idéia para um textinho.
estava tomando um café encostado no balcão do brasileira, um ponto turístico lisboeta, quando um carinha, acho que espanhol, escutou o sotaque do argentino que trabalha comigo e perguntou:
- madrid?
e o meu amigo:
- buenos aires.
e ele:
- gaucho! gaucho! gaucho! (pausa de uns quatro segundos) paga o meu café, gaucho?
e o meu amigo:
- hmmmm... não.
e o carinha virou o café num só golé, catou moedas no bolso e pagou o próprio café com o próprio dinheiro.
vou experimentar a mesma coisa num restaurante fucking fuckers. se eu escutar algum brasileiro falando na mesa ao lado vou pedir. sei lá, se o carinha faz isso com tanta naturalidade é porque de vez em quando cola. só pode ser.
aqui em lisboa você acaba fazendo coisas que provavelmente não fazia com tanta frequência no brasil. cozinhar por exemplo. dar um trato no armário. fazer a louça. pendurar o tapete da cozinha para secar. e, de vez em quando, fazer o transporte da roupa seca para as gavetas. o que nos leva ao título deste textinho. a meia que não aguentou a pressão. esta meia a que me refiro é a meia perdida. sabe, quando as meias voltam para o armário e você nota que pelo menos um pé está banguela? que está faltando metade do par? então, sempre achei que era um esquema exclusivo das máquinas de secar. que existia uma portinhola secreta. um portão com acesso a um paraíso das meias. e que, volta e meia, uma de suas meias mais queridas descobria o mapa e escapava. bom, mas aqui em portugal, pelo menos lá em casa não tem máquina de secar. como já escrevi aqui uma vez. lá em casa tem um varal externo. e foi neste varal que eu testemunhei o salto da meia. da meia que não aguentou a pressão. a meia que se desgarrou do fio de aço que contorna a minha casa e se jogou na rua. que caiu contra o asfalto. que deu adeus. que se despediu. foi de repente. não sei se tecnicamente com uma meia podemos dizer que foi suicídio. mas fato é que a meia não aguentou a pressão. se jogou. pulou. tenho uma toeria do que pode ter acontecido. acho que depois de anos no brasil em busca do portão secreto da máquina de secar, ela finalmente achou. e, depois de anos planejando, quando chegou a hora da fuga espetacular, a meia ficou deprimida. veio parar num país em que ela seca num varal. não tinha mais acesso a portinhola da máquina de secar. bem no momento em que ela ia escapar. bem no momento em que ela planejava a fuga, resolvemos mudar para lisboa. e foi assim, num belo dia de sol. quando estávamos distraídos, acho que assistindo televisão, que ela se despediu. não aguentou a pressão das ladeiras. das caminhadas. uma pena, até que curtia ela. mas tudo bem também. a sports zone do amoreiras tá em promoção.
escova de dentes conversa com o fio dental:
- precisava comer bacalhau com ovo cozido?
fio dental:
- só de sacanagem vou deixar um fiapo de bacalhau naquele dentão lá do fundo.
escova:
- belê.
celular ou telemóvel conversa com o carregador:
- ô, olha onde você coloca isso hein?
ovo conversa com a maionese, dentro da geladeira:
- eu me identifico muito com você sabia? acho que temos esse negócio quase que, qual é a palavra mesmo? mágico entre a gente sabe?
maionese:
- talvez porque você é um dos meus ingredientes.
jornal de sexta puxa assunto com o jornal de domingo:
- e o jogo do flamengo e do vasco hein? vai ser um jogão.
jornal de domingo responde:
- 3x1 flamengo.
jornal de sexta puxa assunto com o jornal de domingo:
- e as novidades?
jornal de domingo responde:
- quanto tempo você tem?
toda e qualquer coisa empanada, a milanesa, é mais gostosa do que a sua versão não empanada. fato. tive a idéia de escrever sobre as lulas à dore depois de ler um textinho que o thiago carvalho escreveu sobre o kfc no blog dele (o trocadilho do mal aí do link ao lado). quer ver? lascas de frango ou nuggets? ah, você não gosta de lascas, iscas de frango? ok, filé de frango ou o mesmo filézito empanado? o que nos leva a teoria da lula à dore. é simples. pode notar, quantas vezes você não foi para um bar com amigos e pediu lula à dore. com a intenção de comer apenas a casquinha. é, apesar de pedir lula ter lá o seu charme. frutos do mar. isso, lula à dore, você encontra na parte do cardápio que diz com letras fru fru, "frutos do mar." mas a teoria da lula à dore diz que 9 entre 10 pessoas, ok, 7 entre 10 pessoas pedem a lula simplesmente pela casquinha. e não é uma coisa que a pessoa pensa silenciosamente sem nunca comentar com ninguém. é quase sem querer. é uma coisa involuntária. é como se existisse uma pequena parte do cérebro que desde criança criou essa dependência de coisas empanadas. que, de certa maneira, sempre que existe a possibilidade de jogar para dentro a lula à dore, essa parte do cérebro não titubeia. dá um choque rápido quando o cara está passando os olhos sobre a linha do cardápio que diz lula à dore. observei isso este fim de semana. pediram duas porções de lula. à dore, é claro. com casquinha. e pouca lula. o que já virou regra. também, sem querer. as pessoas, os bares, os restaurantes aos poucos foram notando que estava sobrando lula nos pratos e nenhuma casquinha. ou seja, aumentaram a casquinha, mantiveram a lula do mesmo tamanho. os mais malandros focaram na casquinha. eu acho, apenas acho que é uma questão de tempo até servirem apenas dore a dore. um novo prato com apenas aquilo que as pessoas comem e lambem os dedos. a casquinha. você duvida de mim? faça o teste. vá a um bar. com um grupo de uns dois, três amigos para aumentar o a amostragem de pessoas. peça uma rodada de chopp ou de imperial, se estiver em portugal. peça uma segunda rodada. peça três se estiver muito calor. bom, agora peça duas porções de lula. ou três. para testar a teoria da lula à dore, precisa ter fartura. porque só com a fartura é que as pessoas vão ter coragem de comer apenas a casquinha e deixar os pedaços de lula para trás. no canto do prato. e não digo lula inteira. lula é bom. mas é que chega um ponto em que a barriga infla e você tem que optar: casquinha ou lula? e vai a casquinha. dica: observe na cara de falso frustrado da pessoa que, ao morder a ponta de um anel de lula à dore, pesca só a casquinha deixando a lula para trás. é aquela expressão "oh, que chato, só peguei a casquinha." falsidade pura. é proposital, é claro. e como você pode ver pela foto acima, tem a pourra do molho tártaro que transforma qualquer casquinha num prato gourmet fucking fuckers. bom, eu posso estar cagando regra aqui. você pode fazer o teste e chegar a conclusão que eu errei feio. pelo menos vai terminar a noite com a pança cheia de cerveja e lula à dore. o que, cá entre nós, não é lá assim, tão ruim.

nespresso é fucking fuckers. prático. saboroso. fucking fuckers. mas, por ser uma única loja, as mulheres que te atendem, de vez em quando tem uma atitude digamos, curiosa. os dois diálogos que seguem, aconteceram lá, enquanto eu comprava as cápsulas. em ocasiões e com atendentes diferentes.
- eu queria uma caixinha de cápsulas vivalto.
- mas, vivalto é para fazer café longo.
- eu sei.
- você tem certeza que quer vivalto? você não pode fazer um espresso com vivalto, ok?
- como?
- se você quiser fazer espresso, tem que ser com as outras cápsulas. roma, cosi, por exemplo.
- ok.
- ok?
- ok, eu sei disso. mas...
- mas?
- mas, como a máquina começa e pára quando eu aperto o botão, tecnicamente, se eu quiser parar antes e fazer um café com menos quantidade com o vivalto, eu posso fazer um...
- um ESPRESSO com o vivalto, você quis dizer?
- isso.
- mas você não vai fazer isso né?
- se eu disse que não vou fazer, você fica mais tranquila?
- fico.
- ok.
- promete?
- como?
- brincadeira (com um sorriso nervoso)
- eu queria quatro caixinhas de ristretto, por favor.
- ristretto é o mais forte.
- ah, eu sei.
- muito forte.
- ok, eu, eu, já experimentei.
- você já experimentou o roma ou o arpeggio?
- hmmm, já, eu prefiro o ristretto.
- muito...
- forte?
- isso. muito.
- ok, eu queria quatro caixinhas.
- mais alguma coisa?
- faz o seguinte, coloca mais uma...
- CINCO?
- isso. cinco.
- nossa... (com olhos arregalados de verdadee repetindo "cinco" baixinho.)

nunca fui de levar tupperware para o trabalho. tupperware com comidinha. com o peito de frango empanado. acho que levei uma vez e esqueci na geladeira. ou levei duas, e deixei o molho da carne escorrer pela mochila e para sempre fui perseguido por cachorros pelas ruas. depois tem a história do microondas, do garfinho. da faquinha. da lavagem. tupperware é complicado. bom, mas a minha idéia não é levar tupperware para o trabalho. mas para os restaurantes. vou começar a levar para casa três quartos de todos os pratos que eu peço. não sei o que está acontecendo em portugal. não sei se existe um movimento para secar as geladeiras, os estoques de todos os restaurantes. mas a cada semana que se passa, as porções crescem. como uma vez escrevi aqui, são ceias. é natal e ano novo todos os dias. tupperware. não esqueça de colocar na sua mala se está prestes a embarcar para lisboa.
não tenho nada contra taxistas. acho das profissões mais importantes para ser sincero. quando morava em são paulo, por exemplo, cansei de sair de taxi para evitar voltar depois de ter bebido. em lisboa, como não conheço um milésimo da cidade, muitas vezes dependo dos feras para circular. e o melhor: aqui é barato para cacete. se você comparar com são paulo, é claro. mas numa boa, eu não sei o que se passa pela cabeça de muitos taxistas daqui. muitos são gente finas, gente boa, sempre dispostos. mas, quando você pega um taxi com um humor digamos, com um deficit gigantesco de sorrisos, complica. e digo complica porque você não tem muitas alternativas. não dá para no meio do caminho, numa ruela de lisboa que você não tem idéia onde fica no mapa, pedir para sair. o que nos leva ao título deste textinho. o bar lagoa do rio tem a mesma fama. os garçons são ranzinzas. marca registrada dos caras. o chopp é bom. o kassler é fucking fuckers. por isso mesmo, meio rio de janeiro segura a onda e atura a ranzinzês deles. a falta descarada de sorrisos. o bar lagoa é o que me faz ficar zen quando encontro um desess taxistas. eu preciso chegar em algum lugar. os caras conhecem as ruelas como ninguém. é como o carinha do bar lagoa. muitas vezes, numa tarde suada do rio de janeiro, o chopp do bar lagoa é necessário. é preciso engolir o orgulho para engolir o chopp. anos de bar lagoa preparam qualquer carioca para os taxistas de lisboa. por isso, fica aqui a minha sugestão: você planeja uma viagem para lisboa? planeja morar aqui? bom, garanto que mesmo que você compre um carro, vai adquirir o hábito de circular pela cidade de taxi. mas vamos a sugestão. é o seguinte, frequente o bar lagoa repetidamente antes vir para lisboa. almoce. jante. chegue no horário de pico e peça uma mesa para 12. quando chegar o seu pedido, pergunte se é possível dividir em três pratos. peça chopp sem colarinho e depois mude de idéia. ah, e diga que mudou de idéia pois viu uma menina lambendo o bigode de espuma de chopp e ficou cheio de idéias. bom, depois de enfrentar a ira dos garçons do bar lagoa, você estará preparado. pronto para enfrentar os taxistas de lisboa. vai por mim.
uma lei. sabe quando você vai começar a falar de um filme que você viu no cinema e alguém que ainda não viu o filme levanta a mão e diz: "conta não, comenta não, eu ainda não vi..."? todo mundo já esteve nos dois lados. no lado de quem já viu o filme. e no lado de quem não viu. eu já implorei para não contarem. mas acho , só acho que deveria ser estabelecido um prazo oficial. imposto por lei mesmo. governo e o escambau: "a partir de hoje, apenas os filmes lançados nos últimos 2 meses não poderão ser comentados." exemplo: "você viram aquela cena de transformers...." proibido. o filme foi lançado final de agosto. pelo menos aqui em lisboa. agora, se alguém levanta e fala: "putz e aquela cena de indiana jones e o templo da perdição..." e uma outra pessoa levanta a mão e implora: "não, não comenta não.... eu ainda não assisti, tenho que ver esse filme..." desculpa meu amigo, indiana jones e o templo da perdição é de 1989. pela lei do prazo dos filmes que podem ser comentados, indiana jones e o templo da perdição tá dentro. tá valendo. é claro, que, como toda lei, existem pequenos adendos. o final de o sexto sentido não pode ser comentando nem 20 anos depois. mas o resto está valendo. a lei do prazo dos filmes que podem ser comentados.
esses dias fui visitar uma cidade miniatura aqui perto de lisboa. tudo é miniatura. tudo termina com inho ou inha. casinha. cavalinho. carrinho. e por aí vai. é bacana. é interessante. só tem uma problema: o passeio dura uns 2 minutos. sério. cada passo que você dá, dentro da mini-cidade, equivale a uns 60 numa cidade normal. ok, tem mais um problema: o caminho de carro até lá é por uma estrada de tamanho normal. ou seja, a ida e a volta demoram o mesmo que demoraria para chegar a uma cidade turística qualquer. mas o passeio dura 2 minutos. mais ou menos o tempo que você levou para ler este textinho.
agora com a invenção da tal coca zero fico imaginando os caras dos restaurantes confusos, no fim do mês. quando chega a hora de fazer o pedido para o restaurante:
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- hmmmm...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- qual tem menos calorias?
- não sei. é igual.
- mas...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- uma é light e não tem calorias. a outra é zero e não tem calorias.
- isso.
- hmmmm....
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- vamos conversar mais sobre isso amanhã?
- ok. amanhã a gente retoma a reunião.
- amanhã.
não sei qual é a idéia dos caras: "vamos fazer 5 canais passando seriados fucking fuckers simultaneamente para conquistar o mundo." talvez essa é a idéia dos caras. mas o que acontece é que eu, pelo menos, fico pulando de seriado em seriado e não assisto nenhum. assisto pedaços. não acompanho mais seriados. acompanho pedaços. o que é bem diferente não sei que caráio se passa pela cabeça dos caras da fox: "esses fêlas das puta não vão assistir nenhum outro canal . apenas os nossos. caguei baldes que eles não consigam acompanhar essas série todas. caguei. o importante é afastar eles dos outros." e é mais ou menos o que acontece. ou pelo menos lá em casa. "house, você assistiu o último capítulo erick, foi sensacional." e eu: "assisti três minutos de house. três de 24 horas. três de criminal minds. três de comerciais. três de um programa que já estava subindo as letrinhas. house, house, eu não assisti. mas os três minutos que eu consegui pegar, prometiam." quando eu era moleque era muito mais fácil. não fódi, a minha tv tinha apenas 4 canais.
sempre fui bem mais ou menos na hora de estacionar o carro. bem mais ou menos não, sempre fui bem ruim. ruim para caráio. já estraguei, destruí muita calota de carro. sempre que existe o serviço de valet parking, não penseo meia vez antes de dar as chaves do carro para um estacionador profissional. bom, mas esse fim de semana, pela primeira vez, dirigi um carro com sensor de estacionamento. e não estou falando de um apitozinho quando eu estou prestes a bater num poste. não, esse sensor é foda. é 360º. passou um gato pelo lado direito do carro, ele apita de leve. passou um cão são bernardo carregando um barril de whisky no pescoço, ele apita mais forte. de um minuto para o outro fiquei fodalhão para estacionar. e vale dizer que o carro é para 9 pessoas. ou seja, grande para cacete. ah, e isso nas ruas estreitas de lisboa. e das cidades pequenas do interior de portugal. caplicado meu amigo. se antes a minha mulher ficava tensa ou tinha que sair do carro para trabalhar de manobrista, esses dias ela ficou tranquila. é uma sensação de poder enorme. para ser sincero, cá entre nós, me senti no império contra ataca. aquela continuação de guerra nas estrelas em que o obi wan kenobi, o jedi master fucking fuckers aparece em espírito para guiar o jovem luke skywalker. neste caso, eu sou o luke e o sensor mega blaster do carro que eu aluguei é o obi wan kenobi. isso, é como se eu estivesse fazendo um test drive nos poderes dos jedi. acho que isso é o mais próximo que uma pessoa pode se sentir próximo dos poderes de um verdadeiro jedi. se você é fã da série guerra nas estrelas, recomendo um fim de semana estacionando um carro com o apoio espiritual de obi wan kenobi. se você é um cocô no volante como eu, também.