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a morte do meia dúzia. o meia dúzia do número do telefone. do número do endereço. meia dúzia, irmão gêmeo do seis. aqui em portugal, ele não existe. não é que ele tenha morrido como eu disse no título. ele simplesmente não existe. quando digo que o meia dúzia bateu as botas, quero dizer do meu vocabulário. morreu. no começo confesso que insisti. o meu endereço aqui em lisboa tem um número 6. o meu telefone uns quatro números 6. e no começo eu falava: "nove meia meia..." e a pessoa do outro lado da linha as vezes entendia por saber que é assim que os brasileiros se referem muitas vezes ao número seis. mas, na grande maioria das vezes ficava aquele silêncio. a pessoa pescando na memória: "meia? meia? meia que caráio esse cara quer dizer com meia?" depois de algum tempo, resolvi enterrar o fêla. não falo mais. faço um esforço fenomenal para segurar o "meia." agora é só seis. isso, nove seis seis. depois de trinta e dois anos falando "meia", meia dúzia de ovos. meia dúzia de maçãs. meia isso, meia aquilo. agora é só o seis. não tem muito como evitar. primeiro, porque você se passa por um cara, digamos não tão simpático. isso, é claro, depois que você descobre que não se fala o meia. a primeira vez, ok. a segunda, também. mas, depois que você descobre, a sensação é que não custa nada enterrar o meia. nem que por um tempo. com tantas técnicas avançadas na medicina moderna, tenho certeza que é possível ressucitar o "meia" quando precisar. para ser sincero, cá entre nós, de vez enquanto bate uma saudades. assim como bate uma saudade do gerúndio. mas tudo bem. até porque, dependendo do ângulo que você olha, o "seis" é muito parecido com o "meia." aí, bem, aí a saudade passa.
o dentista, um almoço longo e três reuniões... adiaram os posts de quinta (hoje) para amanhã.
"caráio erick, a caras é igual no mundo inteiro." é impressionante. não é apenas o mesmo layout. o espaço entre as letras e as cores. não, as poses das pessoas que estão na revista são as mesmas. as pernas cruzadas da madame na sala de estar. o casal com os braços trançados-- cada um agarrado com uma taça de champagne na mão. o sorriso da mulher enquanto belisca um tapete de pele de um animal desses que você nunca viu estampa parecida nem no animal no zoo. e o banquete oferecido pelo anfitrião X para o casal Y. os mesmos talheres. fico imaginando se, para economizar tempo, tudo já está pré-determinado. apenas os textos são traduzidos. o nome das pessoas trocados e pimba, manda imprimir. não consigo imaginar outro cenário. eu por exemplo, quando segurei o exemplar de caras que o juan falou, achei que era brasileira. o português demorou para se entregar. as manchetes eram curtas. e foi só depois de folhear umas doze páginas que eu pensei: "caráio, não conheço uma pessoa aqui..." eram todos portugueses. mas poderiam ser argentinos. fiquei com vontade de marcar uma consulta ao dentista. só para matar a curisosidade. chegar um pouco mais cedo e ver um número maior de exemplares de caras. só para confirmar a teoria. dentista, você sabe, é o maior arquivo na terra de edições antigas de revista caras. o juan pegou uma caras hoje e comentou. "caráio erick, a caras é igual no mundo inteiro."

nunca se cadastre na amazon. use a conta do seu irmão, do seu amigo. pague para ele. deposite na conta dele. faça um doc. uma transferência. eu sou cadastrado na amazon. o que é um erro. o serviço dos caras não é ruim. é muito bom, e é aí que está o problema. a amazon não pára de enviar emails com as melhores ofertas do universo. ofertas fucking fuckers. o email da amazon é uma espécie de spam ao contrário. o que chega é sempre desejado. mas custa caro. mas se custa caro, também é conveniente. e eles tem o seu cartão de crédito registrado. e basta um click. e você recebe em casa aquele gadget que apesar de fudido, você não precisava. e não é porque você não precisava que você não tem que pagar. e eles continuam mandando emails. e você continua comprando. é um ciclo vicioso. perigoso. eu, se pudesse voltar atrás no tempo faria duas coisas: mudaria uma nota de matemática que me fodeu na quinta série e não me cadastraria na amazon.
em são paulo ou você tinha buffet ou comida a kilo. ok, estou exagerando, mas pelo menos perto da agência, se você não estivesse disposto a leiloar o seu fígado no ebay, ou você gastava um din din no buffet ou no pingava umas notas no kilão maldito. aqui em lisboa não tem muito este esquema. aqui é cardápio, doses generosas. o kilão aqui é o tamanho da dose, da porção. vem comida para cacete no prato. muita comida. mas hoje reencontrei o kilão. perto da agência. uns dez minutinhos andando. aquele mesmo esqueminha dos rechauds mantendo a comida quente. as mesmas saladas. os mesmo pratos principais. frango com algum molho daqueles que você não sabe se é cogumelos ou sei lá com duas pedras de caldo knorr. o reencontro não foi emocionante. também não foi ruim. foi rápido e farto como todo buffet.

água. água. e mais água. água quente. no inverno os banhos ganham mais uns bons doze minutos de duração. doze para mais. nunca para menos. me lembro ainda quando era moleque e nos desenhos animado do pica-pau, quase sempre, ele, o pica-pau, sempre corria para colocar os pés dentro de uma bacia de água quente depois de um dia de frio. aqui é a mesma coisa. lá em casa, por exemplo, tem uma banheira. daquelas com um chuveiro em cima. tecnicamente tem uma bacia grande. no primeiro dia de inverno que o bicho pegou aqui, me lembrei dos desenhos animados. do pica-pau. enchi a banheira quase pela metade, coloquei uma bermuda, e sentado na beirada da banheira, mergulhei os pés. agora entendo porque o pica-pau fazia isso. o efeito é quase imediato. quase. demora lá uns vinte segundos, mas acaba funcionando. a temperatura sobe logo. o complicado depois é negociar com o seu corpo para abandonar o esqueminha. negociar com os pés, quero dizer. mas voltemos a duração dos banhos. sempre que estou no meio, fico imaginando o pessoal das represas ou barragens como eles chamam aqui em portugal. fico imaginando o carinha que lá trabalha, olhando para o nível da água da represa e pensando: "pourra erick, sai logo desse chuveiro cacete."

não sei se você já assistiu o filme "babe, o porquinho trapalhado." genial. daqueles filmes que agrada todo mundo. mas todo mundo mesmo. sem exagero. babe é foda. dia desses peguei na tv o finalzinho, engoli umas lágrimas. e antes que você fique aí achando que estou exagerando, sugiro alugar. o filme é foda. é de 1990 e tal. tem que fuçar um pouco nos corredore da videolocadora, mas eles devem ter. fique com o primeiro, a sequencia, o babe 2 é uma bosta. não o babe, o porquinho, o filme. bom, mas porque caráio estou aqui falando ou a falar do babe? ontem fui a um restaurante aqui do lado de casa. e mais uma vez sentei os dentes nos secretos de porco. juro, e não é falta de assunto... juro que fiquei meio sem jeito na primeira mordida. acho que foi um senhor que entrou no restaurante. com uma boina tipo a do dono do babe. naquele momento, com o senhor entrando no restaurante e eu com um garfo carregado de porco frito a caminho da boca, tive um flashback. lembrei do filme. lembrei do babe. caráio, fique uns dois minutos sem conseguir comer. mas, quando senti que iam avançar nas minhas lascas de porco preto, respirei fundo pensei: "é apenas um filme erick, o porquinho é bonitinho e tal, mas lembre-se, era um porquinho de mentira que falava... porco não fala.... come essa pourra." e comi. sugestão: se você gosta de porco preto, nunca, mas nunca tenha esse filme em casa. recomendo assistir, mas longe das refeições. bem longe. você nunca sabe quando irá entrar num restaurante que serve o melhor porco preto de campo de ourique e encontrar um senhor com um chapéu idêntico ao do dono do babe e ter um flashback muito complicado.
aqui em portugal, perto da praça de camões tem um lugar sensacional, o gruta velha. não vou aqui entrar numas de falar comida. o outro blog, o guia fucking fuckers, como você já sabe, é para isso. mas vou falar do petit gateau dos caras. da maneira como eles encontraram de sei lá, deixar o petit gateau deles mais cheio das nove horas. mais zambers. um pouco mais original. alguém teve a idéia simples e brilhante de chamar o petit gateau de "fofo de chocolate". o fofo de chocolate nada mais é do que um petit gateau com um nome diferente. fofo de chocolate. é engraçado o ciclo das sobremesas. algum cara em algum lugar deve até hoje exigir o título de invetor da sobremesa master emperor worldwide-- o petit gateau. bom, o negócio é que, pelo menos em são paulo, todos os restaurantes que existem têm petit gateau no cardápio. o que não é nenhuma sacanagem. acho que ninguém roubou a receita de ninguém. é um simples resultado da lei da oferta e da demanda: todo mundo quer, todo mundo vende. simples assim. a impressão que o fofo de chocolate dá é que, como ainda não é possível tirar o petit gateau do cardápio-- tipo, como não dá para colocar nada diferente, os caras resolveram ganhar no nome. já que tem que ter a pourra do bolinho quente com sorvete, pelo menos vamos caprichar no nome. fofo. isso, fofo de chocolate. hmmm, fofo. quanto mais você repetir, mais vontade tem de comer. a garçonete por exemplo foi a mesa e, ao mostrar a placa com as sobremesas, leu em voz alta todas elas. fez um esforço monumental para desviar a atenção de todos para as outras opções, mas quando sentiu que alguém da mesa estava atrás mesmo era do bom e velho petit gateau, bom, ela encheu a boca e disse: "temo o fofo." alguém na mesa lambeu os beiços e perguntou: "fofo?" e ela: "fo-fo de chocolate." mais uma pequena dúvida: "hmmm, fofo parece ser perfeito... como é?" e ela, já com a caneta apontada para o bloco de pedidos disse, com um sorriso de canto de boca: "sabe o petit gateau? aquela sobremesa que o mundo inteiro ama? então, a nossa se chama assim, fofo de chocolate." boca cheia d'água e pedidos. muitos. todos os dias. um nome que deu mais uns anos a uma sobremesa que se chamava petit gateau.
o play count do meu itunes é muito traiçoeiro. dia desses descobri que a terceira música mais tocada é uma dessas bem mela cueca dos anos 80. uma daquelas do bon jovi em que metade da música tem "babe" como letra. trilha de alguma novela da globo. daquelas bem sem vergonhas. acho, apenas acho que um dia escutei ela uma vez e deixe no repeat quando fui para casa. bom, e agora, não importa quantas vezes escuto qualquer outra música, está difícil tirar ela do topo do ranking.

- o aquecimento global vai foder com o meu häagen dasz.
- o dia que eu descobri que häagen dasz não significa nada em nenhuma língua nórdica-- me senti enganado. juro que achava que queria dizer "cremoso para cacete" em norueguês. ou "nossa, experimenta essa pourra!" em islandês. ou até mesmo "meu amigo, que sorvete fucking fuckers é esse?" em sueco. bom, descobri que não significa picas. é apenas o nome da marca. inventado por algum cara que deve ter ganho o maior estoque intergalático de sorvete grátis para o resto da vida.
-assim como é proibido a entrada de menores de 18 anos em boates, discos e similares em muitos lugares. deveria ser proibido a entrada do pessoal com colesterol alto e açucar no sangue igualmente na casa do caráio-- em todas as lojas da häagen dasz. é impossível resistir. e quando eu digo impossível não é força de expressão. fato.
- se você pegar uma foto do al gore quando ele concorreu contra o bush nas eleições de 2000 e comparar com uma foto dele de hoje pós 1723 palestras sobre o aquecimento global, vai chegar a conclusão que de tão preocupado com o aumento da temperatura-- ele não pára de comer sorvetes. deve ser um atrás do outro. de duas bolas, nunca de uma. sério, o cara deve ter engordado uns 25 kilos desde as eleições.

o bocejo pelo menos como eu o vejo, não tem nenhuma outra função a não ser avisar para os que estão a seu redor-- que você está cansado. cansado para caráio. estafado. o bocejo é uma maneira que o seu corpo inventou de quase que sutilmente mandar um email mental para o pessoal do trabalho ou mesmo de uma receção de casamento. com um subject que é claro: estou com as horas contadas. com o combustível na reserva. na reserva não. posso parar no acostamento e pedir um reboque a qualquer momento. e quando digo que é o corpo que manda a mensagem, estou falando o óbvio. você não controla o bocejo. diferente de um espirro que você pode frear com o dedo indicador na frente das narinas, o bocejo sai. pula, sem pré aviso. escapa. pode notar, pouquíssimas vezes você consegue diminuir o impacto de um bocejo ao colocar a mão aberta-estatelada sobre a boca. como quem tentasse sem sucesso matar um mosquito. pense no bocejo como um amigo. um amigo que não tem vergonha. não importa se é a sua mulher na sala sentado ao seu lado no sofa -- ou se é o seu chefe sentado do outro lado da mesa, na sala de reuniões. o bocejo sai. bocejo é sincero.s incero para caráio não mente. aparece nas hora mais apropriadas. quando sente que você está começando a prolongar a sua estadia na festa de casamento da prima da amiga da prima da amiga da sua mulher. ou quando a reunião já acabou, mas a apresentação de power point não. o bocejo é um dos seus melhores amigos. a hora que ele aparecer, é a hora de se retirar. a hora de ir para casa. essa é a teoria do bocejo. não o ignore. ele só existe por um único e simples motivo: ligar o foda-se. e, de uma maneira quase simpática, se você pensar.
(1)
o rapaz apaixonado toma coragem
e escreve a frase para ela na areia.
o filho da puta do mar apaga.
ele era muito tímido para tentar de novo.
(2)
a mãe compra o alface.
a mãe limpa o alface.
a mãe tempera o alface.
o filho só come a carne e as batatas fritas.
(3)
ele fala: desliga você.
ela fala: ok.
ele fica esperando ela ligar de volta.
a noite inteira.
(4)
uma marca de batom na cueca.
não tem desculpa.
mesmo assim, ele inventa.
corajoso, pensa ela.
(5)
era uma vez um amor sem fim.
que acabou.
quando ele contou para ela.
que acreditava em um amor sem fim.
(6)
amor?
oi?
estranho...
o que?
você... responder?
o que?
amor.
(7)
ele toca a campainha.
a vizinha abre a porta.
ele pede açucar.
ela diz que só tem adoçante.
ele estava preparado para todas as respostas.
todas. menos esta.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 1
- tem coca light?
- não, mas tem salmão e dourado.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 2
- você viu o sol como está bonito hoje? Olha o reflexo no rio.
- achei quente.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 3
- mãe, e a manuella como é que está?
- o flamengo está ganhando de 2 do vasco.
diálogos rápidos, verídicos e nonsense. 4
- (para o taxista) boa noite, eu vou para a rua X, o sr. pode ir pela...
- (interrompendo) eu sei.
tem uma loja aqui ao lado da agência que vende bonecos desses de quadrinhos. vende batman. vende batman do quadrinho do frank miller. e o batman idoso de algum quadrinho obscuro. mas não vende apenas super heróis. é impressionante a variedade dos caras. vendem por exemplo, a pamela anderson versão baywatch primeira temporada e também da quarta. é diferente, o biquini é menor no quarto ano e o peito maior. tem também o david hasselhoff de shortão vermelho. tem o pessoal de lost em versão boneco. simpsons. south park. 300 e sin city. mas tem um boneco que eu fiquei curioso para saber quem compra. é do hannibal lecter. o anthony hopkins comedor de gente, o hannibal the cannibal. aí você pensa: "mas qual é o problema, a pessoa curte o filme portanto nada mais natural do que comprar a pourra do boneco." ok, você teria razão em pensar isso se o boneco fosse um boneco do tamanho, digamos, de um boneco. o engraçado... engraçado não. o curioso é que o boneco que os caras vendem é em tamanho real. o hannibal vestido com aquela roupa laranja do manicômio com a boca lambuzada de sangue. e tudo isso por uns 300 mangos. euros. passei pela vitrine da loja e fui caminhando para a agência tentando imaginar o que se passa na cabeça de um fera que compra um hannibal desse tamanho. e cheguei a conclusão que não é lá assim tão má idéia. o hannibal é uma espécie de espantalho para a cidade grande. porque se no campo, basta um bosta de espantalho feito de palha para afastar os corvos. na cidade grande, a pessoa coloca um hannibal na sala de entrada da casa e o ladrão se mija nas calças. o mesmo acontece no trânsito. imagine, se você tem pânico de dirigir com medo de ser abordado, ôpa, basta colocar um hannibal lecter no banco do carona. ah, você está acompanhado? sem problema, cinto de segurança nele e joga o hannibal no banco de trás. outro lugar que o hannibal deve ser uma puta mão na roda é restaurante. qual é o restaurante da moda? o mais difícil de arrumar uma mesa? ah é? bom, faz o seguinte, entre empurrando o hannibal sobre rodinhas e de mãos dadas com a sua namorada. peça uma mesa para três. você pode ter certeza que se não pegar a melhor mesa do lugar, pelo menos será presenteado com um desconto bonito. um bom investimento se você fizer as contas. ah, e o melhor de tudo é que o boneco está na posição do filme em que ele, o anthony hopkins, está preso naquele negócio de ferro com rodinhas. ou seja, o pessoal não vai estranhar muito o fato dele não se mexer.
quando morava no brasil existia aquela mania de dizer que todo dono de padaria era português. o que era mentira. muitos são. mas não é uma lei. o que é uma pena. depois que você entra numa padaria portuguesa você fica com inveja do café da manhã dos caras. do pequeno almoço como eles dizem. não é que o pão derreta na boca como força de expressão. não, é isso que acontece em muitos casos. talvez foi aí que nasceu a expressão. padaria aqui é um negócio sério. orgulho nacional. mas tem um negócio que eu descobri tarde. uma pena. mas já descobri então não adianta chorar. agora tenho é que recuperar tempor perdido. semana passada a sanae me perguntou: "erick, você já comeu torrada?" e eu: "torrada? mas que pergunta, claro. a vida inteira." e ela: "não... não.. não este tipo de torrada, torrada aqui em portugal? você já entrou numa padaria e pediu com essas palavras... 'eu queria uma torrada?'" e eu fiz uma busca no hd da cabeça e nada. e ela continuou: "...e quando eu digo torrada não é pedir uma torrada com queijo e fiambre... torrada, simplesmente torrada." bom, sábado fomos a uma padaria e, depois de ensaiar baixinho, pedi: "uma torrada." eu sei que se você está lendo isto do brasil, está estranhando. deve estar pensando: "que caráio este cara está querendo falar, torrada é torrada cacete!" é. e não é. aqui, quando você pede um a torrada assim, vem um negócio fantástico para a mesa. imagine duas fatias de pão grossas. com uma camada crocante por fora, daquelas que faz barulhinho stereo dolby surround thx quando passa a manteiga, e fofo no interior. ou seja, duas senhoras fatias de pão em que cada lado consiste desta camada crocante com um interior feito sob medida para absorver uma quantidade quase criminosa de manteiga gorda. essa é a torrada. cada mordida e você não sabe se pesca o café na mesa ou continua mastigando. é uma fartura em formato de pão e manteiga que eu não sabia ser possível. não é a toa que as padarias portuguesas são reconhecidas mundialmente. e que no brasil, virou sinônimo de padaria boa. se os caras conseguem fazer essa mágica com duas fatias de pão e meio kilo de manteiga meu amigo, não tem para ninguém. ah, e para facilitar a bagáça a torrada vem cortada em cinco tiras verticais, ou horizontais é claro, dependendo a maneira que elas se portam no prato. é fácil decorar. "uma torrada, por favor." e pronto. você volta para o brasil torcendo para que toda padaria tenha um dono com raízes portuguesas.

que eu assisti almost famous eu queria ser repórter da revista rolling stone.
que eu assisti de volta para o futuro e fiquei tentando decidir para que ano eu ia.
que eu assisti 300 eu pensei em embarcar para a grécia e dar uma mão para os caras na batalha.
que eu assisti ratatoille tomei meia garrafa de vinho e comi uns trës pratos num restaurante lá perto de casa.
que eu assisti e.t. entrei numas de que gostava para caráio de m&m.
que eu assisti good will hunting fiquei chateado de ter sido um bosta em matemática.
que eu assisti o filme dos simpsons entrei numas de assistir todos os episódios e recuperar o tempo perdido.
que eu assisti sideways entrei numa loja e pedi uma garrafa de pinot noir.
que eu assisti pocahontas 32 vezes com a minha sobrinha que estava visitando, não consegui mais parar de cantar a musiquinha tema.
que eu assisti american pie, pensei: "torta?"
que eu assisti batman & robin queria pedir o meu dinheiro de volta.
que eu assisti matrix 2 queria processar o fêla que fez.
que eu assisti o poderoso chefão1,2 e 3 de uma só vez fiquei tentando imitar o marlon brando. parecia fácil, não é.
já assistiu o show? o seriado na tv? o programa? acho que é no people and arts. um grupo de amigos abriu uma estúdio de tatuagem em miami e câmeras filmam a bagáça. da entrada, quando a pessoa, o cliente chega com um pedido, durante o processo, até a saída quando a tatuagem está pronta. o programa é interessante. assisto sempre que consigo encontrar na tv. as estrelas, os planetas precisam se alinhar. eu tenho que estar em casa no momento exato que passa. e passa em horários estranhos. em dias da semana esquisitos. não passa nove da noite, segundas e quartas. não, passa tipo segunda, quinta e sexta, onze e dezessete. bom, mas tem uma coisa que eu acho engraçado do programa. os caras, os tatuadores são meio preguiçosos. e por isso, eles sempre dão um jeitinho de convencer quem entra a fazer o que eles querem. e, como quem entra quer aparecer no programa--- acaba se "convencedo" ou concordando com a opinião do tatuador. exemplo: entra uma menina que quer fazer um anjo alado abraçado numa cruz com o nome da melhor amiga. o tatuador, olha para ela, olha para o chão e pensa: "putz, isso vai dar um trabalho.... e a gente só precisa de mais uns doze minutos de filmagem para preencher o episódio de hoje..." aí ele respira fundo, coça a cabeça e fala com um jeitão meio imperador das tatuagens tenho um show de tatuagens no people and arts por isso a minha opinião é muito fudida: "olha, anjo alado abraçado numa cruz é legal... mas e se você fizesse um happy face? sabe? o smiley? aquele amarelinho com um sorriso? eu posso usar um sombreado amarelo com um toque de preto nos olhos. acho que tem uma visão toda diferente de encarar o mundo, a vida." e a cliente, a menina fica olhando para a estrela do programa e com um olho na câmera que a filma naquele momento ela responde: "ah legal, confio em você..." e pronto, sai anjo alado entra sorriso alegre. e isso se repete em todos os programas. coisas do tipo: "e se eu improvisasse no seu braço?", "hmmm... cores? eu, se fosse você faria preto e branco mesmo, é mais roots, retrô?" e como o programa tem uma trilha musical zambers, entra e sai gente para caráio, ninguém presta muita atenção nisso. mas de cada 5 tatuagens feitas, umas 3 são bem preguiçosas, sem cor, menores do que foram pedidas, recusadas, ou os caras conseguem mudar a cabeça do cliente. presta atenção. basta o programa estar no finalzinho e entrar uma mulher mais gostosa no estúdio para todos os tatuadores pisarem fundo no motorzinho das tatuagens.
comprei uma scooter daquelas que parecem de brinquedo. menor que uma vespa maior que um velotrol-- aquela motinho de criança que você controla girando a manivela presa na rodinha da frente. se eu acelerar ao máximo, máximo mesmo, chega a uns 48 km por hora. nunca mais do que isso. talvez numa descida e só. na subida então, a fera tosse sangue para quebrar a barreira dos 39 km. os taxistas não me odeiam, mas também não me amam. uma scooter é o equivalente aos caminhões das grandes auto estradas. dentro da cidade, a scooter segura trânsito. não fura. isso é para profissionais. eu me cago de medo de fazer uma ultrapassagem. ultrapasso pedestres. e quando eles são lentos. no mais, vou na manha. devagar. quase como se estivesse pilotando a moto dos flintstones. em que sou eu, com os pés na rua que movimento a moto para cima e para baixo. scooter é a mobilete de gente grande que sempre quis ter uma quando era moleque e não teve. eu tive fapinha. mobilete para quem não sabe, era a versão fapinha em duas rodas. fapinha, a versão mobilete em quatro. scooter não tem marcha. o farol está sempre ligado e um litro de gasolina rende quase 100 km. é uma moto born to be mais ou menos wild. recomendo-- se você está com a saca na lua de esperar o ônibus ou com a saca assada de tanto andar. outra coisa boa de uma scooter é que é praticamente impossível drink and drive. tente pilotar com uma das mãos no volate e uma outra segurando um copo de mojito ou martini com três azeitonas. é caplicado.ou encontrar ela depois de beber. é tão pequena que você não acha. scooter é uma alternativa interessante também se você é um cocô para estacionar. scooter cabe até entre dois carros. scooter também é meio estranho roubar. o cara vai correr o risco de ser preso por roubar uma moto que chega com dificuldade aos 48 km. falando nisso, se roubar numa ladeira que a mão só dá para cima, existem grandes chances do fêla ser alcançado por qualquer ser humano correndo. comprei uma scooter daquelas que parecem de brinquedo.
não conheço a dona gertrudes. conheci a comida dela ontem. impressionante. e quando digo impressionante, digo isto depois de quase seis meses em portugal. seis meses investigando os guias turísticos, jornais e colocando o google para trabalhar.ou seja, estou aqui enchendo a bola da dona gertrudes enquanto comparo com tudo e todos os lugares que já comi aqui. bom, para ser sincero, a revista veja lisboa já tinha eleito o restaurante da dona gertrudes como um dos melhores. mas você sabe, a veja, uma revista brasileira querendo ensinar português a comer, aqui em lisboa. eu pensei, vou focar nos guias locais e tal. conhecer a cozinha dela só agora, foi bom e ruim. ao mesmo tempo. bom, porque se eu tivesse encontrado a comida da dona gertrudes antes talvez teria deixado de experimentar outros restaurantes. ou seja, ter encontrado ela só agora me permitiu conhecer, explorar outros. e ruim, porque se eu tivesse encontrado a comida da dona gertrudes antes talvez teria deixado de experimetar outros restaurantes. ou seja, teria comido lá mais vezes. o mais bacana da comida da dona gertrudes é que o local não é de fácil acesso. é difícil. fica longe. não é daqueles lugares que você está andando e esbarra. ou que fica perto do trabalho. ou que fica perto da casa de alguem. ou que... não, é longe para caráio. fica em carnide numa esquina bem escondida. o taxista, por exemplo, não sabia. sinal de que as pessoas vão pela comida e ponto final. a porta não tem um sinal grande. o sinal é médio. você aperta a campainha e é recebido pelo filho dela. se você tem cara de turista como eu, e sotaque de turista como eu, é perfeito. isso, porque o filho da dona gertrudes vai socar a mesa com tudo. você não precisa pedir. ou melhor, basta pedir para ele escoher para você. e vem comida. vem perdiz, vem entrecosto e pão banhado na gordura. e vem queijo. e vem também ovo com tomates. e vem vinho. mas eu não pedi alheira? tudo bem, vem alheira. e quando você vê, a mesa está coberta de comida. uma explosão de sabores que é complicado descrever. tem que ir. faz o seguinte. vai no google, digita 'o galito' , 'carnide','restaurante'. coloque uns 5-7 euros no bolso para o taxi e prepare-se para conhecer a cozinha da dona gertrudes. a melhor coisa de não ser um crítico gastronômico é poder inventar o seu próprio sistema de classificação. o meu sistema de classificação para restaurantes é o seguinte: ruim para caráio! / interessante. / fucking fuckers! isso, o "fucking fuckers" é o meu equivalente as 3 estrelas do guia michelin. o galito e a cozinha da dona gertrudes ganha um fucking fuckers!
O Galito Rua da Fonte, 18A - Carnide (Junto ao Largo da Luz), Lisboa Tel: 21 711 1088
café faz mais sentido quente. pouquíssimas vezes faz sentido frio. talvez afogado em chocolate, leite, no menu do starbucks com nomes como frappuccino, como ingrediente de torta ou sorvete. falando nele, no sorvete, não faz sentido sorvete quente. carne, filé de vaca, bife, tem que ser quente. bife frio meu amigo, ou tão de sacanagem com você ou estão de sacanagem com você. frango, inteiro, daqueles com pele e tudo que o pica-pau sonhava no desenho animado, só faz sentido quente. frango desfiado, abraçado a uma folha de alface, aí belê, pode ser frio. pastel, quente. pastel frio você pede o dinheiro de volta. torta doce, fria. e, quando a torta doce vem quente, é porque tem a maior bola de sorvete sobre ela como um meteoro gigante que veio para destroçar toda e qualquer existência dela. torta salgada? tem que ser quente. torta salgada fria? fique esperto rapaz, se a torta for salgada e estiver fria, é porque estão tentando te empurrar um quiche. é, um quiche, uma das maiores enganações da culinária mundial. fuja, escape do esqueminha do quiche. uma torta com nome chique trips com preço de prato principal mas que satisfaz o seu apetite com a mesma brutalidade que uma lasca semi transparente de sashimi. e já que chegamos a cozinha japonesa, o sushi. sushi tem que ser frio, não frio sorvete frio, frio não fervendo. ferveu, aí é peixe cozido. pizza? pizza tem que estar quente quando você pede. queimar o céu da boca. pizza que não queima o céu da boca é bem mais ou menos. pode notar, se a pizza dá água na boca, você não consegue esperar ela esfriar e soca a fatia ainda borbulhando para dentro da boca, portanto o céu dela em chamas. agora, pizza faz muito sentido fria. nunca quando você pede. não. pizza é fucking fuckers fria quando você acorda de ressaca. algumas coisas fazem mais sentido quando estão frias. outras não.