terça-feira, janeiro 13, 2009

alguns brasileiros de passagem por lisboa pela primeira vez.



notei a primeira vez isso com a minha mãe. ela veio me visitar aqui em lisboa, e já, ao entrar no taxi comenta em voz alta: "erick, eles aqui não dirigem bem não né?"e o taxista espia pelo espelho retrovisor e eu levanto as duas sobrancelhas como quem diz: "é, mãe, português fala português." e por mais óbvio que isso possa parecer, muitos brasileiros que estão de passagem pela primeira vez em lisboa fazem isso: falam como se ele ou ela falasse outra língua que não é o português-- e por isso mesmo falam qualquer coisa. não estou chamando o brasileiro de ignorante é claro. como você pode ver, comecei o textinho usando a minha mãe como exemplo. e ela é bem esperta. mas acho que é o esquema da distância, a mudança de temperatura e ambiente. o fato de estar em outro continenente. não sei, mas acontece. é como você faria com a sua mulher se ambos estivessem de passagem por berlim. as chances de um fera entender o que vocês estão falando é perto de zero, ou zero mesmo. o fato de estar na alemanha deixa você ligeiramente mais confortável de falar qualquer barbaridade. comentar sobre alguém, alguma situação, qualquer coisa. você pensa: "esse fera fala alemão pourra!" e solta o verbo. mas aqui, curiosamente, não. acontece muito. hoje, por exemplo estava sentado numa pizzaria dessas com uma mesa comunitária gigante. eu e minha mulher, entre dois grupos. de um lado um casal num esqueminha bem romântico. e do outro um grupo de uns 6 brasileiros. bom, ao sentar, uma senhora do grupo comenta com a outra em tom normal: "engraçado né, como eles aqui fazem isso? sentar assim entre dois grupos? eu se fosse esse casal que acaba de sentar me recusava, por falar nisso, notou o casaco dela? onde será que ela comprou?" e eu ainda olhei para ela com uma expressão de quem quer dizer que: "ôpa, eu também sou brasileiro, falo português, e, se fosse português, obviamente também falaria a mesma língua." ela não se tocou ou estava meio que fingindo que a língua daqui é diferente da língua do brasil, pois foi uma entrada chegar na mesa ao lado que ela mandou: "aqui as porções são uma vergonha, e você viu o preço? será que esse rapaz sabe quanto custa?" já escutei uma vez uma senhora brasileira no ônibus mandar o seguinte comentário para a amiga que estava sentada ao lado: "eles são engraçados, não tem o costume de oferecer a cadeira se você não mostrar que está realmente interessada?!" e aí você pensa: "mas erick, isso é papo comum, as pessoas conversam entre si." sim e não. sim, conversam. mas não, não falam comentários em voz alta como se as outras pessoas ao redor não entendessem nada pelo simples motivo de estarem fora do seu país de origem. acho engraçado. ou curioso. ou os dois.

sexta-feira, janeiro 09, 2009

o king.



documentários são bacanas por um motivo muito básico: não precisam colocar aquela frase no início que diz "baseado numa história real." a bagaça é real do começo ao fim e ninguém duvida, ninguém questiona. documentários são por natureza impressionantes, porque aquilo que se está vendo, aconteceu mesmo, e não importa se chamaram o brad pitt para interpretar a história do sujeito que em 1800 e tal ficou preso seis anos numa mina de carvão e enquanto lá criou uma cidade perfeita e etc... a bagaça aconteceu e pronto. mas estou cagando essa regra toda porque dia desses assisti um épico de proporções digamos star warsianas. um documentário de arrancar lágrimas no segundo final. um turbilhão de emoções. uma batalha do dark side contra o bem. "the king of kong". a história de um pai de família que tenta bater o recorde do clássico joguinho donkey kong dos anos 80. o cara está desempregado. na merda. e tudo que ele tem para se agarrar é o donkey kong. depois ele consegue um emprego numa escola. e aí, seus alunos, todos eles, entre 5-7 anos de idade-- torcem pelo herói. eu sei, eu sei, parece estranho. ou pelo menos você tem toda a razão para questionar a minha empolgação com o documentário. mas você precisa assistir. eu apertei play meio que com um pé atrás. e com um pouco de sono. se você leu o post abaixo, já sabe que lisboa está um pouquinho frio. e aí você sabe, frio, cobertor, sono. mas o documentário é foda. é uma batalha daquelas que você prende a respiração e começa a temer pela estrutura familiar do cara. a mulher que leva os filhos para a escola enquanto ele continua debruçado sobre o donkey kong na garagem. o filho que chora ao fundo. o rival dele, detentor do recorde que se recusa um desafio ao vivo. o drama, a emoção, a trilha que sobe nos momentos chave. a torcida. não vou entregar o final. mas vai por mim, dos melhores filmes de, sei lá, um tempão. um épico como gladiador. ou mais. sim, mais.


groelândia.



o frio é relativamente previsível. não, o frio é muito previsível. afinal, todos os dias escutamos, ou no elevador da empresa em que trabalhamos-- ou mesmo no jornal-- o que nos espera no dia seguinte. e por mais que os fêlas errem na hora de dar uma previsão exata, eles mais ou menos deixam você sabendo se vai dar alguma merda ou não. mas mesmo assim, mesmo com todos os avisos. os gráficos e os mapas no jornal, o frio em lisboa é foda. aí você pergunta:"mas fera, não foi você mesmo que uns meses atrás escreveu que lisboa tem a temperatura perfeita?" foi. mas, apesar de ser um bocadinho mais alta que a média dos países vizinhos, tá foda meu amigo. o simples pisar nos ladrilhos do banheiro pela manhã faz a sua vida inteira passar num flash momentâneo. hoje tomei 4 cafés antes de sair de casa. estou teclando de luvas. apesar de previsível, o frio, independente se você é um cidadão da groelândia ou de lisboa, é implacável. o que fode é a comparação do antes e depois. o antes, quando ele-- o frio-- não estava. e o depois, quando ele-- novamente, o frio-- chega com um pisão na porta. algo por aí. e aí você dá uma espiada de canto de olho no calendário e fica com medinho. é, a bagaça ainda está no começo.

a crônica do desta da semana

terça-feira, janeiro 06, 2009

bingo!



- qual é o nome dele?
- bingo.
- o nome do cachorro é bingo?
- bingo. isso, bingo.
- e ele morde?
- o bingo não morde.
- e ele faz cocô em casa?
- só na rua. desde o primeiro dia. acredita?
- ele late muito?
- pouquíssimo.
- ele faz xixi no carpete?
- nunca. nem quando chegou.
- mas que sorte.
- sim, temos muita sorte de ter um cão como o bingo.
- ah claro. por isso vocês escolheram esse nome. pois vocês tiveram sorte de encontrar um cão assim.
- não não, é porque ele gosta de jogar bingo mesmo.

o esqueminha do free-shop




não sei se você tem o hábito de comprar no free-shop. aquela loja que tem em cada aeroporto do mundo com uma série de produtos por um preço supostamente mais bacanudo do que na sua cidade natal. para começar, se você pensar, free-shop, o nome, é genial. free e shop. uma loja em que as coisas são praticamente de graça. e como você sabe, não são. e você sabe isso é claro. mas alí, na hora do "vamôvê" você meio que se lembra que um óculos ray-ban é um pouco mais caro numa lojinha do shopping da sua cidade. você não tem 100% de certeza, mas porra, o óculos ficou tão bem em você alí no aeroporto e o avião está quase, quase partindo, não é? aí você compra. compra dois. bebidas alcóolicas, a mesma coisa. eu não tenho o costume de ir até o supermercado comprar uma garrafa de black label. mas lá no free-shop, todo mundo compra bebida. faz sentido, você pensa com um ar de espertalhão, você está economizando uns 13 % ou mais. e compra uma caixa. "como? eu posso comprar duas caixas?" os óculos de sol se compram na loja do free-shop na partida. as caixas de bebida, no free-shop da chegada. já vi uma adolescente uma vez argumentando com a mãe que queria um ipod novo. "mas você já tem um minha filha?" e ela: "mas esse é rosa e está quase de graça.... manhê!!! estamos no free-shop, pô." e não encare este texto como uma crítica. eu sou a maior presa fácil do free-shop. os meus três óculos escuros foram comprados lá. o da minha mulher também. não existe nada como aquela sensação de entrar no avião a caminho de casa com a certeza absoluta que você acaba de fazer o negócio do século. o free-shop proporciona a sensação de final feliz para qualquer viagem. mesmo se, por algum motivo, o início e o meio foram uma bosta.

a nespresso e a guerra nuclear.



já li em algum lugar que café é a última droga legal (e acho que já escrevi isso aqui também, o que, se for verdade, desculpa aê). é a única coisa que vicia e que você pode se dirigir até um balcão e comprar independente da sua idade. e bagaça vicia. eu tomo uns 8 por dia. e como você já sabe pelo título deste mini textinho, tenho uma máquina dessas da nespresso. cápsula, botão, café. mais simples impossível. mas aqui em lisboa os caras não se prepararam muito para o esqueminha. ou pelo menos não sabiam que iria vender tanto. porque? bom, se você entrar numa das duas lojas em lisboa para comprar as cápsulas, precisa pegar uma senha. e não é qualquer senha. são senhas que alcançam fácil os 3 dígitos. mas agora sobre a guerra nuclear. é, a guerra nuclear. é mais ou menos essa a sensação que você tem ao comprar, ou melhor quando chega a sua vez de colocar o peito sobre o balcão-- é a de que você tem que socar a sua casa com as cápsulas. afinal, você pode não ter outra chance de comprar a bagáça. da próxima vez, você com certeza vai precisar esperar mais. as senhas terão 4 dígitos ao invés de 3. então você fica meio cafuzo. olha nos olhos da vendedora, olha para a parede com as cápsulas atrás dela e decide comprar tudo. e compra mesmo. foi isso que eu fiz. hoje comprei café suficiente para uns 3 meses. as pessoas me olharam com um certo ar de curiosidade. algumas levantaram a sobrancelha direita. outros, as duas. mas e foi aí que deu um click em todos. as pessoas notaram porque eu estava estocando. era a sensação da guerra nuclear. "e se essa pourra tiver mais cheia na próxima vez?", "e se o café acabar?" e é claro, "e se um fêla da pulta começar a encrencar com café e cismar que a pourra é uma droga também?" e aí, assim, de repente, todos começaram a pedir quantidas wal-mart de cápsulas. as vendedoras arregaçaram as mangas e eu sai com a sensação de que se der alguma merda eu estarei numa boa.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

apanhados de duas semanas perambulando pelo brasil. 1

estava lá eu saindo da loja do free shop no aeroporto de são paulo, quando um sujeito que até então estava sozinho olhando para os preços na vitrine-- olha para mim e comenta: "porra, tá caro para cacete rapazzz, assim com três "zzz". eu concordei com um leve balançar de cabeça e saí com a conclusão de que quando algo realmente está caro para cacete, a pessoa precisa colocar isso para fora, mesmo que seja com um estranho que está de passagem.


aquele negócio que a sua mãe falava para você não ver a tv de perto porque estraga a vista, não funciona no avião. no avião para acompanhar direito qualquer filme, você precisa, obrigatoriamente-- deitar o nariz sobre a tela colada no banco a sua frente.


a livraria letras e expressões de ipanema é a melhor livraria do mundo. não a maior. não a mais stáile. não a com mais opções. não a mais barata. não a mais um monte de coisas. mas a pourra da livraria fica na a uma quadra da praia do leblon. não fódi. em que outro canto do mundo você pode pesquisar livros com os dedos dos pés cagados de areia da praia-- a bermuda ainda quase molhada, e perto de uma série de bares prontos para tirar um chopp para você?


voltei para lisboa com um casal que acabara de se conhecer na fileira de trás. o sujeito na poltrona de trás estava trabalhando um dobrado para marcar uns pontos com uma menina. digo, tentando pegar uma menina que ele conheceu no avião. nunca vi um fera trabalhar tanto para pegar alguém. acho que o avião inteiro estava torcendo para ele. a menina deu trela. e ele, bem, pediu um copo d'água para a aeromoça e manteve a garganta em ordem para passar a noite inteira tentando pegar. não vi se pegou. mas acho que sim. foram 8 horas sem parar de falar.

caipirinha de lichia bem feita é foda. espanca a original de limão.



pegar um taxi do aeroporto de guarulhos para qualquer ponto na cidade de são paulo é mais caro do que um prato com raspas fartas de trufas brancas do fasano.



o sorvete da mil frutas espanca o da haagen dazs.




se você costuma se emocionar no cinema, leve seis rolos de papel toalha para assistir marley & me. se você se acha meio durão porque nunca chorou, leve quatro.



picanha fatiada do restaurante plataforma custa um rim saudável, mas vale a pena.



a gol deveria se chamar "prorrogação". para continuar com o tema do futebol, mas também porque a porra do avião da empresa não sai no horário nem fudendo.



a árvore da lagoa no rio é bacana e tal. mas fode com o trânsito. fode bonito. e entre uma árvore bacanuda e um trânsito bosta, prefiro o trânsito bacana e uma lagoa com uma árvore invisível.


manchete do jornal o globo esses dias: "papai noel mata 4!"
ok, o americano que matou essas pessoas estava vestido de papai noel, mas ele não é o papai noel. o que é bem diferente. uma criança que pega esse jornal pira para sempre.

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quinta-feira, dezembro 11, 2008

homens e compras.



não sei fazer compras. se precisar, eu faço. mas não sei. e não estou falando do esqueminha de comprar comida no supermercado. comprar comida, o basicão eu sei. estou falando de roupas, de tudo que não é relacionado com comida. hoje, por exemplo precisava comprar umas coisas. uma calça, uma camisa. e tem algumas coisas que você não pode pedir para a sua mulher comprar. não que ela não vá acertar. porque ela vai. 9 de 10 vezes, ela acerta. o problema é que você precisa experimentar a bagaça na loja. a sua mulher ama você e por isso ela sempre, sempre vai tratar como se você fosse mais magro do que você realmente é. ou seja, existe a chance, e grande da calça chegar um pouquinho mais apertada. aí é aquela coisa, você vai ter que ir a loja. e se você for até a loja para trocar periga encontrar alguma coisa mais interessante. aí você está na merda. como é que você vai chegar em casa com qualquer coisa diferente daquela que ela escolheu para você com todo o carinho --- exatamente porque você não quis ir em primeiro lugar? caplicado. por isso, se a minha mulher compra a roupa para mim, tento, a todo custo ficar com ela. e, no caso de precisar comprar qualquer coisa que o fator "experimentar" é chave... aí meu amigo, eu vou. até porque, como você já sabe-- o efeito em cadeia da troca da roupa não é fácil. ah, antes de fechar aqui, tem uma outra coisa interessante de homem fazendo compras. quando um fera encontra uma camisa, uma calça, um qualquer coisa que ficou bacana. exemplo: o dia que um cara se aventurou em comprar uma camisa que ficou toda bacanuda-- e ele se olhar no espelho e ver que sim, ele está bem na bagaça-- segura-- porque o fera vai comprar de todas as cores possíveis. tudo para evitar uma viagem a uma loja similar no próximo ano inteiro. eu já tive um tênis adidas idêntico a um que eu gostei dentro de um saco plástico esperando o primeiro acabar. comprei um, e antes de sair da loja, ao notar que aquele tênis era sensacional... comprei um idêntico. tudo para evitar uma ida a uma loja no futuro em que aqueles que estavam nos meus pés ficassem velhos. homens e compras. é nesta época. no natal-- que fica mais fácil observar o fenômeno.

luvas.



usar luvas no frio é importante. essencial eu diria. quando está muito, muito frio então. mas luvas também causam problemas. ou melhor, não são práticas. se você está usando luvas não consegue ter acesso a carteira. se você está usando luvas não consegue coçar o ouvido. não consegue colocar as mãos nos bolsos da calça jeans. do casaco, sim. do jeans, não. não consegue segurar o cafezinho num quiosque desses de rua. não consegue catar as moedas para pular no elétrico ou no metro. não consegue anotar o telefone de alguém na rua. por falar e em telefone, não consegue acertar o esqueminha do sms no celular. não consegue comer um mega hamburguer na rua. consegue, mas se suja todo. mas, apesar de tudo, usar luvas no frio, é, sim, importante.

a crônica do destak da semana

terça-feira, dezembro 09, 2008

com emoção ou sem emoção?


fui a natal uma vez. na verdade fui a joão pessoa e aproveitei para ir a natal. puta esqueminha bacana. cidade sensacional. as duas. mas foi em natal que eu fiz o tal passeio de buggy. se você ainda não fez, faça. para ser sincero não sei nem se ainda é permitido. a bagaça é muito perigosa. um jeep que nem fabricam mais, sem cintos, no meio das dunas de natal. num esquema improvisado, mas como o título deste textinho diz: emocionante. e tem essa pergunta. o carinha chega para você e pergunta na cara dura: "com emoção ou sem emoção rapá?!" e pourra, como você está ali nas dunas pela primeira vez, longe de tudo, com um sol du cacete você responde: "com emoção é claro!" meu amigo, nunca pulei de pára quedas. nunca fiz bungee jump. sou bem cagão. e acho que fiquei ainda mais cagão depois do passeio com emoção. não aconteceu nada. mas basta o carinha estacionar depois para você olhar para o naipe do buggy e o tamanho das dunas para ter certeza que fez merda ao responder que queria que ele ligasse o foda-se. e que algo maior segurou a onda para você poder estar ali em pé-- cheio de marra como quem diz: "andei nesta pourra com emoção." recomendo. mas também recomendo trocar uma idéia com o motorista. e principalmente dar uma sacada para ver se ele não está usando havaianas. nada contra elas. mas o fera precisa de tração. de um tênis com solado de borracha para conseguir alcançar o freio quando uma duna se desfazer e ele gritar lá de cima com eco: "o senhor pediu com emoção-ção-ção, não fódi-di-di."

o espirro na curva.


com o inverno chega a gripe. com a gripe, os espirros e as tosses com pigarro. e aí você sabe, se você não está gripado, basta levar uma espirrada na cara para pegar a gripe que até então você não tinha. aqui em lisboa, com o frio, os ônibus estão fechados, o metrô sempre socado de gente. ou seja, as chances de você pegar uma gripe é relativamente grande. não sei se você já assistiu o filme menos conhecido do m. night shyamalan, unbreakable. no brasil tinha um nome bem quisito: corpo fechado. era com o bruce willis e o samuel jackson. acho o melhor do diretor. acho quase genial. mas isso não vem ao caso. a história do filme era sobre o personagem do bruce willis-- que era unbreakable, a prova de tudo. quase que um super-herói. bom, e em relação a gripe, febre e nariz escorrendo, eu sempre me achei meio unbreakable, ou, como no brasil diziam no poster do filme: corpo fechado. devo ter ficado gripado vai, umas duas vezes na vida. mas nada, nada resiste a um espirro na curva. e que caráio é o espirro na curva? é o seguinte, vou andando para o trabalho todos os dias. e o caminho é simples. subo duas ruas, a segunda delas grande-- e viro a esquerda numa avenida. e foi ao virar nesta avenida. na curva. uma curva para a esquerda... que levei o espirro na cara. uma senhora que trabalha nos correios. ela não sabia é claro que eu estava prestes a aparecer na frente dela. ela não tinha como saber. ela estava só na rua. e acho que por achar que estava só que caprichou no espirro. e que espirro. o timing foi perfeito. na minha cara. e o pior: no exato instante em que eu inspirava baldes de oxigênio. ainda não sei. ainda não tenho sintomas. mas acho, não, tenho certeza, que uma gripe está a caminho. o espirro na curva e o fim de uma lenda. o fim do unbreakable.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

sujeito honesto.

a carteira mágica. ou caráio, onde foi parar o meu din din.




comprei uma carteira mágica daquelas que você abre e o dinheiro pula de um lado para o outro. sabe? ok, se você não sabe, vou colocar uma foto aqui. mas voltando a carteira. o nome dela é um bocadinho pretensioso. ela tem lá suas qualidades de jogar o dinheiro de um lado para o outro. mas magia magia, não faz. resolvi escrever sobre ela porque esses dias ela me fodeu. nessa de colocar recibo de cartão de crédito e abrir e fechar repetidas vezes ela meio que me fodeu. é, porque quanto mais você abre e fecha a bagaça, mais "mágica ela faz". mais vezes ela joga o dinheiro ou o recibo de um lado para o outro. e nessa, de abrir e fechar...um recibo foi jogado para cima da nota de 5 euros que eu tinha lá dentro. resultado, ao sair do taxi, estava sem dinheiro. ou melhor, achava que estava. então, pedi para o taxista que já estava meio puto parar num caixa eletrônico. e, depois de sacar o dinheiro do caixa-- quando fui abrir a minha carteira mágica para colocar o recibo de papel lá dentro-- vi, reecontrei a velha nota de 5 euros que estava escondida. olhei para o taxista e disse: "caramba fera, e não é que não precisávamos ter parado aqui. olha só, tinha uma nota de 5 aqui." e ele: "mas, antes você não tinha?" e eu: "eu já disse para o senhor que é uma carteira mágica?" e ele: "cuma?" ok. ele não disse "cuma". mas a expressão no rosto dele foi de "cuma". moral da história: você tem uma carteira mágica? fique esperto porque ela pode ter din din e você não sabe.

terça-feira, dezembro 02, 2008

o esquema de degustação. ou "é papilas gustativas, fiquem espertas que hoje vocês vão ficar meio cafuzas."



dia desses fui jantar com amigos num restaurante que servia um esquema de degustação. todos os pratos estavam excelentes. alguns, curiosos. mas todos com uma explosão de sabores dessas que você não consegue definir ao certo o que está comendo. ok, o garçom explica, mas a ideia da degustação é apreciar a criatividade do chef. o cara não vai servir filé com fritas para você colega. a idéia é inventar. e o garçom serve e tenta explicar o que você está prestes a comer. e você fica tentando identificar cada um daqueles ingredientes que estão balançando entre a sua língua e o céu da boca. mas, a parte mais bacana de um jantar com esqueminha de degustação é preparar espaço. é bastante comida. é claro, não são sete pratos como os pratos que você pede num restaurante sem este esqueminha. mas é bastante comida. você tem que estar preparado. o almoço obrigatoriamente tem que ter sido leve. o café da manhã, inexistente. e saber que no dia seguinte, você também terá que pegar leve na comida. e tem uma outra coisa bacana, interessante esquema degustação é exatamente isso, a mistura de sabores. você pula do creme de cenoura com rabo de porco selvagem e castanhas, direto para o sorvete de coentro com lima e direto para o lombo de bacalhau. ou seja, as suas papilas gustativas ficam doidjas. quando elas acham que são as papilas lá do fundo da língua que terão que lidar com os sabores X e Y, aí meu amigo é que chega um prato que vai trabalhar nas papilas gustativas da ponta e das bordas da sua língua. e isso enquanto o fera serve diferentes tipos de vinho para cada prato. curioso. interessante. e você sai com a pança com novas dimensões.

uma maneira bacana de pedir comida quando é a primeira vez no restaurante



não curto muito fazer isso, mas faço. e como uma certa frequência. e quando digo que não curto, falo isso porque bate uma certa vergonha. mas que caráio é isso? eu explico. sabe quando você está num restaurante que você nunca foi antes, olha para o cardápio e não tem a menor idéia como são os pratos? então... o que eu faço é espiar os pratos vizinhos. olhar de canto de olho para a mesa ao lado. tento a todo custo investigar que pourra de prato bonito é aquele que a muié pediu. "garçom, chega aí... me diz, o que é que aquele casal pediu?" ou "garçom, bom, eu estava quase fechando no frango supremo zambers, mas agora que vi aquele prato que aquela mulher sentou o garfo, acho que mudei de idéia.... vou querer aquele!" e o garçom periga dizer algo como: "aquele é o frango supremo zambers rapaz." um esqueminha no mínimo interessante de pedir pratos. sempre prefiro fazer isso do que ficar pedindo um relato de cada prato do garçom: "filetes de pescada empanados com uma fina camada de farinha e banhado na gema do ovo de codorna do sul da espanha... com batatas caramelizadas e um porção de arroz com respingos de azeite virgem..." não sei, acho que nessas primeiras vezes, prefiro olhar o prato no olho, mesmo que seja de canto de olho-- e na mesa do vizinho. é claro que se você passar a frequentar o restaurante, eventualmente deixa de fazer esse esqueminha. já conhece os pratos, os segredos. é, na quinta vez que você for, é alguém que vai apontar lá do outro lado do restaurante e dizer: "que prato é aqu
ele que aquele fera que escreveu sobre isso num blog-- está comendo?"



a cena clássica de um daqueles filmes que todo casal já viu ou ainda vai ver. e provavelmente uma das cenas mais citadas de sempre, e que, coincidentemente, é uma boa maneira de ilustrar esta técnica de pedir comida. sem olhar para o cardápio, apenas focando na mesa dos outros.