terça-feira, junho 02, 2009

alfie.


no som da casa de praia tocava uma música da trilha sonora do filme "alfie"-- aquele remake com o jude law e a siena miller.

ele se aproxima dela e fala um pouco desajeitado, como quem busca qualquer brecha para falar qualquer coisa com ela: 
- você já notou que o jude law está cada vez mais careca?
e ela diz:
- é importante.
ele:
- que ele fique careca?
ela:
- sim. muito. para todo o mundo.
ele:
- que o jude law fique careca? mas porque? mas que exagero. eu só estava tentando puxar conversa...
ela:
- mas sim, a careca do jude law é muito importante.
ele:
- mas... porque?!
ela:
- eu deixo de acreditar em homens perfeitos.
e ele completa:
- ...e passa dar chance a homens imperfeitos?
ela:
- meu nome é paula.
ele:
- bruno. muito prazer.

quinta-feira, maio 28, 2009

a coluna do destak desta semana


eu já escrevi aqui sobre o siraiva.
o melhor hambúrguer que eu já comi na vida.
eu sei, falar assim "o melhor hambúrguer que eu já comi na vida" parece um exagero.
você deve estar pensando: "não fódi cara, que mané melhor hambúrguer da vida... hambúrguer é hambúrguer..." então, vai lá no siraiva para sentir o drama. a carne. o tempero. é punk meu amigo.

terça-feira, maio 26, 2009

mas ela é

filho de uns 17 anos conversa com o pai de 49, divorciado.

- mas ela é o amor da minha vida.
- mas você tem apenas 17 anos. ainda tem muita vida pela frente.
- mas...
- mas, meu filho, ela é a sua primeira namorada séria. a vida tem muitas surpresas. olhe para o seu pai. eu achava que eu e a sua mãe ficaríamos juntos para sempre.
- mas eu tenho certeza que ela é a pessoa que eu quero ficar para sempre.
- a sua namorada é linda, mas você é muito novo.
- olha para ela. como o sol bate contra a pele dela. ela é perfeita.
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- meu filho...
- diz pai...
- ela tem uma amiga?

observações que podem fazer sentido ou não. 2

sempre que o dentista faz qualquer coisa na sua boca-- é ele virar para o lado para você colocar a língua sobre o que o fera acabou de fazer. exemplo: fez um furo? ponta da língua no furo. colocou uma obturação? ponta da língua na obturação. dentista deve ficar puto. é ele virar a cara para a linguinha curiosa ir investigar que caráio era aquilo que estava doendo para cacete.


antes de ir ao dentista, escovo duas vezes. uso listerine. escovo a língua. uso fio dental. acho engraçado esse negócio de você achar que em uma escovada bem feita vai consertar anos de preguiça ou escovadas bem mais ou menos.

dia desses, fiquei imaginando como seria curioso se eu chegasse no dentista depois de comer com dentadas preguiçosas um croissant de chocolate, sem escovar os dentes depois. só para ver a merda que dava.

observações que podem fazer sentido ou não. 1




sempre que um taxista me pergunta se eu "tenho um caminho preferido", fico um pouco preocupado. não que todo taxista seja fêla da pulta. e também, o cara pode estar sendo simplesmente gentil. mas sei lá, a partir do momento em que le pergunta isso, e eu faço uma cara de "caráio, não tenho a menor idéia se existe um caminho melhor do que aquele que eu conheço." ou muitas vezes faço uma cara de "fodeu, ele sabe que eu estou perdido." acontece sempre. 99% das vezes. é aquele instante que dura seis milésimos de segundo em que, ao olhar para a minha cara pelo espelho retrovisor, o taxista fica sabendo que eu não sei picas sobre direção, estou quase perdido, e quase nas mãos dele. no rio de janeiro no brasil, se um fera perguntar isso para você na saída do aeroporto e você mostrar qualquer dúvida, fodeu. e como nasci lá, antes mesmo do fera fazer a pergunta, eu metralho nomes de ruas, avenidas, esquinas, sinais que podem estar quebrados, comento sobre uma obra que nunca foi terminada num bairro entre o aeroporto e o meu destino. e assim, ele olha pelo retrovisor como quem diz: "esse conhece!" e seguimos em frente. bom, como disse lá em cima, de maneira alguma acho todos os taxistas fêlas. muito pelo contrário, dependo dos caras para me locomover em milhares de ocasiões. e são provavelmente as melhores fontes de assunto do mundo. mas por algum motivo, sempre que surge a pergunta : "tem algum caminho preferido?" fico deitado com a cabeça para trás no banco, com o lábio inferior pressionando o superior, solto ar pelas narinas, levanto as sobrancelhas quase em câmera lenta-- e fico nas mãos do fera.

quinta-feira, maio 21, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

essa é sobre o adamastor. sobre a vista do adamastor.
espetacular. e agora com o verão quase aí, é um negócio para qualquer turista ficar doidjo.


terça-feira, maio 19, 2009

o efeito diane keaton. ou como um momento pode facilmente influenciar o destino de todos os outros que ainda não aconteceram.

homem chega em casa numa quinta e enquanto entorna uma heineken gelada num copo alto inicia uma conversa com a mulher:

- você pegou um dvd no video clube?
- peguei.
- qual?
- não sei o nome.
- como assim não sabe o nome?
- é um filme do woody allen.
- "woody allen fase diane keaton" ou "woody allen fase scarlett johansson"? 
- e tem diferença? 
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- amor? então vai querer assistir ou não?
- você vai achar estranho o que eu vou dizer-- mas acho que temos que ter uma conversa séria.
- séria?
- acho que isto não vai funcionar.
- isto o que?
- o nosso relacionamento. acho que precisamos dar um tempo.
- [silêncio]
- [silêncio]

o que você quer ser quando crescer?


mãe e filho conversam. ele tem uns 9 anos.

- um astronauta.
- você tem certeza?
- absoluta.
- mas você sabe que não se pode levar um cachorro para o espaço.
- é?
- é.
- nem o lupo que é treinado?
- nem o lupo.
- ok.
- no espaço você não pode jogar playstation.
- mas e se tiver mais um astronauta?
- você já viu as luvas? como são grandes? não dá para segurar o controle.
- é. você tem razão.
- a sua camisa do flamengo também não pode levar.
- não posso usar por cima do uniforme?
- hmmm....
- não né?
- não.
- a luana...
- o que tem a luana?
- bom, a sua amiguinha luana não pode falar com você no msn a noite inteira.
- as luvas né?
- as luvas. como é que você vai digitar.
- pô, a luana... o lupo, o playstation....
- é mãe, sorte do neil armstrong.
- porque?
- bom, ele não conheceu a luana, ainda não existia playstation, não torcia para o flamengo e o lupo ainda não tinha nascido.
- é verdade...
- duvido se ele tivesse conhecido o lupo e a luana, ele teria escolhido ser astronauta.
- também. também.

sexta-feira, maio 15, 2009

crônica rápida de um verão igualmente breve em algum tempo recente. ou não.


eles se encontraram no verão.
ela tinha 19.
ele tinha 22.
ele disse duas vezes que ela era o amor da vida dele.
ela balançou duas vezes a cabeça quando ele disse que ela era o amor da vida dele.
ele prometeu escrever todos os dias.
ela prometeu ligar todas as semanas.
ele ficou com preguiça.

e ela com outro menino.

a cidade.

mulher no telefone com o marido. ele está prestes a entrar num conference call. o terceiro daquela semana.

- paixão, você acha que consegue chegar a tempo para o jantar?
- não.
- e para a sobremesa?
- também não.
- e para o café?
- não.
- e para assistir um filme comigo?
- não.
- e para ficar abraçadinho na cama comigo?
- também não.
- [silêncio]
- [silêncio]
- e para me flagrar com um amante na nossa cama?
- acho que não. mas vou tentar.

o banco, ângulos, vento e café.


ele sempre sentou no mesmo banco. o banco ficava numa praça. a praça ficava num bairro pouco movimentado. o bairro ficava numa cidade grande. a cidade ficava entre duas cidades ainda maiores.

ele via as mesmas pessoas passarem. uma espécie de deja-vu controlado. pois, ao se sentar no mesmo banco, no mesmo horário, nos mesmos dias, ele, obrigatoriamente via a rotina tomar forma a sua frente.

ele carregava sempre o jornal do dia. e nele encontrava abrigo quando alguém quase-conhecido passava.

mas tudo mudou no dia que o banco foi removido. na verdade, mudaram o banco de lugar. e no lugar onde antes ele estava, instalaram um quiosque de bebidas.

e no primeiro dia, ao sentar no banco em seu novo lugar, descobriu um novo ângulo de ver as coisas. a mulher que sempre passava de frente, agora ele via de perfil. as crianças também. já não corriam na sua direção. mas na direção oposta. o vento agora balançava as folhas do jornal de dentro para fora. e não de fora para dentro. e por mais sutil que fosse cada detalhe, naquele dia a vida ganhou um novo fôlego. um novo ângulo.

enquanto isso, lá do outro lado, enquanto bebia len-ta-men-te um café no quiosque, uma mulher pensava a mesma coisa. afinal, onde antes estava o banco em que nosso protagonista agora está sentado, estava o quiosque.


ela sempre tomou café no mesmo quiosque...

quinta-feira, maio 14, 2009

amanhã nói posta mais.

a crônica do destak da semana.

se você gosta de viajar.
se você briga com a sua mulher quando estão perdidos na estrada.
se você não sabe escolher hotel direito.
se você não quer ir novamente para a disney.
bom, e finalmente, se você não quer viajar com cara de turista perdido e mané-- leia a coluna abaixo.

terça-feira, maio 12, 2009

ela.

a professora de piano inicia um diálogo com o aluno. ela tem  26. ele, 17. é verão. o ar-condicionado está defeituoso. ela está como sempre, com pernas fartas. brilho na pele. e cabelos quase soltos.

ela: - está quente.
ele: - muito.
ela: - acho que vou tirar o vestido. não tem mais ninguém aqui na casa, não é?
ele: - não. apenas nós dois.
ela: - pronto. tirei.
ele: - você... é... você... quer que eu tire a minha roupa também?
ela: - quero, mas só se você acertar primeiro-- a lição de casa-- que eu passei para você na aula anterior.


declaração de amor entre personagens que não existem. mas poderiam existir.


casal deitado na grama. a lua está cheia. o céu com estrelas.

- se você pudesse viajar para qualquer planeta maria, para qual você gostaria de ir?
- esse, dentro da sua cabeça.

diálogos quase abstratos de casais quase reais.

- amor?
- diz princesa.
- quando você era mais jovem, você era pegador?
- pegador?
- é, você ficava com muitas mulheres?
- [silêncio]
- e então, ficava?
- ficava.
- alguma delas era mais bonita do que eu?
- [silêncio]
- e então?
- ok, tinha a paulinha. ela era linda.
- mas porque é que você não casou com ela então. ao invés de ficar comigo?
- porque ela casou antes com o marcelo. o marcelo. sabe?
- o marcelo é lindo.
- mas porque é então que você não casou com ele então?
- porque ele casou antes com a paulinha. a paulinha. sabe?


quinta-feira, abril 30, 2009

de volta.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.u.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?

....

você não quer mesmo subir?

quase duas da manhã. no jantar foram quase duas garrafas.
eles chegam ao pé da porta de entrada da casa dela.

ela convida para ele subir para o apartamento dela.
ele pergunta:
- café? para tomar um café?
e ela:
- não, para transar mesmo.
e ele:
- sincera você hein?
e ela:
- ingênuo você hein?

onde tomar a sua imperial quando chegar em lisboa.


uma das coisas mais complicadas para quem vai morar fora é o boteco. o bar. aquele esqueminha que o garçom te conhece pelo nome. ou mesmo pelo sobrenome. tem garçom que te chama pelo apelido. é aquele bar do "o de sempre". ou, se "o de sempre" estiver em falta, os caras sabem o que você gosta e recomendam algo igualmente inesquecível.

em são paulo eu ia religiosamente ao bar espírito santo. na rua horácio lafer com a salvador cardoso. o que é curioso pois o espírito santo era um bar português. é um bar português. com bacalhau dos bons. batatas ao murro. azeite português. petiscos lusitanos. é sensacional.

mas como você pode ver pelo título, a idéia é sobre o boteco de lisboa. boteco para comer petiscos, comida, batatas eu não tenho um preferido. mas boteco para encostar no balcão com um amigo para falar do futebol, ou dois para falar sobre nada, ou até mesmo uns quatro para falar sobre muita coisa-- esse sim, bar de balcão, esse eu encontrei. e eu até já falei do senhor que serve e é dono. se você fizer uma busca com as palavras "seu jaime" vai encontrar um textinho sobre ele.  mas é o bar do fera que é o assunto aqui. pastel, empanada, croquete, tremoços. mas o mais importante é a imperial, o chopp, estupidamente gelado. o nome do bar é ginginha das gáveas. o que, servirá como uma excelente desculpa para tomar uma ginja. mas depois de matar a curiosidade, foque na imperial. é gelada. é barata. é bem servida. e o local é no coração do bairro alto. ou melhor. numa das artérias um pouco antes do coração. o que significa que você pode ir lá antes e depois de circular pelas ruas do bairro.  concluindo, se você veio parar por essas bandas com saudade do bar, do boteco da sua cidade natal, procure o bar do seu jaime na rua das gáveas. nota 11.

terça-feira, abril 28, 2009

o presente.


- amor.
- oi?
- comprei um presente para você.
- é o que eu estou imaginando?
- não sei.
- um anel de brilhantes?
- não.
- um brinco?
- não.
- um carro, você comprou um carro!?
- não.
- é.... é....é.... tá vendo aquele cocô ali?
- caralho! você comprou um cocô?
- não, um cachorro.

tubarão.

- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- do que?
- de entrar no mar?
- claro que não meu filho. o mar está calmo.
- mãe?
- oi meu filho?
- você assistiu tubarão?
- assisti sim.
- em dolby stereo surround?
- sim.
- na tela plana hd de 72 polegadas?
- sim.
- e tava escuro?
- sim.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
---

os copos.

em portugal é comum as pessoas falarem “vamos beber uns copos.” ao invés de “vamos beber uma cerveja.” acho curioso. a idéia de que as pessoas falam não do conteúdo. mas do objeto, do veículo que leva a bebida até a boca. mais cedo um fera aqui da agência comentou: "opa, vamos beber uns copos hoje?" e eu: "beleza. cerveja?" e ele: "uns copos. um. dois." acho bem interessante a ideia e a maneira de chamar para um chopp. "uns copos?"

quinta-feira, abril 23, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

passei uns dias em paris na semana passada. e como já tinha estado lá, partimos para programas meio improvisados. ou pelo menos programas que eu nunca tinha feito ou imaginado fazer em paris. o mais bacana deles foi a visita a um mercado de pulgas. é muito interessante conhecer a frança através das pequenas coisas que os franceses tem para vender nesses lugares. é um poster de uma propaganda antiga de um refrigerante que já não existe, um par de sapatos que é mais gasto na sola do lado de dentro do pé. uma senhora que costura enquanto vende vestido de 1900 e tal. recomendo. a coluna que saiu no destak esta semana foi sobre isso.

e como a coluna sai numa página que se chama "viagem"-- achei que era um boa dica para quem lê aquela página em busca de idéias para viagens.
algo por aí.


quarta-feira, abril 22, 2009

diálogo breve. 3


- mas fernando, eu não sabia que você chorava assim. eu nunca imaginei ver você chorando com tanta vontade. sempre achei você mais introspectivo e durão. mas chorão, não.

- porra mulher, e eu não sabia que o filme surpresa que você tinha comprado os ingressos era "marley & eu." não fode. [snif]

dialógo breve. 2

o garçom se aproxima e pergunta:
- e para o casal, o que será para comer?
e o rapaz, com os dois olhos concentrados sobre o decote impressionante da menina responde, na maior naturalidade:
- 7 dúzias de ostras, 4 porções de amendoim, e uma garrafa de água de dois litros para viagem.

diálogo breve. 3

- linda, você me ama?
- amo.
- posso te pedir uma coisa então?
- claro.
- qualquer?
- qualquer.
- pelo amor de deus. decide. ou a gente comemora o dia dos namorados. ou o dia do noivado. ou o dia do casamento. ou o dia em que eu pedi você em casamento. ou o dia em que marcamos a data. ou o dia em que casamos no cartório. ou o dia em que contamos para os seus pais.
- [silêncio]
- [silêncio]
- pronto. escolhi. o dia que eu te mandei para a casa do caralho.
- mas, que dia é esse?
- ué, hoje.

diálogo breve. 1

- mãe, de onde nós viemos?
- é, é... meu filho, ontem quando você entrou no quarto, acendeu a luz e viu o papai e a mamãe deitados bem juntinhos na cama com pouca roupa... você notou alguma coisa diferente?
- não.
- [silêncio]
- [silêncio]
- meu filho, nós viemos... bom, existe um pássaro, a cegonha...

terça-feira, abril 21, 2009

a crônica do destak da semana passada... e amanhã nói posta mais.

aqui em lisboa tem umas lojas cheio de stâile.
a rua do norte e a rua do século estão cheia delas.
bom, mas tem uma que fica na ruas das flores que é fucking fuckers.
a loja se chama bd mania. é fácil de achar, fica bem ao lado dos bombeiros. na esquina.
puta loja bacana.

essa é a coluna que saiu no jornal da semana passada.

e tinha toda uma história de como o mundo está na merda e que uma das coisas que mais precisamos está nesta loja. vale a pena a visita.



quinta-feira, abril 16, 2009

1,2,3 e

- mas a água está muito fria? não vou pular.

- mas olha o sol. observa  como ele bate na água. imagina como vai ficar essa foto. a gente com os braços para cima. o reflexo. as pernas no ar. essa foto vai ganhar a internet. as pessoas vão postar em blogs. no flickr. vão usar como proteção de tela do computador. a foto vai ficar linda.

- você tem razão. um, dois, três e...

quase deu certo.

a casa deles não era perfeita. mas era quase.
o quarto não era perfeito. mas era quase.
o banheiro não era perfeito. mas era quase.
a decoração não era pefeita. mas era quase.
a cozinha não era perfeita. mas era quase.

mas um dia eles se separaram. cada um para um lado.

porque ele não achava ela perfeita.
e ela achava ele-- quase.

quando ela subiu na balança.

- amor, olha para lá.
- mas qual é o problema?
- não quero que você veja quanto eu peso.
- mas você está linda.
- mas...
- amor... eu não me importo.
- mas é psicológico.
- psicológico?
- é, você não vai dizer nada. provavelmente dirá que ama e que eu sou linda de qualquer maneira...
- mas eu te amo.
- o problema é que você não vai conseguir controlar. uma vez que você descobrir o número exato, você não vai conseguir tirar ele da cabeça.
- [silêncio]
- [silêncio]

ela sobe num salto só.

e ele grita quase que involuntariamente-- no instante que o ponteiro da balança acelera na direção dos 80 kg:
- desce caralho!!!!!!

terça-feira, abril 14, 2009

o inventor que era inventor apenas na sua imaginação.

desde pequeno ele sonhava em ser inventor.

sua primeira invenção foi uma caneta que imitava a assinatura da mãe e do pai para assinar provas da escola com notas baixas. era uma bic azul.  mas era preciso muita prática até acertar a assinatura. e muitas vezes só colocando papel vegetal sobre a assinatura real para imitar com perfeição.
depois ele inventou uma maneira de ver a bunda de meninas na praia sem ser notado. o pai dele chamava de  "meus óculos escuros." e ele de "invenção para ver as bundas das amigas da minha irmã mais velha sem ser notado."

quando ele ficou mais velho ele inventou a piada que todo mundo ria. e como funcionava? bom, ele comprou um livro de piadas. escolheu a melhor. ensaiou, ensaiou. acertou o timing. testou com os amigos. os irmãos. os primos. e só contava a piada em mesas de bares regadas de cerveja. e só depois de duas rodadas de cachaça. e  só quando a maioria das pessoas na mesa torciam para o time que ganhou na rodada daquele dia.

quando casou, inventou  as duas desculpas mais usadas no mundo: "estava trânsito meu bem, desculpe pelo atraso." e "eu estava numa reunião e não podia atender o celular." e provavelmente  também uma das mais usadas no mundo-- para o chefe: "o computador deve estar com algum problema, eu juro que tinha este documento pronto."

Inventou a ultrapassagem em alta velocidade na estrada. que consistia em acelerar e colocar o farol alto ao mesmo tempo. assim os carros a sua frente saiam rapidamente. invenção que só funcionava com carros rápidos. inventou o extra cheese burger. uma invenção deliciosa em que consistia de colocar não uma, mas duas fatias de queijo entre a carne e o pão. inventou o café super hiper forte. simples. ele colocava o dobro de pó de café na hora de fazer o seu. 

inventou de tudo um pouco. e poderia ser milionário. ou melhor, bilionário se tivesse patenteado qualquer uma das suas invenções.  mas ele, era tão destraído que nunca preencheu a papelada. ou pelo menos era essa a impressão que ele tinha na sua cabeça. foi a falta de preencher a papelada destas patentes que fez com que ele nunca tivesse as glórias do maior inventor de todos os tempos. felicidade mesmo, ele tinha quando inventava mais alguma coisa. sempre genial. você provavelmente já usou uma invenção dele hoje. a invenção de dormir mais cinco minutos depois do alarme tocar, por exemplo-- é dele. 

o livro de reclamação português.

tem um negócio que eu acho interessante aqui em portugal. não acho perfeito. mas interessante. é o livro de reclamações. e o que é este livro? bom, você sentou num restaurante e a comida demorou uma hora? ah, não só demorou uma hora como serviram o fera da mesa ao lado antes, apesar do fato do fera ter chegado meia hora depois de você? livro de reclamação nele. você levanta a mão e pede para o gerente trazer até a sua mesa o livro de reclamações. um livro que você escreve exatamente o que aconteceu: "eu cheguei no restaurante e serviram um fêla da mesa ao lado antes de mim. e isso contando com o fato do fêla, além de ser um fêla, ter chegado depois de mim..." no dia seguinte, por lei, o restaurante é obrigado a levar o tal livro (que na verdade é um caderno A4) num local pré-determinado. lá a reclamação será julgada ou anotada. se o restaurante acumular muitas reclamações, sinal de que tem alguma bosta rolando lá. hora de fazer uma inspeção. ou, se a reclamação envolver rato fazendo sapateado sobre a salada, intervenção imediata. se você que está lendo isso mora no brasil deve estar pensando: "nem fudendo erick. duvido que você segure a onda e pede um caderninho para escrever uma bronca ao invés de gritar.... duvido." é curioso. e assim sem ter testemunhado uma cena destas, você nunca iria compreender. mas eu que já vi pedirem, já senti o drama. a música pára. as pessoas prendem a respiração. o gerente olha com carinha de dor e de cachorrinho abandonado na tentativa inutil de frear a caneta do cliente puto. não funciona em qualquer lugar. mas é no mínimo curioso. o poder de um livrinho com este nome. ou seja, se você estiver por essas bandas e estragarem o jantar a luz de velas em que você pediria a mão da sua ex-futura mulher em casamento-- o livro de reclamação é de fácil acesso. é só pedir. mas só se precisar mesmo. ou se não rola a inspeção. belê?

quinta-feira, abril 09, 2009

escute sempre a sua mãe.


a mãe, como sempre, insistiu que ele levasse o casaco.
mas ele puxou o pai, era teimoso.

sabado, sol, sandra e maria


ele nunca perguntou o nome das duas. (sandra e maria)
nunca perguntou de onde elas eram. (do rio)
nunca perguntou se tinham namorados (sandra não. maria sim.)
nunca perguntou se elas ficaram interessadas nele. (sandra não. maria sim.)

passaram um fim de semana na casa da tia de uma delas. ele fora convidado por um amigo de um amigo que teve que voltar antes para são paulo para uma reunião.

dormiram os três na mesma cama. ele, sandra e maria. nesta ordem.
e ao fim de três dias cada um foi para o seu lado.

aí ele perguntou se podia tirar uma foto.

mas nunca perguntou se a foto-- contra a luz do sol-- atrapalharia a revelação. (atrapalhou).

eu também tenho.

ele se recusava a comprar um ipod.
"eu também consigo carregar 10.000 músicas para todos os lados! quer ver?" e sempre que alguém aceitava o desafio, lá vinha ele carregando sua coleção inteira de lps.

e lá de trás da pilha era possível escutar ele resmungando: "ipod de cu é rola."

quarta-feira, abril 08, 2009

a crônica do destak da semana.


as colunas do destak são sempre experiências minhas. dicas, restaurantes e tal. afinal a coluna sai num caderno de viagens do jornal. ou melhor, na página de viagens.

essa semana pedi para o renato e a luciana que trabalham aqui-- se eles tinham algumas dicas interessantes.

bom, a coluna dessa semana sai com o título "três brasileiros em lisboa" por isso. eu escrevi. mas as dicas, são dos dois.

sexta-feira, abril 03, 2009

o problema mesmo não era virar lobisomem, mas a pourra da monoselha

não estudaram...


as quatro não estudaram para a prova.
mas as quatro passaram-- e com as melhores notas-- na aula do professor geraldo.

camiseta muito boa.

cesta de 3



faltavam 2 segundos e alguns centésimos para acabar a partida. o time dele perdia por um só ponto. ele podia entrar no garrafão e marcar dois. dois pontos. mas não, naquele dia ela estava na arquibancada assistindo o jogo. depois de tanto tempo, ela veio. ele olhou de canto de olho para ela e tentou uma cesta de três.

errou.
mas ganhou a menina.

terça-feira, março 31, 2009

os da frente

amiga puxa conversa com um amigo da faculdade:

- mas porque é que você nunca sai sorrindo em nenhuma foto?
- já te contei o apelido que eu tinha quando era pequeno?

mas ela era ciumenta assim?


todos os números de telefones estavam lá no caderninho. todas as conquistas até aquela namorada. todo o "antes" estava ali. namoros curtos, médios, histórias contadas e as não contadas.

ele listou todos com um código de cores. ao lado de cada um dos telefones, uma cor. nada de nomes. azul era uma mulher. verde era outra. verde claro era um outra parecida com a verde. amarelo era uma ex-namorada. roxo, uma amiga de uma amiga que ele comeu uma vez num motel perto do trabalho. marrom, cinza, dourado, mulher, mulher. cada cor, os dígitos de um telefone diferente.

com medo da atual mulher descobrir, ele criou um outro código para as cores. pegou uma folha de papel e ao lado de cada cor, colocou um algarismo romano. agora ele tinha o caderninho de telefones cada um com a sua cor. e uma folha de papel com algarismos romanos que se referiam a cada cor. o algarismo romano "I" correspondia a cor azul que era o nome de uma mulher. o II ao de outra. o III, alguém que ele sempre quis comer. o IV de uma gostosa. e assim por diante. bom, mas para descobrir o nome correspondente aos algarismos romanos, ele pegou uma outra folha. nessa ele colocou o nome de mulheres ao lado dos algarismos romanos. duas folhas com códigos. a folha das cores dava acesso aos algarismos romanos. a folha dos algarismos dava acesso ao nome das mulheres.
mas, como a mulher era mesmo ciumenta, ele misturou os nomes. mariana era na verdade ana. maria era mariana. antônia era joana. e assim por diante. os nomes davam dicas para o nome real ao lado do algarismo -- que ligava a cor-- que ligava ao caderninho--- que ligava ao telefone.

mas a mulher dele era tão ciumenta que ele colocou cada uma das folhas num cofre diferente em bancos de estados diferentes. a folha com as cores que revelavam o algarismo romano no cofre de uma agência bancária em manaus. e a folha com os algarismos que revelam os nomes misturados das mulheres no cofre de um banco de renome curitiba. o cadernino ficou na casa do irmão que morava em petrópolis no rio. no cofre que o irmão tinha atrás de um quadro falso na parede da cozinha em que o sol nunca batia.

depois de 4 anos o namoro com a atual mulher acabou. a primeira coisa que ele fez foi viajar até petrópolis atrás do caderninho com os telefones de todas as conquistas da sua vida. visitou os dois bancos. juntou as duas folhas com os códigos-- e mais uma folha de caderno rabiscada com linhas tentando ligar nomes de mulheres-- com nomes de outras mulheres como se tentasse juntar o nome falso com o verdadeiro e vice-versa.

depois de 6 dias tentando acertar a combinação para chegar ao telefone de uma mulher que ele sempre teve tesão e que disse que o esperaria para sempre, ele desistiu.

ligou para a namorada ciumenta, único telefone permitido na memória do celular dele. declarou o amor eterno. pediu desculpas por algo que não tinha feito e voltou.

o começo.


ele sabia como ia terminar aquele namoro. ela descobriria que ele só queria comer ela e tentar um esqueminha com ela e a melhor amiga dela-- ao mesmo tempo-- e terminaria o relacionamento. ele só precisava descobrir como ia começar.

intervalo.

- cacete! filho! o que passou na sua cabeça para ficar assim todo estourado!? você quase morreu!
- mas... mas... mas mãe, no comercial os caras que tomavam o refrigerante-- voavam.
- ah tá, no mesmo intervalo comercial tinha uma família com um seguro de saúde maravilhoso, com todos felizes cantando uma musiquinha no final.

brisa.

ele adorava sentir o cheiro do perfume que a brisa trazia quando uma mulher passava. aquele negócio em câmera lenta. os seis milésimos de segundo logo após a mulher passar.
certa vez, não resistiu, deu dois passos largos para trás e perguntou se era o novo da calvin klein. ela acho estranho mas confirmou com o balançar do lábio inferior nervoso e tímido-- que sim.
na hora do almoço gostava de caminhar. não para ver as mulheres. mas para esperar o perfume misturado com pele misturado com cabelo que pegava carona na brisa.

mas hoje, hoje não. hoje ele pediu uma pizza para ser entregue no trabalho.
hoje ele estava gripado.

sexta-feira, março 27, 2009

o fim da novelita 3.

tirou uma arma dessas feitas sob medida para a bolsa de uma mulher e atirou duas vezes. a primeira entre as pernas dele. a segunda no pé direito. ela se levantou e disse:
- o primeiro tiro foi para você nunca mais poder estar com uma mulher.
e ele perguntou entre goles de ar:
- e o segundo?
e ela disse:
- para você não conseguir chegar até nenhum atendimento médico-- e assim garantir que você nunca mais poderá estar com uma mulher.

e ele com lágrimas nos olhos disse:
- mas, mas, tudo isso por causa do tapa?
e ela:
- e também porque o final desta novelita estava muito óbvio. quem leu isso aqui ontem com certeza esperava que eu tirasse uma arma da minha bolsa.
e ele comentou entre um choro e outro:
- era óbvio.
e ela:
- mas ninguém esperava dois tiros. um entre as suas pernas e um outro no pé.
e ele falou, com um dos olhos fechados de dor:
- nem eu.

fim da novelita 2.

naquela noite, maria e antônio dormiram juntos.
maria, como você já suspeita, pois achava que antônio era josé.
e foi, ao iniciar as preliminares que maria levou um susto:
"porra josé?! o seu, o seu... o seu!!!! mas que estranho?! o seu.. o seu... está maior do que ontem!!??"
e antônio começou a rir, e gritou para josé que estava escondido no armário:
"não disse? não disse? não disse que o meu era maior!"
josé saiu do armário puto. não porque antônio estava com maria nua na sua cama.
mas porque antônio finalmente tinha munição para sacanear ele para o resto da vida.
maria levantou da cama e enquanto catava as roupas do chão gritou:
"gêmeos!? vocês são dois filhos da puta!! porra josé, você disse que me amava caráio!!!? e tudo isso para saber qual dos dois tinha a porra do pinto maior?! filho da puta!"

mas josé não escutava nada. sem reação, estava cabisbaixo no canto do quarto. não por perder maria é claro. mas por perder a aposta com o filho da puta do irmão.

final da novelita 1

"apartamento de 3 quartos com espaço gourmet no térreo. lavabo. uma suíte. opção de churrasqueira na varanda e quarto de empregada junto a área de limpeza. lugar comum para festas. academia de ginástica. segurança. sauna. e espaço zen com vista desafogada da cidade."

ela olhou para o folheto. a primeira página, a foto interna com um casal com os dentes mais brancos que ela já tinha visto. a foto de uma criança sorrindo ao fundo. tudo meio fake. o prédio tinha um nome daqueles: "space gourmet family life". ela olhou para o marido e ficou com uma vontade enorme de dizer:
"seu filho da puta. você não sabe que o meu sonho desde pequena é morar numa ilha deserta? não precisava ser uma ilha. poderia ser uma casa perto da praia. uma casa. um apartamento longe desta selva de concreto. seu bosta, quer me socar num apartamento desses que diz ter vista desafogada da cidade quando na verdade nem a porra do gps acha de tão cheia que está a cidade? babaca. e a minha ilha deserta? miha irmã tinha razão, casar com você aos 17 foi um erro. muito cedo. muito cedo. seu brocha. seu bosta."

mas disse:
"obrigado amor. obrigado. é o apartamento dos meus sonhos."

e viveram quase felizes para sempre.
ele para sempre. ela quase.

quinta-feira, março 26, 2009

uma novela que começa hoje e termina amanhã 3....


ele só falava de trabalho. e ela estava cansada aquilo. mandou ele tomar no cu após o terceiro martini. ele revidou um tapa de mão aberta. para fazer barulho. o som doeu mais do que o próprio tapa. ela mandou ele tomar no cu novamente. e quando ele ameaçou acertar mais um em cheio, ela colocou a mão na bolsa e tirou...

(não perca, amanhã o final emocionante desta novelita)

uma novela que começa hoje e termina amanhã 2....



irmãos gêmeos. idênticos. antônio e josé. um era destro o outro canhoto. um preferia loiras. o outro morenas. não eram melhores amigos. eram amigos o que é diferente, mas igualmente forte. josé entrou numa faculdade de direito. antônio, comunicação. marcaram férias no litoral da bahia. um resort onde tudo estava incluído. na primeira noite, ao pé do bar do hotel, josé trocou olhares com maria que trabalhava no bar. na segunda noite, também. mas na terceira, foi antônio que ela pensava ser josé...


(não perca amanhã, o desfecho desta novelita)

uma novela que começa hoje e termina amanhã 1....

ela sempre sonhou em ter a sua própria ilha deserta. quando era mais nova sua mãe leu uma história de uma princesa que vivia numa ilha deserta e um dia um conquistador que navegava a caminho das índias-- se apaixonou pela princesa-- ficou pela ilha e viveram felizes para sempre.

a história era mais ou menos assim. eu sei que tinha a princesa, um conquistador e uma ilha que estava deserta, apenas com o casal. portanto, ela sempre sonhou com a ilha. casou cedo. aos 17 anos. mas tudo mudou no dia que o marido dela chegou em casa com um folheto que dizia...

(não perca o final desta novelita amanhã.)

a crônica do destak da semana.

a tsuru é a loja que você queria ter. mas alguém pensou antes.
puta esquema fucking fuckers. a loja é escondida. é pequenina.
mas é muito cheia de stâile. essa semana escrevi sobre ela na coluna do destak.
bom, é isso, se você estiver por essas bandas, tsuru na agenda.