quinta-feira, janeiro 29, 2009

uma das coisas mais importantes do mundo.

uma cadeira quase sofá confortável em casa. seja para ler um jornal de sábado, tomar uma taça grande de vinho numa quinta-feira ou tirar 26 minutos de cochilo no domingo. acho, e posso estar cagando uma regra grande aqui-- mas todo ser humano deveria investir uma pequena fortuna numa cadeira quase sofá confortável. é como aquele esquema de previdência privada que você vai começar a receber em 25 anos. uma cadeira quase sofá confortável é uma previdência privada instantânea. é um tapa que você dá nas prórpias costas. vai por mim.

a aeromoça.

avião cheio. todos dormem. o jantar acaba de ser recolhido. as mesas já foram levantadas. uma ou outra pessoa ainda assiste o filme no monitor preso atrás da cadeira a frente. em 6 horas o avião pousará em shanghai. a aeromoça que está a caminho da sua cadeira é chamada por um jovem que está acordado. ele acena para ela.

ela: em que posso ajudar.
ele: eu tenho uma fantasia.
ela: como?
ele: você entendeu. eu tenho uma fantasia.
ela: mas...
ele: eu notei durante o jantar, você não tirava os olhos de mim.
ela: acho que você está confundindo as coisas. eu sou atenciosa.
ele: qual é o seu nome?
ela: júlia.
ele: bruno.
ela: prazer.
ele: é todo meu.
ela: boa noite. eu preciso...
ele: senta ao meu lado. está vago.
ela:
ele: posso fazer uma pergunta então?
ela: ok.
ele: também funciona ao contrário?
ela: como? não entendi.
ele: bom, todo homem tem a fantasia de transar com uma aeromoça linda como você no banheiro do avião de madrugada quando todos os passageiros estão dormindo. e vocês, as aeromoças, tem a fantasia de transar com passageiros?
ela:
ele: pode falar. ninguém está ouvindo.
ela: se eu contar estraga.
ele: mas...
ela: não é muito mais bacana passar o resto da vida e dos vôos com essa dúvida?
ele:
ela: por exemplo, eu vou continuar andando naquela direção. eu posso estar a caminho da minha cadeira-- como posso estar esperando por você perto do banheiro. não é mais interessante ficar aí confuso sem saber se você levanta em dois minutos e vai até lá ou não-- do que já saber a verdade?

ele: é, você tem razão, é mais emocionante.

ela: com turbulência então..

o lado bom.




o lado bom de um bife queimado é o garçom não cobrar pelo mesmo e oferecer a sobremesa grátis.

o lado bom de acordar cedo é pegar o melhor pão francês da mesa.

o lado bom de estar chovendo é não suar a subáca ao caminhar para o trabalho.

o lado bom de um filme bem mais ou menos é um cochilo bacanudo na cadeira do cinema vip do shopping amoreiras.

o lado bom de subir na balança e ver que você está na merda, é parar de comer merda.

o lado bom da cia. aérea perder a sua mala por dois dias na volta para casa é você se forçar a conhecer outras roupas esquecidas do seu armário.

o lado bom de um fiapo de frango agarrado no dentão lá de trás é você ter vergonha na cara e passar a usar a pourra do fio dental.

quarta-feira, janeiro 28, 2009

a nasa e o mcdonald's.


quando eu era moleque eu nunca entendi o esqueminha que ia embaixo dos ônibus espaciais. sempre achei esquisito os caras, no meio do caminho, largarem aquele negócio gigante no espaço como se fosse qualquer bosta. aquele mega tanque de combustível laranja, sabe? bom, a comparação é bem mais ou menos-- mas acho que funciona. esses dias vi um cara de uns 20 e poucos anos jogando na calçada um copo dos grandes do mcdonald's vazio apenas com gelo. no chão. quando crescer esse fêla vai trabalhar na nasa. ou não.

a crônica do destak da semana.

o prato otimista.



tem um restaurante novo, ok, quase novo, ok, não é novo, mas eu meio que descobri recentemente. kaffehauss. é um esqueminha austríaco. aquelas sopas grossas com carne, umas saladas de batata e mais umas coisas bem interessantes que se come nas redondezas de viena. mas tem um prato que eu tenho comido quase que sempre que vou lá. summer salad. que não é escrito assim, mas quer dizer isso pela tradução da linha de baixo no cardápio. bom, a salada é boa? é. mas tem um marketing nela que eu curto. o nome dela. aqui em lisboa está chovendo bastante. está frio. meu amigo, tudo que você precisa num dia de frio é uma salada otimista. e você sabe, no frio, otimismo ajdua bastante. exemplo:

casal caminhando na rua a caminho de casa sem nenhum táxi por perto. chuva fina que não molha mas deixa a sensação de pequenas agulhas geladas pipocando a sua pele. duas da manhã, 4 graus.

ela: amor, você está com frio?
ele (com apenas um sweater fino de um tecido que imita lã mas não imita a proteção da lã): dá para segurar, dá para aguentar.
ela: mas eu estou com um sweater, um casaco, um cachecol e luvas e estou congelada.
ele: dá para aguentar. podia ser pior. eu poderia ter esquecido sobre a cadeira do restaurante, além do cachecol e das luvas-- o sweater também.
ela: silêncio.

a summer salad tem um pouco disso. quando você olha para o cardápio com os dentes brincando de código morse--- a summer salad aquece um pouco. e ainda serve para equilibrar o esqueminha das calorias da estação. dos baldes de vinho. dos pães e dos queijos feitos com o leite de vacas obesas. algo por aí.

o dilema do guarda-chuva.



não sou um cara alto. também não sou tão baixo. ok, muito mais baixo do que alto. médio-baixo. mais por aí. mas sem traumas. sem dramas. mas, o fato de eu não ser um jogador de basquete dos melhores e ter que usar um banquinho para pegar uma caixa na última prateleira do armário da cozinha causa uma situação engraçada quando estou com o guarda-chuva. que, aqui em portugal se chama chapéu. chapéu-de-chuva. quando chove, lisboa anda. caminha. sobe ladeiras abraçada a um guarda-chuva. o que é normal em qualquer lugar do mundo. mas aqui, as ruas são relativamente estreitas e com curvas escondidas. e quando a rua é estreita e as curvas repentinas, existe uma tendência grande de você andar bem perto das pessoas que andam na sua direção. e você sabe, o guarda-chuva pelo seu diâmetro acaba ainda por encurtar ainda mais a distância. resultado: sempre que eu passo lado a lado de um sujeito mais alto do que eu (viu como o papo lá em cima sobre a minha altura iria em algum lugar fazer algum sentido?)-- quando eu passo por um cara mais alto, o meu guarda-chuva fica na altura do rosto do fera. na altura do queixo se o fêla for realmente mais alto. e aí, o que acontece é uma série de quase acidentes quase mortais. quando chove eu sei que chegarei na agência com alguma história de um quase olho arrancado pela ponta do meu guarda-chuva. ou uma história dos 8 pontos que o sujeito teve que levar no rosto quando eu passei correndo por ele. mas como tem chovido com uma certa regularidade aqui-- já estou escolado. já sei driblar rostos, olhos e testas. já sei. o dilema do guarda-chuva.

quinta-feira, janeiro 22, 2009

sempre achei bem esquisito o esqueminha da peruca dos juízes em alguns países do mundo. esse quadrinho coloca isso de uma maneira perfeita.

uma das piores e melhores coisas do mundo. ao mesmo tempo. 1


ler jornal do lado de fora de casa num dia agradável. seja na praia, no parque ou numa praça.

a vista.

mais uma foto dessas pescada na internet. bom fica aqui a minha sugestão, faça o download para o seu desktop e coloque ela de protetor de tela no seu computador do trabalho. mas não aquele protetor de tela que estica a foto até preencher o monitor inteiro. não. coloque a foto naquela opção do tamanho verdadeiro dela.

mesmo que ela fique pequenininha num cantinho do seu computador.

bom, aí ou a foto inspira você a trabalhar mais para conseguir ter uma vista dessas-- do lado de dentro do vidro. ou a trabalhar menos para ter uma vista dessas do lado de fora, na areia. a primeira opção demora mais. a segunda, é um pouquinho mais rápida. e as duas têm a vista.

o pombo e o porta-aviões.

o pombo não cagou na minha cabeça. todo textinho que começa com um título falando de um pombo já é para esperar algum tipo de merda. alguma observação como: "eu estava andando e um pombo cagou no meu ombro." mas não, esse textinho é apenas uma observação sobre uma tiazinha que alimenta os pombos numa escadaria lá perto de casa. hoje vi ela colocar o equivalente a umas 6 baguetes em migalhas para os pombos. foi um esquema violento com uns 100 pombos avançando nas migalhas. migalhas fartas. migalhas gordas. naquele momento eu comecei a imaginar o que aconteceria meia hora depois. aqueles pombos já teriam feito a digestão e iriam então cagar na cabeça ou nos ombro de outras pessoas. a tiazinha que alimenta os pombos é uma espécie de porta-aviões em que os caças, os aviões americanos pousam para recarregar com mísseis e bombas. ela acha tudo bonito. quem olha de longe a cena, acha pura poesia. eu não. a tiazinha é um porta-aviões que recarrega os pombos com bosta. ou melhor, com as migalhas de pão que vão virar bosta depois.

sopa. 2



sopa é a melhor invenção do frio. melhor do que o aquecedor. você não pode comer o aquecedor. sopa é melhor também do que o cobertor. cobertor não alimenta. só tem um problema com a sopa, ela expira. a vida da sopa é curta. se você deixar a sopa sobre a mesa por mais do que uns 5 minutos, ela vai para o caráio. sopa fria não é sopa. pensando nisso, acho que vou comer uma sopa. até porque aqui em lisboa está frio para cacete.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

a crônica do destak da semana

os add on do firefox e o benjamin button.

não sei se você já foi ver benjamin button. aquele filme com o brad pitt e a cate blanchett. achei muito bom. achei ele melhor no dia seguinte do que no momento após o filme acabar. o que é bom. pelo menos é assim que eu identifico os filmes que mais gosto. aqueles que deixam você pensando-- um tempinho depois e um tempão depois que ele acabou. algo por aí. bom, mas pelo título do textinho você sabe que eu quero falar dos add-on do firefox. puta esqueminha bacanudo. você pode downloadear uma porrada de coisinhas que mudam a cara e as funções do seu firefox. e, a que eu mais gosto é dos "tab" que envelhecem. as "abas" que quando você as esquece abertas, começam a mudar de cor. meio que para gritar com você, lá de cima do browser: "ô fera, você me esqueceu aqui em cima aberto e não leu ainda." eu tenho esse problema com tabs. abro uma porrada e deixo de ler uma cacetada. o que não é bom. desta maneira acabo não lendo nada direito. mas com o tal add on que envelhece os tabs ignorados, você fica mais esperto. e que caráio isso tem a ver com o benjamin button? simples. após o filme e durante também, você começa a ficar meio cafuzo com tudo relacionado ao tempo. fica meio que planejando o que fazer com ele. você começa a questionar que caráio você estava fazendo aquele tempo todo no shopping até o filme começar. o add-on que envelhece o seu tab/aba do firefox não proporcional uma viagem meio filosófica dessas. mas é quase.

o sujeito que lava o carro na chuva

existem pessoas que são tão mas tão taradas que lavam o carro até mesmo na chuva. vi isso hoje aqui perto da agência. um senhor esfregando com sabão a lataria do carro. e a chuva caindo sobre a mesma lataria. numa competição estranha para ver quem limpava mais o automóvel. ele ou a chuva. o tal carro deve ser completamente apaixonado por ele. e vice-versa.

sexta-feira, janeiro 16, 2009

pequenos diálogos VII



- (mulher fala, mas com um tom de voz como quem quer dizer exatamente o contrário) você jura que aquela comida que a gente acaba de comer...
- (ele interrompe ela) ...é minha receita. eu fiz!
- mas estava muito boa.
- não estou entendendo?
- é que você nunca cozinhou para mim antes.
- pressão.
- como?
- sua mãe cozinha bem. sua avó cozinha bem.
- e eu?
- você quebra um galhão.
- como?
- porra amor, você cresceu com essa pressão nas costas, sua avó com aquele bacalhau com natas, a sua mãe com a pouurra do estrogonofe com champignons selvagens....
- mas você não gosta da minha massa?
- nota 7.
- 7?
- 7. e aí imagina o desgosto que a sua mãe e a sua vó-- teriam se soubessem que eu cozinho assim. bem melhor do que a única pessoa que pode levar adiante a lenda da família?! imagina a merda. o chorôro.
silêncio
- estava muito boa a sua comida.
- eu sei. boa para cacete. você ficou lambendo os dedos.
- amor?



- oi?
- você promete nunca mais cozinhar?


o moleque da foto.




não sei quem é. pesquei num site desses que colocam as melhores fotos do dia.

puxei para o desk e fiquei olhando para o moleque voando alguns segundos. impressionante. sem querer entrar numas de filosofar aqui.

mas, das duas uma: ao olhar para o moleque da foto e o sorriso de canto de boca da mãe dele-- ou você fica uns 8 dias mais jovem ou desliga o computador imediatamente-- e vai para casa mais cedo.

coisas




dia desses alguém, não me lembro ao certo quem foi e tenho quase a certeza que foi o peixinho, disse um negócio interessante na mesa: "você já notou um negócio curioso... quando um prato do restaurante tem o nome do restaurante, é o prato fucking fuckers. exemplo: a pizza casanova da pizzaria casanova é a mais regada com ingredientes mais zambers. agora, o vinho da casa é sempre o vinho mais barato e de qualidade mais duvidável. o que, se você coçar a cabeça e pensar um pouco é no mínimo engraçado. ou curioso." algo por aí.


comprar um celular novo. ou melhor, investir num telemóvel é complicado. se você trocar de marca, o seu cérebro tem que fazer um re-start, porque tudo muda. o menu, a maneira de escrever sms, o lugar da calculadora, tudo. aí você deve estar pensando (ou não): "não fódi erick, em dois minutos você consegue domar a bagaça." não sei, acho que tem um canto do meu cérebro designado para essas funções que foi para o caráio-- porque eu pareço um véio catando as teclas sempre que rola uma mudança dessas.

numa visita dessas a uma loja de vinhos-- comprei uma garrafa de moscatel. não, a mulher me empurrou a garrafa. contou uma história de como o moscatel foi criado ou inventado, ou os dois. bom, dia desses com um frio de rachar o fêmur, abri a garrafa e coloquei uns 4 dedos no copo. a temperatura subiu rápido. muito rápido. recomendo para dias de frio como esses mais recentes.


ainda compro jornal. compro porque desde moleque criei uma relação carinhosa com o esquema do papel e das notícias-- a nostalgia é foda. mas tá cada vez mais complicado continuar esse esqueminha. hoje, por exemplo, abri o jornal, e todas as notícias das duas primeiras páginas-- ei já tinha visto na internet no dia anterior.

terça-feira, janeiro 13, 2009

os oscars, a família do ator, o diretor, o carinha que fez a fotografia e a figurinista do filme. todo mundo junto.



uma das minhas maiores agonias é assistir entrega de prêmios. tipo globo de ouro, oscar, grammy's, emmy's e similares. e quando a sua mulher se emociona com um esqueminha desses e cola o controle remoto com cola bonder na mão, não tem jeito. você, obrigatoriamente, ou quase, tem que ver. acho dramático o carinha ou a atriz alí no palco, debruçados sobre o microfone com meio mundo olhando. e aí o ator ou a atriz começa a falar uma lista de "obrigados!"--agradecimentos. as vezes o vencedor foca na família imediata, marido ou esposa e filhos. esse é o mais esperto. não vai arrumar merda quando chegar em casa. agradece aqueles que ele sabe que vai chegar em casa e encontrar sentados na sala com a entrega do prêmio gravada numa vhs ou mesmo eternizada no hd do computador. existe também aquele que agradece as pessoas do estúdio de cinema assim como todos que estavam envolvidos no filme. desde o cozinheiro até o diretor. esse ator pensa no futuro. não no futuro imediato de quando ele chegar em casa. esse, pensa nas contas que tem que pagar. por isso sabe que é importante puxar o saco do agente, do roteirista. esse sabe que pode chegar em casa e argumentar com a família: "galera, vocês têm que me entender, eu preciso colocar comida na mesa, pagar a faculdade da maria e as contas da mãe de vocês que esse mês se empolgou com uma promoção de sapatos.... por isso eu tive que agradecer o estúdio e os carinhas lá que vocês nunca ouviram falar... beleza?" existe também aquele ator que arrisca. ele tenta fazer os dois. tenta agradecer as pessoas do círculo familiar: "eu queria dedicar esse oscar para minha mãe que sempre acreditou em mim.... e na minha mulher, que é a minha inspiração em cena...." e também emenda logo em seguida e agradece o pessoal importante da industria: "...e também, o diretor ridley scott por ter me escolhido para esse papel com um texto maravilhoso escrito pelo...." mas existe um perigo. e esse perigo é comum. o cara que se empolga e tenta fazer os dois, agradecer a família e os carinhas importantes, 99% das vezes é interrompido pela música da orquestra. a não ser é claro que se trate do jack nicholson ou da meryl streep. nesses casos, a orquestra fica quietinha esperando os dois listarem os nomes das páginas amarelas. mas voltemos aos atores que arriscam. esses se fodem. esses são os que me deixam tensos. puta esqueminha. o fera levou a vida inteira para ganhar a bagaça e agora são meros 45 segundos para eternizar a gratidão. é como olhar para uma batida daquelas em que os dois donos estão de pé discutindo de quem é a culpa. você não consegue não olhar. e passa devagar observando o amassado nos carros. com o ator ou atriz que tenta agradecer todo mundo ao ganhar um globo de ouro ou um oscar, é a mesma coisa. é aterrorizante. mas você não consegue tirar os olhos. com um olho na atriz que lê uma lista de um papel-- e um outro olho na orquestra-- para saber se vai dar alguma merda e o maestro vai puxar a música do intervalo.