sexta-feira, dezembro 17, 2004

gente que freia de repente.

desde que o homem evoluiu e passou a andar ereto por aí, desenvolveu várias maneiras de andar. rápido. devagar. com os braços em constante movimento. com os braços quase parados. passos pequenos. passos longos. passos pequenos alternando com passos longos. existe uma infinidade de maneiras de andar. eu particularmente ando devagar. sou sempre ultrapassado pelas pessoas. se os seres humanos viessem ao mundo equipados com espelhinho retrovisor preso na testa, eu já estaria cego de tanto levar farol alto dos mais apressados. mas, como você pode ver pelo título deste textinho, gostaria de falar sobre gente que freia de repente. pessoas que nasceram com freios abs® na sola dos pés. você com certeza já deu um esbarrão num fêla da puta desses. acontece muito em shoppings. acontece também em aeroportos e em ruas movimentadas. gente que freia de repente tem um sério problema em manter uma velocidade constante. esse pessoal acelera, e, quando você menos espera, pára. de 15 km/h para 0 km/h. e você, o babaca que está atrás sempre bate. e, assim como no trânsito, quem bate atrás é sempre o culpado. bati de resvalão num terno armani hoje na hora do almoço. o babaca me ultrapassou no meio da subida da escada rolante. só que, quando eu já achava que ele estava bem longe, na casa do caralho-- ele freiou. foi sair da escada rolante que ele freiou. de repente. como se num milésimo de segundo não sabia mais quem era ou o que estava fazendo alí. na minha frente. se fudeu. além do resvalão no terno, bati feio no sapato dele. e pela cara do sujeito-- o sapato é zero km. e melhor, pelo impacto-- foi perda total. gente que freia de repente-- vai dar uma meia hora de bunda.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

o teste da academia. parte 1.

quando você entra numa academia, você obrigatoriamente tem que fazer o teste físico. o teste físico é aquela bateria de mini-exames para determinar o seu tipo, a sua série de musculação e principalmente para humilhar. é. porque a primeira coisa que pedem pra você fazer ao entrar na sala de exame é tirar a camisa. mostrar os pneus. a pança e as dobrinhas. inventaram um instrumento feito sob medida pra deixar você com cara de bosta. é um alicate que mede o seu nível de gordura. de banha. a mulher que me atendeu hoje fez questão de me mostrar como o negócio funcionava. ela pegava a banha, prendia com o alicate e mostrava os números. depois do teste da banha, vem as pedaladas. ela manda você padalar com uma intensidade que varia: ela aumenta quando você está tranquilo e só pára quando você ameaça tossir sangue. mas zuzo bem, eu não desmaiei. em seguida (vale lembrar que eu ainda estava sem camisa) deitei no chão gelado e tive que fazer o maior número possível de abdominais em 60 segundo. na terceira abdominal, vi tudo preto e larguei a cabeça contra o concreto. abri um sorriso para disfarçar a dor. da abdominal para a flexão de braço. consegui completar 8. meus braços não respondiam mais os estímulos que meu cérebro mandava. eles siimplesmente tremiam. sentado numa cadeira daquelas de couro sintético, sentia minhas costas grudando-- e suor acumulando na base do pescoço. por alguns segundos pensei em abandonar essa sociedade que dá valor a pessoas que cabem dentro de suas respectivas calças jeans e criar a sociedade alternativa: a sociedade da calça de moletom.

o ladrão.

acho que esse fim de semana passou mais rápido que todos os outros.
hoje, a caminho do trabalho, pensei em parar numa delegacia e fazer um boletim de ocorrência.

delegado (confuso): "você pode ser mais claro? como assim, roubaram seu fim de semana?"
eu: "é, roubaram. saí do trabalho na sexta-feira--relativamente cedo. e quando me dei conta já era segunda--e estava drigindo de volta para lá..."
delegado (interrompendo): "de volta para o trabalho?"
eu: "é."
delegado: "você se lembra se foi atacado?"
eu: "acho que sim."
delegado: "será que você conseguiria descrever quem roubou seu fim de semana?"
eu: "não sei--como eu disse--foi tudo muito rápido."
delegado (ficando puto): "você me desculpe, mas é a primeira vez que eu escuto isso.
acho que estamos perdendo tempo aqui. tenho coisa mais importante pra fazer."
eu (assustado): "que horas são?"
delegado(puto): "porque?"
eu: "acho que o filha da puta atacou de novo. roubou a nossa manhã."

sexta-feira, dezembro 03, 2004

17 minutos.

hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia. ainda não sei ao certo se é uma boa idéia. mas não deixa de ser uma idéia. é. enquanto o alarme gritava "levanta moleque! levanta porra! seu bosta.... preguiçoso!", fiquei rolando na cama pensando no que poderia ser feito para acabar de vez com aquela sensação escrota de todas as manhãs. a primeira idéia que me veio à cabeça, foi-- a de realizar um congresso é, um congresso de grandes proporções. reunir formadores de opiniões. celebridades. estudantes barulhentos. atores, atrizes, diretores de cinema b, taxistas e motoristas de ônibus. todos no mesmo lugar. a idéia do congresso é simples: convencer o mundo inteiro a ficar na cama por mais 17 minutos. todo mundo esparramado na cama por mais 17 minutos todos os dias. na minha opinião, esse é o tempo necessário para tirar o gosto de travesseiro e cobertor da boca. 17 minutos equivalem a umas 4 apertadas do botão de 'soneca' do alarme. e dependendo do alarme, umas cinco apertadas do botão de 'soneca'. ou seja, é tempo suficiente para rolar adoidado na cama e levantar de bom humor. tirar a remela dos olhos. toda remela, até aquela que fica agarrada entre o canto dos olhos e o começo do nariz. é tempo para bocejar até estalar as mandíbulas. acordar com disposição. e cheio de vontade de encarar um belo trânsito de segunda-feira. esse congresso poderia significar a tão esperada paz no mundo. o fim da violência. dos crimes. é. com 17 minutos a mais de sono na cama-- todo mundo teria mais saco para tudo. muito mais saco. as pessoas seriam mais felizes. 17 minutos que podem mudar o mundo. mas é claro, para que essa idéia funcionasse, todas as pessoas, sem exceção-- teriam que concordar com os termos. o primeiro fêla da puta que levantasse da cama, um minuto mais cedo-- fuderia com o esquema de todo mundo. hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia: 17 minutos a mais na cama.

segunda-feira, novembro 29, 2004

mulher e pistache.

mulher e pistache é a mesma coisa. a mesmíssima coisa. eu sei, você provavelmente está imaginando um pistache, colocando ele ao lado de uma mulher que vive na sua imaginação e acha que eu estou viajando. mas mulher e pistache é a mesma coisa. a mesmíssima coisa. pensa só: é complicado abrir um pistache. muito complicado. das coisas mais difíceis que existem por aí. mas é aí que está a graça. se pistache fosse fácil de abrir não teria nenhuma graça. você com certeza não correria para comer o segundo. mulher é igualzinho. não estou falando "abrir" no sentido bíblico. quando digo abrir uma mulher, quero dizer, "abrir", saber o que se passa alí dentro daquela cabecinha, conhecer a mulher direito, entender, se aproximar de verdade, conquistar ela. abrir ela. você provavelmente já encontrou uma mulher linda que se "abriu" tão fácilmente que perdeu a graça. e também já deve ter ficado meses ou anos com a mesma mulher, ou até mesmo é casado com ela, porque essa demorou semanas, meses para se "abrir" para você. pistache dos bons é difícil de achar. mulher também. existem pistaches baratos que não duram sequer uma semana. murcham, perdem a cor. ficam sem gosto. sem graça. mole. mas existem os mais caros. os que mantém o sabor, a consistência. nenhum pistache é igual a outro. pode notar. alguns são mais salgados. outros são mais "carnudos". outros ainda, apesar de pequenos, são mais saborosos. alguns são mais verdes e outros mais maduros. é igual a mulher. você não encontra uma igual. mas as coincidências não param por aí. pistache prende no dente. mulher prende. não como em "alcatraz". como em "9 semanas e meia de amor." e finalmente, tem sempre aquele pistache que é tão tão fechado, tão difícil de abrir-- que você desiste. mulher é igualzinho. tem mulher que não te dá bola. que se faz de difícil. faz doce. que não abre a guarda. de jeito nehum. e você desiste. vai para cima das outras mais fáceis. como o pistache. mas, algum tempo depois, você volta. e tenta. cutuca. insiste. com jeito e com manha. abrir aquele último pistache no fundo do pote. aquela última mulher que não cedeu pra você. mulher e pistache é a mesma coisa. e antes que alguma feminista de plantão me acerte de jeito na cabeça, sugiro comer um pistache. dos bons. e difícil de abrir. você vai ver que tudo não passa de um elogio.

quarta-feira, novembro 24, 2004

"e luana?"

[domingo. casal deitado no sofá. ela com a revista pais e filhos no colo.
ele tentando ler o caderno de esportes.]

- ...e daniela?
- não.
- fernanda?
- não.
- márcia?
- tem acento. não gosto de nome com acento.
- regina?
- não.
- ana? bruna? giovanna?
- não.
- então sugere um vc.
[silêncio]
- vai amor! o primeiro nome de mulher que vier a sua cabeça.
- luana! [sem pensar. de olhos fechados e com cara de tesão.]
- porra amor! pra sua filha? vc quer colocar toda essa pressão na menina? e ela ainda nem nasceu!
- [silêncio]
- amooor!
- hmmm...pensando assim...silmara então. isso--o nome dela vai ser silmara!

terça-feira, novembro 16, 2004

a corrida do sorvete.

você provavelemnete já comeu um petit gateau num restaurante. strudel de maça quente. tortinha de chocolate saindo fumaça. folhado de qualquer coisa queimando o céu da boca. qualquer um deles acompanhado com sorvete de creme. é sempre assim. qualquer sobremesa do cardápio é sempre algo fervendo com uma bola de sorvete bem servida. das grandes. e é aí que começa a aventura. a corrida do sorvete. é, a corrida do sorvete. segurando firme a colher de sobremesa, com o punho cerrado, você começa a comer o sorvete antes que ele derreta. é, porque a bosta dessas sobremesas é que a bola de sorvete chega sempre colada com um bolo fervendo de alguma coisa. resultado: no instante que o garçom coloca o petit gateau na sua mesa, a bola de sorvete começa a desmanchar. formando aquela poça espessa que se espalha pelo prato. e você não pode parar pra bater um papo com quem está na mesa. tem que correr. tem que socar colheradas grandes e fartas de sorvete na boca pra evitar que tudo vá pro caralho. e tem um porém. não basta salvar o sorvete. não, você também tem jogar um teco de bolo fervendo pra dentro junto. queimando o céu da boca e deixando marcas pela língua e lágrimas nos olhos. é, a sobremesa só funciona assim. porque se você entrar numa de salvar o sorvete e esquecer do bolinho quente ou do strudel de maçã borbulhante, a sobremesa perde a graça. é mistura que funciona. é a mistura que faz a diferença. pode notar. da próxima vez que você for a um restaurante, preste atenção, você vai ver uma dúzia de meninas raspando a colher freneticamente contra o prato de sobremesa. apostando corrida com a bola de sorvete. (se você se concentrar bem, periga escutar a trilha do filme "carruagens de fogo" ao fundo.) tentando manter o mesmo sorvete longe do vulcão de chocolate prestes a entrar em erupção no outro canto do prato. e tudo isso. tudo isso, enquanto tentam sem sucesso salvar o céu da boca. a corrida do sorvete. você ainda vai participar de uma.

quarta-feira, novembro 03, 2004

de onde viemos.

- mãe?
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- como é que eu nasci?
- pergunta para o seu pai.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- pai?
- fala.
- como é que eu nasci?
- pergunta para a sua mãe.
[som de passos até o outro lado da sala.]
- mãe?
- oi.
- então foi assim que eu nasci ?
- como, meu filho?
- assim... depois desse vai e vem--entre você e o papai.

a teoria do íbis e o scooby-doo.

quem não se lembra dos desenhos do scooby-doo? eu era fã do salsicha. mas não é sobre isso que eu queria falar. eu queria falar sobre uma suspeita que eu tenho. algo que ficou muito claro nesse fim de semana. uma conspiração que pode ter implicações na formação geopolítica brasileira. tá bem...talvez eu esteja exagerando. mas é uma conspiração. e das grandes. lembra como terminavam os desenhos do scooby-doo? quando no final, ele a turma desvendavam os crimes? eles sempre apresentavam o criminoso e para grande surpresa, o criminoso não era quem a gente achava que ele era. ele estava sempre usando uma máscara ou uma fantasia. e por debaixo da máscara estava o verdadeiro criminoso. as vezes até debaixo de uma segunda máscara. então--observando essas últimas rodadas do campeonato brasileiro que o mengão luta pra não cair pra segundona, cheguei a conclusão que o time do flamengo é na verdade o time do íbis. o íbis para quem não sabe--é considerando oficialmente "o pior time do mundo." não é o júlio cesar que está levando aqueles frangos, é o gérson, goleiro do íbis--usando uma máscara com a cara do júlio césar. não é o jean que está perdendo todos aqueles gols feitos, é o derlei, atacante do íbis--e assim por diante. se alguém invadir o campo na próxima derrota do megão --preste atenção--pode ser o scooby e o salsicha. os dois com certeza vão tentar desvendar mais esse mistério.

quarta-feira, outubro 20, 2004

o escort xr3--a lenda.

quando eu era menor. quando eu tinha uns 15-17 anos o escort xr3 era o fodão do bairro. o fodalhão das ruas. o escort xr3 comia gente sozinho. se algum dia você estivesse com preguiça de sair--lá ia o escort xr3 sozinho para a rua atrás das menininhas. e voltava cheio de história (e todas elas verídicas) das conquistas. era fato. vivia de barriga cheia. devia ter uns 80 cavalos de potência. todos eles garanhões. pelo menos essa era a impressão que eu tinha do escort xr3. que--se você estivesse num bar encostado no balcão falando com uma menininha e chegasse um cara pilotando um escort xr3--fudeu. não tinha pra ninguém. as menininhas ficavam todas serelepes--saltitantes. o escort xr3 era uma lenda viva. o fêla da puta é responsável por uns 3-5% da população do brasil. e isso, contando por baixo. um motel ambulante. um amuleto da sorte. o comilão dos comilões. matou muito voyage, gol e parati de inveja. mas o tempo não perdoa. o tempo passou. e o escort xr3 não veio junto. hoje--vive de histórias como essas que acabo de contar. da fama de conquistas passadas. hoje o xr3 só come gente com muito esforço. ví um hoje na rua. vermelho com o aerofólio preto. um clássico. tinha um tiozinho pacato por trás do volante--com a brisa refrescando o sorriso maroto e o bigode. ele tinha um olhar distante. daqueles que já tinha papado, farpado muita menininha no banco de trás daquele xr3. e é por isso que ele não cansa de passear pelas ruas com o parceiro até hoje. é, para relembrar dos bons tempos. os tempos em que o excort xr3 comia gente sozinho. a única razão porque ele não vendeu o carro até hoje.

quarta-feira, outubro 13, 2004

rebobinando as horas.

a fita vhs ainda não morreu. mas tá quase batendo as botas. é fato. você entra na blockbuster e só encontra dvd. as fitas vhs estão escondidas num canto escuro perto da coleção alfred hitchcock em preto e branco. é a tal lei dos mais fortes. da evolução natural das espécies. se charles darwin vivesse nos dias de hoje, ao invés de ter que viajar para as ilhas galápagos para elaborar sua teoria da evolução, bastava ele entrar em qualquer loja da blockbuster. ao invés de ficar sentando na quina de uma pedra dura e escorregadia observando lagartos, ficaria encostado no balcão observando as mocinhas uniformizadas do blockbuster retirando as fitas vhs mofadas das estantes. os dvds tomaram conta. dia desses perguntei para uma tiazinha na entrada onde ficavam as fitas, ela me olhou com pena, com dó. tudo bem, caguei pra ela. mas foi alí que eu cheguei a uma conclusão: caráio, eu nunca mais vou ter que rebobinar a porra de uma fita de vídeo. a invenção do dvd acabou com isso. lembra quando você ficava sentado na frente do vídeo esperando ele arremessar duas horas de filme de um lado para o outro da fita? com aquele barulhinho de motor sem vergonha. fiz as contas, por baixo, devo ter perdido uns 17 dias de vida rebobinando fitas de vídeo. sempre com aquele cagaço de pagar multa. de levar esporro. na minha sincera opinião, essa foi uma das melhores coisas que já aconteceram com a humanidade. tá alí com a invenção da roda e da escada rolante. tenho certeza que o fêla da puta que inventou o dvd teve essa idéia enquanto esperava “dança com lobos” rebobinar. é, acho que o inventor do dvd caga baldes para a imagem e o som digital. o cara sabia que se acabasse com essa putaria de ter que rebobinar a porra de uma fita cassete, entrava para a história. um gênio. talvez o maior de todos. favor rebobinar é o caralho.

terça-feira, outubro 05, 2004

o cotovelo.

não existe cotovelo bonito. o cotovelo da gisele é feio. o da fernanda lima também. não existe cotovelo bonito. é um fato. depois de criar o homem, deus, o quem for que esteja por trás de tudo isso, ligou a tv e ficou assistindo futebol até o último minuto. e, quando faltava uns dez segundos pra entregar o homem na terra, deus fez o cotovelo. esse resto de pele enrugado de cor não muito definida e que samba quando você corre atrasado para algum compromisso. é, tente lembrar se você escutou alguma vez na sua vida o seguinte comentário: “o cotovelo dela é uma delícia! não consigo pensar em outra coisa!” ninguém fantasia sobre o cotovelo dos outros. fico esperando o dia que algum estilista desses de nome impronunciável e que por algum motivo dita a moda no mundo, vai instituir a cotoveleira como acessório de moda. eu acho que é só falta de costume. só isso. seu eu tivesse uma grana, uma boa grana, lançaria uma revista só de cotovelos. uma playboy de cotovelos. em todos os ângulos. sem photoshop. com direito a poster no meio e o caráio. a foto do braço da gisele estendido, por exemplo. com o cotovelo bem na dobra. pra ficar ainda mais enrugado. “cotovelo world”. das duas uma: ou eu ficaria zilhardário ou as pessoas mais próximas se afastariam de mim. sei lá. se eu ganhar uma bolada na mega-sena eu tento.

segunda-feira, setembro 27, 2004

o cinto.

eu tenho uns 3 cintos. dois marrons e um preto. só uso o preto. é quando tenho que colocar terno. o que acontece no máximo umas duas vezes por ano. meu trauma com cinto começou tem uns dois anos. um belo dia eu acordei, coloquei um jeans, escolhi a camisa, coloquei o sapato marrom surrado e fui atrás do cinto. "esse não, esse não, esse!" assim com exclamação, porque aquele cinto não era qualquer cinto. era companheiro de guerra. cinto polivalente. com ele frequentei os jantares mais arrumadinhos e o dia-a-dia da firma. sempre rilécs. puta cinto. couro de touro. não de vaca que passa o dia pastando. então. coloquei a camisa para dentro da calça e em seguida passei o cinto por ela. foi aí que deu bosta. faltavam buracos. o cinto já não se portava com a mesma elegância e dignidade. tava apertado. filho da puta. desde então passei a fazer um estilo despojado. mão direita no bolso e camisa para fora. hoje de manhã, enquanto abotoava a camisa, enxerguei o cinto no canto do armário. ficou me olhando com um ar de superioridade. bem babaca. se fudeu. hoje a noite vou enrolar ele e colocar no baú--junto com umas outras tranqueiras velhas. porque se tem uma coisa que eu não suporto é cinto filha da puta. principalmente cinto que falta buraco.

a hostess.

não tenho nada contra a profissão de "hostess". hostess para quem não sabe é aquela pessoa (na grande maioria dos casos se trata de uma mulher) que te recebe na entrada dos restaurantes da moda. é, porque só restaurante da moda tem hostess. aquele barzinho, boteco que você frequenta desde 1990 e tal não tem hostess. pode notar, a hostess está sempre com uma roupa alternativa. tem uma tatuagem pequena na base do pescoço-- ou/e uma outra no ombro que está a mostra. a hostess geralmente se comporta como se ela fosse uma das pessoas mais gostosas do mundo, ou melhor, uma das mais gostosas do universo. é mais ou menos assim que funciona: você chega num restaurante, ela olha você através da porta de vidro e fica alí parada te analisando. só depois de se fazer de difícil, ela abre a porta. com um jeitão de que está fazendo um favor pra você. em seguida, ela diz bem-vindo como quem diz "quem é você mané?" a hostess então se vira na direção das mesas e sem dizer nada, espera você acompanhar ela. ela olha por cima do ombro e aponta com o nariz a direção que você deve ir. taí outro negócio engraçado das hostess. quando elas andam, se movimentam como se estivessem em câmera lenta fazendo biquinho. elas largam você na mesa e saem andando para a porta para receber mais pessoas da mesma maneira. é fácil identificar as hostess. se elas não estiverem em pé ao lado da porta, basta procurar alguma menina magra com três dedos de barriga de fora e um batom roxo carregado. é, porque apesar das hostess trabalharem em restaurantes da moda, não existe hostess gordinha ou "saudável". é um pré-requisito: tem que ser magra. as vezes, só as vezes, se você prestar atenção-- pode notar-- a hostess também arrisca mini passinhos de dança e fica balançando a cabeça como se estivesse em "outra". como se ela fosse muito, mas muito mais "cool" que você. não tenho nada contra a profissão de hostess. muito pelo contrário, a maioria é até bastante simpática. o que me deixa com o saco na lua, puto-- é quando a hostess se acha mais gostosa que qualquer prato do restaurante. até porque, ela pode até ser, mas como ela não está no cardápio-- faz só de putaria mesmo. só de sacanagem.

sexta-feira, setembro 17, 2004

as datas de validade sem validade.

tem um episódio do seinfeld genial em que ele questiona a data de validade dos leites. é, aquele carimbo com a data que o leite supostamente vai ficar podre. no tal episódio, o seinfeld chega a conclusão de que a própria vaca devia falar para o produtor de leite. tipo sussurando no pé do ouvido do cara-- assim que ele terminava de tirar o leite. "17 de setembro de 2004 ... moooooooo!" o que nos leva ao ponto desse textinho. ontem eu comi um iogurte vencido. não foi nada planejado, mas eu comi um iogurte que já estava vencido tinha umas duas semanas. descobri isso meio que por acidente quando fui lamber a tampa. mas o iogurte estava perfeito. não estava azedo. não estava podre. estava delicioso. foi aí que eu fiquei cafuzo. porra, a minha vida inteira eu fiquei preocupado com as datas de validade dos produtos. cresci seguindo três leis básicas: não aceitar balas de estranhos, olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, e finalmente, respeitar as datas de validade dos produtos. e foi assim até ontem. até eu comer, deliciar um iogurte que de acordo com a data da tampinha deveria estar completamente estragado. mas que como você já sabe, não estava. porra, como é que eu vou continuar acredito nas coisas. nas leis. em tudo que eu sempre acreditei. a data de validade do iogurte fudeu com tudo isso. assim como o seinfeild, cheguei a conclusão que a data de validade desses negócios são no mínimo chutadas. nunca mais vou correr pra esvaziar a geladeira só para vencer a data de validade. nunca mais. hoje por exemplo vence a minha conta de celular. hoje é a data de validade dela. tô pensando seriamente em não pagar. esperar alguns dias. umas duas semanas talvez. e, se a operadora ligar para mim cheia de marra cobrando o pagamento, eu já sei o que vou falar. "debita essa conta no cartão de crédito tal e tal!" e ela, como esperado, vai dizer: "mas senhor, esse cartão de crédito está com a data de validade vencida!?" e eu vou simplesmente dizer-- antes de desligar o telefone na cara dela: "e daí? a do meu iogurte também tava, e ninguém se fudeu por causa disso!"

o sono.

o sono pra mim tem uma personalidade. uma cara. um jeitão. como se fosse uma pessoa. mas com esse nome, "sono". é assim que eu vejo e imagino o sono. uma pessoa. um ser que mora dentro do meu travesseiro. o meu sono particularmente é pesado, quase obeso. meu sono é gordão. demora pra levantar quando o alarme toca. é. meu sono só levanta na quarta música do rádio-alarme. e isso, quando ele levanta. pela manhã ele é um tanto pentelho. fica andando de um lado para o outro da cama sem se decidir que horas vai começar o dia. a primeira coisa que ele faz é chutar meus olhos. ele sai de dentro do travesseiro, vem correndo, pega velocidade e pimba, dá um bicão com força, com jeito-- no meio dos olhos. meu sono é foda. depois de chutar meus olhos, ele desce pela minha barriga até chegar na altura da bexiga. aí, começa a tortura. ele fica pulando como se estivesse num trampolim. em câmera lenta. pra aumentar a minha vontade de fazer xixi. a cada pulo a dor aumenta. uma dor aguda e chata. e aí não tem jeito. eu acabo levantando se não mijo na cama. desligo o alarme, corro pro banheiro e ligo chuveiro. é. essa é a única maneira de acabar com o sono. mandar ele pro caralho. uma ducha forte na cabeça. e enquanto o shampoo escorre pelo rosto e arde a minha vista-- o sono se despede-- escorrendo pelo ralo. e antes dele desaparecer pelos buraquinhos do ralo, posso escutar ele gritando: "até amanhã de manhããããã....!" escroto.

terça-feira, setembro 14, 2004

o flamboyant.

o que é flamboyant? ou melhor, o que quer dizer flamboyant? flamboyant é nada. mas pode ser tudo. simples assim. parece complicado, mas não é. flamboyant é um nome fantasia. uma marca. um nome que não existe e que pode ser usado pra qualquer coisa. voce pode lançar um novo modelo de carro e dar esse nome. e pode cobrar uma fortuna. afinal, flamboyant é um nome classudo. pode notar. fale flamboyant em voz alta. entre a letra “b” e a letra “n” você obrigatoriamente faz um biquinho bem francês, sofisticado. “flamboyant”. só mais uma vez pra decorar. agora, você me pergunta: porque caráio esse cara está falando isso? bem, estou falando isso porque sexta passada fui numa churrascaria dessas de rodízio. e notei algo engraçado. ninguém come a alcatra. ninguém. diferente do caráio do cupim que tem uma textura única e fica dando bandeira, a alcatra é prima de primeiro grau da fraldinha, do filé--tem a mesma cara, o mesmo jeitão de bifão no espeto. mas é só o cara oferecer “alcatra” pro pessoal torcer a cara. é, porque atrás do carinha da alcatra está o fêla da puta da fraldinha com o espeto leve de tanto largar lascas de carne nos pratos dos outros. por isso, sugiro uma troca de nome. sai alcatra, entra o “flamboyant”. todos os donos de churrascaria deveriam se reunir e trocar o nome de uma vez. enterrar a alcatra. de uma vez por todas. em pouco tempo, churrascarias colocariam placas, neon, outdoors na entrada: “temos flamboyant!” “chegou mais um carregamento de flamboyant!!!” “rodízio com farofa de ovo e flamboyant!” sucesso garantido. a alcatra sairia do ostracismo e os donos de churrascaria fariam uma fortuna. isso, é claro, até o garçom da fraldinha ficar bem puto, se mordendo de inveja--e sussurar no ouvido dos clientes: “lembra da velha alcatra? então...”

quarta-feira, setembro 08, 2004

sete.

cada ano que um cachorro vive corresponde a 7 anos humanos. uma cadela de 14 anos teria, 98 anos se fosse uma pessoa. e assim por diante. é complicado ser um cachorro se você pensar. cachorro está sempre encoleirado. e, se não está na coleira, é porque é vira-lata. e se é vira-lata, está passando fome. ou seja. a vida de cachorro não é só brincadeiras e "vem cá, meu fofo!" não. o dia-a-dia deles é foda. cachorro não escolhe o que come. as pessoas escolhem para ele. tem gente que serve ração. tem gente que serve resto de comida. e aí se se ele ficar com vontade de ir ao banheiro. seja pra fazer xixi ou o nº2-- ele tem que esperar alguém levar ele. e não tem hora certa. cachorro vai ao banheiro quando der na telha do dono. quando o dono lembra. e só. agora, o sexo. cachorro não pode sair por aí atrás de um parceiro ou uma parceira quando der vontade. tem que ser sortudo. muito sortudo. tem que torcer para encontrar alguma cadela no cio no elevador. e ainda, essa cadela deve ser da mesma raça, se não fudeu. a dona não vai querer a cadelinha dela cheia de vira-latinhas na barriga. outra coisa que é complicada com cachorros são os ensinamentos. é. toda aquela história de "senta!", "pula!", "finge de morto!". caráio. fico imaginando o cachorro escutando o dono dando essas ordens bestas para ele. e ele tem que fazer, se não é ele, o cachorro que se passa por besta. mas, de todas essas coisas, é a coisa da idade que eu acho mais cafuza. é uma corrida contra o relógio. não é a toa que cachorro vive afobado. com pressa. transando com a perna das pessoas-- e das mesas de jantar. é. ele sabe que enquanto o dono dele está coçando a saca, o tempo dele está voando. e é exatamente por isso que cachorro odeia tanto o gato. é. enquanto a porra do gato tem sete vidas, cada ano dele corresponde a 7 anos dos nossos. uma vida de cachorro.

obs.: se você tem um cachorro e uns 3 minutos-- (que pra ele são uns 21)
leve ele pra dar uma volta.

a lei das probabilidades.

- amor...que marca de batom é essa na gola da sua camisa?
- foi de uma menina que eu esbarrei no happy hour da firma.
- e esse chupão no pescoço?
- o chupão...o chupão...foi da irmã gêmea dela.
- e esses arranhões nas costas?
- os da direita, de uma, os da esquerda, de outra.
- mas amor?
- fala.
- [início de choro] você não poderia pelos menos ter pensando numa desculpa pra salvar nosso casamento?
- é eu sei...eu cheguei a elaborar uma desculpa...
- e...
- foi quando eu vi que eram gêmeas.
- e...
- porra amor, quando eu vi que eram gêmeas, eu tinha certeza que você ia entender!
- [se recuperando do choro] gêmeas? mas eram idênticas?
- é. pensa nas probabilidades disso acontecer!
- [fungando] hmmmm....e além de serem idênticas---elas eram bonitas?
- ma-ra-vi-lho-sas!
- hmmm....é... as probabilidades disso acontecer.... é quase impossível... acho que você tem razão....
- te amo.
- te amo.

coisas que eu só consumo em aviões e em nenhum outro lugar

- amendoim em mini-pacotinhos.
- frango recheado com mistura de espinafre e queijo.
- frutas descoloridas.
- lasanha de lasanha.
- pastel de forno de queijo emental.
- bala de leite que gruda nos dentes nos aviões da tam.
- barra de chocolate sem marca.
- café com leite que já vem adoçado.
- café morno pra frio.
- suco de maçã.
- pepsi.
- sanduíches com recheios suspeitos embalados num papel laminado fervendo.
- mixto mistério (queijo com algum outro recheio misterioso, tipo: "peito
de...de...de alguma coisa defumada.")
- mini geléia de goiaba.
- manteiga sem sal.
- cerveja de marca que eu não encontro no supermercado. (e só se tiver com uma pedra de gelo agarrada na boca da lata.)
- e mais umas coisas que eu não lembro por serem muito suspeitas.