quarta-feira, abril 22, 2009

diálogo breve. 3

- linda, você me ama?
- amo.
- posso te pedir uma coisa então?
- claro.
- qualquer?
- qualquer.
- pelo amor de deus. decide. ou a gente comemora o dia dos namorados. ou o dia do noivado. ou o dia do casamento. ou o dia em que eu pedi você em casamento. ou o dia em que marcamos a data. ou o dia em que casamos no cartório. ou o dia em que contamos para os seus pais.
- [silêncio]
- [silêncio]
- pronto. escolhi. o dia que eu te mandei para a casa do caralho.
- mas, que dia é esse?
- ué, hoje.

diálogo breve. 1

- mãe, de onde nós viemos?
- é, é... meu filho, ontem quando você entrou no quarto, acendeu a luz e viu o papai e a mamãe deitados bem juntinhos na cama com pouca roupa... você notou alguma coisa diferente?
- não.
- [silêncio]
- [silêncio]
- meu filho, nós viemos... bom, existe um pássaro, a cegonha...

terça-feira, abril 21, 2009

a crônica do destak da semana passada... e amanhã nói posta mais.

aqui em lisboa tem umas lojas cheio de stâile.
a rua do norte e a rua do século estão cheia delas.
bom, mas tem uma que fica na ruas das flores que é fucking fuckers.
a loja se chama bd mania. é fácil de achar, fica bem ao lado dos bombeiros. na esquina.
puta loja bacana.

essa é a coluna que saiu no jornal da semana passada.

e tinha toda uma história de como o mundo está na merda e que uma das coisas que mais precisamos está nesta loja. vale a pena a visita.



quinta-feira, abril 16, 2009

1,2,3 e

- mas a água está muito fria? não vou pular.

- mas olha o sol. observa  como ele bate na água. imagina como vai ficar essa foto. a gente com os braços para cima. o reflexo. as pernas no ar. essa foto vai ganhar a internet. as pessoas vão postar em blogs. no flickr. vão usar como proteção de tela do computador. a foto vai ficar linda.

- você tem razão. um, dois, três e...

quase deu certo.

a casa deles não era perfeita. mas era quase.
o quarto não era perfeito. mas era quase.
o banheiro não era perfeito. mas era quase.
a decoração não era pefeita. mas era quase.
a cozinha não era perfeita. mas era quase.

mas um dia eles se separaram. cada um para um lado.

porque ele não achava ela perfeita.
e ela achava ele-- quase.

quando ela subiu na balança.

- amor, olha para lá.
- mas qual é o problema?
- não quero que você veja quanto eu peso.
- mas você está linda.
- mas...
- amor... eu não me importo.
- mas é psicológico.
- psicológico?
- é, você não vai dizer nada. provavelmente dirá que ama e que eu sou linda de qualquer maneira...
- mas eu te amo.
- o problema é que você não vai conseguir controlar. uma vez que você descobrir o número exato, você não vai conseguir tirar ele da cabeça.
- [silêncio]
- [silêncio]

ela sobe num salto só.

e ele grita quase que involuntariamente-- no instante que o ponteiro da balança acelera na direção dos 80 kg:
- desce caralho!!!!!!

terça-feira, abril 14, 2009

o inventor que era inventor apenas na sua imaginação.

desde pequeno ele sonhava em ser inventor.

sua primeira invenção foi uma caneta que imitava a assinatura da mãe e do pai para assinar provas da escola com notas baixas. era uma bic azul.  mas era preciso muita prática até acertar a assinatura. e muitas vezes só colocando papel vegetal sobre a assinatura real para imitar com perfeição.
depois ele inventou uma maneira de ver a bunda de meninas na praia sem ser notado. o pai dele chamava de  "meus óculos escuros." e ele de "invenção para ver as bundas das amigas da minha irmã mais velha sem ser notado."

quando ele ficou mais velho ele inventou a piada que todo mundo ria. e como funcionava? bom, ele comprou um livro de piadas. escolheu a melhor. ensaiou, ensaiou. acertou o timing. testou com os amigos. os irmãos. os primos. e só contava a piada em mesas de bares regadas de cerveja. e só depois de duas rodadas de cachaça. e  só quando a maioria das pessoas na mesa torciam para o time que ganhou na rodada daquele dia.

quando casou, inventou  as duas desculpas mais usadas no mundo: "estava trânsito meu bem, desculpe pelo atraso." e "eu estava numa reunião e não podia atender o celular." e provavelmente  também uma das mais usadas no mundo-- para o chefe: "o computador deve estar com algum problema, eu juro que tinha este documento pronto."

Inventou a ultrapassagem em alta velocidade na estrada. que consistia em acelerar e colocar o farol alto ao mesmo tempo. assim os carros a sua frente saiam rapidamente. invenção que só funcionava com carros rápidos. inventou o extra cheese burger. uma invenção deliciosa em que consistia de colocar não uma, mas duas fatias de queijo entre a carne e o pão. inventou o café super hiper forte. simples. ele colocava o dobro de pó de café na hora de fazer o seu. 

inventou de tudo um pouco. e poderia ser milionário. ou melhor, bilionário se tivesse patenteado qualquer uma das suas invenções.  mas ele, era tão destraído que nunca preencheu a papelada. ou pelo menos era essa a impressão que ele tinha na sua cabeça. foi a falta de preencher a papelada destas patentes que fez com que ele nunca tivesse as glórias do maior inventor de todos os tempos. felicidade mesmo, ele tinha quando inventava mais alguma coisa. sempre genial. você provavelmente já usou uma invenção dele hoje. a invenção de dormir mais cinco minutos depois do alarme tocar, por exemplo-- é dele. 

o livro de reclamação português.

tem um negócio que eu acho interessante aqui em portugal. não acho perfeito. mas interessante. é o livro de reclamações. e o que é este livro? bom, você sentou num restaurante e a comida demorou uma hora? ah, não só demorou uma hora como serviram o fera da mesa ao lado antes, apesar do fato do fera ter chegado meia hora depois de você? livro de reclamação nele. você levanta a mão e pede para o gerente trazer até a sua mesa o livro de reclamações. um livro que você escreve exatamente o que aconteceu: "eu cheguei no restaurante e serviram um fêla da mesa ao lado antes de mim. e isso contando com o fato do fêla, além de ser um fêla, ter chegado depois de mim..." no dia seguinte, por lei, o restaurante é obrigado a levar o tal livro (que na verdade é um caderno A4) num local pré-determinado. lá a reclamação será julgada ou anotada. se o restaurante acumular muitas reclamações, sinal de que tem alguma bosta rolando lá. hora de fazer uma inspeção. ou, se a reclamação envolver rato fazendo sapateado sobre a salada, intervenção imediata. se você que está lendo isso mora no brasil deve estar pensando: "nem fudendo erick. duvido que você segure a onda e pede um caderninho para escrever uma bronca ao invés de gritar.... duvido." é curioso. e assim sem ter testemunhado uma cena destas, você nunca iria compreender. mas eu que já vi pedirem, já senti o drama. a música pára. as pessoas prendem a respiração. o gerente olha com carinha de dor e de cachorrinho abandonado na tentativa inutil de frear a caneta do cliente puto. não funciona em qualquer lugar. mas é no mínimo curioso. o poder de um livrinho com este nome. ou seja, se você estiver por essas bandas e estragarem o jantar a luz de velas em que você pediria a mão da sua ex-futura mulher em casamento-- o livro de reclamação é de fácil acesso. é só pedir. mas só se precisar mesmo. ou se não rola a inspeção. belê?

quinta-feira, abril 09, 2009

escute sempre a sua mãe.


a mãe, como sempre, insistiu que ele levasse o casaco.
mas ele puxou o pai, era teimoso.

sabado, sol, sandra e maria


ele nunca perguntou o nome das duas. (sandra e maria)
nunca perguntou de onde elas eram. (do rio)
nunca perguntou se tinham namorados (sandra não. maria sim.)
nunca perguntou se elas ficaram interessadas nele. (sandra não. maria sim.)

passaram um fim de semana na casa da tia de uma delas. ele fora convidado por um amigo de um amigo que teve que voltar antes para são paulo para uma reunião.

dormiram os três na mesma cama. ele, sandra e maria. nesta ordem.
e ao fim de três dias cada um foi para o seu lado.

aí ele perguntou se podia tirar uma foto.

mas nunca perguntou se a foto-- contra a luz do sol-- atrapalharia a revelação. (atrapalhou).

eu também tenho.

ele se recusava a comprar um ipod.
"eu também consigo carregar 10.000 músicas para todos os lados! quer ver?" e sempre que alguém aceitava o desafio, lá vinha ele carregando sua coleção inteira de lps.

e lá de trás da pilha era possível escutar ele resmungando: "ipod de cu é rola."

quarta-feira, abril 08, 2009

a crônica do destak da semana.


as colunas do destak são sempre experiências minhas. dicas, restaurantes e tal. afinal a coluna sai num caderno de viagens do jornal. ou melhor, na página de viagens.

essa semana pedi para o renato e a luciana que trabalham aqui-- se eles tinham algumas dicas interessantes.

bom, a coluna dessa semana sai com o título "três brasileiros em lisboa" por isso. eu escrevi. mas as dicas, são dos dois.

sexta-feira, abril 03, 2009

o problema mesmo não era virar lobisomem, mas a pourra da monoselha

não estudaram...


as quatro não estudaram para a prova.
mas as quatro passaram-- e com as melhores notas-- na aula do professor geraldo.

camiseta muito boa.

cesta de 3



faltavam 2 segundos e alguns centésimos para acabar a partida. o time dele perdia por um só ponto. ele podia entrar no garrafão e marcar dois. dois pontos. mas não, naquele dia ela estava na arquibancada assistindo o jogo. depois de tanto tempo, ela veio. ele olhou de canto de olho para ela e tentou uma cesta de três.

errou.
mas ganhou a menina.

terça-feira, março 31, 2009

os da frente

amiga puxa conversa com um amigo da faculdade:

- mas porque é que você nunca sai sorrindo em nenhuma foto?
- já te contei o apelido que eu tinha quando era pequeno?

mas ela era ciumenta assim?


todos os números de telefones estavam lá no caderninho. todas as conquistas até aquela namorada. todo o "antes" estava ali. namoros curtos, médios, histórias contadas e as não contadas.

ele listou todos com um código de cores. ao lado de cada um dos telefones, uma cor. nada de nomes. azul era uma mulher. verde era outra. verde claro era um outra parecida com a verde. amarelo era uma ex-namorada. roxo, uma amiga de uma amiga que ele comeu uma vez num motel perto do trabalho. marrom, cinza, dourado, mulher, mulher. cada cor, os dígitos de um telefone diferente.

com medo da atual mulher descobrir, ele criou um outro código para as cores. pegou uma folha de papel e ao lado de cada cor, colocou um algarismo romano. agora ele tinha o caderninho de telefones cada um com a sua cor. e uma folha de papel com algarismos romanos que se referiam a cada cor. o algarismo romano "I" correspondia a cor azul que era o nome de uma mulher. o II ao de outra. o III, alguém que ele sempre quis comer. o IV de uma gostosa. e assim por diante. bom, mas para descobrir o nome correspondente aos algarismos romanos, ele pegou uma outra folha. nessa ele colocou o nome de mulheres ao lado dos algarismos romanos. duas folhas com códigos. a folha das cores dava acesso aos algarismos romanos. a folha dos algarismos dava acesso ao nome das mulheres.
mas, como a mulher era mesmo ciumenta, ele misturou os nomes. mariana era na verdade ana. maria era mariana. antônia era joana. e assim por diante. os nomes davam dicas para o nome real ao lado do algarismo -- que ligava a cor-- que ligava ao caderninho--- que ligava ao telefone.

mas a mulher dele era tão ciumenta que ele colocou cada uma das folhas num cofre diferente em bancos de estados diferentes. a folha com as cores que revelavam o algarismo romano no cofre de uma agência bancária em manaus. e a folha com os algarismos que revelam os nomes misturados das mulheres no cofre de um banco de renome curitiba. o cadernino ficou na casa do irmão que morava em petrópolis no rio. no cofre que o irmão tinha atrás de um quadro falso na parede da cozinha em que o sol nunca batia.

depois de 4 anos o namoro com a atual mulher acabou. a primeira coisa que ele fez foi viajar até petrópolis atrás do caderninho com os telefones de todas as conquistas da sua vida. visitou os dois bancos. juntou as duas folhas com os códigos-- e mais uma folha de caderno rabiscada com linhas tentando ligar nomes de mulheres-- com nomes de outras mulheres como se tentasse juntar o nome falso com o verdadeiro e vice-versa.

depois de 6 dias tentando acertar a combinação para chegar ao telefone de uma mulher que ele sempre teve tesão e que disse que o esperaria para sempre, ele desistiu.

ligou para a namorada ciumenta, único telefone permitido na memória do celular dele. declarou o amor eterno. pediu desculpas por algo que não tinha feito e voltou.

o começo.


ele sabia como ia terminar aquele namoro. ela descobriria que ele só queria comer ela e tentar um esqueminha com ela e a melhor amiga dela-- ao mesmo tempo-- e terminaria o relacionamento. ele só precisava descobrir como ia começar.

intervalo.

- cacete! filho! o que passou na sua cabeça para ficar assim todo estourado!? você quase morreu!
- mas... mas... mas mãe, no comercial os caras que tomavam o refrigerante-- voavam.
- ah tá, no mesmo intervalo comercial tinha uma família com um seguro de saúde maravilhoso, com todos felizes cantando uma musiquinha no final.

brisa.

ele adorava sentir o cheiro do perfume que a brisa trazia quando uma mulher passava. aquele negócio em câmera lenta. os seis milésimos de segundo logo após a mulher passar.
certa vez, não resistiu, deu dois passos largos para trás e perguntou se era o novo da calvin klein. ela acho estranho mas confirmou com o balançar do lábio inferior nervoso e tímido-- que sim.
na hora do almoço gostava de caminhar. não para ver as mulheres. mas para esperar o perfume misturado com pele misturado com cabelo que pegava carona na brisa.

mas hoje, hoje não. hoje ele pediu uma pizza para ser entregue no trabalho.
hoje ele estava gripado.

sexta-feira, março 27, 2009

o fim da novelita 3.

tirou uma arma dessas feitas sob medida para a bolsa de uma mulher e atirou duas vezes. a primeira entre as pernas dele. a segunda no pé direito. ela se levantou e disse:
- o primeiro tiro foi para você nunca mais poder estar com uma mulher.
e ele perguntou entre goles de ar:
- e o segundo?
e ela disse:
- para você não conseguir chegar até nenhum atendimento médico-- e assim garantir que você nunca mais poderá estar com uma mulher.

e ele com lágrimas nos olhos disse:
- mas, mas, tudo isso por causa do tapa?
e ela:
- e também porque o final desta novelita estava muito óbvio. quem leu isso aqui ontem com certeza esperava que eu tirasse uma arma da minha bolsa.
e ele comentou entre um choro e outro:
- era óbvio.
e ela:
- mas ninguém esperava dois tiros. um entre as suas pernas e um outro no pé.
e ele falou, com um dos olhos fechados de dor:
- nem eu.

fim da novelita 2.

naquela noite, maria e antônio dormiram juntos.
maria, como você já suspeita, pois achava que antônio era josé.
e foi, ao iniciar as preliminares que maria levou um susto:
"porra josé?! o seu, o seu... o seu!!!! mas que estranho?! o seu.. o seu... está maior do que ontem!!??"
e antônio começou a rir, e gritou para josé que estava escondido no armário:
"não disse? não disse? não disse que o meu era maior!"
josé saiu do armário puto. não porque antônio estava com maria nua na sua cama.
mas porque antônio finalmente tinha munição para sacanear ele para o resto da vida.
maria levantou da cama e enquanto catava as roupas do chão gritou:
"gêmeos!? vocês são dois filhos da puta!! porra josé, você disse que me amava caráio!!!? e tudo isso para saber qual dos dois tinha a porra do pinto maior?! filho da puta!"

mas josé não escutava nada. sem reação, estava cabisbaixo no canto do quarto. não por perder maria é claro. mas por perder a aposta com o filho da puta do irmão.

final da novelita 1

"apartamento de 3 quartos com espaço gourmet no térreo. lavabo. uma suíte. opção de churrasqueira na varanda e quarto de empregada junto a área de limpeza. lugar comum para festas. academia de ginástica. segurança. sauna. e espaço zen com vista desafogada da cidade."

ela olhou para o folheto. a primeira página, a foto interna com um casal com os dentes mais brancos que ela já tinha visto. a foto de uma criança sorrindo ao fundo. tudo meio fake. o prédio tinha um nome daqueles: "space gourmet family life". ela olhou para o marido e ficou com uma vontade enorme de dizer:
"seu filho da puta. você não sabe que o meu sonho desde pequena é morar numa ilha deserta? não precisava ser uma ilha. poderia ser uma casa perto da praia. uma casa. um apartamento longe desta selva de concreto. seu bosta, quer me socar num apartamento desses que diz ter vista desafogada da cidade quando na verdade nem a porra do gps acha de tão cheia que está a cidade? babaca. e a minha ilha deserta? miha irmã tinha razão, casar com você aos 17 foi um erro. muito cedo. muito cedo. seu brocha. seu bosta."

mas disse:
"obrigado amor. obrigado. é o apartamento dos meus sonhos."

e viveram quase felizes para sempre.
ele para sempre. ela quase.

quinta-feira, março 26, 2009

uma novela que começa hoje e termina amanhã 3....


ele só falava de trabalho. e ela estava cansada aquilo. mandou ele tomar no cu após o terceiro martini. ele revidou um tapa de mão aberta. para fazer barulho. o som doeu mais do que o próprio tapa. ela mandou ele tomar no cu novamente. e quando ele ameaçou acertar mais um em cheio, ela colocou a mão na bolsa e tirou...

(não perca, amanhã o final emocionante desta novelita)

uma novela que começa hoje e termina amanhã 2....



irmãos gêmeos. idênticos. antônio e josé. um era destro o outro canhoto. um preferia loiras. o outro morenas. não eram melhores amigos. eram amigos o que é diferente, mas igualmente forte. josé entrou numa faculdade de direito. antônio, comunicação. marcaram férias no litoral da bahia. um resort onde tudo estava incluído. na primeira noite, ao pé do bar do hotel, josé trocou olhares com maria que trabalhava no bar. na segunda noite, também. mas na terceira, foi antônio que ela pensava ser josé...


(não perca amanhã, o desfecho desta novelita)

uma novela que começa hoje e termina amanhã 1....

ela sempre sonhou em ter a sua própria ilha deserta. quando era mais nova sua mãe leu uma história de uma princesa que vivia numa ilha deserta e um dia um conquistador que navegava a caminho das índias-- se apaixonou pela princesa-- ficou pela ilha e viveram felizes para sempre.

a história era mais ou menos assim. eu sei que tinha a princesa, um conquistador e uma ilha que estava deserta, apenas com o casal. portanto, ela sempre sonhou com a ilha. casou cedo. aos 17 anos. mas tudo mudou no dia que o marido dela chegou em casa com um folheto que dizia...

(não perca o final desta novelita amanhã.)

a crônica do destak da semana.

a tsuru é a loja que você queria ter. mas alguém pensou antes.
puta esquema fucking fuckers. a loja é escondida. é pequenina.
mas é muito cheia de stâile. essa semana escrevi sobre ela na coluna do destak.
bom, é isso, se você estiver por essas bandas, tsuru na agenda.


terça-feira, março 24, 2009

a declaração, o bruce willis e a cybill shepherd.

ele olhou para ela depois de anos a ensaiar aquele momento. pegou na mão direita dela, e começou a se declarar. 

a declaração foi longa. mas foi bonita. ele finalmente disse tudo que sentia por ela. disse que a amava desde sempre. desde o primeiro dia. ela disse algo parecido. com menos ritmo e sem o mesmo impacto, afinal ela foi pega de surpresa. e ele havia ensaiado. após a declaração de amor, cada um seguiu para a sua casa. já era tarde. ao chegar em casa ele contou para o seu pai o que tinha acontecido. o pai colocou a mão na cabeça e gritou: "mas como tú é burro! nunca viu a série de tv 'a gata e o rato' com o bruce willis e a cybill shepherd? dos anos 80?" e o filho ao entender o que o pai queria dizer com aquela comparação, levou a mão em formato de punho fechado até a boca e fez aquele som de "ssssssshh!' (som de quem fez merda).

no seriado da tv, toda a emoção girava em torno da tensão sexual dos dois protagonistas. era a tensão que mantinha os telespectadores grudados na tv: "será que hoje o bruce willis come ela? será que no episódio de hoje ele pega ela?" no dia que os personagens finalmente engataram um namoro no seriado, acabou a tensão. as pessoas desligaram as tvs e o programa foi cancelado. 

em outras palavras, a declaração de amor dele acabou de vez com a tensão sexual dos dois. pois era o indecifrável, o incerto, a insegurança, a incerteza que fazia ela sempre estar perto dele. mas agora que ela já sabia,  e ele também. a relação platônica dos dois ia para o caralho. 

"porra meu filho, nunca viu a série de tv 'a gata e o rato' com o bruce willis e a cybill shepherd?"

e lá de longe enquanto ele tentava, mais uma vez-- sem sucesso falar com ela no celular, ele respondeu: "tarde demais. tarde demais..."

o prato e o sir'aiva.


aqui em lisboa tem uma série de restaurantes que você pode entrar e passar horas a escolher o prato e a comer. bom, mas dia destes descobri um prato, um lugar, uma carne dessas que você tem uma senhora dificuldade de descrever. e arruma toda e qualquer desculpa para voltar. o nome do lugar é sir'aiva. fica na rua são bento. na altura da rua que dá acesso a praça das flores. qual é o prato? entre e peça um hamburguer. e não é hamburguer mcdonald's. hamburguer sanduíche. não deixe o irmão mais famoso que chega à mesa abraçado por dois pães confundir você. o do sir'aiva é quase um steak tartar no prato, sem pão. levente grelhado ao redor, mas tenro e temperado por dentro. e com um molho de abraçar o dono do lugar. vai por mim, se alguém pedisse para eu indicar dez pratos fucking fuckers para se comer em lisboa. o hamburguer do si'raiva estaria saindo no tapa pelos primeiros lugares.

você merece.




mulher olha para o marido e inicia um diálogo:

- amor, esse passeio de balão é lindo.
- você merece.
- amor, essa vista daqui de cima, é linda.
- você merece.
- esse clima, essa brisa.
- você merece.
- esse é o melhor presente que eu já recebi de você, pedro...
- quem é pedro?!!!!!!!!
- desculpe, mário.
- [silêncio]
- amor, o que é que você está fazendo??!! amor?!!! você não pode me jogar daqui de cima do balão. assim eu vou morrer!!!! mas, o que é isso!!? socorro!!!!
- você merece.

johan.



na sua estrelada carreira de matador de aluguel---  johan matou 27 pessoas.  8 com um tiro no pescoço, uma de suas marcas registradas. 7, ele enforcou com as mãos. 3, ele afogou na banheira de suítes de hotéis. 5, ele jogou do mesmo penhasco. 2, ele matou com uma faca no fígado. johan era implacável. (se pronuncia "iorran!" assim mesmo com o ponto de exclamação.) 

mas a crise chegou até o mercado de matadores de aluguel. johan nunca mais recebeu uma encomenda para matar ninguém. e manter esta cara de matador não era barato. aparar o bigode daquela maneira. o blazer. o cabelo. o olho de vidro (o direito). johan estava quebrado. falido. um dia entrou num banco e pediu um empréstimo. o gerente olhou para ele, fez alguma piada bem baixinho com o colega na mesa ao lado e negou o empréstimo para johan.

na sua estrelada carreira de matador de aluguel--- johan matou 28 pessoas. 3, ele matou com uma faca no fígado. johan era implacável.


quinta-feira, março 19, 2009

o michael, o jackson 5 e a encruzilhada.

casal no carro, na casa do caráio.

mulher: - você escutou o que o carinha do rádio disse?
homem: - que a música que passou era do jackson 5.
mulher: - e você insistindo que era do michael jackson.
homem: - mas é a mesma coisa.
mulher: - não fala merda. o vocalista é o mesmo. mas são duas coisas diferentes.
homem: - ok, você tem razão.
mulher: - mas, mas porque é que você me deu a vitória neste argumento com tanta facilidade?
homem: -
mulher: - porque?!
homem: -
mulher: diz....
homem: ok, é porque estamos perdidos e prestes a chegar numa encruzilhada. com uma entrada para a direita e uma outra para a esquerda. e sei que você vai discordar da minha escolha. e se eu..
mulher: - ceder na disputa do michael jackson e do jackson 5, você acha que eu vou dar um desconto quando você insistir em pegar uma das entradas diferente da que eu acho que você deveria ir...
homem: - é.
mulher: - nem fudendo.

um das minhas maiores frustrações na vida

foi o cometa halley.

era o ano de 1986. não esqueço mais essa pourra. na escola todas as professoras focaram todas as aulas na porra do cometa. meu pai comprou um puta telescópio. livros, encartes de jornais, globo repórter. tudo naquele ano girava ao redor desse cometa. casais marcaram o casamento nesse dia. o mundo parou. era impossível ligar qualquer canal no brasil e ver outra coisa. aí chegou o dia. uma bosta. se o cometa fosse uma pessoa, seria linchado na rua sem qualquer reação da polícia. foi o equivalente a um espirro de um poodle no céu.
nunca mais me interessei por qualquer coisa no céu. no máximo uma notícia de um alien visto fazendo polichinelo.

para provar

para provar para ela mesma que ele estava com ela por amor-- e não pela mordomia de estar com alguém que pudesse cozinhar para ele todos os dias-- durante os primeiros 5 anos de casamento, ela só comprou congelados.

novo lá dos babaganoush

já coloquei um link ali ao lado. e o negócio tem apenas 3 quadrinhos.
mas não custa nada anunciar o próprio blog novo no próprio blog. vai que você curte.

a idéia da foto abaixo é ver se eu convenço você com um teaser do quadrinho novo.
puta apelação, mas vai que você decide entrar. é só clicar sobre o de
senho.


quarta-feira, março 18, 2009

estatísticas.

ele sabia todas as estatísticas de todos os aviões. os acidentes por aeronave, cia. área, rota, data, estação do ano. tudo. só voava quando a combinação de todas esses dados garantiam um maior índice de segurança.

e sempre que, ao entrar no avião, surgisse alguma mudança, ele se levantava e abandonava a aeronave instantes antes da decolagem. exemplo: a cia. área havia dito que o avião era um boeing fabricado em 1989, mas se ele, ao sentar, descobrisse que aquele avião, com aquele tipo de tv só poderia ter sido fabricado depois de 1990-- ele fazia um escândalo e ia embora. tudo pelas estatísticas.

mas um dia, ao sentar na aeronave, ele se deparou com uma outra estatística: a que avaliava as chances de uma gostosa, solteira e simpática sentar ao seu lado num vôo de longa duração em que o filme de bordo era uma comédia romântica e a comida servida, um prato decente.

o avião não era o que a passagem dizia ser. e ele já havia ameaçado se levantar para ir embora. mas a gostosa que acabara de dizer "oi" e se sentar com um sorriso no rosto e um outro nos peitos, fazia parte de uma outra conta, de uma equação ainda mais difícil. muito mais rara.

naquele dia, ele teve que optar por uma das duas equações. a da aeronave daquela cia. área ou a da gostosa com um dedo de decote, carente, simpática e com um leve perfume de baunilha.
ele pensou nos deuses das estatísticas e mandou a primeira, a equação da aeronave para a casa do caralho.

afinal ele havia acertado na euromilhões acumulada do século. e como um seguidor das estatísticas, sabia que a chance daquilo se repetir era infinitamente menor do que a de qualquer acidente com aquela aeronave.

o borg e o cara que não era.


textinho inspirado numa história contada pelo hacker universal alexandre d'albergaria.


casal conversa.

mulher: amor, que negócio cafona. essa fitinha na testa. esses óculos. não fódi.

homem: porra, mas quando o borg usava era do caráio né?

mulher: bom, para ficar do caráio no borg --ele teve que ganhar uns 12 títulos de grand slam, uns 40 milhões de dólares, comer meio mundo e espancar o mcenroe na quadra central de wimblendon algumas vezes.

homem: é, faz algum sentido.

na loja de bichinhos.


"mãe, eu quero!!!!!!" X 1862.
"ok, vamos levar. escolhe."

a coluna do destak da semana.


a coluna que saiu aqui no destak essa semana é sobre atendimento fucking fuckers do restaurante las brasitas. mas também tem a comida da bagáça que é punk. foco na picanha fatiada. e nos croquetes de carne da entrada que são de chorar lágrimas obesas.

sexta-feira, março 13, 2009

diálogos que não combinam com a foto mas que mesmo assim vamos tentar porque vai que...

mãe e filha aguardam na fila do drive-thru.

- mãe?
- diz filhinha.
- você acha que eles vão lembrar que o meu big-mac é sem queijo?
- só nos resta torcer. vamos torcer filhinha. vamos torcer.

superstição e o de niro.

ele esperou um ano inteiro para conseguir levar ela para sua casa. alugou um dvd. comédia romântica. dessas imbatíveis. comédia romântica tem dessas coisas. ou faz a mulher rir ou chorar de emoção. o que, para o homem com segundas intenções-- é pefeito.
mas o dvd da blockbuster estava com defeito. ele tentou, tentou, sem sucesso.

ligaram na tv. taxi driver estava passando. ela não riu. não chorou. e ele, bom, ele não pegou.

desde aquela noite-- ele nunca mais assistiu um filme com o robert de niro. dizia que não gostava do ator. mas os amigos que o conheciam melhor sabiam a verdade: era superstição.

a sinceridade era o seu maior defeito.


- mas você me ama? não ama? -- perguntou ela, enquanto catava as roupas do chão.
- posso ser sincero.
- claro.
- não amo.
- mas...
- mas eu também não amo mais ninguém.
- mas eu te amo porra.
- então. para mim é o suficiente.
- porque você tem que ser assim, tão sincero?
- você prefere que eu seja um filho da puta e minta para você?
- filho da puta.

terça-feira, março 10, 2009

o beijo.


- é da polícia?
- sim senhora. em que posso ajudar?
- roubaram um beijo meu.
- a senhora poderia descrever como aconteceu?
- bom, eu estava me despedindo a distância de uma amiga querida-- quando resovi lançar um beijo no ar para ela... sabe, daqueles em que você beija a mão e lança no ar?
- e?
-um sujeito passou na frente e o pegou.
- como?
- com a mão. e depois o colocou no bolso da calça.
- minha senhora, prometo que todos os recursos desta delegacia serão usados para encontrar este beijo.
- promete?!

- claro, o final feliz desta história (qualquer história), depende dele.



o curriculum do robô.


fábrica de carros e caminhões leves. é uma quinta-feira, quase cinco da tarde. a buzina toca no alto falante seguida da voz da secretaria: "matias, por favor se dirigir até a diretoria de recursos-humanos!"


dois minutos depois. matias entra pela sala com uma cara murcha. um dos olhos pisca mais forte do que o outro e ele está com a camisa suada nas axilas.
o diretor inicia a conversa:

- eu chamei você aqui porque tenho uma notícia ruim para te dar.
- matias?
-
- você não vai dizer nada?
- você vai me mandar embora, não vai?
- como é que você sabia?
- eu passei pelo robô na sala de espera-- com o curriculum na mão.

da vida.

- seu eu te disser que você é a mulher da minha vida, você acredita?
- não. acabamos de nos conhecer.
- mas e se eu disser que o médico-- me deu apenas mais uma semana de vida. e que a consulta foi há exatamente sete dias atrás?
- assim, eu acredito.

pensamentos do dia.

- pagar anuidade do cartão de crédito causa uma sensação de que estão roubando você em plena luz do dia.

- é impossível não comer qualquer pão quente que está no couvert de entrada de um restaurante-- quando o mesmo-- serve o pão com um mini pratinho fundo regado com azeite.

- o meu fio dental do trabalho acabou e um fiapo de carne sequestrou a minha concentração o resto do dia.

- ben & jerry's coloca cocaína nos sorvetes.

- aqui em portugal a cervejaria sagres tem um negócio engraçado. eles fizeram a base da tulipa parecer que está congelada. não importa se a tulipa está gelada ou não, o esqueminha do vidro faz parecer que a bagáça está gelada. resultado, até os garçons as vezes se confundem e servem um chopp nota 7. em outras palavras. a tulipa que finge que está congelada confunde. e a gente tem que fingir que ela está gelada.

os babaganoush


esses dias fiquei rabiscando um mini bonequinhos, aí nasceu a família dos babaganoush.
os babaganoush.  bom, a idéia é colocar algumas situações da família todas as semanas na página deles. essa é a primeira. um papo entre o pai e o filho. está em inglês porque sei lá, a grande maioria dos quadrinhos que eu conheço ou bandas desenhadas como são conhecidas aqui em portugal--- são em inglês. então comecei a escrever as mesmas em inglês. o que não impede que os babaganoush façam um curso de português intensivo e passem a falar em carioquês. 

esse é o primeiro quadrinho. lá na página só existe um. esse.
quem sabe amanhã não aparece outro.





sexta-feira, março 06, 2009

eles. ou o carbonara que de tão delicioso fodeu o esqueminha dos dois.




história sem um final feliz porque a menina pediu uma massa com o molho carbonara.

ele escreveu uma mensagem de amor no guardanapo e pediu para o garçom entregar para a mulher que sentava no outro canto do restaurante. mensagem de amor, não. mas uma mensagem carinhosa. ele já tinha visto ela ali. quase todos os dias na hora do almoço. ela sempre sozinha. ele também. ela sempre virada para ele. e ele sempre virado para ela. ele tomou coragem. e escreveu: "não conheço você-- mas não existe nada que eu gostaria mais em toda a minha vida." algo por aí. não sei se essas foram as palavras. já a mensagem, tenho certeza-- foi algo assim.

bom, o garçom levou o guardanapo como foi instruído. o timing foi perfeito. mas terrível.

explico. ela acabara de enfiar um garfo carregado com bastante molho para dentro da boca. molho ameaçava escorrer pelos cantos da boca. foi nesse momento, pós garfada, que o garçom chegou com o guardanapo. e ela, bom, ansiosa para manter o rosto intacto para o rapaz que sentava do outro lado do restaurante todos os dias-- agarrou no guardanapo e o usou para limpar o molho de carne do rosto.

o garçom não teve tempo de dizer que ali embaixo do molho amassado no guardanapo existia um recado dele. e ele, que observava tudo aterrorizado do outro lado-- nunca mais teve coragem de dizer nada.

suspicious minds.




a música suspicious minds do elvis toca ao fundo.

mulher olha para o marido e pergunta:
- você está querendo dizer alguma coisa com essa música?
marido responde:
- como?
mulher:
- suspicious minds, é uma indireta? me chamando de ciumenta? que eu não confio em você? suspeito de você?
homem enquanto roda o dedo indicador dentro do copo de whisky:
- é apenas uma música. apenas uma música.
mulher:
- você acha que eu acho que você está me traindo. eu sei disso.
homem, sem tirar o olho do livro:
- eu não acho nada.
mulher:
- então porque a música?
homem, puto:
- porra, é elvis presley, não fode.
mulher:
- poderia ser "love me tender".
homem:
- poderia, mas não é.
mulher:
- mas porque não é? é de alguém?
homem:
- como de alguém?
mulher:
- você costuma tocar "love me tender" para alguma outra mulher?
homem:
- não, não.
mulher:
- então o que você quis dizer com "poderia, mas não é"?
homem:
- porra, que estava tocando "suspicious minds" como poderia estar tocando "love me tender".
mulher:
- então o que você está dizendo é que foi coincidência?
homem:
- foi. mas como você pode suspeitar, já não é mais.

a crônica do destak da semana


esses dias fui conhecer sierra nevada. se você entrar numas de ativar o flux capacitor do seu carro, chega lá em 6 horas se estiver saindo de lisboa. esqueminha sensacional. tem a cidade de granada lá embaixo que é espetacular. e lá em cima tem a neve com pistas que não acabam mais. recomendo. muito. o esqueminha dos tapas e das cervejas e dos tapas e das cervejas e dos tapas é de romper a costura de qualquer calça jeans antiga. essa aí em cima é a coluna que saiu essa semana no destak sobre a tal viagem. com o português devidamente aportuguesado pela joana, redatora nota 11 aqui da agência-- que sempre que eu preciso quebra essa galhão. e faz com que esse português em letras minúsculas e em carioquês seja transformado no correto português lisboeta.