quinta-feira, outubro 11, 2007

filmes e uma lei.

uma lei. sabe quando você vai começar a falar de um filme que você viu no cinema e alguém que ainda não viu o filme levanta a mão e diz: "conta não, comenta não, eu ainda não vi..."? todo mundo já esteve nos dois lados. no lado de quem já viu o filme. e no lado de quem não viu. eu já implorei para não contarem. mas acho , só acho que deveria ser estabelecido um prazo oficial. imposto por lei mesmo. governo e o escambau: "a partir de hoje, apenas os filmes lançados nos últimos 2 meses não poderão ser comentados." exemplo: "você viram aquela cena de transformers...." proibido. o filme foi lançado final de agosto. pelo menos aqui em lisboa. agora, se alguém levanta e fala: "putz e aquela cena de indiana jones e o templo da perdição..." e uma outra pessoa levanta a mão e implora: "não, não comenta não.... eu ainda não assisti, tenho que ver esse filme..." desculpa meu amigo, indiana jones e o templo da perdição é de 1989. pela lei do prazo dos filmes que podem ser comentados, indiana jones e o templo da perdição tá dentro. tá valendo. é claro, que, como toda lei, existem pequenos adendos. o final de o sexto sentido não pode ser comentando nem 20 anos depois. mas o resto está valendo. a lei do prazo dos filmes que podem ser comentados.

a cidade miniatura e o passeio de dois minutos.

esses dias fui visitar uma cidade miniatura aqui perto de lisboa. tudo é miniatura. tudo termina com inho ou inha. casinha. cavalinho. carrinho. e por aí vai. é bacana. é interessante. só tem uma problema: o passeio dura uns 2 minutos. sério. cada passo que você dá, dentro da mini-cidade, equivale a uns 60 numa cidade normal. ok, tem mais um problema: o caminho de carro até lá é por uma estrada de tamanho normal. ou seja, a ida e a volta demoram o mesmo que demoraria para chegar a uma cidade turística qualquer. mas o passeio dura 2 minutos. mais ou menos o tempo que você levou para ler este textinho.

coca light e coca zero.

agora com a invenção da tal coca zero fico imaginando os caras dos restaurantes confusos, no fim do mês. quando chega a hora de fazer o pedido para o restaurante:
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- hmmmm...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- qual tem menos calorias?
- não sei. é igual.
- mas...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- uma é light e não tem calorias. a outra é zero e não tem calorias.
- isso.
- hmmmm....
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- vamos conversar mais sobre isso amanhã?
- ok. amanhã a gente retoma a reunião.
- amanhã.

fx, fox crime, fox, fox family. e os três minutos em cada.

não sei qual é a idéia dos caras: "vamos fazer 5 canais passando seriados fucking fuckers simultaneamente para conquistar o mundo." talvez essa é a idéia dos caras. mas o que acontece é que eu, pelo menos, fico pulando de seriado em seriado e não assisto nenhum. assisto pedaços. não acompanho mais seriados. acompanho pedaços. o que é bem diferente não sei que caráio se passa pela cabeça dos caras da fox: "esses fêlas das puta não vão assistir nenhum outro canal . apenas os nossos. caguei baldes que eles não consigam acompanhar essas série todas. caguei. o importante é afastar eles dos outros." e é mais ou menos o que acontece. ou pelo menos lá em casa. "house, você assistiu o último capítulo erick, foi sensacional." e eu: "assisti três minutos de house. três de 24 horas. três de criminal minds. três de comerciais. três de um programa que já estava subindo as letrinhas. house, house, eu não assisti. mas os três minutos que eu consegui pegar, prometiam." quando eu era moleque era muito mais fácil. não fódi, a minha tv tinha apenas 4 canais.

terça-feira, outubro 09, 2007

ou você conhece o obi wan ou aluga um carro com sensor de estacionamento.

o sensor de estacionamento e o fim de semana com o obi wan kenobi.

sempre fui bem mais ou menos na hora de estacionar o carro. bem mais ou menos não, sempre fui bem ruim. ruim para caráio. já estraguei, destruí muita calota de carro. sempre que existe o serviço de valet parking, não penseo meia vez antes de dar as chaves do carro para um estacionador profissional. bom, mas esse fim de semana, pela primeira vez, dirigi um carro com sensor de estacionamento. e não estou falando de um apitozinho quando eu estou prestes a bater num poste. não, esse sensor é foda. é 360º. passou um gato pelo lado direito do carro, ele apita de leve. passou um cão são bernardo carregando um barril de whisky no pescoço, ele apita mais forte. de um minuto para o outro fiquei fodalhão para estacionar. e vale dizer que o carro é para 9 pessoas. ou seja, grande para cacete. ah, e isso nas ruas estreitas de lisboa. e das cidades pequenas do interior de portugal. caplicado meu amigo. se antes a minha mulher ficava tensa ou tinha que sair do carro para trabalhar de manobrista, esses dias ela ficou tranquila. é uma sensação de poder enorme. para ser sincero, cá entre nós, me senti no império contra ataca. aquela continuação de guerra nas estrelas em que o obi wan kenobi, o jedi master fucking fuckers aparece em espírito para guiar o jovem luke skywalker. neste caso, eu sou o luke e o sensor mega blaster do carro que eu aluguei é o obi wan kenobi. isso, é como se eu estivesse fazendo um test drive nos poderes dos jedi. acho que isso é o mais próximo que uma pessoa pode se sentir próximo dos poderes de um verdadeiro jedi. se você é fã da série guerra nas estrelas, recomendo um fim de semana estacionando um carro com o apoio espiritual de obi wan kenobi. se você é um cocô no volante como eu, também.

a naomi e as formiguinhas.

a naomi, minha sobrinha de 5 anos é muito esperta. mais esperta do que eu quando tinha 30 anos de idade.
bom, dois anos atrás, quando ela tinha 3 anos e eu 30, fomos visitar ela nos estados unidos. logo no primeiro sábado fomos fazer um pic-nic num parque. e, enquanto eu tentava dar uma dentada num sanduíche, uma formiguinha começou a subir pelo meu braço.
- naomi, eu vou deixar o sanduíche aqui do lado.... não se mexe não tá...
- mas porque, tio erick?
- porque eu vou matar essa formiguinha aqui ó. essa que está escalando o meu braço.
- porque tio erick?
- porque ela pode me morder. e depois, morder você...
- porque tio erick?
- como assim porque naomi?
- porque que ela vai te morder?
- porque... não sei, porque...
- não mata ela não tio erick.
- mas...
- tio erick, a gente tá fazendo pic nic na casa dela.
- na casa dela? na casa da formiguinha?
- isso, é a gente que está na casa da formiguinha. ela não tem culpa.
- é verdade naomi. não tinha pensado nisso.
- mas porque, tio erick?

pensamentos do dia.

- fui no zoológico esses dias. colocaram os dromedários e os camelos lado a lado. em espaços separados, mas lado a lado. não entendi o que eles falavam é claro. mas juro que testemunhei um cuspida de feno, de catarro, ou os dois. tenho certeza que um estava sacaneando o outro: "eu tenho duas corcovas, você não tem! nã, nã, nã, nã, nã não." certeza.

- os golfinhos são tão, mas tão inteligentes durante o show que tenho certeza que todas as noites separam eles, colocam cada um num pequeno áquario separado. se eles ficarem juntos é questão de tempo para bolar um plano e escapar. com certeza.

- o zoológico aqui de lisboa tem um pequeno teleférico que faz um circuito sobre as jaulas do zoológico, por cima delas. fiquei imaginando os animais lá debaixo, principalmente os leões, tigres, pumas e os primos deles: "filhos das puta, primeiro colocam a gente nessas jaulas. agora ficam tentando a gente com esse bando de pessoas suculentas circulando aqui em cima. é como ir a uma churrascaria rodízio e o garçom circular pela sua mesa, sem nunca parar. mas tudo bem, tudo bem, daqui a pouco os golfinhos pensam em alguma coisa. algum plano."

quinta-feira, outubro 04, 2007

quadrinho com controle remoto.


stuntman mike chega em casa. 3

dublê chega em casa com a cara sangrando, sem três dentes da frente e mancando.
mulher pergunta:
- e então amor, como é que foi o seu dia?
e ele:
- o de sempre. capotei um carro. saltei de um prédio em chamas e o paraquedas não abriu.
mulher:
- arroz?
e ele:
- e um pouquinho de salada.

stuntman mike chega em casa. 2

dublê chega em casa e encontra a mulher dele com outro.
- caceta! que pourra é essa?
e o outro cara fala:
- foi mal, achei que você ia entender...a sua mulher me disse que você era um dublê.

stuntman mike chega em casa. 1


dublê chega em casa e fala para mulher:
- amor, e aí, vamos ao shopping comprar sapatos?
e a mulher:
- mas você não é meu marido. é o dublê dele.
e o dublê:
- seu marido está quebrando uma para mim. foi ajudar a minha mulher escolher cortinas e papel de parede.

o churrasqueiro oficial da firma.

toda empresa. todo grupo de amigos. tem sempre um cara que é o churrasqueiro oficial. e, se não for oficial, pelo menos a responsabilidade sempre cai no colo dele. por imposição do outros que não possuem nenhuma habilidade com o carvão e a carne. ou porque o cara é simplesmente o único que consegue fazer carne para mais de 20 pessoas, da maneira como cada uma das vinte quer. tem a menina do financeiro que tem pavor de carne vermelha. tem o outro cara que só come a vaca quase viva. tem um pessoal que curte mais salgada. tem gente que curte menos. taí o grande desafio do cara. do eleito. do churrasqueiro oficial. alimentar um firma inteira sem foder a carne. e isso quando, a firma inteira contribuiu um tiquete, cinco euros para comprar a carne. a pressão é foda. dia desses num desses churrascos, em são paulo, observer que o churrasqueiro oficial não comia. tava meio nervoso. com as subácas suadas enquanto vigiava uma vinte tiras de picanha. perguntei: "e aí, beleza? tranquilo? não vai comer nada?" e ele: "tô tenso. acabei de levar um esporro da menina do financeiro. ele queria a carne bem passada." e eu: "mas, você não vai comer?" e ele: "cara, perdi a fome." para mim, a função de churrasqueiro oficial de qualquer grupo é um castigo. é foda. muita pressão. uma tarde debruçado sobre carvão quente e meia tonelada de carne com a responsa de fazer a carne como todos querem. acho, só acho que o cara que se oferece para esse esquema deveria sempre receber um bônus bacana no final do ano. mas negócio oficial mesmo. ou bônus ou uma semana extra de férias. o cara é um herói. com direito a estátua de argila no jardim da empresa. puta trabalhinho do caralho. toda empresa. todo grupo de amigos. tem sempre um cara que é o churrasqueiro oficial.

terça-feira, outubro 02, 2007

superbad.

quadrinho da semana.

tem o saleiro e o



pimenteiro. ou pelo menos é isso que todo e qualquer site que o google fuçou diz que se chama a bagaça. pimenteiro, é o coisinha, o objeto que é usado para aplicar generosas doses de pimenta sobre o seu prato sem sabor. ou com pouco sabor. ou um prato que está ok, mas que o garçom insiste em oferecer uma torcida de pimenta sobre ele. então, fui num restaurante dia desses, meio chique trips, cheio das nove horas. mini sopinha servida antes da mini saladinha e tal. o lugar era bacana. bom, e foi lá que eu encontrei, ou pelos menos vi, o pimenteiro mais fucking fuckers de todos os tempos. um pimenteiro que era do tamanho de uma criança de 7 anos que é considerada baixinha pelos amigos da escola. um pimenteiro que quando as pessoas chamavam, dois garçons levavam o negócio para a mesa. um pimenteiro que custou a vida de duas árvores daquelas com uns seis anéis se cortadas com um serra elétrica bem afiada. bom, mas esse esquema de pimenteiro não é lá assim uma grande novidade, você deve estar pensando. eu sei. mas, o que eu venho observando cada vez mais a ponto de chegar a conclusão de que o negócio é meio sério. ou, a ponto de desenvolver uma teoria. o que eu venho observando é que o tipo, o tamanho, o custo do pimenteiro está diretamente relacionado ao preço da conta que vai chegar na sua mesa. vale ressaltar que isto não é uma regra. mas, sempre que você encontrar um pimenteiro desses que custou mais caro do que um fiat uno, fodeu. pode começar a fazer aquelas equações na cabeça, porque a conta vai ser daquelas que faz brotar uma gota gorda de suor no canto da cabeça. e o fato de você encontrar um restaurante com um pimenteiro desses não significa que a comida é uma bosta. muitas vezes você não vai sequer sentir a necessidade de chamar o fera. o cara que da pimenta. o pimenteiro zambers foi um maneira que o dono da casa, do restaurante encontrou para justificar o preço do ravioli ao sugo por sei lá, uns 52 reais. da vitela com lascas de cogumelos selvagens. vai por mim. entrou num restaurante, viu um pimenteiro desses, fique esperto. atento. olho na coluna direita dos pratos antes de selecionar um. tem o saleiro e o

eu li em algum lugar que...




dia desses no meio de uma conversa notei a existência deste negócio, o "eu li em algum lugar que..." você faz, eu faço, todo mundo faz. alguns fazem com mais frequência, outros sequer notam que fazem. o "eu li em algum lugar que..." é um negócio curioso. está frase permite você falar qualquer coisa que as pessoas vão acreditar. se não acreditam 100%, acreditam mais de 51%. ok, se você falar um coisa que não faz qualquer sentido tipo " "eu li em algum lugar que... o the police tem esse nome porque o pai do sting era policial e sonhava que o filho, neste caso o sting, fosse policial também. e como ele não levava jeito para políça, lançou uma banda com o nome." se você falar algo assim, as pessoas podem até não acreditar, mas só o fato de você ter falado "eu li em algum lugar que...", já coloca algum tipo de credibilidade na história. e falo isso pois quando notei o fator "eu li em algum lugar que...", era eu mesmo que estava cagando algum tipo de regra. como volta e meia fico fuçando sites de notícias, jornais. sempre, sem querer lanço um "eu li em algum lugar que..." numa conversa. e tenho certeza absoluta que na grande maioria das vezes falo umas barbaridades. e as vezes, mesmo que você tenha lido mesmo, as pessoas podem até duvidar. o importante é ficar repetindo "eu li em algum lugar..." certa vez falei "eu li em algum lugar que... as cias. aéreas americanas estão se fudendo com combustível porque os americanos estão obesos. carregar esse pessoal mais pesado está custando os tubos. mais panças para transportar. mais peso. mais peso, mais combustível." bom, eu li isso em algum lugar. e me lembro o dia que falei isso em alguma mesa de bar e alguém disse: "não fódi erick, não é possível." e eu: "mas eu li em algum lugar." e o carinha, ao escutar essa expressão mágica pela segunda vez, disse: "ah, você leu, ok." experimente fazer isso. mesmo que você não tenha lido. fale alguma coisa meio sem sentido como : "eu li em algum lugar que... vão lançar o 008, o filme com o irmão malvado do 007." ou "eu li em algum lugar que...os peitos da pamela anderson não são silicone. ela carrega duas melancias maduras debaixo da camisa que são trocadas de dois em dois dias." sei lá, qualquer cagação de regra também vale. "eu li em algum lugar que... não faz bem comer pão com manteiga que estava na geladeira." "eu li em algum lugar que... se a espuma da cerveja sobe quando você entorna no copo, significa alta presença de bactérias." o "eu li em algum lugar que..." funciona sempre. é impressionante. tem um poder fantástico. você, por exemplo, que acaba de ler isto aqui neste blog, quando for usar a tal técnica-- pode sempre comentar "eu li em algum lugar que..."

quinta-feira, setembro 27, 2007

diálogos de super-heróis. 6


homem de ferro visita um fisioterapeuta.
- então doutor, dor, estou sentindo uma dor fudida no ombro.

- sei, no ombro.

- é, quando eu faço assim, para levantar carros e jogar contra bandidos.

- dói?

- isso. ontem, por exemplo, uns fêlas das puta lançaram uma ogiva nuclear na minha direção.
- e você?
- bom, levantei uma montanha para me defender, e quando eu fiz esse movimento assim ó com o braço, senti uma fisgada.

- wd-40.

- wd-40?

- isso. o óleo lubrificante. passa no ombro. duas vezes por dia.ferrugem. remove a ferrugem.

diálogos de super-heróis. 5

batman chega em casa e encontra alfred com as malas prontas.
- porra alfred, vai embora?
- na boa batman, olha para mim e vê se eu tenho cara de palhaço.
- mas, mas como assim alfred?
- batman, eu tenho oitenta e dois anos. não dá para ficar nesse esquema de abre garagem, fecha garagem. abre garagem. fecha garagem.
- chato?
- porra eu tenho que aproveitar os anos que restam. não dá mais para ficar abrindo garagem e circulando aqui de terno com esse sotaque inglês.
- mas...
- mas é o caráio, na boa. faz o seguinte, eu vou deixar o controle remoto no carro.
- no batmobile você quer dizer?
- ok, ok, no batmobile. no porta-luvas.
- no porta-luvas? não é melhor deixar preso naquele coisinha que eu abaixo para proteger do sol de vez em quando, sabe?

diálogos de super-heróis. 4

tocha humana está no cinema com a namorada. filme romântico. ele se aproxima dela. mão no ombro. mão na perna. ele sussura bo ouvido dela:

- só um beijinho.
- ok. mas deixa eu passar filtro solar 80 antes.

diálogos de super-heróis. 3

the flash em casa com a família. sabadão. todos reunidos na mesa do café da manhã. o the flash, a sra. the flash. o the flash junior. e a pequena the flash.

- amor, acabou o leite. você não quer ir no mercado comprar mais... obrigado você demorou, encontrou alguém no caminho?

diálogos de super-heróis. 2

mulher maravilha no consultório do analista.

- não sei doutor, sabe, esse negócio, esse nome é muita pressão.
- mulher maravilha?
- isso doutor.
- falei mais sobre isso.
- por exemplo, dia desses eu estava na praia e quando fui tirar a roupa para ficar só de biquini escutei dois amigos comentarem...
- (interrompe ela) ... que você não era nenhuma maravilha de biquini?
- tá vendo doutor, até você acha isso.
- não, não, não foi isso que eu quis dizer.
- você sabe qual é a pressão para ser sempre...
- (interrompe ela novamente) ... uma maravilha?
- tá vendo doutor....
- desculpe, eu não consegui segurar.
- olha, eu acho que eu não quero mais falar por hoje.. tô meio deprimida demais. não sei se estou com cabeça...
- (ele fala baixinho) ...que maravilha.
- ah doutor...
- (tentando segurar o riso) desculpe é que não dá para segurar... semana que vem a gente retoma?

diálogos de super-heróis. 1

superman chega em casa e encontra a lois lane sentada na mesa com a comida do jantar já fria. ela olha para ele puta e ele:

- desculpa o atraso amor. é que tinha que salvar o mundo.
- o mundo?
- isso, o mundo.
- mas quando você diz mundo, você está falando de forma figurativa ou é o mundo mesmo?
- não, mundo mesmo. planeta terra.
- ah tá. quer que eu esquente no microondas?

quarta-feira, setembro 26, 2007

a políça. 3

depois de uns 20 e tal anos separados, quase trinta sem tocar aqui em portugal, o the police se reuniu para fazer um tour universal. o show aqui de lisboa foi ontem. muito bom. fucking fuckers. ainda mais fucking fuckers, porque que do alto dos meus 1,66 m, consegui ver tudo no telão mais fudido lcd plasma nasa titânio de todos os tempos. ao final do concerto fiquei com a impressão de que o sting estava se divertindo. o stewart copeland, bem, o baterista estava querendo provar que não é só o sting que é fodalhão e tocou para cacete, suou bicas. e o andy summers, o guitarrista parecia que estava trabalhando. não sei se nesses vinte e tal anos o fera contraiu algumas dívidas, mas definitivamente tinha a expressão no rosto de quem estava dando um dobrado.

a políça. 2

acho bacana um celular com câmera. mas com câmera para, sei lá, mandar uma foto para a namorada que está na casa do caralho. mandar uma foto da sobrinha para o irmão. para o amigo. para tirar uma foto do beijo com a mulher no café que vocês se encontraram pela primeira vez. câmera de celular é para isso. o que eu não entendo. o que beira o bizarro, é por exemplo, esperar mais de 20 anos para o the police tocar novamente e passar o show inteiro assistindo através do celular. o que mais se via, era um bando de mané assistindo o show inteiro pipocando fotos até secar o cartão de memória. e isso, numa distância monstruosa do palco. com uma câmera de 0,08 pixels. estranho. acho que quando proibem a entrada de câmeras em estádios com shows zambers makers como o do police, não é porque o sting não quer aparecer com os olhos fechados na foto. não, é porque o fera que cismar em assistir o show através de um celular é muito mané.

the police. ou a políça.


tenho quase certeza que depois de todo show do the police, os três devem pensar: "caráio, passamos mais de vinte anos fazendo bosta." ou "nossa, olha a quantidade de música do caráio que a gente fez juntos, porque fomos brigar?" ou "puta que pariu, deixamos de ganhar seis zigalhões de dólares nesses últimos vinte anos." ou "porque!? porque?! a gente deveria ter voltado antes. agora eu estou com 50 e poucos anos, não posso comer todas essas fãs!" ou "será, só será, que se a gente tivesse trocado uns emails, não daria para acertar as diferenças antes?" ou "caceta, porque eu fui mandar o sting tomar no cu depois daquele show em 85?" ou "porque eu fui mandar o stewart copeland dar meia hora de bunda em 85?" ou "o que eu estava pensando quando disse que o andy summers não sabia tocar um caralho?!" ou "será que ainda dá tempo de pegar todas essas gatinhas que estão gritando o meu nome?! ah é, eu tô casado! aquela ali é a minha mulher na primeira fila!" ou "caráio. esquecemos de tocar message in a bottle!" ou "hoje eu fiz mais uns dois milhões. já posso comprar uma ilha pequena, mas uma ilha." ou "vinte anos sem tocar juntos e os caras lotaram o estádio. pena que não dá para repetir esta estratégia. em vinte anos eu terei uns setenta e oito anos. é, não dá para ficar mais 20 anos brigados." ou "foda, o telão só mostrava o sting, acho que vou mandar ele tomar no cu!" ou "não, não, se eu mandar ele tomar no cu, ele vai ficar putinho e a gente vai brigar de novo."

terça-feira, setembro 25, 2007

3 fui.

- fui ver um apartamento e no meio da visita, na frente da proprietária, a muié da imobiliária comenta: "se você não gostar desse, tenho outros."

- fui no subway e a mulher que me atendia perguntou se eu queria o meu sanduíche com o "menu com batata chips e bebida média." eu disse "sim, por favor!". na hora de pagar ela disse: "não vou lhe cobrar o menu. vou cobrar cada item separado." e eu: "mas e o tal menu?" e ela: "é mais barato assim." e eu: "mas..." ela explicou: "esse sanduíche que você pediu tem essa peculiaridade. é mais barato quando eu cobro separado." estranho, mas verdade.

- fui de taxi encontrar a minha mulher num restaurante. o taxista perguntou: "posso correr?" e eu: "mas eu não estou com pressa, a pessoa que eu vou encontra, também está a caminho." e ele: "mas eu estou."

você ligou para...

a conspiração do subway.

o subway, para quem não sabe, é aquela lanchonete de fast-food que vende opções saudáveis. e digo, para quem não sabe, porque em são paulo já teve, depois não teve, depois teve, e não sei se ainda tem ou não tem. bom, isso não importa. o que importa é que você entenda o que é o tal subway. uma lanchonete que conseguiu convencer o mundo que é saudável. e isso, vendendo sandubas megas com almondêgas e queijo extra e bacon gordo. num pão de 30 centímetros. é almondega para caráio. ok, é menos calórico do que o mcdonalds? é. do que o pizza hut? também. do que o kentuky galinha empanada? também. mas afirmar que a bagáça não engorda é foda. o cardápio é variado. turkey masters. salame cheese wonders. vegilicious. e por aí vai. o papel em que o sanduba vem enrolado diz "corpo sano". as cores predominantes são o verde escuro, o claro e o amarelo bem light. mais natureba impossível. mesmo que você peça o seu sem alface, sem um pingo de vegetais, sai de lá com a impressão, ou com a certeza absoluta de que comeu alface para cacete. o subway é um esquema muito esperto. você pode até engordar só comendo lá. mas, nunca vai colocar culpa nele. nunca. são muitas frases de efeito" "corpo sano", "eat fresh", "only six grams of fat", "live well." resolvi falar do subway depois de comer um sanduba de quase um metro com uma geladeira inteira deitada dentro dele. meia plantação de alface. extra cheese. e mais uma caráiada de extra coisas. a primeira coisa que pensei quando levantei foi: "na boa erick, é subway. olha as cores verdes. a mesmas cores do alface!" foi quando eu cheguei na agência e sentei na cadeira que senti o cinto tossir. ou melhor, escutei o cinto tossir. quase sufocado. aí tentei desconstruir o esquema deles aqui para você. tenho certeza que você vai continuar comendo lá. concordo, o esquema é irresistível. mas você precisava saber, estar ciente da conspiração worldwide intergaláctica do "eat fresh", "corpo sano". uma conspiração que, de acordo com a plaquinha ao lado do caixa, já invadiu, tomou conta de uns 89 países. mais de 100 cidades. milhões de pessoas com a pança crescendo e colocando a culpa em tudo. no dna da família, nos americanos, na água com fluor, nas escadas rolantes. tudo, menos no mega sanduba de frango empanado com extra queijo e maionese. a conspiração do subway. apenas uma teoria. mas fique esperto.

as duas tiazinhas.

existem duas tiazinhas que conversam todos os dias, pela manhã, na minha rua aqui em lisboa. detalhe: uma mora de um lado da rua e a outra, bom, a outra mora no prédio no lado oposto da rua. entre elas existe uma rua asfaltada com espaço suficiente para passar uma van e uma bicicleta com um gordo em cima. uma das tiazinhas mora no primeiro andar de um prédio. a outra no segundo. as duas ficam debruçadas sobre a varanda e falam. quase gritam. hoje, por exemplo, falavam do filho da dona sônia. que estava chegando no fim de semana para fazer uma visita. uma conversa que, bem de vez em quando, é interrompida por pessoas como eu e carros. mas elas não se importam. não existe um plano de pagamento de celular, mais barato do que o esqueminha que elas inventaram. é uma espécie de conversa com as latinhas ligadas por um barbante, mas sem o barbante. modernas. wireless.

quinta-feira, setembro 20, 2007

a teoria da saladinha que acompanha pratos principais.

a teoria da saladinha que acompanha pratos principais é simples: sempre que alguém pede uma saladinha para acompanhar qualquer prato, esta pessoa está apenas tentando amenizar o fato de que o prato principal vai ser calórico para caráio. ou, se não for o prato, será a sobremesa depois. um profiteroles, por exemplo, com seis bolas de sorvete. a teoria da saladinha que acompanha qualquer prato é como a tal história dos créditos de carbono que as empresas compram quando fodem o meio ambiente. não sei se você já viu esse esquemina. é mais ou menos assim: a sua empresa polui o meio ambiente com gás carbônico? numa boa, não fique com peso na consciência. acesse algum site desses que está nos links favoritos do site do greenpeace e compre créditos de carbono. ou seja, você paga uma taxa zambers para que uma empresa na casa do cacete plante uma árvore para equilibrar a cagada que a sua empresa está fazendo. o mesmo acontece com a saladinha para acompanhar. com uma diferença simples. você não precisa acessar nenhum site para fazer o esqueminha. basta apontar no cardápio: "eu vou comer esse prato de nhoque doze queijos coberto com creme de leite gordo com lascas de bacon obseso, mas também vou querer essa saladinha de entrada. de entrada não, para acompanhar." a teoria da saladinha diz que qualquer pessoa que pedir uma saladinha para acompanhar também vai comer um prato de banha, de gordura, disfarçado de comida. simples assim. para equilibrar. tentar desfazer o estrago. pode notar. qualquer cardápio oferece essa opção. e, quando oferece, é porque também oferece uma pá de pratos pesados.

oi?

bife? não, bifana.

imagine um sanduba de filé com o porco mais saboroso de todos os tempos. feito com a leitoa mais gostosa do chiqueiro. aquele leitoa que quando passa, um porco se vira para o outro e fala: "caramba, você viu o decote da leitoa? gostosa!" taí, essa é a bifana. o nome é até sugestivo. não é bife. bifinho. bifão. é bifana. é fucking fuckers. existe o tal do prego que é com carne. o clássico x-filé é um prego com queijo: "eu queria um prego com queijo, por favor." e pimba, você mata as saudades do x-filé brasileiro. mas faça isso apenas uma vez. uma só. não mais que isso. não faz sentido. o que faz todo o sentindo é partir para a bifana. depois da bifana, você provavelmente não vai mais lembrar do sanduba de filé. ah, e se for comer, recomendo procurar uma tabela atualizada do campeonato português. é, porque as melhores bifanas são servidas nas saídas dos estádios. você não quer assistir o jogo? beleza. vá direto para os portões grandes na saída dos estádios. lá você encontrará carrocinhas, carrinhos vendendo bifanas: "boa noite, uma bifana por favor."

como sacanear um porteiro que torce para o vasco da gama se não existe um porteiro que torce para o vasco da gama?

no brasil tinha um porteiro lá do prédio em que eu morava que era flamenguista. de vez em quando, quando o flamengo ganhava um jogo, um campeonato, passava pelo cara e comentava o jogo. de mais um gol antológico do obina. de mais um sacode no vasco. tinha também um porteiro engraçado e chato para caráio que torcia para o vasco da gama, o arqui-rival do meu flamengo. o darth vader. mas aqui em lisboa não tem porteiros. o que é curioso. aquela coisa de "minha mãe vai passar aí para deixar uns documentos." ou "minha mulher deixou a chave aí?" ou "posso deixar o carro na frente da garagem, qualquer coisa você manobra?". bom, essas coisas não existem aqui. beleza, é meio complicado deixar uma chave para a sua mulher na portaria, já que ela, a portaria que quebrava tantos galhos, não existe. mas o que é foda mesmo é não ter um torcedor do vasco da gama para sacanear quase todos os fins de semana. o que é irônico, porque se lisboa fosse uma cidade com portarias em cada prédio, quase todos os porteiros seriam vasco da gama por motivos óbvios. o que, para um flamenguista, seria bem divertido. uma pena.

terça-feira, setembro 18, 2007

filme ruim para caraças.

existem filmes muito bons. filmes "opa, foi bacana." que você logo esquece, mas não fica puto por ter gastado um din din suado. e filmes ruins. e o foda dos filmes ruins é que, com toda a informação disponível hoje em dia, está cada vez mais fácil identificar um filme ruim. está cada vez mais fácil sentir o cheirinho de filme bosta. existem as críticas dos jornais. comentários em sites especializados em cinema. comentários de amigos. voltando aos jornais, existe jornal para caráio, o que acaba permitindo uma caráiada de críticas diferentes. tem o site da apple com traillers. traillers no you tube. ou seja, meu amigo, se você pegar um filme ruim, você é muito azarado. ou como os portugueses diriam, é um azarado do caráças. (caráças é uma tradução ou forma de falar muito engraçada de "caralho". o caráças quer dizer a mesma coisa, mas é permitido falar em público, em anúncios...) o que nos leva aos filmes "evan almighty" e "i know pronounce you chuck and larry". o primeiro com o steve carell e o segundo com o adam sandler. duas comédias. dois filmes ruins para cacete. daqueles de você olhar para os lados no cinema e jurar que estão de putaria com você. confesso que o calor infernal do verão português influenciou na minha ida acima da média aos cinemas. nada como o ar condicionado do cinema para você achar que o sol deixou de existir. então, se por algum motivo, algum dia, alguém convidar você para assistir qualquer um dos dois filmes acima, fique esperto. se for a sua namorada, fique certo que o relacionamento, na opinâo dela, está indo para o caraças.

seriados dos anos 80.

lego e a criança com o choro supersônico.

dia desses, observei no shopping uma criança gritando para mãe que queria comprar um lego. uma caixa de lego transformers acho. não tenho certeza. algum lego com alguma tema desses que fode com a cabeça de um moleque. bom, e foi ali, observando esse moleque que gritava mais alto do que a mocinha presa entre os dedos do king kong, que cheguei a conclusão que o pessoal do lego é um bando de fêla. explico: lego forma qualquer coisa. qualquer. isso é um fato. todo mundo sabe. é só ter um pouco de paciência e criatividade para juntar as peças. bom, e porque caráio o pessoal da lego não vende uma só grande caixa? uma grande caixa cheio de peças? uma caixa com peça para caráio. bom, e aí, só para deixar de ser fêla, os caras da lego poderiam volta e meia colocar na web pequenos manuais. ex.: como montar com essa caixa gigante de peças de lego, um tranformer. simples assim. mas é claro que é um pouquinho mais difícil fazer din din assim. por isso mesmo, dia desses, observei uma criança gritando para a mãe que queria comprar um lego.

ceias no almoço.

nada contra grandes pratos de comida. quando estou com fome então. mas tem um negócio curioso aqui em portugal. todo e qualquer restaurante que você almoça e janta aqui serve porções dignas de ceias de natal e ano novo. toda vez que saio para almoçar e peço qualquer prato, vem semre aquela travessa gigante com 800 gramas de arroz, um bacalhau submerso em azeite e batatas geneticamente alteradas. é preciso alguma espécie de força de vontade para evitar comer tudo. raspar o prato. afinal, os caras cozinham bem. isso, não é nenhum segredo. o que eu não entendo é o motivo para tanta comida. uma vez, depois de me foder inúmeras vezes nesse esqueminha, pedi uma porção e dividi com mais duas pessoas. e sobrou. não é uma regra. mas vale sempre observar as mesas vizinhas, ver o tamanho das travessas. das porções. das panças. sinta o drama. porque periga você, ou voltar para casa com o último botão da calça aberto ou com a sensação que acaba de sair daquela ceia de natal que só deveria acontecer uma vez por ano na casa da sua vó que mora em copacabana.

quinta-feira, setembro 13, 2007

um dia você ainda vai

pedir a sua carne mal passada e ela vai chegar bem passada, carvão.

entrar num taxi e descobrir que o fera com as mãos na volante sempre sonhou em ser piloto de fórmula 1.

morder por engano uma azeitona num pastel ou empada que você perguntou para a tiazinha se tinha azeitona ou não. e ela respondeu com sorriso: "azeitona? não. pode comer tranquilo."

escutar alguém muito sincero que vai dizer: "você disse bom dia? não, bom dia, não. na verdade o meu dia está bem mais ou menos."

uma teoria sobre técnicos de futebol. ou porque caráio pagam tanto para esses caras.

fui assistir uma partida de futebol aqui. portugal e sérvia. aquele jogo em que o felipão deu uma muqueta num jogador do time adversário. mas não é sobre isso que eu vou falar. mas sobre uma teoria. sobre o comportamento dos técnicos. ou porque é que pagam tanto para esses caras. sentado ali, no meio da torcida, notei que uns três caras que estavam no time português não eram assim lá muito queridos. os torecedores gritavam o nome de outros jogadores. e nada do felipão mudar. os jogadores em campo não faziam bosta nenhuma, e nada do felipão trocar. bom, cheguei a conclusão que os técnicos não podem fazer o óbvio. nunca. se eles fizerem o óbvio, perdem o emprego. técnico tem que fazer alguma loucura. escalar alguma cara muito mais ou menos. um nota 3. um atacante no meio de campo. e vice versa. é a maneira que os técnicos descobriram de deixar o pessoal, os torcedores cafuzos: "que caráio o felipão está fazendo?" é, porque se eles escalarem os jogadores certos. usarem o bom senso, não faz muito sentido ter eles ali. as decisões têm que ser polêmicas. tem que parecer que eles são gênios loucos. apesar de na verdade, estarem alí no banco sentados torcendo para dar certo aquela idéia bem mais ou menos. pode notar, nunca tem um técnico que não faz algo polêmico. barra o romário. barra o kaká. substitui o goleiro que é herói pelo reserva do time que está em oitavo no campeonato estadual da segunda divisão. tem que ser lôco. porra louco. bem doidão. "o que se passa na cabeça deste técnico?" nada. ele sabe que está fazendo merda. mas tem que parecer que só ele consegue pensar assim. apenas uma teoria.

pequenos diálogos em lisboa. 7

um argentino que trabalha aqui na agência pediu um favor: ligar para a tv cabo no nome dele, já que ele não fala português.

- eu gostaria de cancelar a minha tv cabo?
- mas porque o senhor gostaria de fazer isso?
- porque sim...
9 minutos de explicação.
5 minutos de musiquinha.
- olha, o senhor vai ter que ligar para esse outro número.
- mas...
- pode anotar?
- mas....
- 210... sinal de chamada.
- alô?
- boa tarde, eu gostaria de cancelar a minha tv cabo?
- mas porque o senhor gostaria de fazer isso?
- porque sim...
16 minutos de explicação.
16 minutos de musiquinha.
- olha, o senhor vai ter que passar um fax para esse número que eu vou falar...
- fax?
- ou carta registrada.
- carta?
- ou pode ir em pessoa numa loja...
- mas eu estou no telefone desde...
- eu sei.
- mas a senhora não acha estranho?
- estranho?
- porque não avisaram desde a primeira ligação? meia hora atrás?
- avisaram o que?
- sobre o fax?
- isso mesmo, o senhor vai ter que passar um fax para esse número que eu vou falar...

terça-feira, setembro 11, 2007

a maquininha da nespresso e as traficantes de cafeína.

a maquininha da nespresso aqui em portugal não custa a fortuna que cobram em são paulo. lá, a mais barata sai por uns 400 euros. aqui, por 99. não sei se o pessoal da nespresso no brasil sabe que existe o google, mas é mais ou menos essa a diferença. mas zuzo bem. o foco aqui não é o preço. mas a dependência. das capsulas de café da cafeína. dos dois, da cápusla e da cafeína. já li em algum lugar que a cafeína é a última droga legal. vendida em esquinas. e sem restrições. você não encontra um aviso sobre um balcão de café que diz: "não servimos café ou capuccino para pessoas menores de 18 ou que aparentam estarem com overdose de cafeína." é claro que se você entrar numas de tomar oito cafés numa mesa de bar, também vão te olhar meio atravessado. no mínimo vão estranhar. mas voltemos a dependência das cápsulas e da cafeína. os caras da nespresso fizeram a tal maquininha com um design fucking fuckers. gastaram mais da metade do budget na porra do design. basta passar na frente da loja para testemunhar a quantidade de pessoas debruçadas sobre a vitrine observando as máquinas. capricharam também no design das cápsulas. e nas cores. uma, por exemplo, é cor dourado ouro puro do fort knox. uma outra, cor de prata lua de marte. um outra, vermelho 1000% tourada de madrid. o negócio chama atenção. bom, aí com essa overdose de design, os caras te fisgam para dentro da loja. loja com as paredes cobertas de cápsulas das cores que eu acabei de mencionar. as vendedoras todas de terninho zambers com um ar de que estão traficando alguma coisa rara que só elas têm acesso. o que, você descobre depois de duas semanas, com a máquina em casa, que é a mais pura verdade. é, basta acabar a sua primeira leva de capsulas para você se sentir inutil, fraco, dependente. para tomar o café na maquina zambers fuckers, tem que ser com as capsulas de ouro. não existem genéricas. e você só encontra na loja. só lá. mais uma vez, só lá. e isso, você só descobre, ou realmente se dá conta do problema, num dia como hoje. uma terça feira. com uma colher de remela em cada olho. um sono daqueles que você perambula pela casa com uma certeza absoluta que é sábado. você só descobre no momento em que liga a máquina, vê a luz parar de piscar avisando que você já pode colocar a cápsula de café. você só decobre no momento em que a parte do seu cérebro dependente de cafeína registra o que está acontencedo. quando abre a caixinha igualmente estilosas das cápsulas e não encontra nada lá dentro. as cápsulas acabaram, ou melhor, você bebeu café e elas acabaram. e você fica ali, com um ar desanimado. uma leve dor de cabeça devido a abstinência da cafeína. parte numa busca incansável pela casa atrás da cafeteira que você abandonou em favor da máquininha da nespresso, e nada. corre atrás do nescafé, e nada. toma uma ducha fria para controlar os sintomas e vai para loja da nespresso. e é lá, na porta da nespresso que você encontra uma caráiada de pessoas como você. dependentes. das capsulas e da cafeína. um esqueminha maquiavélico e simples. a pourra da maquina é fácil de operar, um botão e pronto. é impossível errar o café. e só vende ali. com as fornecedoras de terninho por de trás do balcão rindo de você. aquele sorriso de quem pensa: "se fudeu, quem mandou comprar a maquininha."

"teto-solar? é opcional." -- do site boingboing.net



você tem um pedido. 1

- o carro delorean do 'de volta para o futuro' já carregado com 1.21 jigowatts.

- o hexacampeonato sobre a argentina aos 47.8 do segundo tempo, gol do obina, de bicicleta.

- um chopp.

3 será.

- que o mesmo pessoal que fabrica os anti-vírus do computador, é o mesmo fêla da pulta que manda spam para o meu email?

- que se a tiazinha que faz a previsão do tempo na tv, carrega sempre um guarda-chuva na bolsa?

- que o médico que falou para eu dar uma aliviada nas comidas com alto colesterol, não come uma batatinha frita quando vai ao mcdonald's?

segunda-feira, setembro 10, 2007

pensamentos do dia.

- o vagalume tem pavor de marca-texto/iluminador.

- no programa csi, todos os crimes são desvendados em uma hora. exames de dna, no espaço de um intervalo comercial.

- o programa 24 horas dura 47 minutos.

- se o relógio do jack bauer estiver adiantado, o programa começa antes do previsto.

- bolinho de bacalhau aqui se chama pastel de bacalhau.

- aposto um bilhão de dólares que você não consegue dizer o nome de todos os canais da sua tv. pensando bem, aposto dois.

- encontrei o garçom de um restaurante daqui de perto do trabalho no metro. cedo, nove da manhã. a caminho do trabalho.estava lá o garçom sem a roupa típica. anônimo no meio do vagão. bem, o fêla estava limpando o salão do nariz. tirando meleca. escavando as paredes da narina. vai ser caplicado comer lá novamente.

quinta-feira, setembro 06, 2007

quadrinho da semana. do laerte

pequenos diálogo em lisboa. 6

fui com o meu passaporte carimbado com o visto, todo certinho, comprovante de residência, contrato de trabalho. tudo. para tirar um documento desses que a burocracia inventou.

- bom dia.
- bom dia.
- a senhora me desculpa, mas eu não sei ao certo se este é guichê correto.
- o que o senhor deseja?
- eu queria o documento abb7-8.
- é aqui mesmo. passaporte.
- aqui.
- número do contribuinte.
- aqui.
silêncio.
silêncio.
silêncio.
- bom, eu não poderei ajudar você.
- mas...
- você precisa estar acompanhado de um português.
- mas...
- precisa.
- e ele, precisa de alguma coisa especial?
- quem?
- o português que a senhora se referiu mas eu não sei ainda quem será.
- mas se você não sabe ainda, como é que eu vou saber.
- estou apenas tentando, ou melhor, a tentar evitar que isto que aconteceu aqui hoje se repita.
- ele precisa ter o documento abb7-8.
- ah tá.
- ...e ele precisa ter um endereço em portugal.
- mas ele é português.
- quem?
- não sei ainda. preciso pensar quem eu vou chamar.
silêncio.
silêncio.
- próximo!

existe um quadrinho do gary larson genial

nele, um cachorro na frente de uma casa, segura uma máquina que mede a quantidade de medo que uma pessoa sente. no quadrinho, a tal máquina ganhou o nome de fear-o-matic ou a geringonça do medo. algo por aí. e no quadrinho, a piada toda é um carteiro que está passando pela casa e praticamente caga nas calças de medo. e, por mais que ele difarce, o cachorro sabe que ele está com medo. e você, sabe, quando o cachorro sabe que você está com medo, fudeu. late, corre atrás, ameaça tirar um naco da sua canela. sou fã do gary larson. já contibui bastante para a poupança dele. e hoje me senti parte deste quadrinho clássico. o cachorro que consegue medir o medo das pessoas. bom, onde eu moro aqui em lisboa, é um daqueles bairros meio fechados, com praça, velhinhos, crianças nas ruas. é um anda para lá, anda para cá. todo mundo circula para todos os lados. não tem muito esse esquema de pegar o carro para fazer tudo. quem mora em campo de ourique gasta a sola do sapato. o que nos leva aos cachorros. são dois, as vezes três. não sei ainda se o terceiro era um primo que estava visitando. na grande maioria das vezes são dois. dois vira-latas. um médio e o outro pequeno. e eles ficam numa esquina ao lado da minha casa. um quarteirão antes. uns cinquenta metros da porta da minha casa. não tem como driblar os feras. bom, e eu sempre tentei controlar o medo. nos dois primeiros meses que eles tomaram a esquina para eles, procurei passar com o peito estufado e uma cara de fêla da pulta que come cachorrinhos no jantar. o tempo passou, e, hoje, os fêlas me pegaram desprevenidos. estava lá teclando um sms, quando virei a esquina e me deparei com os dois. meio no susto, olhei para um que babava raiva e, foi neste instante que o outro ligou o fear-o-matic e detectou o medo. o cagaço. os dois começaram a latir para cacete. pensei nas minhas opções. correr? não, os dois me alcançariam. chutar? não, eles têm um primo grande que de vez em quando visita. lembrei do gary larson na hora. do quadrinho dele. imaginei como ficariam os dois num espeto de churrasco. estufei o peito, franzi os olhos e em poucos segundos, com a força da mente, reverti o mostrador digital do fear-o-matic. os dois abaixaram a cabeça e eu segui em em frente. existe um quadrinho do gary larson genial.

terça-feira, setembro 04, 2007

cotidianos de um só linha. 4, 5 & 6.


• publicitário conversa com a mulher.

- amor, você precisa experimentar esta cerveja. gelada. saborosa. com uma espuma densa e ingredientes nobres. nunca bebi nada tão refrescante.


• mulher chef de restaurante premiado comenta com o marido.

- porra amor, cheetos sabor presunto não, né?! não fodi.


• viciado em apostas obseso, em casa durante o café da manhã.

- amor, quer apostar quanto, que eu consigo comer o meu sanduíche, e o seu, em menos de um minuto?

não entendo muito bem

a diferença entre 'fumantes' e 'não-fumantes' num restaurante hermeticamente fechado.

como é que o pessoal da ikea consegue convencer meio mundo que é possível montar os móveis deles sozinho.

como qualquer prato com bacalhau é mais famoso no brasil do que a açorda de gambas.

como é que nenhum português ao chegar em casa com cocô de cachorro agarrado na sola do tênis, ainda não chegou a conclusão de que seria sei lá, interessante pegar com um saco plástico descartável, o cocô do próprio cão.

quando os guias fodem o seu esqueminha, o jantar com a sua mãe que está visitando ou quando você quer marcar pontos com a sogra.

nada contra os guias. muito pelo contrário. eu tenho uns três, só de lisboa. graças ao guia eu aproveitei uma caráiada de lugares que eu nunca encontraria, nem dando 300 mangos na mão de um taxista bem humorado. mas existe um lado ruim dos guias. todo mundo descobre as mesmas coisas que você. ou seja, você se apaixonou por um prato que tem num restaurante tal do guia zambers que você comprou pela amazon? ah, que bom. que bom que você conseguiu lugar meu amigo. vai lá tentar comer o tal prato pela segunda, terceira vez. leve a sua mãe quando ela estiver visitando lisboa: "mãe, você precisa experimentar o arroz de tamboril desses caras... pensando bem, olha a pourra da fila, deixa para lá." e a mesma história vai se repetir com a sua sogra bem naquele dia que você quer marcar uns pontos com ela. não tem jeito. dia desses, estava lá eu, de pé, na frente do cantinho do bem estar, esperando uma mesa, ou como diriam os lisboetas, a esperar uma mesa, quando um casal francês se aproxima e pergunta com um sotaque carregado: "esse aqui é o cantinho do bem estar?" a minha primeira reação foi dizer que não, que eles estavam enganados e que o cantinho do bem estar ficava do outro lado da cidade. a minha segunda reação, que acabou sendo o que aconteceu, pois pensei duas vezes, foi dizer que sim, aquele ali era o cantinho do bem estar. o casal agradeceu e comentou que tinha lido sobre cantinho no lonely planet. na mesma noite uma brasileira comentou comigo na fila que recebeu um email falando deste lugar. "é maravilhoso não é?" e eu: "mais ou menos, é bem mais ou menos, melhor não recomendar para ninguém." brincadeira, se fosse possível mentir, eu mentiria. mas os pratos que ela comeria em instantes fariam um bom trabalho para afirmar ali no meio das mesas do restaurante que eu era um mentiroso. mas 'o cantinho do bem estar' é apenas um exemplo. já cheguei na porta de uns três lugares com turistas munidos de guias e máquinas fotográficas. e não estou falando do pastel de belém, do castelo de são jorge, não, esses são monumentos nacionais. tombados pela unesco ou algum orgão desses. estou falando é das tasquinhas, cafés, quase debaixo da terra. aqueles miniaturas. com quatro mesas. um garçom ranzinza. e o melhor bacalhau do mundo. aquele peixe que só o cara tem porque ele é sogro do pescador que pesca a pourra do peixe. os guias mais específicos. os guias modernosos. os guias a lá lonely planet estão revelando para todos, todos os segredos. é foda. se de um lado você também descobre uma porrada de lugares impressionantes. fucking fuckers. meio mundo também descobre. falando nisso, eu iria recomendar um restaurante sensacional que não vi em nenhum guia, foi um casal que recomendou. é o...

sexta-feira, agosto 31, 2007

anedotas de ginja. 3 -- a volta de zico.


imagine que na década de 80, o zico resolvesse tirar férias do flamengo. mas férias prolongadas. trinta dias sem o zico na reta final do campeonato brasileiro. imagine que o marlon brando faltasse as gravações de o poderoso chefão. o u2 sem o bono. bem, você entendeu. ia dar alguma merda de proporções inimagináveis. foi isso que aconteceu no bairro alto durante as três últimas semanas. seu jaime saiu de férias. o seu jaime, dono do bar que vende a melhor ginjinha das redondezas. lacrou as portas do seu bar. meteu uma folha de papel a4 lá deitada com uma só frase datilografada: "volto dia 29. motivo férias." e nessas três semanas, você passava pela porta e, assim, como não quer nada, espiava o papel para ter certeza que seu jaime só voltaria no dia 29. turistas passavam e apontavam para a porta cerrada. e os dias passaram. e, quando a câmara de lisboa estava prestes a fazer uma campanha na tv para que a população entendesse que o seu jaime estava gozando de férias merecidas--- seu jaime voltou.tirou aquela folha a4 que avisava sobre as férias e abriu as portas. mas sem muita ostentação. como se achasse que ninguém estava esperando o bar reabrir. na primeira que eu fui lá com o pessol da agência para tomar uma ginja, encontramos um papel que dizia "volto já." cinco minutos e nada. dez minutos. onze. doze. e nada. passei lá horas depois e comentei, "caráio seu jaime, nêgo veio celebrar a reabertura do bar e tinha uma papel ali escrito 'volto já!' e nada do senhor voltar." e ele: "ah, fui fazer a janta em casa." e eu:"caramba seu jaime, no dia que o bar reabre. no auge do verão. fazer a janta em casa? é como o zico sair no meio da final do campeonato brasileiro-- pra dar um pulo em casa para fazer a janta!" e ele: "zico?"

un pingado, pur favor.


depois de almoçar várias vezes com amigos argentinos do trabalho, descobri que todo e qualquer argentino toma café com uns 5 ml de leite. café pingado. sempre. não sei se é uma lei que rola lá, mas é o que rola. juro que ante de fazer aqui essa afirmação observei o esquema do pingado direito. não é uma generalização. os caras só tomam pingado e pronto. mas que caráio você vai fazer com esta informação? só consigo pensar em uma situação: se você estiver num bar, no brasil-- assistindo brasil e argentina e quiser descobrir se tem algum argentino infiltrado tentando se passar por brasileiro. é fácil descobrir quem é. peça gentilmente para a garçonete servir café para todos. o argentino, mesmo sob o risco de revelar ser conterrâneo do cannigia que fez aquele gol na copa de 90 que eliminou o brasil-- vai pedir o dele pingado. "un pingado, pur favor."

quinta-feira, agosto 30, 2007

o tal do sorvete da santini.


se você já veio a lisboa, provavelmente (com certeza) já escutou a seguinte frase da boca de alguém: "não deixe de comer os sorvetes da santini." ok e se não escutou esta frase, escutou algo como: "santini, sorvetes da santini, de morango, peça o de morango." bom, e se não escutou, acaba de ler aqui. sorvetes da santini é aquele negócio que todo e qualquer guia turístico tem. sem putaria, os guias falam mais do sorvete de morangos da santini do que do castelo, da torre de belem. o negócio é punk. foda mesmo. você chega lá com uma cara de quem pensa "ok, ok, deixa eu experimentar esta pourra." e sai de lá bobo. com as mãos sujas de sorvete e uma pequena dúvida: "peço outro? ou dou uma volta longa em cascais para ver se abre um espaço no meu sistema digestivo para comer mais sorvete de morango?" e apesar de tudo que já falaram do sorvete de morango da santini, não é exagero. ainda é pouco. você vai ver, ainda vão lançar um guia turístico de portugal em que todas as páginas são iguais: visite a santini. peça sorvete de morangos. não sei, não sei mesmo se existe alguma droga das brabas. dessas que viciam na receita. até porque, se tivesse, já teria dado alguma merda. mas alguma coisa tem. reza a lenda que só o pessoal da família sabe a receita. que eles já foram alvos de várias multinacionais. e nada. o tal sorvete da santini é aquele negócio que faz você pensar pela primeira vez na vida no sorvete das outras pessoas. acabou o seu? ôpa, olha ali na mesa ao lado aquela tiazinha dando mole com o dela. desde que cheguei, fui três vezes. numa delas, fui até lá, só para isso. é como sair do itaim bibi em são paulo e dirigir até o aeroporto de guaralhos para comer uma bola de sorvete. ou, se você mora na barra da tijuca, como sair de casa de carro e ir até o centro da cidade, comer uma bola e voltar. é foda. é meio escondido. numa galeria de lojas ainda mais escondida. mas você encontra fácil em cascais. é só procurar adultos lambendo os dedos. crianças chorando com catarro escorrendo de um uma narina pedindo "mais. eu juro que é só mais um!" e um brasileiro com uma pequena colher de plástico numa das mãos ameaçando atacar o sorvete de morango de uma tiazinha. o tal do sorvete da santini.quase que nessa ordem.

desde que...


desde que eu cheguei em portugal, já peguei duas chuvas daquelas de filme (e quando eu digo filme, estou falando de "twister", não de " dançando na chuva"). desde que eu peguei essas chuvas, comprei um guarda-chuva que contribui com uns 36% do peso da minha pequena mochila. desde que eu comprei o fêla, não choveu mais enquanto eu perambulava pelas ruas. desde que eu cheguei a esta conclusão comecei a pensar se não valeria a pena deixar a pourra do guarda-chuva em casa.

nove digitos e o john nash.


o brasil tem 180 milhões de pessoas. um pouco mais talvez. e tem uma caráiada de celulares. pré-pagos, pós-pagos. tem telefone para cacete. portugal também. celulares, telemóveis. agora, a população portuguesa é bem bem bem menor que a brasileira. uns 11 milhões, acho. um pouco mais talvez. bom, e onde quero chegar com isso? aos nove digitos. um, dois, três, quatro, cinco, seis, tá vendo como demora, sete, oito, caráio esse número não acaba, nove. qualquer número de telefone aqui tem nove digitos. ainda me lembro moleque no brasil, os telefones tinham sete. com o tempo ganharam oito. foi meio complicado adaptar as minhoquinhas do cérebro ao novo esquema. mas beleza, depois de um tempo passei a memorizar com uma certa facilidade os números mais importantes. não a mesma quantidade de quando eram apenas sete. mas um número considerável. sempre achei que acrescentaram o oitavo digito para comportar tanta gente. tantos telefones. o que nos leva de volta a primeira linha deste texto. o brasil tem 180 milhões de pessoas com um celular no bolso. são mais ou menos isso, 180 milhões de telefones tocando durante o filme que você esperou o ano inteiro para assistir no cinema. mas portugal não. portugal tem 11 milhões de pessoas. 11. e é aí que eu pergunto, porque caráio foram sugerir o nono digito? que tanta gente é essa que não dá para registrar com sete, oito, até mesmo seis. com nove, eu não consigo memorizar mais do que dois números. de cabeça sei o da minha mulher e as vezes o meu. não fódi. como é que isso foi acontecer? dia desses encontrei um primo aqui e quis passar o meu número para ele me ligar no dia seguinte. bom, eu não sabia o número de cor. pensei então: "mole, vou ligar para o celular que ele tem em mãos que o número vai ficar registrado." mas, como você adivinhou, ele também não conseguiu memorizar os nove digitos do dele. fiquei olhando para ele como quem diz: "o que te fudeu foi o esqueminha dos nove digitos, não foi?" e ele, sem saber como passar o telefone para mim, ficou me olhando com uma cara de quem diz: "o que te fudeu foi o esqueminha dos nove digitos, não foi?" fico imaginando você encontrar uma menina num bar e pedir o telefone dela. o drama que se passa pela sua cabeça. a menina não vai repetir duas vezes. até porque se o fizer, ou vai soar estranho ou vai parecer desesperada. então é aquele esquema, você pegou coragem. foi até lá falar com a menina mais gata do bar. respira fundo, pede o telefone dela. ela olha para você e diz os nove digitos. e você, para não parecer que não é mané, não leva uma caneta em mãos. pede como não quer nada para o garçom. o garçom demora. e você esquece a porra do número . não liga para a menina. que fica esperando a ligação. resumindo. os nove digitos é uma esqueminha bem mais ou menos. isso é claro se você não for o john nash. aquele do filme "mentes brilhantes."

terça-feira, agosto 28, 2007

cotidianos de uma só linha. 3


cuspidor de fogo do circo durante o jantar.

- amor, passa a pimenta malagueta, por favor.

cotidianos de uma só linha. 2


tiazinha do telemarketing atende o telefone em casa

- boa noite, a senhora é cliente de qual operadora de longa distância?

cotidianos de uma só linha



garçom chega em casa


- amor, você poderia pegar uma cerveja para mim?

a teoria do cc, o futum mortal.


cc para quem não sabe, é o futum emitido pela subáca. o cheiro forte que faz os olhos lacrimejarem. todo mundo, em algum momento da vida já teve. depois de uma prova do vestibular, durante uma partida de futebol. em algum momento. bom, mas eu acho, só acho que tem um fêla que es†á querendo sabotar os ônibus de lisboa. mais especificamente a linha 58. não sei se o fêla está querendo que abaixem a tarifa. não sei se o motorista não pára no ponto que ele quer. não sei se já pescaram a carteira dele. não sei, mas que o fêla está com intenções bem mais ou menos, isso está. e descobrir quem é, não é fácil. é complicadíssimo. descobrir quem é, implica se aproximar do odor, do cc. o que, naturalmente não acontece. quando eu sinto que este sabotador do ônibus está lá, corro para a direção oposta. é o plano perfeito, se você pensar. alguém fudeu com esse cara. alguém criou confusão com ele. e ele, bem, ele poderia grafitar as paredes do ônibus, mas levaria uma multa. ele poderia dar um sopapo no motorista e seria preso. ele poderia fazer uma caráiada de coisas. mas sempre seria penalizado. e o que ele fez? resolveu usar a arma mais mortal e invisível que existe. o cc. o futum para qual não existe nenhuma lei. nada que regularize ele. bom, é só uma teoria. e o fera só ataca de vez em quando. os mesmos dias em que eu aproveito para andar um pouco e se exercitar. fêla.

rodadas. ou porque quando você sai com mais que cinco amigos, irá com certeza voltar para casa manguaçado.


em portugal não tem muito esse esquema mesa de bar que tem em são paulo. ok, ok, tem. mas não é como são paulo com um bar com uma caráiada de mesas na calçada. ok, ok, tem. mas é diferente. o esquema é mais, pega chopp, anda. pega chopp, muda de bar. pega chopp, toma em pé na calçada. termina o chopp, muda de bar. e quando eu digo, muda de bar, é mudar de bar mesmo. como não rola muito o esquema de pegar o carro com o manobrista, pagar dez mangos para pegar o seu carro para seguir em frente para o outro bar, você literalmente pula de bar em bar. andando. o que nos leva ao título deste textinho. explico. no bairro alto, a vila madalena de lisboa, você geralmente (sempre) entra num bar que parece um corredor para gritar pela sua imperial. bom, e, como se trata de de muitas vezes um trabalho não muito glorioso, cada um vai uma vez. cada um paga uma rodada. de x em x minutos, cada um, vai se sacrificar pelo bem do grupo. uma espécie de saving private ryan. em que o ryan é a imperial gelada sobre o balcão de madeira de um bar. chegando a sua vez, você desce a escadaria de um bar e berra "cinco imperiais!" e a cena se repete. e repete de acordo com o número exato de pessoas que que está com você. você saiu da agência com 3 amigos? é, três imperiais no mínimo, seis se estiver muito quente, nove se estiver muito quente e for uma sexta feira. bom, a conta então é mole. o que nos leva novamente ao título do textinho. quando você sai da agência com cinco amigos, cinco imperiais, dez, quinze. ou seja, vai voltar manguaçado para casa. essa é a diferença de sentar em bares e andar de bar em bar. sentado, você depende da combinação do seu dedo indicador e da habilidade e disposição do garçom. andando, é você quem vai de encontro ao balcão. em portugal não tem muito esse esquema mesa de bar que tem em são paulo. ok, ok, tem. mas não é como são paulo.

quinta-feira, agosto 23, 2007

o homem que faz a voz do trailler dos cinemas em casa.


- marido, cansado, pede para a mulher uma cerveja gelada.
- mulher igualmente de saco cheio, manda ele à merda.
- toda emocão, drama e aventura de um marido atrás de uma lata de cerveja mas com preguiça de pegar. estrelando o marido. co-estrelando, a mulher.
- (mulher interrompe) co-estrelando é o caralho.
- agora, aqui em casa.

o esquema do presunto de parma fatiado.


presunto de parma aqui se chama presunto. presunto, fiambre. uma tosta mista contém queijo e fiambre. bom, mas voltemos ao presunto de parma que aqui se chama presunto. se você sentar numa mesa em portugal e um fera colocar na su frente um prato com presunto fatiado, segure a onda. respire fundo. dê uma mordida grande no pão que está ao lado. mas evite o presunto. e muitos casos, o presunto custa mais do que o prato que você vai comer. é claro que se você estiver com uma tara do caráio por presunto. se isto é a única coisa que você come. se você é conhecido no seu bairro por ser comedor de presunto, força, coma a pourra do presunto. mas, se não for o caso, recomendo socar o pão goela abaixo. o pão vai manter seus dentes ocupados e a sua barriga relativamente saciada enquanto não chega o seu prato. acho, só acho, não tenho certeza. suspeito que o pessoal do restaurante coloque o presunto na sua frente e depois 'startam' um timer antes de ir a mesa tirar o seu pedido. e mais, deixam o presunto fora da geladeira uns dois minutinho antes, para soltar o cheiro. deixam o presunto suar um tiquinho para que quando o prato é colocado debaixo do seu queixo, você jorre saliva com o primeiro contato do aroma do presunto gordo com o seu nariz. é difícil resistir? é. você vai resistir? provavelmente mesmo após ler este textinho vai morrer nos 8 mangos do presunto. mas tudo bem, uma hora você aprende. detalhe, o esquema do presunto fatiado é como o esquema do couvert que uma vez eu já escrevi aqui. fode com o seu jantar. é, porque, basta deitar uma fatia de presunto sobre as papilas gustativas da sua língua para comer todo o resto em goles grandes. goles de presunto. prato lambido. e uma sensação estranha de querer pedir para o garçom fatiar a porra do porco inteiro para você. e aí, bom, aí na terra do bacalhau, você enche a pança de presunto e deixa lascas grandes de bacalhau para trás. o que, cá entre nós, é uma senhora sacanagem com o querido e saboroso bacalhau que neste momento dá passos largos na fila dos peixes que estão desaparecendo. esse é o esquema do presunto. vai por mim. segura a onda. foco no prato e olhada feia no garçom que insistir em sambar um prato desses na sua frente.

terça-feira, agosto 21, 2007

pensamentos do dia.


- todo ônibus deveria ter um botão de eject no caso de passageiros com o desodorante vencido. não vencido "eu coloquei hoje pela manhã, e agora está vencendo." eu digo, vencido "caráio, meus olhos estão ardendo."

- é impossível comer caracóis se você olhar para o mini sorriso que eles têm estampados no mini-rosto. caracol só dá para comer de olhos fechados.

- queria descobrir o endereço do carinha que pilota o caminhão de lixo que passa pela minha casa todos os dias de madrugada. eu iria comprar uma bateria daquelas bem old-school com dois bumbos e sete pratos (meio def leppard). fazer um curso bem meia-boca. depois usarira todas as minhas economias para dar uma entrada no apartamento vizinho do fera. e depois eu iria passar a madrugada rasgando os tímpamos dele.

diálogos mãe & filho. 2


- mãe?
- oi meu filho?
- porque sempre que eu faço uma pergunta tipo "de onde viemos" "existe vida lá fora?", você sempre dá uma resposta elaborada? é paciente, mesmo que fale coisas que nem sempre fazem lá muito sentido...
- é o jeito da mamãe filho..
- e porque sempre que eu faço as mesmas perguntas para o papai, ele pede para eu procurar as respostas no google?
- é que o seu pai assinou o pacote do campeonato brasileiro de futebol.
- ah tá.

diálogos mãe & filho. 1


- mãe?
- oi meu filho?
- tudo bem?
- tudo. tem alguma coisa que você quer falar com a mamãe?
- não, não. é que....
- é que? pode falar, a mamãe está aqui para você.
- bom, o rapaz que escreve este blog estava sem assunto...
- sem assunto?
- é, ele não sabia o que escrever. e aí eu resolvi ajudar.
- ajudar?
- é, só este nosso papo aqui já rendeu um post.
- é verdade.
silêncio.
- mãe?
- porra filho, você quer perguntar alguma coisa ou ainda é para ajudar o erick a ter algum tipo de assunto?
- é, tava faltando um final pra este diálogo.

o vinho para quando não é hora de tinto ou branco ou do porto.


aqui em portugal definitivamente se bebe bastante. bastante cerveja. bastante vinho. na verdade, bebe-se mais cerveja. mas a industria do vinho não quer ficar para trás. não quer amargar uma distância grande para a cerveja. por isso inventa, anuncia, divulga, todo e qualquer tipo de vinho. vai comer uma carne? vinho tinto nela. um peixe leve? vinho branco nele? acabou a refeição? vinho do porto. mas aí, bom, agora, verão, quente para cacete, e o fêla não pediu um peixe, e não dá para oferecer um branco, um rose. verde. vinho verde no fera. isso, vinho verde no rapaz. na moça indecisa. cerveja é o caráio, experimente uma garrafa deste espetacular vinho verde geladinho. feito sob medida para ser tomando quando a tempertaura proibe qualquer tipo de vinho que não esteja gelado. e quando você quer ver tudo pela frente, menos uma taça de vinho branco. fico imaginando a associação das vinícolas reunida num passado não muito distante. uma porção de tiozinhos com as bocas cheias de uvas verdes falam: "tem uva verde para cacete lá perto da minha casa!" e um outro levanta a mão do fundo da sala e grita: "na minha também." e uma tiazinha completa: "caráio, minha casa está coberta de uvas verdes. está quente. muito quente. o pessoal da cerveja está vendendo muito e a gente..." e, quando todos davam tudo por perdido, um tiozinho gesticula de longe e fala duas palavras mágicas: "vinho verde. a gente faz vinho verde. anuncia pra caramba no verão. dia e noite. noite e dia. promoção. o vinho oficial do verão. manda colocar na geladeira até quase congelar e manda servir. vinho verde." fast forward para os dias de hoje. daí para as prateleiras, anúncios de ponto de ônibus. e, quando você achava que não existia vinho que você se atreveria colocar na boca com esses 42º do verão, surge o vinho verde com toda a força. e enquanto isso nas cervejarias: "esse vinho verde é foda... tá roubando o nosso market share no verão." e um tiozinho lá do fundo da sala levanta a mão e fala: "já sei..."

quinta-feira, agosto 16, 2007

"caráio, olha o tamanho do calçolão da tiazinha do prédio da frente!"

o varal aqui em lisboa é para fora. é exposto. não fica dentro de casa, na área. mas contornando as janelas da sua casa. quem passar na rua pode ver a marca da sua bermuda, o tipo de cueca. as meias. que camisa você usou. nada contra, cada país com as suas manias. se todo mundo mostra para todo mundo o que está usando, vam'bora fazer o mesmo. aqui na frente da agência, por exemplo, dá para saber que se trata de um casal mais conservador. roupas mais quadradas, um tiquinho anos 70. já fui uma vez num restaurante em que para chegar as mesas do lado de fora, tinha que, obrigatoriamente me esquivar das roupas intimas do varal de uma senhora. com este esqueminha dá para saber como é a personalidade do seu vizinho. o do prédio da frente da minha casa é do tipo que espera esvaziar todas as gavetas dos armários, para limpar quando não tem mais nada para vestir. ou tem roupa para caralho no varal do cara ou não tem nada durante uns dois meses. dá para saber se alguém está namorando. primeiro encontro: camisa bacana pendurada num sábado depois do jantar de sexta. segundo encontro: camisa bacana pendurada numa sexta depois dos drinks de quinta. terceiro encontro: camisa bacana do cara, vestido bacana da mulher que o cara finalmente convenceu a dormir lá. nas primeiras semanas você acha estranho: "caráio, colocar minhas cuecas assim para o pessoal que atravessa a rua ver?" "não fode, deve ter espaço na cozinha? deve ter máquina de secar?" não. te vira meu amigo. depois de dois meses: "olha lá, minha cueca!" o tiozinho do prédio da frente sabe que eu tenho um carinho especial por uma bermuda azul da osklen. e que a minha mulher adora uma camisa da adidas e uma outra da puma azul marinho. deve questionar se eu não devo ter outra calça jeans e se eu só uso as mesmas meias pretas. o esquema do varal aqui é assim. uma espécie de raio-x das pessoas. todo mundo acaba com a estranha sensação que conhece todo mundo. e se não conhece, pelo menos tem uma boa idéia de como as pessoas são. do que vestem. se são conservadoras. e se gastam a maior parte do salário em roupas. a muié que mora aqui no último andar no prédio da frente da agência, saiu de férias. não coloca uma roupa para secar ali fora desde julho.

3 todo & 2 toda.

- toda história que começa com "era um vez..." termina com um final feliz.

- todo filme que começa com "baseado em fatos reais", ou vai fazer você sair soluçando do cinema de emoção ou de tristeza.

- todo restaurante que tem mais do que um jogo de talheres ao redor do prato é um tiquinho mais caro do que você esperava.

- toda vez que você olhar para a sua fatura do banco, página por página, linha por linha, vai descobrir alguma tarifa do banco que está fodeindo a tua conta.

- todo anúncio de remédio tem pelo menos dois asteriscos.

terça-feira, agosto 14, 2007

frases que poderiam ter sido faladas pelo horatio caine, o chefe do c.s.i. miami, que inclina a cabeça na diagonal antes de falar qualquer frase.



- esse criminoso acha que é o fim. se depender deste laboratório criminal, será apenas o começo.


- uma bala na cabeça de um vítima, é uma arma na minha mão.



- siga as provas que você nunca estará perdido.



- as provas não mentem. quem mente é o criminoso.


- nossos destinos se cruzarão. seja aqui nas ruas de miami ou no banco de dados da miami dade police.


- ele está completamente enganado se acha que vai sair livre por aí.
o exame de dna felizmente não sente compaixão por criminosos.


- uma impressão digital é como a primeira impressão de um grande amor. fica para sempre.


- o teste de balística definitivamente a pior amiga que um ladrão pode ter.



- ele violentou essa menina. o destino será igualmente duro com ele.


- a vida dá voltas. uma bala perdida não.


- c.s.i. miami, todas as quartas, 21:30 no axn.


segunda-feira, agosto 13, 2007

as freiras, as roupas bem passadas no convento e "meu deus, o que faremos com as gemas?"


pastel de nata. travesseiro de sintra. queijada de sintra. ovos moles. baba de camelo. e se você fuçar um guia de culinária português, descobre mais uns vinte e seis tipos de doces em que o principal ingrediente é o ovo. um ovo não. uns cem. não vou ficar aqui explicando como é cada doce, porque é sacanagem. eu vou cagar na receita e você vai ficar com água na boca. mas vou contar uma curiosidade sobre eles. ou melhor a única razão pela qual esses fêlas das puta existem.é, pode agradecer aos santos por cada um desses doces. pode falar m voz alta após cada mordida: "ai meu deus! obrigado meu deus!" vai, o fera não vai ficar puto. ele realmente tem alguma coisa a ver com os doces a base de ovos que explodem balanças e artérias com a mesma facilidade. ELE tem muita responsabilidade pela existência desses doces. quatro quilos depois, fui descobrir a caralha da origem dos doces. nunca perguntei. nunca googlei, deveria. o negócio tava quicando aí. quicando em pratos de sobremesa. em pratos que brilham de longe. com aquele amarelo forte. aquele sabor gordo. os doces a base de ovos nasceram da necessidade das freiras de fazer alguma coisa com as gemas que sobravam. mas gemas que sobravam do que? bom, as freiras passavam o hábito, as roupas, com a clara dos ovos. para deixar as roupas durinhas, com aquele aspecto, bem, com aquele aspecto que ELE aprovaria. as freiras tacavam clara de ovos no tecido e passavam o ferro. e roupa vai, roupa vem, o problema foi se amontoando. aquele cheiro de ovo nas igrejas. aquelas centenas de milhares de gemas nos conventos. "o que fazer com as gemas?" "tem muita aqui no convento irmãs!" "um bilhão de gemas! o que faremos? rezamos?" e um das irmãs deve ter comentado: "mas isso, a gente já faz.... e se a gente fizer doces? isso, doces com as gemas?" bom, o resto é história e fila em belem para comer os pastel. e em sintra para comer o travesseiro. taí uma daquelas coisas que seja você católico fervoroso, um católico mais ou menos-- ou pode até não acreditar em nada... taí uma daquelas coisas que você tem que agradecer o fera. afinal, foi ali, na casa dele e do pessoal que trabalha para ele que as guloseimas nasceram. "meu deus! o que faremos com as gemas?" doces, você já pensaram em fazer doces?

sempre que...


- sempre que você entrar num restaurante português e o peixe no cardápio estiver com o preço do kilo, não do prato... fodeu. isso também vale para crustáceos como o camarão. é impossível não se foder com esse esqueminha. de uma refeição para a outra você tem que aprender a diferença de pedir por um preço fixo para pedir por kilo. camarão por exemplo, tem cabeça, rabo e casca. tira isso tudo e você tem o camarão que você vai comer. ou seja, você paga por um peso que você não vai comer. peixe por kilo? corre, meu amigo.

- sempre que você entrar num restaurante em que o garçom colocar rapidamente dois tipos de queijo na mesa com o couvert, queijo seco e fresco... fique esperto. o primeiro custa uns 4 mangos, o segundo, uns 2.50.

- sempre que você for comer pratos como açorda de gambas e alheira com esparregado, use uma calça de moletom.

quinta-feira, agosto 09, 2007

pequenos diálogos em lisboa. 5


- eu queria dois ingressos para o show do the police.
- dois ingressos. ok.
- não acredito, que sorte. começaram a vender hoje e eu consegui comprar. ufa.
- muita sorte sim senhor. você é um homem de sorte.

três meses depois na mesma agência bancária.

- eu queria um ingresso para o show do the police.
- um ingresso. ok.
- não acredito, que sorte. começaram a vender em maio e eu consegui comprar. ufa.
- muita sorte sim senhor. você é um homem de sorte.

pequenos diálogos em lisboa. 4

- este filé de pescado do cardápio, tem espinha?
- o que o senhor acha?.

o travesseiro de sintra. uma dica fucking fuckers para quem tem um colesterol num nivel aceitável.

bom, antes de qualquer coisa, se você caiu aqui por acidente pois achava que encontraria um site sobre o travesseiro de sintra, minhas sinceras desculpas. o google tem dessas coisas. bom, mas agora vamos falar do travesseiro, do doce, do entupidor de artérias. do doce com sete mil calorias. o nome, como já diz, afirma que doce é da cidade de sintra. lá você encontra o mai famoso de todos os tempos, mas, se fuçar em algumas outras lojas que não estão necessariamente em sintra, consegue encontrar o fêla. mas se o nome diz que a pourra do doce é de sintra, o melhor, obrigatoriamente, está lá. mais precisamente na "periquita". isso, periquita. se você for a sintra e não voltar com os dedos lambuzados da crema de ovos que escorre pelos cantos da boca após uma mordida, você não foi a sintra. é sério. chegando a sintra dê uma olhada rápida ao redor, guarde um punhado de imagens na cabeça e depois corra para a fila do periquita. a outra metade do nome, travesseiro, também diz muito sobre o doce. é um pequeno travesseiro. um pequeno travesseiro recheado de uma crema intensa de uns 32 ovos. ou mais. é uma explosão de sabores. uma explosão nuclear de sabores. é um armaggedon de sabores. bem, você entendeu. a bagáça e gostosa. para você ter uma idéia como é gostosa, muita gente não consegue se decidir o que é melhor, o travesseiro ou o pastel de nata de belem. alguns, alguns tem coragem de falar em voz alta que preferem os travesseiros no lugar dos pastéis. fica aqui a sugestão. você tem amigos que te chamam de magricelo(a)? você tem um colesterol dentro dos limites aceitáveis pela medicina moderna? se você respondeu sim para alguma dessas perguntas e principalmente para a última, soque um travesseiro de sintra goela abaixo quando visitar portugal. o fêla da pulta do doce vai te adicionar umas 600 gramas de banha logo que você acabar de comer. mas tudo bem. sem dramas. é uma vez só. até porque, basta comer uma vez para nunca mais esquecer. ahhh, o travesseiro de sintra. e se você, que caiu aqui, sem querer, porque digitou no google "travesseiro de sintra", continuou lendo até aqui. té o final. mesmo não sendo este o caráio de site que estava a procura, obrigado.

terça-feira, agosto 07, 2007

pequenos diálogos em lisboa. 3

- bom dia, eu estou ligando pois vi no jornal que você está alugando um apartamento....
- sim.
- então...
- você está interessado?
- na verdade quem está interessado é meu amigo, mas ele é argentino e não entende português. por isso estou aqui meio de interprete/representante.
- ah tá. argentino?
- ele é.
- e você?
- brasileiro. mas quem vai alugar o apartamento é ele.
- argentino?
- isso, mas ele está dizendo aqui do meu lado que ele também é italiano.
- como?
- argentino e italiano.
- mas você é brasileiro?
- isso. brasileiro.
- eu sou portuguesa.
- sim. a senhora é portuguesa.
- mas o seu amigo é duas coisas?
- acho que sim. argentino e italiano.
- desculpa, pede para ele decidir e me ligar de volta.
- não entendi? decidir?
- se é argentino ou italiano.
- [silêncio] ok, mas ele não fala português.
- então pede para ele decidir e você me liga de volta. ok.
- ok.

pensamentos do dia.

- quando a temperatura bate os 40º graus aqui em lisboa todas as pessoas tem a mesma idéia ao mesmo tempo: pegar o ônibus. é uma espécie de greve dos pedestres ao contrário. ninguém fica na rua. todos ficam dentros dos ônibus.

- quando a temperatura bate 42º aqui em lisboa todo mundo liga o foda-se e fica com as camisas e vestidos ensopados de suor, sem dramas. subáca molhada. costas molhadas. calças molhadas. chega uma hora que todos trocam olhares silenciosos como concordassem entre-si: "galera, o calor tá foda, vamo deixar de putaria e vamo ficar suado mesmo. não fode. e abrem-se as torneiras."

- quando a temperatura bate os 43º graus aqui em lisboa, o carinha da loja estilosinha aqui perto da agência, aumenta o preço dos ventiladores. paguei 38 euros num ventilador grande powermakers. uma outra pessoa aqui da agência foi comprar o mesmo ventilador um mês depois, agora, no verão, e o fela da pulta cobrou 60 mangos.

quinta-feira, agosto 02, 2007

pequenos dialógos em lisboa. 2

juan christmann, um redator argentino, sósia do mel gibson em máquina mortífera 1,num restaurante se vira para o garçom e inicia um quase diálogo.

- tienes pan?
- pan?
- isso, pan!
- pan?
- isso, pan!
- pan?
silêncio de uns 7 segundos...
- tienes PÃO?
- ahhh!!!! pão.
- isso, pan!

mais ou menos como aquele espisódio do seinfeld.

tem um episódio do seinfeld em que o carinha que servia do outro lado do balcão era, digamos, ranzinza. o soup nazi. e, mesmo assim, o fera tinha filas que escorriam pelas ruas e dobravam esquinas com a mesma facilidade que uma criança ainda sem coordenação motora dobra um canudo de plástico. a sopa era boa. muito boa. por isso, o pessoal no episódio segurava a onda e a vontade de mandar o soup nazi dar meia hora de bunda, e esperava por sua vez de pedir a tal sopa. bom, aqui em lisboa tem um lugar parecido. com o mesmo esqueminha. a comida é boa para cacete e quem atende não é assim o cara mais gente boa do mundo. mas a comida é muito boa. daquelas que você levar a sua mãe para comer assim que ela pousar em lisboa. para começar, nunca, nunca chegue na porta do restaurante sozinho e diga que é uma mesa para quatro. ele vai mandar você a merda. só peça a mesa quando todos estiverem alinhados lado a lado na porta do restaurante. bom, sua mesa está pronta? prepare-se para dividí-la com um casal ou outros 4 estranhos. o lugar é pequeno então não tem essa de mesa separada, privacidade e tal. não é o lugar para ir com uma mulher no segundo encontro. ou mesmo no último encontro, quando um dos dois quer falar algo mais sério. mas a comida é fucking fuckers. então você continua a frequentar a bagáça. não tem jeito. você sentou, decida o que vai comer rápido. não fique punhetando ou o carinha que serve, vai te acertar com raios laser que solta pelos olhos. foco meu amigo. muito foco e calma. não coloque casacos ou mochilas atrás das cadeiras ou o carinha vai ficar puto. "tá atrapalhando a circulação de pessoas caráio!" algo do genêro ele vai falar e vai pegar o seu casaco e pendurar num cabide bem improvisado. mas mesmo assim você vai continuar comendo lá e recomendando. peça uma cerveja. assim: "uma cerveja!" não peça uma cerveja gelada que ele pode te olhar com ódio como quem diz: "você acha que a gente tem como costume servir cerveja quente seu fêla da pulta?" as porções são fred flintstonianas. e o preço honesto. o lugar tem poucas janelas. é quente pra caráio. mas da entrada a sobremesa fode com a sua cabeça. o nome da bagáça? cantinho do bem estar. ficar perto da praça de camões numa subida ao lado da loja da diesel. num esqueminha mais escondido que a bat-caverna. cantinho do bem estar. pessoal mau humorado. comida boa. mais ou menos como aquele episódio do seinfeld.

pequenos diálogos em lisboa. 1

dia desses no ônibus uma mulher se vira para mim e inicia um diálogo:

- as horas, por favor?!
- sete e meia (da noite)
- putz tô atrasada!... e que dia da semana é hoje?
- terça-feira.
- terça?! caráio achei que era quarta!

ou seja: a muié tava atrasada e adiantada ao mesmo tempo.