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quinta-feira, janeiro 31, 2008
a teoria dos ovos mexidos.
comi hoje cedo ovos mexidos no hotel em que estou. já notou como todos os hotéis do mundo têm o mesmo negócio de ferro com aquela tampa redonda socado de ovos mexidos dentro? e quase sempre, tem o mesmíssimo sabor? mas não era sobre isso que eu queria falar. mas da teoria dos ovos mexidos. a razão por sua existência. e baseado numa experiência própria. eu não consigo fazer um ovo estrelado em que a gema não quebra. não consigo. tentei 100987 vezes e acertei umas 6. em todas as outras, os dois ovos estrelados viraram mexidos. meti o colherzão no meio e pimba, transformei o acidente num ovo mexido. tenho certeza que ovos mexidos nasceram assim. das mãos de alguém com pouquíssima habilidade com uma frigideira. só pode ser. não tem outra explicação. ok, existe. a preguiça. a preguiça de ficar lá tentando fazer o ovo estrelado perfeito. com a clara quase 100 por cento cozida e a gema quase mole. é foda atingir essa perfeição. conheço umas duas pessoas no mundo que conseguem um ovo sem a melequinha na clara e a gema quase mole. pensando bem, acho que não conheço ninguém. então é isso, ou foi por acidente ou preguiça. a teoria dos ovos mexidos.
o gps de lisboa.
todos os taxis tem gps em lisboa. alguns carros também. mas o meu gps é diferente. não é um dispositivo eletrônico que se compra na fnac. não. o meu gps é muito simples. é o trilho do eléctrico. em lisboa, os trilhos permanecem colados no asfalto desde sempre. e como você sabe, trilhos estão lá para levarem algum veículo ao seu destino. então é fácil. estou perdido em lisboa. olho para o chão, busco os trilhos e vou atrás. dia desses com um carro, perdido, mas perdido com vontade de chorar, me salvei com os trilhos. olhei para o chão, trilho. olhei para a plaquinha acima, eléctrico (bondinho) 28. ou seja, aquele trilho era o trilho do 28. e eu estou cansado de ver o 28. sei por onde ele passa. seu trajeto. segui o trilho e em uns 10 minutos estava de volta a civilização. se você tem uma disfunção como eu, em que não consegue decorar mais do que 4, 5 caminhos no hd do seu cérebro e mora em lisboa. foco nos trilhos.
dieta da proteína e a vitrine de pastéis de nata.
não faz muito sentido. poder comer toda a carne, queijos, ovos e frios que você quiser. não faz sentido nenhum. mas funciona. já li a teoria por trás da história toda, mas não deixa de ser estranho. bom, depois de 9 meses em portugal comecei a sentir o efeito de todos os pastéis de nata, porco preto etc e tal. uma das minhas calças jeans me dedurou. uma camisa de botão também. todos os botões. aí fucei na internet e parti para o esquema das proteínas. quem sabe não funciona mais uma vez. um, dois, quem sabe até uns três quilinhos. mas foi ao passar por uma vitrine dessas de lisboa coberta com pastéis de nata, aqueles com a casquinha levemente queimada que cheguei a conclusão que a dieta da proteína que resolvi seguir-- não tem nenhum lado estético. não é para ficar com uma barriga mais retinha. não, é para que eu possa fazer um rewind no tempo e comer novamente, uma segunda vez, tudo aquilo que experimentei em portugal desde que cheguei. faz sentido. a dieta é que não faz muito.
12 horas, o truque e o avião.
pegar um vôo de 12 horas não é lá fácil assim. 12 horas são 12 horas. peguei ontem um desses. depois de uma conexão. mas desde sempre descobri um truque para fazer o tempo passar mais rápido. não é optar pelas duas taças de vinho quando o carrinho da comida passar. não. o truque é mais simples. é não dormir na noite anterior. parece bobo, mas funciona. primeiro saia para jantar. depois assista um filme. quando um dos olhos ameaçar a fechar, coloque um outro filme. tem que ser um drama, tipo babel. daqueles que você precisa ficar acordado para entender os flashbacks. aí quando você olhar para o relógio e ver que já são quase 3 da manhã, abra uma garrafa de vinho. tome uma, duas taças. uma sobremesa talvez. tente convencer a sua mulher que é importante ficar acordado. esta talvez seja uma excelente oportunidade para colocar o papo em dia. coloque o papo em dia rapaz. quando estiver prestes a amanhecer. você vai dormir. de pança cheia. um pouco alegre pelo vinho e com mais uns dois filmes e meio no hd do seu cérebro. isso é bom, porque o alarme vai tocar em uma hora. você vai levantar meio grogue. faz parte do plano. aí você vai para o trabalho. com o mesmo ritmo de sempre. ah, deixe a mala pronta em casa antes de sair para o trabalho. você vai passar esse dia meio zumbi, morto-vivo. mas tudo bem, faz parte do plano. aí meu amigo, quando chegar a hora de embarcar num vôo de 12 horas de duração, assim que você encostar na cadeira do avião. o seu corpo inteiro aplaude e dorme até o piloto anunciar que o vôo está prestes a pousar. funciona sempre. ah, mais uma dica, faça duas, três vezes xixi antes de sentar na cadeira do avião. porque se você tiver que acordar no meio da noite para encarar uma ida ao banheiro no avião, pode foder o esqueminha. e talvez não consiga mais dormir. bom, taí, como dormir 12 horas seguidas. e fazer de um vôo de 12 horas a maior moleza da história.
terça-feira, janeiro 29, 2008
barba por fazer e o emprego.
deixei a barba por fazer como quem quer parecer que não faz a barba desde segunda. isso, se for quarta feira. aquela barba de dois, dois dias e meio. emagrece,alguém me disse: "vai por mim, perdi quase um quilo quando deixei a barba assim." ou pelo menos é o que algumas pessoas acham. bom, e lá estava eu hoje andando pelo chiado aqui em lisboa depois do almoço com a minha mulher quando ela encontrou um conhecido. ela me apresentou. aperto de mão. olá. olá. tchau. tchau. e quando estávamos nos despedindo mesmo, nos finalmentes. cada um para um lado. ele para a direita da rua e nós dois para a esquerda, ele comenta baixinho, educadamente, para a minha mulher: " é, o seu marido está precisando de um emprego... eu conheço algumas pessoas...." ela agradeceu e disse que não, que eu estava empregado e tal. e foi aí, que eu descobri que a barba de dois, dois dias e meio tem dois efeitos. primeiro, como meu amigo disse: tira quase um quilo da sua fisionomia. esconde as bochechas. e agora, como fui informado hoje, a barba por fazer me deixou com a aparência de quem passa o dia como diríamos no brasil, coçando o saco. num estado de férias permanente. deixei a barba por fazer como quem quer parecer que não faz a barba desde segunda. amanhã eu faço.
o truque da panelinha de cobre.

não sou zura, egoista. nenhum pouco. muitas vezes sou até um péssimo pesquisador de preço. e pago mais, sem querer é claro, por algum produto zambers. mas hoje fui almoçar num lugar que vou de vez em quando. aí vi no cardápio "ovos estrelados com presunto ibérico". o preço era o mesmo de um prato fucking fuckers. beleza. fiquei curioso. aí o prato chegou. um ovo estrelado, duas fatias de presunto e batatas fritas embaixo dele. matei em uma, ou talvez duas garfadas. ok, matei em três, três garfadas. não devolvi o prato é claro, era o que estava escrito no cardápi: ovos estrelados. e foi ao olhar para a caráia do prato em era servida a comida para entender o porque do preço. a panelinha. uma panelinha de cobre. mini paneliinha que finge ser um pratinho. toda cheia de estilinho. estava lá não pagando pelo ovo que já não existia no meu prato. mas pelo estilo. pelo simples gesto de estar almoçando não com um simples prato na minha frente. não, uma panelinha de cobre. esse é o truque da panelinha. se você ver alguma saindo da copa, da cozinha na direção do salão, pergunte para o garçom que prato é aquele. aquele que ele estava segurando e é servido naquela panelinha tão bonitinha de cobre. aí, quando ele revelar o nome do prato. você pde outro.
o ac/dc e o darwin.

quando eu era moleque tinha uma caraiada de lps de bandas de rock. depois passei a ter cds, o que eliminou grande parte dos lps. o que aconteceu, foi que eu substitui os lps que eu mais gostava por cds dos mesmos. e neste processo, claramente, alguns lps não ganharam um espaço na minha estante em forma de cds. o que é natural, afinal alguns lps eram de bandas que eu já não gostava tanto. aí o tempo passou. os cds, é o cds começaram a passar pelo mesmo processo dos lps. começaram a ser substituidos por mp3s. arquivos de mp3. um formato digital que se vive no seu itunes e naquele ipod que você tem ligado a algum som de casa. e aí, chegou a vez de alguns cds não ganharem espaço no meu hd. a falta de memória ou mesmo o bom senso faz com que você eleja apenas aqueles antigos que você realmente mas realmente gostava mesmo. então tem uma caráiada de cds que não existem mais hoje no meu computador ou mesmo no ipod lá de casa em forma de mp3. e vendo assim, fazendo um rewind, indo e voltando. 1980 e tal. 1990 e tal. e até hoje em dia, cheguei a conclusão que existe uma banda que conseguiu passar os últimos vinte e tra lá lá por perto. seja como lp, cd ou mp3. o ac/dc. a banda mais fucking fuckers de todos os tempos. mete um "who made who" no itunes e um repeat para sentir o drama do negócio.
mojito e a mesa que você não tem reservada no lucca de propósito.

não sou lá assim fã fã do mojito. gosto. o que é diferente. mas tenho notado que as minhas papilas gustativas passaram a apreciar bastante tal bebida com origem cubana. acho que foi quando o meu cérebro mandou a mensagem de que ele, o cérebro, estava farto, das caipirinhas e sua prima caipiroska. não sei ao certo que dia foi, mas certamente teve um dia que depois e um gole em uma caipiroska, devolvi o copo para a mesa. caipirinha, e caipiroska para quem nasce e vive a grande maioria da vida no brasil-- são as bebidas fortes, digamos oficiais. ou seja você toma muita vezes. e as chances de enjoar, bem, são grandes. e é aí que entra o mojito. com as sua quantidade farta de folhas de hortelãs. tanto hortelã para deixar qualquer koala com inveja. taí, se o koala fosse aceito na nossa sociedade, pediria sempre um mojito no seu happy hour. mas voltemos ao mojito. aqui em portugal, o mojito, é vizinho no cardápio da caipirinha. encontrei ele na linha logo abaixo. bom, aí eu resolvi escrever aqui o lugar do melhor mojito que eu já tomei em portugal. em lisboa, pelo menos. fica lá no restaurante lucca. italiano meio moderno e sempre cheio. e que por ser assim, tão cheio, sempre convem pedir um mojito enquanto você espera pela sua mesa. um mojito enorme. com gelo picado por uma britadeira. e folhas de menta verde daqueles de quando o hulk fica um tanto nervoso. faz o seguinte, dê um pulo no lucca. sem reserva mesmo. a chance de você conseguir uma mesa é praticamente zero. aí, quando o maître disser que não existe mesa para aquela noite. você aterriza o cotovelo direito sobre o balcão diz: "não tem problema." e pede um mojito. o bom desta cena é que como você não vai estar ansioso para sentar e jantar, vai poder aproveitar o mojito do lucca com mais tranquilidade. vai por mim. mas também, se você não curtir o tal mojito não fique magoado (a) comigo afina como eu disse lá em cima na primeira linha: não sou lá assim fã fã do mojito. gosto. o que é diferente.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
o dia a dia a dia a dia.
sou contra rotinas. mas ao mesmo tempo sou fã fervoroso delas. explico. sou contra rotina imposta por coisas que você não tem lá assim muito controle. exemplo: pegar o trânsito todos os dias, é uma rotina que dá no saco. você precisa seguir ela pois sem ela você não chega no trabalho. se não chegar ao trabalho não recebe o seu salário e sem o salário, não paga as contas. simples assim. mas gosto de rotinas daquelas que é você o grande responsável por elas existirem. exemplo: ler o jornal no sábado pela manhã. ou, tomar dois cafés todas as manhãs. o primeiro com leite, o segundo sem. não troco essa rotina por nada. não importa por exemplo se eu estou na china, em portugal ou no brasil. sempre dou um jeito de me cobrir de jornais num sábado de manhã. rotinas assim, dessas em que você é o responsável, são importantes. são elas que definem sábados pela manhã, domingos fim de tarde e terças de feriado. rotinas ruins e as boas. as duas são igualmente importantes. a primeira é uma bosta. mas faz a segunda ficar muito mais legal. experimente abrir um jornal novinho daqueles cheio de cadernos num sábado pela manhã para entender o que eu estou falando. mas tem que ser um jornal novinho e com um café daqueles que solta fumacinha. e aí, quando você estiver socado, preso numa sala de reuniões, numa parte da rotina ruim, você pensa no sábado. e lembra do jornal.
a sobremesa que mais trabalha no mundo.

a bola de sorvete de baunilha. o gelado de baunilha aqui de portugal. o vanilla dos eua e de onde o inglês é falado. a bola de sorvete de baunilha é a sobremesa que mais trabalha sem dúvida. você pode até argumentar que o bolo de chocolate, a torta de mousse, ou qualquer outra variação achocolatada esteja mais presente. o que pode ser verdade em alguns lugares. mas na esmagadora maioria das vezes não passa de um caso isolado. muito isolado. se em portugal se come o leite de creme, na frança o creme brulê e no brasil o quindim e a própria mousse, a bola de sorvete de baunilha estará sempre lá. sempre. sempre como coadjuvante. ou como terceiro ingrediente do pacote. não tenha dúvidas. basta passar o dedo indicador por qualquer cardápio de sobremesa para comprovar essa teoria. as vezes, só as vezes, para dar uma mão para sobremesas menos queridas, experimento outras. assim, quase sem querer dou uma folga. um dia pelo menos para a bola de sorvete de baunilha. tenho um pouco de pena da bola de sorvete de baunilha. coitada. é comida, devorada com bolos, tortas, mousses, caldas, biscoitos ou mesmo sozinhas. em dupla, tripla, as vezes num pote inteiro. ela sofre. quem mando a fêla da pulta ser gostosa assim.
o truque ben harper.
o truque ben harper no momento em que ele acontece.nada contra o ben harper. curto. acho legal. tenho lá o fera no meu itunes. aquela "diamonds on the inside" tem uns 726 no play count. ou seja, gosto. mas agora com essa música nova da vanessa da mata "boa sorte/good luck" que toca sem parar na rádio, cheguei a conclusão que existe um truque do ben harper. é um truque relativamente simples mas que funciona sempre. um leve dedilhar no violão. nunca guitarra, só violão. um chocalho de leve por trás. e um leve ar de improviso. descobri e esmiucei o truque ao escutar repetidas vezes essa música ("boa sorte") e a música "hight tide or low tide" em que ele faz um dueto com o jack johnson. está lá o violão. o leve dedilhar quase que as mesmas notas, o mesmo timbre e o improviso na hora de cantar. eu chamo de truque e não de "cantar" porque todos os duetos do cara tem o mesmo climão de sábado pôr de sol com uma caipirinha pela metade. o truque ben harper simplesmente diz que a combinação do dedilhar de violão, o jeitão que o ben harper "atropela" seu parceiro no dueto ou parceira e o chocalho--- fazem com que todas as músicas dele tenham o mesmo som de pôr do sol de sábado a tarde. o lado ruim é que tudo fica meio parecido.eu sinceramente quase não sei nenhuma música dele por nome. sei que é ele lá do outro lado. só não sei que caráio é o nome daquela música. o lado bom, é que sem querer, depois de escutar uma música em que ele faz esse truque, você fica com a sensação de que está de bem com a vida. mesmo quando está com algum prazo de algum trabalho estourado. e sempre se sente como se estivesse com os dedos dos pés na areia da praia.
o msn. o ladrão de tempo. o ali babá do tempo. o ladrão mais fucking fuckers do tempo de todos os tempos.

existem ladrões que roubam jóias. esses são mais comuns em filmes de ação. os ladrões dos jornais roubam com mais frequência os bancos. ou os turistas desatentos no calçadão da praia de copacabana. mas ladrão mesmo, daqueles que merecia prisão perpétua é o msn. o messenger. aquele que fica piscando no canto da sua tela. que quando chega uma mensagem, apita. o msn rouba tempo precioso. rouba horas. já me roubou dias inteiros. e o mais engraçado do msn é que ele é um ladrão que continua roubando e que mesmo assim a gente continua abrindo a lojinha para ele roubar. chega a ser irônico para dizer o mínimo. o fato de todos continuarem acessando ele, mesmo sabendo que no final do dia você vai voltar para casa com minutos a menos num dia bom. ou horas perdidas, quando o roubo é dos grandes. enquanto eu escrevo este textinho, por exemplo, entrei no msn umas seis vezes. e lá se foram uns vinte e tal minutos. reunião de empresa não se compara. fila de cinema em dia de estréia também não. sala de espera de dentista. nada, nada se compara ao tempo que escoa pelos dedinhos enquanto você entra em contato com o mundo pelo msn. ele rouba o seu tempo. que simultaneamente rouba dos outros. e por aí vai. cheio de testemunhas dos assaltos e continua lá, livre. piscando no canto do seu computador. como quem diz, assim mesmo, sem muitos escrúpulos: "passa trinta segundos aí porra! caralho, entrega logo antes que eu resolva roubar o seu dia inteiro..." e aí você clica no ícone, responde a pergunta de um amigo. ou é você mesmo que pertuba alguém e lá se vão mais preciosos minutos.
www.pocketmod.com

esse é o palm de papel. se você imprimir e seguir as regrinhas de como montar terá em mãos um organizer desses fucking fuckers feito sob medida para você. é do caráio. recomendo. cabe no bolso. custa zero euros. e é reciclável. agora o melhor: se você colocar no mesmo bolso em que você leva o seu celular ou telemóvel, é como levar um iphone no bolso. ou quase.
o endereço em que você pode imprimir o seu iphone de papel é esse aí do título.
quinta-feira, janeiro 24, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
as cabras e o queijo
- as cabras de portugal sabem de alguma coisa que as outras não sabem. o queijo daqui é muito muito muito, tipo assim, quatro muitos mais saboroso do que em outros lugares.
- o queijo amanteigado por exemplo está ali, encostado no primeiro lugar, colado com aquele quarteirão com queijo que existe apenas e somente na sua memória de quando você tinha 11 anos. e depois da escola.
- e o mais legal é quando você pede sem querer presunto achando que vem presunto como no brasil, e vem o presunto que em portugal é o equivalente ao nosso presunto de parma. é um dos melhores erros do mundo. você sem querer comer o queijo de cabra português com o presunto.
- em alguns supermercados é possível ver as pessoas que entendem, cheirando apertando, levando queijo perto do olho. queijo é um negócio sério aqui. já vi pessoas brigarem por um pedaço zambers. a tiazinha olhava para a outra e com olhos marejados falava em câmera lenta: "é meuuuuuu!" e, se você já comeu um dos bons, entende.
petróleo

agora a máquina já funciona. estávamos prestes a devolver quando eu e juan, olhamos para a máquina e falamos quase juntos:
- e se a gente tentasse mais uma vez?
explico. tivemos umas 26 vezes frustrados com o líquido que insistia em não descer. a máquina ia ser devolvida. a tristeza batia a porta. e a gente tentou mais uma vez. uma só.
- funciona! funciona! funciona! caráio, funciona!
me senti como naqueles filmes antigos em que as pessoas furam o chão e encontram petróleo. só que um tiquinho mais emocionante. mais ou menos isso. e o juan, com lágrimas nos olhos continuou a gritar:
- funciona! funciona!!!!
acho, sem querer exagerar-- que foi um dos momentos mais emocionantes da história da humanidade. ou pelo menos era o que os berros do juan transmitia para a população de lisboa naquele momento.
moleskine, a agenda que não deu certo

moleskine é muito arrumadinha. tudo no lugar. e o mais foda é aquele papo de que o hemingway escrevia nela durante as suas viagens de trem. ele e mais um monte de fodalhão. todos os caras que você já leu na escola ou que parece ser legal falar que você leum, bom, quase todos eles escreviam pensamentos, num moleskine. ou essa é a idéia que aquele papelzinho que vem dentro quer passar. como o moleskine é fucking fuckers. como o hemingway se inspirava. e esse é o maior problema. sempre que eu pesco uma caneta para anotar uma idéia, um compromisso, um telefone, penso seis vezes antes de escrever. eu penso: "será que o hemingway escreveria algo assim?" "será que esse telefone da gerente do meu banco vale a pena ficar imortalizado no caderninho dos caderninhos?" e acabo desistindo. já comprei uma caráiada deles. o que eu posso fazer, o negócio é bonito e vomita estilo e bom gosto. mas não consigo escrever direito. tem sempre um hemingway flutuando sobre o bloquinho como quem diz: "ô, vê lá o que você vai escrever em seu mané, eu escrevi pensamentos muito do caráio aí..."
run forest. run caráio. mais rápido pourra.

canso de ver pessoas correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param. não desaceleram. nunca. a regra é clara, se não se encontra em pé debaixo do sinal do ponto, o cara não pára. dá uma pena, você vê o cara correndo como se estivesse escapando de aliens no último dia da terra. você vê senhores com a respiração falha. eu mesmo já até fisguei um músculo correndo, perseguindo um buzum e o cara não parou. consigo entender. faz um pouco de sentindo. se ele parar para todo mundo, a cidade pára. ninguém chega ao trabalho. dá para entender mas é no dia que acontece com você, que dá um dor, uma pontada no canto do cérebro e ou do coração. "porque?! porque!? você não pára! pelo amor de deus....." mas o motorista precisa ser forte. precisa olhar em frente. e deixar os atrasados para trás. aqueles que apertaram o botão do soneca não uma, mas três vezes. aquele que demorou para sair do chuveiro. aquele que naquele dia vai ter que chegar atrasado no trabalho, suando, mancando com um músculo fisgado e dizer: "eu corri, eu tentei, mas ele, o motoristo do 758, não parou...eu juro." e as pessoas do seu trabalho vão olhar para você e pensar: "também canso de ver gente correndo para pegar o ônibus ou autocarro aqui. os caras, os motoristas não param."
dark chocolate com laranja caramelizada e aí fodeu.
a receita para destruir o seu maior inimigo na disputa por uma menina: dark chocolate com laranja caramelizada da haagen dazs. é um desses sabores que chegam e somem com a mesma velocidade. edição especial diz o poster da loja aqui do chiado. e digo que este sorvete é a arma mais fucking fuckers para destroçar um oponente porque é impossível parar de comer. não dá. é bom para cacete. não são lascas da mesma laranja que usam para fazer aquele suco com bagaço. não meu amigo, é a prima chique dessa laranja. cristalizada. é a laranja mais fodidona do pedaço. cuidado. se você morar perto de uma haagen dazs, não vá. sério. é perigoso. você pode comer até explodir. ou pode ser bem fêla e comprar uma caixinha daquelas para viagem e mandar entregar na casa de alguém que você deseja ver triplicar de tamanho em questão de horas. é mais ou menos como aquela morte da "gula" do filme seven. mais ou menos não. é igual.
evel knievel e a minha lambreta.

dia desses bateu as botas o evel knievel. para quem não sabe, o evel knievel saltava carros com motos. saltava caminhões. saltava precipícios. saltava tudo. o cara não tinha medo de nada. deve ter quebrado uns 70 ossos no corpo. o fêla devia ter o equivalente ao peso do corpo em placas de titânio. bom, o cara bateu as botas. o cara que eu sempre julguei invencível. unbreakable. o herói dos heróis. triste. mas zuzo bem. e foi o evel knievel ter batido as botas que me fez pensar. pensar sobre o fato de eu ter comprado uma motoca. bom, certa vez com as ruas quase molhadas de lisboa levei um mini tombo. mas nini mini mesmo. estava devagar, bem devagar. acho que não passava de 18 kms por hora. escorreguei a lambretinha no trilho e pimba. "você quer que eu chame uma ambulância?" "você está bem?" "ele apareceu de repente..." levantei rapidamente, já recolhendo a motoca da rua, levante o dedão como quem diz: "ok!" e continuei em frente. não aconteceu nada. ralei o quadril e o cotovelo. e só. mas fiquei cagado desde então. a motoca tinha 80 Kms rodados. olhei hoje o mostrador, ela está com 86. ou seja, desde o mini tombo, andei mais 6 km. e agora com a notícia que o evel knievel bateu as botas, decidi me aposentar quase que permantemente das pistas. não faz sentindo saltar calçadas, faixas de pedestres (passadeiras) e trilhos do elétrico se o evel knievel não vai mais fazer o mesmo. o cara que era super fucking fuckers deixou as pistas, farei o mesmo. eu e a minha imitação de vespa que na velocidade máxima chegava nos 46 km/h. e isso nas descidas. ahhh, a emoção de passar por cima de uma pedrinha na rua. as mãos suando. a respiração ofegante. e por falar nisso, o capacete todo embaçado. abandono as pistas com a mesma velocidade que entrei. em homenagem ao evel. e é claro, por causa do meu cagaço agora crônico.
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