quinta-feira, maio 21, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

essa é sobre o adamastor. sobre a vista do adamastor.
espetacular. e agora com o verão quase aí, é um negócio para qualquer turista ficar doidjo.


terça-feira, maio 19, 2009

o efeito diane keaton. ou como um momento pode facilmente influenciar o destino de todos os outros que ainda não aconteceram.

homem chega em casa numa quinta e enquanto entorna uma heineken gelada num copo alto inicia uma conversa com a mulher:

- você pegou um dvd no video clube?
- peguei.
- qual?
- não sei o nome.
- como assim não sabe o nome?
- é um filme do woody allen.
- "woody allen fase diane keaton" ou "woody allen fase scarlett johansson"? 
- e tem diferença? 
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- amor? então vai querer assistir ou não?
- você vai achar estranho o que eu vou dizer-- mas acho que temos que ter uma conversa séria.
- séria?
- acho que isto não vai funcionar.
- isto o que?
- o nosso relacionamento. acho que precisamos dar um tempo.
- [silêncio]
- [silêncio]

o que você quer ser quando crescer?


mãe e filho conversam. ele tem uns 9 anos.

- um astronauta.
- você tem certeza?
- absoluta.
- mas você sabe que não se pode levar um cachorro para o espaço.
- é?
- é.
- nem o lupo que é treinado?
- nem o lupo.
- ok.
- no espaço você não pode jogar playstation.
- mas e se tiver mais um astronauta?
- você já viu as luvas? como são grandes? não dá para segurar o controle.
- é. você tem razão.
- a sua camisa do flamengo também não pode levar.
- não posso usar por cima do uniforme?
- hmmm....
- não né?
- não.
- a luana...
- o que tem a luana?
- bom, a sua amiguinha luana não pode falar com você no msn a noite inteira.
- as luvas né?
- as luvas. como é que você vai digitar.
- pô, a luana... o lupo, o playstation....
- é mãe, sorte do neil armstrong.
- porque?
- bom, ele não conheceu a luana, ainda não existia playstation, não torcia para o flamengo e o lupo ainda não tinha nascido.
- é verdade...
- duvido se ele tivesse conhecido o lupo e a luana, ele teria escolhido ser astronauta.
- também. também.

sexta-feira, maio 15, 2009

crônica rápida de um verão igualmente breve em algum tempo recente. ou não.


eles se encontraram no verão.
ela tinha 19.
ele tinha 22.
ele disse duas vezes que ela era o amor da vida dele.
ela balançou duas vezes a cabeça quando ele disse que ela era o amor da vida dele.
ele prometeu escrever todos os dias.
ela prometeu ligar todas as semanas.
ele ficou com preguiça.

e ela com outro menino.

a cidade.

mulher no telefone com o marido. ele está prestes a entrar num conference call. o terceiro daquela semana.

- paixão, você acha que consegue chegar a tempo para o jantar?
- não.
- e para a sobremesa?
- também não.
- e para o café?
- não.
- e para assistir um filme comigo?
- não.
- e para ficar abraçadinho na cama comigo?
- também não.
- [silêncio]
- [silêncio]
- e para me flagrar com um amante na nossa cama?
- acho que não. mas vou tentar.

o banco, ângulos, vento e café.


ele sempre sentou no mesmo banco. o banco ficava numa praça. a praça ficava num bairro pouco movimentado. o bairro ficava numa cidade grande. a cidade ficava entre duas cidades ainda maiores.

ele via as mesmas pessoas passarem. uma espécie de deja-vu controlado. pois, ao se sentar no mesmo banco, no mesmo horário, nos mesmos dias, ele, obrigatoriamente via a rotina tomar forma a sua frente.

ele carregava sempre o jornal do dia. e nele encontrava abrigo quando alguém quase-conhecido passava.

mas tudo mudou no dia que o banco foi removido. na verdade, mudaram o banco de lugar. e no lugar onde antes ele estava, instalaram um quiosque de bebidas.

e no primeiro dia, ao sentar no banco em seu novo lugar, descobriu um novo ângulo de ver as coisas. a mulher que sempre passava de frente, agora ele via de perfil. as crianças também. já não corriam na sua direção. mas na direção oposta. o vento agora balançava as folhas do jornal de dentro para fora. e não de fora para dentro. e por mais sutil que fosse cada detalhe, naquele dia a vida ganhou um novo fôlego. um novo ângulo.

enquanto isso, lá do outro lado, enquanto bebia len-ta-men-te um café no quiosque, uma mulher pensava a mesma coisa. afinal, onde antes estava o banco em que nosso protagonista agora está sentado, estava o quiosque.


ela sempre tomou café no mesmo quiosque...

quinta-feira, maio 14, 2009

amanhã nói posta mais.

a crônica do destak da semana.

se você gosta de viajar.
se você briga com a sua mulher quando estão perdidos na estrada.
se você não sabe escolher hotel direito.
se você não quer ir novamente para a disney.
bom, e finalmente, se você não quer viajar com cara de turista perdido e mané-- leia a coluna abaixo.

terça-feira, maio 12, 2009

ela.

a professora de piano inicia um diálogo com o aluno. ela tem  26. ele, 17. é verão. o ar-condicionado está defeituoso. ela está como sempre, com pernas fartas. brilho na pele. e cabelos quase soltos.

ela: - está quente.
ele: - muito.
ela: - acho que vou tirar o vestido. não tem mais ninguém aqui na casa, não é?
ele: - não. apenas nós dois.
ela: - pronto. tirei.
ele: - você... é... você... quer que eu tire a minha roupa também?
ela: - quero, mas só se você acertar primeiro-- a lição de casa-- que eu passei para você na aula anterior.


declaração de amor entre personagens que não existem. mas poderiam existir.


casal deitado na grama. a lua está cheia. o céu com estrelas.

- se você pudesse viajar para qualquer planeta maria, para qual você gostaria de ir?
- esse, dentro da sua cabeça.

diálogos quase abstratos de casais quase reais.

- amor?
- diz princesa.
- quando você era mais jovem, você era pegador?
- pegador?
- é, você ficava com muitas mulheres?
- [silêncio]
- e então, ficava?
- ficava.
- alguma delas era mais bonita do que eu?
- [silêncio]
- e então?
- ok, tinha a paulinha. ela era linda.
- mas porque é que você não casou com ela então. ao invés de ficar comigo?
- porque ela casou antes com o marcelo. o marcelo. sabe?
- o marcelo é lindo.
- mas porque é então que você não casou com ele então?
- porque ele casou antes com a paulinha. a paulinha. sabe?


quinta-feira, abril 30, 2009

de volta.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?
- ainda não.
- não sabe se quer que o carro te leve para o passado ou para o futuro?
- acho que vou viajar para algum lugar perto só para testar.... um test-drive com essa máquina do tempo. lá vou.u.

som de carro arrancando. luzes fortes. marcas de pneu no asfalto.

- já decidiu para onde vai querer fazer a sua viagem no tempo?

....

você não quer mesmo subir?

quase duas da manhã. no jantar foram quase duas garrafas.
eles chegam ao pé da porta de entrada da casa dela.

ela convida para ele subir para o apartamento dela.
ele pergunta:
- café? para tomar um café?
e ela:
- não, para transar mesmo.
e ele:
- sincera você hein?
e ela:
- ingênuo você hein?

onde tomar a sua imperial quando chegar em lisboa.


uma das coisas mais complicadas para quem vai morar fora é o boteco. o bar. aquele esqueminha que o garçom te conhece pelo nome. ou mesmo pelo sobrenome. tem garçom que te chama pelo apelido. é aquele bar do "o de sempre". ou, se "o de sempre" estiver em falta, os caras sabem o que você gosta e recomendam algo igualmente inesquecível.

em são paulo eu ia religiosamente ao bar espírito santo. na rua horácio lafer com a salvador cardoso. o que é curioso pois o espírito santo era um bar português. é um bar português. com bacalhau dos bons. batatas ao murro. azeite português. petiscos lusitanos. é sensacional.

mas como você pode ver pelo título, a idéia é sobre o boteco de lisboa. boteco para comer petiscos, comida, batatas eu não tenho um preferido. mas boteco para encostar no balcão com um amigo para falar do futebol, ou dois para falar sobre nada, ou até mesmo uns quatro para falar sobre muita coisa-- esse sim, bar de balcão, esse eu encontrei. e eu até já falei do senhor que serve e é dono. se você fizer uma busca com as palavras "seu jaime" vai encontrar um textinho sobre ele.  mas é o bar do fera que é o assunto aqui. pastel, empanada, croquete, tremoços. mas o mais importante é a imperial, o chopp, estupidamente gelado. o nome do bar é ginginha das gáveas. o que, servirá como uma excelente desculpa para tomar uma ginja. mas depois de matar a curiosidade, foque na imperial. é gelada. é barata. é bem servida. e o local é no coração do bairro alto. ou melhor. numa das artérias um pouco antes do coração. o que significa que você pode ir lá antes e depois de circular pelas ruas do bairro.  concluindo, se você veio parar por essas bandas com saudade do bar, do boteco da sua cidade natal, procure o bar do seu jaime na rua das gáveas. nota 11.

terça-feira, abril 28, 2009

o presente.


- amor.
- oi?
- comprei um presente para você.
- é o que eu estou imaginando?
- não sei.
- um anel de brilhantes?
- não.
- um brinco?
- não.
- um carro, você comprou um carro!?
- não.
- é.... é....é.... tá vendo aquele cocô ali?
- caralho! você comprou um cocô?
- não, um cachorro.

tubarão.

- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- do que?
- de entrar no mar?
- claro que não meu filho. o mar está calmo.
- mãe?
- oi meu filho?
- você assistiu tubarão?
- assisti sim.
- em dolby stereo surround?
- sim.
- na tela plana hd de 72 polegadas?
- sim.
- e tava escuro?
- sim.
- [silêncio]
- [silêncio]
- mãe?
- oi?
- você não tem medo?
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
- [silêncio]
---

os copos.

em portugal é comum as pessoas falarem “vamos beber uns copos.” ao invés de “vamos beber uma cerveja.” acho curioso. a idéia de que as pessoas falam não do conteúdo. mas do objeto, do veículo que leva a bebida até a boca. mais cedo um fera aqui da agência comentou: "opa, vamos beber uns copos hoje?" e eu: "beleza. cerveja?" e ele: "uns copos. um. dois." acho bem interessante a ideia e a maneira de chamar para um chopp. "uns copos?"

quinta-feira, abril 23, 2009

a crônica do destak da semana. e amanhã nói posta mais.

passei uns dias em paris na semana passada. e como já tinha estado lá, partimos para programas meio improvisados. ou pelo menos programas que eu nunca tinha feito ou imaginado fazer em paris. o mais bacana deles foi a visita a um mercado de pulgas. é muito interessante conhecer a frança através das pequenas coisas que os franceses tem para vender nesses lugares. é um poster de uma propaganda antiga de um refrigerante que já não existe, um par de sapatos que é mais gasto na sola do lado de dentro do pé. uma senhora que costura enquanto vende vestido de 1900 e tal. recomendo. a coluna que saiu no destak esta semana foi sobre isso.

e como a coluna sai numa página que se chama "viagem"-- achei que era um boa dica para quem lê aquela página em busca de idéias para viagens.
algo por aí.


quarta-feira, abril 22, 2009

diálogo breve. 3


- mas fernando, eu não sabia que você chorava assim. eu nunca imaginei ver você chorando com tanta vontade. sempre achei você mais introspectivo e durão. mas chorão, não.

- porra mulher, e eu não sabia que o filme surpresa que você tinha comprado os ingressos era "marley & eu." não fode. [snif]