quinta-feira, abril 16, 2009

1,2,3 e

- mas a água está muito fria? não vou pular.

- mas olha o sol. observa  como ele bate na água. imagina como vai ficar essa foto. a gente com os braços para cima. o reflexo. as pernas no ar. essa foto vai ganhar a internet. as pessoas vão postar em blogs. no flickr. vão usar como proteção de tela do computador. a foto vai ficar linda.

- você tem razão. um, dois, três e...

quase deu certo.

a casa deles não era perfeita. mas era quase.
o quarto não era perfeito. mas era quase.
o banheiro não era perfeito. mas era quase.
a decoração não era pefeita. mas era quase.
a cozinha não era perfeita. mas era quase.

mas um dia eles se separaram. cada um para um lado.

porque ele não achava ela perfeita.
e ela achava ele-- quase.

quando ela subiu na balança.

- amor, olha para lá.
- mas qual é o problema?
- não quero que você veja quanto eu peso.
- mas você está linda.
- mas...
- amor... eu não me importo.
- mas é psicológico.
- psicológico?
- é, você não vai dizer nada. provavelmente dirá que ama e que eu sou linda de qualquer maneira...
- mas eu te amo.
- o problema é que você não vai conseguir controlar. uma vez que você descobrir o número exato, você não vai conseguir tirar ele da cabeça.
- [silêncio]
- [silêncio]

ela sobe num salto só.

e ele grita quase que involuntariamente-- no instante que o ponteiro da balança acelera na direção dos 80 kg:
- desce caralho!!!!!!

terça-feira, abril 14, 2009

o inventor que era inventor apenas na sua imaginação.

desde pequeno ele sonhava em ser inventor.

sua primeira invenção foi uma caneta que imitava a assinatura da mãe e do pai para assinar provas da escola com notas baixas. era uma bic azul.  mas era preciso muita prática até acertar a assinatura. e muitas vezes só colocando papel vegetal sobre a assinatura real para imitar com perfeição.
depois ele inventou uma maneira de ver a bunda de meninas na praia sem ser notado. o pai dele chamava de  "meus óculos escuros." e ele de "invenção para ver as bundas das amigas da minha irmã mais velha sem ser notado."

quando ele ficou mais velho ele inventou a piada que todo mundo ria. e como funcionava? bom, ele comprou um livro de piadas. escolheu a melhor. ensaiou, ensaiou. acertou o timing. testou com os amigos. os irmãos. os primos. e só contava a piada em mesas de bares regadas de cerveja. e só depois de duas rodadas de cachaça. e  só quando a maioria das pessoas na mesa torciam para o time que ganhou na rodada daquele dia.

quando casou, inventou  as duas desculpas mais usadas no mundo: "estava trânsito meu bem, desculpe pelo atraso." e "eu estava numa reunião e não podia atender o celular." e provavelmente  também uma das mais usadas no mundo-- para o chefe: "o computador deve estar com algum problema, eu juro que tinha este documento pronto."

Inventou a ultrapassagem em alta velocidade na estrada. que consistia em acelerar e colocar o farol alto ao mesmo tempo. assim os carros a sua frente saiam rapidamente. invenção que só funcionava com carros rápidos. inventou o extra cheese burger. uma invenção deliciosa em que consistia de colocar não uma, mas duas fatias de queijo entre a carne e o pão. inventou o café super hiper forte. simples. ele colocava o dobro de pó de café na hora de fazer o seu. 

inventou de tudo um pouco. e poderia ser milionário. ou melhor, bilionário se tivesse patenteado qualquer uma das suas invenções.  mas ele, era tão destraído que nunca preencheu a papelada. ou pelo menos era essa a impressão que ele tinha na sua cabeça. foi a falta de preencher a papelada destas patentes que fez com que ele nunca tivesse as glórias do maior inventor de todos os tempos. felicidade mesmo, ele tinha quando inventava mais alguma coisa. sempre genial. você provavelmente já usou uma invenção dele hoje. a invenção de dormir mais cinco minutos depois do alarme tocar, por exemplo-- é dele. 

o livro de reclamação português.

tem um negócio que eu acho interessante aqui em portugal. não acho perfeito. mas interessante. é o livro de reclamações. e o que é este livro? bom, você sentou num restaurante e a comida demorou uma hora? ah, não só demorou uma hora como serviram o fera da mesa ao lado antes, apesar do fato do fera ter chegado meia hora depois de você? livro de reclamação nele. você levanta a mão e pede para o gerente trazer até a sua mesa o livro de reclamações. um livro que você escreve exatamente o que aconteceu: "eu cheguei no restaurante e serviram um fêla da mesa ao lado antes de mim. e isso contando com o fato do fêla, além de ser um fêla, ter chegado depois de mim..." no dia seguinte, por lei, o restaurante é obrigado a levar o tal livro (que na verdade é um caderno A4) num local pré-determinado. lá a reclamação será julgada ou anotada. se o restaurante acumular muitas reclamações, sinal de que tem alguma bosta rolando lá. hora de fazer uma inspeção. ou, se a reclamação envolver rato fazendo sapateado sobre a salada, intervenção imediata. se você que está lendo isso mora no brasil deve estar pensando: "nem fudendo erick. duvido que você segure a onda e pede um caderninho para escrever uma bronca ao invés de gritar.... duvido." é curioso. e assim sem ter testemunhado uma cena destas, você nunca iria compreender. mas eu que já vi pedirem, já senti o drama. a música pára. as pessoas prendem a respiração. o gerente olha com carinha de dor e de cachorrinho abandonado na tentativa inutil de frear a caneta do cliente puto. não funciona em qualquer lugar. mas é no mínimo curioso. o poder de um livrinho com este nome. ou seja, se você estiver por essas bandas e estragarem o jantar a luz de velas em que você pediria a mão da sua ex-futura mulher em casamento-- o livro de reclamação é de fácil acesso. é só pedir. mas só se precisar mesmo. ou se não rola a inspeção. belê?

quinta-feira, abril 09, 2009

escute sempre a sua mãe.


a mãe, como sempre, insistiu que ele levasse o casaco.
mas ele puxou o pai, era teimoso.

sabado, sol, sandra e maria


ele nunca perguntou o nome das duas. (sandra e maria)
nunca perguntou de onde elas eram. (do rio)
nunca perguntou se tinham namorados (sandra não. maria sim.)
nunca perguntou se elas ficaram interessadas nele. (sandra não. maria sim.)

passaram um fim de semana na casa da tia de uma delas. ele fora convidado por um amigo de um amigo que teve que voltar antes para são paulo para uma reunião.

dormiram os três na mesma cama. ele, sandra e maria. nesta ordem.
e ao fim de três dias cada um foi para o seu lado.

aí ele perguntou se podia tirar uma foto.

mas nunca perguntou se a foto-- contra a luz do sol-- atrapalharia a revelação. (atrapalhou).

eu também tenho.

ele se recusava a comprar um ipod.
"eu também consigo carregar 10.000 músicas para todos os lados! quer ver?" e sempre que alguém aceitava o desafio, lá vinha ele carregando sua coleção inteira de lps.

e lá de trás da pilha era possível escutar ele resmungando: "ipod de cu é rola."

quarta-feira, abril 08, 2009

a crônica do destak da semana.


as colunas do destak são sempre experiências minhas. dicas, restaurantes e tal. afinal a coluna sai num caderno de viagens do jornal. ou melhor, na página de viagens.

essa semana pedi para o renato e a luciana que trabalham aqui-- se eles tinham algumas dicas interessantes.

bom, a coluna dessa semana sai com o título "três brasileiros em lisboa" por isso. eu escrevi. mas as dicas, são dos dois.

sexta-feira, abril 03, 2009

o problema mesmo não era virar lobisomem, mas a pourra da monoselha

não estudaram...


as quatro não estudaram para a prova.
mas as quatro passaram-- e com as melhores notas-- na aula do professor geraldo.

camiseta muito boa.

cesta de 3



faltavam 2 segundos e alguns centésimos para acabar a partida. o time dele perdia por um só ponto. ele podia entrar no garrafão e marcar dois. dois pontos. mas não, naquele dia ela estava na arquibancada assistindo o jogo. depois de tanto tempo, ela veio. ele olhou de canto de olho para ela e tentou uma cesta de três.

errou.
mas ganhou a menina.

terça-feira, março 31, 2009

os da frente

amiga puxa conversa com um amigo da faculdade:

- mas porque é que você nunca sai sorrindo em nenhuma foto?
- já te contei o apelido que eu tinha quando era pequeno?

mas ela era ciumenta assim?


todos os números de telefones estavam lá no caderninho. todas as conquistas até aquela namorada. todo o "antes" estava ali. namoros curtos, médios, histórias contadas e as não contadas.

ele listou todos com um código de cores. ao lado de cada um dos telefones, uma cor. nada de nomes. azul era uma mulher. verde era outra. verde claro era um outra parecida com a verde. amarelo era uma ex-namorada. roxo, uma amiga de uma amiga que ele comeu uma vez num motel perto do trabalho. marrom, cinza, dourado, mulher, mulher. cada cor, os dígitos de um telefone diferente.

com medo da atual mulher descobrir, ele criou um outro código para as cores. pegou uma folha de papel e ao lado de cada cor, colocou um algarismo romano. agora ele tinha o caderninho de telefones cada um com a sua cor. e uma folha de papel com algarismos romanos que se referiam a cada cor. o algarismo romano "I" correspondia a cor azul que era o nome de uma mulher. o II ao de outra. o III, alguém que ele sempre quis comer. o IV de uma gostosa. e assim por diante. bom, mas para descobrir o nome correspondente aos algarismos romanos, ele pegou uma outra folha. nessa ele colocou o nome de mulheres ao lado dos algarismos romanos. duas folhas com códigos. a folha das cores dava acesso aos algarismos romanos. a folha dos algarismos dava acesso ao nome das mulheres.
mas, como a mulher era mesmo ciumenta, ele misturou os nomes. mariana era na verdade ana. maria era mariana. antônia era joana. e assim por diante. os nomes davam dicas para o nome real ao lado do algarismo -- que ligava a cor-- que ligava ao caderninho--- que ligava ao telefone.

mas a mulher dele era tão ciumenta que ele colocou cada uma das folhas num cofre diferente em bancos de estados diferentes. a folha com as cores que revelavam o algarismo romano no cofre de uma agência bancária em manaus. e a folha com os algarismos que revelam os nomes misturados das mulheres no cofre de um banco de renome curitiba. o cadernino ficou na casa do irmão que morava em petrópolis no rio. no cofre que o irmão tinha atrás de um quadro falso na parede da cozinha em que o sol nunca batia.

depois de 4 anos o namoro com a atual mulher acabou. a primeira coisa que ele fez foi viajar até petrópolis atrás do caderninho com os telefones de todas as conquistas da sua vida. visitou os dois bancos. juntou as duas folhas com os códigos-- e mais uma folha de caderno rabiscada com linhas tentando ligar nomes de mulheres-- com nomes de outras mulheres como se tentasse juntar o nome falso com o verdadeiro e vice-versa.

depois de 6 dias tentando acertar a combinação para chegar ao telefone de uma mulher que ele sempre teve tesão e que disse que o esperaria para sempre, ele desistiu.

ligou para a namorada ciumenta, único telefone permitido na memória do celular dele. declarou o amor eterno. pediu desculpas por algo que não tinha feito e voltou.

o começo.


ele sabia como ia terminar aquele namoro. ela descobriria que ele só queria comer ela e tentar um esqueminha com ela e a melhor amiga dela-- ao mesmo tempo-- e terminaria o relacionamento. ele só precisava descobrir como ia começar.

intervalo.

- cacete! filho! o que passou na sua cabeça para ficar assim todo estourado!? você quase morreu!
- mas... mas... mas mãe, no comercial os caras que tomavam o refrigerante-- voavam.
- ah tá, no mesmo intervalo comercial tinha uma família com um seguro de saúde maravilhoso, com todos felizes cantando uma musiquinha no final.