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- eu queria quatro caixinhas de ristretto, por favor.
- ristretto é o mais forte.
- ah, eu sei.
- muito forte.
- ok, eu, eu, já experimentei.
- você já experimentou o roma ou o arpeggio?
- hmmm, já, eu prefiro o ristretto.
- muito...
- forte?
- isso. muito.
- ok, eu queria quatro caixinhas.
- mais alguma coisa?
- faz o seguinte, coloca mais uma...
- CINCO?
- isso. cinco.
- nossa... (com olhos arregalados de verdadee repetindo "cinco" baixinho.)

nunca fui de levar tupperware para o trabalho. tupperware com comidinha. com o peito de frango empanado. acho que levei uma vez e esqueci na geladeira. ou levei duas, e deixei o molho da carne escorrer pela mochila e para sempre fui perseguido por cachorros pelas ruas. depois tem a história do microondas, do garfinho. da faquinha. da lavagem. tupperware é complicado. bom, mas a minha idéia não é levar tupperware para o trabalho. mas para os restaurantes. vou começar a levar para casa três quartos de todos os pratos que eu peço. não sei o que está acontecendo em portugal. não sei se existe um movimento para secar as geladeiras, os estoques de todos os restaurantes. mas a cada semana que se passa, as porções crescem. como uma vez escrevi aqui, são ceias. é natal e ano novo todos os dias. tupperware. não esqueça de colocar na sua mala se está prestes a embarcar para lisboa.
não tenho nada contra taxistas. acho das profissões mais importantes para ser sincero. quando morava em são paulo, por exemplo, cansei de sair de taxi para evitar voltar depois de ter bebido. em lisboa, como não conheço um milésimo da cidade, muitas vezes dependo dos feras para circular. e o melhor: aqui é barato para cacete. se você comparar com são paulo, é claro. mas numa boa, eu não sei o que se passa pela cabeça de muitos taxistas daqui. muitos são gente finas, gente boa, sempre dispostos. mas, quando você pega um taxi com um humor digamos, com um deficit gigantesco de sorrisos, complica. e digo complica porque você não tem muitas alternativas. não dá para no meio do caminho, numa ruela de lisboa que você não tem idéia onde fica no mapa, pedir para sair. o que nos leva ao título deste textinho. o bar lagoa do rio tem a mesma fama. os garçons são ranzinzas. marca registrada dos caras. o chopp é bom. o kassler é fucking fuckers. por isso mesmo, meio rio de janeiro segura a onda e atura a ranzinzês deles. a falta descarada de sorrisos. o bar lagoa é o que me faz ficar zen quando encontro um desess taxistas. eu preciso chegar em algum lugar. os caras conhecem as ruelas como ninguém. é como o carinha do bar lagoa. muitas vezes, numa tarde suada do rio de janeiro, o chopp do bar lagoa é necessário. é preciso engolir o orgulho para engolir o chopp. anos de bar lagoa preparam qualquer carioca para os taxistas de lisboa. por isso, fica aqui a minha sugestão: você planeja uma viagem para lisboa? planeja morar aqui? bom, garanto que mesmo que você compre um carro, vai adquirir o hábito de circular pela cidade de taxi. mas vamos a sugestão. é o seguinte, frequente o bar lagoa repetidamente antes vir para lisboa. almoce. jante. chegue no horário de pico e peça uma mesa para 12. quando chegar o seu pedido, pergunte se é possível dividir em três pratos. peça chopp sem colarinho e depois mude de idéia. ah, e diga que mudou de idéia pois viu uma menina lambendo o bigode de espuma de chopp e ficou cheio de idéias. bom, depois de enfrentar a ira dos garçons do bar lagoa, você estará preparado. pronto para enfrentar os taxistas de lisboa. vai por mim.
uma lei. sabe quando você vai começar a falar de um filme que você viu no cinema e alguém que ainda não viu o filme levanta a mão e diz: "conta não, comenta não, eu ainda não vi..."? todo mundo já esteve nos dois lados. no lado de quem já viu o filme. e no lado de quem não viu. eu já implorei para não contarem. mas acho , só acho que deveria ser estabelecido um prazo oficial. imposto por lei mesmo. governo e o escambau: "a partir de hoje, apenas os filmes lançados nos últimos 2 meses não poderão ser comentados." exemplo: "você viram aquela cena de transformers...." proibido. o filme foi lançado final de agosto. pelo menos aqui em lisboa. agora, se alguém levanta e fala: "putz e aquela cena de indiana jones e o templo da perdição..." e uma outra pessoa levanta a mão e implora: "não, não comenta não.... eu ainda não assisti, tenho que ver esse filme..." desculpa meu amigo, indiana jones e o templo da perdição é de 1989. pela lei do prazo dos filmes que podem ser comentados, indiana jones e o templo da perdição tá dentro. tá valendo. é claro, que, como toda lei, existem pequenos adendos. o final de o sexto sentido não pode ser comentando nem 20 anos depois. mas o resto está valendo. a lei do prazo dos filmes que podem ser comentados.
esses dias fui visitar uma cidade miniatura aqui perto de lisboa. tudo é miniatura. tudo termina com inho ou inha. casinha. cavalinho. carrinho. e por aí vai. é bacana. é interessante. só tem uma problema: o passeio dura uns 2 minutos. sério. cada passo que você dá, dentro da mini-cidade, equivale a uns 60 numa cidade normal. ok, tem mais um problema: o caminho de carro até lá é por uma estrada de tamanho normal. ou seja, a ida e a volta demoram o mesmo que demoraria para chegar a uma cidade turística qualquer. mas o passeio dura 2 minutos. mais ou menos o tempo que você levou para ler este textinho.
agora com a invenção da tal coca zero fico imaginando os caras dos restaurantes confusos, no fim do mês. quando chega a hora de fazer o pedido para o restaurante:
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- hmmmm...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- qual tem menos calorias?
- não sei. é igual.
- mas...
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- uma é light e não tem calorias. a outra é zero e não tem calorias.
- isso.
- hmmmm....
- coca-cola zero ou coca-cola light?
- vamos conversar mais sobre isso amanhã?
- ok. amanhã a gente retoma a reunião.
- amanhã.
não sei qual é a idéia dos caras: "vamos fazer 5 canais passando seriados fucking fuckers simultaneamente para conquistar o mundo." talvez essa é a idéia dos caras. mas o que acontece é que eu, pelo menos, fico pulando de seriado em seriado e não assisto nenhum. assisto pedaços. não acompanho mais seriados. acompanho pedaços. o que é bem diferente não sei que caráio se passa pela cabeça dos caras da fox: "esses fêlas das puta não vão assistir nenhum outro canal . apenas os nossos. caguei baldes que eles não consigam acompanhar essas série todas. caguei. o importante é afastar eles dos outros." e é mais ou menos o que acontece. ou pelo menos lá em casa. "house, você assistiu o último capítulo erick, foi sensacional." e eu: "assisti três minutos de house. três de 24 horas. três de criminal minds. três de comerciais. três de um programa que já estava subindo as letrinhas. house, house, eu não assisti. mas os três minutos que eu consegui pegar, prometiam." quando eu era moleque era muito mais fácil. não fódi, a minha tv tinha apenas 4 canais.
sempre fui bem mais ou menos na hora de estacionar o carro. bem mais ou menos não, sempre fui bem ruim. ruim para caráio. já estraguei, destruí muita calota de carro. sempre que existe o serviço de valet parking, não penseo meia vez antes de dar as chaves do carro para um estacionador profissional. bom, mas esse fim de semana, pela primeira vez, dirigi um carro com sensor de estacionamento. e não estou falando de um apitozinho quando eu estou prestes a bater num poste. não, esse sensor é foda. é 360º. passou um gato pelo lado direito do carro, ele apita de leve. passou um cão são bernardo carregando um barril de whisky no pescoço, ele apita mais forte. de um minuto para o outro fiquei fodalhão para estacionar. e vale dizer que o carro é para 9 pessoas. ou seja, grande para cacete. ah, e isso nas ruas estreitas de lisboa. e das cidades pequenas do interior de portugal. caplicado meu amigo. se antes a minha mulher ficava tensa ou tinha que sair do carro para trabalhar de manobrista, esses dias ela ficou tranquila. é uma sensação de poder enorme. para ser sincero, cá entre nós, me senti no império contra ataca. aquela continuação de guerra nas estrelas em que o obi wan kenobi, o jedi master fucking fuckers aparece em espírito para guiar o jovem luke skywalker. neste caso, eu sou o luke e o sensor mega blaster do carro que eu aluguei é o obi wan kenobi. isso, é como se eu estivesse fazendo um test drive nos poderes dos jedi. acho que isso é o mais próximo que uma pessoa pode se sentir próximo dos poderes de um verdadeiro jedi. se você é fã da série guerra nas estrelas, recomendo um fim de semana estacionando um carro com o apoio espiritual de obi wan kenobi. se você é um cocô no volante como eu, também.
a naomi, minha sobrinha de 5 anos é muito esperta. mais esperta do que eu quando tinha 30 anos de idade.
bom, dois anos atrás, quando ela tinha 3 anos e eu 30, fomos visitar ela nos estados unidos. logo no primeiro sábado fomos fazer um pic-nic num parque. e, enquanto eu tentava dar uma dentada num sanduíche, uma formiguinha começou a subir pelo meu braço.
- naomi, eu vou deixar o sanduíche aqui do lado.... não se mexe não tá...
- mas porque, tio erick?
- porque eu vou matar essa formiguinha aqui ó. essa que está escalando o meu braço.
- porque tio erick?
- porque ela pode me morder. e depois, morder você...
- porque tio erick?
- como assim porque naomi?
- porque que ela vai te morder?
- porque... não sei, porque...
- não mata ela não tio erick.
- mas...
- tio erick, a gente tá fazendo pic nic na casa dela.
- na casa dela? na casa da formiguinha?
- isso, é a gente que está na casa da formiguinha. ela não tem culpa.
- é verdade naomi. não tinha pensado nisso.
- mas porque, tio erick?
- fui no zoológico esses dias. colocaram os dromedários e os camelos lado a lado. em espaços separados, mas lado a lado. não entendi o que eles falavam é claro. mas juro que testemunhei um cuspida de feno, de catarro, ou os dois. tenho certeza que um estava sacaneando o outro: "eu tenho duas corcovas, você não tem! nã, nã, nã, nã, nã não." certeza.
- os golfinhos são tão, mas tão inteligentes durante o show que tenho certeza que todas as noites separam eles, colocam cada um num pequeno áquario separado. se eles ficarem juntos é questão de tempo para bolar um plano e escapar. com certeza.
- o zoológico aqui de lisboa tem um pequeno teleférico que faz um circuito sobre as jaulas do zoológico, por cima delas. fiquei imaginando os animais lá debaixo, principalmente os leões, tigres, pumas e os primos deles: "filhos das puta, primeiro colocam a gente nessas jaulas. agora ficam tentando a gente com esse bando de pessoas suculentas circulando aqui em cima. é como ir a uma churrascaria rodízio e o garçom circular pela sua mesa, sem nunca parar. mas tudo bem, tudo bem, daqui a pouco os golfinhos pensam em alguma coisa. algum plano."
dublê chega em casa com a cara sangrando, sem três dentes da frente e mancando.
mulher pergunta:
- e então amor, como é que foi o seu dia?
e ele:
- o de sempre. capotei um carro. saltei de um prédio em chamas e o paraquedas não abriu.
mulher:
- arroz?
e ele:
- e um pouquinho de salada.
dublê chega em casa e encontra a mulher dele com outro.
- caceta! que pourra é essa?
e o outro cara fala:
- foi mal, achei que você ia entender...a sua mulher me disse que você era um dublê.
dublê chega em casa e fala para mulher:
- amor, e aí, vamos ao shopping comprar sapatos?
e a mulher:
- mas você não é meu marido. é o dublê dele.
e o dublê:
- seu marido está quebrando uma para mim. foi ajudar a minha mulher escolher cortinas e papel de parede.
toda empresa. todo grupo de amigos. tem sempre um cara que é o churrasqueiro oficial. e, se não for oficial, pelo menos a responsabilidade sempre cai no colo dele. por imposição do outros que não possuem nenhuma habilidade com o carvão e a carne. ou porque o cara é simplesmente o único que consegue fazer carne para mais de 20 pessoas, da maneira como cada uma das vinte quer. tem a menina do financeiro que tem pavor de carne vermelha. tem o outro cara que só come a vaca quase viva. tem um pessoal que curte mais salgada. tem gente que curte menos. taí o grande desafio do cara. do eleito. do churrasqueiro oficial. alimentar um firma inteira sem foder a carne. e isso quando, a firma inteira contribuiu um tiquete, cinco euros para comprar a carne. a pressão é foda. dia desses num desses churrascos, em são paulo, observer que o churrasqueiro oficial não comia. tava meio nervoso. com as subácas suadas enquanto vigiava uma vinte tiras de picanha. perguntei: "e aí, beleza? tranquilo? não vai comer nada?" e ele: "tô tenso. acabei de levar um esporro da menina do financeiro. ele queria a carne bem passada." e eu: "mas, você não vai comer?" e ele: "cara, perdi a fome." para mim, a função de churrasqueiro oficial de qualquer grupo é um castigo. é foda. muita pressão. uma tarde debruçado sobre carvão quente e meia tonelada de carne com a responsa de fazer a carne como todos querem. acho, só acho que o cara que se oferece para esse esquema deveria sempre receber um bônus bacana no final do ano. mas negócio oficial mesmo. ou bônus ou uma semana extra de férias. o cara é um herói. com direito a estátua de argila no jardim da empresa. puta trabalhinho do caralho. toda empresa. todo grupo de amigos. tem sempre um cara que é o churrasqueiro oficial.

pimenteiro. ou pelo menos é isso que todo e qualquer site que o google fuçou diz que se chama a bagaça. pimenteiro, é o coisinha, o objeto que é usado para aplicar generosas doses de pimenta sobre o seu prato sem sabor. ou com pouco sabor. ou um prato que está ok, mas que o garçom insiste em oferecer uma torcida de pimenta sobre ele. então, fui num restaurante dia desses, meio chique trips, cheio das nove horas. mini sopinha servida antes da mini saladinha e tal. o lugar era bacana. bom, e foi lá que eu encontrei, ou pelos menos vi, o pimenteiro mais fucking fuckers de todos os tempos. um pimenteiro que era do tamanho de uma criança de 7 anos que é considerada baixinha pelos amigos da escola. um pimenteiro que quando as pessoas chamavam, dois garçons levavam o negócio para a mesa. um pimenteiro que custou a vida de duas árvores daquelas com uns seis anéis se cortadas com um serra elétrica bem afiada. bom, mas esse esquema de pimenteiro não é lá assim uma grande novidade, você deve estar pensando. eu sei. mas, o que eu venho observando cada vez mais a ponto de chegar a conclusão de que o negócio é meio sério. ou, a ponto de desenvolver uma teoria. o que eu venho observando é que o tipo, o tamanho, o custo do pimenteiro está diretamente relacionado ao preço da conta que vai chegar na sua mesa. vale ressaltar que isto não é uma regra. mas, sempre que você encontrar um pimenteiro desses que custou mais caro do que um fiat uno, fodeu. pode começar a fazer aquelas equações na cabeça, porque a conta vai ser daquelas que faz brotar uma gota gorda de suor no canto da cabeça. e o fato de você encontrar um restaurante com um pimenteiro desses não significa que a comida é uma bosta. muitas vezes você não vai sequer sentir a necessidade de chamar o fera. o cara que da pimenta. o pimenteiro zambers foi um maneira que o dono da casa, do restaurante encontrou para justificar o preço do ravioli ao sugo por sei lá, uns 52 reais. da vitela com lascas de cogumelos selvagens. vai por mim. entrou num restaurante, viu um pimenteiro desses, fique esperto. atento. olho na coluna direita dos pratos antes de selecionar um. tem o saleiro e o

dia desses no meio de uma conversa notei a existência deste negócio, o "eu li em algum lugar que..." você faz, eu faço, todo mundo faz. alguns fazem com mais frequência, outros sequer notam que fazem. o "eu li em algum lugar que..." é um negócio curioso. está frase permite você falar qualquer coisa que as pessoas vão acreditar. se não acreditam 100%, acreditam mais de 51%. ok, se você falar um coisa que não faz qualquer sentido tipo " "eu li em algum lugar que... o the police tem esse nome porque o pai do sting era policial e sonhava que o filho, neste caso o sting, fosse policial também. e como ele não levava jeito para políça, lançou uma banda com o nome." se você falar algo assim, as pessoas podem até não acreditar, mas só o fato de você ter falado "eu li em algum lugar que...", já coloca algum tipo de credibilidade na história. e falo isso pois quando notei o fator "eu li em algum lugar que...", era eu mesmo que estava cagando algum tipo de regra. como volta e meia fico fuçando sites de notícias, jornais. sempre, sem querer lanço um "eu li em algum lugar que..." numa conversa. e tenho certeza absoluta que na grande maioria das vezes falo umas barbaridades. e as vezes, mesmo que você tenha lido mesmo, as pessoas podem até duvidar. o importante é ficar repetindo "eu li em algum lugar..." certa vez falei "eu li em algum lugar que... as cias. aéreas americanas estão se fudendo com combustível porque os americanos estão obesos. carregar esse pessoal mais pesado está custando os tubos. mais panças para transportar. mais peso. mais peso, mais combustível." bom, eu li isso em algum lugar. e me lembro o dia que falei isso em alguma mesa de bar e alguém disse: "não fódi erick, não é possível." e eu: "mas eu li em algum lugar." e o carinha, ao escutar essa expressão mágica pela segunda vez, disse: "ah, você leu, ok." experimente fazer isso. mesmo que você não tenha lido. fale alguma coisa meio sem sentido como : "eu li em algum lugar que... vão lançar o 008, o filme com o irmão malvado do 007." ou "eu li em algum lugar que...os peitos da pamela anderson não são silicone. ela carrega duas melancias maduras debaixo da camisa que são trocadas de dois em dois dias." sei lá, qualquer cagação de regra também vale. "eu li em algum lugar que... não faz bem comer pão com manteiga que estava na geladeira." "eu li em algum lugar que... se a espuma da cerveja sobe quando você entorna no copo, significa alta presença de bactérias." o "eu li em algum lugar que..." funciona sempre. é impressionante. tem um poder fantástico. você, por exemplo, que acaba de ler isto aqui neste blog, quando for usar a tal técnica-- pode sempre comentar "eu li em algum lugar que..."