segunda-feira, março 28, 2005

ahhhh! as caminhadas.

não entendo esse papo sobre caminhadas. olha-- não estou falando daquelas caminhadas em que as pessoas se exercitam. esse tipo de caminhada eu acho sensacional. faz bem pra saúde. não. estou falando das caminhadas de meditação. aquelas sem destino. de jeans, casaquinho e as mãos no bolso. aquela em que as pessoas saem falando: "ai, vou caminhar pra pensar na vida, resolver as coisas, colocar os pingos nos 'is', colocar tudo em ordem. em perspectiva!?" como assim? sério. sem querer parecer ser um cara chato, mas desde quando você precisa caminhar pra decidir essas coisas? é o que você mais vê em filmes e novelas: pessoas caminhando na praia e no campo, com um sweater nos ombros e um chinelo na mão. acho caminhada uma bosta. puta negócio sei lá. andar em câmera lenta, pensando na vida. apontando para passarinhos e resolvendo equações de segundo grau na cabeça. contando
borboletas. respirando o ar puro da montanha que já nem existe mais. eu sei-- tem muita gente que gosta de dar essas caminhadas. mas eu acho coisa de mané. que não resolve porra nenhuma. sério, quer pensar na vida? decidir se vale a pena investir todas as suas economias no apartamento dos seus sonhos? pedir a mão da sua namorada em casamento? caráio-- abre uma cerveja tinindo de gelada, deite no sofá e coloque o futebol bem baixinho na tv. não precisa ser o flamengo. qualquer um. e aí-- quando a bola sair pela linha de fundo-- bem, aí você pensa. pensa mesmo. na vida e em qualquer coisa. sem dramas. caminhada é o caráio. caminhada com passarinhos cantando ao fundo é coisa de fêla da puta que não tem o que fazer. ahhhh! as caminhadas.

o massacre.

comi coração e ovo ontem no jantar. porções iguais. dois ovos dos grandes. uns doze corações pequenos--pequenos mas suculentos. coloquei os ovos por cima e dei uma misturada boa. adicionei bastante sal e sentei o garfo no prato. com jeito--pra não espalhar a gema. gema só tem graça quando é misturada com alguma coisa. gema sozinha no prato não dá. voltando ao prato. depois de umas oito garfadas generosas--raspei o prato. (outra coisa sobre ovo. ovo tem que ser comido quente. ovo frio não dá. frio--só besuntado de maionese.) pra terminar escoei uns 300 ml de coca light pela garganta.

não muito longe dali, num galinheiro, centenas de galinhas se reuniam ao redor de uma tv de 12". todas elas atentas--sem soltar uma pena--assistindo o plantão de notícias--na tv presa no girovisão no teto do galinheiro. "massacre de galinhas em são paulo. mortes com requintes de crueldade e rituais satânicos. sujeito mastiga os corações de várias galinhas banhado nas gemas dos próprios ovos. governo promete reforços."

terça-feira, março 22, 2005

o enigma do guarda-chuva.

não existe nada mais estranho do que um drink com aquele pequeno guarda-chuva. estranho, cafona, sei lá, sempre achei estranho desde pequeno. aquele guarda-chuva colorido enfiado dentro de um copo sempre me deixou um tanto intrigado. se você tentar racionalizar esse troço não faz sentido. mas não deixa de ser engraçado. a primeira coisa que me veio a cabeça--era que o guarda-chuva servia para fazer sombra no gelo do drink. manter ele gelado. ou, se o drink não tiver gelo-- simplesmente manter ele afastado do sol. idéia essa-- que foi descartada quando eu notei que copos de cerveja não vinham com o guarda-chuva. e caráio-- de todos os drinks, se tem um que não pode se dar o luxo de esquentar um grauzinho é a cerveja. depois, eu cheguei a conclusão que o guarda-chuva existia para proteger o copo da saliva dos outros. você sabe, com o bar lotado de gente. pessoas se estapeando e gritando para falar com o bartender-- existe sempre a chance de pousar uma gotícula de saliva dentro do seu drink. mas não, acho que num bar, essa é a última preocupação de uma pessoa. até porque a grande maioria das pessoas frequenta os bares com o objetivo de trocar saliva com outras pessoas. por alguns segundos também pensei que ele servia para não molhar o bigode na hora de cada gole. hmmmmm, também não era isso. e foi assim, eliminando as alternativas--que eu cheguei a uma conclusão: o guarda-chuva do drink tem sim uma função muito importante. é. te fuder. arrancar mais um din-din do seu bolso. o guarda-chuva tem o poder de transformar um simples coquetel de frutas num "summertime fruit cocktail". um simples suco de laranja com vodca, num "sunshine happy people". é mais ou menos como a cereja enfiada no palitinho e a rodela de laranja agarrada na borda do copo. dia desses perguntei para um garçom se o drink sem o guarda-chuva tinha desconto. mas ele achou que eu estava brincando. uma pena, custou quase o preço do prato.

nomes.

george foreman foi um grande boxeador. um dos maiores. tanto em talento como em peso. mas, desde que se aposentou, o george virou garoto propaganda de uma churrasqueira. e por isso, corre o mundo dando entrevistas e promevendo o produto. e foi numa dessas entrevistas que ele contou uma coisa muito curiosa e engraçada sobre a vida dele. é. ele contou a razão que fez ele escolher para seus três filhos-- o mesmo nome. o nome dele. além do george foreman pai, são mais três george foremans em casa. george foreman junior. george foreman II e george foreman III. ele explicou que a razão por trás disso, é muito simples: ele tem medo de envelhecer e esquecer o nome dos filhos. é. o cara imaginou que depois de levar tanta porrada na cabeça. por tantos anos, ele corria o risco de ficar um velho gagá e acabar esquecendo o verdadeiro nome das "crianças". em outras palavras: george foreman é mais fácil lembrar. e foi pensando nisso. nessa entrevista. nessa teoria do george-- que eu tive uma idéia. não, eu não vou colocar o nome do meu filho de "george foreman". quando a minha primeira filha nascer, eu vou registrar ela como "cerveja". o segundo filho, eu vou chamar de "jornal". e o terceiro, de "chinelo". no início todo mundo vai estranhar. as crianças do prédio vão zombar. mas daqui a uns 60 anos-- quando eu tiver bem, bem velhinho na cadeira de balanço da sala de casa-- tudo vai fazer sentido. sempre que eu chamar meus filhos. gritar o nome deles-- eles não vão saber
ao certo se eu estou chamando eles-- ou se estou pedindo alguma coisa. por via das dúvidas-- vão fazer os dois. os respectivos filhos vão aparecer sempre trazendo alguma coisa pro véio. quando não for uma latinha de cerveja gelada, vai ser o jornal do dia. e quando não for o jornal, vai ser um par de chinelos. um véio gagá cheio de mordomias. cheio de manias. e com 3 filhos com nomes bem curiosos.

sexta-feira, março 04, 2005

a fumacinha e o cartel.

poucas coisas proporcionam tanto prazer quanto a fumacinha do café. aquela que sobe desgovernada em forma de espiral quando você serve um copo com café fervendo. basta uma fungada firme na fumacinha para ativar as áreas mais dormentes do seu cérebro. café sem fumacinha é como coca sem bolha. batata sem sal. controle sem pilha. carro sem rádio. café sem fumacinha é foda. é coisa de filha da puta. a fumacinha dura entre 40 segundos e 2 minutos. dependendo do tamanho do café e da temperatura externa. fumacinha de café vicia. dá um barato. o que me fez chegar a uma conclusão. o porque das "vós" serem tão populares com os netos. é porque elas, as vós, formam o cartel responsável pela produção e distribuição das melhores fumacinhas que existem.

flashback.

comprei um relógio casio. igualzinho a um que ganhei dos meus pais uns 15 anos atrás. descobri que eles continuam fabricando todos os clássicos. ele é quadrado e tem pulseira de borracha. números grandões digitais--dá pra enxergar de longe. a prova d'água. a prova de roubo. combina com tudo. ninguém nota. pura nostalgia. é uma máquina do tempo que eu carrego no pulso. literalmente. quando as pessoas perguntam às horas, por exemplo, eu respondo: "onze horas de 30 de maio de 1988."

quinta-feira, fevereiro 24, 2005

aperte "1" para física quântica.

você com certeza já ligou para uma empresa e ficou na espera escutando uma musiquinha. ex.: você quer fazer uma pergunta besta sobre uma ligação para a monróvia que apareceu por acidente na sua conta de celular e resolve ligar para a central de atendimento. tudo bem. tudo bom. até que do outro lado atende uma gravação caga-regra. "aperte 1 para isso. 2 para aquilo. 3 para dúvidas. e aperte 4 para ir para puta que te pariu". isso, é claro, se você tiver sorte. é. porque geralmente são umas 26 opções. hoje mais cedo--depois de uns 7 minutos esperando um ser humano me atender e escutando alguma ópera gravada nas coxas-- eu tive uma idéia. não sei se é boa. pode ser. quem sabe. enquanto eu escutava a milésima sinfonia de beethoven --pensei num negócio. porque ao invés de ficar escutando uma caralhada de sinfonias que você já escuta na sala de espera do dentista--você não tem uma aula? é. uma aula! pode parecer estranho. mas pensa só. você liga para a sua operadora de celular e os caras te colocam de banho maria por meia hora. pô. é tempo suficiente para dar uma refrescada numa matéria de química básica. um pouquinho de história. geografia das américas. tipo telecurso 2º grau. só que pelo telefone. caráio. todo mundo sairia ganhando. de um lado, as empresas poderiam continuar te fudendo--com as longas esperas telefônicas. e do outro, você aprenderia uma ou duas coisas novas a cada reclamação que você tivesse que fazer. "bom dia, você ligou para a telefônica! todos os nossos operadores estão ocupados. e--pelos próximos 40 minutos, você pode esperar escutando uma aula. aperte 1, para física quântica. 2, para literatura com ênfase em Machado de Assis e 3, para literatura inglesa Shakesperiana." simples assim.

quinta-feira, fevereiro 17, 2005

os óio.

tenho olhos castanhos. castanhos quase-claros quando olho diretamente pro sol-- e castanho quase-escuro quando,bem, quando está escuro. mas não é sobre a cor dos meu olhos que eu queria falar. queria falar da cor dos olhos dos outros. mas especificamente sobre os azuis e os verdes. nenhuma pessoa em especial. queria falar dos óio mesmo. das bolinhas. você já notou como as pessoas se comportam quando encontram alguém de olhos claros? a reação é sempre a mesma. as pessoas se aproximam e ficam lá investigando a cor. embasbacadas. fazem algum comentário babão do tipo: "caráio...seus olhos...seus olhos....são azuis!" ou algo parecido. olhos claros na minha sincera opinião deveriam ser proibidos. é, proibidos. porra, nascer de olhos azuis equivale a começar um jogo ganhando de 4 gols de vantagem. é como começar uma maratona do KM 20. é como começar uma corrida de fórmula 1 com umas 10 voltas de vantagem. é como, bem, você entendeu. é como sair na frente. e quando eu digo sair na frente, não estou exagerando. tinha um amigo meu que pegava mais gente que van de lotação em dia de greve de ônibus. o fila da puta tinha olhos azuis. não falava muito. era do tipo calado. e enquanto ele ficava borboletando os óio pela boate, o resto da turma tinha que trabalhar dobrado pra atingir o mesmo objetivo. sério. nada contra quem nasceu com um par de olhos claros. mas essa é a mais pura verdade. chama atenção. é por isso que eu acho que deveriam acabar com essa história. nasceu de olho azul ou verde? pimba: lente escura neles. colocar a galera toda como o mesmo cartão de visitas. sem dramas. sem gritaria. e antes que você comece a especular que isso se trata de alguma forma de racismo-- quero deixar claro que eu tenho muitos amigos e alguns parentes com olhos claros. mas você não precisa concordar, é claro. esse é apenas o meu ponto de vista. um ponto de vista castanho quase-claro em dias de sol, e quase-escuro na maior parte do ano.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

liquidação!

não entendo muito esse efeito louco que liquidação tem nas pessoas. é claro que eu sei que os preços estão mais baixos do que no mês passado e que se você comprar agora, vai economizar mais do que um mané que comprou o mesmo produto no natal. mas numa boa, o que acho estranho, estranhíssimo por sinal, é uma pessoa mudar completamente de comportamento ao ver um cartaz de liquidação. um painel de “sale”, “soldes”, “50%”, “queima de estoque”. caráio, tem gente que fica com as subácas moiada. tem gente que larga os filhos sozinhos em casa. tem gente que briga. que xinga. tem gente que muda de personalidade. mas muda mesmo. uma simples e pacata dona de casa vira um hulk. vira um monstro. ganha uma energia de outro mundo. acerta as pessoas na saca. distribui dedáda nos óio. coloca o pé na frente. esconde vestido. compra as vezes só para os outros não aproveitarem a mesma liquidação. afinal, que graça tem você dizer que comprou a tal camisa verde pistache numa liquidação da forum, se uma pessoa pode levantar a mão do outro lado da mesa e comentar com um ar de bosta: "essa calça é de lá! comprei ontém!" é o efeito liquidação. assim como o hulk cresce e fica verde quando fica com a saca cheia, uma pessoa doente por liquidação, mata, atropela, faz qualquer coisa para comprar uma calça bege que está com 22% de desconto. mesmo que o número esteja errado. mesmo que esteja apertada. a doente por liquidações, entra no cheque especial, passa fome, dorme na rua, faz qualquer coisa para colocar as mãos trêmulas numa bolsa louis vuitton. mesmo que tenha sete em casa. não importa, ela tem que aproveitar a liquidação. é uma doença. deveriam inventar um grupo de tarados por liquidação anônimos. o t.l.a. e, para atrair as pessoas para esse grupo seria moleza. fácil, fácil. você adivinhou: é só fazer uma liquidação. “junte-se ao grupo e ganhe 50% de desconto na matrícula.” não entendo muito esse efeito louco que liquidação tem nas pessoas. não entendo.

quinta-feira, janeiro 27, 2005

os bicos do de niro.

domingo é sempre complicado dormir cedo. pensa só: sexta você dorme mais tarde. é natural, depois de uma semana de trabalho, toma um vinho ou duas cervejas e pimba, vai pra cama entre 1 e 3 e meia. com isso você acaba acordando tarde no sábado. no sábado a história se repete e você novamente vai dormir tarde. ainda mais tarde que na sexta. aí chega domingo, o sono não vem. então fica vendo televisão até 2 da manhã tentando pregar os olhos. mas sem pressão. você sabe que uma hora os fêla da puta fecham. mas até que eles decidam fazer isso, você assiste de tudo. pula de canal em canal em canal em canal em canal, bem, você entendeu. assiste pedaços e frações de todos os canais. seriados, filme disso, filme daquilo, vale tudo, polishop, shop tour, gnt, tnt e o caráio. assiste tudo. e foi no meio desse processo que aconteceu um negócio curioso. ou pelo menos eu achei muito curioso. caráio-- eu encontrei o robert de niro trabalhando ao mesmo tempo em 3 canais diferentes. três filmes! um na tnt, um outro no telecine action e um outro no telecine happy. mais uma vez: puta que pariu--o cara tava fazendo bicos em 3 filmes-- simultaneamente. dois filmes eram policiais e o terceiro, uma comédia. vai trabalhar assim na casa da mãe dele. porra. os bicos do de niro me deixaram inspirado. caceta--se o robert de niro, grisalho e já com seus cinquenta e tal, consegue trabalhar tanto numa noite de domingo--eu tinha que pelo menos me esforçar. tinha que me esforçar para acordar cedo na segunda-feira. os bicos do de niro me deixaram com peso na consciência. é. eu tinha que fazer render a porra da semana. trabalhar duro. me espelhar nele. o de niro é um exemplo. o fêla da puta me mostrou que é possível. daqui pra frente tudo vai ser diferente. grande de niro. os bicos do de niro.

detalhes.

- amor?
- o que foi?
- vc não acha que tem algo estranho com a gente?
- hmmm...não.
- sei lá...vc não presta mais atenção em mim...
- claro que presto meu amor...
- mas quando eu digo atenção...eu estou querendo dizer...A-TEN-ÇÃO!
- ué? atenção em vc! eu presto atenção.
- mas em MIM...amor...em MIM!
- caráio...como assim?
- atenção nos detalhes...
- sei...
- atenção em cada pedacinho.
- tá...
- atenção naquilo que me faz única...
- huh...huh...
- é isso...atenção nos detalhes...é...nos mínimos detalhes...
- ok...nos detalhes...acho que eu já entendi!
- é...nas coisinhas pequenas...
- [silêncio]
- entendeu?
- entendi. nos mínimos detalhes...prestar atenção em tudo...não deixar
passar nada...
- isso amor! então?
- pra começar...vc tá com uma casquinha de feijão presa entre os dentes...
--fim--

quinta-feira, janeiro 20, 2005

não confio em pessoas que usam sapatos caramelo.

não confio. uma pessoa que tomou a decisão de gastar duzentos mangos num par de sapatos cor de caramelo, é no mínimo estranha. pensa só: essa pessoa entrou numa loja por livre e espontânea vontade, pediu para experimentar, olhou no espelho e finalmente gastou, sem dó, uma boa grana num par de sapatos caramelados. essa pessoa deve ser estudada. um sujeito que toma uma decisão dessas, não é normal. deve ser questionada. jogada numa sala daquelas de interrogação de filme americano "b". espancada até revelar o que se passa na sua cabeça. o que é aquilo que faz com que um sujeito normal tenha o impulso louco de investir seu dinheiro suado num par de sapatos cor de caramelo nestlé. afinal, se esse cara foi capaz de fazer isso ele é capaz de qualquer coisa. é um louco fantasiado de pai de família. de funcionário da firma. esse cara que sai de casa orgulhoso dos seus sapatos cor de caramelo não pode ser confiado. esse cara provavelmente tem um cinto da mesma cor. esse cara é uma ameaça para a sociedade. eu não compraria um carro dele. não daria bom dia. não tomaria um chopp com ele. não. bin laden deve ter um par da mesma cor. o bush também. se a sua namorada ou até mesmo a sua mulher lhe der de presentes um par de sapatos caramelo, fique esperto. das duas uma: ou ela quer transformar você num ser repugnante para afastar as outras-- ou ela descobriu que você anda traindo ela. não confio em pessoas que usam sapatos caramelo.

segunda-feira, janeiro 17, 2005

a teoria do pac-man.

volta e meia eu leio uma nova reportagem sobre a obesidade. um novo estudo. um novo remédio. uma nova dieta. um novo best-seller. é assunto que não acaba mais. é gordura que não pára de crescer. de aumentar, e pular por cima das calças e escapar pelas mangas. e cada reportagem tem um ponto. um raciocínio. algumas colocam a culpa nos genes. outros no sedentarismo das pessoas. outros ainda, acham que tudo começou com as lanchonetes fast-food. eu discordo. acho que tudo começou com o pac-man. é. aquele joguinho "inofensivo" que o mundo inteiro jogava no início dos anos 80. você pode achar estranho. que não faz nenhum sentido. mas faz. pensa só. se você fizer um gráfico para analizar o crescimento do peso da população mundial-- você verá como tudo teve seu início com o pac-man. quase que simultaneamente. as curvas de crescimento começaram no final dos anos 70 e explodiram no meio dos anos 80. e sabe quem apareceu nessa época? acertou, o pac-man. é. os pais de hoje que socam comida goela abaixo das crianças-- são os mesmos que jogavam pac-man na adolescência. mas porque o pac-man? bem, no jogo, para sobreviver-- você tinha que comer sem parar. comer de tudo. com aquele bocão amarelo. se você parasse de comer, morria. simples assim. e ninguém queria perder ou morrer. resultado: a molecada passava o dia com os olhos grudados na tela comendotudo que o pac-man via pela frente. sem parar. fugindo dos fantasminhas e comendo. e comendo. e aquilo ficou na cabeça das pessoas. e elas cresceram e continuaram comendo. e o mundo não parou mais de comer. mesmo quando as pessoas finalmente desligaram o pac-man-- elas continuaram comendo. condicionadas pelo video-game. é. na minha sincera opinião, a obesidade não é culpa dos genes, ou do mcdonald's. não. caráio-- a obesidade do mundo-- tem um só culpado: o pac-man. aquele insaciável fila da puta--que não podia ver nada na rente-- que tinha que devorar. aquele apetite monstro sem fim. taí a raiz de tudo. de todos os problemas. o pac-man.

terça-feira, dezembro 28, 2004

o garçom.

[restaurante cheio na oscar freire. 22:17. 20-30 minutos de espera.]

- eu vou querer o filé.
- e como é que você vai querer?
- ao ponto. não. ao ponto pra bem passado.
- e pra beber?
- coca. sem gelo e com duas rodelas de limão.
- mais alguma coisa?
- o molho da salada...à parte.
- mais alguma...
- os tomates...os tomates eu quero picados, não fatiados.
- ok. tudo anotado. já vou trazer o couvert da senhora. só uma coisa...
- o quê?
- você prefere que eu cuspa sobre o bife--ou sobre a salada?

o acordo.

dieta é foda. é chato. é anti-social. chegar num restaurante e pedir que troquem as batatas crocantes com catupiry que acompanham o frango--por salada verde é sacanagem. tirar miolo de pão francês. passar manteiga branca sem gosto. recusar gentilmente o cardápio de sobremesas. acho que todo mundo deveria parar com isso. chegar num acordo. um acordo simples. nele, todos concordariam em usar calças de moleton. daquelas largas. que sobram nos joelhos. um país inteiro usando calça de moleton. todo mundo igual. sem essa viadice de contar calorias. pense no armário novo. socado de calças de moleton de ponta a ponta. calça de moleton é confortável. barata e combina com tudo. imagine chegando num bar. pedir uma porção de fritas. caprichada. bolinhos bacalhau. chopp(s). porção de parmesão e pastel de nata de sobremesa. sem culpa. vc vai estar de calça de moleton. maravilha. sem dramas. com elástico. e cordinha para ajustar.

esse acordo, porém--teria uma cláusula: ele teria validade para todo mundo--menos para a giselle.

quarta-feira, dezembro 22, 2004

a bundinha do queixo. (ou "um mini-diálogo entre mãe e filho")

[seis da tarde, quase sete. mãe e filho na cozinha dividem um pote de requeijão e um pacote de bolacha água e sal. ao fundo passa o SPTV segunda edição na televisão semp-toshiba 19” da sala. mariana godoy apresenta com um terninho vermelho e 300ml de laquê no cabelo. já a mãe está de vestido florido, possivelmente costurado pela vizinha. filho está de bermudão bege quase branco, camisa quase oficial do mengão nº7 . debaixo da mesa, ele brinca com um par de havaianas daquelas brancas-- com bandeirinha do brasil. ele boceja, dá um gole generoso num café com leite que já não está mais morno, olha para a mãe e esboça um assunto. ela ajeita os bifocais, joga aquela correntinha sem-vergonha que mantém os óculos no pescoço pra trás e presta atenção na palavra que escorrega da boca do filho. tudo indica que ele fala assim de propósito. só para fazer ela apertar a vista-- e cultivar mais as rugas.]


- mãe?
- o que foi meu filho?
- você acha mesmo que eu sou parecido com o papai?
- [silêncio]
- mãe?
- eu escutei meu filho.
- então...
- eu não entendi a pergunta?
- você acha que eu sou...
- não, não é isso...eu entendi as palavras... não entendi o que você quis dizer com elas...
- é que...
- é que o que meu filho?
- meu queixo tem uma bundinha.
- como?
- bundinha, meu queixo tem uma bundinha. vai dizer que você nunca percebeu?
- bundinha. bundinha no seu queixo. sei... mas o que isso tem a ver com o seu pai?
- você não tem bundinha no queixo.
- [ela deita a torrada no prato e passa a mão no queixo] é verdade, eu não tenho bundinha.
- [ele aponta para o dele.] e eu tenho.
- bundinha. você já disse isso, meu filho.
- o papai não tem.
- é verdade.
- ele não tem uma bundinha no queixo como a minha.
- [silêncio.]
- genes, mãe.
- genes?
- a bundinha do queixo está nos genes.
- genes.
- não nos seus. nem nos do papai.
- mas o seu pai tem um queixo lindo, meu filho.
- mas não tem bundinha.
- [ela olha para a TV e tenta ler os lábios da mariana godoy] o nariz dele...
- pelo amor de deus, mãe... não vamos desviar...
- bundinha. tá bem. o queixo do seu pai não tem um risco no meio.
- não tem bundinha mãe.
- não tem.
- não.
- é. [ela alcança o controle remoto e aumenta a televisão: flamengo 3, vasco 2.]

sexta-feira, dezembro 17, 2004

gente que freia de repente.

desde que o homem evoluiu e passou a andar ereto por aí, desenvolveu várias maneiras de andar. rápido. devagar. com os braços em constante movimento. com os braços quase parados. passos pequenos. passos longos. passos pequenos alternando com passos longos. existe uma infinidade de maneiras de andar. eu particularmente ando devagar. sou sempre ultrapassado pelas pessoas. se os seres humanos viessem ao mundo equipados com espelhinho retrovisor preso na testa, eu já estaria cego de tanto levar farol alto dos mais apressados. mas, como você pode ver pelo título deste textinho, gostaria de falar sobre gente que freia de repente. pessoas que nasceram com freios abs® na sola dos pés. você com certeza já deu um esbarrão num fêla da puta desses. acontece muito em shoppings. acontece também em aeroportos e em ruas movimentadas. gente que freia de repente tem um sério problema em manter uma velocidade constante. esse pessoal acelera, e, quando você menos espera, pára. de 15 km/h para 0 km/h. e você, o babaca que está atrás sempre bate. e, assim como no trânsito, quem bate atrás é sempre o culpado. bati de resvalão num terno armani hoje na hora do almoço. o babaca me ultrapassou no meio da subida da escada rolante. só que, quando eu já achava que ele estava bem longe, na casa do caralho-- ele freiou. foi sair da escada rolante que ele freiou. de repente. como se num milésimo de segundo não sabia mais quem era ou o que estava fazendo alí. na minha frente. se fudeu. além do resvalão no terno, bati feio no sapato dele. e pela cara do sujeito-- o sapato é zero km. e melhor, pelo impacto-- foi perda total. gente que freia de repente-- vai dar uma meia hora de bunda.

segunda-feira, dezembro 13, 2004

o teste da academia. parte 1.

quando você entra numa academia, você obrigatoriamente tem que fazer o teste físico. o teste físico é aquela bateria de mini-exames para determinar o seu tipo, a sua série de musculação e principalmente para humilhar. é. porque a primeira coisa que pedem pra você fazer ao entrar na sala de exame é tirar a camisa. mostrar os pneus. a pança e as dobrinhas. inventaram um instrumento feito sob medida pra deixar você com cara de bosta. é um alicate que mede o seu nível de gordura. de banha. a mulher que me atendeu hoje fez questão de me mostrar como o negócio funcionava. ela pegava a banha, prendia com o alicate e mostrava os números. depois do teste da banha, vem as pedaladas. ela manda você padalar com uma intensidade que varia: ela aumenta quando você está tranquilo e só pára quando você ameaça tossir sangue. mas zuzo bem, eu não desmaiei. em seguida (vale lembrar que eu ainda estava sem camisa) deitei no chão gelado e tive que fazer o maior número possível de abdominais em 60 segundo. na terceira abdominal, vi tudo preto e larguei a cabeça contra o concreto. abri um sorriso para disfarçar a dor. da abdominal para a flexão de braço. consegui completar 8. meus braços não respondiam mais os estímulos que meu cérebro mandava. eles siimplesmente tremiam. sentado numa cadeira daquelas de couro sintético, sentia minhas costas grudando-- e suor acumulando na base do pescoço. por alguns segundos pensei em abandonar essa sociedade que dá valor a pessoas que cabem dentro de suas respectivas calças jeans e criar a sociedade alternativa: a sociedade da calça de moletom.

o ladrão.

acho que esse fim de semana passou mais rápido que todos os outros.
hoje, a caminho do trabalho, pensei em parar numa delegacia e fazer um boletim de ocorrência.

delegado (confuso): "você pode ser mais claro? como assim, roubaram seu fim de semana?"
eu: "é, roubaram. saí do trabalho na sexta-feira--relativamente cedo. e quando me dei conta já era segunda--e estava drigindo de volta para lá..."
delegado (interrompendo): "de volta para o trabalho?"
eu: "é."
delegado: "você se lembra se foi atacado?"
eu: "acho que sim."
delegado: "será que você conseguiria descrever quem roubou seu fim de semana?"
eu: "não sei--como eu disse--foi tudo muito rápido."
delegado (ficando puto): "você me desculpe, mas é a primeira vez que eu escuto isso.
acho que estamos perdendo tempo aqui. tenho coisa mais importante pra fazer."
eu (assustado): "que horas são?"
delegado(puto): "porque?"
eu: "acho que o filha da puta atacou de novo. roubou a nossa manhã."

sexta-feira, dezembro 03, 2004

17 minutos.

hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia. ainda não sei ao certo se é uma boa idéia. mas não deixa de ser uma idéia. é. enquanto o alarme gritava "levanta moleque! levanta porra! seu bosta.... preguiçoso!", fiquei rolando na cama pensando no que poderia ser feito para acabar de vez com aquela sensação escrota de todas as manhãs. a primeira idéia que me veio à cabeça, foi-- a de realizar um congresso é, um congresso de grandes proporções. reunir formadores de opiniões. celebridades. estudantes barulhentos. atores, atrizes, diretores de cinema b, taxistas e motoristas de ônibus. todos no mesmo lugar. a idéia do congresso é simples: convencer o mundo inteiro a ficar na cama por mais 17 minutos. todo mundo esparramado na cama por mais 17 minutos todos os dias. na minha opinião, esse é o tempo necessário para tirar o gosto de travesseiro e cobertor da boca. 17 minutos equivalem a umas 4 apertadas do botão de 'soneca' do alarme. e dependendo do alarme, umas cinco apertadas do botão de 'soneca'. ou seja, é tempo suficiente para rolar adoidado na cama e levantar de bom humor. tirar a remela dos olhos. toda remela, até aquela que fica agarrada entre o canto dos olhos e o começo do nariz. é tempo para bocejar até estalar as mandíbulas. acordar com disposição. e cheio de vontade de encarar um belo trânsito de segunda-feira. esse congresso poderia significar a tão esperada paz no mundo. o fim da violência. dos crimes. é. com 17 minutos a mais de sono na cama-- todo mundo teria mais saco para tudo. muito mais saco. as pessoas seriam mais felizes. 17 minutos que podem mudar o mundo. mas é claro, para que essa idéia funcionasse, todas as pessoas, sem exceção-- teriam que concordar com os termos. o primeiro fêla da puta que levantasse da cama, um minuto mais cedo-- fuderia com o esquema de todo mundo. hoje cedo, quando a porra do alarme tocou, eu tive uma idéia: 17 minutos a mais na cama.