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existem filmes muito bons. filmes "opa, foi bacana." que você logo esquece, mas não fica puto por ter gastado um din din suado. e filmes ruins. e o foda dos filmes ruins é que, com toda a informação disponível hoje em dia, está cada vez mais fácil identificar um filme ruim. está cada vez mais fácil sentir o cheirinho de filme bosta. existem as críticas dos jornais. comentários em sites especializados em cinema. comentários de amigos. voltando aos jornais, existe jornal para caráio, o que acaba permitindo uma caráiada de críticas diferentes. tem o site da apple com traillers. traillers no you tube. ou seja, meu amigo, se você pegar um filme ruim, você é muito azarado. ou como os portugueses diriam, é um azarado do caráças. (caráças é uma tradução ou forma de falar muito engraçada de "caralho". o caráças quer dizer a mesma coisa, mas é permitido falar em público, em anúncios...) o que nos leva aos filmes "evan almighty" e "i know pronounce you chuck and larry". o primeiro com o steve carell e o segundo com o adam sandler. duas comédias. dois filmes ruins para cacete. daqueles de você olhar para os lados no cinema e jurar que estão de putaria com você. confesso que o calor infernal do verão português influenciou na minha ida acima da média aos cinemas. nada como o ar condicionado do cinema para você achar que o sol deixou de existir. então, se por algum motivo, algum dia, alguém convidar você para assistir qualquer um dos dois filmes acima, fique esperto. se for a sua namorada, fique certo que o relacionamento, na opinâo dela, está indo para o caraças.
dia desses, observei no shopping uma criança gritando para mãe que queria comprar um lego. uma caixa de lego transformers acho. não tenho certeza. algum lego com alguma tema desses que fode com a cabeça de um moleque. bom, e foi ali, observando esse moleque que gritava mais alto do que a mocinha presa entre os dedos do king kong, que cheguei a conclusão que o pessoal do lego é um bando de fêla. explico: lego forma qualquer coisa. qualquer. isso é um fato. todo mundo sabe. é só ter um pouco de paciência e criatividade para juntar as peças. bom, e porque caráio o pessoal da lego não vende uma só grande caixa? uma grande caixa cheio de peças? uma caixa com peça para caráio. bom, e aí, só para deixar de ser fêla, os caras da lego poderiam volta e meia colocar na web pequenos manuais. ex.: como montar com essa caixa gigante de peças de lego, um tranformer. simples assim. mas é claro que é um pouquinho mais difícil fazer din din assim. por isso mesmo, dia desses, observei uma criança gritando para a mãe que queria comprar um lego.
nada contra grandes pratos de comida. quando estou com fome então. mas tem um negócio curioso aqui em portugal. todo e qualquer restaurante que você almoça e janta aqui serve porções dignas de ceias de natal e ano novo. toda vez que saio para almoçar e peço qualquer prato, vem semre aquela travessa gigante com 800 gramas de arroz, um bacalhau submerso em azeite e batatas geneticamente alteradas. é preciso alguma espécie de força de vontade para evitar comer tudo. raspar o prato. afinal, os caras cozinham bem. isso, não é nenhum segredo. o que eu não entendo é o motivo para tanta comida. uma vez, depois de me foder inúmeras vezes nesse esqueminha, pedi uma porção e dividi com mais duas pessoas. e sobrou. não é uma regra. mas vale sempre observar as mesas vizinhas, ver o tamanho das travessas. das porções. das panças. sinta o drama. porque periga você, ou voltar para casa com o último botão da calça aberto ou com a sensação que acaba de sair daquela ceia de natal que só deveria acontecer uma vez por ano na casa da sua vó que mora em copacabana.
floppy disks.
fitas de vhs
zip disks.
pedir a sua carne mal passada e ela vai chegar bem passada, carvão.
entrar num taxi e descobrir que o fera com as mãos na volante sempre sonhou em ser piloto de fórmula 1.
morder por engano uma azeitona num pastel ou empada que você perguntou para a tiazinha se tinha azeitona ou não. e ela respondeu com sorriso: "azeitona? não. pode comer tranquilo."
escutar alguém muito sincero que vai dizer: "você disse bom dia? não, bom dia, não. na verdade o meu dia está bem mais ou menos."
fui assistir uma partida de futebol aqui. portugal e sérvia. aquele jogo em que o felipão deu uma muqueta num jogador do time adversário. mas não é sobre isso que eu vou falar. mas sobre uma teoria. sobre o comportamento dos técnicos. ou porque é que pagam tanto para esses caras. sentado ali, no meio da torcida, notei que uns três caras que estavam no time português não eram assim lá muito queridos. os torecedores gritavam o nome de outros jogadores. e nada do felipão mudar. os jogadores em campo não faziam bosta nenhuma, e nada do felipão trocar. bom, cheguei a conclusão que os técnicos não podem fazer o óbvio. nunca. se eles fizerem o óbvio, perdem o emprego. técnico tem que fazer alguma loucura. escalar alguma cara muito mais ou menos. um nota 3. um atacante no meio de campo. e vice versa. é a maneira que os técnicos descobriram de deixar o pessoal, os torcedores cafuzos: "que caráio o felipão está fazendo?" é, porque se eles escalarem os jogadores certos. usarem o bom senso, não faz muito sentido ter eles ali. as decisões têm que ser polêmicas. tem que parecer que eles são gênios loucos. apesar de na verdade, estarem alí no banco sentados torcendo para dar certo aquela idéia bem mais ou menos. pode notar, nunca tem um técnico que não faz algo polêmico. barra o romário. barra o kaká. substitui o goleiro que é herói pelo reserva do time que está em oitavo no campeonato estadual da segunda divisão. tem que ser lôco. porra louco. bem doidão. "o que se passa na cabeça deste técnico?" nada. ele sabe que está fazendo merda. mas tem que parecer que só ele consegue pensar assim. apenas uma teoria.
um argentino que trabalha aqui na agência pediu um favor: ligar para a tv cabo no nome dele, já que ele não fala português.
- eu gostaria de cancelar a minha tv cabo?
- mas porque o senhor gostaria de fazer isso?
- porque sim...
9 minutos de explicação.
5 minutos de musiquinha.
- olha, o senhor vai ter que ligar para esse outro número.
- mas...
- pode anotar?
- mas....
- 210... sinal de chamada.
- alô?
- boa tarde, eu gostaria de cancelar a minha tv cabo?
- mas porque o senhor gostaria de fazer isso?
- porque sim...
16 minutos de explicação.
16 minutos de musiquinha.
- olha, o senhor vai ter que passar um fax para esse número que eu vou falar...
- fax?
- ou carta registrada.
- carta?
- ou pode ir em pessoa numa loja...
- mas eu estou no telefone desde...
- eu sei.
- mas a senhora não acha estranho?
- estranho?
- porque não avisaram desde a primeira ligação? meia hora atrás?
- avisaram o que?
- sobre o fax?
- isso mesmo, o senhor vai ter que passar um fax para esse número que eu vou falar...
a maquininha da nespresso aqui em portugal não custa a fortuna que cobram em são paulo. lá, a mais barata sai por uns 400 euros. aqui, por 99. não sei se o pessoal da nespresso no brasil sabe que existe o google, mas é mais ou menos essa a diferença. mas zuzo bem. o foco aqui não é o preço. mas a dependência. das capsulas de café da cafeína. dos dois, da cápusla e da cafeína. já li em algum lugar que a cafeína é a última droga legal. vendida em esquinas. e sem restrições. você não encontra um aviso sobre um balcão de café que diz: "não servimos café ou capuccino para pessoas menores de 18 ou que aparentam estarem com overdose de cafeína." é claro que se você entrar numas de tomar oito cafés numa mesa de bar, também vão te olhar meio atravessado. no mínimo vão estranhar. mas voltemos a dependência das cápsulas e da cafeína. os caras da nespresso fizeram a tal maquininha com um design fucking fuckers. gastaram mais da metade do budget na porra do design. basta passar na frente da loja para testemunhar a quantidade de pessoas debruçadas sobre a vitrine observando as máquinas. capricharam também no design das cápsulas. e nas cores. uma, por exemplo, é cor dourado ouro puro do fort knox. uma outra, cor de prata lua de marte. um outra, vermelho 1000% tourada de madrid. o negócio chama atenção. bom, aí com essa overdose de design, os caras te fisgam para dentro da loja. loja com as paredes cobertas de cápsulas das cores que eu acabei de mencionar. as vendedoras todas de terninho zambers com um ar de que estão traficando alguma coisa rara que só elas têm acesso. o que, você descobre depois de duas semanas, com a máquina em casa, que é a mais pura verdade. é, basta acabar a sua primeira leva de capsulas para você se sentir inutil, fraco, dependente. para tomar o café na maquina zambers fuckers, tem que ser com as capsulas de ouro. não existem genéricas. e você só encontra na loja. só lá. mais uma vez, só lá. e isso, você só descobre, ou realmente se dá conta do problema, num dia como hoje. uma terça feira. com uma colher de remela em cada olho. um sono daqueles que você perambula pela casa com uma certeza absoluta que é sábado. você só descobre no momento em que liga a máquina, vê a luz parar de piscar avisando que você já pode colocar a cápsula de café. você só decobre no momento em que a parte do seu cérebro dependente de cafeína registra o que está acontencedo. quando abre a caixinha igualmente estilosas das cápsulas e não encontra nada lá dentro. as cápsulas acabaram, ou melhor, você bebeu café e elas acabaram. e você fica ali, com um ar desanimado. uma leve dor de cabeça devido a abstinência da cafeína. parte numa busca incansável pela casa atrás da cafeteira que você abandonou em favor da máquininha da nespresso, e nada. corre atrás do nescafé, e nada. toma uma ducha fria para controlar os sintomas e vai para loja da nespresso. e é lá, na porta da nespresso que você encontra uma caráiada de pessoas como você. dependentes. das capsulas e da cafeína. um esqueminha maquiavélico e simples. a pourra da maquina é fácil de operar, um botão e pronto. é impossível errar o café. e só vende ali. com as fornecedoras de terninho por de trás do balcão rindo de você. aquele sorriso de quem pensa: "se fudeu, quem mandou comprar a maquininha."
- o carro delorean do 'de volta para o futuro' já carregado com 1.21 jigowatts.
- o hexacampeonato sobre a argentina aos 47.8 do segundo tempo, gol do obina, de bicicleta.
- um chopp.
- que o mesmo pessoal que fabrica os anti-vírus do computador, é o mesmo fêla da pulta que manda spam para o meu email?
- que se a tiazinha que faz a previsão do tempo na tv, carrega sempre um guarda-chuva na bolsa?
- que o médico que falou para eu dar uma aliviada nas comidas com alto colesterol, não come uma batatinha frita quando vai ao mcdonald's?
- o vagalume tem pavor de marca-texto/iluminador.
- no programa csi, todos os crimes são desvendados em uma hora. exames de dna, no espaço de um intervalo comercial.
- o programa 24 horas dura 47 minutos.
- se o relógio do jack bauer estiver adiantado, o programa começa antes do previsto.
- bolinho de bacalhau aqui se chama pastel de bacalhau.
- aposto um bilhão de dólares que você não consegue dizer o nome de todos os canais da sua tv. pensando bem, aposto dois.
- encontrei o garçom de um restaurante daqui de perto do trabalho no metro. cedo, nove da manhã. a caminho do trabalho.estava lá o garçom sem a roupa típica. anônimo no meio do vagão. bem, o fêla estava limpando o salão do nariz. tirando meleca. escavando as paredes da narina. vai ser caplicado comer lá novamente.
fui com o meu passaporte carimbado com o visto, todo certinho, comprovante de residência, contrato de trabalho. tudo. para tirar um documento desses que a burocracia inventou.
- bom dia.
- bom dia.
- a senhora me desculpa, mas eu não sei ao certo se este é guichê correto.
- o que o senhor deseja?
- eu queria o documento abb7-8.
- é aqui mesmo. passaporte.
- aqui.
- número do contribuinte.
- aqui.
silêncio.
silêncio.
silêncio.
- bom, eu não poderei ajudar você.
- mas...
- você precisa estar acompanhado de um português.
- mas...
- precisa.
- e ele, precisa de alguma coisa especial?
- quem?
- o português que a senhora se referiu mas eu não sei ainda quem será.
- mas se você não sabe ainda, como é que eu vou saber.
- estou apenas tentando, ou melhor, a tentar evitar que isto que aconteceu aqui hoje se repita.
- ele precisa ter o documento abb7-8.
- ah tá.
- ...e ele precisa ter um endereço em portugal.
- mas ele é português.
- quem?
- não sei ainda. preciso pensar quem eu vou chamar.
silêncio.
silêncio.
- próximo!
nele, um cachorro na frente de uma casa, segura uma máquina que mede a quantidade de medo que uma pessoa sente. no quadrinho, a tal máquina ganhou o nome de fear-o-matic ou a geringonça do medo. algo por aí. e no quadrinho, a piada toda é um carteiro que está passando pela casa e praticamente caga nas calças de medo. e, por mais que ele difarce, o cachorro sabe que ele está com medo. e você, sabe, quando o cachorro sabe que você está com medo, fudeu. late, corre atrás, ameaça tirar um naco da sua canela. sou fã do gary larson. já contibui bastante para a poupança dele. e hoje me senti parte deste quadrinho clássico. o cachorro que consegue medir o medo das pessoas. bom, onde eu moro aqui em lisboa, é um daqueles bairros meio fechados, com praça, velhinhos, crianças nas ruas. é um anda para lá, anda para cá. todo mundo circula para todos os lados. não tem muito esse esquema de pegar o carro para fazer tudo. quem mora em campo de ourique gasta a sola do sapato. o que nos leva aos cachorros. são dois, as vezes três. não sei ainda se o terceiro era um primo que estava visitando. na grande maioria das vezes são dois. dois vira-latas. um médio e o outro pequeno. e eles ficam numa esquina ao lado da minha casa. um quarteirão antes. uns cinquenta metros da porta da minha casa. não tem como driblar os feras. bom, e eu sempre tentei controlar o medo. nos dois primeiros meses que eles tomaram a esquina para eles, procurei passar com o peito estufado e uma cara de fêla da pulta que come cachorrinhos no jantar. o tempo passou, e, hoje, os fêlas me pegaram desprevenidos. estava lá teclando um sms, quando virei a esquina e me deparei com os dois. meio no susto, olhei para um que babava raiva e, foi neste instante que o outro ligou o fear-o-matic e detectou o medo. o cagaço. os dois começaram a latir para cacete. pensei nas minhas opções. correr? não, os dois me alcançariam. chutar? não, eles têm um primo grande que de vez em quando visita. lembrei do gary larson na hora. do quadrinho dele. imaginei como ficariam os dois num espeto de churrasco. estufei o peito, franzi os olhos e em poucos segundos, com a força da mente, reverti o mostrador digital do fear-o-matic. os dois abaixaram a cabeça e eu segui em em frente. existe um quadrinho do gary larson genial.
• publicitário conversa com a mulher.
- amor, você precisa experimentar esta cerveja. gelada. saborosa. com uma espuma densa e ingredientes nobres. nunca bebi nada tão refrescante.
• mulher chef de restaurante premiado comenta com o marido.
- porra amor, cheetos sabor presunto não, né?! não fodi.
• viciado em apostas obseso, em casa durante o café da manhã.
- amor, quer apostar quanto, que eu consigo comer o meu sanduíche, e o seu, em menos de um minuto?
a diferença entre 'fumantes' e 'não-fumantes' num restaurante hermeticamente fechado.
como é que o pessoal da ikea consegue convencer meio mundo que é possível montar os móveis deles sozinho.
como qualquer prato com bacalhau é mais famoso no brasil do que a açorda de gambas.
como é que nenhum português ao chegar em casa com cocô de cachorro agarrado na sola do tênis, ainda não chegou a conclusão de que seria sei lá, interessante pegar com um saco plástico descartável, o cocô do próprio cão.
nada contra os guias. muito pelo contrário. eu tenho uns três, só de lisboa. graças ao guia eu aproveitei uma caráiada de lugares que eu nunca encontraria, nem dando 300 mangos na mão de um taxista bem humorado. mas existe um lado ruim dos guias. todo mundo descobre as mesmas coisas que você. ou seja, você se apaixonou por um prato que tem num restaurante tal do guia zambers que você comprou pela amazon? ah, que bom. que bom que você conseguiu lugar meu amigo. vai lá tentar comer o tal prato pela segunda, terceira vez. leve a sua mãe quando ela estiver visitando lisboa: "mãe, você precisa experimentar o arroz de tamboril desses caras... pensando bem, olha a pourra da fila, deixa para lá." e a mesma história vai se repetir com a sua sogra bem naquele dia que você quer marcar uns pontos com ela. não tem jeito. dia desses, estava lá eu, de pé, na frente do cantinho do bem estar, esperando uma mesa, ou como diriam os lisboetas, a esperar uma mesa, quando um casal francês se aproxima e pergunta com um sotaque carregado: "esse aqui é o cantinho do bem estar?" a minha primeira reação foi dizer que não, que eles estavam enganados e que o cantinho do bem estar ficava do outro lado da cidade. a minha segunda reação, que acabou sendo o que aconteceu, pois pensei duas vezes, foi dizer que sim, aquele ali era o cantinho do bem estar. o casal agradeceu e comentou que tinha lido sobre cantinho no lonely planet. na mesma noite uma brasileira comentou comigo na fila que recebeu um email falando deste lugar. "é maravilhoso não é?" e eu: "mais ou menos, é bem mais ou menos, melhor não recomendar para ninguém." brincadeira, se fosse possível mentir, eu mentiria. mas os pratos que ela comeria em instantes fariam um bom trabalho para afirmar ali no meio das mesas do restaurante que eu era um mentiroso. mas 'o cantinho do bem estar' é apenas um exemplo. já cheguei na porta de uns três lugares com turistas munidos de guias e máquinas fotográficas. e não estou falando do pastel de belém, do castelo de são jorge, não, esses são monumentos nacionais. tombados pela unesco ou algum orgão desses. estou falando é das tasquinhas, cafés, quase debaixo da terra. aqueles miniaturas. com quatro mesas. um garçom ranzinza. e o melhor bacalhau do mundo. aquele peixe que só o cara tem porque ele é sogro do pescador que pesca a pourra do peixe. os guias mais específicos. os guias modernosos. os guias a lá lonely planet estão revelando para todos, todos os segredos. é foda. se de um lado você também descobre uma porrada de lugares impressionantes. fucking fuckers. meio mundo também descobre. falando nisso, eu iria recomendar um restaurante sensacional que não vi em nenhum guia, foi um casal que recomendou. é o...